Print Friendly and PDF
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta imago dei. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta imago dei. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

26 janeiro 2026

Reflexões preocupantes: IA e Comunicação


No estágio atual de desenvolvimento tecnológico em que se encontra a civilização humana, é praticamente impossível não ter contato quase diário com uma verdadeira "sopa de letrinhas" que aparece na mídia em geral, como por exemplo, uma variedade de siglas IA, IAG, LLM, GPT, NN e ML, além de termos como Chatbot e outros, tipicamente relacionados à área da Tecnologia de Informação (TI).

<<< caro(a) leitor(a), se desejar uma leitura mais rápida, pode pular este trecho do texto que traz as "definições formais" das siglas relacionada com IA, passando direto para o próximo bloco do texto, que começa no parágrafo: "Contudo..." >>>
A título de esclarecimento didático, as definições formais destas siglas e termos podem ser encontradas, por exemplo, em websites e documentos de empresas mundialmente conhecidas por desenvolverem soluções de TI:
- AI: "Artificial Intelligence (AI)ou Inteligência Artificial (IA, em português), é uma tecnologia que permite que computadores e máquinas simulem o aprendizado, a compreensão, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a criatividade e a autonomia dos seres humanos." 
- IAG: "IA Generativa, às vezes chamada de IA Gen, é a Inteligência Artificial (IA) que pode criar conteúdo original, como texto, imagens, vídeo, áudio ou código [programa] de software, em resposta a um prompt [linha de comando] ou solicitação do usuário."
- LLM: "Grandes Modelos de Linguagem (LLMs - Large Language Models, em inglês) são uma categoria de modelos de deep learning treinados em imensas quantidades de dados, tornando-os capazes de entender [compreender] e de gerar linguagem natural e outros tipos de conteúdo, para executar uma grande variedade de tarefas [...] LLMs populares se tornaram nomes conhecidos [lista de LLMs], trazendo a IA Generativa (IAG) para a vanguarda do interesse público."
- GPT: "Transformadores Generativos Treinados Previamente (GPT - Generative Pretrained Transformer, em inglês) é uma tecnologia usada na Inteligência Artificial Generativa (IAG), que possui uma arquitetura baseada em Redes Neurais (NN), e possibilita gerar conteúdo a partir de um comando [prompt]. GPTs são uma família de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) baseados em arquitetura de deep learning de transformação." 
- NN: "Redes Neurais (NN - Neural Networks, em inglês) é um modelo de Aprendizado de Máquina (ML) que empilha neurônios [artificiais] simples em camadas, e aprende [otimiza] pesos e vieses [bias ou tendências] que reconhecem padrões a partir dos dados, para mapear entradas (input), e transformar em saídas (output). [Uma sigla também usada para NN é ANN ('Artificial Neural Networ' ou 'Redes Neurais Artificiais')]" 
- ML: "Aprendizado de Máquina (ML - Machine Learning, em inglês) é o subconjunto [uma parte] da Inteligência Artificial (IA) concentrado em algoritmos que podem aprender os padrões dos dados de treinamento e, posteriormente, fazer inferências [previsões] precisas sobre novos dados. Essa capacidade de reconhecimento de padrões permite que os modelos de Aprendizado de Máquina tomem decisões, ou façam previsões, sem instruções explícitas e codificadas [instruções do usuário, por exemplo]." 
- Chatbot: "Chatbot é um software [lista de Chatbots] que tem a capacidade de interagir com os usuários e simular uma conversação [comunicação] humana. Os chatbots podem ser desenvolvidos para atender diferentes necessidades, desde respostas básicas pré-programadas, consultas e até geração de respostas complexas usando Inteligência Artificial (IA)."

Contudo, com o uso cada vez mais intenso destas ferramentas de IA a nível mundial, muitas questões tem sido levantadas, e muitas reflexões tem surgido, em vários aspectos, como por exemplo, dos pontos de vista ético, cognitivo, epistemológico, metafísico, dentre outros. Como não temos condições de abordar aqui, neste texto, todas estas questões ou nuances dos múltiplos aspectos que têm implicações sobre o desenvolvimento e o uso das ferramentas de IA, vamos procurar focar em apenas um aspecto que parece relevante, particularmente para a vida cristã: "implicações do uso da IA sobre a conversação (comunicação) humana".

Nesta análise, é necessário também levar em consideração o fato conhecido de que a civilização humana vive dias de um crescente comportamento individualista e egocêntrico, onde o "eu" é estimulado de forma exacerbada. Nesta rota perigosa, como seres humanos, muitos de nós nos atrapalhamos navegando inadvertidamente pelas redes sociais, consumindo tipicamente um conteúdo sensacionalista e potencialmente danoso para o coração ("o homem interior", no sentido bíblico). É preciso reconhecer que eventualmente também é possível encontrar conteúdo útil e edificante nestas plataformas de redes sociais. Contudo, para acessar tal conteúdo edificante, é praticamente inevitável ter contato com a parte potencialmente danosa do conteúdo encontrado também nas redes sociais, e por isso precisamos ter muito cuidado com o "enganoso coração" humano, "desesperadamente corrupto" (Jr 17:9). Considerando-se, portanto, o elevado tempo médio gasto (muitas vezes, diariamente) com esta navegação nas redes sociais, o que frequentemente acontece é que acaba sobrando tipicamente pouco tempo disponível para a conversação (comunicação) humana, por exemplo na forma de mensagens pessoais (nos aplicativos de mensagem instantânea), ou, até mesmo, por meio de uma ligação telefônica.

