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03 abril 2026

Páscoa: no cenáculo com Jesus


Em trecho do Devocional Manhã & Noite, na noite do dia 08 de novembro, as palavras inspiradoras do pastor C.H. Spurgeon nos desafiam a confiar em Jesus Cristo, "nosso Cordeiro pascal" [ver 1Co 5:7]:

“(…) O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?” (Mc 14:14)
'Jerusalém, na época da páscoa, era uma grande estalagem; cada chefe de família convidava seus amigos, mas ninguém convidou o Salvador, e Ele não tinha uma residência própria (Mt 8:20; Lc 9:58). Foi pelo Seu próprio poder sobrenatural que Ele encontrou para Si um *cenáculo* para guardar a festa. E até hoje é assim. Jesus não é recebido entre os filhos dos homens, exceto onde, pelo Seu sobrenatural poder e graça, Ele renove o coração. Todas as portas estão suficientemente abertas para o príncipe das trevas, mas Jesus deve abrir um caminho para Si mesmo, ou pernoitará nas ruas. Foi através do misterioso poder exercido por nosso Senhor que o dono da casa não levantou qualquer questão, mas antes, contente e alegre, logo abriu seu aposento {cenáculo}. Não sabemos quem era o dono dessa casa, mas prontamente ele aceitou a honra que o Redentor propôs conferir-lhe. Da mesma forma, ainda estão sendo descobertos os que são os escolhidos do Senhor, e os que não são, pois quando o evangelho chega a alguns, eles lutam contra ele, e não o aceitam; mas onde os homens o recebem, acolhendo-o, isso é uma indicação segura de que há uma obra oculta acontecendo na alma, e que Deus os escolheu para a vida eterna. Você está disposto, caro leitor, a receber a Cristo? Então, não há dificuldades no caminho; Cristo será seu convidado; Seu próprio poder está trabalhando em você, fazendo-o disposto. Que honra receber o Filho de Deus! O céu dos céus não pode contê-Lo, e mesmo assim Ele condescende em encontrar uma casa dentro de nossos corações! Não somos dignos de que Ele venha a estar sob o nosso teto, mas que indescritível privilégio quando Ele condescende em entrar, pois então Ele faz um banquete, e nos faz banquetear com Ele em delícias reais; nos sentamos em um banquete onde as iguarias são imortais, e dão imortalidade àqueles que delas se alimentam. Bem-aventurado entre os filhos de Adão é aquele que entretém o Senhor dos anjos.'

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*cenáculo* (Lc 22:11-13): 'O cômodo em que Jesus e seus discípulos comeram a refeição da Páscoa, sua Última Ceia, é chamado tanto de "aposento {para hóspedes}" ["guest room"] (Mc 14:14; Lc 22:11) quanto de "espaçoso cenáculo" ["large upper room"] (Mc 14:15; Lc 22:12). A maioria das casas, grandes ou pequenas, geralmente tinha um cômodo usado para receber ou entreter hóspedes. Esses cômodos ficavam na parte da frente da casa, para que os hóspedes não precisassem entrar nos aposentos mais privados. Este quarto de hóspedes, em particular, era um grande cômodo no andar de cima, provavelmente com vista {da cidade}. Pela descrição, parece que a refeição de Jesus foi feita em um grande recinto, talvez semelhante às mansões de pessoas ricas encontradas em escavações arqueológicas na parte sul da Cidade Velha de Jerusalém. Essas mansões, encontradas nas escavações, incluíam grandes cenáculos decorados com paredes contendo afrescos, tetos rebocados {revestidos}, mobiliados com mesas e utensílios elegantes.'
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02 novembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (02/11)

“(…) eu, o Senhor, não mudo (…)” (Ml 3:6) 
'É bom para nós que, em meio a toda variabilidade da vida, haja Alguém a quem a mudança não pode afetar; Aquele cujo coração nunca pode ser alterado, e cujo rosto a mutabilidade não pode fazer sulcos. Todas as outras coisas mudaram, todas as coisas estão mudando. O próprio sol escurece com a idade; o mundo está envelhecendo; o dobrar da vestimenta desgastada já começou; os céus e a Terra em breve passarão; eles irão perecer; envelhecerão como uma peça de roupa (Hb 1:10-12); contudo, há apenas Um que possui a imortalidade, cujos anos não têm fim, e cuja pessoa não há qualquer mudança. O prazer que o marinheiro sente quando se aproxima da segura enseada, depois de ter sido jogado de lá para cá por muitos dias, é a satisfação de um cristão quando, em meio a todas as mudanças desta turbulenta vida, ele repousa o pé de sua fé sobre esta verdade: “Eu, o Senhor, não mudo”. A estabilidade que a âncora dá ao navio quando ela finalmente alcança o solo é semelhante aquela que a esperança do cristão lhe oferece quando ela se fixa sobre essa gloriosa verdade. Com Deus “não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1:17). Aquilo que Seus atributos foram no passado, eles o são agora; Seu poder, Sua sabedoria, Sua justiça e Sua verdade estão igualmente inalterados. Ele tem sido o refúgio do Seu povo (Sl 46:1), a fortaleza no dia da angústia (Na 1:7), e Ele ainda é o seguro Ajudador. Ele é imutável em Seu amor. Ele amou o Seu povo com “amor eterno” (Jr 31:3); Ele os ama agora tanto quanto sempre o fez; e quando todas as coisas terrenas tiverem derretido na última conflagração, Seu amor ainda mostrará o orvalho de sua juventude (Sl 110:3). Preciosa é a garantia de Sua imutabilidade! A roda da providência gira, porém o seu eixo é o amor eterno. 
“A morte e a mudança sempre ocupadas estão, 
as eras se movem, o homem perde o vigor; 
mas Sua misericórdia nunca sofre diminuição, 
Deus é sabedoria, Deus é amor”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 02 de novembro] 

31 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (31/10)

“Eu te conheci no deserto, na terra muito seca” (Os 13:5) 
'Sim, meu Senhor, Tu realmente conheceste a mim em meu estado caído, e mesmo assim Tu me escolheste para Ti. Quando eu era repugnante e abominável, recebeste-me como Teu filho, e satisfizeste a ânsia do meu querer. Bendito seja para sempre o Teu nome por essa gratuita, valiosa e abundante misericórdia. Desde então, minha experiência interior tem sido muitas vezes um deserto, porém Tu ainda me possuíste como Teu amado, e derramaste rios de amor e graça em mim para me alegrar e fazer-me frutífero. Sim, quando minhas circunstâncias externas foram as piores, e eu vagava em uma terra seca, a Tua doce presença me consolou. Os homens não me conheceram quando o desprezo aguardava por mim, porém Tu conheces a minha alma nas adversidades, uma vez que nenhuma aflição ofusca o brilho do Teu amor. Gracioso Senhor, eu Te exalto por toda a Tua fidelidade a mim em circunstâncias difíceis, e lamento que eu, em algum momento, tenha esquecido de Ti e me exaltado no coração, quando devo tudo ao Teu amor e ternura. Tem misericórdia do Teu servo nisso! Minha alma, se Jesus assim te conheceu em tua baixeza, assegure-se que tens agora tanto a Ele como a Sua causa {o Evangelho} em tua prosperidade. Não sejas exaltada {minha alma} pelos teus sucessos mundanos, de modo a envergonhar-se da verdade ou da pobre igreja com a qual tens estado associada. Siga a Jesus para o deserto; carregue a cruz com Ele quando o calor da perseguição se tornar mais forte. Ele te comprou, ó minha alma, em tua pobreza e vergonha; nunca sejas tão traiçoeira a ponto de ter vergonha dEle. Ó, por mais vergonha da ideia de ter vergonha do meu mais Amado! Jesus, minha alma se apega a Ti. 
“Eu me voltarei para Ti em dias radiantes, 
assim como em noites de cuidados; 
Tu brilhas em meio a tudo que é brilhante, 
Tu, o mais desejado dos desejados”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 31 de outubro] 

23 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (23/10)

