Segundo os dicionários de etimologia, a origem da palavra "phobia", que tem o significado de "medo irracional, horror ou aversão" ou "medo de um mal imaginário ou medo injustificado [desnecessário ou excessivo] de um mal real", é provavelmente proveniente do francês. A palavra em grego (phobos) está associada a "medo, pânico, terror, demonstração externa de medo", originalmente com o significado de "fuga" (sentido encontrado nas obras do poeta grego Homero), e se tornou a palavra comum para "medo", pela noção de "fuga em pânico" (phobein: "fugir, assustar"). Na psicologia, o sentido de "um medo anormal ou irracional" é encontrado à partir do final do séc. XIX.
Procurando viver, neste mundo, como filhos do Deus de toda justiça e misericórdia, e nunca ingenuamente excluindo a possibilidade concreta da presença e influência do pecado humano em cada um de nós, devemos sim buscar nos compadecer dos que verdadeiramente padecem de fobias patológicas debilitantes, que tipicamente causam ansiedade, melancolia e depressão na alma humana abatida e angustiada. Porém, excluindo-se as possíveis exceções encontradas nestas fobias patológicas verdadeiras, na era atual em que vivemos parece haver uma grande multiplicidade de fobias que mais parecem estrategicamente "manufaturadas", e que encontram-se disseminadas e pulverizadas na civilização humana, tentando fazer parte "natural" no próprio "tecido" ou "malha" da sociedade moderna. É importante enfatizar, inclusive, que muitas destas fobias, que parecem intencionalmente "fabricadas", têm sido usadas de forma pejorativa e acusatória, especialmente contra cristãos ao redor do mundo. Isso geralmente acontece quando os discípulos de Jesus procuram testemunhar o Senhorio de Cristo em suas vidas, exercendo seu direito de defender nossos valores e princípios fundamentais, que devem estar de acordo com a nossa visão de mundo (cosmovisão) bíblica, ou seja, que precisam estar firmemente ancorados na Palavra de Deus, que é a nossa "única regra de fé e prática". É imprescindível salientar, contudo, que este testemunho do Senhorio do nosso Redentor sobre nossas vidas deve ser feito, sempre, com a devida responsabilidade do respeito mútuo à dignidade humana, cuja base bíblica encontra-se em Gn 1:26-27 ("Imago Dei" ).
Esta aversão, muitas vezes aguda como um ódio que chega disfarçado na moderna "roupagem" da inconsistente, mas peremptória acusação de algumas fobias para os cristãos, recebe uma definição racional, lógica e cognitiva, nas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo, por exemplo, em Jo 15:18,19,23,24b,25:
"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros [cristãos], me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia... Quem me odeia, odeia também a meu Pai... mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: 'Odiaram-me sem motivo' [#refs. cruzadas: Sl 35:19 e Sl 69:4]."
O apóstolo Paulo (Rm 1:18-22), inspirado pelo Espírito Santo, também nos ensina, de maneira lógica e racional, sobre esta "tensão" que cerca a fé cristã, quando testemunhada pelos discípulos de Jesus neste mundo:
"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos" [#ver estudo sobre "Apologética Bíblica Evangelística" neste tema]
Segundo dicionários bíblicos (léxico James Strong), a palavra "loucos", que o apóstolo Paulo usa no texto, vem do original (grego) moraino (#Strong 3471: "tolo"), que é derivado de moros (#Strong 3474: "tolo, ímpio, incrédulo"), e que, por sua vez, dizem que é provável ser proveniente de musterion (#Strong 3466: "algo oculto, escondido, secreto").
Neste ponto, caro(a) leitor(a), os significados entre "loucura" (no sentido objetivo do termo "insanidade") e "tolice" (no sentido objetivo do termo "estupidez") parecem se misturar neste contexto. Diga-se, de passagem, que a palavra moron, em inglês, tem sua origem neste mesmo termo (moros), em grego.
Dito isso, e baseando-se no profundo e edificante ensino do apóstolo Paulo aos romanos da sua época, mas que continua extremamente lúcido e necessário para os nossos dias, talvez pudéssemos respeitosa e objetivamente definir, de forma semelhante ao que ele fez em sua epístola, que se existe uma fobia que algum cristão poderia, eventualmente, manifestar, seria a ilitiofobia (ilithiophobia, em inglês), que é definida como um neologismo (termo recentemente cunhado em uma língua) que formalmente significa "uma forte e persistente intolerância [aversão/fobia] à estupidez [tolice]", sendo proveniente da combinação dos termos, em grego, ilithios ("estupidez") e phobos ("medo").***
Finalmente, caros irmãos e irmãs, em Cristo, o que dizer? Nada... além de apenas uma doxologia final:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36)
Ao Senhor, somente, toda a glória!
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***Obs.: após receber, na forma de uma observação pastoral sobre o texto acima, o sábio conselho de um pastor amigo, por quem tenho profundo apreço e respeito, é importante enfatizar uma questão adicional neste ponto do texto. A expressão “aversão [ou fobia] à estupidez [ou tolice]”, que é formalmente proveniente do dicionário Collins para o verbete ilithiophobia, pode ser útil como crítica cultural (talvez em termos parecidos com os que o apóstolo Paulo usa em Rm 1), mas esta crítica precisa ser bem vigiada para não resvalar em desprezo, com o potencial de se transformar em um tipo de "desamor antibíblico". Nosso alvo, como cristãos, deve ser sempre "ganhar pessoas", e não “vencer debates" (ver: 2Tm 2:24-25; Ef 4:15). Agradeço a Deus pela pertinente observação e gracioso conselho, que enriqueceu o propósito do texto, dentro do contexto da "Apologética Bíblica Evangelística". Que Cristo seja louvado em tudo, e que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15).