'[...] O ódio é como um valentão {"bully"} enorme e musculoso, que se recusa a deixar qualquer pessoa se aproximar da alma ferida e ensanguentada. Esse valentão é cruel, ofensivo e antagônico. Ele força os outros a fugir ou a lutar {"fight or flight"}. Qualquer uma dessas reações serve para justificar ainda mais ódio. É um mecanismo de defesa perverso, que se recusa a clamar por um defensor {advogado} que traga redenção.
O único caminho para romper essa defesa feroz é uma bondade que não ataca o valentão, nem o teme. Em vez disso, ela oferece ao valentão o que ele realmente deseja: perdão e reconciliação. É assim que a gratidão suaviza o ódio de si mesmo {autoinfligido}, gerado por causa da vergonha.
***[sobre a amizade dos autores do livro]*** Há quase três décadas, Tremper ofereceu a um valentão um vislumbre de redenção. Tremper e eu nos conhecemos numa aula de música, na oitava série. Eu {Dan} era um valentão [...] Durante a aula de música, Tremper tocou no meu ombro para perguntar se podia pegar um pente emprestado. Eu era um garoto agressivo. Agarrei-o pela camisa e o arranquei da carteira.
A reação de Tremper foi rir. Nunca, em minha jovem vida, eu {Dan} havia vivenciado algo tão desconcertante. Eu era um jogador de futebol americano grande e agressivo, com má fama, que usava a intimidação para esconder um profundo ódio de mim mesmo, e um pavor absoluto de me relacionar com os outros. Mas Tremper riu — uma risada sincera, gentil e livre de desprezo. Aquilo me desarmou instantaneamente. Para mim, a partir daquele momento, éramos melhores amigos. Nossa amizade tornou-se o meio pelo qual Deus me encurralou tempo suficiente para que eu ouvisse e respondesse ao evangelho.
A
gratidão nasce em um
coração maravilhado pela busca incansável daquele que nos ama, a despeito de inúmeras razões para atacar, ou se afastar com repugnância. Como disse Paulo,
é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (
Romanos 2:4). A
gratidão surge no instante em que a
graça é recebida; é um louvor de agradecimento repleto de assombro e ironia.
Como alguém poderia me escolher quando meu coração é tão feio e endurecido? Não faz sentido. Isso desafia minhas expectativas e, ao mesmo tempo, desperta as fibras mais profundas do desejo.
A vergonha não tem poder em um coração cheio de gratidão. O ódio não tem chance em um coração que canta com desejo inocente, tristeza humilde, esperança firme e louvor grato à bondade de Deus...'
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Tradução da seção final de "Agradecimentos" dos autores do livro:
*Dan Allender:
'“O teste de toda felicidade é a gratidão”, disse G. K. Chesterton. Feliz é o homem que, unido a bons amigos, dedica-se a uma tarefa que expõe o que há de pior em nós, e extrai o melhor que fomos feitos para oferecer. Ele será grato mesmo em meio a ataques, solidão e angústia.
Sou um homem assim. Tenho o privilégio de contar com amigos como Al Andrews, Liam Atchinson, Larry Crabb, Don Hudson, Kim Hutchins, Tom Varney e Ken Wilson, que me incentivam a vislumbrar aquilo que, até agora, só raramente vejo à distância.
Escrevo sempre ao som de música. Quero agradecer àqueles que proporcionaram a textura e a atmosfera para toda a minha escrita. Obrigado, Ashley Cleveland; obrigado, Michael Card, Bruce Cockburn, Loreena McKennitt, Maire Brennan, Clannad, Spin Doctors e Peter Himmelman, por cantarem hinos que despertam a alma.
Sou grato à minha amiga Susan Rike, minha assistente pessoal, que assumou o peso de supervisionar meu ministério, e cuidar da minha alma, com visão e gentileza.
Este projeto correu o risco de ser interrompido logo no início. Sem o cuidado sábio, apaixonado e gentil de Kathy Yanni, nossa editora, ele {o livro} teria perecido prematuramente no esquecimento. Não poderia ter havido cuidado melhor, e minha mais profunda gratidão vai a Deus por nos permitir trabalhar com Kathy.
Se você é um leitor atento e curioso, talvez se pergunte como se escreve um livro em coautoria. Optamos por dividir os capítulos e, em seguida, passar o texto um ao outro para reescrita; depois, o material retornava para ser reescrito novamente, e mais uma vez, até que estivéssemos satisfeitos de que cada capítulo refletia nossas convicções individuais.
