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08 julho 2026

Aprendizado piedoso 249

< Um trecho de poesia sobre o cristão... > 
“...não dialoga com medos indignos para um homem; 
onde o dever ordena, ele avança com confiança; 
enfrenta mil perigos ao chamado desse dever e, 
depositando sua esperança em Deus, a todos eles supera.”
{Charles Haddon Spurgeon cita este trecho final da poesia de William Cowper sobre uma Ode de Horácio}
 
'Sua esperança [a esperança do cristão] é que, ao longo de toda a vida — seja ela longa ou breve (e ele pouco se importa com a duração de seus anos) —, ele [o cristão] seja sustentado pelos braços eternos. Ele [o cristão] espera que o Senhor seja o seu pastor [Spurgeon citando o Salmo 23], e que nada lhe falte. Ele espera que a bondade e a misericórdia o acompanhem por todos os dias de sua vida. Por isso, [o cristão] não teme a morte, pois espera, então, tomar posse efetiva de seus bens mais preciosos [bens celestiais]. Ele reserva o que há de melhor para o final. Acredita que, quando chegar a hora de partir, Jesus virá ao seu encontro, e o pensamento desse encontro dissipa qualquer ideia dos pavorosos terrores da sepultura. Sua esperança transpõe a sepultura, e o conduz a uma ressurreição gloriosa. Não se abre de forma grandiosa a esperança da nossa vocação [vocação cristã]?...'
 
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Relação com a Obra do Autor: 
"embora [William] Cowper frequentemente entrelaçasse preocupações morais e espirituais em seus versos, esta obra se destaca por seu registro duplo — primeiro imitando o distanciamento clássico, depois rejeitando-o. [A poesia] diverge de sua típica consistência devocional, ao estabelecer um diálogo entre a ética pagã [da Ode de Horácio] e a certeza evangélica [da poesia de Cowper]."
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03 abril 2026

Páscoa: no cenáculo com Jesus


Em trecho do Devocional Manhã & Noite, na noite do dia 08 de novembro, as palavras inspiradoras do pastor C.H. Spurgeon nos desafiam a confiar em Jesus Cristo, "nosso Cordeiro pascal" [ver 1Co 5:7]:

“(…) O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?” (Mc 14:14)
'Jerusalém, na época da páscoa, era uma grande estalagem; cada chefe de família convidava seus amigos, mas ninguém convidou o Salvador, e Ele não tinha uma residência própria (Mt 8:20; Lc 9:58). Foi pelo Seu próprio poder sobrenatural que Ele encontrou para Si um *cenáculo* para guardar a festa. E até hoje é assim. Jesus não é recebido entre os filhos dos homens, exceto onde, pelo Seu sobrenatural poder e graça, Ele renove o coração. Todas as portas estão suficientemente abertas para o príncipe das trevas, mas Jesus deve abrir um caminho para Si mesmo, ou pernoitará nas ruas. Foi através do misterioso poder exercido por nosso Senhor que o dono da casa não levantou qualquer questão, mas antes, contente e alegre, logo abriu seu aposento {cenáculo}. Não sabemos quem era o dono dessa casa, mas prontamente ele aceitou a honra que o Redentor propôs conferir-lhe. Da mesma forma, ainda estão sendo descobertos os que são os escolhidos do Senhor, e os que não são, pois quando o evangelho chega a alguns, eles lutam contra ele, e não o aceitam; mas onde os homens o recebem, acolhendo-o, isso é uma indicação segura de que há uma obra oculta acontecendo na alma, e que Deus os escolheu para a vida eterna. Você está disposto, caro leitor, a receber a Cristo? Então, não há dificuldades no caminho; Cristo será seu convidado; Seu próprio poder está trabalhando em você, fazendo-o disposto. Que honra receber o Filho de Deus! O céu dos céus não pode contê-Lo, e mesmo assim Ele condescende em encontrar uma casa dentro de nossos corações! Não somos dignos de que Ele venha a estar sob o nosso teto, mas que indescritível privilégio quando Ele condescende em entrar, pois então Ele faz um banquete, e nos faz banquetear com Ele em delícias reais; nos sentamos em um banquete onde as iguarias são imortais, e dão imortalidade àqueles que delas se alimentam. Bem-aventurado entre os filhos de Adão é aquele que entretém o Senhor dos anjos.'

