Print Friendly and PDF
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta propiciatório. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta propiciatório. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

25 agosto 2026

Livro: "Céu - Um Mundo de Amor" (Jonathan Edwards)

"[...] Foi nos dito que antigamente Ele habitava na terra de Israel, acima de todas as outras terras; e em Jerusalém, acima de todas as outras cidades daquela terra; e no templo, acima de todos os outros edifícios da cidade; e no santo dos santos, acima de todos os outros aposentos do templo; e no propiciatório, sobre a arca da aliança, acima de todos os outros lugares no santo dos santos. Mas o céu é sua morada acima de todos os outros lugares do universo; e todos aqueles lugares em que era dito que Ele morava, eram apenas tipos disso. O céu é uma parte da criação que Deus construiu para este fim, para ser o lugar de sua presença gloriosa, e é sua morada para sempre; e ali Ele habitará e se manifestará gloriosamente por toda a eternidade [...] Lá, no céu, esta fonte infinita de amor, o eterno Três em Um, é aberta sem nenhum obstáculo, pois flui para sempre. Ali, este glorioso Deus se manifesta e resplandece, em plena glória, em raios de amor. E lá, esta fonte gloriosa flui para sempre em riachos, sim, em rios de amor e deleite, e esses rios se expandem, por assim dizer, em um oceano de amor, no qual as almas dos resgatados podem se banhar com o mais doce prazer, e seus corações, por assim dizer, serão inundados com amor!"
 
"[...] Em sua natureza, esse amor {celestial} é totalmente santo e divino. A maior parte do amor que existe neste mundo é de natureza profana. Mas o amor que tem lugar no céu não é carnal, mas espiritual. Não procede de princípios corruptos ou motivos egoístas, nem é dirigido a propósitos e fins mesquinhos e vis. Ao contrário de tudo isso, é uma chama pura, dirigida por motivos santos, e visando, sem fins incompatíveis, a glória de Deus e a felicidade do universo. Os santos no céu amam a Deus por causa d’Ele mesmo, e uns aos outros por causa de Deus; por causa da relação que eles têm com Ele, e por causa da imagem de Deus que está sobre eles. Todo o seu amor é puro e santo." 
 
[trechos do livro "Céu - Um Mundo de Amor", de Jonathan Edwards]

18 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/10)

“(…) tuas veredas destilam gordura” (Sl 65:11) 
'Muitas são “as veredas do Senhor” (Sl 25:10) que “destilam gordura”, porém uma em especial é a vereda da oração. Nenhum crente que muito esteja em devoção particular terá necessidade de clamar: “Emagreço, emagreço, ai de mim!” (Is 24:16). Almas famintas vivem à distância do propiciatório, e tornam-se como os campos ressequidos em épocas de estiagem. A prevalência com Deus lutando em oração é a certeza de tornar forte o crente, se não bem-aventurado. O lugar mais próximo ao portão do céu é o trono da graça celestial. Muito sozinho, e você terá muita segurança; pouco a sós com Jesus, e sua religião será superficial, poluída com muitas dúvidas e medos, não resplandecente com a alegria do Senhor. Uma vez que o enriquecedor caminho da oração está aberto ao mais fraco dos santos; uma vez que grandes talentos não são necessários; uma vez que você não é convidado a vir porque é um santo experiente, mas simples e livremente por ser santo, veja então, caro leitor, que você esteja muitas vezes no caminho da devoção particular. Esteja muito de joelhos, pois assim Elias buscou a chuva sobre os famintos campos de Israel (1Rs 18:42). Há outra especial vereda que destila gordura àqueles que nela andam: é a caminhada particular da comunhão. Ó, as delícias da comunhão com Jesus! A Terra não contém palavras que possam exprimir a sagrada calma de uma alma reclinada no seio de Jesus. Poucos cristãos podem compreender isso; eles vivem nas terras baixas, e raramente sobem ao topo do Nebo (Dt 34:1); vivem no átrio exterior; não entram no lugar santo, não assumem o privilégio do sacerdócio. À distância veem o sacrifício, mas não se sentam com o sacerdote para comer e desfrutar a gordura do holocausto. Leitor, sente-se sempre à sombra de Jesus; aproxime-se dessa Palmeira e pegue os Seus ramos; que o teu Amado seja para ti como a macieira entre as árvores do bosque (Ct 2:3), e serás satisfeito como que de tutano e gordura (Sl 63:5). Ó Jesus, visite-nos com a Tua salvação!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 18 de outubro] 

