Print Friendly and PDF

10 junho 2026

Aprendizado piedoso 244

Alguns trechos do livro VI de "Confissões", de Agostinho de Hipona, que parecem relevantes para o contexto do Aconselhamento Bíblico, quando o autor relata sua interação com Ambrósio [Ministro da Palavra em Milão]:

'[3]. Eu ainda não gemia em minhas orações pedindo que me ajudasses. Mas meu espírito estava totalmente concentrado na aprendizagem e, impaciente, desejava uma discussão. Considerava Ambrósio um homem feliz, pelos critérios do mundo, que tem as grandes pessoas em alta estima. Apenas seu celibato me parecia um problema difícil. Mas eu não podia imaginar, por não ter tido sua experiência, que esperança havia em seu íntimo, que lutas ele travava contra a tentação que atacava suas qualidades superiores ou que conforto nas adversidades ou que doces alegrias teu pão proporcionava à boca oculta de seu espírito. Ele tampouco conhecia as marés de meus sentimentos, ou as profundezas do meu perigo. Pois eu não podia perguntar-lhe o que queria como queria, por ser excluído de seus ouvidos e de sua conversa por multidões de pessoas ocupadas, de cujas fraquezas ele {Ambrósio} cuidava. Quando não estava ocupado com gente nessas condições, no pouco tempo que lhe restava, ou ele estava revigorando seu corpo com o alimento absolutamente indispensável, ou sua mente estava lendo. Durante a leitura, seus olhos deslizavam sobre as páginas, e seu coração procurava o sentido, mas sua voz e língua permaneciam em repouso. Muitas vezes quando aparecíamos (pois ninguém era proibido de entrar, e não era seu costume exigir que quem aparecesse fosse anunciado), nós o víamos lendo em silêncio, nunca de outra forma. Ficávamos lá sentados por um longo tempo (pois quem ousaria perturbar alguém tão concentrado?), depois tendíamos a ir embora, imaginando que, naquele breve espaço de tempo que ele conseguia, longe da grande confusão das outras atividades, para revigorar sua mente, ele não queria ser perturbado. E talvez temendo que, se o autor tratava obscuramente de algum assunto que ele devia explicar a algum de seus ouvintes mais atentos ou confusos, ou de algum assunto que discutia algumas das questões mais difíceis, se ele gastasse seu tempo para outras coisas, não poderia consultar todos os volumes desejados. Mas a preservação de sua voz (que um breve discurso enfraquecia) talvez fosse a razão mais verdadeira de sua leitura silenciosa. Fosse qual fosse sua intenção, com certeza num homem como ele ela era boa.
[4]. Eu, porém, certamente não tinha nenhuma oportunidade de perguntar o que queria àquele teu santo oráculo {Ambrósio}, seu coração, a não ser que o assunto pudesse ser resolvido numa resposta breve. Mas as paixões que eu tinha dentro de mim para derramar sobre ele exigiam todo o seu tempo livre, e nunca o consegui.' [Confissões VI.3,4

05 junho 2026

Aprendizado piedoso 243

sermonaudio.com/sermons/529261632232066

Tema do sermão traduzido: 
"Clamando sinceramente para ser conduzido à Alta Rocha"
(pr. Joel Beeke) 
[texto base: Salmos 61
 
 
---------------------------------------------------------------------------
Alguns trechos graciosos e edificantes deste sermão:
 
'[...] Não há rocha como o nosso Deus. Ele guardará os passos dos seus santos. Ou digam novamente com Davi: "Tu alargaste os meus passos, para que os meus pés não escorregassem". Tais pessoas que clamam a Deus jamais perecerão. Um conhecido poeta expressou desta forma: "Jesus Cristo, o amigo do pecador, ama o Seu povo até o fim. E para que possam permanecer em segurança, Ele é a rocha na qual se escondem. Como uma rocha, Ele os protege bem da fúria do pecado e do inferno. Protegidos em Seu lado ferido, agora nenhum mal pode lhes aprisionar. No remo protegido-da-tempestade, agora unidos a Ele para sempre." [...]'**
**No original (inglês), o poema citado no sermão é o seguinte: "Jesus Christ, the sinner's friend, loves His people to the end. and that they may safe abide, He's the rock in which they hide. As a rock, He guards them well from the rage of sin and hell. Sheltered in His wounded side, now no ill can them be tied. From the tempest-covered oar, one with Him forevermore.

