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27 junho 2026

EB21: “Carros e cavalos de fogo"

("Elijah's Ascension", Gustave Doré, 1865)

SOBRE ARREBATAMENTO:

Pergunta: Quantas pessoas foram “arrebatadas” nos relatos das Escrituras?
Resposta: Na Bíblia, duas pessoas foram arrebatadas aos céus sem passar pela morte física: Enoque (Gn 5:24) e o profeta Elias (2Rs 2:11). Além deles, o apóstolo Paulo relata (2Co 12:2) ter sido arrebatado espiritualmente ao "terceiro céu". Contudo, Paulo retornou deste "arrebatamento", enquanto Enoque e Elias não retornaram, mas permaneceram com o Senhor. É preciso lembrar que, em seu posterior martírio (2Tm 4:6-8), o apóstolo Paulo também foi se encontrar com o Senhor. 
- “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” (Gn 5:24)
- “Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.” (2Rs 2:11)
- “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)” (2Co 12:2)
 
Não podemos, ainda, nos esquecer de que o próprio Senhor Jesus Cristo também foi "elevado aos céus", não em um "arrebatamento", mas em uma "ascensão", Ele foi "elevado às alturas" de forma bem pública ("à vista deles"), conforme o relato de Atos 1:6-11:
"Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.

>>> Observação: é interessante notar como os "dois varões vestidos de branco" perguntaram aos "varões galileus" (testemunhas da ascensão de Cristo às alturas) porque eles ainda estavam "olhando para as alturas". De alguma forma, parece que há uma espécie de "chamado" para eles - e também para nós - não estagnarmos na vida cristã, apenas "olhando para as alturas". Parece ser um alerta para o fato de "estar próximo" o Dia do Senhor, onde o retorno de Jesus Cristo será tão público e visível como foi a Sua ascensão! Vários textos e parábolas nas Escrituras podem confirmar isso, como por exemplo: Mateus 24:38–44; Lucas 12:39–461Tessalonicenses 5:1–3; 2Pedro 3:10.
 
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SOBRE DISCIPULADO, COMPANHEIRISMO, AMIZADE E FIDELIDADE NO SERVIÇO A DEUS, SOMADOS À FÉ E À ORAÇÃO:

A vocação de Eliseu (1Rs 19:19-21)
< DISCIPULADO, SERVIÇO A DEUS >
“Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu [...] Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele [...] Então, [Eliseu] se dispôs, e seguiu a Elias, e o servia.

Eliseu é sucessor de Elias (2Rs 2:1-8)
< COMPANHEIRISMO, AMIZADE, FIDELIDADE >
“Quando estava o Senhor para tomar Elias ao céu por um redemoinho, Elias partiu de Gilgal em companhia de Eliseu. Disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel. Respondeu Eliseu: ‘Tão certo como vive o Senhor e vive a tua alma, não te deixarei’. E, assim, desceram a Betel [‘casa de Deus’]...”

Elias é elevado ao céu (2Rs 2:9-14)
< DISCIPULADO, FIDELIDADE >
{ Eliseu, o discípulo, presenciou o *arrebatamento do seu mestreElias com "carro e cavalos de fogo" }
*{ ver a ascensão de Jesus em At 1:6-11 }*
“Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: ‘Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti’. Disse Eliseu: ‘Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito’. Tornou-lhe Elias: ‘Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará’. Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho [ou tempestade]. O que vendo Eliseu, clamou: ‘Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!’ E nunca mais o viu; e, tomando as suas vestes, rasgou-as em duas partes. Então, levantou o manto que Elias lhe deixara cair e, voltando-se, pôs-se à borda do Jordão. Tomou o manto que Elias lhe deixara cair, feriu as águas e disse: 'Onde está o Senhor, Deus de Elias?' Quando feriu ele as águas, elas se dividiram para um e outro lado [ver Êx 14:21], e Eliseu passou.”

