Como foi a última páscoa de Jesus, o "Cordeiro pascal" [1Co 5:7]
“Doutra maneira, que farão
os que se batizam por causa dos mortos? Se, absolutamente, os mortos não
ressuscitam, por que se batizam por causa deles? E por que
também nós nos expomos a perigos a toda hora? Dia após dia,
morro! Eu o protesto, irmãos, pela glória que tenho em vós outros, em
Cristo Jesus, nosso Senhor. Se, como homem, lutei em Éfeso com
feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos,
que amanhã morreremos. Não vos enganeis: as más
conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade,
como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus;
isto digo para vergonha vossa.” (1Coríntios 15:29–34)
*Referências:
- “Em defesa de Cristo” (“The case
for Christ”), Lee Strobel.
- “On
the Physical Death of Jesus Christ”, Journal
of American Medical Association (JAMA),
1986.
- “Quando tomados em conjunto certos fatos - o
extenso e precoce testemunho de ambos os proponentes e oponentes
cristãos, e sua aceitação universal de Jesus como uma verdadeira figura
histórica, a ética dos escritores do evangelho e o pequeno intervalo de tempo
entre os eventos e os manuscritos existentes, e a confirmação dos relatos do
evangelho por historiadores e achados arqueológicos - isso garante um
testemunho confiável a partir do qual uma moderna interpretação médica da morte
de Jesus pode ser feita.” (JAMA)
PÁSCOA (em Jerusalém):
- “E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer
convosco esta Páscoa [pascha],
antes do meu sofrimento [paschō]”
(Lc 22:15).
- Depois da Última Ceia na Páscoa com os seus
discípulos em Jerusalém, eles viajavam para o “Monte das Oliveiras”
(Getsêmani).
- No Gethsemane (“lagar de azeite”,
em aramaico), Lucas (médico) registra que Jesus sofreu hematidrose (ou hemohidrose).
Fenômeno raro de sangue no suor, como
resultado de uma hemorragia de veias capilares nas glândulas sudoríparas,
tornando a pele frágil. A perda de sangue deve ter sido mínima, mas numa noite
fria (jardim/monte das oliveiras), deve ter causado arrepios/calafrios no
Senhor Jesus.
- “Preparas-me uma mesa na presença dos meus
adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.” (Sl
23:5)
JULGAMENTOS:
- Jesus foi preso no Getsêmani, e levado a Anás e a
Caifás (sumo sacerdote daquele ano), para o julgamento judeu perante o Sinédrio,
e foi considerado culpado de “blasfêmia”. Os guardas vendaram Jesus, cuspiram
nele e o atingiram no rosto com os punhos: “vendando-lhe os olhos, diziam:
Profetiza-nos: quem é que te bateu?” (Lc 22:64)
- Incredulidade (pecado):“Se tu és o
Cristo, dize-nos. Então, Jesus lhes respondeu: Se vo-lo disser, não o
acreditareis; também, se vos perguntar, de nenhum modo me respondereis”
(Lc 22:67-68)
- Jesus foi levado para o Pretório na Fortaleza
Antônia, a residência de Pôncio Pilatos, o governador da província romana da
Judéia. Contudo, Jesus não foi apresentado a Pôncio Pilatos como um blasfemo,
mas como um auto-declarado rei (Acusação de Sedição), que iria ameaçar a
autoridade romana. Pilatos não fez acusações contra Jesus, e o enviou a Herodes
Antipas (tetrarca da Judéia), que também não fez acusações formais contra
Jesus, e o devolve para Pilatos. Apesar de Pilatos não encontrar motivos para acusar
Jesus, o povo demandava pela sua crucificação, e Pilatos finalmente os atendeu,
entregando Jesus para ser açoitado (na “flagelação”) e crucificado.
FLAGELAÇÃO:
- O açoitamento era uma pena legal preliminar para
toda execução romana, e apenas mulheres e senadores ou soldados romanos (exceto
em casos de deserção) eram isentos. O instrumento usual era um chicote curto (flagelo
ou “flagellum”), com várias tiras (de comprimentos variáveis) de
couro trançado, nas quais pequenas bolas de ferro ou pedaços afiados de ossos
de ovelhas eram amarrados em intervalos. O objetivo era enfraquecer a vítima
para um estado físico pouco antes do colapso ou da morte. Após o flagelação, os
soldados frequentemente insultavam a vítima.