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*cenáculo* (Lc 22:11-13): 'O cômodo em que Jesus e seus discípulos comeram a refeição da Páscoa, sua Última Ceia, é chamado tanto de "aposento {para hóspedes}" ["guest room"] (Mc 14:14; Lc 22:11) quanto de "espaçoso cenáculo" ["large upper room"] (Mc 14:15; Lc 22:12). A maioria das casas, grandes ou pequenas, geralmente tinha um cômodo usado para receber ou entreter hóspedes. Esses cômodos ficavam na parte da frente da casa, para que os hóspedes não precisassem entrar nos aposentos mais privados. Este quarto de hóspedes, em particular, era um grande cômodo no andar de cima, provavelmente com vista {da cidade}. Pela descrição, parece que a refeição de Jesus foi feita em um grande recinto, talvez semelhante às mansões de pessoas ricas encontradas em escavações arqueológicas na parte sul da Cidade Velha de Jerusalém. Essas mansões, encontradas nas escavações, incluíam grandes cenáculos decorados com paredes contendo afrescos, tetos rebocados {revestidos}, mobiliados com mesas e utensílios elegantes.'
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11 fevereiro 2026

"Corando de Vergonha": o amor de Deus por nós!

Em trecho do Devocional Manhã & Noite, na noite do dia 02 de outubro, as palavras inspiradoras do pastor C.H. Spurgeon nos desafiam a crer no amor de Deus por nós:

“(…) homem muito amado (…)” (Dn 10:11) 
Filho de Deus, você hesita em apropriar-se desse título? Ah! Será que a sua incredulidade lhe fez esquecer que você também é muito amado? Porventura não foi você muito amado para ter sido comprado com o precioso sangue de Cristo, um cordeiro sem defeito e sem mancha (1Pe 1:19)? Quando Deus feriu a Seu Filho unigênito por você, o que foi isso senão ser muito amado? Você viveu em pecado, e se revolveu nele; acaso não foi você muito amado por Deus para que Ele tivesse tanta paciência contigo? Você foi chamado pela graça e conduzido ao Salvador, e foi feito filho de Deus e herdeiro do céu. Será que tudo isso não demonstra um enorme e superabundante amor? Desde aquela época, se o seu caminho tem sido áspero com problemas, ou suave com misericórdias, ele está cheio de provas que você é alguém muito amado. Se o Senhor lhe castigou, não foi com ira; se Ele te fez pobre, contudo, em graça você tem sido rico. Quanto mais indigno você se sentir, mais evidências você tem que nada além de um inefável amor poderia ter levado o Senhor Jesus a salvar uma alma como a sua. Quanto mais demérito você sentir, mais clara é a demonstração do abundante amor de Deus em ter lhe escolhido e chamado, e feito de você um herdeiro da bem-aventurança. Então, se há tanto amor entre Deus e nós, vivamos na influência e doçura desse amor, e usemos o privilégio da nossa posição. Não nos aproximemos do nosso Senhor como se fôssemos estranhos, ou como se Ele não estivesse disposto a nos ouvir, pois somos muito amados por nosso amoroso Pai. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32). Venha corajosamente, ó crente, pois apesar dos sussurros de Satanás e das dúvidas do teu coração, tu és muito amado. Esta noite, medite sobre a grandeza e fidelidade do amor divino, e então vá para a tua cama em paz.

27 janeiro 2026

"Corando de Vergonha": a espença nos céus!