Orações de Spurgeon: "AJUDA DO ALTO"

'Ó Tu que és Rei dos reis e Senhor dos senhores, nós Te adoramos. Diante do terrível trono de Jeová, nos prostramos com alegria sagrada. Podemos verdadeiramente dizer que nos deleitamos em Deus. Houve um tempo em que Te temíamos, ó Deus, com o temor da servidão. Agora Te reverenciamos, mas Te amamos tanto quanto Te reverenciamos. O pensamento de Tua onipresença outrora nos era horrível. Dizíamos: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” (Salmos 139:7), e parecia tornar o próprio inferno ainda mais terrível, pois ouvíamos uma voz: “Se eu descer ao mais profundo abismo, lá estás também” (Salmos 139:8). Mas agora, ó Senhor, desejamos encontrar-Te. Nosso anseio é sentir Tua presença, e é o céu dos céus saber que Tu estás lá. O leito de enfermidade se torna suave quando Tu estás lá. A fornalha da aflição torna-se fresca quando Tu estás lá; e a casa de oração, quando Tu estás presente, não é outra senão a casa de Deus, e é a própria porta do céu. Aproxima-Te, nosso Pai. Vem muito perto de Teus filhos. Alguns de nós estão muito fracos no corpo e desfalecidos no coração. Logo, ó Deus, coloca Tua mão direita sobre nós e diz: “Não temas”. Talvez alguns de nós estejam se sentindo atraídos pelo mundo. Aproxima-Te para destruir a influência do mundo com Teu poder superior. Mesmo adorar pode não parecer fácil para alguns. O dragão parece persegui-los, e torrentes que saem de sua boca lavam sua devoção. Dá-lhes grandes asas como de águia, para que cada um possa voar para o lugar preparado para ele e descansar na presença de Deus hoje. Nosso Pai, vem e dá descanso aos Teus filhos agora. Tira o capacete de nossa testa, remove de nós o peso de nossa armadura pesada por um momento, e que possamos ter paz, perfeita paz, e descansar. Oh, ajuda-nos, Te rogamos agora. Assim como já lavaste Teu povo na fonte cheia de sangue e eles estão limpos, agora, esta manhã, lava-nos da impureza na água. Com a bacia e com o jarro, ó Mestre, lava nossos pés novamente. Isso nos refrescará grandemente. Nos preparará para a mais íntima comunhão contigo. Assim os sacerdotes lavavam-se antes de entrarem no lugar santo. Senhor Jesus, tira de nós agora tudo o que possa impedir a mais estreita comunhão com Deus. Qualquer desejo ou vontade que possa nos atrapalhar na oração, remove, Te rogamos. Qualquer lembrança de tristeza ou preocupação que possa impedir a fixação de nossa afeição completamente em nosso Deus, tira agora. Que temos nós a ver com ídolos? Tu tens visto e observado a nós. Tu sabes onde está a dificuldade. Ajuda-nos contra ela, e que agora possamos vir ousadamente, não apenas ao lugar santo, mas ao santíssimo de todos, onde não ousaríamos entrar se nosso grande Senhor não tivesse rasgado o véu, aspergido o propiciatório com Seu próprio sangue e nos ordenado a entrar. Agora, nos aproximamos de Ti, da luz que brilha entre as asas dos querubins, e falamos contigo agora como um homem fala com seus amigos. Nosso Deus, somos Teus. Tu és nosso. Agora estamos envolvidos em um único negócio — estamos aliados para uma batalha. A Tua batalha é a nossa batalha, e nossa luta é a Tua. Ajuda-nos, Te rogamos. Tu que fortaleceste Miguel e seus anjos a expulsar o dragão e seus anjos, ajuda a pobre carne e sangue para que também a nós se cumpra a palavra: "Em breve, o Deus da paz esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás" (Romanos 16:20). Nosso Pai, somos muito fracos. O pior de tudo é que somos muito perversos se deixados a nós mesmos, e logo caímos presa do inimigo. Portanto, ajuda-nos. Confessamos que, às vezes, em oração, quando estamos mais próximos de Ti, nesse exato momento, algum pensamento maligno surge, algum desejo perverso. Oh, que simplórios somos. Senhor, ajuda-nos. Sentimos como se quiséssemos nos aproximar ainda mais de Ti e nos esconder sob a sombra das Tuas asas. Desejamos nos perder em Deus. Oramos para que vivas em nós, e que não vivamos nós, mas que Cristo viva em nós e Se mostre em nós e através de nós. Senhor, santifica-nos. Oh, que Teu Espírito possa vir e saturar cada faculdade, subjugar cada paixão e usar cada poder de nossa natureza para a obediência a Deus. Vem, Espírito Santo, nós Te conhecemos. Tu frequentemente nos cobres com Tua sombra. Vem e toma posse de nós mais plenamente. Agora, estando como