“(…) Quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6:67) 
'Muitos abandonaram a Cristo, e já não andavam mais com Ele, porém qual motivo você tem para fazer isso? Houve alguma razão para algo assim no passado? Não provou Jesus ser todo-suficiente? Ele apela a você esta manhã: “Tenho eu sido um deserto a você?” (Jr 2:31). Quando sua alma simplesmente confiou em Jesus, alguma vez você foi confundido? Acaso você não encontrou ser o seu Senhor, até agora, um amigo compassivo e generoso, e a fé simples nEle não lhe tem dado toda a paz que seu espírito poderia desejar? Pode você imaginar um amigo melhor do que Ele lhe tem sido? Então, não mude o antigo e provado pelo novo e falsificado. Quanto ao presente, pode ele compeli-lo a deixar a Cristo? Quando estamos duramente cercados por este mundo, ou com provações severas dentro da Igreja, consideramos algo muito abençoado colocar nossa cabeça sobre o seio do nosso Salvador; essa é a alegria que temos hoje por sermos salvos nEle; então, se essa alegria satisfaz, por que deveríamos pensar em mudar? Quem troca o ouro pela escória? Não renunciaremos ao sol até encontrarmos uma luz melhor, nem deixaremos nosso Senhor até que um amante mais brilhante apareça; e, uma vez que isso nunca poderá ocorrer, vamos segurá-Lo com uma força imortal, e prender o Seu nome como um selo sobre o nosso braço. Quanto ao futuro, pode você sugerir qualquer coisa que lhe torne necessário amotinar-se, ou algo para abandonar o antigo estandarte para servir a outro capitão? Pensamos que não. Se a vida for longa, Ele não muda. Se somos pobres, o que é melhor do que ter a Cristo, que pode nos fazer ricos? Quando estamos doentes, o que mais queremos do que Jesus para fazer nossa cama em meio a nossa doença? Quando morremos, porventura não está escrito que “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir (…) nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:38-39)? Diremos nós com Pedro: “Senhor, para quem iremos nós?” (Jo 6:68).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 23 de outubro] 

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“(…) Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22:46) 
'Quando o cristão está mais propenso a dormir? Acaso não é quando suas circunstâncias temporais são prósperas? Você já não se deparou com isso? Quando você teve problemas diários para levar ao trono da graça, não estava você mais desperto do que está agora? Estradas fáceis tornam os viajantes sonolentos. Outro momento perigoso é quando tudo vai agradavelmente bem em assuntos espirituais. “Cristão” não dormiu quando os leões estavam no caminho, ou quando vadeava através do rio, ou quando lutou com “Apolion”; no entanto, quando subiu a metade do caminho do “Monte da Dificuldade”, e chegou ao agradável caramanchão, ele se sentou e logo adormeceu, para sua grande tristeza e perda. A terra encantada é um lugar de brisas amenas, carregada de aromas perfumados e suaves influências, tudo tendente a acalmar os peregrinos e fazê-los dormir. Lembre-se da descrição de *Bunyan: “Então, chegaram a um aconchegante caramanchão, que prometia muito frescor aos cansados peregrinos, pois era finamente trabalhado, embelezado com gramados, e adornado com bancos e assentos. Também há nele um sofá macio, onde o cansado pode se inclinar; o caramanchão era chamado ‘Amigo do Preguiçoso’, e foi feito com o propósito de seduzir, se for possível, alguns dos peregrinos para lá descansarem quando cansados”. É nos lugares fáceis que os homens fecham os olhos e vagueiam na terra ilusória do esquecimento. **Erskine sabiamente comentou: “Eu gosto mais de um diabo rugindo que um diabo dormindo”. Não há tentação tão perigosa como não ser tentado. A alma angustiada não dorme; é depois de entrarmos em pacífica confiança, e em plena certeza, que estamos em perigo de adormecer. Os discípulos caíram no sono depois de terem visto Jesus transfigurado no topo da montanha. Tenha cuidado, alegre cristão, pois bons momentos são vizinhos próximos das tentações; seja feliz como você desejar, apenas esteja atento.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 23 de outubro] 
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*(N.T.) “Cristão”, “Apolion” e “Monte da Dificuldade” são referências ao livro "O Peregrino", escrito em 1678 pelo pregador John Bunyan (1628–1688).
**(N.T.) Thomas Erskine (1750–1823) foi um advogado e político britânico. Ele serviu como Lorde Chanceler do Reino Unido entre 1806 e 1807.

22 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (22/10)

“(…) eu voluntariamente os amarei (…)” (Os 14:4) 
'Essa frase é um corpo de divindade*** em miniatura. Aquele que compreende o seu significado é um teólogo, e quem pode mergulhar em sua plenitude é um verdadeiro mestre em Israel. É uma condensação da gloriosa mensagem de salvação que nos foi entregue em Cristo Jesus, nosso Redentor. O sentido reside sobre a palavra “voluntariamente”. Esse é o glorioso e adequado caminho divino por onde o amor flui do céu à Terra, um amor espontâneo fluindo para aqueles que não mereciam, não o alcançariam, nem procuravam por ele. É, de fato, a única maneira pela qual Deus pode nos amar como nós somos. O texto é um golpe mortal em todos os tipos de aptidão; “eu voluntariamente os amarei”. Então, se houvesse qualquer aptidão exigível em nós, Ele não nos amaria voluntariamente, pois isso seria uma redução e um obstáculo para sua gratuidade. Mas o que está é: “Eu voluntariamente os amarei”. Nós nos queixamos: “Senhor, meu coração é tão duro” – “eu voluntariamente os amarei”. “Mas eu não sinto a minha necessidade de Cristo como eu gostaria de sentir” – “eu não te amarei porque você sente a sua necessidade, mas porque eu voluntariamente os amarei”. “Mas eu não sinto a brandura de espírito que eu desejo” – lembre-se que o abrandamento de espírito não é uma condição, pois não há condições; o pacto da graça não tem qualquer condicionalidade. Desse modo, sem qualquer aptidão, é possível nos aventurarmos nas promessas de Deus que nos foram feitas em Cristo Jesus, quando Ele disse: “Quem crê nele não é condenado” (Jo 3:18). É abençoador saber que a graça de Deus nos é livre em todos os momentos, sem preparação, sem aptidão, sem dinheiro e sem preço! “Eu voluntariamente os amarei”. Essas palavras convidam os afastados a retornar; na verdade, o texto foi escrito especialmente para tais; “eu sararei a sua infidelidade, eu voluntariamente os amarei”. Apóstata! Certamente a generosidade da promessa quebrantará o seu coração, e você voltará e buscará a face de seu ofendido Pai.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 22 de outubro] 
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***(N.T.) “corpo de divindade” é uma expressão que modernamente representa a teologia sistemática.

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“(…) há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:15) 
'Há momentos em que todas as promessas e doutrinas da Bíblia não têm qualquer utilidade, a menos que uma graciosa mão as aplique para nós. Estamos com sede, porém muito fracos para nos arrastar até o ribeiro. Quando um soldado é ferido em batalha, é de pouca utilidade para ele saber que existem pessoas no hospital que podem curar suas feridas, e medicamentos para aliviar todas as dores que sofre; o que ele precisa é ser levado para lá e ter os remédios aplicados. O mesmo se passa com a nossa alma; e para satisfazer essa necessidade, existe Um, o Espírito da verdade, que toma das coisas de Jesus e as aplica para nós. Não pense que Jesus colocou Seus deleites em prateleiras celestiais para que pudéssemos subir até lá por nós mesmos; Ele é que Se aproxima e derrama Sua paz por todo o nosso coração. Ó cristão, se esta noite estás a trabalhar debaixo de profundas angústias, teu Pai não te dá promessas e, em seguida, te deixa retirá-las da Palavra como baldes em um poço; as promessas que Ele escreveu na Palavra Ele mesmo escreverá novamente em seu coração. Ele manifestará o Seu amor por você e, por Seu bendito Espírito, dissipará suas preocupações e problemas. Seja isto conhecido a ti, ó enlutado, que é prerrogativa de Deus enxugar toda lágrima dos olhos de Seu povo. O bom samaritano não disse: “Aqui está o vinho, e aqui está o óleo para você”; antes, ele realmente derramou o óleo e o vinho (Lc 10:34). Assim, Jesus não apenas lhe dá o doce vinho da promessa, mas também leva o cálice de ouro aos seus lábios e derrama o sangue vital em sua boca. O pobre, doente e cansado peregrino não apenas é fortalecido para andar, mas é levado sobre asas de águia (Ex 19:4). Glorioso evangelho, que fornece tudo para o desamparado, que se aproxima de nós quando não podemos alcançá-lo, que nos traz graça antes de buscarmos por ela! Há aqui glória tanto na doação como na dádiva. Felizes são as pessoas que têm o Espírito Santo para levar Jesus até elas.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 22 de outubro] 

