Orando o Salmo 88
Clamores do Abismo
Clamores do Abismo
escrito por Stefan Nitzschke, e traduzido à partir do original, em inglês
Não deixe que o sofrimento o afaste das Escrituras — use a Bíblia para ver como Deus se revela em suas páginas.
Isso já aconteceu com qualquer um de nós. Você está caminhando, distraído com a tarefa que tem em mãos, quando seu pé pisa em terreno instável. Você cambaleia um pouco para recuperar o equilíbrio, ou até mesmo tropeça de vez. A maioria de nós fica um pouco envergonhada, olha discretamente ao redor para garantir que ninguém viu o que acabou de acontecer, e segue seu caminho com um passo um pouco mais leve.
A vida pode ser assim: seguimos nossa rotina e nos deparamos com circunstâncias que nos abalam ou nos fazem tropeçar. Então, de tempos em tempos, ocorrem eventos na vida em que descrevê-los apenas como um "escorregão" não parece fazer jus à situação. É como se a terra se abrisse, e caíssemos de cabeça em um abismo circunstancial, do qual não há saída fácil.
Esse abismo é um lugar muito familiar neste mundo caído, e recebe muitos nomes. Davi o chamou de "vale da sombra da morte" (Salmo 23:4), Jonas o chamou de "profundeza" (Jonas 2:3), e Pedro o chamou de "fogo" (1Pedro 1:7). O abismo é um lugar de sofrimento, anseio e dor — cavado pela "pá" da criação caída, do pecado ou de Satanás.
Os estudiosos não chegaram a um consenso sobre que tipo de abismo levou Hemã, o ezraíta, a compor um salmo como o que lemos no capítulo 88. É um dos poucos salmos que não parece conter sequer um vestígio de esperança em todos os seus versos. O comentarista Derek Kidner inicia suas observações sobre o Salmo 88 dizendo: "não há oração mais triste no Saltério...". No entanto, das suas profundezas cruas, podemos extrair cinco pepitas de ouro puro que nos ajudam a compreender como reagir quando nos encontramos em nosso próprio abismo.
Direção:
O salmo começa com o salmista clamando para que Deus incline os Seus ouvidos e o responda. Do meio do abismo, Hemã volta seu olhar para o Senhor. Ele compreendeu que, quando alguém está em um abismo, a ajuda não vem de dentro, nem ao seu redor; a ajuda vem do alto.
Com muita frequência, nossa reação inicial ao estarmos no abismo é confiar em nossas próprias forças para tentar sair de lá. Podemos também tentar olhar ao redor, e buscar a ajuda daqueles que estão no abismo conosco. Não se engane: Deus nos chama para sermos pessoas de ação, e para carregarmos os fardos uns dos outros. No entanto, a direção que Hemã exemplifica é que devemos, primeiramente, olhar para o alto e clamar Àquele que pode ajudar.
Honestidade:
Hemã dedica a maior parte deste salmo a descrever a natureza do abismo em que se encontra. Mais de 60% do que ele escreve detalha sua experiência (vv. 3-9, 15-18). O que impressiona nesta seção é o nível de honestidade e transparência com que ele fala ao Senhor sobre a provação que enfrenta no momento.
Deus nos chama a fazer o mesmo quando estamos no abismo. Ele quer ouvir-nos com franqueza, pois o próprio Deus não teme a realidade do nosso sofrimento. É um lugar com o qual Ele também está familiarizado {em Cristo}.
Perguntas:
A seção intermediária, versículos 10 a 14, lista uma série de perguntas que Hemã apresenta ao Senhor. Não deixe passar este detalhe: é evidente que ele sabe quem é o seu Deus, pela natureza das perguntas que faz. Suas perguntas não nascem da ignorância sobre o caráter de Deus, mas sim de um profundo conhecimento de quem Ele é. Por que, então, ele faz perguntas?
Hemã não consegue ver como suas circunstâncias se alinham com quem ele sabe que Deus é. Sua confiança está claramente no Senhor e em Seu caráter, e Hemã é humilde o suficiente para apresentar sua confusão diante d'Ele.
