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24 janeiro 2026

mente - ENTE - crente

Ah, outrora, quanta dor e confusão! Tu te lembras, mente?
Pois buscavas muitas alternativas, AUTOMATICAMENTE,
Na esperança de encontrares, talvez RELATIVAMENTE,
Um resíduo de paz, para descansar EXISTENCIALMENTE.
 
Em tantas desculpas esfarrapadas, ARROGANTEMENTE,
Tentavas negar a marcante presença do ONIPOTENTE.
Duvidando que Ele também pudesse ser ONISCIENTE,
Buscavas, pateticamente, escapar do ONIPRESENTE.
 
Até que, certo dia, já bastante DESESPERADAMENTE,
O que esperavas alcançar apenas COGNITIVAMENTE, 
Se revelou, por Seu próprio poder, ELOQUENTEMENTE.
E fostes libertada, apenas por Ele, MONERGISTICAMENTE.
 
E agora, já redimida, tentas buscar RACIONALMENTE,
Conhecer, amar e adorar a este Ser divino, o triúno ENTE...
Que revela-se, a Si mesmo, graciosa e REDENTIVAMENTE,
Por meio da Sua poderosa e viva Palavra, EFICAZMENTE. 

Agora procure, oh mente, lembrar-te INTENCIONALMENTE,
Que és propriedade exclusiva deste bendito e soberano ENTE,
E viva para desgastar-te, para a glória dEle, INTENSAMENTE,
Prestando-Lhe um "culto racional", buscando renovar-te, mente.

Como último recado para quem lê, IMPRESCINDIVELMENTE: 
Exercitemo-nos, com esmero, na vida cristã, PIEDOSAMENTE.
E procuremos, "quer seja oportuno, quer não", plantar a SEMENTE...
Do singelo, puro e digno Evangelho de Cristo, que é a vida do crente

Toda a glória somENTE ao triúno ENTE (Ser) que também é SENHOR sobre a mENTE do crENTE!



14 outubro 2025

Aos olhos de Deus (v.a.)

"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1Coríntios 1:18-25)
 
Aos olhos do mundo, o cristão pode ser visto como um fraco...
Fraco por precisar acreditar no sobrenatural, além do mundo natural...
Fraco por confessar crer em um único Deus, que é vivo e eterno...
Fraco por ter que recorrer ao favor de um Pai Celeste...
Fraco por ter que depender da salvação de um Redentor, que é necessário e suficiente...
Fraco por ter que crer na obra auxiliadora e consoladora de um Santo Espírito...

Aos olhos do mundo, o cristão pode ser visto como um irracional...
Irracional por crer em um Reino espiritual e transcendente...
Irracional por comunicar-se, em oração, com uma realidade invisível aos olhos humanos...
Irracional por estar convencido da obra criadora, de um Deus soberano, no universo e na vida...
Irracional por acreditar em um Deus-homem imanente, que habitou entre nós há 21 séculos atrás... 
Irracional por ter convicção de que este Deus-homem se permitiu ser pendurado numa cruz, por nós...

Porém, o que importa mesmo, não é como o cristão é visto aos olhos de Deus?
Graças a Deus, pela redenção que há no Senhor Jesus Cristo, o Deus-homem, pois quando Deus olha para os Seus filhos e filhas, Ele não enxerga nossas fraquezas ou irracionalidades, mas enxerga o manto da justiça de Cristo imputada sobre aqueles que confiam nEle, através do Seu sacrifício naquela cruz.

“Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia.” (Salmos 33:18)
Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor.”
(Salmos 34:15)
“Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ele considera todas as suas veredas.”
(Provérbios 5:21)
  
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[versão atualizada (v.a.) do texto original, publicado em 16/01/2014]

22 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (22/09)

Alegre-se Israel naquele que o fez (…)” (Sl 149:2
'Alegre-se, ó crente, mas cuide para que a tua alegria tenha sua nascente no Senhor. Tens muitos motivos de alegria em teu Deus, uma vez que podes cantar com Davi: “Deus, que é a minha grande alegria” (Sl 43:4). Alegre-se que o Senhor reina, que Jeová é rei! Alegre-se por Ele estar assentado sobre o trono e governar todas as coisas! Cada atributo de Deus deve se tornar um novo raio na luz solar da nossa alegria. Que Ele é sábio deve nos alegrar, conhecendo, como nós conhecemos, a nossa própria insensatez. Que Ele é poderoso deve nos fazer regozijar, pois trememos diante da nossa fraqueza. Que Ele é eterno deve ser sempre um motivo de alegria quando nos lembramos que murchamos como a erva (Sl 37:2). Que Ele é imutável deve nos dar motivos de louvores eternamente, pois mudamos a cada hora. Que Ele é cheio de graça, que Ele é transbordante em graça, e que esta graça Ele nos deu em aliança; que ela é nossa para nos purificar; nossa para nos guardar; nossa para nos santificar; nossa para nos aperfeiçoar; nossa para nos levar à glória; tudo isso tende a nos alegrar nEle. Essa alegria em Deus é como um profundo rio; nós tocamos apenas as suas margens, e conhecemos pouco de suas límpidas e doces correntes celestiais; mais adiante, porém, a profundidade é maior, e a corrente mais impetuosa em sua alegria. O cristão sente que pode se deleitar não apenas naquilo que Deus é, mas também em tudo o que Deus fez no passado. Os salmos nos mostram que o povo de Deus, em tempos antigos, estava acostumado a meditar sobre os Seus feitos e a louvar cada um deles. Então, que o povo de Deus agora ensaie as proezas do Senhor! Que eles digam Seus atos poderosos, e “[cantem] ao Senhor, porque gloriosamente triunfou” (Ex 15:1). Que nunca deixem de louvar, pois como novas misericórdias fluem para eles dia após dia, assim a alegria deles nos atos amorosos do Senhor em providência e graça seja demonstrada em contínuas ações de graças. Vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor vosso Deus (Jl 2:23).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 22 de setembro