sentimos que estamos, bem junto ao propiciatório, nossa oração mais elevada é por perfeita santidade, completa consagração, purificação total de todo mal. Toma nosso coração, nossa mente, nossas mãos, nossos pés, e usa tudo para Ti. Senhor, toma nossa substância. Que não a acumulemos para nós mesmos, nem a gastemos para nós mesmos. Toma nosso talento. Que não busquemos nos educar para que tenhamos a reputação de sermos sábios, mas que cada ganho de desenvolvimento mental seja para que possamos Te servir melhor. Que cada fôlego seja para Ti; que cada minuto seja gasto para Ti. Ajuda-nos a viver enquanto vivermos; e enquanto estivermos ocupados no mundo, como devemos estar, pois somos chamados a isso, que possamos santificar o mundo para Teu serviço. Que sejamos como pedaços de sal no meio da sociedade. Que nosso espírito e temperamento, bem como nossa conversação, sejam celestiais. Que haja uma influência sobre nós que torne o mundo melhor antes de partirmos dele. Senhor, ouve-nos nesta questão. E agora que temos o Teu ouvido, queremos orar por este pobre mundo em que vivemos. Muitas vezes ficamos horrorizados com ele. Ó, Senhor, desejávamos não saber nada sobre ele, para o nosso próprio conforto. Já dissemos: "Oh, quem me dera no deserto um lugar de repouso para viajantes" (Jeremias 9:2). Ouvimos sobre opressão, roubo e assassinato, e os homens parecem soltos uns contra os outros. Senhor, tem misericórdia desta grande e perversa cidade. O que se pode fazer com esses milhões? O que podemos fazer? Ao menos ajuda cada filho Teu a fazer o seu máximo. Que nenhum de nós contribua para o mal, direta ou indiretamente, mas que contribuamos para o bem que há nela. Sentimos que podemos falar Contigo sobre isso, pois quando Teu servo Abraão esteve diante de Ti e falou com tanta familiaridade Contigo, ele intercedeu por Sodoma, e nós intercedemos por Londres. Queremos seguir o exemplo do Pai dos Fiéis e orar por todas as grandes cidades, e, de fato, por todas as nações. Senhor, venha o Teu reino. Envia a Tua luz e a Tua verdade. Expulsa o velho dragão de seu trono, com toda a sua hoste infernal. Oh! Que venha o dia em que, mesmo na terra, o Filho da mulher, o Filho do Homem, governe as nações, não com uma vara de madeira quebrada, mas com um cetro de ferro duradouro, cheio de misericórdia, mas cheio de poder, cheio de graça, mas ainda assim irresistível. Oh, que isso venha em breve, o advento pessoal de nosso Senhor! Ansiamos pelo triunfo milenar de Sua Palavra. Até lá, ó Senhor, cinge-nos para a batalha e faze-nos estar entre aqueles que vencem, pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do nosso testemunho, porque "não amaram a própria vida até à morte" (Apocalipse 12:11). Elevamos nossa voz a Ti em oração, também, por todos os nossos queridos. Senhor, abençoa os enfermos e faze-os ficar bem assim que for Tua vontade. Santifica para eles tudo o que têm de suportar. Há também queridos amigos que estão muito fracos, alguns muito trêmulos. Deus os abençoe. Enquanto a tenda está sendo desarmada, que o habitante dentro dela olhe com alegria calma, pois logo "seremos revestidos da nossa habitação celestial" (2 Coríntios 5:2). Senhor, ajuda-nos a nos desapegar de todas essas coisas aqui embaixo. Que vivamos aqui como estrangeiros, fazendo do mundo não uma casa, mas uma estalagem, na qual ceamos e pernoitamos, esperando partir amanhã. Senhor, salva os não convertidos e traz, rogamos-Te, dentre eles aqueles que são convertidos, mas que ainda não confessaram a Cristo. Que a igreja seja edificada por muitos que, tendo crido, sejam batizados em Teu santo nome. Oramos para que continues a multiplicar os fiéis na terra. Oh, que Tu convertas os corações dos homens ao evangelho mais uma vez. Teu servo muitas vezes fica muito abatido de coração por causa dos desvios da fé. Oh, traz-os de volta. Não permita que Satanás leve mais estrelas com sua cauda, mas que as lâmpadas de Deus brilhem intensamente. Oh, Tu que andas entre os sete candeeiros de ouro, aparas a chama, derrama o óleo e faze a luz brilhar intensamente e de forma constante. Agora, Senhor, não podemos orar mais, embora tenhamos mil coisas para pedir. Teu servo não pode, então ele implora que deixe uma oração inacabada no trono da graça, com isto ao seu pé: pedimos no nome de Jesus Cristo, Teu Filho. Amém.'
 