Da mesma forma, Deus nos chama a aprender mais profundamente sobre Ele, em meio ao abismo. Não deixe que o sofrimento o afaste das Escrituras; use a Bíblia para ver como Ele é revelado em suas páginas. À medida que você aprende mais sobre Ele, e acha difícil conciliar isso com o que está vivenciando, pergunte a Ele!
Tempo:
O versículo 15 oferece uma perspectiva interessante: "Ando aflito e prestes a expirar desde moço". Hemã está nesse abismo a muito tempo, e não há garantia de se, ou quando {tempo}, ele sairá deste abismo. Se ele escolhesse depositar sua esperança no tempo, isso se mostraria um auxílio falho e ineficaz. Mas existe uma esperança firme, mesmo nos abismos mais profundos. Nos versículos finais deste salmo, Hemã descreve Aquele {Jesus Cristo} que viria após ele. Embora sua descrição possa retratar com precisão sua situação naquele momento da sua vida, o que ele diz ao final do salmo ressoa profundamente com o que o Servo Sofredor {ver Isaías 53} haveria de suportar.
Relacionamento:
“Ando aflito e prestes a expirar desde moço;
sob o peso dos teus terrores, estou desorientado.
Por sobre mim passaram as tuas iras,
os teus terrores deram cabo de mim.
Eles me rodeiam como água, de contínuo;
a um tempo me circundam.
Para longe de mim afastaste amigo e companheiro;
os meus conhecidos são trevas.”
A vida pode ser assim: seguimos nossa rotina e nos deparamos com circunstâncias que nos abalam ou nos fazem tropeçar. Então, de tempos em tempos, ocorrem eventos na vida em que descrevê-los apenas como um "escorregão" não parece fazer jus à situação. É como se a terra se abrisse, e caíssemos de cabeça em um abismo circunstancial, do qual não há saída fácil.
Esse abismo é um lugar muito familiar neste mundo caído, e recebe muitos nomes. Davi o chamou de "vale da sombra da morte" (Salmo 23:4), Jonas o chamou de "profundeza" (Jonas 2:3), e Pedro o chamou de "fogo" (1Pedro 1:7). O abismo é um lugar de sofrimento, anseio e dor — cavado pela "pá" da criação caída, do pecado ou de Satanás.
Os estudiosos não chegaram a um consenso sobre que tipo de abismo levou Hemã, o ezraíta, a compor um salmo como o que lemos no capítulo 88. É um dos poucos salmos que não parece conter sequer um vestígio de esperança em todos os seus versos. O comentarista Derek Kidner inicia suas observações sobre o Salmo 88 dizendo: "não há oração mais triste no Saltério...". No entanto, das suas profundezas cruas, podemos extrair cinco pepitas de ouro puro que nos ajudam a compreender como reagir quando nos encontramos em nosso próprio abismo.
Direção:
O salmo começa com o salmista clamando para que Deus incline os Seus ouvidos e o responda. Do meio do abismo, Hemã volta seu olhar para o Senhor. Ele compreendeu que, quando alguém está em um abismo, a ajuda não vem de dentro, nem ao seu redor; a ajuda vem do alto.
Com muita frequência, nossa reação inicial ao estarmos no abismo é confiar em nossas próprias forças para tentar sair de lá. Podemos também tentar olhar ao redor, e buscar a ajuda daqueles que estão no abismo conosco. Não se engane: Deus nos chama para sermos pessoas de ação, e para carregarmos os fardos uns dos outros. No entanto, a direção que Hemã exemplifica é que devemos, primeiramente, olhar para o alto e clamar Àquele que pode ajudar.
Honestidade:
Hemã dedica a maior parte deste salmo a descrever a natureza do abismo em que se encontra. Mais de 60% do que ele escreve detalha sua experiência (vv. 3-9, 15-18). O que impressiona nesta seção é o nível de honestidade e transparência com que ele fala ao Senhor sobre a provação que enfrenta no momento.
