No estágio atual de desenvolvimento tecnológico em que se encontra a civilização humana, é praticamente impossível não ter contato quase diário com uma verdadeira "sopa de letrinhas" que aparece na mídia em geral, como por exemplo, uma variedade de siglas IA, IAG, LLM, GPT, NN e ML, além de termos como Chatbot e outros, tipicamente relacionados à área da Tecnologia de Informação (TI).
<<< caro(a) leitor(a), se desejar uma leitura mais rápida, pode pular este trecho do texto que traz as "definições formais" das siglas relacionada com IA, passando direto para o próximo bloco do texto, que começa no parágrafo: "Contudo..." >>>
A título de esclarecimento didático, as definições formais destas siglas e termos podem ser encontradas, por exemplo, em websites e documentos de empresas mundialmente conhecidas por desenvolverem soluções de TI:
- AI: "Artificial Intelligence (AI), ou Inteligência Artificial (IA, em português), é uma tecnologia que permite que computadores e máquinas simulem o aprendizado, a compreensão, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a criatividade e a autonomia dos seres humanos."
- IAG: "IA Generativa, às vezes chamada de IA Gen, é a Inteligência Artificial (IA) que pode criar conteúdo original, como texto, imagens, vídeo, áudio ou código [programa] de software, em resposta a um prompt [linha de comando] ou solicitação do usuário."
- LLM: "Grandes Modelos de Linguagem (LLMs - Large Language Models, em inglês) são uma categoria de modelos de deep learning treinados em imensas quantidades de dados, tornando-os capazes de entender [compreender] e de gerar linguagem natural e outros tipos de conteúdo, para executar uma grande variedade de tarefas [...] LLMs populares se tornaram nomes conhecidos [lista de LLMs], trazendo a IA Generativa (IAG) para a vanguarda do interesse público."
- GPT: "Transformadores Generativos Treinados Previamente (GPT - Generative Pretrained Transformer, em inglês) é uma tecnologia usada na Inteligência Artificial Generativa (IAG), que possui uma arquitetura baseada em Redes Neurais (NN), e possibilita gerar conteúdo a partir de um comando [prompt]. GPTs são uma família de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) baseados em arquitetura de deep learning de transformação."
- NN: "Redes Neurais (NN - Neural Networks, em inglês) é um modelo de Aprendizado de Máquina (ML) que empilha neurônios [artificiais] simples em camadas, e aprende [otimiza] pesos e vieses [bias ou tendências] que reconhecem padrões a partir dos dados, para mapear entradas (input), e transformar em saídas (output). [Uma sigla também usada para NN é ANN ('Artificial Neural Networ' ou 'Redes Neurais Artificiais')]"
- ML: "Aprendizado de Máquina (ML - Machine Learning, em inglês) é o subconjunto [uma parte] da Inteligência Artificial (IA) concentrado em algoritmos que podem aprender os padrões dos dados de treinamento e, posteriormente, fazer inferências [previsões] precisas sobre novos dados. Essa capacidade de reconhecimento de padrões permite que os modelos de Aprendizado de Máquina tomem decisões, ou façam previsões, sem instruções explícitas e codificadas [instruções do usuário, por exemplo]."
- Chatbot: "Chatbot é um software [lista de Chatbots] que tem a capacidade de interagir com os usuários e simular uma conversação [comunicação] humana. Os chatbots podem ser desenvolvidos para atender diferentes necessidades, desde respostas básicas pré-programadas, consultas e até geração de respostas complexas usando Inteligência Artificial (IA)."
Contudo, com o uso cada vez mais intenso destas ferramentas de IA a nível mundial, muitas questões tem sido levantadas, e muitas reflexões tem surgido, em vários aspectos, como por exemplo, dos pontos de vista ético, cognitivo, epistemológico, metafísico, dentre outros. Como não temos condições de abordar aqui, neste texto, todas estas questões ou nuances dos múltiplos aspectos que têm implicações sobre o desenvolvimento e o uso das ferramentas de IA, vamos procurar focar em apenas um aspecto que parece relevante, particularmente para a vida cristã: "implicações do uso da IA sobre a conversação (comunicação) humana".