[C.H. Spurgeon, do livro "Orações de Spurgeon: as orações de púlpito de Charles Spurgeon"]

11 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (11/10)

“Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus (…)” (Lm 3:41) 
'O ato de oração nos ensina a nossa indignidade, o que é uma lição muito saudável para seres tão orgulhosos como nós. Se Deus nos concedesse favores sem nos compelir a orar por eles, nunca saberíamos quão pobres somos; no entanto, uma verdadeira oração é um inventário de carências, um catálogo de necessidades, uma revelação da pobreza oculta. Embora seja um apelo à riqueza divina, ela é uma confissão do vazio humano. O estado mais saudável de um cristão é estar sempre vazio em si mesmo e constantemente dependendo do Senhor para seu suprimento; estar sempre pobre em si mesmo e rico em Jesus; fraco como água pessoalmente, mas poderoso através de Deus para fazer grandes façanhas; daí o uso da oração, porque enquanto adora a Deus, coloca a criatura onde deveria estar: no absoluto pó. A oração é em si mesma, para além da resposta que ela traz, um grande benefício para o cristão. Assim como o corredor ganha força para a corrida pelo exercício diário, assim também, para a grande corrida da vida, adquirimos energia pelo santificado trabalho da oração. A oração empluma as asas das jovens águias de Deus, para que aprendam a subir acima das nuvens. A oração cinge os lombos dos guerreiros de Deus, e os envia para combater com seus tendões preparados e seus músculos firmes. Um pleiteante fervoroso sai de seu aposento assim como o sol nasce das câmaras do oriente, regozijando-se como um herói que corre o seu caminho (Sl 19:5). A oração é aquela mão erguida de Moisés que derrotava os amalequitas mais do que a espada de Josué (Ex 17:11); é a flecha lançada do aposento do profeta pressagiando a derrota dos sírios (2Rs 13:14-19). A oração cinge a fraqueza humana com força divina, transforma a loucura humana em sabedoria celestial, e dá aos mortais atribulados a paz de Deus. Não sabemos o que a oração não possa fazer. Nós Te agradecemos, grande Deus, pelo propiciatório, uma prova da Tua maravilhosa benignidade. Ajuda-nos a usá-la corretamente ao longo deste dia!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 11 de outubro] 

14 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (14/09)

“(…) havia também com ele outros barquinhos” (Mc 4:36) 
'Jesus era o Senhor Alto Almirante** do mar naquela noite, e Sua presença preservou todo o comboio. É bom navegar com Jesus, mesmo que seja em um pequeno barco. Quando navegamos na companhia de Cristo, não podemos ter a certeza de bom tempo, pois grandes tempestades podem arremeter contra a embarcação que leva o próprio Senhor. Também não devemos esperar encontrar um mar menos turbulento ao redor de nosso pequeno barco. Se formos com Jesus, devemos nos contentar em viajar como Ele viaja, e quando as ondas são duras com Ele, também serão conosco. É através da tempestade e da turbulência que chegaremos à terra, assim como Ele fez antes de nós. Quando a tempestade varreu o lago escuro da Galileia, todos os rostos se assombraram, e todos os corações temiam o naufrágio. Quando toda a ajuda da criatura foi inútil, o Salvador adormecido Se levantou e, com uma palavra, transformou o tumulto da tempestade em um profundo silêncio de tranquilidade; então, os barquinhos descansaram, assim como aquele que levava o Senhor. Jesus é a estrela marítima, e apesar de haver tristeza sobre o mar, quando Jesus está nele, há também alegria. Que os nossos corações façam de Jesus sua âncora, seu leme, seu farol, seu barco salva-vidas, e seu porto. Sua Igreja é a capitânia do Almirante; vamos acompanhar seus movimentos e encorajar seus oficiais com nossa presença. Ele próprio é o que lidera; sigamos sempre em Seu rastro, percebendo Seus sinais, orientando-nos por Seu mapa, nunca temendo enquanto Ele estiver no âmbito de alcance. Nenhum navio no comboio irá naufragar; o grande Comodoro vai orientar cada barco em segurança ao porto desejado. Pela fé, iremos desamarrar nossos cabos para mais um dia de cruzeiro, e navegar com Jesus em um mar de tribulação. Ventos e ondas não irão nos poupar, mas todos eles Lhe obedecem; por isso, quaisquer que sejam as rajadas que ocorram no exterior, a fé sentirá uma abençoada calma no interior. Jesus está sempre no centro do comboio atingido pela tempestade; alegremo-nos nEle. Sua embarcação chegou ao porto, e assim será a nossa.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 14 de setembro] 
______________ 
**Nota do Tradutor (N.T.): Senhor Alto Almirante (ou Lord High Admiral, no original) é o chefe titular da Marinha Real do Reino Unido. 

