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15 abril 2026

A redenção dos lábios pela "brasa na tenaz" (Is 6:6)


Nesta vida causticante e febril aqui na terra, em um dia típico de tribulação, inquietação e batalha espiritual aguda e intensa - com lutas tanto internas (na alma) quanto externas (no mundo) - a murmuração frequentemente pode estar presente em nosso coração e rondando nossos pensamentos. Esta falta de satisfação, no Senhor, ou ingratidão na forma de murmuração, costuma, até mesmo, extravasar pelos nossos lábios impuros, na forma de queixumes injustos, em desabafos impróprios, como por exemplo estes logo abaixo, e certamente alguns outros ainda mais pecaminosos e vergonhosos, que só Deus conheceu no nosso íntimo:
Ah, como seria mais fácil "se conformar"...
Ah, como seria mais suave "se adaptar"...
Ah, como seria mais tranquilo "se ajustar"...
Ah, como seria menos cansativo "não se opor"...
 
O apóstolo Paulo amorosamente nos exorta a, como crentes, não nos conformarmos com este século (mundo), mas sermos, pela graça, transformados na renovação da nossa mente
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:1-2)

Pela maravilhosa graça, e entranhável misericórdia do Senhor, ao "corarmos de vergonha" (Dn 9:7-8) depois do pecado cometido no coração, pensamentos e lábios, a realidade celestial  - e não a terrena - nos leva ao arrependimento e contrição do coração, mudando a nossa perspectiva, enquanto contemplamos o sofrimento vicário (substitutivo) do Servo Sofredor, e o nossos desabafos impróprios, nos queixumes injustos que saem dos nossos lábios, agora são redimidos pelo precioso e inestimável sangue do Cordeiro, derramado em nosso favor, e para a Sua própria glória excelsa:
 
"[...] não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53:2b-5
 
E então, desta forma, passamos imediatamente a reconhecer, pela fé, que o nosso Salvador necessário e eficaz, Senhor da redenção e da restauração, é o nosso Substituto voluntário e perfeito. Assim, num ato de louvor, apresentando nossos lábios (como parte do nosso corpo) "por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus", que é o nosso "culto racional" (Rm 12:1-2), estes mesmos lábios, agora redimidos pela "brasa na tenaz" (Is 6:1-7), passam a declarar a glória da perfeita e eficaz obra redentiva e substitutiva do Senhor Jesus Cristo, da seguinte forma:
Oh, como seria mais difícil "nascer numa manjedoura"...
Oh, como seria mais desafiador "ser tentado pelo próprio Diabo no deserto"...
Oh, como seria mais solitário "ser rejeitado pelo próprio povo"...
Oh, como seria mais aviltante "ser odiado até a morte"...
Oh, como seria mais agonizante "suar sangue diante do cálice da ira de Deus Pai"...
Oh, como seria mais doloroso "ser açoitado, humilhado, cuspido, esbofeteado e zombado"... 
Oh, como seria mais vergonhoso "ser perdurado em um madeiro para morrer uma morte maldita"... 

Ao Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor e Substituto perfeito, seja a glória para sempre!
 

05 abril 2026

Páscoa: a suficiência do sangue do Cordeiro

"A instituição da Páscoa" (Êxodo 12)

D.A. Carson

*Transcrição e Tradução:
"Imagine dois judeus chamados Smith e Brown [nomes fictícios usados nessa ilustração de D.A. Carson] na véspera da primeira Páscoa judaica (ver Êx 12), conversando um pouco, na terra de Gósen (ver Êx 8:22; 9:26). 
- Smith diz para Brown: 'Rapaz, você não está um pouco nervoso com o que vai acontecer esta noite?'
- Brown responde: 'Bem, Deus nos disse o que fazer por meio de Seu servo Moisés. Você não precisa ficar nervoso. Você já não sacrificou o cordeiro, e ungiu os batentes (vergas ou umbrais) da porta com sangue, e não colocou o sangue na verga? Você já fez isso? Pois você já está pronto, e com tudo arrumado para ir [saída do Egito, ver Êx 12:11-12]. Vai comer a refeição completa da Páscoa com a sua família?'
- Smith responde a Brown: 'Claro que sim. Não sou estúpido. Mas ainda é bastante assustador, quando você pensa em todas as coisas que aconteceram por aqui recentemente. As moscas (quarta praga; Êx 8:20-32), e o rio se transformando em sangue (primeira praga; Êx 7:14-25). É horrível! E agora, há a ameaça de os primogênitos serem mortos. Está tudo bem para você. Você tem três filhos. Eu só tenho um. Amo o meu filho Charlie, e o anjo da morte estará passando por aqui esta noite (ver Êx 12:12-13). Eu sei o que Deus disse. Eu coloquei o sangue lá (vergas da porta), mas é bem assustador! Ficarei feliz quando esta noite terminar.'
- Brown responde: 'Que venha! Confio nas promessas de Deus!'
[D.A. Carson continua...] Naquela noite, o anjo da morte varreu a terra. Qual deles (Smith ou Brown) perdeu seu filho? E a resposta, claro, é esta: nenhum dos dois [perdeu seu primogênito] (ver Êx 12:27 e Hb 11:28). A morte não passou por eles com base na intensidade ou na clareza da sua fé, mas sim com base no sangue do Cordeiro. É isso que silencia o acusador [Satanás, ver Ap 12:10 e Zc 3:1]. O sangue silencia o 'acusador dos irmãos' [Ap 12:10], quando ele nos acusa diante de Deus. Ele [o acusador] silencia nossas consciências, quando nos acusa diretamente. Quantas vezes nos contorcemos, em agonia, perguntando se Deus pode nos amar o suficiente, se Deus pode cuidar de nós o suficiente, depois de termos feito coisas tão estúpidas, pecaminosas e rebeldes, depois de sermos cristãos por 40 anos? O que você vai dizer [diante de Deus]? 'Bem, Deus, eu me esforcei muito, sabe? Fiz o meu melhor. Foi em um momento de fraqueza [que eu pequei]'... Não, não, não, não! Não tenho outro argumento [diante de Deus]. Não preciso de outras súplicas. Basta [a verdade] que Jesus morreu, e morreu por mim! Nós o vencemos [o acusador] pelo sangue do Cordeiro. Ali está o fundamento de toda a segurança [para a salvação] humana, diante de Deus. Ali está o fundamento da nossa fé... não na garantia da intensidade da [nossa] fé, tão inconstantes que somos. Não é a intensidade da nossa fé, mas o objeto da nossa fé que salva. Eles o venceram [o acusador] pelo sangue do Cordeiro."