Porém, uma questão preocupante que parece estar se estabelecendo, cada vez mais, em nossos dias, é que enquanto uma boa parte destas pessoas que eventualmente já gastam um tempo elevado navegando diariamente nas redes sociais, também têm demonstrado uma desproporcional curiosidade aguda para acessar os aplicativos de IA (IA Generativa, LLMs, Chatbots, etc), que estão "à palma da mão", nos smartphones e tablets, por exemplo. Queremos deixar claro que estamos falando aqui não do um uso comum, com equilíbrio e parcimônia, destas ferramentas, mas sim de um uso exacerbado e desproporcional, sem considerar, em primeiro lugar, o potencial de risco e perigos que se encontram nestas plataformas, sistemas e aplicativos de IA. A pergunta que devemos nos fazer aqui é se o uso excessivo e desproporcional destas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estaria mais auxiliando, ou mais prejudicando os usuários recorrentes e entusiastas destes sistemas e aplicativos (Apps) de IA. Uma destas preocupações latentes, segundo os alertas divulgados em estudos de especialistas em aprendizado humano, por exemplo, do ponto de vista cognitivo, é o efeito potencialmente danoso de diminuição da capacidade humana de raciocínio, ou seja, da capacidade do ser humano pensar racionalmente, para resolver desde questões simples e cotidianas, até os mais complexos desafios da vida. A pergunta importante que devemos, todos, nos fazer aqui é: "Será que o uso excessivo e desproporcional destas ferramentas de IA teriam o potencial de causar mais prejuízo ao pensamento humano, do que eventualmente ser uma bênção no auxílio para a resolução de problemas humanos, cotidianos ou complexos?"

O cenário atual que se apresenta diante dos nossos olhos e ouvidos [as "janelas da alma", ver Pv 20:12; Mt 6:22; Is 32:9; Ap 2:29; Ez 12:2; Mt 13:15-16], no contexto da reflexão central deste texto - "implicações do uso da IA sobre a conversação (comunicação) humana" - é o seguinte: muitos seres humanos, de diversas idades e gerações diferentes, alegam não ter tempo disponível para se comunicar (conversar) com outros seres humanos (em todas as esferas relacionais), enquanto simultaneamente empregam uma parte significativa do seu tempo útil se "comunicando" ("conversando"), por assim dizer, com os sistemas de IA. Os usuários que já tiveram oportunidade de usar as ferramentas de IA costumam relatar que experimentam uma sensação assustadoramente realista de comunicação (conversação) em linguagem que parece, de fato, humana. Contudo, quando um usuário utiliza estes sistemas de IA (IA Generativa, LLMs, Chatbots, etc), quem está "do outro lado da linha" não é outro ser humano, "criado à imagem e semelhança de Deus" (Imago Dei), mas é uma "máquina" treinada e desenvolvida para ter a "aparência humana", apesar desta "máquina" ter sido desenvolvida (criada) à "imagem e semelhança" (de acordo com a cosmovisão) dos seus desenvolvedores, ou seja, de seres humanos que programaram o algoritmo e implementaram o sistema de IA em algum aplicativo ou plataforma.

Portanto, caro irmão ou irmã - servo ou serva de Cristo - o propósito deste texto é intencional e graciosamente lhe convidar a fazer uma sincera e profunda reflexão sobre o seu tempo gasto nestas ferramentas de IA, que inclusive estão muito presentes nas redes sociais. Neste contexto, nosso objetivo não é outro, senão alertá-los amorosamente (Pv 27:5-6), no Senhor, sobre os riscos e perigos associados ao uso desproporcional e exacerbado destes sistemas e plataformas de IA. Permitam-nos, queridos irmãos ou irmãs, fazermos o ousado e enfático convite para gastarem menos do seu tempo com os aplicativos de IA, para assim sobrar mais tempo disponível que possa ser empregado com um interlocutor humano do outro lado de um telefone, ou talvez, quem sabe até "ao vivo e à cores" diante de você, no seu convívio diário. Talvez, pela graça de Deus, você possa até mesmo vir a se surpreender em uma conversa espontânea com o seu interlocutor, quando intencionalmente decidir gastar algum tempo se interessando pela vida desta outra pessoa, enquanto esta pessoa simultaneamente se interessa pela sua vida também, de forma genuína e autêntica, em Cristo, que é o nosso único Mediador, com graça e misericórdia para santificar e abençoar qualquer conversação (comunicação) humana, pois "o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1:14).