---------------------------------------------------------------------------------
“Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sl 32:5) 
'A dor de Davi pelo pecado era amarga; seus efeitos eram visíveis exteriormente – “envelheceram os meus ossos” (Sl 32:3), “o meu humor [vigor] se tornou em sequidão de estio” (Sl 32:4). Nenhum remédio ele poderia encontrar, até que fizesse uma confissão completa diante do trono da graça celestial. Davi nos diz que, por algum tempo, ele manteve silêncio, e seu coração tornou-se mais e mais cheio de dor; como um lago entre as montanhas, cuja saída está bloqueada, sua alma transbordava com torrentes de tristeza. Ele forjou desculpas; ele se esforçou para desviar seus pensamentos, mas isso não serviu de coisa alguma; semelhante a uma ferida inflamada, sua angústia se acumulava, e por não usar a lanceta da confissão, seu espírito estava cheio de tormento e não encontrava descanso. Ao chegar nesse estado, ele deveria retornar ao seu Deus em humilde penitência, ou logo morreria. Então Davi se apressou ao propiciatório e lá desenrolou o livro de suas iniquidades diante dAquele que tudo vê, reconhecendo toda a maldade dos seus caminhos, em uma linguagem como a que você lê no quinquagésimo primeiro salmo [Salmo 51], e em outros salmos penitenciais. Tendo feito isso, uma tarefa tão simples e, contudo, tão difícil ao orgulho, ele imediatamente recebeu o sinal do perdão divino; os ossos que haviam sido quebrados foram feitos alegres (Sl 51:8), e ele saiu do seu aposento para cantar a bem-aventurança do homem cuja transgressão é perdoada (Sl 32:1). Veja o valor de uma confissão de pecado forjada pela graça! Ela deve ser valorizada acima de qualquer preço, pois em todos os casos em que há uma genuína e graciosa confissão, a misericórdia é concedida livremente, não porque o arrependimento e a confissão mereçam misericórdia, mas por amor a Cristo. Bendito seja Deus, pois sempre há cura para o coração quebrantado; a fonte está sempre fluindo para nos purificar de nossos pecados. Verdadeiramente, ó Senhor, és um Deus “pronto para perdoar” (Ne 9:17)! Portanto, reconheçamos as nossas iniquidades.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 14 de setembro] 

08 julho 2025

Livro: "Um Guia para Oração" (Isaac Watts)

Tradução de alguns trechos do livro "A Guide to Prayer" ("Um Guia para Oração"), de Isaac Watts:

INTRODUÇÃO
'ORAÇÃO é uma palavra de sentido amplo nas Escrituras, e inclui não apenas um pedido ou petição por misericórdia, mas também [a oração] é entendida como o discurso de uma criatura na terra, a Deus no Céu, sobre tudo o que diz respeito a seu Deus, seu próximo ou a si mesma [criatura], neste mundo, ou no mundo vindouro. É aquela conversa que Deus nos permitiu manter consigo mesmo lá em cima, enquanto estamos aqui embaixo. É aquela linguagem pela qual uma criatura mantém correspondência com seu Criador; e pela qual a alma de um santo frequentemente se aproxima de Deus, é animada com grande deleite e, por assim dizer, habita com seu Pai celestial por um curto período [de tempo] antes de chegar ao Céu. [Oração] É um privilégio glorioso que nosso Criador nos concedeu, e uma parte necessária daquela obediência que Ele exigiu de nós, em todos os momentos e épocas, e em todas as circunstâncias da vida. De acordo com as Escrituras, 1 Tessalonicenses 5:17: “Orai sem cessar”. Filipenses 4:6: “Em tudo, pela oração e súplicas, com ações de graças, sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus”. Efésios 6:18: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica”. A oração é uma parte do culto a Deus, exigida para todos os homens, e deve ser realizada com a voz, ou apenas no coração, sendo chamada de oração vocal, ou [oração] mental. É ordenada individualmente às pessoas, em seus retiros privados, de uma maneira mais solene e contínua; e, em meio aos afazeres da vida, por elevações secretas e repentinas da alma a Deus. Pertence também às comunidades humanas, sejam elas naturais, como famílias; ou civis, como corporações, parlamentos, tribunais ou sociedades para comércio e negócios; e às comunidades religiosas [igrejas], quando as pessoas se reúnem para qualquer propósito piedoso, devem buscar a Deus; [oração] é requerida das igrejas cristãs, de maneira especial; pois a casa de Deus é a casa de oração. Sendo, portanto, um dever de absoluta necessidade para todos os homens [seres humanos], e de uso universal, convém que todos saibamos como cumprir [este dever] corretamente, para que se obtenha a aceitação do grande Deus, e se torne um exercício prazeroso e proveitoso para nossas almas, e para aqueles que se unem a nós. Para tanto, apresentarei [Isaac Watts] meus pensamentos sobre o assunto [oração] na seguinte ordem: Primeiro, falarei da natureza da oração como um dever de adoração. Segundo, como deve ser realizada pelos dons ou habilidades que Deus nos concedeu. Terceiro, como deve ser acompanhada pelo exercício de nossas graças. Quarto, como somos auxiliados nela pelo Espírito de Deus; e, Quinto, concluirei tudo com um sincero discurso aos cristãos, para que busquem esta sagrada habilidade de conversar com Deus.'

AS PARTES DA ORAÇÃO (Cap.1)
'No discurso da oração, considerado como um dever de adoração exigido de nós, para que possamos entender melhor toda a sua natureza, que ela [oração] seja dividida em suas várias partes; e penso que todas elas podem ser incluídas nas seguintes, a saber: Invocação, Adoração, Confissão, Petição, Súplica, Profissão ou Autodedicação, Ação de Graças e Bênção: – de cada uma das quais falarei particularmente.”'

Seção I – da Invocação (Cap.1)
'A primeira parte da oração é a Invocação, ou chamado a Deus; e pode incluir estas três coisas: 
1. Uma menção de um ou mais nomes ou títulos de Deus; e assim, por assim dizer, falamos com a pessoa a quem oramos: como você tem abundantes exemplos nas orações que nos são transmitidas na Sagrada Escritura: “Ó Senhor, meu Deus, altíssimo e santíssimo Deus e Pai. Ó Deus de Israel, que habitas entre os querubins. Deus Todo-Poderoso e Rei eterno. Pai nosso que estás nos céus. Ó Deus, que guardas a aliança”; e vários outros. 
2. Uma declaração do nosso desejo e desígnio de adorá-lo: “A ti elevamos as nossas almas; aproximamo-nos de ti, como nosso Deus. Viemos à tua presença. Nós, que somos apenas pó e cinzas, assumimos a responsabilidade de falar à tua Majestade. Nós nos curvamos diante de ti em humildes discursos”, ou algo parecido. – E aqui, talvez não seja impróprio mencionar brevemente uma ou duas expressões gerais de nossa própria indignidade. 
3. Um desejo de Sua assistência e aceitação, sob o senso de nossa própria insuficiência e indignidade, em uma linguagem como esta: “Senhor, vivifica-nos para invocar o teu nome. Auxilia-nos, pelo teu Espírito, em nosso acesso ao teu propiciatório. Eleva nossos corações a ti. Ensina-nos a nos aproximar de ti, como convém a criaturas, e aproxima-te de nós, como um Deus de graça. Ouve a voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei”; no Salmo 5:2, em cujas palavras você tem todas essas três partes da invocação expressas.'

