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08 janeiro 2026

Lições apologéticas: fobias & aversões

Segundo os dicionários de etimologia, a origem da palavra "phobia", que tem o significado de "medo irracional, horror ou aversão" ou "medo de um mal imaginário ou medo injustificado [desnecessário ou excessivo] de um mal real", é provavelmente proveniente do francês. A palavra em grego (phobos) está associada a "medo, pânico, terror, demonstração externa de medo", originalmente com o significado de "fuga" (sentido encontrado nas obras do poeta grego Homero), e se tornou a palavra comum para "medo", pela noção de "fuga em pânico" (phobein: "fugir, assustar"). Na psicologia, o sentido de "um medo anormal ou irracional" é encontrado à partir do final do séc. XIX

Procurando viver, neste mundo, como filhos do Deus de toda justiça e misericórdia, e nunca ingenuamente excluindo a possibilidade concreta da presença e influência do pecado humano em cada um de nós, devemos sim buscar nos compadecer dos que verdadeiramente padecem de fobias patológicas debilitantes, que tipicamente causam ansiedade, melancolia e depressão na alma humana abatida e angustiada. Porém, excluindo-se as possíveis exceções encontradas nestas fobias patológicas verdadeiras, na era atual em que vivemos parece haver uma grande multiplicidade de fobias que mais parecem estrategicamente "manufaturadas", e que encontram-se disseminadas e pulverizadas na civilização humana, tentando fazer parte "natural" no próprio "tecido" ou "malha" da sociedade moderna. É importante enfatizar, inclusive, que muitas destas fobias, que parecem intencionalmente "fabricadas", têm sido usadas de forma pejorativa e acusatória, especialmente contra cristãos ao redor do mundo. Isso geralmente acontece quando os discípulos de Jesus procuram testemunhar o Senhorio de Cristo em suas vidas, exercendo seu direito de defender nossos valores e princípios fundamentais, que devem estar de acordo com a nossa visão de mundo (cosmovisão) bíblica, ou seja, que precisam estar firmemente ancorados na Palavra de Deus, que é a nossa "única regra de fé e prática". É imprescindível salientar, contudo, que este testemunho do Senhorio do nosso Redentor sobre nossas vidas deve ser feito, sempre, com a devida responsabilidade do respeito mútuo à dignidade humana, cuja base bíblica encontra-se em Gn 1:26-27 ("Imago Dei" ).

Esta aversão, muitas vezes aguda como um ódio que chega disfarçado na moderna "roupagem" da inconsistente, mas peremptória acusação de algumas fobias para os cristãos, recebe uma definição racional, lógica e cognitiva, nas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo, por exemploem Jo 15:18,19,23,24b,25:
"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros [cristãos], me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia... Quem me odeia, odeia também a meu Pai... mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: 'Odiaram-me sem motivo' [#refs. cruzadasSl 35:19 e Sl 69:4]."

O apóstolo Paulo (Rm 1:18-22), inspirado pelo Espírito Santo, também nos ensina, de maneira lógica e racional, sobre esta "tensão" que cerca a fé cristã, quando testemunhada pelos discípulos de Jesus neste mundo:
"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos" [#ver estudo sobre "Apologética Bíblica Evangelística" neste tema]

Segundo dicionários bíblicos (léxico James Strong), a palavra "loucos", que o apóstolo Paulo usa no texto, vem do original (grego) moraino (#Strong 3471: "tolo"), que é derivado de moros (#Strong 3474: "tolo, ímpio, incrédulo"), e que, por sua vez, dizem que é provável ser proveniente de musterion (#Strong 3466: "algo oculto, escondido, secreto").
Neste ponto, caro(a) leitor(a), os significados entre "loucura" (no sentido objetivo do termo "insanidade") e "tolice" (no sentido objetivo do termo "estupidez") parecem se misturar neste contexto. Diga-se, de passagem, que a palavra moron, em inglês, tem sua origem neste mesmo termo (moros), em grego. 

Dito isso, e baseando-se no profundo e edificante ensino do apóstolo Paulo aos romanos da sua época, mas que continua extremamente lúcido e necessário para os nossos dias, talvez pudéssemos respeitosa e objetivamente definir, de forma semelhante ao que ele fez em sua epístola, que se existe uma fobia que algum cristão poderia, eventualmente, manifestar, seria a ilitiofobia (ilithiophobia, em inglês), que é definida como um neologismo (termo recentemente cunhado em uma língua) que formalmente significa "uma forte e persistente intolerância [aversão/fobia] à estupidez [tolice]", sendo proveniente da combinação dos termos, em grego, ilithios ("estupidez") e phobos ("medo").***

Finalmente, caros irmãos e irmãs, em Cristo, o que dizer? Nada... além de apenas uma doxologia final:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36)
 