21 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (21/10)

“Porque o amor de Cristo nos constrange (…)” (2Co 5:14) 
'Quanto deves ao meu Senhor? Ele já fez alguma coisa por ti? Já perdoou os teus pecados? Já te cobriu com um manto de justiça (Is 61:10)? Colocou os teus pés sobre uma rocha, e firmou os teus passos (Sl 40:2)? Será que Ele preparou o céu para ti? Será que Ele te preparou para o céu? Escreveu Ele o teu nome em Seu livro da vida? Será que Ele te deu inúmeras bênçãos? Será que Ele reservou para ti um celeiro de misericórdias que nenhum olho viu e nenhum ouvido ouviu? Então, faça algo para Jesus digno de Seu amor. Não dê uma simples oferta verbal a um agonizante Redentor. Como você irá se sentir, quando seu Mestre chegar, se você tiver que confessar que não fez coisa alguma por Ele, antes manteve seu amor calado, como um lago estagnado, não fluindo para o necessitado ou para Sua obra? Longe de um tal amor assim! O que pensam os homens de um amor que nunca se mostra em ação? Ah, eles dizem: “Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto” (Pv 27:5). Quem aceitará um amor tão fraco que não o conduza a um único ato de abnegação, de generosidade, de heroísmo ou de zelo? Pense em como Ele te amou e Se entregou por ti! Acaso você conhece o poder desse amor? Então, que ele seja como um vento impetuoso para sua alma, varrendo as nuvens do seu mundanismo e limpando as brumas do pecado. “Por amor a Cristo” seja a língua de fogo que ficará sobre você; “por amor a Cristo” seja o êxtase divino, a efusão celestial para elevar você da Terra, o espírito divino que fará de você ousado como os leões, e ligeiro como as águias, no serviço do seu Senhor. O amor dará asas aos pés do serviço, e força aos braços do trabalho. Estabelecido em Deus com uma constância que não pode ser abalada, resoluto em honrá-Lo com uma determinação que não pode ser colocada de lado, e avançando com um ardor que nunca se cansa, vamos manifestar contrições de amor a Jesus. Que essa divina magnetita nos atraia para o céu, em direção a si mesma.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 21 de outubro] 

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“(…) Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações?” (Lc 24:38) 
'“Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus?” (Is 40:27). O Senhor cuida de todas as coisas, e mesmo as criaturas mais insignificantes compartilham Sua providência universal; contudo, Sua providência particular é sobre os Seus santos. “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem” (Sl 34:7). “Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados (…) precioso será o seu sangue aos olhos dele” (Sl 72:13-14). “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116:15). “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). Que este fato o alegre e conforte: uma vez que Ele é o Salvador de todos os homens, Ele é especialmente o Salvador daqueles que creem. Você é o Seu cuidado peculiar, o tesouro real que Ele guarda como a menina de Seus olhos (Dt 32:10); a vinha que Ele cuida de dia e de noite; “até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10:30). Que o pensamento de Seu especial amor por você seja um analgésico espiritual, um querido relaxante para o seu infortúnio. “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5). Deus diz isso tanto para você como para qualquer santo dos tempos antigos. “Não temas (…) eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão” (Gn 15:1). Perdemos muito consolo pelo hábito de ler Suas promessas para toda a Igreja, em vez de levá-las diretamente para casa, para nós próprios. Crente, segure a palavra divina com uma pessoal e apropriada fé. Pense que você ouve Jesus dizer: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22:32). Pense que você O vê caminhando sobre as águas do teu problema, pois Ele está lá, e está dizendo: “Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt 14:27). Ó, essas doces palavras de Cristo! Que o Espírito Santo faça você senti-las como que faladas a você; esqueça os outros por um momento; aceite a voz de Jesus como dirigida a você, e diga: “Jesus sussurra consolo; eu não posso recusar; sentar-me-ei debaixo à Sua sombra com grande prazer” (Ct 2:3).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 21 de outubro] 

19 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (19/10)

“(…) meninos em Cristo” (1Co 3:1) 
'Crente, está você lamentando porque é muito fraco na vida divina, e sua fé é pouca, e seu amor é débil? Anime-se, pois você tem motivos de gratidão. Lembre-se que, em algumas coisas, você é igual aos maiores e mais amadurecidos cristãos. Você é tão comprado com sangue como são eles. Você é tanto um filho adotado de Deus como qualquer outro crente. Uma criança é tão verdadeiramente filho de seus pais como é o homem adulto. Você está completamente justificado, pois sua justificação não é algo em graus; sua pequena fé lhe fez ficar totalmente limpo. Você tem tanto direito às coisas preciosas da aliança como os crentes mais amadurecidos, pois seu direito às misericórdias da aliança não reside em seu crescimento, mas na própria aliança; e sua fé em Jesus não é a medida, mas o símbolo de sua herança nEle. Você é tão rico como o mais rico, se não em deleite, contudo, em possessão real. A menor estrela que brilha está posta no céu; o mais fraco raio de luz tem afinidade com o grande astro do dia. No registro familiar da glória, o pequeno e o grande são escritos com a mesma caneta. Você é tão querido ao coração de seu Pai como os maiores da família. Jesus é muito tenro sobre você. Você é como o pavio que fumega; um espírito mais áspero diria: “Jogue fora esse pavio que fumega; ele enche a sala com um odor desagradável!”, mas o pavio fumegante Ele não apagará (Is 42:3; Mt 12:20). Você é como uma cana quebrada, e qualquer mão menos tenra que a mão do Músico-Chefe iria quebrá-lo ou jogá-lo fora, mas Ele nunca o esmagará. Em vez de ficar abatido por causa do que você é, você deveria triunfar em Cristo. Sou eu pequeno em Israel? Em Cristo, porém, sou feito para me assentar nos lugares celestiais (Ef 2:6). Sou eu pobre em fé? Em Jesus, sou herdeiro de todas as coisas. Apesar de #“menos que nada posso eu me gabar, e apenas vaidade confessar”#, contudo, se a raiz da questão estiver em mim, eu me alegrarei no Senhor, e me gloriarei no Deus da minha salvação (Hc 3:18).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 19 de outubro] 
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***(N.T.) #“Menos que nada posso eu me gabar, e apenas vaidade confessar”# é o trecho de um hino escrito por Isaac Watts (1674–1748), poeta, pregador e teólogo inglês. Trata-se do Hymn 68, cuja tradução automática (google translator) pode ser encontrada neste link:
 
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“(…) Deus que me criou, que dá salmos durante a noite” (Jó 35:10) 
'Qualquer homem pode cantar durante o dia. Quando o cálice está cheio, o homem encontra nele inspiração. Quando a riqueza se expande em abundância ao seu redor, qualquer homem pode louvar o Deus que lhe dá uma colheita farta ou lhe envia um carregado navio mercante para casa. É muito fácil para uma harpa eólica sussurrar música quando os ventos sopram; a dificuldade está na música se propagar quando nenhum vento está soprando. É fácil cantar quando podemos ler as notas à luz do dia, porém é mais hábil aquele que canta quando não há um raio de luz para ajudar a ler, aquele que canta com o coração. Ninguém pode fazer uma canção por si mesmo durante a noite; ele pode tentar fazê-lo, mas descobrirá que o cântico durante a noite deve ser divinamente inspirado. Que todas as coisas corram bem, então eu tecerei canções por onde quer que eu vá, modelando-as com as flores que crescem em meu caminho; mas coloque-me em um deserto, onde coisa alguma verde cresce; então, com que hei de compor um hino de louvor a Deus? Como o homem mortal fará uma coroa para o Senhor onde não há joias? Que essa voz seja firme, e este corpo cheio de saúde; assim poderei cantar louvores a Deus; mas silencie minha língua, e deite-me sobre o leito de melancolia; como, então, cantarei altos louvores a Deus se Ele mesmo não me der a canção? Não está no poder do homem cantar quando tudo é adverso, a menos que uma brasa do altar toque os seus lábios. Foi um divino louvor aquele que Habacuque cantou quando, durante a noite, ele disse: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3:17-18). Então, uma vez que o nosso Criador dá salmos durante a noite, vamos esperar nEle pelo louvor. Ó Tu, Músico-Chefe, não nos faça permanecer sem louvores, pois a aflição está sobre nós, antes afine nossos lábios com a melodia da ação de graças.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 19 de outubro] 
 

