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27 maio 2026

Aprendizado piedoso 241

Ansiedade, comparação e a paz que excede todo o entendimento
(Augustus Nicodemus) 

A ansiedade contemporânea é alimentada por muitos canais ao mesmo tempo. Há medo do futuro, alta de preços, instabilidade no trabalho, insegurança política, pressão por desempenho, cobrança estética, excesso de informação e comparação constante. O celular, que deveria ser ferramenta, muitas vezes se torna uma janela permanente para aquilo que não temos, não somos e não conseguimos controlar. A pessoa abre o Instagram para descansar e sai mais cansada. Vê alguém viajando, alguém comprando, alguém casando, alguém prosperando, alguém exibindo uma rotina perfeita, e de repente sua própria vida parece pequena, atrasada e insuficiente.

Nas redes sociais, a comparação raramente é honesta. Comparamos nossos bastidores com o palco dos outros. Comparamos nosso mês difícil com a foto editada da conquista alheia. Comparamos nossa segunda-feira comum com o recorte extraordinário de alguém. Uma influenciadora mostra a reforma da casa; não mostra todas as dívidas, contratos ou tensões. Um profissional posta a promoção; não mostra os anos de frustração. Um casal publica uma declaração emocionante; não mostra as conversas difíceis. O resultado é uma ansiedade fabricada por fragmentos.

A resposta bíblica para a ansiedade não é uma técnica de bem-estar, embora bons hábitos possam ajudar. A resposta final é uma pessoa: o Deus vivo, que governa, sustenta e cuida dos seus. A paz que excede todo entendimento não é anestesia emocional, nem negação da realidade. Ela excede o entendimento justamente porque pode guardar o coração em meio a circunstâncias que ainda não mudaram. O cristão pode continuar sem todas as respostas e, ainda assim, descansar naquele que tem todas as coisas em suas mãos.

Contentamento não é resignação preguiçosa. Não é cruzar os braços diante da dificuldade, nem fingir que a dor não existe. Contentamento é confiança ativa em Deus. É trabalhar com diligência sem fazer do trabalho um deus. É planejar sem achar que o futuro depende absolutamente de nós. É desejar coisas legítimas sem transformar desejos em ídolos. É aprender a dizer: “Senhor, dá-me o que preciso, tira de mim o que me destrói e ensina-me a viver fielmente no lugar onde me colocaste.”

Um exemplo real das redes é a obsessão por rotinas produtivas. Vídeos mostram pessoas acordando às cinco da manhã, treinando, lendo, trabalhando, estudando, cuidando da pele, preparando refeições perfeitas e ainda sorrindo. Para alguns, isso inspira disciplina. Para muitos, produz culpa. A vida cristã não despreza disciplina, mas rejeita a escravidão da performance. Deus não nos ama porque nossa rotina é eficiente. Ele não nos aceita porque somos produtivos. Somos recebidos por causa de Cristo, e é dessa segurança que brota uma vida obediente.

A ansiedade nos diz que tudo depende de nós. A comparação nos diz que todos estão melhor do que nós. O evangelho nos lembra que pertencemos a Deus. Há uma diferença profunda entre responsabilidade e controle. Somos responsáveis por obedecer, trabalhar, administrar, pedir perdão, buscar sabedoria e servir. Mas não controlamos o futuro, o coração dos outros, a economia, o corpo, a morte ou os acontecimentos do mundo. A paz cristã começa quando entregamos a Deus aquilo que nunca esteve realmente em nossas mãos. O coração ansioso precisa ouvir, repetidas vezes, que o Senhor está perto. Não perto apenas em teoria, mas perto no vale, na conta apertada, na noite mal dormida, no diagnóstico, na incerteza e no silêncio.