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“(…) quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu” (Sl 61:2
'A maioria de nós sabe o que é estar desmaiado de coração; vazio, como quando um homem limpa o prato e vira-o para baixo (2Rs 21:13); submerso e arremessado em desespero, como um barco dominado pela tempestade. Descobertas de corrupção interior farão isso, se o Senhor permitir que o grande abismo de nossa depravação se torne agitado, e jorre lama e sujeira. Decepções e corações partidos farão isso, quando ondas e mais ondas rolam sobre nós, e assim ficamos como uma concha quebrada, arremessada de um lado a outro. Bendito seja Deus, pois em tais épocas não estamos sem um todo-suficiente consolo; nosso Deus é o porto para os mastros castigados pelo tempo, a hospedaria para os desamparados peregrinos. Mais alto do que somos nós, é Ele; Sua misericórdia é maior que nossos pecados; Seu amor é maior que nossos pensamentos. É lamentável ver homens colocando sua confiança em algo inferior a eles mesmos; no entanto, nossa confiança está fixada em um altíssimo e glorioso Senhor. Uma Rocha é Ele, pois não muda, e uma Rocha alta, pois as tempestades que nos oprimem rolam muito abaixo de Seus pés; Deus não é perturbado por elas, antes as governa à Sua vontade. Se estamos sob o abrigo dessa elevada Rocha, podemos desafiar o furacão; tudo está calmo a sota-vento*** desse imponente Penhasco. Ah, tamanha é a confusão em que a mente perturbada é muitas vezes lançada que precisamos ser dirigidos a esse divino abrigo! Por isso a oração do texto (Sl 61:2). Ó Senhor nosso Deus, pelo Teu Espírito Santo, nos ensine o caminho da fé e nos conduza ao Teu repouso. O vento nos sopra para o mar, e o leme não responde a nossa insignificante mão; Tu, apenas Tu, podes guiar-nos seguros, sobre o caminho entre as rochas submersas, para a formosa enseada. Quão dependentes somos de Ti; precisamos de Ti para nos levar a Ti. Ser sabiamente dirigido e conduzido em segurança e paz é o Teu favor, e apenas Teu. Esta noite, apraza-Te em lidar bem com Teus servos.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 22 de setembro

***Nota: "sota-vento" é o "lado ou bordo contrário àquele de onde sopra o vento". Enquanto barlavento é o lado onde o vento vem (lado que recebe o vento), sotavento é o lado oposto, onde o vento vai (é o lado protegido do vento).

18 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/09)

Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” (Gl 5:25
'As duas coisas mais importantes em nossa sagrada religião são a vida de fé e o caminhar pela fé. Aquele que entender corretamente isso não estará longe de ser um mestre em teologia experimental, pois são pontos vitais para um cristão. Você nunca encontrará a verdadeira fé desacompanhada da verdadeira piedade; por outro lado, você nunca descobrirá uma vida verdadeiramente santa que não tenha como raiz uma fé viva na justiça de Cristo. Ai daqueles que buscam uma sem a outra! Há alguns que cultivam a fé e esquecem da santidade; eles podem ser muito elevados em ortodoxia, mas estarão em profunda condenação, pois detêm a verdade em injustiça (Rm 1:18); e há outros que se esforçam pela santidade de vida, mas têm negado a fé, como os fariseus de outrora, dos quais o Mestre disse que eram “sepulcros caiados” (Mt 23:27). Devemos ter fé, pois ela é o fundamento; devemos ter santidade de vida, pois essa é a estrutura. No dia da tempestade, de que serve para o homem a mera fundação de uma obra? Poderá esconder-se lá? Ele deseja uma casa para protegê-lo, assim como uma fundação para essa casa. Do mesmo modo, precisamos da estrutura da vida espiritual se quisermos ter conforto no dia da dúvida. No entanto, não procure uma vida santificada sem fé; isso seria erguer uma casa que não pode oferecer um abrigo permanente, pois não tem fundamento na rocha. Que a fé e a vida sejam postas juntas, e, como os dois pilares de um arco, elas farão nossa piedade duradoura. Semelhante à luz e ao calor que emanam do mesmo sol, elas são igualmente cheias de bênção; como as duas colunas do templo, elas são para glória e beleza (1Rs 7:21; 2Cr 3:17). São dois ribeiros da fonte da graça, duas lâmpadas acesas com fogo sagrado, duas oliveiras regadas pelo cuidado celestial. Ó Senhor, dá-nos vida interior no dia de hoje, e ela se revelará exteriormente para Tua glória.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 18 de setembro

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“(…) e elas me seguem” (Jo 10:27
'Devemos seguir nosso Senhor sem hesitação, tal como as ovelhas seguem o seu pastor, pois Ele tem o direito de nos guiar para onde Lhe agradar. Nós não somos de nós mesmos; fomos comprados por um preço (1Co 6:20; 7:23); reconheçamos os direitos do sangue redentor. O soldado segue o seu capitão; o servo obedece ao seu mestre; muito mais nós devemos seguir o nosso Redentor, a quem somos uma possessão adquirida (Ef 1:14). Não seremos fiéis a nossa profissão de sermos cristãos se questionarmos a ordem do nosso Líder e Comandante. A submissão é o nosso dever, contestar é a nossa loucura. Muitas vezes nosso Senhor pode nos dizer, tal como disse a Pedro: “Que te importa a ti? Segue-me tu” (Jo 21:22). Para onde quer que Jesus possa nos guiar, Ele vai adiante de nós. Se não sabemos para onde vamos, sabemos com quem vamos. Com um Companheiro assim, quem temerá os perigos da estrada? A jornada pode ser longa, mas Seus braços eternos nos levarão até o fim. A presença de Jesus é a certeza da salvação eterna; porque Ele vive, nós também viveremos (Jo 14:19). Devemos seguir a Cristo com simplicidade e fé, pois todos os caminhos em que Ele nos conduz terminam em glória e imortalidade. É verdade que podem não ser caminhos suaves; eles podem estar cobertos com duras e afiadas provações, mas todos eles levam à “cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11:10). “Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” (Sl 25:10). Coloquemos plena confiança em nosso Líder, pois sabemos que, vindo a prosperidade ou a adversidade, a doença ou a saúde, a popularidade ou o desprezo, Seu propósito será cumprido, e esse propósito será puro, bondade não misturada para cada herdeiro da misericórdia. Encontraremos ser doce subir o lado sombrio da colina na companhia de Cristo; e quando a chuva e a neve golpearem nossos rostos, o Seu querido amor nos fará muito mais abençoados do que aqueles que se sentam em casa e aquecem as mãos no fogo do mundo. Para o topo de Amana, para os covis dos leões, ou para os montes dos leopardos (Ct 4:8), seguiremos nosso Amado. Precioso Jesus, leva-nos, e correremos após Ti (Ct 1:4).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 18 de setembro

17 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (17/09)

“(…) fortalece-o (…)” (Dt 1:38
'Deus utiliza o Seu povo para encorajar uns aos outros. Ele não disse a um anjo: “Gabriel, o meu servo Josué está prestes a conduzir o meu povo para Canaã; vá e encoraje-o”. Deus nunca realiza milagres desnecessários; se os Seus propósitos puderem ser alcançados por meios comuns, Ele não utilizará um expediente milagroso. Gabriel não estaria sequer metade preparado para o trabalho quanto Moisés. A simpatia de um irmão é mais preciosa que uma delegação de anjos. Um anjo, rápido de asas, conhece melhor a vontade do Mestre do que o temperamento das pessoas; um anjo nunca experimentou a dureza do caminho, nem viu serpentes ardentes [abrasadoras] (Nm 21:6), nem conduziu a multidão de dura cerviz pelo deserto, tal como Moisés havia feito. Devemos nos alegrar por Deus normalmente trabalhar para o homem por meio do homem. Isso forma um vínculo de fraternidade e, sendo mutuamente dependentes uns dos outros, ficamos mais fundidos em uma única família. Irmãos, tomem o texto como a mensagem de Deus para vocês. Trabalhem para ajudar os outros e, principalmente, se esforcem para encorajá-los. Falem com alegria ao jovem e ansioso inquiridor; com amor, tentem remover os obstáculos de seu caminho. Quando vocês encontrarem uma centelha da graça no coração, se ajoelhem e a assoprem até se tornar uma chama. Deixem o jovem crente descobrir a aspereza da caminhada aos poucos, mas digam-lhe sobre a força que habita em Deus, a certeza da promessa, e os encantos da comunhão com Cristo. Busquem consolar os tristes e animar os desanimados. Falem uma palavra oportuna ao que está cansado, e incentivem aqueles que estão com medo de seguir em seus caminhos com alegria. Deus os encoraja por Suas promessas; Cristo os encoraja quando Ele aponta para o céu que Ele conquistou para vocês; e o Espírito os encoraja enquanto Ele opera em vocês tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade (Fp 2:13). Imitem a sabedoria divina e encorajem os outros, de acordo com a palavra desta noite.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 17 de setembro