Resumidamente, o tema central deste texto é apontar para o triste e paradoxal fato de que, para muitas pessoas (incluindo um grande número de cristãos), não há a menor dificuldade prática em se "engajar" (cotidianamente) em uma "conversação" com um sistema de IA (LLMs e Chatbots, por exemplo), enquanto simultaneamente muitas destas pessoas - seres humanos - apresentam uma grande dificuldade prática de se "engajar" em uma "conversação" com outro ser humano, também portador do Imago Dei.

Infelizmente, caros irmãos e irmãs, esta triste realidade não para neste ponto. Nos permitam estender mais um pouco esta aplicação para a vida cristã, chamando a atenção para uma verdade ainda mais desafiadora e confrontadora, que nos faz - a todos nós - "corar de vergonha" (Dn 9:7-8): enquanto muitos destes seres humanos (incluindo diversos cristãos) estão "se engajando" na "conversação diária" desproporcional e exacerbada com sistemas e ferramentas de IA, simultaneamente muitos destes mesmos cristãos podem estar, eventualmente, "se engajando" muito pouco na "conversação diária" com o Senhor, através dos meios de graça, particularmente a leitura e meditação da Palavra, e a oração.
 
Finalmente, caro(a) leitor(a), que a paz de Cristo seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15), para que fique clara a mensagem deste texto, com o principal propósito de chamar a nossa atenção para estas preocupantes realidades do mundo virtual, alertando-nos para os potenciais riscos e perigos do uso inadvertido e desproporcional de qualquer ferramenta ou sistema digital, particularmente on-line, e especialmente relacionado à Inteligência Artificial (IA).
 
Que Deus continue derramando graça e misericórdia sobre todos nós, concedendo-nos sempre sabedoria, domínio próprio e equilíbrio para desenvolvermos nossas atividades, tarefas, trabalhos, estudos e relacionamentos humanos no ambiente on-line, de tal forma que possamos honrá-Lo e glorificá-Lo também neste ambiente digital e cibernético.

Glória, honra e louvor sejam dirigidos somente ao Senhor, pois Ele é o Verbo que ama se comunicar intencionalmente conosco, seres humanos necessitados de Sua graça e redenção!

--------------------------------------------------------------------------------

07 junho 2025

O frágil disfarce de Super-Homem

Na famosa obra de ficção, o super-herói Superman usa um disfarce secreto, assumindo a identidade de Clark Kent, que é um frágil, vulnerável e acanhado ser humano que vive em Metrópolis, trabalha como jornalista no jornal Planeta Diário, e é apaixonado por Lois Lane, também jornalista do mesmo jornal.
Uma das cenas mais memoráveis do filme original ocorre quando Clark Kent se transforma no Superman em uma cabine telefônica, típica de uma época anterior aos telefones celulares. Clark Kent entra na cabine vestindo terno e gravata, e usando óculos que são ficítcios, uma vez que a poderosa capacidade visual (incluindo visão de Raio-X) do Super-Homem não precisaria do ajuste de lentes corretivas prescritas por um oftalmologista. Diga-se, de passagem, óculos nos fazem lembrar do conceito de Cosmovisão ou Visão de Mundo, que frequentemente usa esta analogia das lentes corretivas para enxergar a realidade ao nosso redor, e também dentro de nós. Quando o Superman sai da cabine, ele não está mais vestindo seus óculos fictícios ou seu terno e gravata, mas está usando um uniforme de super-herói, cujo elemento de maior destaque é a capa estampada com uma logomarca bem visível em forma de um "S" estilizado, para exaltar o fato dele ser "Super". Ao sair da cabine telefônica, seu local secreto de metamorfose (transformação), o super-herói já vai logo tipicamente alçando voo para socorrer alguma donzela em perigo, ou para salvar o mundo inteiro de algum vilão de plantão, como por exemplo, seu arqui-inimigo, Lex Luthor
Algumas curiosas simbologias chamam a nossa atenção nesta obra de ficção criada por seres humanos. Uma delas é um mineral fictício, chamado kryptonita, que enfraquece o Superman e, portanto, parece ser seu maior "ponto fraco" ou "calcanhar de Aquiles". Outra simbologia que aparece nesta obra de ficção é a designação "Kal-El", que é o nome do Superman em seu planeta natal, chamado krypton. Em hebraico, esta combinação de termos poderia eventualmente ser interpretada como "voz" (kal) de "deus ou deuses" (el), ou seja, "Kal-El" poderia ser uma referência intencional à "voz de Deus" na terra, ou ao "filho de Deus" encarnado.
Muita coisa certamente ainda poderia ser dita sobre esta interessante obra de ficção, proveniente da criatividade humana que, diga-se de passagem, é um reflexo do "Imago Dei", ou seja, do fato do ser humano ter sido criado, pelo próprio Deus Criador, à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26-27).
Caro leitor, parece que o contraste que mais chama a nossa atenção, entre Clark Kent e Superman, é a notória e humilhante fraqueza e fragilidade do ser humano, contra a exaltada e celebrada força e poder do super-herói. A Escritura revela muitos textos sobre "fraqueza" (Rm 6.19;8.26; 1Co 1.25;2.3;15.43; 2Co 11.30;12.9;13.4; etc.) e "poder" (Mt 22.29;24.30; At 1.8;4.33; Rm 1.4;1.16;1.20; 1Co 1.18;1.24;15.43; etc.), e certamente devemos prestar atenção a todo conselho de Deus: "Porque, de fato, [Cristo] foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus" (2Co 13.4).
Para todos nós, seres humanos, especialmente para aqueles de nós que confessam o poderoso nome do Senhor Jesus Cristo como nosso necessário e suficiente Salvador e Redentor, que foi "pendurado no madeiro" (Gl 3.13) como um aparente sinal de fraqueza, concluimos com uma única e importante aplicação: 
Ao contrário da ficção que acabamos de relembrar neste texto, onde o extraordinário super-herói se disfarçava de um ser humano comum no dia-a-dia, precisamos ter cuidado para que o fraco e miserável "Clark Kent" que há em nós não se apegue à tentação de fazer uso do frágil e vulnerável disfarce de "Super-Homem" (o "personagem" Superman), que a nossa natureza caída tenta forjar e manifestar em boa parte da nossa vida cristã. 
Uma curiosidade adicional sobre o personagem desta obra de ficção é que, quando enfraquecido, ele precisa ter contato com a radiação (luz) da estrela do nosso sistema solar, para se recuperar. Como crentes, também precisamos depender diariamente da luz (Jo 3.19;8.12;9.5) do "sol da justiça" (Ml 4.2), ou "brilhante Estrela da manhã” (Ap 22.16), para recebermos nossa "porção" (Sl 16.5;119.57; Lm 3.24) para combater os efeitos da "kryptonita" do nosso pecado.
Graças a Deus porque não temos um "Kal-El" fictício neste mundo real e verdadeiro que Ele criou e sustenta, mas temos um Emanuel, que quer dizer "Deus Conosco" (Mt 1.23).
Glória somente ao Senhor Jesus Cristo por tudo, ontem, hoje e sempre!

