Trechos de “Mais que vencedores”, de William Hendriksen:
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> O triunfo final de Deus (Ap 20 a 22):
'[...] Chegamos ao tema final e mais belo. Há uma linda conexão entre o primeiro livro da Bíblia e o último [comparação de Gênesis com Apocalipse]. A Escritura se assemelha a uma flor. Achamos a semente em Gênesis, o crescimento da planta nos livros que se seguem e, no Apocalipse, seu pleno desenvolvimento. Observe a seguinte comparação. Gênesis conta que Deus criou os céus e a terra. Apocalipse descreve o novo céu e a nova terra (21.1). Em Gênesis, os luminares são chamados à existência: o sol, a lua e as estrelas. Em Apocalipse, lemos: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (21.23). Gênesis descreve um paraíso que foi perdido. Apocalipse descreve um paraíso restaurado (Ap 2.7; 22.2). Gênesis descreve a astúcia e o poder do diabo. Apocalipse conta que o diabo foi preso e lançado no lago que arde com fogo e enxofre. Gênesis retrata a cena infeliz do homem fugindo de Deus, escondendo-se da presença do Todo-poderoso. Apocalipse mostra a mais linda e íntima comunhão entre Deus e o homem redimido: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles” (21.3). Finalmente, enquanto Gênesis mostra-nos a árvore da vida com um anjo para guardar o seu caminho, o Apocalipse restaura ao homem o direito de acesso a ela: “para que lhes assista o direito à árvore da vida” (22.14). Perguntamos, novamente: Qual o tema deste livro? É este: Cristo, e não o diabo, é o vitorioso; o plano de Deus, embora, por um pouco, aparentemente vencido, é, no final, visto em seu completo triunfo. Somos vencedores. Não, [somos] mais do que vencedores, pois não só fomos libertados de grande maldição, na verdade, de toda maldição, como obtivemos também a mais gloriosa das bênçãos (Ap 21.3).'
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> O novo céu e a nova terra (Ap 21.1-8):
'[...] O primeiro céu e a primeira terra já passaram. Em nossa imaginação, tentemos ver este novo universo. As próprias fundações da terra foram sujeitas ao fogo purificador. Cada mancha de pecado, cada cicatriz de erro, cada traço de morte, foram removidos. Do grande incêndio nasce um novo universo. A palavra usada no original implica um “novo”, mas não um “outro” mundo ***{ver observação abaixo}***. É o mesmo céu e a mesma terra, mas totalmente rejuvenescidos, sem ervas daninhas, espinhos, cardos, etc. A natureza volta à condição em que foi criada; todas as suas potencialidades, dormentes por tanto tempo, são agora realizadas. A “antiga” ordem desapareceu. O universo em que o dragão, a besta, o falso profeta e a meretriz desenvolviam seu programa de iniquidade, desapareceu. O mar, como o conhecemos, não mais existe. Atualmente, o mar é um emblema de inquietação e de conflito. As águas bramosas, iradas, tempestuosas, as ondas permanentemente chocando-se umas às outras, simbolizam as nações do mundo em suas inquietações e conflitos (13.1; 17.15). É o mar do qual surgiu a besta. Contudo, no universo renovado – no novo céu e na nova terra – tudo será paz. O céu, a terra e o mar como o conhecemos, desaparecerão. O universo será gloriosamente rejuvenescido e transformado. “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva, adornada para o seu esposo”.'
***{observação}*** A palavra "novo", usada no original, é "kainos", ao invés de "neos". Ver dicionário #Strong, na comparação de verbetes: "νεος" ("neos") #3501. "καινος" ("kainos") #2537.
"Novo" (segundo o dicionário Strong): 'νεος é o novo quando contemplado sob o aspecto do tempo, aquilo que tem recentemente vindo a existência. καινος é o novo sob o aspecto da qualidade, aquilo que ainda não passou por revisão ou reparo. καινος , então, muitas vezes significa novo em contraste com aquilo que decaiu com a idade, ou gastou, sendo seu oposto παλαιος . Algumas vezes sugere aquilo que é pouco incomum. Implica freqüentemente em louvor, o novo como superior ao velho. Ocasionalmente, por outro lado, implica o oposto, o novo como inferior aquilo que é velho, porque o velho é familiar ou porque aperfeiçoou-se com a idade. Claro que é evidente que ambas νεος e καινος podem ser algumas vezes aplicadas ao mesmo objeto, mas de pontos de vista diferentes.'
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'[...] Mesmo no Antigo Testamento, a Igreja é representada pelo símbolo de uma cidade (Is 26.1; Sl 48, etc.). Uma cidade evoca à nossa mente o conceito de residência permanente, um grande número de habitantes, proteção e segurança, comunhão e beleza. Com respeito a essas características, a Igreja – em princípio, mesmo hoje e, em perfeição, depois – é como uma cidade.'
'[...] Tão próxima é a eterna comunhão entre Deus e seus eleitos que ele, por assim dizer, habita com eles numa tenda [tabernáculo] – sua tenda, a glória dos seus atributos (Ap 7.15). O Cordeiro é seu pastor (Ap 7.17 :"o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará").'
'[...] apóstolo [João], então, ouve a voz daquele que está sentado no trono, isto é, Deus em Cristo (Ap 4.2; 22.1), dizendo: “Eis que faço novas todas as coisas”. Só Deus pode criar coisas novas. Pessoas podem imaginar, em vão, que por meio de educação melhor, melhor ambiente, melhor legislação e uma melhor distribuição de renda elas entrarão numa nova era, uma era dourada, a utopia do ardente desejo humano. Seus sonhos permanecem sonhos! Nem conferências sobre economia nem conferências sobre desarmamento nem melhores escolas ou programas de participação financeira trarão uma era realmente dourada, um novo céu e uma nova terra ou uma nova ordem. Só Deus, pelo seu Espírito, faz novas todas as coisas. Só ele pode restaurar e renovar o homem e o universo. Ele faz isso hoje, ainda que num sentido restrito. Ele o fará completamente, depois, quando Cristo voltar.'
'[...] O termo “árvore” da vida [Ap 22:19] é, realmente, “madeira” da vida. É o termo usado para se referir à cruz de Cristo (At 5.30; 10.39, etc.). (Cf. Gl 3.13: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro [árvore]”.) Por meio da cruz de Cristo a vida eterna nos é concedida, e na nova Jerusalém essa árvore não é maldita (cf. também Ez 47.12; Ap 2.7). Nada mais é maldito.'
'[...] Porque o livro do Apocalipse [22:18-19] é tão transcendentemente glorioso, tão divino, pois o próprio Deus mesmo é o autor, que ninguém que o leia adicione ou subtraia uma palavra sequer. Que não chame esse escrito de espúrio. Não diga que sejam palavras sem sentido e interpolações. Não negue seu caráter divinamente inspirado. Não diga que seu estudo é tarefa muito árdua. Não ridicularize um livro tão repleto de apelos e promessas. Se alguém se recusa a ouvir essas admoestações, os flagelos escritos no livro ser-lhe-ão acrescentados. Deus tirará sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa.'