Esta postagem inaugura, Deus permitindo, o início de uma série denominada "Corando de vergonha", baseado no texto do livro de Daniel (Dn 9:7-8): "A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha [...]".

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Em trecho do Devocional Manhã & Noite, na manhã do dia 02 de outubro, as palavras inspiradoras do pastor C.H. Spurgeon nos desafiam a "viver uma vida cristã piedosa", na Terra, baseando-nos em uma "esperança que nos está reservada", nos Céus:

“Por causa da esperança que vos está reservada nos céus (…)” (Cl 1:5) 
A nossa esperança em Cristo para o futuro é a principal fonte e o esteio de nossa alegria aqui. Animará nossos corações pensar com frequência no céu, pois tudo o que podemos desejar está prometido lá. Aqui estamos cansados e sobrecarregados, mas acima é a terra de descanso, onde o suor do trabalho não mais orvalha a testa do trabalhador, e a fadiga será banida para sempre. Para aqueles que estão cansados e exaustos, a palavra “descanso” está repleta de celestialidade. Estamos sempre no campo de batalha; somos tão tentados internamente, e tão molestados por inimigos externamente, que temos pouca ou nenhuma paz; mas no céu desfrutaremos a vitória, quando o estandarte será levantado em triunfo, e a espada será embainhada, e ouviremos nosso Capitão dizer: “Bem está, servo bom e fiel” (Mt 25:23). Nós sofremos luto após luto, mas estamos seguindo para a terra dos imortais, onde sepulturas são coisas desconhecidas. Aqui o pecado é uma dor constante para nós, mas lá seremos perfeitamente santos, pois de modo algum entrará naquele reino qualquer coisa que contamine (Ap 21:27). A cicuta [planta venenosa] não brota nos sulcos dos campos celestiais. Ó, porventura não é prazeroso saber que você não estará banido para sempre, que não habitará eternamente neste deserto, mas em breve herdará Canaã? No entanto, que nunca se diga de nós que estamos sonhando com o futuro e esquecendo o presente; que o futuro santifique o presente para usos mais elevados. Por meio do Espírito de Deus, a esperança do céu é a força mais poderosa para produzir a virtude; é uma fonte de alegres esforços, é a pedra angular da jubilosa santidade. O homem que tem nele essa esperança faz o seu trabalho com vigor, pois a alegria do Senhor é a sua força (Ne 8:10); ele guerreia contra a tentação com ardor, pois a esperança do mundo vindouro repele os dardos inflamados do adversário; ele pode trabalhar sem a recompensa presente, uma vez que procura uma recompensa no mundo do porvir."

22 dezembro 2025

Natal: "surpreendido pela manjedoura"

[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, manhã do dia 25/12]

“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7:14)

‘Vamos hoje descer a Belém e, em companhia de pastores admirados e sábios adoradores, ver Aquele que nasceu Rei dos judeus, pois nós, pela fé, podemos reivindicar interesse nEle, e cantar: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9:6). Jesus é Jeová encarnado, nosso Senhor e nosso Deus, e, contudo, nosso Irmão e Amigo. Adoremos e admiremos. Percebamos, à primeira vista, Sua miraculosa concepção. Foi algo nunca antes ouvido, e sem paralelo desde então, que uma virgem concebesse e tivesse um Filho. A primeira promessa ocorreu assim: “A semente da mulher” (Gn 3:15), e não a descendência do homem. Uma vez que a venturosa mulher liderou o caminho no pecado, que trouxe o “Paraíso Perdido”*, ela, e somente ela, inaugura o “Paraíso Reconquistado”*. Nosso Salvador, embora verdadeiramente homem, era, quanto a Sua natureza humana, o Santo de Deus (Sl 16:10; Mc 1:24; Lc 4:34; At 3:14; Ap 3:7). Curvemo-nos, de maneira reverente, diante da sagrada Criança, cuja inocência restaura à raça humana sua antiga glória, e oremos para que Ele seja formado em nós, a esperança da glória (Cl 1:27). Não deixemos também de notar Sua humilde descendência. Sua mãe é descrita apenas como “uma virgem”; não uma princesa, ou profetisa, ou alguém com grandes propriedades; contudo, sua condição não era tão simples ou iletrada que não lhe permitisse cantar docemente um cântico de louvor. Verdadeiramente o sangue dos reis corria em suas veias (Lc 3:23-38); no entanto, quão humilde era sua posição, quão pobre o homem a quem estava prometida, e quão miserável a acomodação oferecida ao recém-nascido Rei! Emanuel, Deus conosco em nossa natureza, em nossa tristeza, em nossa obra de vida, em nosso castigo, em nossa sepultura; e agora conosco, ou melhor, nós com Ele, em ressurreição, ascensão, triunfo, e esplendor do Segundo Advento.’