- À medida que o açoitamento continuava, as bolas de
ferro causavam contusões profundas e as tiras de couro e ossos de ovelha
cortavam a pele e os tecidos subcutâneos. As lacerações rasgavam os músculos
esqueléticos subjacentes, produzindo tiras trêmulas de carne sangrando.
- Jesus foi severamente agredido (açoitado) no
Pretório. Os soldados romanos, divertidos com o fato desse homem enfraquecido
ter reivindicado ser rei, zombaram dele, colocando uma túnica nos ombros, uma
coroa de espinhos na cabeça e um bastão de madeira (caniço), como se fosse um
cetro na mão direita. E então, cuspiram em Jesus e o atingiram na cabeça com o
bastão de madeira (Mt 27:27-31).
“Não quebrará o caniço rachado, não apagará o pavio fumegante”(Mt 12:20 - NVI; Is 42:3)
CRUCIFICAÇÃO:
- É provável que a prática da crucificação começou
entre os persas. Alexandre, o Grande, introduziu a prática no Egito e em
Cartago, e os romanos parecem ter aprendido com os cartagineses. Em sua forma
primitiva, na Pérsia, a vítima era amarrada a uma árvore ou empalada em um
poste vertical, geralmente para impedir que os pés da vítima culpada tocassem o
solo sagrado. “Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque
o lugar em que estás é terra santa” (Êx 3:5)
- Os Romanos não “inventaram” a crucificação, mas a
aperfeiçoaram como uma forma de tortura e pena de morte brutal, projetada para
ser lenta e com o máximo de dor e sofrimento.
- A crucificação era um dos métodos mais vergonhosos e
cruéis de execução, normalmente reservado apenas para escravos, estrangeiros,
revolucionários e os mais vis dos criminosos. A lei romana geralmente protegia
os cidadãos romanos da crucificação, exceto talvez no caso de deserção pelos
soldados.
- O Titulus da rendição (condenação) de
Jesus, com nome e crime: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus”
(escrito em hebraico, latim, grego - Jo 19:20).
- Era habitual que o condenado carregasse sua própria
cruz do local do açoitamento até o local da crucificação, fora da cidade.
- Como o peso da cruz inteira era provavelmente
mais de 136 kg (300 lb), apenas a barra horizontal era
transportada. O patíbulo, pesando 34 a 57 kg (75 a 125 lb)
era colocado na nuca da vítima e equilibrado ao longo dos dois ombros.
Geralmente, os braços estendidos eram amarrados à trave.
- Fora das muralhas da cidade ficava permanentemente
as pesadas estacas de madeira verticais, nas quais o patíbulo seria
fixado. No caso da Cruz Tau (T), isso seria
realizado por meio de uma junta de encaixe, com ou sem reforço de cordas.
- No local da execução, por lei, a vítima recebia uma
bebida amarga de vinho misturada com mirra (fel), para servir como um
analgésico moderado (não por misericórdia, para para prolongar o “espetáculo”).
A bebida servia para suportar a dor, mas Jesus não tomou (Mc 15:23).
- O condenado era então jogado no chão de costas, com
os braços estendidos ao longo do patíbulo. As mãos eram pregadas ou amarradas à
trave (patíbulo).
“Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum
acreditarei” (Tomé – Dídimo, Jo 20:25).
- Os restos arqueológicos de um corpo crucificado,
encontrados em um ossuário perto de Jerusalém e datando da época de Cristo,
indicam que os pregos eram espigões de ferro cônico de aproximadamente 13 a
18 cm (5 a 7 polegadas) de comprimento, com um eixo quadrado de 1
cm (3/8 de polegada) de diâmetro. [Ponteira/Talhadeira]
- Os soldados e a multidão civil frequentemente
insultavam e zombavam do condenado, e os soldados costumavam dividir as roupas
do condenado entre si: “Repartem entre si as minhas vestes e sobre a
minha túnica deitam sortes” Mt 27:35; Mc 15:24; Lc 23:34; Jo 19:24 à Sl 22:18
- O tempo de sobrevivência do condenado na cruz era
tipicamente de poucas horas, dependendo da gravidade da flagelação/açoitamento.
- Mesmo que a flagelação/açoitamento fosse “moderado”,
os soldados romanos poderiam acelerar a morte quebrando as pernas abaixo dos
joelhos (crucifratura).
