*** Dan B. Allender & Tremper Longman III ***
Tradução de outro trecho do cap. 15 — "O Poder Redentivo da Vergonha Divina" — que mostra como Deus pode fazer uso de uma amizade como ferramenta para a redenção, por Sua graça e misericórdia.
<<< Jesus, sobre amizade, em João 15:12-17 >>>
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'[...] O ódio é como um valentão {"bully"} enorme e musculoso, que se recusa a deixar qualquer pessoa se aproximar da alma ferida e ensanguentada. Esse valentão é cruel, ofensivo e antagônico. Ele força os outros a fugir ou a lutar {"fight or flight"}. Qualquer uma dessas reações serve para justificar ainda mais ódio. É um mecanismo de defesa perverso, que se recusa a clamar por um defensor {advogado} que traga redenção.
O único caminho para romper essa defesa feroz é uma bondade que não ataca o valentão, nem o teme. Em vez disso, ela oferece ao valentão o que ele realmente deseja: perdão e reconciliação. É assim que a gratidão suaviza o ódio de si mesmo {autoinfligido}, gerado por causa da vergonha.
***[sobre a amizade dos autores do livro]*** Há quase três décadas, Tremper ofereceu a um valentão um vislumbre de redenção. Tremper e eu nos conhecemos numa aula de música, na oitava série. Eu {Dan} era um valentão [...] Durante a aula de música, Tremper tocou no meu ombro para perguntar se podia pegar um pente emprestado. Eu era um garoto agressivo. Agarrei-o pela camisa e o arranquei da carteira.
A reação de Tremper foi rir. Nunca, em minha jovem vida, eu {Dan} havia vivenciado algo tão desconcertante. Eu era um jogador de futebol americano grande e agressivo, com má fama, que usava a intimidação para esconder um profundo ódio de mim mesmo, e um pavor absoluto de me relacionar com os outros. Mas Tremper riu — uma risada sincera, gentil e livre de desprezo. Aquilo me desarmou instantaneamente. Para mim, a partir daquele momento, éramos melhores amigos. Nossa amizade tornou-se o meio pelo qual Deus me encurralou tempo suficiente para que eu ouvisse e respondesse ao evangelho.
A gratidão nasce em um coração maravilhado pela busca incansável daquele que nos ama, a despeito de inúmeras razões para atacar, ou se afastar com repugnância. Como disse Paulo, é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (Romanos 2:4). A gratidão surge no instante em que a graça é recebida; é um louvor de agradecimento repleto de assombro e ironia. Como alguém poderia me escolher quando meu coração é tão feio e endurecido? Não faz sentido. Isso desafia minhas expectativas e, ao mesmo tempo, desperta as fibras mais profundas do desejo.
A vergonha não tem poder em um coração cheio de gratidão. O ódio não tem chance em um coração que canta com desejo inocente, tristeza humilde, esperança firme e louvor grato à bondade de Deus...'