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06 setembro 2026

Livro: "The Cry of the Soul" (O Chamado para a Peregrinação)

Dan B. Allender & Tremper Longman III

Tradução de um trecho do cap. 17:
"A Bondade de Deus"
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O Chamado para a Peregrinação
{The Call To Pilgrimage }

Os salmistas conheciam suas origens a partir do livro de Gênesis. Eles traçavam sua herança nacional e religiosa até Abraão, o pai da fé hebraica.
Deus havia chamado Abraão para sair de Ur, uma próspera cidade mesopotâmica, e ordenado que fosse para Canaã. Foi um chamado para deixar a estabilidade, o hábito e a segurança, em favor de uma jornada errante rumo a uma terra prometida. Ao chegar lá, sua vida de peregrinação não cessou. Ele se deslocava continuamente das imediações de uma cidade para outra, sem nunca permanecer muito tempo em um único lugar.
Em certo sentido, a terra pertencia a ele e aos seus descendentes; em outro sentido, não. Abraão foi chamado para uma vida de peregrinação, como estrangeiro e forasteiro em terra estranha. Era uma vida repleta de lutas, marcada pelo desejo e pela esperança de ver cumprida a promessa divina de descendência e de um lar.
Os salmistas eram descendentes biológicos e espirituais de Abraão. Tanto os autores dos salmos, quanto os adoradores que os utilizavam, estavam estabelecidos na terra de Canaã, mas sabiam que aquela não era a batalha final. Eles ainda enfrentavam as lutas próprias daqueles que peregrinam. Suas composições poéticas expressavam suas aflições, desejos e esperanças contínuos. Como Escritura inspirada, esses salmos eram um presente divino para dar voz aos tormentos e às aspirações do povo de Deus.
Assim como Abraão e os salmistas, nós também somos peregrinosviajantes em terra estranha, aguardando o fim de nossa jornada. Nosso retorno ao lar acontecerá no céu, quando nosso Pai nos receber de braços abertos. Até lá, nós também enfrentamos lutas, nutrimos desejos e mantemos a esperança.
O Saltério {os Salmos} nos convida a vivenciar emoções sem uma resolução imediata. Ele não apenas permite emoções sombrias; exige que sejamos tomados por aquilo que não podemos controlar ou mudar. Curiosamente, é na nossa impotência para mudar o que nos perturba, no nosso clamor de desespero, que ouvimos a canção da eternidade fluindo em nós, mesmo quando estamos surdos para a esperança.
Ouça: ela cresce. A música surge quando menos se espera, quando menos se merece, e quando menos se compreende. É o som suave que nos atrai a prosseguir na jornada, aguardando a ovação, o aplauso vibrante do céu.

Livro: "The Cry of the Soul" (A Natureza da Bondade de Deus)

Dan B. Allender & Tremper Longman III

Tradução de um trecho do cap. 17:
"A Bondade de Deus"
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A Natureza da Bondade de Deus
{The Nature of God’s Goodness }