18 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/10)

“(…) tuas veredas destilam gordura” (Sl 65:11) 
'Muitas são “as veredas do Senhor” (Sl 25:10) que “destilam gordura”, porém uma em especial é a vereda da oração. Nenhum crente que muito esteja em devoção particular terá necessidade de clamar: “Emagreço, emagreço, ai de mim!” (Is 24:16). Almas famintas vivem à distância do propiciatório, e tornam-se como os campos ressequidos em épocas de estiagem. A prevalência com Deus lutando em oração é a certeza de tornar forte o crente, se não bem-aventurado. O lugar mais próximo ao portão do céu é o trono da graça celestial. Muito sozinho, e você terá muita segurança; pouco a sós com Jesus, e sua religião será superficial, poluída com muitas dúvidas e medos, não resplandecente com a alegria do Senhor. Uma vez que o enriquecedor caminho da oração está aberto ao mais fraco dos santos; uma vez que grandes talentos não são necessários; uma vez que você não é convidado a vir porque é um santo experiente, mas simples e livremente por ser santo, veja então, caro leitor, que você esteja muitas vezes no caminho da devoção particular. Esteja muito de joelhos, pois assim Elias buscou a chuva sobre os famintos campos de Israel (1Rs 18:42). Há outra especial vereda que destila gordura àqueles que nela andam: é a caminhada particular da comunhão. Ó, as delícias da comunhão com Jesus! A Terra não contém palavras que possam exprimir a sagrada calma de uma alma reclinada no seio de Jesus. Poucos cristãos podem compreender isso; eles vivem nas terras baixas, e raramente sobem ao topo do Nebo (Dt 34:1); vivem no átrio exterior; não entram no lugar santo, não assumem o privilégio do sacerdócio. À distância veem o sacrifício, mas não se sentam com o sacerdote para comer e desfrutar a gordura do holocausto. Leitor, sente-se sempre à sombra de Jesus; aproxime-se dessa Palmeira e pegue os Seus ramos; que o teu Amado seja para ti como a macieira entre as árvores do bosque (Ct 2:3), e serás satisfeito como que de tutano e gordura (Sl 63:5). Ó Jesus, visite-nos com a Tua salvação!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 18 de outubro] 

15 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (15/10)

“Mas quem suportará o dia da sua vinda? (…)” (Ml 3:2) 
'Sua primeira vinda foi sem pompa exterior ou demonstração de poder; contudo, em verdade, poucos foram os que puderam suportar a força dessa prova. Herodes e toda Jerusalém foram agitados com a notícia do Seu maravilhoso nascimento (Mt 2:1-3). Aqueles que imaginavam estar esperando por Ele revelaram a falácia de suas profissões religiosas [profissões de fé] ao rejeitá-Lo, quando Ele veio. Sua vida na Terra foi uma *pá que joeira*, provando uma grande pilha de **profissões religiosas**, e poucos puderam suportar esse processo. Mas o que será o Seu segundo advento [a volta de Cristo]? Que pecador pode suportar pensar nisso? Ele “ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio” (Is 11:4). Quando, em Sua humilhação, Ele apenas disse aos soldados “sou eu”, e eles caíram para trás [por terra] (Jo 18:5-6), qual será o terror de Seus inimigos quando Jesus Se revelar mais plenamente como o “eu sou” (Ex 3:14; Jo 8:24,28; Jo 8:58)? Sua morte abalou a Terra e escureceu o céu (Mt 27:45, 51; Mc 15:33; Lc 23:44); qual será o terrível esplendor daquele dia em que, como Salvador vivente, Ele convocará vivos e mortos diante dEle? Ó, que os terrores da vinda do Senhor persuadissem os homens a abandonar seus pecados e a beijar o Filho para que não Se ire (Sl 2:12)! Embora seja um cordeiro, Ele também é o Leão da tribo de Judá (Ap 5:5), rasgando a presa em pedaços; e embora não esmague a cana quebrada (Is 42:3; Mt 12:20), Ele quebrará Seus inimigos com uma vara de ferro, e os despedaçará como um vaso de oleiro (Sl 2:9). Nenhum de Seus inimigos resistirá diante da tempestade de Sua ira, nem poderá se esconder da devastadora saraiva de Sua indignação. No entanto, Seu amado povo, lavado com Seu sangue, espera a Sua vinda com alegria, e a aguarda sem medo; para eles, o Senhor Se assenta, mesmo agora, como um fundidor, e quando Ele os provar, sairão como ouro (Ml 3:3). Vamos nos examinar esta manhã e fazer segura nossa vocação e eleição (2Pe 1:10), para que a vinda do Senhor não cause pressentimentos sombrios em nossas mentes. Ó, [eu espero receber] graça para lançar fora toda hipocrisia e ser encontrado nEle, sincero e sem repreensão, no dia da Sua vinda.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 15 de outubro] 

Notas:
*pá [que joeira]* aparece no texto de Mateus 3:12: "A sua pá <de joeiramento>, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível". < "joeiramento" está relacionado ao ato de "joeirar", ou seja, de separar o "joio" do trigo, por peneiramento >
**profissões religiosas** neste contexto, diz respeito ao posicionamento religioso individual, por meio de declarações públicas e pessoais de fé. O que o autor do devocional (C.H. Spurgeon) parece estar querendo dizer aqui, é que muitas autoridades (religiosas), que foram contemporâneos ao Senhor Jesus encarnado, tiveram suas declarações públicas de fé verdadeiramente testadas e expostas.

14 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (14/10)

“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor (…)” (Fp 3:8) 
'O conhecimento espiritual de Cristo é um conhecimento pessoal. Eu não posso conhecer a Jesus através da familiaridade de outra pessoa com Ele. Não, eu devo conhecê-Lo por mim mesmo; eu devo conhecê-Lo por minha própria conta. Será um conhecimento racional; eu devo conhecê-Lo como a Palavra O revela, e não por sonhos visionários sobre Ele. Eu devo conhecer Suas naturezas, divina e humana; conhecer Seus ofícios, Seus atributos, Suas obras, Sua vergonha e Sua glória. Devo meditar sobre Ele até “compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento” (Ef 3:18-19). Será um conhecimento afetuoso; de fato, se eu O conheço, devo amá-Lo. Um grama de conhecimento no coração vale uma tonelada de aprendizagem na mente. Nosso conhecimento sobre Ele será um conhecimento que satisfaz. Quando eu conheço o meu Salvador, minha mente estará cheia até a borda; sentirei que tenho aquilo pelo qual meu espírito ofegava. Esse é o pão que se um homem [ser humano] comer, jamais terá fome. Ao mesmo tempo, será um conhecimento instigante; quanto mais eu sei do meu Amado, mais quero saber. Quanto mais alto eu escalo, mais elevados serão os picos que convidam meus ansiosos passos. Eu desejarei mais conforme eu tenha mais. Assim como o tesouro do avarento, meu ouro fará com que eu cobice mais. Para concluir, esse conhecimento de Cristo Jesus será o mais regozijante; tão elevado, de fato, que por vezes me colocará completamente acima de todas as provações, dúvidas e tristezas; e enquanto eu o desfruto, esse conhecimento fará de mim algo mais que um “homem, nascido da mulher (…) de poucos dias e farto de inquietação” (Jó 14:1), pois lançará sobre mim a imortalidade do sempiterno Salvador, e me cingirá com o cinto de ouro de Sua eterna alegria. Venha, minha alma, sente-se aos pés de Jesus e aprenda sobre Ele todo este dia.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 14 de outubro] 

12 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (12/10)

