Nesta vida causticante e febril aqui na terra, em um dia típico de tribulação, inquietação e batalha espiritual aguda e intensa - com lutas tanto internas (na alma) quanto externas (no mundo)
- a murmuração frequentemente pode estar presente em nosso coração e rondando nossos pensamentos. Esta falta de satisfação, no Senhor, ou ingratidão na forma de murmuração, costuma, até mesmo, extravasar pelos nossos lábios impuros, na forma de
queixumes injustos, em desabafos impróprios, como por exemplo estes logo abaixo, e certamente alguns outros ainda mais pecaminosos e vergonhosos, que só Deus conheceu no nosso íntimo:
Ah, como seria mais fácil "se conformar"...
Ah, como seria mais suave "se adaptar"...
Ah, como seria mais tranquilo "se ajustar"...
Ah, como seria menos cansativo "não se opor"...
O apóstolo Paulo amorosamente nos exorta a, como crentes, não nos conformarmos com este século (mundo), mas sermos, pela graça, transformados na renovação da nossa mente:
"Rogo-vos,
pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso
corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto
racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:1-2)
Pela maravilhosa graça, e entranhável misericórdia do Senhor, ao "corarmos de vergonha" (Dn 9:7-8) depois do pecado cometido no coração, pensamentos e lábios, a realidade celestial - e não a terrena - nos leva ao arrependimento e contrição do coração, mudando a nossa perspectiva, enquanto contemplamos o sofrimento vicário (substitutivo) do Servo Sofredor, e o nossos desabafos impróprios, nos queixumes injustos que saem dos nossos lábios, agora são redimidos pelo precioso e inestimável sangue do Cordeiro, derramado em nosso favor, e para a Sua própria glória excelsa:
"[...] não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53:2b-5)
E então, desta forma, passamos imediatamente a reconhecer, pela fé, que o nosso Salvador necessário e eficaz, Senhor da redenção e da restauração, é o nosso Substituto voluntário e perfeito. Assim, num ato de louvor, apresentando nossos lábios (como parte do nosso corpo) "por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus", que é o nosso "culto racional" (Rm 12:1-2), estes mesmos lábios, agora redimidos pela "brasa na tenaz" (Is 6:1-7), passam a declarar a glória da perfeita e eficaz obra redentiva e substitutiva do Senhor Jesus Cristo, da seguinte forma:
Oh, como seria mais difícil "nascer numa manjedoura"...
Oh, como seria mais desafiador "ser tentado pelo próprio Diabo no deserto"...
Oh, como seria mais solitário "ser rejeitado pelo próprio povo"...
Oh, como seria mais aviltante "ser odiado até a morte"...
Oh, como seria mais agonizante "suar sangue diante do cálice da ira de Deus Pai"...
Oh, como seria mais doloroso "ser açoitado, humilhado, cuspido, esbofeteado e zombado"...
Oh, como seria mais vergonhoso "ser perdurado em um madeiro para morrer uma morte maldita"...
Ao Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor e Substituto perfeito, seja a glória para sempre!