Ao Senhor, somente, toda a glória!
________
***Obs.: após receber, na forma de uma observação pastoral sobre o texto acima, o sábio conselho de um pastor amigo, por quem tenho profundo apreço e respeito, é importante enfatizar uma questão adicional neste ponto do texto. A expressão “aversão [ou fobia] à estupidez [ou tolice]”, que é formalmente proveniente do dicionário Collins para o verbete ilithiophobia, pode ser útil como crítica cultural (talvez em termos parecidos com os que o apóstolo Paulo usa em Rm 1), mas esta crítica precisa ser bem vigiada para não resvalar em desprezo, com o potencial de se transformar em um tipo de "desamor antibíblico". Nosso alvo, como cristãos, deve ser sempre "ganhar pessoas", e não “vencer debates" (ver: 2Tm 2:24-25; Ef 4:15). Agradeço a Deus pela pertinente observação e gracioso conselho, que enriqueceu o propósito do texto, dentro do contexto da "Apologética Bíblica Evangelística". Que Cristo seja louvado em tudo, e que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15).

05 janeiro 2026

Aprendizado piedoso 231

Preciosa e edificante publicação de Paul Tripp no ministério CONEXÃO CONSELHO BÍBLICO:
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Não faça resoluções. Faça compromissos.
(Paul Tripp)

Não sou fã de resoluções de Ano Novo. Embora eu compreenda o desejo por novos começos e recomeços, nenhum de nós tem o poder de se reinventar simplesmente porque o calendário virou para um novo ano. No entanto, como o evangelho de Jesus Cristo traz consigo uma mensagem de novos começos e recomeços — por causa do poder perdoador e transformador da graça de Deus — olhar para o ano que se aproxima nos dá a oportunidade de nos dedicarmos novamente a compromissos práticos do dia a dia, que estão enraizados no evangelho.

Quero sugerir sete compromissos que todos nós fomos capacitados para assumir e que devemos estar entusiasmados em assumir.

1. Seja honesto sobre suas lutas.
Negar suas lutas diárias contra a tentação e o pecado nunca é um caminho para a mudança. A obra de Jesus nos liberta para sermos honestos sobre nossas fraquezas e falhas, sem medo do julgamento de Deus. O evangelho nos acolhe em nossa fraqueza, convidando-nos a recorrer a Deus e não a fugir de Deus. A porta para a transformação pessoal começa com o reconhecimento humilde da nossa necessidade da ajuda que só Deus pode dar.

2. Descanse na presença e na força de Deus.
Não queira contar com você mesmo para carregar a sua vida e bem-estar em seus ombros pequenos. Lembre-se de que Jesus está com você, em você e por você, e por isso o seu bem-estar repousa sobre os ombros infinitamente grandes de Jesus. Ao avaliar seu potencial para conduzir sua vida, não se esqueça de que ela foi invadida pelo poder e pela graça dEle. Poderíamos até dizer que Jesus é o seu potencial.

3. Não procure na horizontal o que só pode ser encontrado na vertical.
Não se deixe seduzir pela ideia de que a vida se resume às pessoas, aos bens materiais, às situações, aos lugares e às experiências do dia a dia. Lembre-se, o papel das coisas criadas não é dar-lhe vida, mas apontar para Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Recuse-se a tentar satisfazer seu coração com aquilo que nunca lhe oferecerá a satisfação que você busca.

4. Aprofunde seu relacionamento com o corpo de Cristo.
Você e eu nunca fomos programados por Deus para caminhar com Ele sozinhos. O plano de Deus para nós é profundamente relacional. Fomos feitos para estarmos conectados e sermos interdependentes, não isolados e independentes. Viva perto do povo de Deus, convidando aqueles ao seu redor a entrarem em seu mundo pessoal e serem instrumentos de Deus para encorajamento, consolo, confronto, crescimento e transformação. Lembre-se de que o pecado dificulta que nos vejamos de forma objetiva e precisa. A compreensão e o crescimento espiritual pessoal são, de fato, resultado da comunidade.

5. Discuta com o seu próprio coração.
É um tema do meu ministério que continuarei a repetir: ninguém tem mais influência na sua vida do que você mesmo, porque ninguém fala mais com você do que você mesmo. Não se deixe levar por pensamentos marcados por medo, desânimo, futilidade, desesperança ou desencorajamento. Pregue o evangelho do amor, da graça, da presença, das promessas e do poder de Deus para si mesmo várias vezes ao dia. Comprometa-se a manter uma conversa constante consigo mesmo sobre o evangelho.

6. Esforce-se para garantir que a gratidão substitua as queixas.
É triste, mas é verdade, que a linguagem padrão de todo pecador seja a reclamação. Visto que o pecado me faz pensar que a vida gira em torno de mim, ele também me leva a encontrar constantemente motivos para estar insatisfeito. No entanto, quando você e eu vivemos por algo maior do que nosso próprio prazer e conforto, e quando estamos comprometidos em contar as bênçãos mais do que nossas queixas, o louvor preenche nosso coração e pontua nossas conversas. Que tal se comprometer com começar cada dia contando as inúmeras maneiras pelas quais Deus lhe concedeu bênçãos que você jamais poderia ter conquistado ou merecido por conta própria?

