“(…) Por que fizeste mal a teu servo (…) ?” (Nm 11:11)
'Nosso Pai celestial nos envia frequentes problemas para experimentar nossa fé. Se ela vale alguma coisa, resistirá ao teste. O chapeado tem receio do fogo, mas o ouro não; o cristal teme ser tocado pelo diamante, mas a verdadeira joia não teme qualquer teste. É uma fé pobre aquela que pode confiar em Deus apenas quando os amigos são verdadeiros, o corpo está cheio de saúde, e os negócios são rentáveis; no entanto, é verdadeira fé aquela que mantém a fidelidade ao Senhor quando os amigos se vão, o corpo está doente, o espírito está deprimido, e a luz do semblante do nosso Pai está oculta. Uma fé que pode dizer, em meio ao mais terrível problema, “ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15), é a fé de origem celestial. O Senhor aflige Seus servos para glorificar a Si mesmo, pois Ele é grandemente glorificado nas graças de Seu povo, que são obras de Suas mãos. Quando a “tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4), o Senhor é honrado por essas crescentes virtudes. Nunca conheceríamos a música da harpa se as cordas não fossem tocadas; nem apreciaríamos o suco da uva se elas não fossem pisadas no lagar; nem descobriríamos o doce perfume da canela se ela não fosse apertada e batida; nem sentiríamos o calor do fogo se as brasas não fossem totalmente consumidas. A sabedoria e o poder do grande Artífice são descobertos pelas provações que Seus vasos de misericórdia são autorizados a atravessar. As aflições presentes também tendem a aumentar a alegria futura. Deve haver sombras em uma pintura para que seja realçada a beleza das luzes. Acaso poderíamos ser tão supremamente abençoados no céu se não tivéssemos conhecido a maldição do pecado e a tristeza terrena? A paz não será mais doce após o conflito, e o descansar mais bem-vindo depois da labuta? A recordação de sofrimentos passados não aumentará a felicidade do glorificado? Existem muitas outras respostas confortáveis para a questão com a qual abrimos nossa breve meditação. Vamos meditar sobre elas durante todo o dia.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 07 de outubro]
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“(…) em quem, pois, agora confias (…) ?” (Is 36:5)
'Leitor, essa é uma importante pergunta. Ouça a resposta do cristão, e veja se ela é a sua. “Em quem confias?”. “Eu confio”, diz o cristão, “em um Deus trino". Confio no Pai, acreditando que Ele me escolheu desde antes da fundação do mundo (Ef 1:4); confio nEle para prover para mim em providência, para me ensinar, para me guiar, para me corrigir se for necessário, e para me levar para Sua própria casa, onde há muitas moradas (Jo 14:2). Confio no Filho; o Deus verdadeiro do Deus verdadeiro é Ele – o homem Cristo Jesus (1Tm 2:5). Confio nEle para levar embora todos os meus pecados por Seu próprio sacrifício, e para me adornar com Sua perfeita justiça. Confio nEle para ser meu intercessor, para apresentar minhas orações e desejos diante do trono de Seu Pai, e confio nEle para ser meu Advogado no último grande dia (1Jo 2:1), para defender minha causa e me justificar. Confio nEle pelo que Ele é, pelo que Ele fez, e por aquilo que Ele prometeu ainda fazer. E eu confio no Espírito Santo. Ele começou a me salvar dos meus pecados inatos; confio nEle para expulsar todos eles; confio nEle para refrear meu temperamento, subjugar minha vontade, esclarecer meu entendimento, controlar minhas paixões, consolar meu desânimo, ajudar minha fraqueza, iluminar minha escuridão; confio nEle para habitar em mim como minha vida, para reinar em mim como meu rei, para me santificar integralmente – espírito, alma e corpo (1Ts 5:23) –, e então me levar para morar com os santos na luz (Cl 1:12) para sempre”. Ó, bendita confiança! Confiar nAquele cujo poder nunca se esgotará, cujo amor nunca diminuirá, cuja generosidade nunca mudará, cuja fidelidade jamais falhará, cuja sabedoria nunca será confundida, e cuja bondade perfeita nunca conhecerá redução! Feliz és tu, leitor, se essa confiança é tua! Assim confiando, gozarás de doce paz agora e glória no porvir, e a fundação da tua confiança nunca será removida.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 07 de outubro]