11 março 2024

Cinzenta Massa - Duro Músculo (2024)


Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento” (Mt 22:36-38).

As palavras do Senhor Jesus nestes versículos acima serviram de inspiração para a criação do acrônimo ASTSE (Ame o Senhor de Todo o Seu Entendimento), usado neste blog (astse.blogspot.com), onde tem sido publicado conteúdo apologético a mais de uma década. Nestes versículos, somos ensinados a amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, ou seja, com toda a nossa capacidade volitiva (coração: “duro músculo”) e cognitiva (cérebro: “cinzenta massa”). A palavra "entendimento" aparece na Bíblia ESV (inglês) como “mind”, e no original (grego) como "dianoia", que diz respeito ao exercício do raciocínio [i].

O Salmo 42 é um “salmo didático[ii] dos filhos de Corá, onde é possível notar nos versos 5 e 11 [iii] que o salmista – inspirado pelo Espírito Santo – didaticamente questiona a sua própria alma, perguntando: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.

Por que não poderíamos perguntar também para o nosso “duro músculo”?

Pulsa-te, duro músculo, pulsa intensamente na presença dEle;

Vira-te, duro músculo, para contemplar aquela cruz, e aquele sangue derramado por ti;

Amolece-te, duro músculo, e não resiste mais à graça e misericórdia que Ele te oferece;

Abre-te, duro músculo, e expulsa os ídolos e os tesouros que as traças corroem;

Arrepende-te, duro músculo, e direciona o teu caminho para Ele;

Entrega-te, duro músculo, e confia nEle, sem demora;

Lembra-te, duro músculo, que antes pulsava sem nenhum propósito;

Regozija-te, duro músculo, com a alegria supracircunstancial na presença dEle;

Atenta-te, duro músculo, para não te desviares nas veredas da jornada;

Fortalece-te, duro músculo, com o escudo da fé e a espada da Sua Palavra;

Encoraja-te, duro músculo, pois precisas perseverar pulsando;

Ama, sem medo, duro músculo, pois foi para isto que fostes criado!


Neste ponto do texto, pedimos gentilmente a permissão do(a) leitor(a) para nos dirigir, mais especificamente, aos cristãos que têm sido chamados para responder ao mandato cultural, servindo ao Reino de Deus no meio acadêmico/universitário. Estes irmãos ou irmãs, ao longo da sua caminhada cristã, precisam ser encorajados a colocar em prática estas verdades que aprendemos nos textos bíblicos acima, compreendendo que todos nós deveríamos submeter também o aspecto cognitivo (além do volitivo) à autoridade da Palavra Escrita (Sagradas Escrituras: Bíblia), e à autoridade da Palavra Viva, o próprio Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.

A Ele somente toda a glória, por cada avanço ou descoberta científica/tecnológica, conforme a capacidade cognitiva/racional com a qual o próprio Deus Criador nos fez, à Sua imagem e semelhança (Imago Dei, ver Gn 1:26-27). O Senhor também merece toda a glória e o louvor, pela alegria e entusiasmo que nos concede ao nos convidar para sermos “estudantes atentos” dos aspectos maravilhosos e extraordinários da Sua magnífica criação, nos mais diversos campos da ciência.

