No contexto bíblico, "amorfrontar" seria equivalente a confrontar (repreender) em amor.
Na prática, não precisamos listar nem exemplificar aqui as maneiras não bíblicas de confrontar alguém, em desamor, porque são amplamente conhecidas e infelizmente muito aplicadas por todos os seres humanos. Portanto, todos nós precisamos nos perguntar qual seria a maneira bíblica de confrontar a outrem (nosso "próximo"), em amor?
Nas Escrituras, os Livros de Sabedoria têm muito a nos ensinar sobre esse assunto (repreensão amorosa):
O Salmista (Davi), inspirado pelo Espírito Santo, também tem muito a nos ensinar sobre a bênção (mercê) da repreensão do justo, como um óleo sobre a cabeça:
"Põe
guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Não
permitas que meu coração se incline para o mal, para a prática da
perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu
das suas iguarias. Fira-me o justo, será isso mercê; repreenda-me, será como óleo sobre a minha cabeça, a qual não há de rejeitá-lo. Continuarei a orar enquanto os perversos praticam maldade." (Sl 141:3-5)
No Livro de Provérbios, também encontramos muita sabedoria sobre esse assunto:
"Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará." (Pv 9:8)
"Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado." (Pv 13:18)
"Os ouvidos que atendem à repreensão salutar, no meio dos sábios têm a sua morada. O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento." (Pv 15:31-32)
"Quando ferires ao escarnecedor, o simples aprenderá a prudência; repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento." (Pv 19:25)
"Como pendentes e joias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento." (Pv 25:12)
"Melhor
é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas
feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos." (Pv 27:5-6)
"O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua." (Pv 28:23)
O Pregador, em Eclesiastes, também tem a nos ensinar sobre esta questão:
"Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato. Pois, qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é a risada do insensato; também isto é vaidade." (Ec 7:5-6)
No Novo Testamento (NT), também encontramos muito ensino sobre o valor da repreensão, disciplina ou confronto amoroso. O ensinamento mais conhecido talvez seja o que saiu dos lábios do próprio Senhor Jesus Cristo, no Evangelho segundo Mateus (18:15-20), sobre "Como se deve tratar a um irmão culpado". O autor aos Hebreus (12:4-13) também traz uma perspectiva importante, nos exortando, como filhos de Deus, para não menosprezarmos "a correção que vem do Senhor", pois "Deus [...] nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade". O autor bíblico, inspirado pelo Espírito Santo, nos encoraja à obediência a Deus, usando o seguinte argumento piedoso: "Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça." (Hb 12:11)
Ah! Irmãos e irmãs, em Cristo, que grande desafio, para todos nós, é aplicar cotidianamente estas verdades, em todos os âmbitos da vida cristã!
Senhor, Justiça Nossa (Jeová Tsidkenu; ver Jr 23:6), nos ajude a produzirmos, por Tua graça e misericórdia, os "frutos de justiça", e recebe toda a glória, por tudo, sempre!