Print Friendly and PDF
Mostrando postagens com marcador exortação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador exortação. Mostrar todas as postagens

14 fevereiro 2026

"amorfrontar"

No contexto bíblico, "amorfrontar" seria equivalente a confrontar (repreender) em amor. 
Na prática, não precisamos listar nem exemplificar aqui as maneiras não bíblicas de confrontar alguém, em desamor, porque são amplamente conhecidas e infelizmente muito utilizadas por todos os seres humanos. Portanto, todos nós precisamos nos perguntar qual seria a maneira bíblica de confrontar alguém, em amor? 
Nas Escrituras, os Livros de Sabedoria têm muito a nos ensinar sobre esse assunto (repreensão amorosa):

O Salmista (Davi), inspirado pelo Espírito Santo, também tem muito a nos ensinar sobre a bênção (mercê) da repreensão do justo, como um óleo sobre a cabeça:
"Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Não permitas que meu coração se incline para o mal, para a prática da perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu das suas iguarias. Fira-me o justo, será isso mercê; repreenda-me, será como óleo sobre a minha cabeça, a qual não há de rejeitá-lo. Continuarei a orar enquanto os perversos praticam maldade." (Sl 141:3-5) 

No Livro de Provérbios, também encontramos muita sabedoria sobre esse assunto:
"Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará." (Pv 9:8)
"Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado." (Pv 13:18) 
"Os ouvidos que atendem à repreensão salutar, no meio dos sábios têm a sua morada. O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento." (Pv 15:31-32)  
"Quando ferires ao escarnecedor, o simples aprenderá a prudência; repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento." (Pv 19:25) 
"Como pendentes e joias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento." (Pv 25:12)  
"Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos." (Pv 27:5-6)
"O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua." (Pv 28:23)

O Pregador, em Eclesiastes, também tem a nos ensinar sobre esta questão:
"Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato. Pois, qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é a risada do insensato; também isto é vaidade." (Ec 7:5-6)

No Novo Testamento (NT), também encontramos muito ensino sobre o valor da repreensão, disciplina ou confronto amoroso. O ensinamento mais conhecido talvez seja o que saiu dos lábios do próprio Senhor Jesus Cristo, no Evangelho segundo Mateus (18:15-20), sobre "Como se deve tratar a um irmão culpado". O autor aos Hebreus (12:4-13) também traz uma perspectiva importante, nos exortando, como filhos de Deus, para não menosprezarmos "a correção que vem do Senhor", pois "Deus [...] nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade". O autor bíblico, inspirado pelo Espírito Santo, nos encoraja à obediência a Deus, usando o seguinte argumento piedoso: "Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça." (Hb 12:11)
 
Ah! Irmãos e irmãs, em Cristo, que grande desafio, para todos nós, é aplicar cotidianamente estas verdades, em todos os âmbitos da vida cristã! 
Senhor, Justiça Nossa (Jeová Tsidkenu; ver Jr 23:6), nos ajude a produzirmos, por Tua graça e misericórdia, os "frutos de justiça", e recebe toda a glória, por tudo, sempre!

22 maio 2023

Aprendizado piedoso 167

"... Mas, na realidade, Calvino não tinha a menor intenção de se dedicar ativamente à obra de reformador. Pois mesmo sentindo grande admiração por aqueles que assim fizeram, seu maior desejo era o de poder se dedicar ao estudo e a literatura reformada, não se vendo como pastor ou mesmo capacitado para tal obra.
Seu objetivo era de se estabelecer em Estrasburgo, onde a causa reformadora havia triunfado, e onde havia uma grande atividade teológica e literária que lhe parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos.
Mas, quando para lá se dirigia, teve de desviar seu caminho e passar por Genebra, em virtude de uma guerra. A situação em Genebra diferia em muito da de Estrasburgo, pois era muito confusa, tendo em vista a recém-chegada fé reformada levada por Guilherme Farel e um grupo de missionários advindo de Berna, que necessitava muito de ajuda para conduzir a vida religiosa na cidade.
Calvino chegou a Genebra com a intenção de passar ali, não mais que um dia , e prosseguir caminho para Estrasburgo. Porém, alguém avisou a Farel da presença de Calvino, o autor das Institutas, que logo foi procurado e com quem obteve uma entrevista marcante.
Farel, que 'ardia com um maravilhoso zelo pelo avanço do evangelho', apresentou a Calvino várias razões pelas quais precisava de sua presença em Genebra. Calvino escutou atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que ele, porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projetado certos estudos e que não lhe parecia possível terminá-los na situação em que Farel descrevia. Quando, por fim, Farel tinha esgotado todos os seus argumentos, sem conseguir convencer ao jovem teólogo, apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: 'Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda'.
Diante de tal imprecação, nos conta Calvino: 'essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha empreendido'. E assim começou a 'carreira' de João Calvino como reformador de Genebra..."
 
Fonte: "A Era dos Reformadores", Justo L. Gonzales. (PDF)