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05 setembro 2026

Livro: "The Cry of the Soul" (sobre a amizade)

*** Dan B. Allender & Tremper Longman III ***

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Tradução de outro trecho do cap. 15  — "O Poder Redentivo da Vergonha Divina" — que mostra como Deus pode fazer uso de uma amizade como ferramenta para a redenção, por Sua graça e misericórdia.
<<< Jesus, sobre amizade, em João 15:12-17 >>>

'[...] O ódio é como um valentão {"bully"} enorme e musculoso, que se recusa a deixar qualquer pessoa se aproximar da alma ferida e ensanguentada. Esse valentão é cruel, ofensivo e antagônico. Ele força os outros a fugir ou a lutar {"fight or flight"}. Qualquer uma dessas reações serve para justificar ainda mais ódio. É um mecanismo de defesa perverso, que se recusa a clamar por um defensor {advogado} que traga redenção.
O único caminho para romper essa defesa feroz é uma bondade que não ataca o valentão, nem o teme. Em vez disso, ela oferece ao valentão o que ele realmente deseja: perdão e reconciliação. É assim que a gratidão suaviza o ódio de si mesmo {autoinfligido}, gerado por causa da vergonha.
***[sobre a amizade dos autores do livro]*** Há quase três décadas, Tremper ofereceu a um valentão um vislumbre de redenção. Tremper e eu nos conhecemos numa aula de música, na oitava série. Eu {Dan} era um valentão [...] Durante a aula de música, Tremper tocou no meu ombro para perguntar se podia pegar um pente emprestado. Eu era um garoto agressivo. Agarrei-o pela camisa e o arranquei da carteira.
A reação de Tremper foi rir. Nunca, em minha jovem vida, eu {Dan} havia vivenciado algo tão desconcertante. Eu era um jogador de futebol americano grande e agressivo, com má fama, que usava a intimidação para esconder um profundo ódio de mim mesmo, e um pavor absoluto de me relacionar com os outros. Mas Tremper riu — uma risada sincera, gentil e livre de desprezo. Aquilo me desarmou instantaneamente. Para mim, a partir daquele momento, éramos melhores amigos. Nossa amizade tornou-se o meio pelo qual Deus me encurralou tempo suficiente para que eu ouvisse e respondesse ao evangelho.
A gratidão nasce em um coração maravilhado pela busca incansável daquele que nos ama, a despeito de inúmeras razões para atacar, ou se afastar com repugnância. Como disse Paulo, é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (Romanos 2:4). A gratidão surge no instante em que a graça é recebida; é um louvor de agradecimento repleto de assombro e ironia. Como alguém poderia me escolher quando meu coração é tão feio e endurecido? Não faz sentido. Isso desafia minhas expectativas e, ao mesmo tempo, desperta as fibras mais profundas do desejo.
A vergonha não tem poder em um coração cheio de gratidão. O ódio não tem chance em um coração que canta com desejo inocente, tristeza humilde, esperança firme e louvor grato à bondade de Deus...'

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Tradução da seção final de "Agradecimentos" dos autores do livro:

*Dan Allender:
'“O teste de toda felicidade é a gratidão”, disse G. K. Chesterton. Feliz é o homem que, unido a bons amigos, dedica-se a uma tarefa que expõe o que há de pior em nós, e extrai o melhor que fomos feitos para oferecer. Ele será grato mesmo em meio a ataques, solidão e angústia.
Sou um homem assim. Tenho o privilégio de contar com amigos como Al Andrews, Liam Atchinson, Larry Crabb, Don Hudson, Kim Hutchins, Tom Varney e Ken Wilson, que me incentivam a vislumbrar aquilo que, até agora, só raramente vejo à distância.
Escrevo sempre ao som de música. Quero agradecer àqueles que proporcionaram a textura e a atmosfera para toda a minha escrita. Obrigado, Ashley Cleveland; obrigado, Michael Card, Bruce Cockburn, Loreena McKennitt, Maire Brennan, Clannad, Spin Doctors e Peter Himmelman, por cantarem hinos que despertam a alma.
Sou grato à minha amiga Susan Rike, minha assistente pessoal, que assumou o peso de supervisionar meu ministério, e cuidar da minha alma, com visão e gentileza.
Este projeto correu o risco de ser interrompido logo no início. Sem o cuidado sábio, apaixonado e gentil de Kathy Yanni, nossa editora, ele {o livro} teria perecido prematuramente no esquecimento. Não poderia ter havido cuidado melhor, e minha mais profunda gratidão vai a Deus por nos permitir trabalhar com Kathy.
Se você é um leitor atento e curioso, talvez se pergunte como se escreve um livro em coautoria. Optamos por dividir os capítulos e, em seguida, passar o texto um ao outro para reescrita; depois, o material retornava para ser reescrito novamente, e mais uma vez, até que estivéssemos satisfeitos de que cada capítulo refletia nossas convicções individuais.
O processo é trabalhoso, mas gera a confiança de que as opiniões expressas refletem nossa autoria conjunta. Isso exige uma excelente relação de trabalho — profunda confiança e disposição para dialogar, debater e refletir. Este livro reflete interações que atravessaram vinte e nove anos. Não há palavras capazes de expressar minha gratidão a Tremper por me amar fielmente e com tanta amabilidade ao longo de dias de turbulência e perda, e de períodos de pecado e fracasso. Uma amizade contínua e cada vez mais profunda, que já dura quase três décadas, é um tesouro que só perde em valor para minha esposa e minha família.
Meus agradecimentos mais profundos são reservados àqueles que carregam o fardo mais pesado de todo o processo: minha família. Anna, você é uma jovem maravilhosa e linda. Você não imagina o quanto eu amo profundamente o seu coração. Amanda, você é uma menina de nove anos misteriosa e de bom coração. Sua doçura me comove às lágrimas. Andrew, você é um menino cativante, carinhoso e cheio de energia. Tenho muito orgulho de ser seu pai.
E, finalmente, amor da minha vida, Rebecca: ninguém atrai meu coração para a paixão do céu, ninguém consegue tocar meu coração ou me dar um vislumbre da glória como você. Sua vida é uma dádiva superada apenas pela promessa de uma eternidade ao seu lado. Sou grato por você se empenhar fielmente em conhecer a Deus e oferecer os frutos da sua jornada à sua família.'

*Tremper Longman III:
'Quando Dan e eu começamos este livro, ingenuamente pensamos que seria um projeto fácil e gerenciável. Nós mal sabíamos que Deus tinha outros planos.
Propusemo-nos a escrever sobre emoções sombrias, e Deus permitiu que nossas vidas servissem de campo de prova para as convicções que estávamos desenvolvendo. Sentimos Deus nos arar, abrir sulcos em nós e produzir frutos que esperamos que nutram aqueles dispostos a crescer conosco. Foi um processo intenso e difícil.
Em 1º de outubro de 1993, nosso grande amigo Ray Dillard faleceu, aos quarenta e nove anos. Ray viveu uma vida de serviço e paixão como poucos. Nós dois conhecemos Ray quando éramos recém-chegados ao Seminário Teológico de Westminster, em 1974. Ele era apenas nove anos mais velho que nós, mas possuía uma maturidade e uma sabedoria que superavam sua idade cronológica. Como nosso professor, ele exerceu uma influência enorme na vida de ambos.
Ele me incentivou a cursar a pós-graduação em Antigo Testamento e, posteriormente, contratou-me como seu colega. Ray, Dan e eu vivenciamos aquela rara transição da relação de respeito entre professor e aluno para uma amizade íntima.
Apesar dessa e de outras dificuldades, o projeto continuou sendo empolgante. Minha amizade com Dan ao longo dos anos tem sido um privilégio raro, uma verdadeira prova da graça de Deus. Embora ele more em Denver e eu na Filadélfia, graças à "magia" do e-mail, trocávamos mensagens sobre o projeto e compartilhávamos as alegrias e frustrações de nossos corações três ou quatro vezes ao dia. Era como voltar a dividir o quarto na faculdade, mas, como disse Dan, "sem as meias sujas". Sua sabedoria bíblica e sua percepção da condição humana às vezes me deixam impressionado. Sua paixão por Deus me tira da proteção do ambiente puramente acadêmico.
Assim como Dan, também quero agradecer a Kathy Yanni, nossa editora. Ela não apenas sabe elaborar um manuscrito com esmero, mas também sabe conversar e jogar beisebol — uma combinação incrível.
No entanto, Dan tem razão: aqueles que merecem nossa maior gratidão e amor são nossas famílias. Tenho três meninos cheios de energia, de quem não poderia me orgulhar mais. Os três são jovens inteligentes, atletas incríveis e, de vez em quando, realizam alguma tarefa doméstica sem que precisemos pedir. Tremper IV tem agora dezesseis anos, Timmy tem quatorze e Andrew tem dez. Minha esposa, Alice, é o maior presente que Deus me deu. Ela é linda, tanto na aparência quanto na personalidade. Ela acredita em mim e apoia o meu trabalho; mais do que isso, ela vive com uma profundidade de amor que eu anseio em imitar. A melhor decisão que já tomei foi casar-me com ela quando tínhamos apenas vinte anos — garantindo, assim, ainda mais tempo para desfrutarmos juntos.'

