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06 setembro 2026

Livro: "The Cry of the Soul" (A Natureza da Bondade de Deus)

Dan B. Allender & Tremper Longman III

Tradução de um trecho do cap. 17:
"A Bondade de Deus"
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A Natureza da Bondade de Deus
{The Nature of God’s Goodness }

O cristianismo afirma a bondade de Deus e a realidade da alegria na vida cristã. No entanto, com muita frequência, essas verdades são mal interpretadas pela compreensão popular.
A crença mais perigosa é a de que os cristãos podem experimentar uma alegria intocada pelo sofrimento do mundo — uma alegria que simplesmente transcende a raiva, o medo, o ciúme, o desespero, a vergonha e o desprezo da vida cotidiana. Isso é expresso, por vezes, na afirmação: "Nosso coração está no céu, e não na terra!"
Essa atitude frequentemente vem acompanhada da ideia de que a bondade de Deus se define, primordial ou exclusivamente, em termos de prosperidade material, sucesso e boa saúde {"Teologia da Prosperidade"}. Deus ama o Seu povo e é capaz de conceder-lhe tudo o que deseja; portanto, os cristãos deveriam olhar com otimismo para o futuro, esperando a realização de seus anseios.
É verdade que Deus frequentemente concede ao Seu povo muitas dádivas terrenas e infunde em seus corações uma alegria quase extasiante. Contudo, é um erro acreditar que todos nós podemos esperar receber esse tipo de bondade divina e experimentar uma alegria celestial na terra de forma contínua, ao longo de toda a nossa vida.
A experiência humana, por si só, não sustenta essa posição. Por mais fé que tenhamos, por mais bem que façamos e por mais esforço que dediquemos, não conseguimos fazer com que as dificuldades e tragédias da vida desapareçam.
Além da experiência humana, porém, temos a autoridade das Escrituras como uma voz que corrige essa compreensão equivocada da bondade divina e da alegria humana. Como os Salmos testemunham de forma tão comovente, o povo de Deus sofre. Eles conhecem bem as dificuldades angustiantes da vida.
De modo geral, a maioria dos crentes não leva essas noções distorcidas ao extremo. Eles percebem que a Bíblia não ensina um evangelho de "saúde e prosperidade". Sabem que a dor e o sofrimento farão parte de suas vidas. Mas também têm ideias bastante claras sobre como o sofrimento deve atuar em suas trajetórias.
As suposições sobre os métodos de Deus ao utilizar o sofrimento geralmente se concentram em três condições: para ser frutífero, o sofrimento deve ser (1) temporário, (2) compreensível e (3) facilmente aplicável às realidades práticas da vida.
Primeiro, Deus pode precisar usar o sofrimento para me trazer de volta ao caminho certo, mas isso precisa ser apenas um "choque rápido" para transmitir a mensagem. Portanto, minha experiência de sofrimento deve ser pontual, e não algo crônico. 
Em segundo lugar, para que a mensagem por trás do sofrimento seja clara, a experiência precisa ser compreensível. Portanto, para tirar proveito dela, devo ser capaz de explicá-la: “Deus permitiu que isso acontecesse em minha vida porque...
Por fim, a clareza do sofrimento deve conduzir a uma aplicação prática imediata. Se eu sei quais são as lições e como aplicá-las à minha maneira de viver, não preciso passar pela dor novamente.
Infelizmente, essas visões sobre o sofrimento são simplistas demais: não correspondem à realidade da experiência {humana}. Isso faz com que muitas pessoas passem a maior parte de suas vidas em tentativas frustradas de identificar as razões específicas de sua dor.
Para compreender a verdadeira natureza da bondade e da alegria que encontramos em meio ao sofrimento, podemos recorrer mais uma vez aos Salmos, em busca de orientação. Neles, vemos a bondade de Deus — que conduz à alegria — descrita como uma série de ações que Ele realiza em nosso favor. Esse tema daria um livro inteiro, mas teremos uma amostra {em vários Salmos} da generosidade de Deus para conosco ao observar algumas das muitas maneiras pelas quais Ele expressa Seu amor pelo Seu povo que sofre.