*Paraíso Perdido e Paraíso Reconquistado são títulos de poemas do poeta inglês John Milton (1608-1674).

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[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, noite do dia 26/01]

“E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam” (Lc 2:18)

‘Não devemos deixar de admirar as grandes maravilhas do nosso Deus. Seria muito difícil traçar uma linha entre a sagrada admiração e a verdadeira adoração, pois quando a alma é subjugada com a majestade da glória de Deus, embora possa não se expressar em cânticos, ou mesmo proferir sua voz com a cabeça inclinada em humilde oração, contudo ela adora em silêncio. Nosso Deus encarnado deve ser adorado como o “Maravilhoso” (Is 9:6). Que Deus tenha levado em conta Sua criatura caída, o homem, e em vez de varrê-lo com a vassoura da destruição, Ele mesmo tomar para Si a responsabilidade de ser o seu Redentor, e pagar o preço de seu resgate, é realmente maravilhoso. No entanto, para cada crente, a redenção é ainda mais maravilhosa conforme ele a vê em relação a si mesmo. É um milagre da graça, de fato, que Jesus tenha abandonado o trono e a majestade acima para sofrer aqui abaixo, de maneira desonrosa, por nós. Deixe sua alma perder-se em admiração, pois admirar-se dessa forma é uma emoção muito prática. A sagrada admiração o levará ao sincero agradecimento e à adoração; ela provocará dentro de você uma devota vigilância; você terá receio de pecar contra um amor como esse. Sentindo a presença do poderoso Deus na dádiva de Seu amado Filho, você descalçará os sapatos dos seus pés, porque o lugar onde está é terra santa (Ex 3:5; Js 5:15). Você será movido, ao mesmo tempo, a uma gloriosa esperança. Se Jesus fez tais coisas maravilhosas em seu favor, você sentirá que o próprio céu não é tão grande para sua expectativa. Quem pode ser surpreendido com alguma coisa quando outrora *surpreendido* pela manjedoura e pela cruz? O que existe de mais maravilhoso depois de alguém ter visto o Salvador? Caro leitor, pode ser que pela sua calma e isolada forma de vida, você dificilmente possa imitar os pastores de Belém – que disseram aquilo que tinham visto e ouvido –, mas você pode, ainda assim, fazer parte do círculo de adoradores diante do trono, pela admiração daquilo que Deus fez.’

*Surpreendido / Surpreso*: “Ficamos surpresos com algo porque não o esperávamos, admirados por sua singularidade em algum aspecto, maravilhados porque não conseguimos entender como aconteceu, atônitos a ponto de não sabermos o que pensar ou fazer.” [Dicionário Century]

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[Trechos do livro “Emmanuel, Or Titles of Christ”, de Octavius Winslow**]

(**Octavius Winslow foi contemporâneo de C.H. Spurgeon e J.C. Ryle)