16 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (16/09)

Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?” (Jó 7:12
'Essa foi uma estranha pergunta para Jó fazer ao Senhor. Ele se sentia insignificante demais para ser tão rigorosamente vigiado e castigado, assim como não achava que fosse tão rebelde para que precisasse ser tão reprimido. O questionamento era natural, vindo de alguém cercado por misérias tão insuportáveis, mas, depois de tudo, permitiu uma resposta muito humilhante. É verdade que o homem não é o mar, porém ele é ainda mais desobediente e indisciplinado. O mar respeita e obedece seu limite, e apesar de ser apenas um cinturão de areia, ele não o ultrapassa. Por mais poderoso que seja, ele ouve o mandamento divino “até aqui virás” (Jó 38:11), e mesmo na tormenta mais furiosa, respeita a ordem. No entanto, o obstinado homem desafia o céu e aflige a terra; não há fim para sua ira rebelde. O mar, obediente à lua, flui e reflui com incessante regularidade, rendendo uma obediência ativa e passiva; mas o homem, inquieto além da medida, dorme em relação aos deveres, sendo indolente onde deveria ser ativo; ele não irá, nem virá, conforme o comando divino, mas tristemente prefere fazer o que não deveria, e deixa de fazer aquilo que lhe é exigido. Cada gota no oceano, cada “floco de espuma efervescente”**, cada concha e seixo, sente o poder da lei, e recua ou se movimenta prontamente. Ó, que a nossa natureza fosse apenas uma milésima parte conformada com a vontade de Deus! Chamamos o mar de falso e inconstante, porém como é constante! Desde o dia de nossos pais, e nos tempos antes deles, o mar está no lugar onde sempre esteve, batendo nas mesmas falésias com a mesma melodia; sabemos onde encontrá-lo; ele não abandona seu leito nem o seu incessante rugido; contudo, onde está o homem vão, o inconstante homem? Pode o sábio imaginar por qual loucura ele será seduzido de sua obediência? Mais precisamos de uma guarda do que o ondulante mar, pois somos muito mais rebeldes. Senhor, governa-nos para Tua própria glória. Amém.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 16 de setembro
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**Nota do Tradutor (N.T.): “floco de espuma efervescente” é uma referência ao livro O Cruzeiro do Midge, escrito pelo novelista inglês Michael Scott (1789–1835). 

15 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (15/09)

“(…) um povo que lhe é chegado (…)” (Sl 148:14
'A dispensação da antiga aliança era a da distância. Quando Deus apareceu ao Seu servo Moisés, Ele disse: “Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés” (Ex 3:5); e quando Se manifestou sobre o Monte Sinai ao Seu povo escolhido e separado, um dos primeiros mandamentos foi: “Marcarás limites ao povo em redor” (Ex 19:12). Tanto no culto sagrado do tabernáculo como no templo, a ideia de distância sempre esteve proeminente. A massa do povo nem sequer podia entrar no átrio exterior. No pátio interior, ninguém exceto os sacerdotes se atreveria a ingressar; e ao lugar mais íntimo, o Santo dos Santos (Ex 26:33-34), o sumo sacerdote entrava apenas uma vez no ano (Ex 30:10; Lv 16:34; Hb 9:7). Era como se o Senhor, naqueles primeiros tempos, ensinasse aos homens que o pecado Lhe era tão absolutamente repugnante que Ele deveria tratar os homens à semelhança dos leprosos colocados fora do arraial (Lv 13:46); e quando o Senhor chegou mais próximo a eles, Ele ainda os fez sentir a distância da separação entre um Deus santo e um pecador impuro. Quando veio o evangelho, fomos colocados em outro patamar. A palavra “vai” foi substituída pela “vem”; a distância deu lugar à proximidade, e nós, que outrora estávamos longe, fomos feitos próximos, pelo sangue de Jesus Cristo (Ef 2:13). A divindade encarnada não tem um muro de fogo ao Seu redor. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28) é a jubilosa proclamação de Deus no momento em que Ele aparece na condição humana. Ele agora não ensina ao leproso, a respeito de sua lepra, colocando-o à distância, mas Ele próprio sofre a penalidade de sua impureza. Que estado de segurança e privilégio é esse, próximo a Deus, através de Jesus! Você o conhece por experiência? Se você conhece, está você vivendo nesse poder? Maravilhosa é essa proximidade, porém ela será seguida por uma dispensação ainda maior de proximidade, quando for dito: “Eis aqui o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará” (Ap 21:3). Apresse-a, ó Senhor.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 15 de setembro

14 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (14/09)

“(…) havia também com ele outros barquinhos” (Mc 4:36
'Jesus era o Senhor Alto Almirante** do mar naquela noite, e Sua presença preservou todo o comboio. É bom navegar com Jesus, mesmo que seja em um pequeno barco. Quando navegamos na companhia de Cristo, não podemos ter a certeza de bom tempo, pois grandes tempestades podem arremeter contra a embarcação que leva o próprio Senhor. Também não devemos esperar encontrar um mar menos turbulento ao redor de nosso pequeno barco. Se formos com Jesus, devemos nos contentar em viajar como Ele viaja, e quando as ondas são duras com Ele, também serão conosco. É através da tempestade e da turbulência que chegaremos à terra, assim como Ele fez antes de nós. Quando a tempestade varreu o lago escuro da Galileia, todos os rostos se assombraram, e todos os corações temiam o naufrágio. Quando toda a ajuda da criatura foi inútil, o Salvador adormecido Se levantou e, com uma palavra, transformou o tumulto da tempestade em um profundo silêncio de tranquilidade; então, os barquinhos descansaram, assim como aquele que levava o Senhor. Jesus é a estrela marítima, e apesar de haver tristeza sobre o mar, quando Jesus está nele, há também alegria. Que os nossos corações façam de Jesus sua âncora, seu leme, seu farol, seu barco salva-vidas, e seu porto. Sua Igreja é a capitânia do Almirante; vamos acompanhar seus movimentos e encorajar seus oficiais com nossa presença. Ele próprio é o que lidera; sigamos sempre em Seu rastro, percebendo Seus sinais, orientando-nos por Seu mapa, nunca temendo enquanto Ele estiver no âmbito de alcance. Nenhum navio no comboio irá naufragar; o grande Comodoro vai orientar cada barco em segurança ao porto desejado. Pela fé, iremos desamarrar nossos cabos para mais um dia de cruzeiro, e navegar com Jesus em um mar de tribulação. Ventos e ondas não irão nos poupar, mas todos eles Lhe obedecem; por isso, quaisquer que sejam as rajadas que ocorram no exterior, a fé sentirá uma abençoada calma no interior. Jesus está sempre no centro do comboio atingido pela tempestade; alegremo-nos nEle. Sua embarcação chegou ao porto, e assim será a nossa.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 14 de setembro
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**Nota do Tradutor (N.T.): Senhor Alto Almirante (ou Lord High Admiral, no original) é o chefe titular da Marinha Real do Reino Unido. 