14 março 2026

"Corando de Vergonha": quanto ruído! (redes sociais)


Transcrição e tradução do texto dos vídeos:
(comentários entre parênteses)

"Quanto ruído!"
Jason Daniel
‘Não fomos feitos para tanto ruído (nas redes sociais). Não fomos feitos para tantas opções, tantas comparações, ou para tantas “janelas” apontando para vidas que não são as nossas. É hora de encarar tudo isso? Eu acordo, e antes mesmo de meus pés tocarem o chão, já fui avaliado (nas redes sociais). Há alguém mais rico, alguém mais em forma, alguém mais feliz, alguém que “viralizou” mais do que eu. E, de repente, minha manhã “tranquila e comum” fica para trás, e parece menos significativa. Mas eis a falha em tudo isso: somos “corações analógicos”, vivendo em um “placar digital”. Frequentemente, confundimos visibilidade com valor, engajamento com conexão, velocidade com progresso. Nós deslizamos a tela (reels), em 12 segundos ou menos, passando por imagens de sofrimentos alheios (de outrem). Nós rotulamos nossa dor, otimizamos nossas personalidades, encenamos (fingimos) a cura, ao invés de praticá-la. E a parte mais estranha em tudo isso: nunca estivemos tão conectados (internet). No entanto, a solidão parece “industrial”, porque atenção não é intimidade. Métricas não têm significado. Em relação aos “algoritmos”, eles não retribuem o amor. A luta humana, na era digital, não é sobreviver à tecnologia. É lembrar que você não é um “conteúdo”. Que você não é um “feed”. Que você não é um “produto”. Que você não é um número subindo ou descendo. Seu sistema nervoso está tentando se sentir seguro, em um mundo que nunca para de “atualizar”, que nunca para de “recarregar” (“reload”), que nunca permite que você seja você mesmo. Talvez, a “rebelião” (revolucionária) dos nossos dias não seja sobre fazer postagens mais chamativas (polêmicas). Talvez, seja sobre se desconectar (do mundo digital), apenas o suficiente para ouvir seus próprios pensamentos, sem uma platéia por perto. Porque a coisa mais “radical” agora é ser um humano sem “performance” (nas redes sociais).’

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"O delta é o abismo entre o saber e o fazer"
Jason Daniel
‘Há sempre um abismo entre quem você é, e quem você aparenta ser... entre o que você sente, e o que você admite... entre quem você era, e quem você diz ter se tornado. Esse abismo, esse espaço silencioso, é o delta (termo usado por Jason Daniel). A maioria das pessoas passa a vida construindo pontes sobre este abismo. Os corajosos aprendem a permanecer nele.’

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***Observação importante: apesar de não saber exatamente qual é a visão de mundo (cosmovisão) deste escritor (Jason Daniel), a percepção aprofundada dele sobre as redes sociais (mundo digital) parece lúcida, objetiva e, até mesmo, alinhada com princípios cristãos, pelo menos em alguns aspectos. Portanto, é bom relembrar que cada leitor cristão que se deparar com estes textos precisa usar o filtro bíblico para "reter o que é bom":
"julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal" 

Somente a Deus, toda a glória, por tudo, sempre!

23 abril 2019

Christ influencer (Influenciador para Cristo)