‘[...] Antes de abordar a segunda parte deste assunto, permitam-me falar, em defesa da verdade que ocupou nossos primeiros pensamentos, o estudo mais devoto e a crença mais inabalável de todo o povo do Senhor. A doutrina da Encarnação é a principal pedra angular da nossa fé. Nela reside toda a essência da nossa salvação. Esta é a chave que desvenda o profundo mistério do amor divino; esta é a solução para todas as dificuldades que se apresentam à alma em sua luta pela salvação. Deixem que a sua fé simplesmente apreenda esta verdade, e tudo estará seguro, com o seu bem-estar eterno. Não parem para sondá-la com o frágil prumo da sua razão antes de crerem nela. Não esperem para compreendê-la antes de recebê-la. Recebam-na com a simplicidade de uma criança pequena, e ela os fará felizes. É o grande mistério da Divindade. Como, então, você, um ser finito, um ser finito pecador, pode ser considerado capaz de compreender plenamente uma verdade que toca as próprias alturas e sonda as próprias profundezas do infinito?  Para alcançar tal compreensão, sobre quais anjos vocês se curvam com humildade, reverência e temor? Deposite sua razão aos pés da fé, e deixe que a fé ocupe seu lugar aos pés de Jesus e, como eu disse, receba o reino de Deus como uma criança e você será salvo […] Esta é a "Pedra" que os negadores da divindade e da expiação de Cristo desprezam, rejeitando-a e construindo o alicerce de seu futuro sobre as areias movediças de suas próprias obras, sobre as quais repousarão a vergonha e o desprezo eterno. Torne-se, então, um humilde adorador em Belém, um estudante crente no Calvário, um santo jubiloso no túmulo, e sua será a bênção divina daquele "que crê, embora não tenha visto" (Jo 20:29). A jornada da alma rumo à glória começa na manjedoura, contorna a cruz, passa pelo túmulo, ascende [ao céu], e se perde na visão perfeita da fé, na plena realização da esperança, e no mar infinito de amor que circunda o trono celestial — "Onde está assentado nosso Salvador, coroado de luz, revestido de um corpo como o nosso". Mas nos aproximamos daquele ramo do nosso tema que o traz mais intimamente e abençoadamente para o nosso ser individual.  "Emanuel, Deus CONOSCO”. Quão maravilhosamente e completamente esta verdade, a Encarnação, preenche o vasto abismo entre o Infinito e o finito – Deus e o homem! Deus não é mais, para a mente do crente, uma abstração incompreensível e invisível. Ele é trazido para perto, por assim dizer – visível, tangível, real – em uma palavra, Ele está CONOSCO. Vamos ilustrar em alguns detalhes esta verdade maravilhosa, e não menos experimental e preciosa. Em primeiro lugar <#1#>, Emanuel é DEUS CONOSCO. Aqui, ascendemos infinitamente acima do humano. Não é meramente um anjo que está conosco – um homem que está conosco; é a Divindade que está conosco, ninguém menos que o próprio Jeová, o Deus da aliança e Guardião de Israel. Não podemos viver sem nada menos que a Divindade […] Obras mortais são coisas mortas, afundando você como uma pedra de moinho nas sombras do abismo sem fundo. Mas um olhar de fé para o Salvador crucificado é vida e imortalidade, elevando você acima da maldição, acima de seus pecados, para fora do poço horrível e do lamaçal de sua condenação presente, para as regiões ensolaradas do perdão, da paz e da esperança. Mais uma vez, permita-me lembrar ao meu leitor crente que "Emanuel é Deus conosco". Venha, então, e apoie-se em Seu braço onipotente.  Você não tem nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Seus infinitos recursos; nenhuma pedra de dificuldade em sua peregrinação que Seu poder não possa remover; nenhum fardo que Seu braço poderoso não possa suportar, nenhuma perplexidade que Sua sabedoria não possa guiar: em suma, nenhuma condição à qual Cristo, nosso Deus sempre presente, não seja capaz. Com fé e humildade, faça uso prático da divindade de seu Salvador; e quando tudo o que é meramente humano falhar, quebrar como uma “corda de areia” (“rope of sand”), dissolver como um vapor passageiro; ou perfurar sua mão inclinada com demasiada ingenuidade como uma cana quebrada, então agarre-se a esta preciosa verdade e diga: "Meu Deus Salvador está comigo em todos os recursos ilimitados de Sua Divindade, por que então eu deveria temer?"[...] Oh, que o seu conhecimento de Deus abranja uma gama mais ampla do Seu ser, governo e glória, do que o sol, as estrelas ou as flores lhe permitem. No céu azul, nenhuma palavra está estampada assegurando o perdão dos pecados, a salvação ou o céu. Como você pode ser salvo do inferno, e preparado para o céu, só pode ser aprendido ao contemplar "a glória de Deus na face de Jesus Cristo" (2Co 4:6) [...] Perguntamos: "Mostra-nos o Pai", e isso nos basta? Jesus responde: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14:9). Assim, nosso Emanuel levanta o terrível véu, e nos mostra Deus perdoando nossos pecados, justificando-nos, e nos envolvendo no abraço do Seu amor paternal. Provavelmente não existe nenhum verso que expresse uma concepção mais verdadeira e bela dessa grande ideia do que o do ilustre [Isaac] Watts*, que ainda lidera o serviço de cânticos na Terra: 