“Meditarei nos teus preceitos (…) ?” (Sl 119:15) 
'Há momentos em que a solidão é melhor que a sociabilidade, e o silêncio é mais sábio que a fala. Seríamos melhores cristãos se estivéssemos mais a sós, esperando em Deus, e reunindo força espiritual para o trabalho em Seu serviço por meio da meditação em Sua Palavra. Devemos meditar sobre as coisas de Deus, pois assim obteremos o verdadeiro nutriente delas. A verdade é como o cacho da videira: se quisermos o seu vinho, devemos esmagá-lo; devemos pressionar e espremer muitas vezes. Os pés daquele que pisa devem descer alegremente sobre os cachos, ou então o suco não fluirá; e eles devem pisar bem as uvas, senão muito do precioso líquido será desperdiçado. Do mesmo modo, por meio da meditação, temos de trilhar os cachos da verdade se quisermos obter o vinho da consolação. Nossos corpos não são sustentados apenas por levar a comida à boca; o processo que realmente alimenta músculos e nervos, tendões e ossos, é o processo de digestão. É pela digestão que o alimento exterior se assimila com a vida interior. Nossas almas não são nutridas apenas ouvindo por algum tempo isso, e depois aquilo, e em seguida uma outra parte da verdade divina. Ouvir, ler, anotar, aprender, tudo exige digestão interior para completar sua utilidade, e a digestão interior da verdade encontra-se, em sua maior parte, no meditar sobre ela. Por que alguns cristãos, apesar de ouvirem muitos sermões, avançam lentamente na vida divina? Porque negligenciam seus momentos particulares, e não meditam cuidadosamente na Palavra de Deus. Eles amam o trigo, mas não o moem; eles querem o milho, mas não saem aos campos para colhê-lo; o fruto está pendurado na árvore, mas não vão arrancá-lo; a água flui aos seus pés, mas eles não se inclinam para beber. Ó Senhor, livre-nos de semelhante loucura, e seja esta a nossa resolução esta manhã: “Meditarei nos teus preceitos”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 12 de outubro] 

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“(…) Consolador, o Espírito Santo (…) ?” (Jo 14:26) 
'Este período é particularmente a dispensação do Espírito Santo, em que Jesus nos anima, não por Sua presença pessoal, como Ele fará no porvir, mas pela constante habitação e permanência do Espírito Santo, que é sempre o Consolador da igreja. É Seu ofício consolar o coração do povo de Deus; Ele convence do pecado (Jo 16:8-9), Ele ilumina e instrui, mas a parte principal de Sua obra está em alegrar o coração dos regenerados, em confirmar os fracos, e levantar todos os que estão abatidos (Sl 145:14). Ele faz isso revelando Jesus a eles. O Espírito Santo consola, mas Cristo é a consolação. Se podemos utilizar uma ilustração, o Espírito Santo é o médico, mas Jesus é o medicamento. Ele cura a ferida, mas é aplicando o sagrado unguento do nome e da graça de Cristo. Ele não toma de Suas próprias coisas, mas das coisas de Cristo (Jo 16:14). Então, se damos ao Espírito Santo o nome grego de parakletos, como por vezes fazemos, então nosso coração confere ao nosso bendito Senhor Jesus o título de paraklesis. Se um é o Consolador, o outro é o Consolo. Assim, com tão rica provisão para sua necessidade, por que o cristão deveria estar triste e desanimado? O Espírito Santo está graciosamente comprometido a ser o teu Consolador. Imaginas, ó fraco e trêmulo crente, que Ele será negligente em Sua sagrada responsabilidade? Podes supor que Ele tomou para Si aquilo que não pode ou não irá realizar? Se é Sua especial obra fortalecê-lo e confortá-lo, achas que Ele esqueceu de Seu ofício, ou que falhará na amorosa atividade que Ele sustenta em relação a ti? Não, não pense tão duramente do tenro e bendito Espírito, cujo nome é “Consolador”. Ele Se deleita conceder o óleo da alegria em lugar do pranto, e vestimentas de louvor pelo espírito de angústia. Confias nEle, e certamente Ele te confortará, até que a casa do luto seja fechada para sempre e comecem as bodas.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 12 de outubro] 
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***(N.T.) Segundo o The Complete Word Study Dictionary, a palavra parakletos significa “exortar”, “confortar”, “encorajar” ou “consolar”, enquanto a palavra paraklesis significa o “ato de exortação, de conforto, de encorajamento, ou de consolação”, como utilizada em Lucas 2:25.  

11 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (11/10)

“Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus (…)” (Lm 3:41) 
'O ato de oração nos ensina a nossa indignidade, o que é uma lição muito saudável para seres tão orgulhosos como nós. Se Deus nos concedesse favores sem nos compelir a orar por eles, nunca saberíamos quão pobres somos; no entanto, uma verdadeira oração é um inventário de carências, um catálogo de necessidades, uma revelação da pobreza oculta. Embora seja um apelo à riqueza divina, ela é uma confissão do vazio humano. O estado mais saudável de um cristão é estar sempre vazio em si mesmo e constantemente dependendo do Senhor para seu suprimento; estar sempre pobre em si mesmo e rico em Jesus; fraco como água pessoalmente, mas poderoso através de Deus para fazer grandes façanhas; daí o uso da oração, porque enquanto adora a Deus, coloca a criatura onde deveria estar: no absoluto pó. A oração é em si mesma, para além da resposta que ela traz, um grande benefício para o cristão. Assim como o corredor ganha força para a corrida pelo exercício diário, assim também, para a grande corrida da vida, adquirimos energia pelo santificado trabalho da oração. A oração empluma as asas das jovens águias de Deus, para que aprendam a subir acima das nuvens. A oração cinge os lombos dos guerreiros de Deus, e os envia para combater com seus tendões preparados e seus músculos firmes. Um pleiteante fervoroso sai de seu aposento assim como o sol nasce das câmaras do oriente, regozijando-se como um herói que corre o seu caminho (Sl 19:5). A oração é aquela mão erguida de Moisés que derrotava os amalequitas mais do que a espada de Josué (Ex 17:11); é a flecha lançada do aposento do profeta pressagiando a derrota dos sírios (2Rs 13:14-19). A oração cinge a fraqueza humana com força divina, transforma a loucura humana em sabedoria celestial, e dá aos mortais atribulados a paz de Deus. Não sabemos o que a oração não possa fazer. Nós Te agradecemos, grande Deus, pelo propiciatório, uma prova da Tua maravilhosa benignidade. Ajuda-nos a usá-la corretamente ao longo deste dia!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 11 de outubro] 

10 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (10/10)

“(…)  irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Jd 1:24) 
'Contemple em sua mente esta maravilhosa palavra: “Irrepreensíveis”! Estamos muito longe disso agora, mas como nosso Senhor nunca cessa antes da perfeição em Sua obra de amor, nós um dia a alcançaremos. O Salvador, que guardará o Seu povo até o fim, também os apresentará ao final, para Si mesmo, como uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:27). Todas as joias na coroa do Salvador são pedras preciosas de insuperável qualidade e sem uma única falha. Todas as damas de honra que assistem à esposa do Cordeiro são virgens puras, sem defeito ou mancha. Mas como Jesus nos tornará irrepreensíveis? Ele nos lavará dos nossos pecados em Seu próprio sangue até que sejamos alvos e formosos como o mais puro anjo de Deus; e seremos trajados em Sua justiça, aquela justiça que faz do santo que a veste absolutamente irrepreensível; sim, perfeitos aos olhos de Deus. Seremos imaculados e irrepreensíveis até mesmo aos Seus olhos. Sua lei não apenas não terá qualquer acusação contra nós, como também será magnificada em nós. Além disso, a obra do Espírito Santo dentro de nós estará totalmente completa. Ele nos fará tão perfeitamente santos que não teremos qualquer tendência para o pecado. Juízo, memória, vontade, todo poder e paixão será emancipado da escravidão do mal. Seremos santos, assim como Deus é santo, e em Sua presença habitaremos para sempre. Os santos não estarão fora de lugar no céu, pois a beleza deles será tão grande quanto a do lugar que lhes está preparado. Ó, o arrebatamento daquela hora em que as entradas eternas serão levantadas (Sl 24:7), e nós, sendo feitos idôneos para participar da herança, habitaremos com os santos na luz (Cl 1:12). O pecado foi embora, Satanás foi encerrado fora, a tentação não mais existe, e nós mesmos “irrepreensíveis” diante de Deus. Isso será de fato o céu! Que nos alegremos agora, enquanto ensaiamos o cântico de louvor eterno que em breve ressoará em coro das miríades lavadas pelo sangue; vamos imitar as exultações de Davi diante da arca (2Sm 6:14) como um prelúdio de nossos êxtases diante do trono.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 10 de outubro] 

