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17 julho 2026

Aprendizado piedoso 251

Trechos do livro "Perdido no meio: a crise da meia-idade e a graça de Deus", de Paul David Tripp:

Capítulo 3: 'A morte da invencibilidade'  
'[...] As estrelas das novelas, séries e filmes permanecem jovens porque elas são jovens, ou porque em breve serão substituídas por estrelas mais jovens. Mas nós não permanecemos jovens! Nós ganhamos peso, perdemos cabelo, ficamos com rugas, enfraquecemos, ficamos doentes, quebramos o braço e sangramos o nariz. Nós envelhecemos, sofremos e morremos; ainda que vivamos com um mundo de irrealidade última à nossa volta. É desconfortável para nós o sermos normais e ficamos desapontados com o fato de que o ideal nunca esteve nem estará dentro de nosso alcance. [...]'
'[...] As dificuldades do envelhecimento físico que, de forma tão frequente, caracterizam a meia-idade são o fruto de uma luta maior pelo coração. Haverá um dia em que essas lutas serão finalmente encerradas e Deus será o dono do nosso coração, sem rivais, por toda a eternidade. Mas, por enquanto, essas lutas ainda continuam. Assim, Deus, na grandeza do seu amor redentivo, fará o que for necessário para clamar posse de nosso coração errante. Esses momentos dolorosos não são o resultado de sua infidelidade e falta de atenção; eles são, em vez disso, o produto de Sua graça amorosa. Ele nos ama com um amor eterno e ciumento ["O SENHOR é Deus zeloso (significado: ciumento) e vingador" Naum 1:2a]. Ele não derramou o sangue de seu Filho por nós somente para nos perder para as coisas físicas da criação. Deus luta por nós com toda a força de sua mão redentiva. Ele está disposto a nos fazer desconfortáveis e tristes. Ele quer nos trazer para si por meio de sofrimento e lamentos. Ele quer nos chacoalhar e abalar. Ele está disposto a espremer os nossos sonhos e fazer sair o ar de nossas esperanças. Ele está disposto a deixar que aquilo pelo que ansiamos escape como areia por entre os nossos dedos. E ele faz tudo isso porque somos preciosos para ele. Somos a menina dos seus olhos. Ele não nos compartilhará com outros. Ele não nos permitirá viver no delírio de que encontramos em outro lugar aquilo que podemos encontrar somente nele. Assim, nossas lutas com o envelhecimento físico são lutas entre a idolatria e a graça. Aquele que ama nossas almas está usando a ocasião da meia-idade e a realidade do envelhecimento para expor e nos livrar de nossos ídolos, que moram secretamente em nós e nos governam. Rejeite a autocomiseração, a inveja e o desencorajamento que são tão tentadores nessa época [na crise da meia-idade]. Olhe para o céu e seja grato. Você está sendo resgatado. Celebre o único que nova e novamente te livra daquilo que, deixado sozinho, você seria incapaz de escapar. Não lamente a morte de sua esperança nas coisas físicas. Celebre essa morte, pois ela dá as boas-vindas a uma nova vida renovada e vigorosa de amor, serviço e comunhão com o nosso Redentor. Diga a si mesmo junto com Paulo, “Sim, por fora eu estou me deteriorando, mas eu tenho uma esperança real e uma alegria verdadeira, porque interiormente eu estou sendo renovado a cada dia. O que a minha vida realmente diz respeito não poderá nunca ser enfraquecido pela idade nem destruído pelo passar dos anos!”.'

Capítulo 4: 'As folhas caem das árvores' 
'[...] A meia-idade é um tempo de colheita. As folhas estão fora das árvores e não há como colocá-las novamente. O mundo não dá voltas para trás em seu eixo. Relógios não voltam. Se a infância é a primavera da vida, e a juventude o verão, então, a meia-idade é um tempo de colheita, a meia-idade é o outono. É um tempo em que cada um de nós, em sentidos muito importantes, colhemos aquilo que semeamos. Por muito tempo da vida adulta você vive pensando em como tudo vai se desenvolver. Você está planejando, regando e tirando as ervas daninhas. Está olhando para frente. Você vislumbra a colheita, mas está nublado e com névoa. Assim, você se mantém trabalhando e recusa abrir mão da esperança. De repente, você se encontra olhando para trás na maior parte do tempo. É desorientador e desconfortável, a priori. Quando você gasta a vida plantando, parece estranho e antinatural colher, mas você não teve escolha. Você está em seu próprio outono pessoal. Olhar para trás é maravilhoso e perigoso, delicioso e triste. Pode encher de alegria ou marejar os olhos de lágrimas. Você pode flutuar de alegria ou afundar de remorso. A mistura desses extremos torna a coisa difícil. É particularmente difícil que o fruto da gratidão não seja coberto pelas folhas do remorso. Eu gostaria de poder olhar para trás e ser somente grato, mas não consigo. [...]'

