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20 julho 2026

Livro: "Mais que vencedores" [...continuação...]

Trechos de “Mais que vencedores”, de William Hendriksen:

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> O triunfo final de Deus (Ap 20 a 22):
'[...]  Chegamos ao tema final e mais belo. Há uma linda conexão entre o primeiro livro da Bíblia e o último [comparação de Gênesis com Apocalipse]. A Escritura se assemelha a uma flor. Achamos a semente em Gênesis, o crescimento da planta nos livros que se seguem e, no Apocalipse, seu pleno desenvolvimento. Observe a seguinte comparação. Gênesis conta que Deus criou os céus e a terra. Apocalipse descreve o novo céu e a nova terra (21.1). Em Gênesis, os luminares são chamados à existência: o sol, a lua e as estrelas. Em Apocalipse, lemos: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (21.23). Gênesis descreve um paraíso que foi perdido. Apocalipse descreve um paraíso restaurado (Ap 2.7; 22.2). Gênesis descreve a astúcia e o poder do diabo. Apocalipse conta que o diabo foi preso e lançado no lago que arde com fogo e enxofre. Gênesis retrata a cena infeliz do homem fugindo de Deus, escondendo-se da presença do Todo-poderoso. Apocalipse mostra a mais linda e íntima comunhão entre Deus e o homem redimido: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles” (21.3). Finalmente, enquanto Gênesis mostra-nos a árvore da vida com um anjo para guardar o seu caminho, o Apocalipse restaura ao homem o direito de acesso a ela: “para que lhes assista o direito à árvore da vida” (22.14). Perguntamos, novamente: Qual o tema deste livro? É este: Cristo, e não o diabo, é o vitorioso; o plano de Deus, embora, por um pouco, aparentemente vencido, é, no final, visto em seu completo triunfo. Somos vencedores. Não, [somos] mais do que vencedores, pois não só fomos libertados de grande maldição, na verdade, de toda maldição, como obtivemos também a mais gloriosa das bênçãos (Ap 21.3).'

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> O novo céu e a nova terra (Ap 21.1-8):
'[...] O primeiro céu e a primeira terra já passaram. Em nossa imaginação, tentemos ver este novo universo. As próprias fundações da terra foram sujeitas ao fogo purificador. Cada mancha de pecado, cada cicatriz de erro, cada traço de morte, foram removidos. Do grande incêndio nasce um novo universo. A palavra usada no original implica um “novo”, mas não um “outro” mundo ***{ver observação abaixo}***. É o mesmo céu e a mesma terra, mas totalmente rejuvenescidos, sem ervas daninhas, espinhos, cardos, etc. A natureza volta à condição em que foi criada; todas as suas potencialidades, dormentes por tanto tempo, são agora realizadas. A “antiga” ordem desapareceu. O universo em que o dragão, a besta, o falso profeta e a meretriz desenvolviam seu programa de iniquidade, desapareceu. O mar, como o conhecemos, não mais existe. Atualmente, o mar é um emblema de inquietação e de conflito. As águas bramosas, iradas, tempestuosas, as ondas permanentemente chocando-se umas às outras, simbolizam as nações do mundo em suas inquietações e conflitos (13.1; 17.15). É o mar do qual surgiu a besta. Contudo, no universo renovado – no novo céu e na nova terra – tudo será paz. O céu, a terra e o mar como o conhecemos, desaparecerão. O universo será gloriosamente rejuvenescido e transformado. “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva, adornada para o seu esposo”.'
***{observação}*** A palavra "novo", usada no original, é "kainos", ao invés de "neos". Ver dicionário #Strong, na comparação de verbetes: "νεος" ("neos") #3501. "καινος" ("kainos") #2537.
"Novo" (segundo o dicionário Strong): 'νεος é o novo quando contemplado sob o aspecto do tempo, aquilo que tem recentemente vindo a existência. καινος é o novo sob o aspecto da qualidade, aquilo que ainda não passou por revisão ou reparo. καινος , então, muitas vezes significa novo em contraste com aquilo que decaiu com a idade, ou gastou, sendo seu oposto παλαιος . Algumas vezes sugere aquilo que é pouco incomum. Implica freqüentemente em louvor, o novo como superior ao velho. Ocasionalmente, por outro lado, implica o oposto, o novo como inferior aquilo que é velho, porque o velho é familiar ou porque aperfeiçoou-se com a idade. Claro que é evidente que ambas νεος e καινος podem ser algumas vezes aplicadas ao mesmo objeto, mas de pontos de vista diferentes.'

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'[...] Jerusalém é "santa" e "nova" [Ap 21:1-2]. Babilônia é "grande" e "velha" [Ap 17:5].'