"O mais querido de todos os nomes nas alturas, 
Meu Jesus e meu Deus! 
Quem pode resistir ao Teu amor celestial, 
Ou brincar com o Teu sangue? 
É pelos méritos da Tua morte, 
Que o Pai sorri novamente; 
É pelo Teu sopro intercessor, 
Que o Espírito habita nos homens. 
Até que eu veja Deus em carne humana, 
E meus pensamentos encontrem conforto, 
O Santo, Justo e Sagrado Deus Triúno
É terror para a minha mente; 
Mas se a face do Emanuel aparecer, 
Minha esperança e minha alegria terão início; 
Seu nome afastará meu medo servil, 
Sua graça removerá meus pecados."’

_______

*The Psalms and Hymns of Isaac Watts ‎#II.148  

(https://hymnary.org/hymn/PHW/II.148)


19 novembro 2025

"Profundamente Superficial" ou "Superficialmente Profundo" ?

De acordo com os dicionários de etimologia, a orígem da palavra "superficial" data do final do século XIV, sendo proveniente do latim tardio superficialis, que significa "pertencente a uma superfície". O termo superfície, por sua vez, é uma contração de super ("acima, sobre") + facies ("forma, face"). O significado "sem compreensão completa, compreendendo apenas o que é aparente ou óbvio" (de percepções/pensamentos), para o termo "superficial", implica a noção de "não se preocupar com, ou não penetrar abaixo da superfície". Por outro lado, estes mesmos dicionários de etimologia também descrevem a orígem da palavra "profundo", ocorrendo no mesmo século XIV, como sendo proveniente do latim profundus, que significa "sem fundo, vasto", e sendo uma combinação de pro ("para a frente") + fundus ("fundo"). 

Em nossa era atual, é fato que vivemos dias de profunda superficialidade, onde muitas pessoas – infelizmente incluindo também alguns crentes – buscam relacionamentos superficiais, comprimissos supérfulos, amizades irrelevantes, acanhado amor ao próximo, e também, frequentemente, apenas um contato e interesse superficiais pela Palavra de Deus. O apóstolo Paulo deixa registrada uma lista de características que as pessoas teriam nos "últimos dias", para alertar o seu jovem discípulo e amigo, Timóteo: 
"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes." (2Timóteo 3.1–5)

O mesmo apóstolo Paulo, na sua carta aos romanos, também usa uma lista muito parecida de características reprováveis que os descrentes manifestam em seus relacionamentos, como fruto de terem "desprezado o conhecimento de Deus":
"E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem." (Romanos 1.28–32)

Será que estas características que o apóstolo Paulo – inspirado pelo Espírito Santo –  elencou são perceptíveis na sociedade civil em que vivemos? Será que também estão presentes na igreja visível, aqui na terra?
Caro irmão ou irmã, em Cristo, você acha mesmo que existe espaço para a superficialidade na vida cristã? Aqui, as palavras do próprio Senhor Jesus são muito úteis e didáticas:
"Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22.37–39)
Quem procura amar o Senhor de todo o coração, de toda a alma, e de todo o entendimento, está amando o Senhor com profundidade, o que, consequentemente, também o leva a amar mais o próximo, como a si mesmo.