09 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (09/10)

“Mas ele não lhe respondeu palavra (…)” (Mt 15:23) 
'Os genuínos buscadores que ainda não obtiveram a bênção podem encontrar consolo a partir da história diante de nós. O Salvador não concedeu a bênção de imediato, embora a mulher tivesse uma grande fé nEle. Jesus tinha a intenção de concedê-la, mas esperou algum tempo. “Ele não lhe respondeu palavra”. Acaso as orações daquela mulher não foram boas? Nunca houve melhores no mundo. Não era premente o seu caso? Pesarosamente urgente. Não sentia ela o bastante a respeito de sua necessidade? Ela a sentia de forma esmagadora. Não foi ela fervorosa o suficiente? Ela foi muito intensa. Não tinha ela fé? Tinha um tão elevado grau de fé que até Jesus Se maravilhou, e disse: “Ó mulher, grande é a tua fé” (Mt 15:28). Veja, então, que embora seja verdade que a fé traz paz, nem sempre ela a traz de modo instantâneo. Podem existir algumas razões que exijam a prova da fé, e não a recompensa da fé. A fé genuína pode estar na alma como uma semente escondida, mas ainda não ter brotado e florescido em alegria e paz. Um doloroso silêncio do Salvador é uma severa provação para muitas almas que buscam, porém ainda mais pesada é a aflição que surge de uma dura resposta como esta: “Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos” (Mt 15:26). Muitos que esperam no Senhor encontram imediato deleite, mas esse não é o caso de todos. Alguns, como o carcereiro, são retirados das trevas para a luz em um instante (At 16:27-34), mas outros são plantas de crescimento mais lento. Um sentimento mais profundo de pecado pode ser dado a você em vez de um sentimento de perdão, e nesse caso você precisará ter paciência para suportar o duro golpe. Ah, pobre coração, ainda que Cristo possa te bater e te ferir, ou até mesmo te cortar em pedaços, confie nEle; ainda que Jesus te dê uma palavra dura, acredite no amor do Seu coração. Não desista, eu te imploro, de buscar ou de confiar em meu Mestre, uma vez que ainda não obtiveste a alegria que anseias. Lança-te sobre Ele e confie com perseverança, até mesmo onde não possas regozijar-te com esperança.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 09 de outubro] 

08 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (08/10)

“(…) Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar” (Lc 5:4) 
'Aprendemos com essa narrativa a necessidade da agência humana. A pesca foi milagrosa, mas nem o pescador, nem o barco, nem o equipamento de pesca foram ignorados, antes todos foram utilizados para capturar os peixes. Assim, na salvação das almas, Deus opera por meios; e enquanto a atual dispensação da graça se mantiver, Deus Se agradará com a loucura da pregação para salvar os que creem (1Co 1:21) Quando Deus opera sem instrumentos, sem dúvida Ele é glorificado, porém Ele mesmo escolheu o plano da instrumentalidade como sendo aquele pelo qual Ele é mais engrandecido na Terra. Os meios em si são completamente inúteis. “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos” (Lc 5:5). Qual a razão disso? Não eram eles pescadores exercendo sua especial vocação? Certamente; eles não eram homens inexperientes; eles entendiam do trabalho. Foram eles à labuta de maneira desajeitada? Não. Faltou-lhes dedicação? Não, eles trabalharam exaustivamente. Faltou-lhes perseverança? Não, eles trabalharam a noite toda. Havia falta de peixes no mar? Certamente que não, pois assim que o Mestre chegou, os peixes nadaram para a rede em cardumes. Então, qual é a razão? Acaso não é porque não há poder nos meios em si mesmos fora da presença de Jesus? “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5), mas com Cristo podemos fazer todas as coisas. A presença de Cristo confere êxito. Jesus sentou-Se no barco de Pedro, e Sua vontade atraiu os peixes para a rede por uma influência misteriosa. Quando Jesus é levantado em Sua Igreja, Sua presença é o poder da Igreja – no meio dela está a aclamação de um rei (Nm 23:21). “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (Jo 12:32). Vamos sair esta manhã, em nosso trabalho de pescar almas, olhando para cima com fé, e à nossa volta com solene zelo. Vamos trabalhar duro até que a noite venha, e não trabalharemos em vão, pois Aquele que nos ordena a lançar as redes irá enchê-las de peixes.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 08 de outubro] 

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“(…) orando no Espírito Santo” (Jd 1:20) 
'Repare a grande característica da verdadeira oração: “No Espírito Santo”. A semente da devoção aceitável deve vir do armazém celestial. Apenas a oração que vem de Deus pode ir a Deus. Temos de atirar as flechas do Senhor de volta para Ele. Aquele desejo que o Senhor escreve em nosso coração moverá o Seu coração e trará uma bênção, mas os desejos da carne não têm poder com Ele. Orar no Espírito Santo é orar fervorosamente. Orações frias pedem ao Senhor para não serem ouvidas. Aquele que não pleiteia com fervor simplesmente não pleiteia. Assim como falar de fogo morno, assim é a oração morna; é essencial que ela seja quente. É orar com perseverança. O verdadeiro suplicante reúne forças à medida que avança, e torna-se mais fervoroso quando Deus demora a responder. Quanto mais tempo o portão estiver fechado, com mais veemência ele utiliza a *aldrava*, e quanto mais tempo o anjo se demorar, mais resolvido ele fica em não deixá-lo ir sem a bênção (Gn 32:26). Beleza aos olhos de Deus é a lacrimejante, agonizante e invencível importunação. Isso significa orar com humildade, pois o Espírito Santo nunca nos infla de orgulho. É Seu ofício convencer do pecado (Jo 16:8-9), e assim nos curvar em contrição e quebrantamento de espírito. Jamais cantaremos #gloria in excelsis# a não ser que oremos a #Deus de profundis#; das profundezas devemos clamar, ou jamais contemplaremos a glória nas alturas. É uma oração amorosa. A oração deve ser perfumada com amor, saturada de amor – amor aos nossos irmãos em Cristo, e amor a Cristo. Além disso, deve ser uma oração cheia de fé. Um homem prevalece apenas o quanto ele acredita. O Espírito Santo é o autor da fé, e Ele a fortalece para que oremos acreditando na promessa de Deus. Ó, que essa abençoada combinação de excelentes graças, inestimáveis e doces como as especiarias do mercador, sejam perfumadas dentro de nós, pois o Espírito Santo está em nossos corações. Bendito Consolador, exerce o Teu grande poder dentro de nós ajudando nossas fraquezas em oração.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 08 de outubro] 

*aldrava* (ou aldraba): "é uma peça metálica, geralmente de ferro ou bronze, fixada em portas para bater e anunciar visitantes, funcionando também como puxador." 
 
#Notas do Tradutor# (N.T.):
Gloria in excelsis é um hino cuja letra remete à exaltação dos anjos registrada em Lucas 2:14, “glória a Deus nas alturas”, quando do nascimento de Jesus Cristo. [link]
De profundis é um hino cuja letra começa com as palavras do primeiro verso do Salmo 130, “das profundezas a ti clamo, ó Senhor”. [link]

07 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (07/10)

“(…) Por que fizeste mal a teu servo (…) ?” (Nm 11:11) 
'Nosso Pai celestial nos envia frequentes problemas para experimentar nossa fé. Se ela vale alguma coisa, resistirá ao teste. O chapeado tem receio do fogo, mas o ouro não; o cristal teme ser tocado pelo diamante, mas a verdadeira joia não teme qualquer teste. É uma fé pobre aquela que pode confiar em Deus apenas quando os amigos são verdadeiros, o corpo está cheio de saúde, e os negócios são rentáveis; no entanto, é verdadeira fé aquela que mantém a fidelidade ao Senhor quando os amigos se vão, o corpo está doente, o espírito está deprimido, e a luz do semblante do nosso Pai está oculta. Uma fé que pode dizer, em meio ao mais terrível problema, “ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15), é a fé de origem celestial. O Senhor aflige Seus servos para glorificar a Si mesmo, pois Ele é grandemente glorificado nas graças de Seu povo, que são obras de Suas mãos. Quando a “tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4), o Senhor é honrado por essas crescentes virtudes. Nunca conheceríamos a música da harpa se as cordas não fossem tocadas; nem apreciaríamos o suco da uva se elas não fossem pisadas no lagar; nem descobriríamos o doce perfume da canela se ela não fosse apertada e batida; nem sentiríamos o calor do fogo se as brasas não fossem totalmente consumidas. A sabedoria e o poder do grande Artífice são descobertos pelas provações que Seus vasos de misericórdia são autorizados a atravessar. As aflições presentes também tendem a aumentar a alegria futura. Deve haver sombras em uma pintura para que seja realçada a beleza das luzes. Acaso poderíamos ser tão supremamente abençoados no céu se não tivéssemos conhecido a maldição do pecado e a tristeza terrena? A paz não será mais doce após o conflito, e o descansar mais bem-vindo depois da labuta? A recordação de sofrimentos passados não aumentará a felicidade do glorificado? Existem muitas outras respostas confortáveis para a questão com a qual abrimos nossa breve meditação. Vamos meditar sobre elas durante todo o dia.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 07 de outubro] 