'[...] Mesmo no Antigo Testamento, a Igreja é representada pelo símbolo de uma cidade (Is 26.1; Sl 48, etc.). Uma cidade evoca à nossa mente o conceito de residência permanente, um grande número de habitantes, proteção e segurança, comunhão e beleza. Com respeito a essas características, a Igreja – em princípio, mesmo hoje e, em perfeição, depois – é como uma cidade.'

'[...] Tão próxima é a eterna comunhão entre Deus e seus eleitos que ele, por assim dizer, habita com eles numa tenda [tabernáculo] – sua tenda, a glória dos seus atributos (Ap 7.15). O Cordeiro é seu pastor (Ap 7.17 :"o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará").'

'[...] apóstolo [João], então, ouve a voz daquele que está sentado no trono, isto é, Deus em Cristo (Ap 4.2; 22.1), dizendo: “Eis que faço novas todas as coisas”. Só Deus pode criar coisas novas. Pessoas podem imaginar, em vão, que por meio de educação melhor, melhor ambiente, melhor legislação e uma melhor distribuição de renda elas entrarão numa nova era, uma era dourada, a utopia do ardente desejo humano. Seus sonhos permanecem sonhos! Nem conferências sobre economia nem conferências sobre desarmamento nem melhores escolas ou programas de participação financeira trarão uma era realmente dourada, um novo céu e uma nova terra ou uma nova ordem. Só Deus, pelo seu Espírito, faz novas todas as coisas. Só ele pode restaurar e renovar o homem e o universo. Ele faz isso hoje, ainda que num sentido restrito. Ele o fará completamente, depois, quando Cristo voltar.'

'[...] O termo “árvore” da vida [Ap 22:19] é, realmente, “madeira” da vida. É o termo usado para se referir à cruz de Cristo (At 5.30; 10.39, etc.). (Cf. Gl 3.13: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro [árvore]”.) Por meio da cruz de Cristo a vida eterna nos é concedida, e na nova Jerusalém essa árvore não é maldita (cf. também Ez 47.12; Ap 2.7). Nada mais é maldito.'

'[...] Porque o livro do Apocalipse [22:18-19] é tão transcendentemente glorioso, tão divino, pois o próprio Deus mesmo é o autor, que ninguém que o leia adicione ou subtraia uma palavra sequer. Que não chame esse escrito de espúrio. Não diga que sejam palavras sem sentido e interpolações. Não negue seu caráter divinamente inspirado. Não diga que seu estudo é tarefa muito árdua. Não ridicularize um livro tão repleto de apelos e promessas. Se alguém se recusa a ouvir essas admoestações, os flagelos escritos no livro ser-lhe-ão acrescentados. Deus tirará sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa.'

Aprendizado piedoso 252

Sobre a "semente da mulher", ou "descendente da mulher", no texto conhecido como protoevangelho (Gênesis 3:15):

'Quanto à palavra “semente”, não há nenhuma razão para que evitemos o sentido coletivo em qualquer dos casos. A semente da serpente tem de ser coletiva, e isso determina o sentido da semente da mulher. A promessa é que, de alguma maneira, um golpe fatal virá da raça humana, o qual esmagará a cabeça da serpente. Ainda, indiretamente, é indicada a possibilidade de que, ao desferir esse golpe mortal, a semente da mulher estará concentrada em uma única pessoa, porque se deve notar que não é a semente da serpente, mas ela [a serpente] mesma que terá a cabeça ferida. Na primeira parte da maldição, as duas sementes [semente da mulhersemente da serpentesão postas em contraste; aqui, o contraste é entre a semente da mulher e a [própria] serpente. Isso sugere que, como no clímax da batalha, a semente da serpente será representada pela serpente, da mesma maneira a semente da mulher deve encontrar seu representante numa única pessoa. Contudo, não estamos autorizados a buscar uma referência exclusiva ao Messias aqui, como se somente ele estivesse sendo indicado pela expressão “semente da mulher. A revelação do Antigo Testamento trata do conceito de um Messias pessoal de modo bem gradual. Era suficiente para o homem caído saber que, por meio do poder e graça divinos, Deus traria vitória contra a serpente do meio da raça humana. A fé poderia descansar nisso. O objeto da fé deles era muito menos definido do que o nosso, uma vez que conhecemos o Messias pessoal. Entretanto, a essência dessa fé era a mesma, quando considerada no seu aspecto subjetivo, confiança na graça de Deus e seu poder de trazer libertação do pecado.'

- Geerhardus Vos, "Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos" (trad. Alberto Almeida de Paula; 1a edição.; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010), 62.