15 abril 2026

A redenção dos lábios pela "brasa na tenaz" (Is 6:6)


Nesta vida causticante e febril aqui na terra, em um dia típico de tribulação, inquietação e batalha espiritual aguda e intensa - com lutas tanto internas (na alma) quanto externas (no mundo) - a murmuração frequentemente pode estar presente em nosso coração e rondando nossos pensamentos. Esta falta de satisfação, no Senhor, ou ingratidão na forma de murmuração, costuma, até mesmo, extravasar pelos nossos lábios impuros, na forma de queixumes injustos, em desabafos impróprios, como por exemplo estes logo abaixo, e certamente alguns outros ainda mais pecaminosos e vergonhosos, que só Deus conheceu no nosso íntimo:
Ah, como seria mais fácil "se conformar"...
Ah, como seria mais suave "se adaptar"...
Ah, como seria mais tranquilo "se ajustar"...
Ah, como seria menos cansativo "não se opor"...
 
O apóstolo Paulo amorosamente nos exorta a, como crentes, não nos conformarmos com este século (mundo), mas sermos, pela graça, transformados na renovação da nossa mente: 
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:1-2)

Pela maravilhosa graça, e entranhável misericórdia do Senhor, ao "corarmos de vergonha" (Dn 9:7-8) depois do pecado cometido no coração, pensamentos e lábios, a realidade celestial  - e não a terrena - nos leva ao arrependimento e contrição do coração, mudando a nossa perspectiva, enquanto contemplamos o sofrimento vicário (substitutivo) do Servo Sofredor, e os nossos desabafos impróprios, nos queixumes injustos que saem dos nossos lábios, agora são redimidos pelo precioso e inestimável sangue do Cordeiro, derramado em nosso favor, e para a Sua própria glória excelsa:
 
"[...] não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53:2b-5) 
 
E então, desta forma, passamos imediatamente a reconhecer, pela fé, que o nosso Salvador necessário e eficaz, Senhor da redenção e da restauração, é o nosso Substituto voluntário e perfeito. Assim, num ato de louvor, apresentando nossos lábios (como parte do nosso corpo) "por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus", que é o nosso "culto racional" (Rm 12:1-2), estes mesmos lábios, agora redimidos pela "brasa na tenaz" (Is 6:1-7), passam a declarar a glória da perfeita e eficaz obra redentiva e substitutiva do Senhor Jesus Cristo, da seguinte forma:
Oh, como seria mais difícil "nascer numa manjedoura"...
Oh, como seria mais desafiador "ser tentado pelo próprio Diabo no deserto"...
Oh, como seria mais solitário "ser rejeitado pelo próprio povo"...
Oh, como seria mais aviltante "ser odiado até a morte"...
Oh, como seria mais agonizante "suar sangue diante do cálice da ira de Deus Pai"...
Oh, como seria mais doloroso "ser açoitado, humilhado, cuspido, esbofeteado e zombado"... 
Oh, como seria mais vergonhoso "ser perdurado em um madeiro para morrer uma morte maldita"... 

Ao Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor e Substituto perfeito, seja a glória para sempre!
 

10 novembro 2025

A "não-resposta", e a resposta "não"

Se engana muito, o caro e pusilânime irmão 
Que atrás de uma "não-resposta", se esconde
Quando se omite de uma clara comunicação
E prefere não arriscar que ningúem o sonde

A ironia que a "não-resposta" mostra frequentemente 
Escondendo-se atrás do silêncio que é apenas aparente
Revela-se na declaração que nela está bem presente
Através do miserável testemunho: "sou indiferente"

O que, de fato, a "não-resposta" normalmente sonega
É uma manifestação de amor verdadeiro e fraterno
Pois o que a "não-resposta" sempre carrega
É o "não se importar" com o que é eterno!