A ação de Eliseu na guerra contra os siros (2Rs 6:8-23)
< DISCIPULADO, FÉ, ORAÇÃO >
{ Eliseu (antigo discípulo de Elias), que agora precisa ser o mestre para o seu próprio discípulo, e cujos "olhos espirituais" já estavam abertos para os "carros e cavalos de fogo", *orou* para que o seu moço (seu discípulo, neste contexto) tivesse os "olhos espirituais" abertos pelo Senhor, **em momento de medo e aflição**, para que pudesse ver os "carros e cavalos de fogo" ao redor do seu mestre (Eliseu) }
*{ ver a oração sacerdotal de Jesus, intercecedendo por seus discípulos, em João 17 }*
**{ ver a declaração de Jesus, sobre a ajuda de "legiões de anjos", em Mt 26:52-53 }**
“[versos 15 a 17] Tendo-se levantado muito cedo o moço [servo ou discípulo] do homem de Deus [Eliseu] e saído, eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade; então, o seu moço lhe disse: ‘Ai! Meu senhor! Que faremos?’ Ele [Eliseu] respondeu: ‘Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles’. Orou Eliseu e disse: ‘Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja’. O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu [...]”

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CONCLUSÕES E APLICAÇÕES:

- Um dos nomes de Deus é "Senhor dos Exércitos": 
Segundo os dicionários bíblicos, no AT (hebraico) aparece o nome "Yehovah Tsaba (Tseva’oth)" [1Sm 1:3 por exemplo], enquanto no NT (grego) aparece o nome "Kurios Sabaoth" [Rm 9:29 por exemplo].

- O Senhor Jesus, como a Segunda Pessoa da Trindade, também é o "Senhor dos Exércitos":
O Senhor Jesus declara em Mt 26:52-53 que pode "rogar ao Pai" por "legiões de anjos". Em outras palavras, poderíamos considerar que o Senhor tem à sua disposição "hostes celestiais" ("exércitos de anjos"), providas com seus "carros e cavalos de fogo". Contudo, estes "exércitos" do "Senhor dos Exércitos" são vislumbrados apenas através da abertura dos nossos "olhos espirituais", ou seja, com os "olhos da fé". O autor aos Hebreus declara que "a fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hb 11:1).

- Elias e Eliseu são "tipos" de Cristo [ver tipologia bíblica]
O nosso SenhorMestre (Rabi, ver Jo 1:38), em seu perfeito ofício como nosso grande Sumo Sacerdote (Hb 4:14-16), intercede por nós continuamente (ver a "oração sacerdotal de Jesus" em João 17). O apóstolo Paulo também nos ensina que o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, "intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis" (Rm 8:26). 

Que grande bênção e refrigério é para os crentes, servos ("moços") do nosso Mestre e Senhor, saber que em nossos momentos de medo, aflição e angústia, Ele intercede por nós continuamente, fazendo com que nossos "olhos da fé" sejam abertos, e Ele também nos assiste em nossas "batalhas espirituais" com a Sua autoridade, como "Senhor dos Exércitos".

"Graças a Deus pelo seu dom inefável!"

Louvado seja o grandioso e misericordioso nome do nosso Mestre, Redentor e Senhor, Jesus Cristo!
A Ele, apenas, seja toda a glória e a honra, para todo o sempre!
Amém!

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Mapas (em inglês):
 
Locais relacionados à Elias (Elijah) e Eliseu (Elisha)
  
 
De Berseba até o Monte Sinai 
(Horebe, "monte de Deus", 1Rs 19:8
  
("Monte Sinai" no Google Maps
 

07 outubro 2025

Cristão tranquilex (v.a.)