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“(…) em quem, pois, agora confias (…) ?” (Is 36:5) 
'Leitor, essa é uma importante pergunta. Ouça a resposta do cristão, e veja se ela é a sua. “Em quem confias?”. “Eu confio”, diz o cristão, “em um Deus trino". Confio no Pai, acreditando que Ele me escolheu desde antes da fundação do mundo (Ef 1:4); confio nEle para prover para mim em providência, para me ensinar, para me guiar, para me corrigir se for necessário, e para me levar para Sua própria casa, onde há muitas moradas (Jo 14:2). Confio no Filho; o Deus verdadeiro do Deus verdadeiro é Ele – o homem Cristo Jesus (1Tm 2:5). Confio nEle para levar embora todos os meus pecados por Seu próprio sacrifício, e para me adornar com Sua perfeita justiça. Confio nEle para ser meu intercessor, para apresentar minhas orações e desejos diante do trono de Seu Pai, e confio nEle para ser meu Advogado no último grande dia (1Jo 2:1), para defender minha causa e me justificar. Confio nEle pelo que Ele é, pelo que Ele fez, e por aquilo que Ele prometeu ainda fazer. E eu confio no Espírito Santo. Ele começou a me salvar dos meus pecados inatos; confio nEle para expulsar todos eles; confio nEle para refrear meu temperamento, subjugar minha vontade, esclarecer meu entendimento, controlar minhas paixões, consolar meu desânimo, ajudar minha fraqueza, iluminar minha escuridão; confio nEle para habitar em mim como minha vida, para reinar em mim como meu rei, para me santificar integralmente – espírito, alma e corpo (1Ts 5:23) –, e então me levar para morar com os santos na luz (Cl 1:12) para sempre”. Ó, bendita confiança! Confiar nAquele cujo poder nunca se esgotará, cujo amor nunca diminuirá, cuja generosidade nunca mudará, cuja fidelidade jamais falhará, cuja sabedoria nunca será confundida, e cuja bondade perfeita nunca conhecerá redução! Feliz és tu, leitor, se essa confiança é tua! Assim confiando, gozarás de doce paz agora e glória no porvir, e a fundação da tua confiança nunca será removida.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 07 de outubro] 

04 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (04/10)

“(…) ao cair da tarde haverá luz” (Zc 14:7) 
'Muitas vezes ficamos ansiosos sobre o tempo da velhice, esquecendo que, ao cair da tarde, haverá luz. Para muitos santos, a ancianidade é a temporada mais escolhida em suas vidas. Uma suave brisa sopra a face do marinheiro conforme ele se aproxima da costa da imortalidade; menos ondas agitam seu mar; a calma impera tranquila, profunda e solene. Do altar da idade, os lampejos do fogo da juventude se foram, porém a chama mais verdadeira dos sentimentos mais fervorosos permanece. Os peregrinos chegaram à terra Beulá ("Desposada", em Is 62:4, versão ARA)***, aquele maravilhoso país, cujos dias são como os dias do céu sobre a Terra. Anjos a visitam, ventos celestes sopram sobre ela, flores do paraíso crescem por lá, e a atmosfera está preenchida com música seráfica. Alguns habitam aqui durante anos, enquanto outros lá chegam apenas algumas horas antes de partirem, mas é um Éden na Terra. Bem podemos ansiar pelo tempo em que nos reclinaremos em seus bosques grises, e ficaremos satisfeitos com a esperança até que chegue o tempo da fruição. O sol poente parece maior do que no alto do céu, e um esplendor de glória tinge todas as nuvens que rodeiam seu ocaso. A dor não interrompe a calma do doce crepúsculo da idade, pois a força aperfeiçoada na fraqueza (2Co 12:9) suporta com paciência sob tudo isso. Os frutos maduros da experiência são reunidos como um raro repasto do entardecer da vida, e a alma se prepara para o descanso. O povo do Senhor também desfrutará de luz na hora da morte. A incredulidade lamenta, as sombras caem, a noite está chegando, a existência está terminando. Ah, não, exclama a fé; a noite é passada, e o verdadeiro dia é chegado (Rm 13:12). A luz vem, a luz da imortalidade, a luz do semblante do Pai. Recolha os teus pés na cama (Gn 49:33), veja as fileiras de espíritos à espera! Anjos te levam embora. Adeus, amado, tu estás indo, tu acenas com a tua mão. Ah, agora é a luz. Os portões de pérola estão abertos, as ruas de ouro brilham na luz do jaspe (Ap 21:18). Nós cobrimos os nossos olhos, mas tu contemplas o invisível. Adeus, irmão; tu tens luz ao entardecer, como nós ainda não temos.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 04 de outubro] 

***Nota do Tradutor (N.T.): Segundo o The Complete Word Study Dictionary, Beulá significa “casar” ou “ter domínio”. 
 
### “Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada [Beulá]; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará.” (Isaías 62:4, versão ARA) ###
 
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“(…) se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1Jo 2:1) 
'“Se alguém pecar, temos um Advogado”. Sim, apesar de pecarmos, ainda O temos. João não diz: “Se alguém pecar, ele perderá seu defensor”, mas “temos um Advogado”, pecadores como somos. Todo pecado que um crente já cometeu, ou poderia estar autorizado a cometer, não pode extinguir seu interesse no Senhor Jesus Cristo como seu Advogado. O nome dado aqui ao nosso Senhor é sugestivo: “Jesus”. Ah, então Ele é um Advogado tal como precisamos, pois Jesus é o nome dAquele cujo ofício e deleite é salvar. “Chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1:21). O Seu mais doce nome implica Seu sucesso. E segue: é Jesus “Cristo”; Christos, o ungido. Isso mostra Sua autoridade para defender. Cristo tem o direito de pleitear, pois Ele é o próprio advogado designado pelo Pai, e o sacerdote eleito. Se Ele o fosse por nossa própria escolha, poderia falhar, mas se Deus fez recair o socorro sobre alguém que é poderoso, podemos ficar seguros em colocar nosso problema onde Deus colocou Sua ajuda. Ele é Cristo e, portanto, autorizado; Ele é Cristo e, portanto, qualificado, pois a unção O capacitou totalmente para o Seu ofício. Ele pode pleitear de modo a mover o coração de Deus e prevalecer. Que palavras de ternura, que afirmações persuasivas serão utilizadas pelo Ungido quando Ele Se levanta para pleitear por mim! Mais um título em Seu nome O qualifica: Jesus Cristo, “o justo”. Isso não é apenas Seu caráter, mas Seu apelo. É o Seu caráter, e se o Justo for meu advogado, então minha causa é boa, ou Ele não a defenderia. É o Seu apelo, pois Ele confronta a acusação de injustiça contra mim pela alegação de que Ele é justo. Ele Se declara meu substituto, e coloca Sua obediência em minha conta. Minha alma, tens um amigo bem preparado para ser teu advogado. Ele não pode deixar de ter êxito; coloque-se inteiramente em Suas mãos.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 04 de outubro] 

30 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (30/09)