O cristianismo afirma a bondade de Deus e a realidade da alegria na vida cristã. No entanto, com muita frequência, essas verdades são mal interpretadas pela compreensão popular.
A crença mais perigosa é a de que os cristãos podem experimentar uma alegria intocada pelo sofrimento do mundo — uma alegria que simplesmente transcende a raiva, o medo, o ciúme, o desespero, a vergonha e o desprezo da vida cotidiana. Isso é expresso, por vezes, na afirmação: "Nosso coração está no céu, e não na terra!"
Essa atitude frequentemente vem acompanhada da ideia de que a bondade de Deus se define, primordial ou exclusivamente, em termos de prosperidade material, sucesso e boa saúde {"Teologia da Prosperidade"}. Deus ama o Seu povo e é capaz de conceder-lhe tudo o que deseja; portanto, os cristãos deveriam olhar com otimismo para o futuro, esperando a realização de seus anseios.
É verdade que Deus frequentemente concede ao Seu povo muitas dádivas terrenas e infunde em seus corações uma alegria quase extasiante. Contudo, é um erro acreditar que todos nós podemos esperar receber esse tipo de bondade divina e experimentar uma alegria celestial na terra de forma contínua, ao longo de toda a nossa vida.
A experiência humana, por si só, não sustenta essa posição. Por mais fé que tenhamos, por mais bem que façamos e por mais esforço que dediquemos, não conseguimos fazer com que as dificuldades e tragédias da vida desapareçam.
Além da experiência humana, porém, temos a autoridade das Escrituras como uma voz que corrige essa compreensão equivocada da bondade divina e da alegria humana. Como os Salmos testemunham de forma tão comovente, o povo de Deus sofre. Eles conhecem bem as dificuldades angustiantes da vida.
De modo geral, a maioria dos crentes não leva essas noções distorcidas ao extremo. Eles percebem que a Bíblia não ensina um evangelho de "saúde e prosperidade". Sabem que a dor e o sofrimento farão parte de suas vidas. Mas também têm ideias bastante claras sobre como o sofrimento deve atuar em suas trajetórias.
As suposições sobre os métodos de Deus ao utilizar o sofrimento geralmente se concentram em três condições: para ser frutífero, o sofrimento deve ser (1) temporário, (2) compreensível e (3) facilmente aplicável às realidades práticas da vida.
Primeiro, Deus pode precisar usar o sofrimento para me trazer de volta ao caminho certo, mas isso precisa ser apenas um "choque rápido" para transmitir a mensagem. Portanto, minha experiência de sofrimento deve ser pontual, e não algo crônico. 
Em segundo lugar, para que a mensagem por trás do sofrimento seja clara, a experiência precisa ser compreensível. Portanto, para tirar proveito dela, devo ser capaz de explicá-la: “Deus permitiu que isso acontecesse em minha vida porque...
Por fim, a clareza do sofrimento deve conduzir a uma aplicação prática imediata. Se eu sei quais são as lições e como aplicá-las à minha maneira de viver, não preciso passar pela dor novamente.
Infelizmente, essas visões sobre o sofrimento são simplistas demais: não correspondem à realidade da experiência {humana}. Isso faz com que muitas pessoas passem a maior parte de suas vidas em tentativas frustradas de identificar as razões específicas de sua dor.
Para compreender a verdadeira natureza da bondade e da alegria que encontramos em meio ao sofrimento, podemos recorrer mais uma vez aos Salmos, em busca de orientação. Neles, vemos a bondade de Deus — que conduz à alegria — descrita como uma série de ações que Ele realiza em nosso favor. Esse tema daria um livro inteiro, mas teremos uma amostra {em vários Salmos} da generosidade de Deus para conosco ao observar algumas das muitas maneiras pelas quais Ele expressa Seu amor pelo Seu povo que sofre.

05 setembro 2026

Livro: "The Cry of the Soul" (sobre a amizade)

*** Dan B. Allender & Tremper Longman III ***

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Tradução de outro trecho do cap. 15  "O Poder Redentivo da Vergonha Divina" — que mostra como Deus pode fazer uso de uma amizade como ferramenta para a redenção, por Sua graça e misericórdia.
<<< Jesus, sobre amizade, em João 15:12-17 >>>