'[...] Sim, quando você é guiado por esse espírito a enxergar o seu pecado, Aquele que o esvazia da sua justiça, Ele o conduzirá a esta rocha, uma rocha mais alta do que todos os seus pecados, todas as suas dúvidas, todos os seus medos, uma rocha mais alta até mesmo do que todas as suas esperanças, toda a sua fé e todo o seu amor, uma rocha que ninguém pode medir, uma rocha infinita, perfeitamente adequada para o maior dos pecadores. Então, ouça o que outro poeta disse. Este é um poema incrível: "Se todos os pecados que os homens cometeram em vontade, em palavra, em pensamento, em ação, desde que os mundos foram criados e o tempo teve início, fossem colocados sobre a cabeça de um pobre pecador, somente o sangue de Jesus Cristo poderia expiar e varrer toda essa quantidade de pecado" [...]' ***
***No original (inglês), este é o outro poema citado no sermão: "If all the sins that men have done in will, in word, in thought, in deed, since worlds were made and time began, were laid on one poor sinner's head, the blood of Jesus Christ alone could for this mass of sin atone and sweep it all away."
 
'[...] Thomas Scott escreveu estas palavras famosas: "Quando preocupações, medos, tristezas ou tentações, como uma torrente, inundam nossos corações, nossos clamores a Deus devem simplesmente se tornar mais fervorosos do que nunca, e devemos ir a Ele. Se Ele ouve o grito de um jovem corvo [Sl 147.9], você não acha que Ele ouvirá o grito de um pecador arrependido?" Oh, eis um convite! Você pode tremer sobre aquela rocha, mas aquela rocha jamais tremerá sob o seu peso. Você pode até tremer sobre aquela rocha. Você pode até mesmo vir à Ceia do Senhor tremendo pela primeira vez, mas você está vindo para a rocha. E você experimentará que a rocha não tremerá sob o seu peso, porque esta rocha permanece firme e inabalável para sempre. Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará [Sl 91.1]. Corra para a rocha. Enterre-se, por assim dizer, na rocha. [...]'

----------------------------------------
Hino de R.A. Searles (1873)
["Conduza-me à Rocha"]
 
1. When mountains of doubt hem me in on each side,
And waves of affliction roll in like a tide;
When vainly I seek some new pathway to try,
Oh, lead me to the Rock that is higher than I.
 
Refrain:
Oh, lead me to the Rock, Oh, lead me to the Rock,
Oh, lead me to the Rock that is higher than I.
Oh, lead me to the Rock, Oh, lead me to the Rock that is higher than I.

 
2. When storms of deep trouble rage fiercely around,
When forebodings of ill in my spirit abound;
When the hopes of a lifetime are blighted and die,
Oh, lead me to the Rock that is higher than I.
Oh, lead me, etc.
 
3. The sun of prosperity brightly may shine,
And my heart round its treasures too closely may twine,--
When my hopes are in danger of rising too high,
Oh, lead me to the Rock that is higher than I.
Oh, lead me to the Rock, etc.
 
4. When nearing the shore of the river of death,
And the moments fly swiftly with each labored breath,
When losing my hold of each dear earthly tie,
Oh, lead me to the Rock that is higher than I.
Oh, lead me to the Rock, etc.
 
5. Whatever my lot, be it wearily sad,
Or actively busy or joyously glad;
In each joy and sorrow, my God, be thou nigh,
And lead me to the Rock that is higher than I.
Oh, lead me to the Rock, etc. 
 
{Grove Songs #2, 1873
 
------------------------------------
 
1. Quando montanhas de dúvida me cercam de cada lado,
E ondas de aflição me invadem como uma maré;
Quando em vão busco um novo caminho a trilhar,
Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.

Refrão:
Oh, guia-me à Rocha, Oh, guia-me à Rocha,
Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.
Oh, guia-me à Rocha, Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.


2. Quando tempestades de profunda angústia rugem ferozmente ao meu redor,
Quando pressentimentos de mal abundam em meu espírito;
Quando as esperanças de uma vida inteira se desfazem e morrem,
Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.
Oh, guia-me, etc.

3. O sol da prosperidade pode brilhar intensamente,
E meu coração pode se apegar demais aos seus tesouros,
Quando minhas esperanças correm o risco de se elevarem demais,
Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.
Oh, guia-me à Rocha, etc.

4. Quando me aproximo da margem do rio da morte,
E os momentos voam velozmente a cada respiração ofegante,
Quando perco o controle de cada laço terreno querido,
Oh, guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.
Oh, guia-me à Rocha, etc.

5. Seja qual for o meu destino, seja ele de profunda tristeza,
Ou de intensa atividade ou de alegria plena;
Em cada alegria e tristeza, meu Deus, esteja perto,
E guia-me à Rocha que é mais alta do que eu.
Oh, guia-me à Rocha, etc.
 
 ------------------