Outro dia me deparei com o termo "digital influencer", que é mais um dos anglicismos (termo ou expressão da língua inglesa introduzido a outra língua, devido à necessidade de designar objetos ou fenômenos novos) usados na nossa língua portuguesa, e quer dizer "influenciador digital".
Li em um artigo (https://blog.hotmart.com/pt-br/como-se-tornar-um-digital-influencer) da internet que a definição de "influenciador digital" é "a pessoa capaz de influenciar o comportamento e opinião de milhares de pessoas por meio do conteúdo que publica em seus canais de comunicação, como Facebook, Instagram, Twitter e YouTube".
O termo é tão popular que é provável que você já o tenha encontrado na descrição de algum perfil de usuário de rede social na internet.
O artigo que li citava vários exemplos de celebridades na internet, inclusive apontando que o centro Universitário Brasileiro (Unibra), de Recife, abriu recentemente o curso de “digital influencer” e começou as aulas da primeira turma em janeiro de 2018.
No artigo, de 24/08/2017, a autora aponta inclusive vantagens e desvantagens de se tornar um "digital influencer". As vantagens seriam mobilidade, liberdade editorial, acesso a experiências e agenda flexível, enquanto as desvantagens seriam passar menos tempo com a família, falta de privacidade, haters ("aqueles usuários cuja maior distração é entrar em perfis de pessoas conhecidas para fazer comentários maldosos") e calotes de empresas. 
A autora entra, inclusive, na questão dos ganhos financeiros do "digital influencer". Ela diz que o campeão de rendimentos é o Youtube. Talvez os valores tenham mudado nestes 2 últimos anos, por causa da mudança de políticas deste canal, mas ela cita que grandes "digital influencers" chegam a receber entre R$ 50 mil e R$ 150 mil por campanha. Também tem ganhos anunciados para outras redes e mídias sociais. Parece muito atrativo, não é mesmo?
Devemos lembrar também que estamos na era dos "coaches" ("treinadores"), e já se fala muito em "spiritual coaching" ("treinamento espiritual"). Essa idéia dos "coaches" não está muito distante dos "digital influencers", afinal de contas, não é mesmo?

Comecei, então, a pensar biblicamente nesse assunto e me vieram a cabeça alguns textos da escritura, principalmente nas cartas paulinas:

"16Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores." (1 Coríntios 4:16)

"31Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 32Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, 33assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos." (1 Coríntios 10:31-33)
"1Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." (1 Coríntios 11:1)

"17Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. 18Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. 19O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. 20Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." (Filipenses 3:17-21)

Paulo exorta aos coríntios e aos filipenses a serem imitadores dele, mas apenas no sentido de que ele apontava para Cristo, seu Mestre.
"1Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." (1 Coríntios 11:1)

E sobre os lucros atrativos potenciais do "digital influencer"? O apóstolo Paulo também traz iluminação sobre este tema, no próprio capítulo 3 da carta aos filipenses:

"7Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. 8Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo (*no grego original, significa "esterco"), para ganhar a Cristo 9e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 10para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 11para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos." (Filipenses 3:7-11)

Ainda, outro texto maravilhoso, muito conhecido do apóstolo Paulo, também na epístola aos filipenses, que fala sobre "lucro":
"Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro." (Filipenses 1:21)

Lembrando também das palavra do Senhor Jesus Cristo aos discípulos no evangelho segundo Mateus:
"de graça recebestes, de graça dai" (Mateus 10:8b)

O Senhor também nos deu a chamada grande comissão, um mandamento de fazer discípulos em todas as nações. 
E a internet pode ser uma ferramenta extremamente poderosa para isso, se for corretamente usada para a glória de Deus. Ver outro post sobre assunto correlato no seguinte link: http://astse.blogspot.com/2019/03/muitas-vozes.html

"19Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." (Mateus 28:19-20)

Neste sentido, meus irmãos, vamos procurar desejar ser "Christ influencer" ("Influenciadores para Cristo"), em qualquer lugar que estivermos, não somente na internet. 
Se for no meio acadêmico ou universitário, por exemplo, a apologética (defesa da fé cristã) é um desafio ainda maior para os cristãos. Neste caso, devemos também lembrar as palavras do apóstolo Pedro:
"15antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder (*no grego original, apologia) a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, 16fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo" (1 Pedro 3:15-16)
Prestem atenção como começa o versículo 15: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração". Começa com "consagração" de vida ao Senhor. Antes de "partir para cima", cheio de conhecimento de livros na mente, precisa "santificar a Cristo, como Senhor, no coração".

Me perdoem pela extensão do texto. Ficou maior do que eu imaginei inicialmente. Contudo, rogo ao Senhor que todos leiam, e que eu mesmo releia, para o benefício de nossas almas. 

Eu os saúdo com a Paz de Deus, que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7).
Soli Deo Gloria!

Prof. Marcelo Zaldini Hernandes
Depto. Ciências Farmacêuticas - UFPE