Nesta análise, é necessário também levar em consideração o fato conhecido de que a civilização humana vive dias de um crescente comportamento individualista e egocêntrico, onde o "eu" é estimulado de forma exacerbada. Nesta rota perigosa, como seres humanos, muitos de nós nos atrapalhamos navegando inadvertidamente pelas redes sociais, consumindo tipicamente um conteúdo sensacionalista e potencialmente danoso para o coração ("o homem interior", no sentido bíblico). É preciso reconhecer que eventualmente também é possível encontrar conteúdo útil e edificante nestas plataformas de redes sociais. Contudo, para acessar tal conteúdo edificante, é praticamente inevitável ter contato com a parte potencialmente danosa do conteúdo encontrado também nas redes sociais, e por isso precisamos ter muito cuidado com o "enganoso coração" humano, "desesperadamente corrupto" (Jr 17:9). Considerando-se, portanto, o elevado tempo médio gasto (muitas vezes, diariamente) com esta navegação nas redes sociais, o que frequentemente acontece é que acaba sobrando tipicamente pouco tempo disponível para a conversação (comunicação) humana, por exemplo na forma de mensagens pessoais (nos aplicativos de mensagem instantânea), ou, até mesmo, por meio de uma ligação telefônica.
Porém, uma questão preocupante que parece estar se estabelecendo, cada vez mais, em nossos dias, é que enquanto uma boa parte destas pessoas que eventualmente já gastam um tempo elevado navegando diariamente nas redes sociais, também têm demonstrado uma desproporcional curiosidade aguda para acessar os aplicativos de IA (IA Generativa, LLMs, Chatbots, etc), que estão "à palma da mão", nos smartphones e tablets, por exemplo. Queremos deixar claro que estamos falando aqui não do um uso comum, com equilíbrio e parcimônia, destas ferramentas, mas sim de um uso exacerbado e desproporcional, sem considerar, em primeiro lugar, o potencial de risco e perigos que se encontram nestas plataformas, sistemas e aplicativos de IA. A pergunta que devemos nos fazer aqui é se o uso excessivo e desproporcional destas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estaria mais auxiliando, ou mais prejudicando os usuários recorrentes e entusiastas destes sistemas e aplicativos (Apps) de IA. Uma destas preocupações latentes, segundo os alertas divulgados em estudos de especialistas em aprendizado humano, por exemplo, do ponto de vista cognitivo, é o efeito potencialmente danoso de diminuição da capacidade humana de raciocínio, ou seja, da capacidade do ser humano pensar racionalmente, para resolver desde questões simples e cotidianas, até os mais complexos desafios da vida. A pergunta importante que devemos, todos, nos fazer aqui é: "Será que o uso excessivo e desproporcional destas ferramentas de IA teriam o potencial de causar mais prejuízo ao pensamento humano, do que eventualmente ser uma bênção no auxílio para a resolução de problemas humanos, cotidianos ou complexos?"
O cenário atual que se apresenta diante dos nossos olhos e ouvidos [as "janelas da alma", ver Pv 20:12; Mt 6:22; Is 32:9; Ap 2:29; Ez 12:2; Mt 13:15-16], no contexto da reflexão central deste texto - "implicações do uso da IA sobre a conversação (comunicação) humana" - é o seguinte: muitos seres humanos, de diversas idades e gerações diferentes, alegam não ter tempo disponível para se comunicar (conversar) com outros seres humanos (em todas as esferas relacionais), enquanto simultaneamente empregam uma parte significativa do seu tempo útil se "comunicando" ("conversando"), por assim dizer, com os sistemas de IA. Os usuários que já tiveram oportunidade de usar as ferramentas de IA costumam relatar que experimentam uma sensação assustadoramente realista de comunicação (conversação) em linguagem que parece, de fato, humana. Contudo, quando um usuário utiliza estes sistemas de IA (IA Generativa, LLMs, Chatbots, etc), quem está "do outro lado da linha" não é outro ser humano, "criado à imagem e semelhança de Deus" (Imago Dei), mas é uma "máquina" treinada e desenvolvida para ter a "aparência humana", apesar desta "máquina" ter sido desenvolvida (criada) à "imagem e semelhança" (de acordo com a cosmovisão) dos seus desenvolvedores, ou seja, de seres humanos que programaram o algoritmo e implementaram o sistema de IA em algum aplicativo ou plataforma.