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Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sl 32:5
'A dor de Davi pelo pecado era amarga; seus efeitos eram visíveis exteriormente – “envelheceram os meus ossos” (Sl 32:3), “o meu humor [vigor] se tornou em sequidão de estio” (Sl 32:4). Nenhum remédio ele poderia encontrar, até que fizesse uma confissão completa diante do trono da graça celestial. Davi nos diz que, por algum tempo, ele manteve silêncio, e seu coração tornou-se mais e mais cheio de dor; como um lago entre as montanhas, cuja saída está bloqueada, sua alma transbordava com torrentes de tristeza. Ele forjou desculpas; ele se esforçou para desviar seus pensamentos, mas isso não serviu de coisa alguma; semelhante a uma ferida inflamada, sua angústia se acumulava, e por não usar a lanceta da confissão, seu espírito estava cheio de tormento e não encontrava descanso. Ao chegar nesse estado, ele deveria retornar ao seu Deus em humilde penitência, ou logo morreria. Então Davi se apressou ao propiciatório e lá desenrolou o livro de suas iniquidades diante dAquele que tudo vê, reconhecendo toda a maldade dos seus caminhos, em uma linguagem como a que você lê no quinquagésimo primeiro salmo [Salmo 51], e em outros salmos penitenciais. Tendo feito isso, uma tarefa tão simples e, contudo, tão difícil ao orgulho, ele imediatamente recebeu o sinal do perdão divino; os ossos que haviam sido quebrados foram feitos alegres (Sl 51:8), e ele saiu do seu aposento para cantar a bem-aventurança do homem cuja transgressão é perdoada (Sl 32:1). Veja o valor de uma confissão de pecado forjada pela graça! Ela deve ser valorizada acima de qualquer preço, pois em todos os casos em que há uma genuína e graciosa confissão, a misericórdia é concedida livremente, não porque o arrependimento e a confissão mereçam misericórdia, mas por amor a Cristo. Bendito seja Deus, pois sempre há cura para o coração quebrantado; a fonte está sempre fluindo para nos purificar de nossos pecados. Verdadeiramente, ó Senhor, és um Deus “pronto para perdoar (Ne 9:17)! Portanto, reconheçamos as nossas iniquidades.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 14 de setembro

13 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (13/09)

Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques” (Sl 84:6; trad. da bíblia ESV
o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva” (Sl 84:6; bíblia ARA
'Isso nos ensina que o conforto obtido por uma pessoa pode muitas vezes revelar-se útil para outra, assim como os poços poderiam ser utilizados pela companhia que viesse depois. Lemos um livro cheio de consolação, que é como a vara de Jônatas destilando mel (1Sm 14:27). Ah, pensamos que nosso irmão esteve aqui antes de nós, e cavou esse poço para nós, bem como para ele mesmo. “Noites de Choro”, “Harmonias Noturnas”, “Dia Eterno”, “Quinhão de Tribulação” e “Conforto para Enlutados” foram poços cavados por um peregrino para si mesmo, mas eles se revelaram bastante úteis para outros. Notamos isso especialmente nos Salmos, como neste início: “Por que estás abatida, ó minha alma?” (Sl 42:5). Os viajantes ficaram encantados ao verem as pegadas de um homem em uma enseada deserta [***], e nós nos deleitamos ao ver as marcas dos peregrinos enquanto atravessamos o vale de lágrimas. Os peregrinos cavam o poço, mas estranhamente ele é preenchido de cima, e não pela parte de baixo. Nós usamos os meios, mas a benção não brota dos meios. Cavamos um poço, mas o céu enche-o com chuva. O cavalo se prepara para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória (Pv 21:31). Os meios estão conectados com o fim, porém eles não o produzem. Veja aqui a chuva enchendo os tanques, a fim de que os poços se tornem úteis como reservatórios para a água; o trabalho não se perde, mas não substitui a ajuda divina. A graça pode muito bem ser comparada à chuva por causa de sua pureza, por sua influência refrescante e vivificante, pela sua vinda celestial, e pela soberania com que é concedida ou negada. Que os nossos leitores tenham chuvas de bênçãos, e que os poços que eles cavaram sejam preenchidos com água! Ó, o que são os meios e as ordenanças sem o sorriso do céu! Eles são como nuvens sem chuva e poços sem água. Ó Deus de amor, abra as janelas do céu e derrame uma bênção sobre nós!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 13 de setembro
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Nota do Tradutor (N.T.): “Noites de Choro”, “Harmonias Noturnas”, “Dia Eterno”, “Quinhão de Tribulação” e “Conforto para Enlutados” são alguns dos livros publicados pelo inglês Octavius Winslow (1808–1878), também conhecido como “O companheiro do Peregrino”, considerado um dos pregadores protestantes mais importantes do século XIX na Inglaterra.  
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[***] A ideia de que não estamos sozinhos na jornada de peregrinação cristã, quando percebemos que outros já trilharam o caminho antes de nós, e, provavelmente, outros ainda continuarão a trilhar o caminho depois de nós. 

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“(…) Este recebe pecadores (…)” (Lc 15:2
'Observe a condescendência desse fato. Este Homem, que Se eleva sobre todos os outros homens, santo, inofensivo, imaculado, separado dos pecadores, “este recebe pecadores”. Este Homem, que não é outro senão o Deus eterno, diante de quem os anjos velam seus rostos, “este recebe pecadores”. É preciso uma linguagem angelical para descrever uma tão poderosa condescendência de amor. Que qualquer um de nós estivesse disposto a buscar o perdido não haveria qualquer coisa de impressionante, pois ele é da nossa própria espécie; mas que Ele, o Deus ofendido, contra quem a transgressão foi cometida, tomar sobre Si a forma de servo, carregar o pecado de muitos e, então, receber de bom grado o mais vil dos vis, isso é maravilhoso. “Este recebe pecadores”; não, porém, para que permaneçam pecadores, mas Ele os recebe para que possa perdoar seus pecados, justificar o seu ser, limpar seus corações por Sua palavra purificadora, preservar suas almas pela habitação do Espírito Santo, habilitá-los a servi-Lo e, assim, manifestarem Seu louvor e terem comunhão com Ele. Jesus recebe pecadores no amor de Seu coração, tirando-os do monturo e usando-os como joias em Sua coroa; Ele os arranca como tições do fogo e preserva-os como inestimáveis monumentos de Sua misericórdia. Ninguém é tão precioso aos olhos de Jesus como os pecadores pelos quais Ele morreu. Quando Jesus recebe os pecadores, Ele não os recebe em um lugar fora de casa, em local ermo, onde caridosamente os recepciona como homens que não passam de pedintes, antes Ele abre os portões de ouro de Seu coração real e recebe o pecador diretamente em Si mesmo; sim, Ele admite o humilde penitente em união pessoal, e faz dele um membro do Seu corpo, de Sua carne e de Seus ossos. Nunca houve uma recepção como esta! Esse fato é ainda mais certo esta noite; Ele continua recebendo os pecadores; que os pecadores O recebam.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 13 de setembro