Seção II – da Adoração (Cap.1)
'A segunda parte da oração é a Adoração, ou honra prestada a Deus pela criatura; e contém estas quatro coisas: 
1. Uma menção à Sua natureza, como Deus, com a mais alta admiração e reverência: e isso inclui Seus atributos e perfeições mais originais – Sua existência autossuficiente; que Ele é Deus, de si mesmo, e a partir de si mesmo. Sua unidade de essência; que não há outro Deus além de si mesmo. Sua substância inconcebível em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; que o mistério da Trindade é um objeto muito próprio de nossa adoração e admiração, visto que ultrapassa em muito nossa compreensão. Sua incompreensível distância de todas as criaturas e Sua infinita superioridade de natureza sobre elas, parecem também reivindicar um lugar aqui. A linguagem desta parte da oração é assim: “Tu és Deus, e não há outro; só o teu nome é Jeová, o Altíssimo. Quem, nos céus, se pode comparar ao Senhor? Ou quem, entre os filhos dos poderosos, se pode assemelhar ao nosso Deus? Todas as nações são como nada diante de ti, e são reputadas aos teus olhos como menos do que nada, e como vaidade. Tu és o primeiro e o último, o único Deus verdadeiro e vivo; o teu Nome glorioso é exaltado acima de toda bênção e louvor.” 
2. A menção de Seus vários atributos, com as devidas expressões de louvor e com o exercício da graça e afeição adequadas: como Seu poder, Sua justiça, Sua sabedoria, Sua soberania, Sua santidade, Sua bondade e misericórdia. Uma abundância desse tipo de expressões pode ser encontrada nas Escrituras, naqueles discursos que os santos fizeram a Deus em todas as épocas. – “Tu és mui grandioso, ó Senhor, e estás revestido de honra e majestade. Tu és o bendito e único potentado, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Todas as coisas estão desnudas e patentes diante dos teus olhos. Tu sondas o coração do homem, mas quão insondável é o teu entendimento, e o teu poder é desconhecido. Tu és tão puro de olhos, que não podes contemplar a iniquidade. A tua misericórdia dura para sempre. Tu és tardio em irar-te, abundante em bondade, e a tua verdade alcança todas as gerações”. Estas meditações são de grande utilidade no início das nossas orações, para nos humilhar perante o trono de Deus, para despertar a nossa reverência, a nossa dependência, a nossa fé e esperança, a nossa humildade e a nossa alegria.
3. A menção de suas diversas obras: da criação, da providência e da graça, com os devidos louvores. Pois, assim como Deus é glorioso em si mesmo, em sua natureza e atributos, assim também, pelas obras de Suas mãos, Ele nos manifestou essa glória, e nos convém atribuir a mesma glória a Ele — dizer-lhe humildemente o senso que temos das diversas perfeições que Ele revelou em Suas obras, em linguagem como esta: “Tu, Senhor, fizeste os céus e a terra. Toda a criação é obra de tuas mãos. Tu reinas entre os exércitos celestiais; e entre os habitantes da terra fazes o que te agrada. Tu revelaste tua bondade para com a humanidade, e magnificaste tua misericórdia acima de tudo, com o teu nome. Tuas obras da natureza e da graça são repletas de maravilhas e almejadas por todos aqueles que nelas se comprazem”. 
4. A menção de Sua relação conosco, como Criador, como Pai, como Redentor, como Rei, como amigo Todo-Poderoso e nossa porção eterna. E, aqui, não será impróprio mencionar o nome de Cristo, em, e por meio de quem somente somos aproximados de Deus, e feitos Seus filhos. Por cuja encarnação e expiação, Ele se torna Deus e Pai para os homens pecadores, e aparece como seu Amigo reconciliado. E, por este meio, nos aproximamos ainda mais de Deus em cada parte desta obra de adoração. Quando consideramos Sua natureza, nos distanciamos dEle, como criaturas [se distanciam] de um Deus [Criador]; pois Ele é infinitamente superior a nós. Quando falamos de Seus atributos, parece crescer uma familiaridade [intimidade/relacionamento] maior entre Deus e nós, enquanto lhe dizemos que aprendemos algo sobre Seu poder, Sua sabedoria, Sua justiça e Sua misericórdia. Mas, quando passamos a mencionar as diversas obras de Suas mãos, nas quais Ele se revelou sensivelmente ao nosso entendimento, parecemos nos aproximar ainda mais de Deus; e, quando finalmente podemos aflorar para chamá-lo de nosso Deus, a partir de um senso de Sua relação especial conosco, em Cristo, então ganhamos o acesso mais próximo, e estamos melhor preparados para as partes seguintes desta adoração [oração].'

11 outubro 2022

Aprendizado piedoso 148

O COMANDANTE E OUVINTE DA ORAÇÃO
 
Tu que ordenas e ouves a oração! Tu que ajudas o teu povo a orar! Derrama o espírito de graça e de súplicas, para que o teu trono de graça seja cercado de suplicantes, para que haja uma grande multidão conduzida ao propiciatório, e a graça seja concedida abundantemente, para a tua própria glória, por meio de Jesus Cristo, o sumo sacerdote, que subiu aos céus e está à tua direita para sempre. Amém.