Portanto, caro irmão ou irmã - servo ou serva de Cristo - o propósito deste texto é intencional e graciosamente lhe convidar a fazer uma sincera e profunda reflexão sobre o seu tempo gasto nestas ferramentas de IA, que inclusive estão muito presentes nas redes sociais. Neste contexto, nosso objetivo não é outro, senão alertá-los amorosamente (Pv 27:5-6), no Senhor, sobre os riscos e perigos associados ao uso desproporcional e exacerbado destes sistemas e plataformas de IA. Permitam-nos, queridos irmãos ou irmãs, fazermos o ousado e enfático convite para gastarem menos do seu tempo com os aplicativos de IA, para assim sobrar mais tempo disponível que possa ser empregado com um interlocutor humano do outro lado de um telefone, ou talvez, quem sabe até "ao vivo e à cores" diante de você, no seu convívio diário. Talvez, pela graça de Deus, você possa até mesmo vir a se surpreender em uma conversa espontânea com o seu interlocutor, quando intencionalmente decidir gastar algum tempo se interessando pela vida desta outra pessoa, enquanto esta pessoa simultaneamente se interessa pela sua vida também, de forma genuína e autêntica, em Cristo, que é o nosso único Mediador, com graça e misericórdia para santificar e abençoar qualquer conversação (comunicação) humana, pois "o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1:14).
Resumidamente, o tema central deste texto é apontar para o triste e paradoxal fato de que, para muitas pessoas (incluindo um grande número de cristãos), não há a menor dificuldade prática em se "engajar" (cotidianamente) em uma "conversação" com um sistema de IA (LLMs e Chatbots, por exemplo), enquanto simultaneamente muitas destas pessoas - seres humanos - apresentam uma grande dificuldade prática de se "engajar" em uma "conversação" com outro ser humano, também portador do Imago Dei.
Infelizmente, caros irmãos e irmãs, esta triste realidade não para neste ponto. Nos permitam estender mais um pouco esta aplicação para a vida cristã, chamando a atenção para uma verdade ainda mais desafiadora e confrontadora, que nos faz - a todos nós - "corar de vergonha" (Dn 9:7-8): enquanto muitos destes seres humanos (incluindo diversos cristãos) estão "se engajando" na "conversação diária" desproporcional e exacerbada com sistemas e ferramentas de IA, simultaneamente muitos destes mesmos cristãos podem estar, eventualmente, "se engajando" muito pouco na "conversação diária" com o Senhor, através dos meios de graça, particularmente a leitura e meditação da Palavra, e a oração.
Finalmente, caro(a) leitor(a), que a paz de Cristo seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15), para que fique clara a mensagem deste texto, com o principal propósito de chamar a nossa atenção para estas preocupantes realidades do mundo virtual, alertando-nos para os potenciais riscos e perigos do uso inadvertido e desproporcional de qualquer ferramenta ou sistema digital, particularmente on-line, e especialmente relacionado à Inteligência Artificial (IA).
Que Deus continue derramando graça e misericórdia sobre todos nós, concedendo-nos sempre sabedoria, domínio próprio e equilíbrio para desenvolvermos nossas atividades, tarefas, trabalhos, estudos e relacionamentos humanos no ambiente on-line, de tal forma que possamos honrá-Lo e glorificá-Lo também neste ambiente digital e cibernético.
Glória, honra e louvor sejam dirigidos somente ao Senhor, pois Ele é o Verbo que ama se comunicar intencionalmente conosco, seres humanos necessitados de Sua graça e redenção!
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