Por isso, seguindo também o exemplo do salmista, precisamos “exortar” nossa própria “cinzenta massa”:

Investiga-te, cinzenta massa, para buscar a verdade absoluta, e não a relativa;

Abre-te, cinzenta massa, com disposição para avaliar as evidências racional e livremente;

Liberta-te, cinzenta massa, dos grilhões humanistas e do cientificismo;

Atenta-te, cinzenta massa, para não dar um salto de fé no escuro, mas sim pela razão;

Entrega-te, cinzenta massa, e aceita as evidências que Ele abundantemente te apresenta;

Lembra-te, cinzenta massa, para ter humildade em reconhecer o que não compreendes;

Exercita-te, cinzenta massa, na gratidão pela graça e misericórdia que Ele derrama;

Regozija-te, cinzenta massa, através da alegria consciente na Sua providência;

Concentra-te, cinzenta massa, naquilo que está alinhado com a vontade dEle;

Fortalece-te, cinzenta massa, estudando os ensinamentos encontrados em Sua Palavra;

Encoraja-te, cinzenta massa, pois precisas perseverar vigilante durante a peregrinação;

Raciocina, sem medo, cinzenta massa, pois foi para isto que fostes criada!


Declara, cinzenta massa: Glória somente a Deus!


*Notas:

[i] Segundo dicionários bíblicos: “Quando falamos da ‘mente’ (‘mind’) de alguém, estamos na verdade falando dos pensamentos produzidos pelo seu cérebro. Os escritores do Antigo Testamento (AT) compreendiam a ‘mente’ como o ‘ser interior’ (‘inner being’) de uma pessoa – muito parecido com o coração (‘heart’) de uma pessoa. Quando os Evangelhos (NT) falam da ‘mente’ de uma pessoa, é principalmente também em conexão com o ‘coração’ desta pessoa (‘...no coração, alimentavam pensamentos…’; ver Lc 1:51)... Os escritores dos Evangelhos são unânimes em concordar que Jesus citou Dt 6:5, e acrescentou ‘de todo o teu entendimento’ à citação (Mt 22:37; Mc 12:30; Lc 10:27). Nos escritos de Paulo, entramos na compreensão da ‘mente’ no mundo grego. Paulo usou duas palavras (gregas) para a ‘mente’: ‘dianoia’, que significa ‘entendimento’, e ‘nous’, que significa ‘intelecto’. Paulo compreendia a ‘mente’ como distinta do ‘espírito’ e do ‘coração’ de uma pessoa. A ‘mente’ possui a capacidade de compreender e raciocinar (1Co 14:14-19); é a sede da inteligência.” (Holman Treasury of Key Bible Words)

[ii] maskiyl (hebraico): cântico ou poema de contemplação.

[iii] Segundo os estudiosos, trata-se de um refrão neste salmo.

 

 

08 janeiro 2026

Lições apologéticas: fobias & aversões

Segundo os dicionários de etimologia, a origem da palavra "phobia", que tem o significado de "medo irracional, horror ou aversão" ou "medo de um mal imaginário ou medo injustificado [desnecessário ou excessivo] de um mal real", é provavelmente proveniente do francês. A palavra em grego (phobos) está associada a "medo, pânico, terror, demonstração externa de medo", originalmente com o significado de "fuga" (sentido encontrado nas obras do poeta grego Homero), e se tornou a palavra comum para "medo", pela noção de "fuga em pânico" (phobein: "fugir, assustar"). Na psicologia, o sentido de "um medo anormal ou irracional" é encontrado à partir do final do séc. XIX

Procurando viver, neste mundo, como filhos do Deus de toda justiça e misericórdia, e nunca ingenuamente excluindo a possibilidade concreta da presença e influência do pecado humano em cada um de nós, devemos sim buscar nos compadecer dos que verdadeiramente padecem de fobias patológicas debilitantes, que tipicamente causam ansiedade, melancolia e depressão na alma humana abatida e angustiada. Porém, excluindo-se as possíveis exceções encontradas nestas fobias patológicas verdadeiras, na era atual em que vivemos parece haver uma grande multiplicidade de fobias que mais parecem estrategicamente "manufaturadas", e que encontram-se disseminadas e pulverizadas na civilização humana, tentando fazer parte "natural" no próprio "tecido" ou "malha" da sociedade moderna. É importante enfatizar, inclusive, que muitas destas fobias, que parecem intencionalmente "fabricadas", têm sido usadas de forma pejorativa e acusatória, especialmente contra cristãos ao redor do mundo. Isso geralmente acontece quando os discípulos de Jesus procuram testemunhar o Senhorio de Cristo em suas vidas, exercendo seu direito de defender nossos valores e princípios fundamentais, que devem estar de acordo com a nossa visão de mundo (cosmovisão) bíblica, ou seja, que precisam estar firmemente ancorados na Palavra de Deus, que é a nossa "única regra de fé e prática". É imprescindível salientar, contudo, que este testemunho do Senhorio do nosso Redentor sobre nossas vidas deve ser feito, sempre, com a devida responsabilidade do respeito mútuo à dignidade humana, cuja base bíblica encontra-se em Gn 1:26-27 ("Imago Dei" ).