- Não era incomum que insetos pousassem nas feridas
abertas ou nos olhos, ouvidos e nariz da vítima moribunda, e as aves de rapina
rasgassem essas feridas. Além disso, era costume deixar o cadáver na cruz para
ser devorado por animais predadores. No entanto, pela lei romana, a família dos
condenados poderia levar o corpo para o sepultamento, após obter permissão do
juiz romano.
- Para garantir que o condenado não sobrevivesse à
crucificação, o corpo não era liberado para a família até que os soldados
tivessem certeza da sua morte. Para garantir a morte na cruz, um dos soldados
romanos perfurava o corpo com uma espada ou lança. Tradicionalmente, era
desferido um golpe de lança no coração pelo lado direito do peito (“sangue e
água”, derrame do pericárdio) - uma ferida fatal provavelmente
ensinada à maioria dos soldados romanos.
- Com o conhecimento da anatomia e da crucificação,
pode-se investigar os prováveis aspectos médicos dessa forma de execução
lenta. Aparentemente, cada ferida tinha a intenção de produzir intensa
agonia, e as causas físicas da morte eram inúmeras.
ASFIXIA (na Cruz):
- Para a expiração adequada, seria necessário levantar
o corpo, empurrando os pés, flexionando os cotovelos e aduzindo os ombros. Essa
manobra colocaria todo o peso do corpo nos tarsos e produziria dores
abrasadoras. A flexão dos cotovelos causaria rotação dos pulsos em torno dos
pregos de ferro, e causaria dores ardentes ao longo dos nervos medianos
danificados. A elevação do corpo também esfregaria dolorosamente as costas
açoitadas contra a madeira áspera da estaca. Cãibras musculares e parestesias
dos braços estendidos e erguidos aumentariam o desconforto.
- Como resultado, cada esforço respiratório se
tornaria agonizante e cansativo, levando eventualmente à asfixia. Por isso, a crucifratura
poderia provocar morte em minutos.
O Verbo verbalizando dolorosamente na cruz:
- Cristo, o Verbo (Logos, João 1:1),
verbalizou 7 vezes na cruz.
- Como o ato de falar ocorre durante a expiração,
isto deve ter sido particularmente difícil e doloroso para o Senhor
Jesus:
1) “Pai, perdoa-lhes,
porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34)
2) “Em verdade te digo
que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23:43)
3) “Mulher, eis aí teu
filho... Eis aí tua mãe” (Jo 19:26-27)
4) “Eli, Eli, lamá
sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
(Mt 27:46; Sl 22:1). “Eloí” (Mc
15:34). *aramaico*
5) “Tenho sede!” (Jo
19:28; Sl 69:21)
6) “Está consumado!” (“Tetelestai”,
Jo 19:30)
7) “Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito!” (Lc 23:46; Sl 31:5)
- Permanece incerto se Jesus morreu de ruptura
cardíaca ou de insuficiência cardiorrespiratória.
É impossível fazer
“exumação” do cadáver, pois O SENHOR VIVE!
[Manjedoura vazia, Túmulo vazio,
Trono cheio (repleto) da glória de Deus!]
- “Claramente, o peso das evidências históricas e
médicas indica que Jesus estava morto antes que a ferida ao seu lado fosse
infligida e apoia a visão tradicional de que a lança, enfiada entre as
costelas, provavelmente perfurou não apenas o pulmão direito, mas também o
pericárdio e o coração e, assim, garantiu sua morte.” (JAMA)
“O sofrimento vicário do Servo do SENHOR”,
Isaías 52:13 a 53:12
------------------------
“Um dom inefável”
(pr. Stephen
Yuille)
“O Infinito tornou-se finito. O Criador
se tornou uma criatura. Ele (que fez todas as coisas a partir do nada) nasceu
de uma mulher. Ele (a quem os céus não podem conter) estava
contido no pequeno útero de uma mulher. O pão da vida estava com fome. A
água da vida estava com sede. A maior descanso estava cansado. A maior alegria
estava triste. A maior fúria e o maior favor se encontraram na cruz. O maior
ódio e o maior amor se manifestaram na cruz. Infinita justiça foi satisfeita e
infinita misericórdia foi garantida na cruz. Estamos enriquecidos por Sua
pobreza, preenchidos por Seu vazio, exaltados por Sua desgraça, curados por
Suas feridas, confortados por Sua dor, e justificados por Sua condenação. ‘Graças
a Deus pelo seu dom inefável!’ (2Co 9:15)”
------------------------
Para assistir o vídeo deste estudo no Youtube:
astse.blogspot.com/2024/03/pascoa-ressurreicao-do-verbo-videos.html