Será que o nosso testemunho de vida cristã, como discípulos do Senhor Jesus Cristo, tem sido comprometido e engajado, ou tem sido tranquilex?
Um cristão tranquilex é tipicamente aquele que leva uma vida cristã sem muito engajamento com as coisas do Reino de Deus, demonstrando um testemunho pouco relevante, ou mesmo, um inexistente testemunho público de fé. Além disso, parece frequente o cristão tranquilex também ter a tendência de concordar com a postura prafrentex, e gostar das ideias do liberalismo teológico e do pós-modernismo, que não crê em verdades nem em valores absolutos.
Segundo as Escrituras, o testemunho de um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo não é tranquilex neste mundo, pois foi o próprio Senhor quem disse: “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27). No evangelho segundo João, também estão registradas algumas declarações do Senhor para seus discípulos, a respeito desta mesma verdade, como por exemplo: 
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.” (João 15:18-19)
Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33)
O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, também nos ensina: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5:3-4). E ele podia falar, com muita propriedade, sobre tribulação (2 Coríntios 11:23-33).
Ninguém, em sã consciência, faz opção pelo sofrimento ou pela tribulação. A opção que fazemos é por seguir a Jesus Cristo, procurando dar um testemunho vivo durante a jornada de peregrinação cristã, sendo “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5:13-14).
Samuel Rutherford, certa vez, escreveu em uma de suas cartas: 'Tome a Cristo, todavia, uma tempestade poderá segui-Lo' (Carta 264). Em outra carta, ele também declarou: 'Nossos sofrimentos são lavados no sangue de Cristo, bem como nossas almas, pois os méritos de Cristo trouxeram uma bênção às cruzes [tribulações] dos filhos de Deus' (Carta 265).
Apesar das tribulações e dificuldades enfrentadas pelos cristãos comprometidos e engajados, ainda nesta vida, com o Reino de Deus, na revelação recebida por João, registrada no livro de Apocalipse, podemos encontrar a verdade gloriosa e alvissareira do porvir, que precisa estar incrustada na mente e no coração de todo cristão convicto: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:4). Esta verdade deve ecoar no fundo da alma dos verdadeiros discípulos de Cristo, principalmente durante a jornada de peregrinação cristã neste mundo febril e hostil para o crente. 
Rogamos a Ti, Senhor, que nos conceda coragem para testemunhar o teu Evangelho, força para encarar os desafios, e bom ânimo para perseverar seguindo para o alvo (Filipenses 3:14). 
Deus compassivo, graças Te damos por tua entranhável misericordia, incompreensível paciência, e abundante graça (Salmos 86:15).
Glória somente a Ti! Amém.
 
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[versão atualizada (v.a.) do texto original, publicado em 17/04/2013]

18 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/09)

Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” (Gl 5:25
'As duas coisas mais importantes em nossa sagrada religião são a vida de fé e o caminhar pela fé. Aquele que entender corretamente isso não estará longe de ser um mestre em teologia experimental, pois são pontos vitais para um cristão. Você nunca encontrará a verdadeira fé desacompanhada da verdadeira piedade; por outro lado, você nunca descobrirá uma vida verdadeiramente santa que não tenha como raiz uma fé viva na justiça de Cristo. Ai daqueles que buscam uma sem a outra! Há alguns que cultivam a fé e esquecem da santidade; eles podem ser muito elevados em ortodoxia, mas estarão em profunda condenação, pois detêm a verdade em injustiça (Rm 1:18); e há outros que se esforçam pela santidade de vida, mas têm negado a fé, como os fariseus de outrora, dos quais o Mestre disse que eram “sepulcros caiados” (Mt 23:27). Devemos ter fé, pois ela é o fundamento; devemos ter santidade de vida, pois essa é a estrutura. No dia da tempestade, de que serve para o homem a mera fundação de uma obra? Poderá esconder-se lá? Ele deseja uma casa para protegê-lo, assim como uma fundação para essa casa. Do mesmo modo, precisamos da estrutura da vida espiritual se quisermos ter conforto no dia da dúvida. No entanto, não procure uma vida santificada sem fé; isso seria erguer uma casa que não pode oferecer um abrigo permanente, pois não tem fundamento na rocha. Que a fé e a vida sejam postas juntas, e, como os dois pilares de um arco, elas farão nossa piedade duradoura. Semelhante à luz e ao calor que emanam do mesmo sol, elas são igualmente cheias de bênção; como as duas colunas do templo, elas são para glória e beleza (1Rs 7:21; 2Cr 3:17). São dois ribeiros da fonte da graça, duas lâmpadas acesas com fogo sagrado, duas oliveiras regadas pelo cuidado celestial. Ó Senhor, dá-nos vida interior no dia de hoje, e ela se revelará exteriormente para Tua glória.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 18 de setembro