12 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (12/09)

O Senhor é Deus zeloso (…)” (Na 1:2
'O seu Deus é muito zeloso do seu amor, ó crente. Acaso Ele escolheu você? Então, Deus não pode suportar que você escolha outro. Não te comprou Ele com Seu próprio sangue? Então, Deus não pode suportar que você pense que você é seu próprio, ou que você pertença a este mundo. Deus lhe amou com um tal amor que não poderia descansar no céu sem você; Ele preferiu morrer do que deixar você perecer; Ele não pode suportar que alguma coisa se interponha entre o amor do seu coração e Ele mesmo. O Senhor é muito zeloso de sua confiança. Ele não permitirá que você confie em um braço de carne. Ele não pode suportar que você cave cisternas rotas (Jr 2:13) quando a fonte transbordante lhe está eternamente livre. Quando nos apoiamos sobre Ele, Ele Se regozija, mas quando transferimos nossa dependência para outro, quando confiamos em nossa própria sabedoria, ou na sabedoria de um amigo, ou, o pior de tudo, quando confiamos em qualquer de nossas obras, Ele Se desagrada, e nos corrigirá para nos trazer para Si mesmo. Ele também é muito zeloso de nossa companhia. Não deve haver alguém com quem conversemos mais do que com Jesus. Permanecer apenas nEle – isso é verdadeiro amor, mas comungar com o mundo, encontrar suficiente consolo em nossos confortos carnais, preferir a comunhão de nossos companheiros cristãos à íntima relação com Ele, tudo isso é doloroso ao nosso zeloso Deus. O Senhor deseja nos ter habitando nEle e desfrutando da constante comunhão consigo mesmo; e muitas das provações que nos envia têm o propósito de afastar nossos corações da criatura e trazê-los para mais perto de Si. Que este zelo que nos mantém perto de Cristo seja também um conforto para nós, pois se Ele nos ama tanto a ponto de Se importar com nosso amor, podemos ter certeza que Ele não permitirá que coisa alguma nos prejudique, e que nos protegerá de todos os nossos inimigos. Ó, que possamos ter graça no dia de hoje para manter nossos corações em sagrada castidade ao nosso Amado, fechando nossos olhos, com sagrado zelo, para todas as fascinações do mundo!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 12 de setembro

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Cantarei a misericórdia e o juízo (…)” (Sl 101:1
'A fé triunfa nas provações. Quando a razão é lançada no cárcere, com os pés amarrados no tronco, a fé faz com que as paredes do calabouço ressoem com suas alegres notas enquanto clama: “Cantarei a misericórdia e o juízo; a ti, Senhor, cantarei”. A fé puxa a sombria máscara da face dos problemas e descobre o anjo por detrás dela. A fé olha as temíveis nuvens e vê que… …“estão cheias com misericórdias, e romperão em bênçãos sobre sua cabeça”. Esse é um motivo de louvor, mesmo nos juízos de Deus para nós, pois, em primeiro lugar, a provação não é tão pesada quanto poderia ter sido; depois, o problema não é tão grave como merecíamos ter suportado, e nossa aflição não é tão esmagadora como o fardo que outros têm de carregar. A fé observa que, em sua pior tristeza, não há coisa alguma de punição; não há nela uma gota da ira de Deus; tudo é enviado em amor. A fé discerne o amor brilhando como uma joia no seio de um Deus irado. A fé diz de sua tristeza: “Esta é uma insígnia de honra, pois um filho deve sentir a vara”; então, ela canta o doce resultado de suas tristezas, pois elas trabalham seu bem espiritual. Não, mais ainda; a fé diz: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4:17). Assim, a fé cavalga sobre o cavalo negro, vencendo e para vencer, pisando a lógica e a razão carnal, cantando notas de vitória em meio ao mais pesado combate.
Tudo que encontro me ajuda, 
em meu caminho para a felicidade celestial
embora as provações agora me acompanhem, 
elas não mais incomodarão ao final. 
Acima abençoado com um peso de glória, 
embora o caminho até lá eu nunca esquecerei; 
porém, exultante, eu clamarei, 
que ele me conduziu ao trono do meu abençoado Rei”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 12 de setembro
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**Nota do Tradutor (N.T.): “estão cheias com misericórdias, e romperão em bênçãos sobre sua cabeça” é o trecho de um hino escrito pelo hinista e poeta inglês William Cowper (1731–1800). 

11 setembro 2025

“inauto-suficiência ou auto-insuficiência” (v.a.)

Porque Deus sabe que no dia em que dele [do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”; Gn 2:17] comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3:5)
 
Desde Adão e Eva, o ser humano procura ser auto-suficiente, tentando ser "como Deus", ou seja, tentando ser o próprio deus de si mesmo, para ficar independente do seu Criador.
Será que somos mesmo tão auto-suficientes? Será que não dependemos de nada ou ninguém além de nós mesmos? Será que não dependemos de nenhuma transcendência? Será que somos capazes de determinar o nosso destino, até mesmo como civilização ou humanidade? Será que a experiência individual de cada ser humano neste planeta já não é clara e didática o suficiente para responder a estas perguntas com convicção? Considerando o prefixo de negação (“in”) empregado na língua portuguesa, talvez pudéssemos definir o ser humano de maneira mais realista como “inauto-suficiente” ou “auto-insuficiente”.
Uma das citações conhecidas de Abraham Lincoln é a seguinte: “Muitas vezes fui levado a me ajoelhar pela convicção avassaladora de que não tinha mais para onde ir. Minha própria sabedoria e a de todos ao meu redor pareciam insuficientes para aquele dia”. 
A inspiração proveniente de suas palavras produziram alguns pensamentos para o dia:
 
Minha própria sabedoria pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria força pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria capacidade de amar pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria capacidade de dialogar pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria capacidade de perdoar pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria capacidade de servir pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria justiça pareceu insuficiente para o dia...
Minha própria obediência pareceu insuficiente para o dia...
Mas, "Graças a Deus pelo seu dom inefável!" (2Co 9:15)
Graças a Deus pelo Senhor Jesus Cristo, nosso necessário e suficiente Redentor...
Pois nEle há a plenitude da suficiência em tudo que parece auto-insuficiente para o dia...
E, isto se renova a cada dia de peregrinação com Ele, por Sua graça e misericórdia (Lm 3:21-25)...
Graças a Deus também pelo Seu bendito Espírito Santo, o Consolador [parakletos] (Jo 14:16,26)...
Que nos comunica a absoluta verdade de Cristo como Emanuel (“Deus Conosco”, Mt 1:23)

[...] Quem, porém, é suficiente para estas coisas?(2Co 2:16b)
“E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus(2Co 3:4-5)

A Ti, Senhor, seja toda a Glória, de eternidade a eternidade (Sl 90:2;103:17;106:48). Amém!
 