'[...] O ódio é como um valentão {"bully"} enorme e musculoso, que se recusa a deixar qualquer pessoa se aproximar da alma ferida e ensanguentada. Esse valentão é cruel, ofensivo e antagônico. Ele força os outros a fugir ou a lutar {"fight or flight"}. Qualquer uma dessas reações serve para justificar ainda mais ódio. É um mecanismo de defesa perverso, que se recusa a clamar por um defensor {advogado} que traga redenção.
O único caminho para romper essa defesa feroz é uma bondade que não ataca o valentão, nem o teme. Em vez disso, ela oferece ao valentão o que ele realmente deseja: perdão e reconciliação. É assim que a gratidão suaviza o ódio de si mesmo {autoinfligido}, gerado por causa da vergonha.
***[sobre a amizade dos autores do livro]*** Há quase três décadas, Tremper ofereceu a um valentão um vislumbre de redenção. Tremper e eu nos conhecemos numa aula de música, na oitava série. Eu {Dan} era um valentão [...] Durante a aula de música, Tremper tocou no meu ombro para perguntar se podia pegar um pente emprestado. Eu era um garoto agressivo. Agarrei-o pela camisa e o arranquei da carteira.
A reação de Tremper foi rir. Nunca, em minha jovem vida, eu {Dan} havia vivenciado algo tão desconcertante. Eu era um jogador de futebol americano grande e agressivo, com má fama, que usava a intimidação para esconder um profundo ódio de mim mesmo, e um pavor absoluto de me relacionar com os outros. Mas Tremper riu — uma risada sincera, gentil e livre de desprezo. Aquilo me desarmou instantaneamente. Para mim, a partir daquele momento, éramos melhores amigos. Nossa amizade tornou-se o meio pelo qual Deus me encurralou tempo suficiente para que eu ouvisse e respondesse ao evangelho.
A gratidão nasce em um coração maravilhado pela busca incansável daquele que nos ama, a despeito de inúmeras razões para atacar, ou se afastar com repugnância. Como disse Paulo, é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (Romanos 2:4). A gratidão surge no instante em que a graça é recebida; é um louvor de agradecimento repleto de assombro e ironia. Como alguém poderia me escolher quando meu coração é tão feio e endurecido? Não faz sentido. Isso desafia minhas expectativas e, ao mesmo tempo, desperta as fibras mais profundas do desejo.
A vergonha não tem poder em um coração cheio de gratidão. O ódio não tem chance em um coração que canta com desejo inocente, tristeza humilde, esperança firme e louvor grato à bondade de Deus...'

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Tradução da seção final de "Agradecimentos" dos autores do livro:

*Dan Allender:
'“O teste de toda felicidade é a gratidão”, disse G. K. Chesterton. Feliz é o homem que, unido a bons amigos, dedica-se a uma tarefa que expõe o que há de pior em nós, e extrai o melhor que fomos feitos para oferecer. Ele será grato mesmo em meio a ataques, solidão e angústia.
Sou um homem assim. Tenho o privilégio de contar com amigos como Al Andrews, Liam Atchinson, Larry Crabb, Don Hudson, Kim Hutchins, Tom Varney e Ken Wilson, que me incentivam a vislumbrar aquilo que, até agora, só raramente vejo à distância.
Escrevo sempre ao som de música. Quero agradecer àqueles que proporcionaram a textura e a atmosfera para toda a minha escrita. Obrigado, Ashley Cleveland; obrigado, Michael Card, Bruce Cockburn, Loreena McKennitt, Maire Brennan, Clannad, Spin Doctors e Peter Himmelman, por cantarem hinos que despertam a alma.
Sou grato à minha amiga Susan Rike, minha assistente pessoal, que assumou o peso de supervisionar meu ministério, e cuidar da minha alma, com visão e gentileza.
Este projeto correu o risco de ser interrompido logo no início. Sem o cuidado sábio, apaixonado e gentil de Kathy Yanni, nossa editora, ele {o livro} teria perecido prematuramente no esquecimento. Não poderia ter havido cuidado melhor, e minha mais profunda gratidão vai a Deus por nos permitir trabalhar com Kathy.
Se você é um leitor atento e curioso, talvez se pergunte como se escreve um livro em coautoria. Optamos por dividir os capítulos e, em seguida, passar o texto um ao outro para reescrita; depois, o material retornava para ser reescrito novamente, e mais uma vez, até que estivéssemos satisfeitos de que cada capítulo refletia nossas convicções individuais.
O processo é trabalhoso, mas gera a confiança de que as opiniões expressas refletem nossa autoria conjunta. Isso exige uma excelente relação de trabalho — profunda confiança e disposição para dialogar, debater e refletir. Este livro reflete interações que atravessaram vinte e nove anos. Não há palavras capazes de expressar minha gratidão a Tremper por me amar fielmente e com tanta amabilidade ao longo de dias de turbulência e perda, e de períodos de pecado e fracasso. Uma amizade contínua e cada vez mais profunda, que já dura quase três décadas, é um tesouro que só perde em valor para minha esposa e minha família.
Meus agradecimentos mais profundos são reservados àqueles que carregam o fardo mais pesado de todo o processo: minha família. Anna, você é uma jovem maravilhosa e linda. Você não imagina o quanto eu amo profundamente o seu coração. Amanda, você é uma menina de nove anos misteriosa e de bom coração. Sua doçura me comove às lágrimas. Andrew, você é um menino cativante, carinhoso e cheio de energia. Tenho muito orgulho de ser seu pai.
E, finalmente, amor da minha vida, Rebecca: ninguém atrai meu coração para a paixão do céu, ninguém consegue tocar meu coração ou me dar um vislumbre da glória como você. Sua vida é uma dádiva superada apenas pela promessa de uma eternidade ao seu lado. Sou grato por você se empenhar fielmente em conhecer a Deus e oferecer os frutos da sua jornada à sua família.'