—Natanael Vicente
("Piercing Heaven: Prayers of the Puritans", Robert Elmer)

20 março 2022

Oração - John Bunyan - 3

"e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel" (Hb 12:24)

"mas, no segundo, o sumo sacerdote, ele sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelos pecados de ignorância do povo" (Hb 9:7)

"3. Existe ainda um outro motivo de encorajamento para continuar em oração a Deus, e é o seguinte: Além do fato de que há um propiciatório, de onde Deus quer falar com os pobres pecadores, também é um fato que, ao lado desse 'assento-de-misericórdia' está Jesus Cristo, aspergindo-o constantemente com o Seu sangue. Por isso, é chamado de 'sangue da aspersão' (Hb 12:24). Quando o sumo sacerdote, debaixo da lei, havia de entrar no lugar santíssimo, onde estava o 'assento-de-misericórdia' ou propiciatório, não poderia fazê-lo 'sem sangue' (Hb 9:7). Por que era assim? Porque apesar de Deus estar sobre o 'assento-de-misericórdia', Ele ainda era perfeitamente justo bem como misericordioso. Assim, pois, o sangue havia de impedir que a justiça [a ira santa de Deus] caísse sobre as pessoas beneficiadas pela intercessão do sumo sacerdote [uma tipologia de Cristo], como está em Levítico 16:13-16, para dar a entender que toda a sua indignidade que você teme não deve impedi-lo de vir a Deus, em Cristo, buscando por misericórdia. Você argumenta que é ímpio e, portanto, Deus não levará em conta a sua oração. Certamente é assim, se você tem prazer na sua impiedade, e se achega a Ele de modo dissimulado. Porém, se você derrama o seu coração diante dEle consciente de sua impiedade, desejando com todo o seu coração ser salvo da culpa e ser limpo da imundície, não tema, pois a sua pecaminosidade não fará com que o Senhor tape os Seus ouvidos para não lhe ouvir. O valor do sangue de Cristo, que foi aspergido sobre o propiciatório, detém o curso da justiça [a ira santa de Deus] e abre uma comporta para que a misericórdia de Deus chegue até você. Portanto, agora tenha 'ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus' que abriu um 'novo e vivo caminho' para você; você não morrerá (Hb 10:19-20)...
... Seja sóbrio e humilde; vá até ao Pai em nome do Filho, e conte a Ele o seu caso [pleito, súplica] com a ajuda do Espírito Santo, e experimentarás o benefício de orar com o Espírito e com o entendimento também ['Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente', ver 1Co 14:15]."

[Trecho do livro "Oração: Orando com o Espírito Santo e com o Entendimento", de John Bunyan]


Oração - John Bunyan - 2

"Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna." (Hb 4:16, ARA)

"Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel." (Ex 25:22, ARA)

"2. Outra fonte de encorajamento para a alma que treme miseravelmente ao ser convencida de seu pecado, é considerar o lugar, trono ou assento em que o grande Deus assentou-Se para ouvir as súplicas e orações das pobres criaturas, que é o 'trono da graça' (Hb 4:16), o 'assento-de-misericórdia' (Ex 25:22), o que significa que nos dias do Evangelho, Deus estabeleceu Sua morada na misericórdia e no perdão, e dali se propõe a ouvir o pecador, e falar com ele como diz em Êxodo 25:22. Pobres almas! Quão propensas são a ter pensamentos estranhos a respeito de Deus e de Sua provisão para com elas, chegando precipitadamente à conclusão de que Ele não as tem em conta, ainda que esteja sobre o 'assento-de-misericórdia', e assentou-se ali propositalmente, a fim de poder ouvir e atender às suas orações! Se Ele tivesse dito: 'Falarei contigo desde o meu trono de juízo', certamente você faria bem em tremer e fugir da face da grande e gloriosa Majestade, mas quando disse que ouvirá e falará com as almas desde o 'trono da graça' ou desde o 'assento-de-misericórdia', você deve se sentir encorajado e esperançoso, ou melhor, animado a se chegar confiadamente a Ele para alcançar misericórdia e encontrar graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4:16)."

[Trecho do livro "Oração: Orando com o Espírito Santo e com o Entendimento", de John Bunyan]

----------
Nota:
- O 'assento-de-misericórdia', que vem do termo 'mercy seat' usado na Bíblia em inglês (ESV), aparece na Bíblia em português (ARA) como 'propiciatório'.
"There I will meet with you, and from above the mercy seat, from between the two cherubim that are on the ark of the testimony, I will speak with you about all that I will give you in commandment for the people of Israel" (Ex 25:22, ESV)