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“(…) e elas me seguem” (Jo 10:27
'Devemos seguir nosso Senhor sem hesitação, tal como as ovelhas seguem o seu pastor, pois Ele tem o direito de nos guiar para onde Lhe agradar. Nós não somos de nós mesmos; fomos comprados por um preço (1Co 6:20; 7:23); reconheçamos os direitos do sangue redentor. O soldado segue o seu capitão; o servo obedece ao seu mestre; muito mais nós devemos seguir o nosso Redentor, a quem somos uma possessão adquirida (Ef 1:14). Não seremos fiéis a nossa profissão de sermos cristãos se questionarmos a ordem do nosso Líder e Comandante. A submissão é o nosso dever, contestar é a nossa loucura. Muitas vezes nosso Senhor pode nos dizer, tal como disse a Pedro: “Que te importa a ti? Segue-me tu” (Jo 21:22). Para onde quer que Jesus possa nos guiar, Ele vai adiante de nós. Se não sabemos para onde vamos, sabemos com quem vamos. Com um Companheiro assim, quem temerá os perigos da estrada? A jornada pode ser longa, mas Seus braços eternos nos levarão até o fim. A presença de Jesus é a certeza da salvação eterna; porque Ele vive, nós também viveremos (Jo 14:19). Devemos seguir a Cristo com simplicidade e fé, pois todos os caminhos em que Ele nos conduz terminam em glória e imortalidade. É verdade que podem não ser caminhos suaves; eles podem estar cobertos com duras e afiadas provações, mas todos eles levam à “cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11:10). “Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” (Sl 25:10). Coloquemos plena confiança em nosso Líder, pois sabemos que, vindo a prosperidade ou a adversidade, a doença ou a saúde, a popularidade ou o desprezo, Seu propósito será cumprido, e esse propósito será puro, bondade não misturada para cada herdeiro da misericórdia. Encontraremos ser doce subir o lado sombrio da colina na companhia de Cristo; e quando a chuva e a neve golpearem nossos rostos, o Seu querido amor nos fará muito mais abençoados do que aqueles que se sentam em casa e aquecem as mãos no fogo do mundo. Para o topo de Amana, para os covis dos leões, ou para os montes dos leopardos (Ct 4:8), seguiremos nosso Amado. Precioso Jesus, leva-nos, e correremos após Ti (Ct 1:4).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 18 de setembro

07 maio 2025

"Boa palavra ao cansado" (Is 50:4)

"O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos." (Is 50:4)

*Para as palavras destacadas no texto acima, os dicionários bíblicos trazem os seguintes significados:
eruditos: (#H3928) discípulo, ensinado, instruído.
cansado: (#H3287) fatigado, exausto, fraco, desgastado, exaurido, desfalecido.
desperta: (#H5782) agitar, despertar, acordar, incitar.

**João Calvino tem o seguinte comentário (traduzido) sobre este texto (Is 50:4):
'Deu-me a língua dos eruditos. Ele [Servo do Senhor] diz que o Senhor lhe deu uma "língua", para que as promessas com as quais ele anima o povo tenham maior peso. Nossa fé vacila, se suspeitamos que um homem [proclamando o Evangelho] fala por si mesmo; e a condição daquele povo era tão miserável que nenhum argumento humano poderia induzi-lo a alimentar a esperança de libertação. Isso se resume a que a mensagem da salvação iminente lhes é trazida do céu; e se alguém não a recebe, prova ser rebelde e desobediente. Embora essas palavras sejam literalmente intencionadas pelo Profeta [Isaías] para assegurar a crença em suas declarações, podemos inferir delas, de modo geral, que ninguém é apto para ensinar, se não tiver sido primeiro qualificado por Deus. Isso lembra a todos os professores piedosos que peçam ao Espírito de Deus o que de outra forma não poderiam possuir. Eles devem, de fato, estudar diligentemente, para não subir ao púlpito até que estejam totalmente preparados; mas devem se apegar a este princípio: todas as coisas necessárias para o desempenho de seu ofício são dons do Espírito Santo. E, de fato, se não fossem órgãos do Espírito Santo, seria extrema temeridade manifestar-se publicamente em nome de Deus.
Para que eu saiba dizer uma palavra oportuna aos cansados. Algum verbo deve ser acrescentado aqui, como "administrar" ou "proferir". A palavra "conhecer" inclui sabedoria e habilidade, que um pastor deve possuir, para que a Palavra de Deus seja fiel e proveitosamente administrada por ele; como se ele tivesse dito que foi bem instruído na escola de Deus e, portanto, sabe bem o que é adequado para aqueles que são miseráveis ​​e que gemem sob um fardo. O termo "cansado" é aplicado àqueles que são oprimidos por muitas aflições; como vimos anteriormente, "que dá força ao cansado" (Is 40:29). Assim também Cristo fala: "Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e sobrecarregados" (Mt 11:28). Ele [Servo do Senhor], portanto, quer dizer que Deus tem sido seu mestre e instrutor, para que ele possa confortar os homens miseráveis ​​com a consolação apropriada, para que, por meio dela, seus corações abatidos sejam encorajados ao sentir a misericórdia de Deus.
Daí inferimos que o dever mais importante dos ministros da Palavra é confortar os homens miseráveis, oprimidos pelas aflições, ou que se curvam sob seu peso, e, em suma, apontar o que é o verdadeiro descanso e serenidade de espírito, como vimos anteriormente (Is 33:20). Da mesma forma, somos ensinados o que cada um de nós deve buscar principalmente nas Escrituras, a saber, que possamos ser providos de doutrina apropriada e adequada para aliviar nossas aflições. Aquele que, por meio de consolação oportuna, em situações aflitivas ou mesmo desesperadoras, consegue animar e sustentar seu coração, deve saber que obteve boa proficiência no Evangelho. Reconheço que a doutrina tem, de fato, vários usos; Pois não só é útil para confortar os aflitos e fracos, mas também contém severas repreensões e ameaças contra os obstinados (2Tm 3:16) Mas Isaías mostra que o principal dever que lhe incumbe é trazer algum consolo aos judeus que, na angústia presente, estão prestes a desfalecer.'