Esta aversão, muitas vezes aguda como um ódio que chega disfarçado na moderna "roupagem" da inconsistente, mas peremptória acusação de algumas fobias para os cristãos, recebe uma definição racional, lógica e cognitiva, nas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo, por exemploem Jo 15:18,19,23,24b,25:
"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros [cristãos], me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia... Quem me odeia, odeia também a meu Pai... mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: 'Odiaram-me sem motivo' [#refs. cruzadasSl 35:19 e Sl 69:4]."

O apóstolo Paulo (Rm 1:18-22), inspirado pelo Espírito Santo, também nos ensina, de maneira lógica e racional, sobre esta "tensão" que cerca a fé cristã, quando testemunhada pelos discípulos de Jesus neste mundo:
"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos" [#ver estudo sobre "Apologética Bíblica Evangelística" neste tema]

Segundo dicionários bíblicos (léxico James Strong), a palavra "loucos", que o apóstolo Paulo usa no texto, vem do original (grego) moraino (#Strong 3471: "tolo"), que é derivado de moros (#Strong 3474: "tolo, ímpio, incrédulo"), e que, por sua vez, dizem que é provável ser proveniente de musterion (#Strong 3466: "algo oculto, escondido, secreto").
Neste ponto, caro(a) leitor(a), os significados entre "loucura" (no sentido objetivo do termo "insanidade") e "tolice" (no sentido objetivo do termo "estupidez") parecem se misturar neste contexto. Diga-se, de passagem, que a palavra moron, em inglês, tem sua origem neste mesmo termo (moros), em grego. 

Dito isso, e baseando-se no profundo e edificante ensino do apóstolo Paulo aos romanos da sua época, mas que continua extremamente lúcido e necessário para os nossos dias, talvez pudéssemos respeitosa e objetivamente definir, de forma semelhante ao que ele fez em sua epístola, que se existe uma fobia que algum cristão poderia, eventualmente, manifestar, seria a ilitiofobia (ilithiophobia, em inglês), que é definida como um neologismo (termo recentemente cunhado em uma língua) que formalmente significa "uma forte e persistente intolerância [aversão/fobia] à estupidez [tolice]", sendo proveniente da combinação dos termos, em grego, ilithios ("estupidez") e phobos ("medo").***

Finalmente, caros irmãos e irmãs, em Cristo, o que dizer? Nada... além de apenas uma doxologia final:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36)
 
Ao Senhor, somente, toda a glória!
________
***Obs.: após receber, na forma de uma observação pastoral sobre o texto acima, o sábio conselho de um pastor amigo, por quem tenho profundo apreço e respeito, é importante enfatizar uma questão adicional neste ponto do texto. A expressão “aversão [ou fobia] à estupidez [ou tolice]”, que é formalmente proveniente do dicionário Collins para o verbete ilithiophobia, pode ser útil como crítica cultural (talvez em termos parecidos com os que o apóstolo Paulo usa em Rm 1), mas esta crítica precisa ser bem vigiada para não resvalar em desprezo, com o potencial de se transformar em um tipo de "desamor antibíblico". Nosso alvo, como cristãos, deve ser sempre "ganhar pessoas", e não “vencer debates" (ver: 2Tm 2:24-25; Ef 4:15). Agradeço a Deus pela pertinente observação e gracioso conselho, que enriqueceu o propósito do texto, dentro do contexto da "Apologética Bíblica Evangelística". Que Cristo seja louvado em tudo, e que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15).

10 abril 2025

Qual o real significado de ser HUMANO?

Alguém poderia perguntar o que torna o "ser humano", de fato, HUMANO? Algumas tentativas muito comuns de resposta, talvez incluíssem:

#1) "Não seria a sua capacidade de pensar, ou seja, a sua racionalidade, em contraste com 'outros animais' menos evoluídos?"
Basta olhar ao nosso redor e, infelizmente, no nosso próprio espelho, para percebermos a grande irracionalidade de tantas atitudes humanas. A lista de exemplos seria tão grande, incluíndo nossa própria vida, que não caberia em um texto com este propósito, que é o de ser mais curto e reflexivo.

#2) "Não seria a sua capacidade de gerar descendentes igualmente racionais, e de cuidar deles de uma forma tão especial e diferente de 'outros animais' menos evoluídos?"
Excluindo-se os óbvios casos de pessoas com problemas de esterilidade indesejada e não intencional, com os quais nos compadecemos profundamente devido ao seu sofrimento dilacerante na busca por meios e métodos de reprodução para gerar filhos, o que se pode observar comumente é que vários seres humanos dos nossos dias tem predileção clara pela criação de pets, ao invés de outros seres humanos. É importante enfatizar que nossa intenção, com estas colocações, não é a de ofender criadores de pets, de forma alguma, mas é a de colocar em perspectiva estas questões desafiadoras da nossa era. 

#3) "Não seria a sua capacidade de amar e fazer o bem?"
Novamente, basta olhar para diversos exemplos, muito próximos, incluíndo vários de nossa própria vida, para este argumento rapidamente "ir por terra", e ser completamente rechaçado.