Depois destas palavras ditas, será possível até ouvir
Que estes versos são "produto da amargura do coração"
Mas é bom advertir, os que assim difamam no proferir
Que estes versos parecem ser mais "produto da razão"

Caro irmão, clame por graça, para ter ousadia e compaixão
De falar, com amor, ao peregrino companheiro de jornada
Que a resposta para o pleito dele é um desconfortável "não"
Expondo-lhe, com sinceridade, os motivos da decisão tomada

Desta forma, o testemunho de amor fraterno é mantido
E concede glória para Aquele que é sofredor eficaz
Afinal, foi Ele mesmo quem escutou um alto bramido
Da mutitão, que gritava bem alto, "solta Barrabás!"

Enfim, agora, carecemos destes versos terminar
Só existe uma maneira: exaltando o bendito Senhor
Desejando, em oração, que a maravilhosa graça basilar
Possa alcançar cada coração redimido por nosso Benfeitor!

Soli Deo Gloria


R.I.P. amizade


R.I.P. é uma sigla, em inglês, para "Rest In Peace", que significa "Descanse Em Paz", e por isso é muito usada em sepulturas ou jazigos, como uma homenagem póstuma da família ao ente querido que faleceu e foi enterrado.
Algumas amizades, aqui neste mundo, infelizmente também podem, por assim dizer, findar ou morrer. Não estamos falando da morte de um amigo, mas da morte da própria amizade, e a causa mortis mais comum para uma amizade pode ser a inanição ou anemia severa, ou seja, uma amizade que não foi nutrida ao longo do tempo, e acabou sucumbindo.
Que fique claro que não estamos nos referindo à morte de uma amizade superficial, que não era verdadeira, ou ao término de uma amizade por algum conflito causado por traição, ou competição, ou qualquer outro motivo mesquinho ou escuso. O que estamos descrevendo aqui é o findar de uma amizade mais antiga ou mais recente, porém sincera, verdadeira, profícua e profunda, que se transformou, num piscar de olhos, em um "cadáver", sem vida, e por isso há sempre um elemento de surpresa, pelo menos por parte de um dos amigos, que é normalmente surpreendido por esta mudança abrupta, sem um justo motivo, pelo menos aparente. É importante lembrar aqui que, devido ao nosso coração corrupto e enganoso (Jr 17:9), há sempre o potencial deste amigo que foi surpreendido também ter contribuido para a morte desta amizade.
Esta analogia do "cadáver" com o findar de uma amizade pode parecer incomum, e talvez até repugnante, mas só poderá compreender melhor, quem que já passou pela amarga experiência de perder, de forma abrupta, a amizade com um amigo por quem tinha um significativo apreço e consideração, não porque ele "findou seus dias" na terra, mas simplesmente porque a amizade com este amigo "findou seus dias" e morreu, de forma inesperada e incompreensível.
No livro "Os quatro amores", C.S. Lewis faz uma declaração extraordinária sobre como "amar é ser vulnerável": “Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer, e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal {de estimação}. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife {caixão} de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele {seu coração} vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. [...] O único lugar, além do céu, onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor, é o inferno.”
Sobre a necessidade por amizades, como uma característica verdadeiramente humana, John Stott declarou (no livro "The Message of 2 Timothy"): “Às vezes encontramos pessoas superespirituais que afirmam nunca se sentir sozinhas e não precisar de amigos, pois a companhia de Cristo satisfaz todas as suas necessidades. Mas a amizade humana é a provisão amorosa de Deus para a humanidade [...] Por mais maravilhosa que seja a presença do Senhor Jesus todos os dias, e a perspectiva de sua vinda no último dia, ela {a presença de Jesus} não tem a intenção de substituir as amizades humanas [...] Quando nosso espírito está solitário, precisamos de amigos [...] Admitir isso não é antiespiritual; é humano.”
No caso da perda da amizade com um amigo cristão, nestas circunstâncias descritas acima, a questão é ainda mais importante, pois é impossível não pensar que você vai reencontrar com este amigo na glória dos céus, e logo em seguida, imaginar que a primeira pergunta que você faria para ele seria: "Meu amigo, o que aconteceu?"
É claro que esta é uma perspectiva terrena sobre este assunto, pois o mais provável é que, na presença celestial do "Bondoso Amigo" (Hinário Novo Cântico, 159), esta amizade perdida na terra tenha sido redimida nos céus, e a pergunta que você faria para este amigo nem sequer faça mais sentido, pois ambos estarão na presença do Fiel, Justo, Eterno, Imutável, Gracioso e Bondoso Amigo, Jesus Cristo!
Ah, como ansiamos por isso! Maranata! Vem Senhor Jesus!