*Tremper Longman III:
'Quando Dan e eu começamos este livro, ingenuamente pensamos que seria um projeto fácil e gerenciável. Nós mal sabíamos que Deus tinha outros planos.
Propusemo-nos a escrever sobre emoções sombrias, e Deus permitiu que nossas vidas servissem de campo de prova para as convicções que estávamos desenvolvendo. Sentimos Deus nos arar, abrir sulcos em nós e produzir frutos que esperamos que nutram aqueles dispostos a crescer conosco. Foi um processo intenso e difícil.
Em 1º de outubro de 1993, nosso grande amigo Ray Dillard faleceu, aos quarenta e nove anos. Ray viveu uma vida de serviço e paixão como poucos. Nós dois conhecemos Ray quando éramos recém-chegados ao Seminário Teológico de Westminster, em 1974. Ele era apenas nove anos mais velho que nós, mas possuía uma maturidade e uma sabedoria que superavam sua idade cronológica. Como nosso professor, ele exerceu uma influência enorme na vida de ambos.
Ele me incentivou a cursar a pós-graduação em Antigo Testamento e, posteriormente, contratou-me como seu colega. Ray, Dan e eu vivenciamos aquela rara transição da relação de respeito entre professor e aluno para uma amizade íntima.
Apesar dessa e de outras dificuldades, o projeto continuou sendo empolgante. Minha amizade com Dan ao longo dos anos tem sido um privilégio raro, uma verdadeira prova da graça de Deus. Embora ele more em Denver e eu na Filadélfia, graças à "magia" do e-mail, trocávamos mensagens sobre o projeto e compartilhávamos as alegrias e frustrações de nossos corações três ou quatro vezes ao dia. Era como voltar a dividir o quarto na faculdade, mas, como disse Dan, "sem as meias sujas". Sua sabedoria bíblica e sua percepção da condição humana às vezes me deixam impressionado. Sua paixão por Deus me tira da proteção do ambiente puramente acadêmico.
Assim como Dan, também quero agradecer a Kathy Yanni, nossa editora. Ela não apenas sabe elaborar um manuscrito com esmero, mas também sabe conversar e jogar beisebol — uma combinação incrível.
No entanto, Dan tem razão: aqueles que merecem nossa maior gratidão e amor são nossas famílias. Tenho três meninos cheios de energia, de quem não poderia me orgulhar mais. Os três são jovens inteligentes, atletas incríveis e, de vez em quando, realizam alguma tarefa doméstica sem que precisemos pedir. Tremper IV tem agora dezesseis anos, Timmy tem quatorze e Andrew tem dez. Minha esposa, Alice, é o maior presente que Deus me deu. Ela é linda, tanto na aparência quanto na personalidade. Ela acredita em mim e apoia o meu trabalho; mais do que isso, ela vive com uma profundidade de amor que eu anseio em imitar. A melhor decisão que já tomei foi casar-me com ela quando tínhamos apenas vinte anos — garantindo, assim, ainda mais tempo para desfrutarmos juntos.'