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[versão atualizada (v.a.) do texto original, publicado em 12/09/2014]

09 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (09/09)

Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33:3
'Existem diferentes traduções para esse trecho. Uma versão diz: “Anunciar-te-ei coisas grandes e fortificadas”. Uma outra traduz: “Coisas grandes e reservadas [ou ocultas]”. Há, portanto, coisas reservadas [ocultas] e especiais na experiência cristã. O desenvolvimento em todos os campos da vida espiritual não é algo fácil de alcançar. Há disposições e sentimentos comuns de arrependimento, de fé, de alegria e de esperança que são desfrutados por toda a família. No entanto, há um reino superior de arrebatamento, de comunhão e de consciente união com Cristo que está longe de ser a morada comum dos crentes. Nem todos temos o elevado privilégio de João, de nos inclinarmos sobre o peito de Jesus (Jo 13:25), nem o de Paulo, de sermos arrebatados ao terceiro céu (2Co 12:2). Existem alturas no conhecimento experimental das coisas de Deus que os olhos de águia da perspicácia e do pensamento filosófico jamais viram. Apenas Deus pode nos levar até lá, mas a carruagem em que Ele nos conduz, e os corcéis de fogo com os quais ela é puxada, são as orações prevalentes. A oração prevalente é vitoriosa sobre o Deus de misericórdia – “lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco” (Os 12:4). A oração prevalente leva o cristão ao Carmelo [ver 1Rs 18:41-46] e lhe permite cobrir o céu com nuvens de bênção, e a terra com torrentes de misericórdia. A oração prevalente leva o cristão ao alto de Pisga e mostra-lhe a herança reservada (Dt 34:1); ela [oração prevalente] nos eleva ao Tabor** e nos transfigura, até que, à semelhança de nosso Senhor, tal como Ele é, assim sejamos nós também neste mundo (1Jo 4:17). Se você deseja alcançar algo mais elevado que a experiência comum ordinária, olhe para a Rocha que é mais alta que você (Sl 61:2), e olhe com os olhos da fé através da janela da oração importuna [ver a parábola da viúva importuna em Lc 18:1-8]. Quando você abre a janela do seu lado, ela não estará aparafusada do outro lado.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 09 de setembro
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**Nota do Tradutor (N.T.): Segundo a tradição, a transfiguração de Jesus (Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36) aconteceu no monte Tabor. 
 

07 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (07/09)

“(…) no mar há angústia, não se pode sossegar” (Jr 49:23
'Pouco sabemos quais sofrimentos podem estar sobre o mar neste momento. Estamos seguros em nosso tranquilo aposento, porém, muito distante no mar de sal, o furacão pode estar cruelmente buscando a vida dos homens. Ouça como os demônios da morte uivam por entre os cordames; como todas as vigas se abrem quando as ondas, semelhantes a aríetes, açoitam o navio! Deus vos ajude, encharcados e cansados marinheiros! Minha oração se eleva até o grande Senhor do mar e da terra, para que Ele acalme a tormenta e os conduzam ao porto desejado! Eu não devo oferecer apenas uma oração; devo tentar ajudar esses valorosos homens que arriscam suas vidas tão constantemente. Já fiz eu alguma coisa por eles? O que posso fazer? Quantas vezes o mar tempestuoso engole o marinheiro! Milhares de corpos jazem onde as pérolas descansam nas profundezas. Há morte e tristeza sobre o mar, que é ecoada no longo pranto de viúvas e órfãos. O sal do mar está em muitos olhos de mães e esposas. Ó, ondas impiedosas, devorastes o amor das mulheres e a continuidade das famílias! Que ressurreição haverá das cavernas do abismo quando o mar entregar os seus mortos (*Ap 20:13)! Até então, haverá tristeza no mar. Como que simpatizando com as desgraças em terra, o mar está sempre bradando ao longo de mil praias, lamentando com um triste clamor semelhante aos seus próprios pássaros, ressoando um estrondo de inquietação, rugindo um vociferante descontentamento, enraivecido com uma fúria rouca, ou tilintando com as vozes de dez mil seixos murmurando. O rugido do mar pode ser alegre para um espírito regozijante, mas para o filho da tristeza, o vasto, vasto oceano é ainda mais miserável que o vasto, vasto mundo. Aqui não é o nosso descanso, e as ondas inquietas nos dizem isso. Há uma terra onde não há mais mar (**Ap 21:1); nossos rostos estão firmemente voltados em sua direção; estamos seguindo para o lugar que o Senhor falou. Até lá, lançamos nossas tristezas sobre o Senhor que caminhou sobre o mar, e fez um caminho para o Seu povo, através de suas profundezas.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 07 de setembro

Referências bíblicas:
*Ap 20:13 --> "Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras."
**Ap 21:1 --> "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe."

01 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (01/09)

Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás na glória” (Sl 73:24
'O salmista sentiu sua necessidade de orientação divina. Ele tinha acabado de descobrir a loucura de seu próprio coração e, para que não fosse constantemente desviado por ele, resolveu que o conselho de Deus deveria, de agora em diante, guiá-lo. A percepção de nossa própria loucura é um grande passo para sermos sábios, quando isso nos leva a confiar na sabedoria do Senhor. O cego apoia-se no braço de seu amigo e chega em casa em segurança; do mesmo modo devemos nos entregar completamente à orientação divina, nada duvidando, assegurados de que, embora não possamos ver, é sempre seguro confiar no Deus que tudo vê. “Guiar-me-ásé uma expressão bem-aventurada de confiança. O salmista tinha a certeza que o Senhor não recusaria a condescendente tarefa. Aqui há uma palavra para ti, ó crente; descanse nela. Tenha certeza que o teu Deus será teu conselheiro e amigo; Ele te guiará; Ele direcionará todos os teus caminhos. Em Sua Palavra tens parte dessa garantia cumprida, pois a Sagrada Escritura é o Seu conselho para ti. Felizes somos nós por termos a Palavra de Deus sempre a nos guiar! O que seria dos marinheiros sem a sua bússola? E o que seria do cristão sem a Bíblia? Ela é a infalível carta náutica, o mapa onde cada banco de areia está descrito, e onde todos os canais destrutivos de areia movediça, até a enseada da salvação, estão delineados e marcados por Aquele que conhece todo o caminho. Bendito sejas Tu, ó Deus, pois confiamos em Ti para nos guiar agora e nos guiar até o fim! Após essa orientação ao longo da vida, o salmista antecipa uma recepção divina ao final – “e depois me receberás na glória”. Que pensamento para ti, crente! O próprio Deus te receberá em glória! A ti! Vagueando, errando e desviando-se, porém Ele te trará finalmente a salvo para a glória! Essa é a tua porção; viva nela o dia de hoje e, se perplexidades te cercarem, vá direto ao trono na força desse texto.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 01 de setembro