Em 7 de janeiro de 1855, na Igreja da rua New Park, C.H. Spurgeon – com apenas 20 anos de idade nesta época – iniciou seu sermão matutino falando de profundidade, da seguinte forma:
"[...] o estudo apropriado de um cristão é a Divindade. A mais elevada ciência, a mais sublime especulação, a mais poderosa filosofia, que jamais poderá ocupar a atenção de um filho de Deus, é o nome, a natureza, a pessoa, a obra, os feitos, e a existência do grande Deus a quem ele chama de seu Pai. Há algo de extraordinário desenvolvimento para a mente na contemplação da Divindade. É um assunto tão vasto que todos os nossos pensamentos ficam perdidos em sua imensidão; tão profundo que nosso orgulho fica submerso em seu infinito... Entretanto, quando chegamos a esta ciência sublime, ao constatar que nosso fio de prumo não pode sondar sua profundidade e que nosso olho de águia não pode enxergar sua altura, abandonamos o pensamento de que o homem, em sua vaidade, seja sábio... Nenhum assunto de contemplação tenderá mais a humilhar a mente do que os pensamentos acerca de Deus... Contudo, ao mesmo tempo em que o assunto humilha a mente, ele também a desenvolve... O mais excelente estudo para desenvolver a alma é a ciência de Cristo, e ele crucificado, e o conhecimento da Divindade na gloriosa Trindade. Nada aumentará mais o intelecto, nada enaltecerá mais toda a alma do homem, quanto uma investigação devota, diligente e continuada do grande assunto da Divindade. E, ao mesmo tempo em que humilha e expande, este assunto é eminentemente consolador. Oh!, existe, ao contemplar Cristo, um bálsamo para cada ferida; ao refletir sobre o Pai, há o fim de toda tristeza; e, na influência do Espírito Santo, há um bálsamo para cada chaga! Deseja cessar o seu pesar? Deseja suprimir suas preocupações? Então vá e mergulhe no mais profundo mar da Divindade; perca-se em sua imensidão e você sairá como de um sofá de descanso, revigorado e fortalecido. Eu não conheço algo que possa confortar tanto a alma, acalmar as ondas de tristeza e dor, trazer paz para os ventos da provação, como uma meditação piedosa sobre a Divindade. É para refletir sobre este assunto que eu o convido nesta manhã..." 

Portanto, caro(a) leitor(a), ouse amar com mais produndidade! Primeiro o Senhor Deus, e depois o próximo, que foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26–27), como você e eu também fomos!
Que Deus tenha misericórdia de todos nós, e nos ajude a nos arrependermos da superficialidade na vida cristã, e a buscarmos a profundidade no Senhor, pois Ele é digno de nossa devoção, arrependimento e sinceridade de coração, em todas as nossas atitudes a ações coditianas.

No capítulo 31 de Jeremias, somos ensinados, por meio do "lamento transformado em júbilo", que o Senhor não apenas nos ama com profundidade, mas também nos ama com benignidade eterna:
"Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo. Assim diz o Senhor: O povo que se livrou da espada logrou graça no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel. De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam. Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria; plantarão os plantadores e gozarão dos frutos. Porque haverá um dia em que gritarão os atalaias na região montanhosa de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Sião, ao Senhor, nosso Deus!"  (Jeremias 31.1–6)

Ao Senhor, somente, seja todo o louvor, toda a honra e toda a glória, por toda a eternidade! Amém.