***Matthew Henry também tem um comentário (traduzido) sobre este texto (Is 50:4):
'Nosso Senhor Jesus, tendo provado ser capaz de salvar, mostra-se aqui tão disposto quanto capaz de salvar. Supomos que o profeta Isaías diga algo sobre si mesmo nestes versículos, engajando-se e encorajando-se a prosseguir em sua obra como profeta, apesar das muitas dificuldades que enfrentou, sem duvidar que Deus o apoiaria e o fortaleceria; mas, como Davi, ele fala de si mesmo como um tipo de Cristo, que é aqui profetizado e prometido como o Salvador.
I. Como um pregador aceitável. Isaías, como profeta, era qualificado para a obra para a qual foi chamado, assim como o restante dos profetas de Deus, e outros a quem ele empregou como seus mensageiros; mas Cristo foi ungido com o Espírito, acima de seus semelhantes. Para tornar o homem de Deus perfeito, ele tem: 1. A língua dos eruditos, para saber instruir, como dizer uma palavra, a seu tempo, ao que está cansado, v. 4. Deus, que criou a boca do homem, deu a Moisés a língua dos eruditos, para falar para o terror e a convicção de Faraó, Êx 4:11-12. Ele deu a Cristo a língua dos eruditos, para falar uma palavra a seu tempo, para o conforto daqueles que estão cansados ​​e sobrecarregados sob o fardo do pecado, Mt 11:28. A graça foi derramada em seus lábios, e deles se diz que gotejam mirra de aroma agradável. Veja qual é o melhor aprendizado de um ministro: saber confortar consciências atribuladas e falar de forma pertinente, adequada e clara aos vários casos de pobres almas. A capacidade de fazer isso é um dom de Deus, e é um dos melhores dons, que devemos cobiçar fervorosamente. Descansemos nas muitas palavras consoladoras que Cristo disse aos cansados. 2. O ouvido dos eruditos, para receber instrução. Os profetas têm tanta necessidade disso quanto da língua dos eruditos; pois devem transmitir o que lhes é ensinado e nada mais; devem ouvir a palavra da boca de Deus com diligência e atenção, para que a pronunciem com exatidão, Ez 3:17. O próprio Cristo recebeu para poder dar. Ninguém deve empreender ser mestre, sem antes ter aprendido. Os apóstolos de Cristo foram primeiramente discípulos, escribas instruídos para o reino dos céus, Mt 13:52. Não basta ouvir, mas devemos ouvir como os eruditos, ouvir e compreender, ouvir e lembrar, ouvir como aqueles que aprenderiam pelo que ouvimos. Aqueles que ouviriam como os eruditos devem estar despertos e vigilantes; pois somos naturalmente sonolentos e adormecidos, e incapazes de ouvir de forma alguma, ou ouvimos pela metade, ouvimos e não prestamos atenção. Nossos ouvidos precisam ser despertados; Precisamos que algo nos seja dito para nos despertar, para nos despertar de nosso sono espiritual, para que possamos ouvir sobre nossas vidas. Precisamos ser despertados manhã após manhã, tão adequadamente quanto o dia retorna, para sermos despertados para fazer o trabalho do dia a dia. Nossa situação exige suprimentos contínuos e renovados da graça divina, para nos libertar da monotonia que contraímos diariamente. A manhã, quando nossos espíritos estão mais animados, é um momento apropriado para a comunhão com Deus; então estamos na melhor posição tanto para falar com Ele (minha voz ouvirás pela manhã) quanto para ouvi-Lo. O povo vinha cedo pela manhã para ouvir Cristo no templo (Lc 21:38), pois, ao que parece, seus sermões eram matinais. E é Deus quem nos desperta manhã após manhã. Se fazemos algo com propósito em Seu serviço, é Ele quem, como nosso Mestre, nos chama; e dormiríamos perpetuamente se Ele não nos despertasse manhã após manhã.'