17 julho 2026

Aprendizado piedoso 251

Trechos do livro "Perdido no meio: a crise da meia-idade e a graça de Deus", de Paul David Tripp:

Capítulo 3: 'A morte da invencibilidade'  
'[...] As estrelas das novelas, séries e filmes permanecem jovens porque elas são jovens, ou porque em breve serão substituídas por estrelas mais jovens. Mas nós não permanecemos jovens! Nós ganhamos peso, perdemos cabelo, ficamos com rugas, enfraquecemos, ficamos doentes, quebramos o braço e sangramos o nariz. Nós envelhecemos, sofremos e morremos; ainda que vivamos com um mundo de irrealidade última à nossa volta. É desconfortável para nós o sermos normais e ficamos desapontados com o fato de que o ideal nunca esteve nem estará dentro de nosso alcance. [...]'
'[...] As dificuldades do envelhecimento físico que, de forma tão frequente, caracterizam a meia-idade são o fruto de uma luta maior pelo coração. Haverá um dia em que essas lutas serão finalmente encerradas e Deus será o dono do nosso coração, sem rivais, por toda a eternidade. Mas, por enquanto, essas lutas ainda continuam. Assim, Deus, na grandeza do seu amor redentivo, fará o que for necessário para clamar posse de nosso coração errante. Esses momentos dolorosos não são o resultado de sua infidelidade e falta de atenção; eles são, em vez disso, o produto de Sua graça amorosa. Ele nos ama com um amor eterno e ciumento ["O SENHOR é Deus zeloso (significado: ciumento) e vingador" Naum 1:2a]. Ele não derramou o sangue de seu Filho por nós somente para nos perder para as coisas físicas da criação. Deus luta por nós com toda a força de sua mão redentiva. Ele está disposto a nos fazer desconfortáveis e tristes. Ele quer nos trazer para si por meio de sofrimento e lamentos. Ele quer nos chacoalhar e abalar. Ele está disposto a espremer os nossos sonhos e fazer sair o ar de nossas esperanças. Ele está disposto a deixar que aquilo pelo que ansiamos escape como areia por entre os nossos dedos. E ele faz tudo isso porque somos preciosos para ele. Somos a menina dos seus olhos. Ele não nos compartilhará com outros. Ele não nos permitirá viver no delírio de que encontramos em outro lugar aquilo que podemos encontrar somente nele. Assim, nossas lutas com o envelhecimento físico são lutas entre a idolatria e a graça. Aquele que ama nossas almas está usando a ocasião da meia-idade e a realidade do envelhecimento para expor e nos livrar de nossos ídolos, que moram secretamente em nós e nos governam. Rejeite a autocomiseração, a inveja e o desencorajamento que são tão tentadores nessa época [na crise da meia-idade]. Olhe para o céu e seja grato. Você está sendo resgatado. Celebre o único que nova e novamente te livra daquilo que, deixado sozinho, você seria incapaz de escapar. Não lamente a morte de sua esperança nas coisas físicas. Celebre essa morte, pois ela dá as boas-vindas a uma nova vida renovada e vigorosa de amor, serviço e comunhão com o nosso Redentor. Diga a si mesmo junto com Paulo, “Sim, por fora eu estou me deteriorando, mas eu tenho uma esperança real e uma alegria verdadeira, porque interiormente eu estou sendo renovado a cada dia. O que a minha vida realmente diz respeito não poderá nunca ser enfraquecido pela idade nem destruído pelo passar dos anos!”.'

Capítulo 4: 'As folhas caem das árvores
'[...] A meia-idade é um tempo de colheita. As folhas estão fora das árvores e não há como colocá-las novamente. O mundo não dá voltas para trás em seu eixo. Relógios não voltam. Se a infância é a primavera da vida, e a juventude o verão, então, a meia-idade é um tempo de colheita, a meia-idade é o outono. É um tempo em que cada um de nós, em sentidos muito importantes, colhemos aquilo que semeamos. Por muito tempo da vida adulta você vive pensando em como tudo vai se desenvolver. Você está planejando, regando e tirando as ervas daninhas. Está olhando para frente. Você vislumbra a colheita, mas está nublado e com névoa. Assim, você se mantém trabalhando e recusa abrir mão da esperança. De repente, você se encontra olhando para trás na maior parte do tempo. É desorientador e desconfortável, a priori. Quando você gasta a vida plantando, parece estranho e antinatural colher, mas você não teve escolha. Você está em seu próprio outono pessoal. Olhar para trás é maravilhoso e perigoso, delicioso e triste. Pode encher de alegria ou marejar os olhos de lágrimas. Você pode flutuar de alegria ou afundar de remorso. A mistura desses extremos torna a coisa difícil. É particularmente difícil que o fruto da gratidão não seja coberto pelas folhas do remorso. Eu gostaria de poder olhar para trás e ser somente grato, mas não consigo. [...]'