31 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (31/08)

(…) e no meu braço esperarão” (Is 51:5
'Em períodos de severas provações, o cristão não tem coisa alguma na Terra em que possa confiar; por isso, ele é compelido a lançar-se apenas sobre o seu Deus. Quando seu navio está a pique, e nenhum livramento humano está ao seu dispor, ele deve, simples e inteiramente, confiar a si mesmo à providência e ao cuidado de Deus. Bem-aventurada a tempestade que naufraga o homem em uma rocha como esta! Ó, abençoado furacão que conduz a alma até Deus, e apenas a Deus! Às vezes, não há como chegar ao nosso Deus por causa da multidão dos nossos amigos; no entanto, quando um homem fica tão pobre, tão sem amigos, tão indefeso que não tem mais para onde recorrer, ele se apressa para os braços de seu Pai, e lá é abraçado de maneira abençoada! Quando ele está sobrecarregado com problemas tão prementes e tão particulares que não pode dizê-los a ninguém senão ao seu Deus, ele pode ser grato por eles, pois aprenderá mais de seu Senhor do que em qualquer outro momento. Ó, crente sacudido pela tempestade, é um feliz problema aquele que te leva ao teu Pai! Agora que tens apenas o teu Deus em quem confiar, vejas se colocas a tua plena confiança nEle. Não desonre teu Senhor e Mestre por dúvidas e medos injustificáveis, mas seja forte na fé, dando glória a Deus. Mostre ao mundo que o teu Deus vale dez mil mundos para ti. Mostre aos homens ricos quão rico és em tua pobreza, quando o Senhor Deus é o teu ajudador (Sl 54:4). Mostre ao homem forte quão forte és em tua fraqueza, quando debaixo de ti estão os braços eternos (Dt 33:27). Agora é o momento para corajosas façanhas e proezas de fé. Seja forte e muito valente, e o Senhor teu Deus certamente, tão certo como Ele criou os céus e a Terra, glorificará a Ele mesmo em tua fraqueza, e magnificará Sua força em meio a tua aflição. A grandeza do arco celeste seria corrompida se o céu fosse sustentado por uma única coluna visível, e a sua fé perderia sua glória se ela descansasse em qualquer coisa perceptível aos olhos carnais. Que o Espírito Santo lhe conceda descansar em Jesus neste dia de encerramento do mês.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 31 de agosto

30 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (30/08)

Espera no Senhor (…)” (Sl 27:14
'Esperar pode parecer uma coisa fácil, contudo é uma das posturas que um soldado cristão não aprende senão com anos de ensino. Marchar e apressar o passo são coisas muito mais fáceis aos guerreiros de Deus do que ficar parado. Há horas de perplexidade quando o espírito mais disposto, ansiosamente desejoso de servir ao Senhor, não sabe que parte tomar. Então, o que ele deve fazer? Irritar-se pelo desespero? Retroceder em covardia, virar à direita com medo, ou correr para a frente em presunção? Nada, mas simplesmente esperar. No entanto, espere em oração. Clame a Deus e coloque o caso diante dEle; diga-Lhe sua dificuldade e pleiteie Sua promessa de ajuda. Em dilemas entre um dever e outro, é doce ser humilde como uma criança e esperar no Senhor com simplicidade de alma. A certeza de estarmos bem conosco é quando sentimos e conhecemos nossa própria loucura, e estamos sinceramente dispostos a sermos guiados pela vontade de Deus. Mas espere com fé. Expresse sua inabalável confiança nEle, pois a infiel e desconfiada espera é senão um insulto ao Senhor. Acredite que se Ele o mantém esperando até a meia-noite, Ele virá na hora certa; a visão virá e não tardará (Hc 2:3). Espere com tranquila paciência, não se rebelando porque você está sob aflição, mas bendizendo o seu Deus por isso. Nunca murmure contra causas secundárias, como os filhos de Israel fizeram contra Moisés; nunca deseje que você pudesse voltar novamente para o mundo, mas aceite o caso como ele está, e coloque-o tal como é, de forma simples e com todo o seu coração, sem qualquer vontade própria, nas mãos do Deus da aliança, dizendo: “Agora, Senhor, não a minha vontade, mas a Tua seja feita. Eu não sei o que fazer; eu fui levado ao limite, mas esperarei até que unas as inundações (Sl 74:15) ou rechace meus inimigos (Sl 44:5). Eu esperarei se me retiveres por muitos dias, pois meu coração está firme apenas em Ti, ó Deus, e meu espírito espera por Ti na plena convicção que ainda serás minha alegria e minha salvação, meu refúgio e minha fortaleza”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 30 de agosto

27 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (27/08)

Nas tuas mãos encomendo [entrego] o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade” (Sl 31:5
'Essas palavras têm sido frequentemente utilizadas por homens santos na hora da partida. Nós podemos considerá-las de maneira proveitosa esta noite. Na vida e na morte, o objetivo da solicitude [anseio, afã, empenho] do homem de fé não é seu corpo ou suas propriedades, mas seu espírito; esse é o seu tesouro escolhido, e se ele estiver seguro, tudo estará bem. O que é este estado mortal em comparação à alma? O crente confia sua alma às mãos do seu Deus; ela veio dEle, é Sua propriedade; Ele outrora a sustentou, e é capaz de guardá-la; logo, é mais que adequado que Ele a receba. Todas as coisas estão seguras nas mãos de Jeová; aquilo que confiamos ao Senhor estará seguro, tanto agora como naquele grande dia para o qual estamos caminhando. É uma tranquila vida, e uma gloriosa morte, descansar aos cuidados do céu. Em todos os momentos devemos cometer [confiar] nosso tudo às fiéis mãos de Jesus. Então, embora a vida possa estar pendurada por um fio, e as adversidades se multipliquem como as areias do mar, nossa alma repousará no bem (Sl 25:13), e se deleitará em lugares tranquilos de descanso
Tu me redimiste, Senhor Deus da verdade”. A redenção é uma base sólida para a confiança. Davi não conheceu o Calvário como nós conhecemos, porém a redenção temporal o animou. Acaso a redenção eterna não irá nos consolar ainda mais docemente? Livramentos passados são fortes apelos para o socorro presente. Aquilo que o Senhor tem feito, Ele o fará novamente, pois o Senhor não muda (Ml 3:6). Ele é fiel as Suas promessas, e gracioso para com os Seus santos. Ele não Se afastará do Seu povo
Ainda que me destruas, eu confiarei, 
mesmo do pó eu Te louvarei; 
provado sou, e digo nesse estado, 
o Teu amor inefável; 
podes Tu corrigir e castigar, 
porém negligente nunca serás; 
uma vez que o preço do resgate pago está, 
em Teu amor minha esperança irá descansar”.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 27 de agosto