Deus nos chama a fazer o mesmo quando estamos no abismo. Ele quer ouvir-nos com franqueza, pois o próprio Deus não teme a realidade do nosso sofrimento. É um lugar com o qual Ele também está familiarizado {em Cristo}.
Perguntas:
A seção intermediária, versículos 10 a 14, lista uma série de perguntas que Hemã apresenta ao Senhor. Não deixe passar este detalhe: é evidente que ele sabe quem é o seu Deus, pela natureza das perguntas que faz. Suas perguntas não nascem da ignorância sobre o caráter de Deus, mas sim de um profundo conhecimento de quem Ele é. Por que, então, ele faz perguntas?
Hemã não consegue ver como suas circunstâncias se alinham com quem ele sabe que Deus é. Sua confiança está claramente no Senhor e em Seu caráter, e Hemã é humilde o suficiente para apresentar sua confusão diante d'Ele.
Da mesma forma, Deus nos chama a aprender mais profundamente sobre Ele, em meio ao abismo. Não deixe que o sofrimento o afaste das Escrituras; use a Bíblia para ver como Ele é revelado em suas páginas. À medida que você aprende mais sobre Ele, e acha difícil conciliar isso com o que está vivenciando, pergunte a Ele!
Tempo:
O versículo 15 oferece uma perspectiva interessante: "Ando aflito e prestes a expirar desde moço". Hemã está nesse abismo a muito tempo, e não há garantia de se, ou quando {tempo}, ele sairá deste abismo. Se ele escolhesse depositar sua esperança no tempo, isso se mostraria um auxílio falho e ineficaz. Mas existe uma esperança firme, mesmo nos abismos mais profundos. Nos versículos finais deste salmo, Hemã descreve Aquele {Jesus Cristo} que viria após ele. Embora sua descrição possa retratar com precisão sua situação naquele momento da sua vida, o que ele diz ao final do salmo ressoa profundamente com o que o Servo Sofredor {ver Isaías 53} haveria de suportar.
Relacionamento:
“Ando aflito e prestes a expirar desde moço;
sob o peso dos teus terrores, estou desorientado.
Por sobre mim passaram as tuas iras,
os teus terrores deram cabo de mim.
Eles me rodeiam como água, de contínuo;
a um tempo me circundam.
Para longe de mim afastaste amigo e companheiro;
os meus conhecidos são trevas.”
(Salmos 88:15-18)
Jesus, prestes a enfrentar o abismo mais profundo jamais cavado, olha para os Seus discípulos e lhes assegura duas verdades permanentes em João 16:
Jesus, prestes a enfrentar o abismo mais profundo jamais cavado, olha para os Seus discípulos e lhes assegura duas verdades permanentes em João 16:
- “No mundo, passais por aflições...”. Abismos são garantidos e numerosos. Se você não está em um agora, há um no horizonte.
- “Mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Embora os abismos da vida possam nos engolir, isso nunca ocorre à parte do reinado soberano de Cristo.
O abismo que Ele estava prestes a enfrentar foi cavado vigorosamente, com a pá do pecado, por cada homem, mulher e filho que depositaria sua confiança na capacidade d’Ele de preencher o enorme vazio em nossa santidade. Jesus mergulhou voluntariamente no abismo que havíamos criado, para que não precisássemos passar por isso. Ao suportar, na cruz, a ira devida ao nosso pecado, Ele nos concedeu acesso a Si mesmo — não apenas para desfrutarmos da vida eterna ao Seu lado, mas também para termos acesso a Ele, mesmo quando estivermos nos abismos mais profundos da vida.
Ele esteve verdadeiramente só (Marcos 15:34), para que nós nunca precisássemos estarmos sós. Existe um Companheiro nesse abismo em quem podemos depositar nossa esperança: o próprio Jesus.
Portanto, quando você se encontrar em um dos muitos abismos da vida: 1) volte o olhar para Cristo, 2) converse com Ele, 3) aprenda com Ele e apresente suas perguntas, 4) evite a tentação de depositar sua esperança no tempo e 5) aproveite a quietude do abismo para crescer em seu relacionamento com Aquele que permanece ali, com você.