30 outubro 2025

mundo nsi

O mundo nsi é a realidade mais comum de se ver
É uma coisa que afeta, via de regra, todo ser
Com exceção de apenas Um, que viveu entre nós
E foi pendurado numa cruz, ao propagar a sua voz

Sigla interessante, nsi, para ser fixada numa porta
Porque o que significa claramente é: "não se importa"
Talvez nãoseimporta pudesse ser escrita tudo junto
Para ficar mais claro ainda do que se trata este assunto

Quem sabe, até como verbo, a palavra pudesse ser conjugada 
Só para demostrar sua abrangência amplamente encontrada
"Tu nãoseimporta, ele nãoseimporta", conjugada no singular
"Vós nãoseimportais, eles nãoseimportam", só para exemplificar

Como se chamaria, portanto, a pessoa que pratica esta ação
Que fique claro, é um neologismo, para não haver confusão
Talvez, um "nãoseimportano" - do "nãoseimporta", um praticante - 
Quem sabe, um "nãoseimportista" - que ainda é mais preocupante -

Alguém perguntaria, "nãoseimportar é mesmo uma ação?"
"Ou seria melhor descrito como negligência e isenção?"
Contudo, a resposta certeira viria de forma abrupta
"nãoseimportar é o não-amar, da forma mais corrupta"

Quem do nãoseimporta é simpatizante assíduo e eficaz
Precisa reavaliar os desígnios do seu coração contumaz
Se a pessoa for crente, é ainda mais indigno e humilhante
Principalmente se for, do nãoseimporta, um antigo praticante

"O amor ao próximo, quem o poderia exercitar neste mundo?"
Alguém desonesto, poderia se questionar, bem lá no fundo
Pois é de notório conhecimento de todos, e publicamente visto
Que, neste mundo, já habitou o amável messias Jesus Cristo

O que mais está faltando, para concluir estes versos?
Além de reafirmar a malignidade atroz dos perversos
E também reconhecer, muitas vezes, que o perverso pode ser eu
Quando se comporta, na prática, agindo como se fosse um ateu

Sem uma oração breve, este texto não poderia sequer ficar
Porque estas palavras produzem, no coração, um confrontar
Senhor bendito, ajuda-nos a compreender o Teu sublime amor
No nascimento, sacrifício e ressurreição do nosso fiel Redentor

Pois, receba agora, Senhor, toda a honra, a glória e o louvor!
Por qualquer gesto ou palavra, de qualquer miserável pecador
Transformado, pela graça de um Deus que decidiu se importar
Esvaziando-se de Si mesmo, em Sua misericórdia, para nos salvar

Soli Deo Gloria

23 março 2022

Beleza Redimida

"Isso me faz pensar que, embora tenhamos dado bastante atenção ao ensino da Verdade e da Bondade dentro de nossas escolas clássicas, fizemos isso comprometendo o ensino da Beleza... Preocupo-me com a possibilidade de nossos esforços educacionais estarem, na verdade, sendo minados por um relativismo, sorrateiro, que se faz cada vez mais presente. A Verdade, a Bondade e a Beleza não estão separadas - elas dependem umas das outras e uma conduz à outra. E se a Beleza for desprovida de sua natureza transcendente e realocada para somente dentro dos processos psicológicos particulares, logo a Verdade e a Bondade farão o mesmo."

"A era clássica e cristã acreditava que o mundo estava repleto de significado e propósito divinos, os valores cósmicos da Verdade, da Bondade e da Beleza. O objetivo da educação era alinhar as afeições, os desejos e amores do aluno com aqueles valores cósmicos, de modo que ele viesse a amar aquilo que é verdadeiramente amável, desejar aquilo que é verdadeiramente desejável e, portanto, a experimentar o florescimento de sua humanidade."

"Logo, a primeira coisa que precisamos entender é esta: a Beleza é uma física; é uma força gravitacional que atrai ao Verdadeiro e ao Bom. A segunda é que a Beleza fascina em direção ao Verdadeiro e ao Bom, despertando no íntimo um amor que se esvazia do eu e busca servir ao objeto das afeições, e não controlá-lo e dominá-lo."

"A arte e a música - como pontes para essa comunhão - nos antecipam e nos preparam para, na ocasião da volta de Cristo, a transfiguração do cosmo, proporcionando-nos, já no presente, um antegosto desta transfiguração. Quando seus alunos entenderem isso, fique alerta! Você não conseguirá conter o entusiasmo deles: seu amor pela boa arte e pela boa música irromperá!"

(Trechos do livro "Beleza Redimida: cultivando uma estética elevada na educação", de Steve Turley)