“Cantai a glória do seu nome; dai glória ao seu louvor” (Sl 66:2) 
'Não é deixado a nossa própria escolha se louvaremos ou não a Deus. O louvor é a obrigação mais devida ao Senhor, e cada cristão, como destinatário de Sua graça, é compelido a louvar a Deus dia a dia. É verdade que não temos uma instrução impositiva para o louvor diário; não temos um mandamento prescrevendo determinadas horas de louvor e ações de graça; contudo, a lei escrita no coração nos ensina que é certo louvar a Deus, e o mandado não escrito vem a nós com tanta força como se tivesse sido gravado em tábuas de pedra, ou nos sido entregue do topo do trovejante Sinai. Sim, é dever do cristão louvar a Deus. Não é apenas um exercício prazeroso, mas uma absoluta obrigação de sua vida. Não pense você, que está sempre murmurando, que é inocente a esse respeito, nem imagine que você possa desobrigar-se com o seu Deus sem cânticos de louvor. Você está obrigado, pelos laços de Seu amor, a bendizer o Seu nome enquanto você viver, e Seu louvor deve estar continuamente em seus lábios. “A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão” (Is 43:21). Se você não louvar a Deus, você não estará produzindo o fruto que Ele, como divino Lavrador, tem o direito de esperar de suas mãos. Então, não deixe sua harpa pendurada sobre os salgueiros (Sl 137:2), mas traga-a para baixo e, com um coração agradecido, apresente seu mais elevado cântico. Levante-se e entoe Seu louvor. A cada amanhecer, alvore suas notas de ação de graça, e que cada poente seja acompanhado com seus cânticos. Cinja a Terra com seus louvores; envolva-a com uma atmosfera de melodia, e o próprio Deus ouvirá do céu e aceitará seu cântico. 
“Não importa o que aconteça, eu Te amo e amarei, e em Teu louvor cantarei, pois Tu és meu amoroso Deus, meu redentor Rei”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 30 de setembro] 

29 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (29/09)

“(…) achei aquele a quem ama a minha alma; agarrei-me a ele, e não o larguei (…)” (Ct 3:4) 
'Será que Jesus nos recebe, quando nos chegamos a Ele, apesar de toda nossa pecaminosidade anterior? Será que Ele não nos repreende por termos tentado primeiro todos os outros refúgios? Há porventura algo na Terra semelhante a Cristo? Não é Ele o melhor de todos os bons, o mais justo de todos os justos? Ó, então, vamos louvá-Lo! Filhas de Jerusalém, exaltem-nO com tamboril e harpa (Sl 149:3)! Abaixo com seus ídolos, e adiante com o Senhor Jesus. Que os estandartes da pompa e do orgulho sejam pisoteados, mas a cruz de Jesus, que o mundo reprova e escarnece, seja levantada bem alto. Ó, por um trono de marfim para o nosso rei Salomão! Seja Ele eternamente elevado, e minha alma esteja assentada no escabelo [pequeno banco para apoiar] de Seus pés, e beije-os e lave-os com minhas lágrimas. Ó, quão precioso é Cristo! Como pode ser que eu tenha pensado tão pouco nEle? Como posso peregrinar em busca de alegria ou conforto, quando Jesus é tão completo, tão rico, tão satisfatório? Companheiro crente, faça um pacto com teu coração para que você nunca se afaste de Cristo, e peça ao teu Senhor que o ratifique [confirme]. Peça a Ele para te colocar como um anel de selar em Seu dedo (Ag 2:23), como uma pulseira em Seu braço; para te cingir sobre Ele, como a noiva se adorna com enfeites, e como o noivo coloca suas joias. Eu viveria no coração de Cristo; nas fendas dessa Rocha, minha alma poderia habitar eternamente. O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhotes, até mesmo nos Teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu (Sl 84:3); e assim também eu faria o meu ninho, meu lar em Ti, e nunca, para longe de Ti, a alma da Tua pomba sairia novamente; antes, eu me aninharia próximo a Ti, ó Jesus, meu único e verdadeiro descanso. “Quando encontrar meu precioso Senhor, todas as minhas ardentes paixões irão reluzir; a Ele eu me ligo com cordas de amor, bem firme, não O deixarei ir”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 29 de setembro] 

27 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (27/09)

“Bem-aventurado tu, ó Israel! Quem é como tu? Um povo salvo pelo Senhor (…)” (Dt 33:29) 
'Aquele que afirma que o cristianismo torna os homens infelizes é, ele próprio, um absoluto estranho ao cristianismo. Seria realmente estranho, se ele nos fizesse infelizes, ver a que posição nos exalta. Ele nos torna filhos de Deus. Porventura você supõe que o Senhor dará toda a felicidade aos Seus inimigos, e reservará todo o luto para Sua própria família? Que Seus adversários terão contentamento e alegria, e os filhos nascidos em casa herdarão tristeza e miséria? Será que o pecador, que não tem parte em Cristo, chamará a si mesmo rico em felicidade, e nós seguiremos lamentando como se fôssemos pedintes sem um centavo? Não, sempre nos regozijaremos no Senhor (Fp 4:4), e nos gloriaremos em nossa herança, pois “não [recebemos] o espírito de escravidão, para outra vez [estarmos] em temor, mas [recebemos] o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15). A vara do castigo descansará sobre nós até a nossa medida, mas ela opera frutos pacíficos de justiça (Hb 12:11); por isso, com a ajuda do divino Consolador, nós, o “povo salvo pelo Senhor”, nos exultaremos no Deus da nossa salvação (Hc 3:18). Estamos casados com Cristo; será que o nosso grande Noivo permitirá que Sua esposa permaneça em constante sofrimento? Nossos corações estão unidos a Ele; somos Seus membros, e embora por algum tempo possamos sofrer como nosso Cabeça uma vez sofreu, mesmo agora, somos abençoados com bênçãos celestiais nEle (Ef 1:3). Temos o penhor da nossa herança nos confortos do Espírito (2Co 1:22, 5:5; Ef 1:14), que não são poucos nem pequenos. Como herdeiros da eterna alegria, temos prelibações [antegozo] da nossa porção. Há raios luminosos de alegria que proclamam nosso eterno alvorecer. Nossas riquezas estão além-mar; nossa cidade com sólidos fundamentos (Hb 11:10) fica do outro lado do rio; os brilhos da glória do mundo espiritual animam nossos corações e nos impulsionam a seguir adiante. Verdadeiramente se diz de nós: “Bem-aventurado tu, ó Israel! Quem é como tu? Um povo salvo pelo Senhor”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 27 de setembro] 

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“O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele” (Ct 5:4) 
'Bater à porta não foi suficiente, pois o meu coração estava repleto de sono, de frio e de ingratidão para levantar e abrir a porta, mas o toque de Sua graça eficaz fez com que minha alma se agitasse. Ó, a longanimidade do meu Amado, demorando-Se do lado de fora, e eu dormindo no leito da preguiça! Ó, a grandeza de Sua paciência, para bater e bater novamente, e acrescentar Sua voz às Suas batidas, rogando-me para Lhe abrir! Como pude tê-Lo recusado! Vil coração, envergonha-te e fique confundido! No entanto, que suprema bondade é esta, que Ele Se torne Seu próprio porteiro e destranque a porta Ele mesmo. Triplamente abençoada é a mão que condescende em levantar a trava e girar a chave. Agora vejo que nada senão o próprio poder do meu Senhor pode salvar uma massa tão perversa de maldade como eu; as ordenanças falham, e inclusive o evangelho não tem qualquer efeito sobre mim, até que Sua mão seja estendida. Agora, também, percebo que Sua mão é boa onde tudo mais é malsucedido; Ele pode abrir quando nada mais o fará. Abençoado seja o Seu nome; eu sinto Sua graciosa presença mesmo agora. Bem podem minhas entranhas estremecer quando penso em tudo o que Ele sofreu por mim, e sobre o meu acanhado retorno. Eu permiti que minhas afeições vagassem. Eu levantei rivais. Eu O entristeci. Mais doce e mais querido de todos os amados, eu Te tratei como uma esposa infiel trata seu marido. Ó, meus cruéis pecados, meu cruel egoísmo! O que posso fazer? Lágrimas são uma pobre demonstração do meu arrependimento, e todo o meu coração ferve de indignação comigo mesmo. Miserável que sou por tratar meu Senhor, meu tudo em tudo, minha grande alegria, como se Ele fosse um estranho. Jesus, Tu perdoas livremente, mas isso não é suficiente; impeça minha infidelidade futura; livra-me dessas lágrimas; então, purifique meu coração e amarre-o com cordas sétuplas a Ti mesmo, para eu nunca mais vagar.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 27 de setembro]