O processo é trabalhoso, mas gera a confiança de que as opiniões expressas refletem nossa autoria conjunta. Isso exige uma excelente relação de trabalho — profunda confiança e disposição para dialogar, debater e refletir. Este livro reflete interações que atravessaram vinte e nove anos. Não há palavras capazes de expressar minha gratidão a Tremper por me amar fielmente e com tanta amabilidade ao longo de dias de turbulência e perda, e de períodos de pecado e fracasso. Uma amizade contínua e cada vez mais profunda, que já dura quase três décadas, é um tesouro que só perde em valor para minha esposa e minha família.
Meus agradecimentos mais profundos são reservados àqueles que carregam o fardo mais pesado de todo o processo: minha família. Anna, você é uma jovem maravilhosa e linda. Você não imagina o quanto eu amo profundamente o seu coração. Amanda, você é uma menina de nove anos misteriosa e de bom coração. Sua doçura me comove às lágrimas. Andrew, você é um menino cativante, carinhoso e cheio de energia. Tenho muito orgulho de ser seu pai.
E, finalmente, amor da minha vida, Rebecca: ninguém atrai meu coração para a paixão do céu, ninguém consegue tocar meu coração ou me dar um vislumbre da glória como você. Sua vida é uma dádiva superada apenas pela promessa de uma eternidade ao seu lado. Sou grato por você se empenhar fielmente em conhecer a Deus e oferecer os frutos da sua jornada à sua família.'
*Tremper Longman III:
'Quando Dan e eu começamos este livro, ingenuamente pensamos que seria um projeto fácil e gerenciável. Nós mal sabíamos que Deus tinha outros planos.
Propusemo-nos a escrever sobre emoções sombrias, e Deus permitiu que nossas vidas servissem de campo de prova para as convicções que estávamos desenvolvendo. Sentimos Deus nos arar, abrir sulcos em nós e produzir frutos que esperamos que nutram aqueles dispostos a crescer conosco. Foi um processo intenso e difícil.
Em 1º de outubro de 1993, nosso grande amigo Ray Dillard faleceu, aos quarenta e nove anos. Ray viveu uma vida de serviço e paixão como poucos. Nós dois conhecemos Ray quando éramos recém-chegados ao Seminário Teológico de Westminster, em 1974. Ele era apenas nove anos mais velho que nós, mas possuía uma maturidade e uma sabedoria que superavam sua idade cronológica. Como nosso professor, ele exerceu uma influência enorme na vida de ambos.
Ele me incentivou a cursar a pós-graduação em Antigo Testamento e, posteriormente, contratou-me como seu colega. Ray, Dan e eu vivenciamos aquela rara transição da relação de respeito entre professor e aluno para uma amizade íntima.
Apesar dessa e de outras dificuldades, o projeto continuou sendo empolgante. Minha amizade com Dan ao longo dos anos tem sido um privilégio raro, uma verdadeira prova da graça de Deus. Embora ele more em Denver e eu na Filadélfia, graças à "magia" do e-mail, trocávamos mensagens sobre o projeto e compartilhávamos as alegrias e frustrações de nossos corações três ou quatro vezes ao dia. Era como voltar a dividir o quarto na faculdade, mas, como disse Dan, "sem as meias sujas". Sua sabedoria bíblica e sua percepção da condição humana às vezes me deixam impressionado. Sua paixão por Deus me tira da proteção do ambiente puramente acadêmico.
Assim como Dan, também quero agradecer a Kathy Yanni, nossa editora. Ela não apenas sabe elaborar um manuscrito com esmero, mas também sabe conversar e jogar beisebol — uma combinação incrível.
No entanto, Dan tem razão: aqueles que merecem nossa maior gratidão e amor são nossas famílias. Tenho três meninos cheios de energia, de quem não poderia me orgulhar mais. Os três são jovens inteligentes, atletas incríveis e, de vez em quando, realizam alguma tarefa doméstica sem que precisemos pedir. Tremper IV tem agora dezesseis anos, Timmy tem quatorze e Andrew tem dez. Minha esposa, Alice, é o maior presente que Deus me deu. Ela é linda, tanto na aparência quanto na personalidade. Ela acredita em mim e apoia o meu trabalho; mais do que isso, ela vive com uma profundidade de amor que eu anseio em imitar. A melhor decisão que já tomei foi casar-me com ela quando tínhamos apenas vinte anos — garantindo, assim, ainda mais tempo para desfrutarmos juntos.'