(Emily Dickinson, 1861)
Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma,
E canta uma canção - sem as palavras
E nunca pára de todo,
E mais doce é ouvida no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desconcertar o passarinho
Que manteve tantos aquecidos.
Já o ouvi nas terras mais geladas
E no mar mais estranho,
Entretanto, nunca, nem em desespero,
Ele me pediu uma migalha a Mim.
----------------------------------------
*Informações sobre a poesia e sobre a poetisa:
Neste poema, a Esperança é comparada a um pássaro que vive dentro do ser humano, e que soa mais forte quando as circunstâncias são adversas, mas que nunca pede nada em troca para cantar. A analogia com um pássaro é curiosa e desconcertante, pois trata-se normalmente de uma criatura muito frágil.
Emily Dickinson (1830-1886) é uma das figuras mais importantes da poesia norte-americana. O primeiro volume da sua obra foi publicado 4 anos após a sua morte, devido à descoberta de cerca de 1800 poemas, pela sua irmã mais nova, Lavínia. Há relatos de que Emily teria pedido à irmã que queimasse todos os seus escritos após a sua morte.