*Nota: transcrição automática do áudio (no vídeo) para texto com turboscribe.ai e tradução automática com google translator, com uma revisão adicional.

**Observação: caros(as) leitores(as), este é, acima de tudo, um texto de encorajamento, da parte do Senhor, para aqueles que estão vacilantes na . Eu, particularmente, me identifiquei muito mais com o personagem Smith, o irmão acanhado que demonstrou uma fé titubeante, sem intensidade, mas ainda assim, uma fé verdadeira e centrada no Senhor.

Louvado seja sempre o Senhor Jesus, Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12:2).

03 abril 2026

Páscoa: no cenáculo com Jesus


Em trecho do Devocional Manhã & Noite, na noite do dia 08 de novembro, as palavras inspiradoras do pastor C.H. Spurgeon nos desafiam a confiar em Jesus Cristo, "nosso Cordeiro pascal" [ver 1Co 5:7]:

“(…) O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?” (Mc 14:14)
'Jerusalém, na época da páscoa, era uma grande estalagem; cada chefe de família convidava seus amigos, mas ninguém convidou o Salvador, e Ele não tinha uma residência própria (Mt 8:20; Lc 9:58). Foi pelo Seu próprio poder sobrenatural que Ele encontrou para Si um *cenáculo* para guardar a festa. E até hoje é assim. Jesus não é recebido entre os filhos dos homens, exceto onde, pelo Seu sobrenatural poder e graça, Ele renove o coração. Todas as portas estão suficientemente abertas para o príncipe das trevas, mas Jesus deve abrir um caminho para Si mesmo, ou pernoitará nas ruas. Foi através do misterioso poder exercido por nosso Senhor que o dono da casa não levantou qualquer questão, mas antes, contente e alegre, logo abriu seu aposento {cenáculo}. Não sabemos quem era o dono dessa casa, mas prontamente ele aceitou a honra que o Redentor propôs conferir-lhe. Da mesma forma, ainda estão sendo descobertos os que são os escolhidos do Senhor, e os que não são, pois quando o evangelho chega a alguns, eles lutam contra ele, e não o aceitam; mas onde os homens o recebem, acolhendo-o, isso é uma indicação segura de que há uma obra oculta acontecendo na alma, e que Deus os escolheu para a vida eterna. Você está disposto, caro leitor, a receber a Cristo? Então, não há dificuldades no caminho; Cristo será seu convidado; Seu próprio poder está trabalhando em você, fazendo-o disposto. Que honra receber o Filho de Deus! O céu dos céus não pode contê-Lo, e mesmo assim Ele condescende em encontrar uma casa dentro de nossos corações! Não somos dignos de que Ele venha a estar sob o nosso teto, mas que indescritível privilégio quando Ele condescende em entrar, pois então Ele faz um banquete, e nos faz banquetear com Ele em delícias reais; nos sentamos em um banquete onde as iguarias são imortais, e dão imortalidade àqueles que delas se alimentam. Bem-aventurado entre os filhos de Adão é aquele que entretém o Senhor dos anjos.'

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*cenáculo* (Lc 22:11-13): 'O cômodo em que Jesus e seus discípulos comeram a refeição da Páscoa, sua Última Ceia, é chamado tanto de "aposento {para hóspedes}" ["guest room"] (Mc 14:14; Lc 22:11) quanto de "espaçoso cenáculo" ["large upper room"] (Mc 14:15; Lc 22:12). A maioria das casas, grandes ou pequenas, geralmente tinha um cômodo usado para receber ou entreter hóspedes. Esses cômodos ficavam na parte da frente da casa, para que os hóspedes não precisassem entrar nos aposentos mais privados. Este quarto de hóspedes, em particular, era um grande cômodo no andar de cima, provavelmente com vista {da cidade}. Pela descrição, parece que a refeição de Jesus foi feita em um grande recinto, talvez semelhante às mansões de pessoas ricas encontradas em escavações arqueológicas na parte sul da Cidade Velha de Jerusalém. Essas mansões, encontradas nas escavações, incluíam grandes cenáculos decorados com paredes contendo afrescos, tetos rebocados {revestidos}, mobiliados com mesas e utensílios elegantes.'
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