****Outros comentaristas (Bíblia FSB) também trazem comentários (traduzidos) neste texto (Is 50:4):
'A língua de um pupilo (discípulo). O Servo [do Senhor] afirma ser discípulo do próprio Deus, e atribui a Deus o mérito de Sua fala erudita. O papel de um discípulo era aprender com seu mestre, e transmitir com precisão as tradições aprendidas com ele. O Servo aprende com Deus — como Israel deveria ter aprendido — e é capaz de transmitir a palavra de Deus (novamente, como Israel deveria ter aprendido).
O Servo diz que recebeu a "língua dos discípulos". O termo hebraico para eruditos [#H3928, proveniente de #H3925], que significa “aqueles que são ensinados”, também é traduzido como “discípulos” em Is 8:16. O uso mais comum desta palavra no Antigo Testamento descreve alguém que é instruído a manter o relacionamento divino-humano (Dt 4:10), e alguém que sabe viver de uma maneira que agrade a Deus (ver Is 1:17).
As alusões ao Êxodo podem continuar aqui, com uma conexão com o chamado de Moisés, que afirma ser “pesado de língua”. Javé (Yahweh) repreende Moisés, e o lembra de que pode torná-lo eloquente (Êx 4:10-12). As conexões com o Êxodo ligam a imagem messiânica das passagens sobre o Servo com a expectativa de um "profeta semelhante a Moisés" em Dt 18:15.
Os Evangelhos apresentam Jesus como um mestre erudito e eloquente, mencionando frequentemente como as multidões se maravilhavam com Seus ensinamentos (Mt 7:28-29; Mc 6:2), e se maravilhavam com o poder singular de Suas palavras (Jo 7:46).
Ajude o cansado com uma palavra. O poder da palavra do Servo [do Senhor] é comparável à renovação prometida àqueles que esperaram em Javé (Yahweh) em Is 40:31. O Servo cumpre perfeitamente o papel que Deus designou a Israel, e é aquele por quem eles esperavam para inaugurar a Sua salvação.'

25 novembro 2012

"O discípulo radical"

Trecho encontrado no final da conclusão do livro "O discípulo radical", escrito por John Stott:

"O fundamental em todo discipulado é a decisão de não somente tratar Jesus com títulos honrosos, mas seguir seu ensino e obedecer aos seus mandamentos."

Como este é o último livro escrito por John Stott, discípulo de Jesus Cristo, também merece destaque um trecho encontrado, depois da conclusão, no pós-escrito:

"... Nossos livros favoritos se tornam preciosos para nós e até desenvolvemos com eles um relacionamento quase intenso e afetuoso. Não é estranho o fato de manusearmos, riscarmos e até cheirarmos os livros como símbolo da nossa estima e afeição? Não me refiro apenas ao sentimento de um autor pelo que escreveu, mas também a todos os leitores e suas bibliotecas. Determinei que não citaria um livro a menos que o tenha manuseado anteriormente. Assim, deixe-me encorajá-lo a continuar lendo e a incentivar seus parentes e amigos a fazer o mesmo. Pois esse é um meio de graça muito negligenciado."