10 agosto 2025

Livro: "Perdido no meio" (Paul D. Tripp)

Trechos do prefácio do livro "Perdido no meio: a crise da meia-idade e a graça de Deus", de Paul David Tripp:

'Eu não acredito que as pessoas envelheçam. Eu acho que o que acontece cedo na vida é que, em uma certa idade, as pessoas param e ficam estagnadas.'
— T.S. Eliot
 
'Ainda não há cura para o aniversário.'
— John Glenn

'Eu gosto de estar ocupado. Não gosto de analisar tudo, pois isso atrapalha o fazer. Para mim, um dia de atividade frenética empilha sobre o outro, dia após dia, até que os dias tenham se tornado em semanas, as semanas em meses e os meses em anos. Eu tento gastar a maior parte da minha vida olhando para a frente, vivendo na expectativa de algo. Recentemente, no entanto, em um momento poderoso, a vida trovejou sobre mim com um poder para o qual eu não estava preparado. Não foi um momento dramático. Ninguém na sala nem percebeu. Foi no Natal, uma época do ano que eu amo. Nós havíamos decorado a casa, embrulhado muitos presentes, e preparado mais comida do que qualquer família pudesse comer (embora tenhamos tentado). Nós tínhamos acabado de terminar a nossa festa deliciosa do dia de Natal e estávamos assentados em volta da mesa batendo papo, entremeando conversas, quando, sem razão, eu fiquei quieto e olhei ao redor da mesa. Para a minha surpresa eu vi dois homens sentados à minha frente, discutindo suas carreiras, um no mercado de ações e o outro em design. Meu pensamento imediato foi, de onde vieram esses homens? Que direito eles pensam que têm de invadir a nossa celebração familiar de Natal? Enquanto eu continuava ouvindo, entendi que esses homens não eram intrusos; eles eram os meus filhos! Homens, não meninos! Porque é que eles não estavam discutindo sobre skate ou brigando para decidir quem lavaria seu prato primeiro? Não parecia possível que eles pudessem ser meus filhos. Eu não sou tão velho! Não se passaram anos o suficiente. Há coisas que eu gostaria de ter feito com eles. Essa coisa toda não é possível, disse a mim mesmo. Eu estava sozinho em minha cabeça e ninguém à minha volta fazia ideia que, de repente, meus olhos tinham sido abertos. As coisas nunca mais seriam as mesmas. Agora, eu tenho de olhar para cima para falar com meu filho menor que está na faculdade. O antigo ninho proverbial está, de fato, vazio. Eu não sou mais um jovem casado recentemente, não sou mais um pastor jovem, não mais o pai de quatro crianças, nem mesmo de um monte de adolescentes. Eu não estou prestes a celebrar meu décimo aniversário de casamento nem de comprar a minha primeira casa. Eu não estou diante da ansiedade e temor de um novo ministério. Eu não estou embarcando nas primeiras grandes férias familiares. Eu não estou no meio dos meus estudos para um grau avançado. A maioria das primeiras coisas da minha família já ficou para trás de mim. Todos os nossos filhos já falaram as suas primeiras palavras, deram os seus primeiros passos, tiveram o seu primeiro dia de escola, tiveram a sua primeira aula de música e sobreviveram ao primeiro romance. Já houveram muitos boletins, incontáveis reuniões de pais e mestres, eventos atléticos, acampamentos e formaturas. Houve mais excursões, finais de semana fora de casa e férias do que eu consigo me lembrar. Houve incontáveis momentos de disciplina, correção e instrução. Compramos montanhas de roupas, caminhões de comida e papel suficiente para reflorestar a Amazônia! Luella [Luella Jackson, esposa de Paul Tripp] e eu conversamos e oramos, discutimos e choramos. Saímos para um número incontável de restaurantes só para ficarmos juntos. Saímos para diversas viagens de final de semana para tomar fôlego e renovar o nosso amor. Deixamos para trás um estacionamento cheio de veículos usados, um depósito de roupas que não servem mais, montes de cacos de copos, pratos e decorações quebradas – artefatos de uma civilização familiar que passou. Ainda assim, tudo isso passou diante de mim com uma velocidade de cegar, e passou bastante despercebido – até aquele dia de Natal divisor de águas. Foi um momento de profunda conscientização pessoal. Eu finalmente vi: eu não sou mais um jovem! Eu tenho um pedaço enorme da minha vida atrás de mim. Eu tenho mais vida atrás de mim do que para frente. [...] No dia seguinte, as coisas estavam diferentes. Quando eu saí da cama estava mais consciente das dores do que antes. O rosto que eu barbeei parecia mais velho e eu tinha mais cabelos grisalhos do que havia percebido anteriormente. Eu me encontrei, nos momentos quietos, pensando a respeito do passado mais do que nunca antes. Meus olhos foram abertos e eu não podia mais fechá-los. É difícil se conscientizar de sua própria história até que você esteja vivendo o meio dela. Mas Deus não nos deixou para vagar pelos corredores dos nossos próprios dramas. Ele nos deu uma história maior, a história da redenção que preenche as páginas da Escritura. Essa grande história nos habilita não somente a fazer sentido das realidades interna e externa de nossas histórias pessoais, mas, mais importante, a conhecê-lo de maneiras novas e gloriosas. [...] Você não precisa ficar perdido no meio de sua própria história. Você não precisa ficar paralisado pelo remorso, derrotado pela idade e desencorajado por ver seus sonhos ficarem para trás. Você não precisa tornar em um problema ainda maior a situação que já está experimentando. Esse momento da vida, que pode parecer o final de muitas coisas, pode, na verdade, dar as boas-vindas a você para uma forma nova de vida. Como frequentemente é o caso em sua caminhada com o Senhor, esse momento de dor também é um momento de graça [...]'