7. Descanse na obra completa de Jesus Cristo.
Você tem motivos para descansar, porque, embora o calendário tenha virado para um novo ano, seu Salvador ainda o saúda com novas misericórdias a cada manhã, ele ainda não o enviará sem ir com você, nem o chamará para uma tarefa sem lhe dar o que você precisa para realizá-la, e ele ainda reina sobre todas as coisas. Você pode descansar, pois está nas boas mãos do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

À medida que um novo ano se inicia, não se iluda com resoluções grandiosas que nenhum de nós tem o poder de cumprir. Em vez disso, celebre o evangelho de Jesus Cristo e suam imensa graça. Reafirme seu compromisso de viver cada dia à luz daquilo que lhe é dado em e por meio de seu Salvador, o Senhor Jesus Cristo.


02 janeiro 2026

Aprendizado piedoso 230

Nesta época (começo de janeiro) onde tipicametne são feitas muitas promessas de mudanças para o ano que se inicia, vejam a convicção das resoluções do pr. Thomas Boston, conhecidas como "Um Pacto Pessoal", traduzido a partir da postagem "A personal covenant" no blog do jornalista cristão Tony Reinke, que serve no podcast "Ask Pastor John" ("Pergunte ao Pastor John [Piper]"), do ministério Desiring God
 
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Um Pacto Pessoal
(Thomas Boston, 14/08/1699)

Eu, o Sr. Thomas Boston, pregador do evangelho de Cristo, sendo por natureza um apóstata de Deus, um inimigo do grande Jeová e, portanto, herdeiro do inferno e da ira, em mim mesmo completamente perdido e arruinado, por causa dos meus pecados originais e atuais, e da miséria que daí decorre; e sendo, em certa medida, consciente deste meu estado perdido e arruinado, e consciente da minha necessidade, da minha absoluta necessidade de um Salvador, sem o qual devo perecer eternamente; e crendo que o Senhor Jesus Cristo, o Filho eterno do Deus eterno, não só é capaz de me salvar, em virtude de sua morte e sofrimentos, como também deseja me tomar para Si (embora eu seja vil e repugnante, e alguém que lhe causou muitas repulsas), tanto dos meus pecados quanto do fardo da ira que me é devida por eles [meus pecados], sob a condição de que eu creia, venha a Ele para a salvação e O receba cordialmente em todos os seus ofícios; consentindo com os termos da aliança [pacto]Portanto, assim como em diversas oportunidades anteriores dei meu consentimento expresso e solene aos termos da aliança, e fiz uma aliança pessoal com Cristo, agora, sendo chamado a empreender a grande e importante obra do ministério do evangelho, para a qual sou totalmente insuficiente, declaro, por meio deste documento, que mantenho e reconheço todos os meus compromissos anteriores, sejam sacramentais ou de qualquer outra natureza; e agora renovo minha aliança com Deus. E por meio deste instrumento, neste momento presente, eu solenemente PACTUO e ME COMPROMETO a ser do Senhor e FAÇO uma solene renúncia e entrega de mim mesmo, minha alma, meu corpo, meus bens espirituais e temporais, ao Senhor Jesus Cristo, sem qualquer reserva; e por meio deste instrumento [documento escrito], dou meu consentimento voluntário aos termos da aliança estabelecidos nas Sagradas Escrituras, a Palavra da Verdade; e com meu coração e alma, EU RECEBO Cristo em todos os seus ofícios, como meu PROFETA, para me ensinar, resolvendo e me comprometendo, com a Sua força, a segui-Lo, isto é, a me esforçar para seguir Suas instruções. Eu o RECEBO como meu SACERDOTE, para ser salvo somente por Sua morte e méritos; e renunciando à minha própria justiça, como trapos imundos e panos menstruais, contento-me em ser revestido somente com a Sua justiça; e a viver inteiramente pela graça imerecida; da mesma forma, eu O tomo por meu Advogado e Intercessor junto ao Pai; e, finalmente, eu O tomo como meu Rei, para reinar em mim, e governar sobre mim, renunciando a todos os outros senhores, sejam eles o pecado ou o egoísmo, e em particular ao meu ídolo predominante; e, na força do Senhor, resolvo e por meio deste [documento escrito] me comprometo a me apegar a Cristo como meu Soberano Senhor e Rei, na morte e na vida, na prosperidade e na adversidade, para sempre, e a lutar e batalhar em Sua força contra todo pecado conhecido; declarando que, qualquer pecado que esteja oculto em meu coração, fora da minha vista, eu o rejeito e o abomino, e, na força do Senhor, me esforçarei para mortificá-lo, quando o Senhor se agradar em me permitir vê-lo. E este solene pacto eu faço na presença do Deus eterno e perscrutador, e o assino com a minha mão, no meu quarto, em Dunse, por volta da uma hora da tarde, no décimo quarto dia de agosto de mil seiscentos e noventa e nove.
T. BOSTON