#4) "Não seria a sua capacidade de se comunicar de forma tão racional, superior, ética e amorosa, com outros seres humanos?"
Apesar de tantos meios de comunicação extraordinários que temos disponíveis hoje em dia, a exemplo dos recursos tecnológicos para comunicação instantânea à distância, e incluindo os recursos magníficos para superar dificuldades, deficiências e limitações humanas de todos os tipos, o que se tem observado frequentemente é que o ser humano se comunica cada vez menos, com menos palavras, e até mesmo com menos letras nas palavras, como observa-se nas famosas "gírias" usadas na internet.

O que, então, significa ser HUMANO?

Homo sapiens
Unidos, entre si, pela "cósmica energia" da "mãe terra"
Manifestando sua alta capacidade de aprimorar-se a si mesmo
Anulando eficazmente qualquer eventual defeito em si mesmo
Nivelando a humanidade em "altos padrões" éticos e morais
Ouvacionado e celebrado por seus "grandes feitos" intelectuais

ou, então...

Humilhado por sua própria incapacidade cognitiva e intelectual
Ultrajado na sua própria insuficiência moral e ética
Marejando os olhos de tristeza e dor na experiência comum da vida
Anulando sua própria capacidade de amar e se importar com o próximo
Negando sua inescapável condição, como criatura
Obliterando, em si mesmo, a imagem de Deus, seu Criador

"Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." (Gênesis 1:26-27, texto que contém a verdade objetiva conhecida como "Imago Dei")

O "real" significado de ser HUMANO só pode ser definido, de fato, pelo "Rei" que nos criou... A Ele, somente, seja toda a glória, a honra e o louvor, pelos séculos dos séculos!

P.S.: talvez pudéssemos lembrar de uma quinta tentativa de resposta muito comum, para explicar o que significa ser humano. Alguém poderia dizer que é por causa da nossa capacidade de "sonhar". Só posso responder, caro(a) leitor(a), que tenho exercitado esta capacidade humana, "sonhando" e ansiando com aquele grande Dia em que encontraremos este grande e eterno Rei, Senhor e Redentor, face-a-face, na glória maravilhosa e indescritível do Céu!

"Deus, não me envie mais para a minha parte do paraíso, mas envia-me para Cristo. E, certamente, eu serei rico o suficiente e também participante do melhor céu que há, se Cristo for o meu céu." (Samuel Rutherford, Carta 87)

31 janeiro 2024

Um livro antigo

 

Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.” (Jr 6:16).

Recentemente, recebi de presente de uma querida tia, um livro antigo que pertencia a minha avó materna, e quando comecei a folheá-lo, pude logo perceber o grande tesouro que tinha recebido em mãos. Fiquei imediatamente muito grato a Deus, e também à minha tia, pelo presente.

Trata-se de um guia prático de saúde [i] que minha “vó Rosa” recebeu de um amigo em 15 de março de 1954, a quem ela faz uma graciosa dedicatória no verso da capa, com as seguintes palavras: “Guardarei com carinho este útil livro, por ter sido presente de um grande e estimado amigo da nossa casa”.

O motivo deste generoso presente para a minha avó foi instrumentalizá-la para suas atividades como parteira, labor este muito comumente encontrado nas cidades pequenas do interior, naquela época. Diga-se de passagem, o livro de registro dos partos realizados pela minha avó é outra preciosidade que tive o privilégio de folhear, guardado como um tesouro de família.

Voltando para o “guia prático de saúde”, o que me chamou a atenção – logo no início do livro – foi o primeiro capítulo, intitulado “A OBRA PRIMA DA CREAÇÃO” [ii]. Neste capítulo, o autor começa descrevendo a magnífica beleza das antiguidades arquitetônicas visitadas ao redor do mundo, dando uma ênfase ao templo de Salomão, e imediatamente colocando-o em perspectiva em relação à maravilha do corpo humano: “De feitio muito mais maravilhoso, porém e de mais bela estrutura do que qualquer columna, arco ou templo da antiguidade ou mesmo do que o templo de Salomão, é o corpo humano”.

Logo na sequência do texto, o autor se refere à Adão como uma figura humana real, a partir do relato histórico e literal de Gênesis – inclusive apontando para a escala de tempo de seis mil anos desde a criação – escrevendo: “Desde Adão até os nossos dias tem havido uma sucessão ininterrupta de templos vivos. Posto que o templo humano já conte seis mil anos, tendo sofrido os embates de terríveis tempestades, externas e internas... pelo pecado, pela doença e pelas paixões, a sua estrutura tem galhardamente resistido a todos os elementos de dissolução. Mareado e contaminado como está, elle [o ser humano] permanece como um monumento da sabedoria do grande Architecto que, no começo, o fez conforme á Sua imagem”. Em seguida, o autor destaca a diferença entre o ser humano e as outras criaturas, ressaltando o fato do primeiro ter sido destinado para “ser o templo do Deus vivo[iii].