25 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (25/08)

(…) o seu fruto é doce ao meu paladar” (Ct 2:3
'A fé, nas Escrituras, é mencionada sob o emblema de todos os sentidos. Ela é visão – “olhai para mim, e sereis salvos” (Is 45:22). Ela é audição – “ouvi, e a vossa alma viverá” (Is 55:3). A fé é olfato – “todas as tuas vestes cheiram a mirra e aloés e cássia” (Sl 45:8); “como o unguento derramado é o teu nome” (Ct 1:3). A fé é tato espiritual; por essa fé, a mulher veio por detrás e tocou a orla do manto de Cristo (Mt 9:20-21; Mc 5:25-28; Lc 8:43-44), e por meio dela nós lidamos com as coisas da boa palavra da vida. A fé é igualmente o paladar do espírito. “Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca” (Sl 119:103); “se não comerdes a carne do Filho do homem”, diz Cristo, “e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmo” (Jo 6:53). Esse “paladar” é a fé em uma de suas mais elevadas operações. Uma das primeiras manifestações da fé é a audição. Nós ouvimos a voz de Deus, não apenas com o ouvido exterior, mas com o ouvido interior. Nós a ouvimos como a Palavra de Deus, e acreditamos que assim seja; isso é a “audição” da fé. Então, nossa mente olha para a verdade tal como nos é apresentada, ou seja, nós a entendemos, percebemos o seu significado; isso é a “visão” da fé. Em seguida, descobrimos sua preciosidade; começamos a admirá-la, e percebemos quão perfumada ela é; isso é o “olfato” da fé. Então, nos apropriamos das misericórdias que nos estão preparadas em Cristo; isso é o “tato” da fé. Daí seguem os deleites, a paz, a alegria, a comunhão, que são o “paladar” da fé. Qualquer um desses atos de fé é salvador. Ouvir a voz de Cristo, como a verdadeira voz de Deus na alma, nos salvará. Contudo, o que promove verdadeiro prazer é o aspecto da fé em que Jesus, por sagrado paladar, é recebido em nós e feito ser o alimento de nossas almas, por meio da compreensão interior e espiritual de Sua doçura e preciosidade. É então que nos sentamos à Sua sombra com grande prazer (Ct 2:3), e encontramos Seu fruto doce ao nosso paladar.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 25 de agosto

19 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (19/08)

E ele permanecerá, e apascentará ao povo na força do Senhor (…)” (Mq 5:4
'O reinado de Cristo em Sua Igreja é o de um pastor-Rei. Ele tem supremacia, mas é a superioridade de um sábio e tenro pastor sobre o Seu carente e amoroso rebanho. Ele comanda e recebe obediência, mas é a obediência voluntária de ovelhas bem cuidadas, prestada alegremente ao seu amado Pastor, cuja voz elas conhecem tão bem (Jo 10:1-5). Ele governa pela força do amor e pela energia da bondade. Seu reinado é prático em sua natureza. Está dito: “Ele permanecerá, e apascentará”. O grande Cabeça da Igreja está ativamente empenhado no provimento de Seu povo. Ele não Se assenta em Seu trono sem propósito, nem empunha um cetro sem governar; Ele permanece e apascenta. A expressão “apascenta”, no original, é análoga àquela no grego que significa “pastorear”, ou seja, fazer tudo o que é esperado de um pastor: orientar, vigiar, preservar, restaurar, cuidar e alimentar. Seu reino é contínuo em sua duração. Está dito: “Ele permanecerá, e apascentará”, e não: “Ele alimentará de vez em quando, e deixará Sua posição”; ou: “Ele um dia concederá um reavivamento e, então, no dia seguinte, deixará Sua Igreja à esterilidade”. Seus olhos nunca dormem, e Suas mãos nunca descansam; Seu coração não deixa de bater com amor, e Seus ombros nunca estão cansados de carregar os fardos de Seu povo. Seu reino é eficazmente poderoso em sua atividade – “Ele apascentará na força do Senhor”. Onde quer que Cristo esteja, Deus está, e tudo o que Cristo faz é ação do Altíssimo. Ó, é uma alegre verdade considerar que Aquele que hoje Se levanta representando os interesses de Seu povo é o verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, a quem todo joelho se dobrará (Is 45:23). Felizes somos nós que pertencemos a um Pastor como esse, cuja humanidade se comunica conosco, e cuja divindade nos protege. Vamos adorar e nos prostrar diante dEle como povo do Seu pasto (Sl 95:6-7).'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 19 de agosto


'Senhor, sempre a Tua face buscamos; 
tentados, e pobres, e fracos somos; 
mantenha-nos com corações humildes e mansos, 
não caiamos, não caiamos.'
[Uma pequena oração encontrada no Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 19 de agosto

18 agosto 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/08)

E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou” (Mc 15:23
'Uma verdade de ouro é expressa no fato do Salvador ter afastado de Seus lábios o vinho com mirra. Nas alturas do céu e na eternidade, o Filho de Deus estava em pé, e, ao olhar para baixo em direção ao nosso globo, Jesus mediu a longa descida até as mais profundas misérias humanas. Ele calculou a soma total de todas as agonias que a expiação exigiria, e não a diminuiu em nada. Jesus determinou solenemente que, para oferecer um sacrifício expiatório suficiente, Ele devia percorrer todo o caminho, desde o mais alto até o mais baixo, do trono da mais alta glória para a cruz da mais profunda aflição. Este cálice de mirra, com sua influência soporífera [sonífera/analgésica], O teria colocado um pouco antes do limite máximo da miséria, e por isso Ele o recusou. Jesus não Se deteria antes de tudo aquilo que tinha Se comprometido a sofrer por Seu povo. Ah, quantos de nós ansiamos por alívios para nossas dores, alívios que nos seriam prejudiciais! Leitor, porventura você nunca orou pela dispensa de um difícil serviço, ou de um sofrimento, com petulante e voluntariosa ansiedade? A providência, com um golpe, tirou de você o desejo de seus olhos. Veja, cristão, se tivesse sido dito: “Se você assim o desejar, aquele seu ente querido viverá, porém Deus será desonrado”; poderia você repudiar a tentação, e dizer: “Seja feita a Tua vontade”? Ó, é doce ser capaz de dizer: “Meu Senhor, se por outras razões não necessito sofrer, está bem; contudo, se eu puder Te honrar mais pelo sofrimento, e se a perda de todas as minhas coisas terrenas trouxer glória a Ti, então que assim seja. Eu recuso o conforto, se ele se interpõe no caminho da Tua honra”. Ó, que andemos mais nos passos de nosso Senhor, suportando com alegria a provação por amor a Ele, prontamente e de bom grado afastando o pensamento sobre nós mesmos, e o consolo quando isso interferir com o término da obra que Ele nos deu a fazer. Grande graça é necessária, mas grande graça é fornecida.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 18 de agosto