Depois de uma bela, objetiva e precisa explicação de detalhes magníficos do corpo humano, sempre fazendo referência à sabedoria de Deus como Criador, o autor termina esta seção do texto com uma declaração que combate veementemente a “ilusão” da alegação de que o ser humano é produto da evolução a partir de “organismos inferiores”, utilizando as seguintes palavras: “O sorriso humano não póde ser imitado. A mão do homem, com sua flexibilidade, facilidade de adaptação, gracilidade, força e dextreza é altamente maravilhosa. O pé humano, em si mesmo, é uma obra prima da creação. Que um corpo, possuindo dotes tão raros e bellos, haja evoluído para o seu actual estado de organismos inferiores através de longos períodos de tempo, é não só uma tremenda ilusão, como uma idéa que amesquinha o Creador”.

Glória somente a Deus por esta magnífica, lúcida e racional exposição de fatos objetivos em relação à condição do ser humano, tendo sido feito à “imagem e semelhança de Deus” (Imago Dei, Gn 1:26-27).

E antes que algum “ateu moderninho” [iv] questione a integridade científica do autor deste livro citado acima, falsamente alegando que na época em que ele escreveu o livro não haviam os “extraordinários avanços científicos que existem hoje”, ou qualquer outra mesquinharia deste tipo, queremos apresentar a opinião de mais alguns cientistas na área médica, inclusive alguns ganhadores de Prêmio Nobel:

 

Jesus conhece o nosso mundo. Ele não nos despreza como o Deus de Aristóteles. Nós podemos falar com Ele e Ele nos responde. Embora Ele seja uma pessoa como nós, Ele é Deus e transcende todas as coisas... A necessidade de Deus se expressa na oração. A oração é um choro de angústia; uma demanda por ajuda; um hino de amor... A oração nos dá força para suportar preocupações e ansiedades, dá esperança quando não há motivo lógico para a esperança, para permanecer firmes no meio de catástrofes... Somos amados por um ser todo-poderoso e imaterial. Este Ser é acessível através das nossas orações. Devemos amá-Lo acima de todas as criaturas. E nós mesmos devemos também amar uns aos outros. Uma nova era começou. O único cimento forte o bastante para ligar os homens foi encontrado. No entanto, a humanidade escolheu ignorar a importância deste novo princípio na organização de sua vida coletiva. Ela está longe de ter entendido que só o amor mútuo poderia salvá-la da ruína, divisão e caos. Também não percebeu que nenhuma descoberta científica era tão cheia de significado como a revelação da lei do amor por Jesus, o Crucificado. Esta lei é, de fato, a da sobrevivência das sociedades humanas.[v] (Alexis Carrel, Prêmio Nobel em Medicina/Fisiologia, 1912)

 

Nós viemos a existir através de um ato divino. Essa orientação divina é um tema ao longo de nossa vida; na nossa morte, o cérebro se vai, mas a orientação divina e o amor continuam. Cada um de nós é um ser único, consciente, uma criação divina. Esta é a visão religiosa [referente à fé]. É a única visão consistente com todas as evidências.[vi] (John Eccles - Prêmio Nobel em Medicina/Fisiologia, 1963)

 

Nós reconhecemos a Deus, o Supremo e Onipotente Criador, por estar presente na produção [criação] de todos os animais, e por apontar, por assim dizer, com o dedo para a Sua existência em Suas obras... todas as coisas são, de fato, planejadas e ordenadas com providência singular, sabedoria divina, e admirável e incompreensível habilidade. E a ninguém estes atributos podem ser referenciados, exceto ao Todo-Poderoso, causa primeira de todas as coisas.[vii] (William Harvey - importante cientista na medicina)

 

Oh, Senhor, como é bom ver verdades eternas proclamadas e valorizadas em um “livro antigo de saúde”... e como é ainda melhor ver estas mesmas verdades anteriormente reveladas e proclamadas no “livro antigo de vida” (Hb 4:12) – a tua palavra escrita – as Sagradas Escrituras!

Sola Scriptura

 

 *Notas:

[i] “GUIA PRATICO DA SAUDE – Tratado popular da ANATOMIA, PHYSIOLOGIA E HYGIENE, no qual se descrevem scientificamente as enfermidades, suas causas e seu tratamento”, Dr. Frederico Rossiter, 71° Milheiro – Edição Revista e Ampliada, CASA PUBLICADORA BRASILEIRA.

[ii] Apesar de não ter conseguido encontrar a data de publicação do livro, pode-se perceber que se trata de uma grafia antiga na língua portuguesa.

[iii] Neste contexto, “ser o templo do Deus vivo” significa ser “habitação do Espírito Santo”, por parte dos filhos e filhas do Deus vivo (ver Rm 8:9-11).

[iv] O termo “ateu moderninho” é uma clara ironia ao fato da conhecida rebeldia ateísta, contra o seu próprio Criador, ser tão antiga quanto a humanidade pós-queda, como nos ensina o salmista, por exemplo, nos Salmos 14:1 e 53:1.

[v]Reflections on Life”, Hawthorn Books, 1965.

[vi]The Intellectuals speak out about God: a handbook for the Christian student in a secular society”, Regnery Gateway, 1984.

[vii]The works of William Harvey”, vol. 11, ed. 13., trad. Robert Willis, ed. Sydenham Society, 1847.