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09 dezembro 2023

Piedade Cristã: Os Frutos do Verdadeiro Cristianismo (John Bunyan)

"Este é um legado peculiarmente solene, pois o desejo ardente do autor é assim expresso: 'Antes que eu morra [como o maior de todos os deveres que ele teve que desempenhar], permita-me estimulá-lo à fé e à santidade'. Que seja nosso dever e privilégio examinar fielmente nossa conduta à luz das Escrituras Sagradas, com as quais este tratado é belamente adornado. Ele foi escrito na perspectiva do sofrimento e da morte e, ainda assim, como a alma do autor estava serena! Nenhum peso, dúvida ou medo é visto; o seu legado para nós e para os que sobreviveram a ele é: 'Amem-se uns aos outros mesmo após eu morrer. Meus labores de amor por vocês são limitados a este mundo. Embora eu descanse dos meus trabalhos e estarei no paraíso, como pela graça acredito com consolo, todavia, quero lhes fazer o bem mesmo quando eu não estiver mais aqui'. Considere o que ele escreveu e as Escrituras pelas quais todas as frases são confirmadas, e que a sua oração fervorosa e conclusiva seja respondida com relação à nossa alma: 'Que o Senhor nos dê entendimento em todas as coisas. Amém'." (Palavra do Editor)

"A fé recebe a promessa, a toma para si e consola a alma de modo inefável. A fé é tão habilidosa em argumentar e arrazoar com a alma, que vencerá até mesmo o coração mais duro. A fé trará à minha lembrança de uma só vez tanto a minha vileza contra Deus quanto a bondade dele para comigo. Ela me mostrará que embora eu não mereça sequer respirar, Deus me fará um herdeiro da glória. Ora, não há argumento maior do que esse. A fé fará um homem passar por dez mil dificuldades, para que possa agradar a Deus, ainda que não faça isso por si mesmo, mas pela graça concedida a ele." (Piedade Cristã, introdução/prefácio)

" 'O amor', diz o sábio, 'é forte como a morte… As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam' (Cântico 8:6-7). Ah! Quando a alma condenada, quebrantada e moribunda consegue ver, pela fé, o amor de um Salvador de coração terno e também vê o que ele sofreu para libertá-la da morte, da culpa e do inferno, então ela teme por saber dessa maldição que ela muito justamente merecia! 'Bendize, ó minha alma, ao Senhor' e 'o que darei ao Senhor por todos os seus benefícios?' (Salmos 103:1-3; 116:1-14)." (Piedade Cristã, introdução/prefácio)

"Assim, você vê como homens sábios e tolos, santos e pecadores, cristãos e pagãos, erram na questão das boas obras. Portanto, todos devem atentar cuidadosamente para que as suas obras sejam realmente boas. Com a ajuda de Deus, para evitar erros neste assunto, mostrarei a você o que é uma obra realmente boa. Em primeiro lugar, uma boa obra deve ter a Palavra de Deus como sua autoridade. Em segundo lugar, como antes foi dito, ela deve fluir da fé. Em terceiro lugar, ela deve ser feita no tempo e do modo certo. Em quarto lugar, deve ser feita de modo voluntário, alegre etc." (Piedade Cristã, introdução/prefácio)

(Trechos do livro "Piedade Cristã: Os Frutos do Verdadeiro Cristianismo", de John Bunyan)

 

20 março 2022

Oração - John Bunyan - 3

"e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel" (Hb 12:24)

"mas, no segundo, o sumo sacerdote, ele sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelos pecados de ignorância do povo" (Hb 9:7)

"3. Existe ainda um outro motivo de encorajamento para continuar em oração a Deus, e é o seguinte: Além do fato de que há um propiciatório, de onde Deus quer falar com os pobres pecadores, também é um fato que, ao lado desse 'assento-de-misericórdia' está Jesus Cristo, aspergindo-o constantemente com o Seu sangue. Por isso, é chamado de 'sangue da aspersão' (Hb 12:24). Quando o sumo sacerdote, debaixo da lei, havia de entrar no lugar santíssimo, onde estava o 'assento-de-misericórdia' ou propiciatório, não poderia fazê-lo 'sem sangue' (Hb 9:7). Por que era assim? Porque apesar de Deus estar sobre o 'assento-de-misericórdia', Ele ainda era perfeitamente justo bem como misericordioso. Assim, pois, o sangue havia de impedir que a justiça [a ira santa de Deus] caísse sobre as pessoas beneficiadas pela intercessão do sumo sacerdote [uma tipologia de Cristo], como está em Levítico 16:13-16, para dar a entender que toda a sua indignidade que você teme não deve impedi-lo de vir a Deus, em Cristo, buscando por misericórdia. Você argumenta que é ímpio e, portanto, Deus não levará em conta a sua oração. Certamente é assim, se você tem prazer na sua impiedade, e se achega a Ele de modo dissimulado. Porém, se você derrama o seu coração diante dEle consciente de sua impiedade, desejando com todo o seu coração ser salvo da culpa e ser limpo da imundície, não tema, pois a sua pecaminosidade não fará com que o Senhor tape os Seus ouvidos para não lhe ouvir. O valor do sangue de Cristo, que foi aspergido sobre o propiciatório, detém o curso da justiça [a ira santa de Deus] e abre uma comporta para que a misericórdia de Deus chegue até você. Portanto, agora tenha 'ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus' que abriu um 'novo e vivo caminho' para você; você não morrerá (Hb 10:19-20)...
... Seja sóbrio e humilde; vá até ao Pai em nome do Filho, e conte a Ele o seu caso [pleito, súplica] com a ajuda do Espírito Santo, e experimentarás o benefício de orar com o Espírito e com o entendimento também ['Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente', ver 1Co 14:15]."

[Trecho do livro "Oração: Orando com o Espírito Santo e com o Entendimento", de John Bunyan]


Oração - John Bunyan - 2

"Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna." (Hb 4:16, ARA)

"Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel." (Ex 25:22, ARA)

"2. Outra fonte de encorajamento para a alma que treme miseravelmente ao ser convencida de seu pecado, é considerar o lugar, trono ou assento em que o grande Deus assentou-Se para ouvir as súplicas e orações das pobres criaturas, que é o 'trono da graça' (Hb 4:16), o 'assento-de-misericórdia' (Ex 25:22), o que significa que nos dias do Evangelho, Deus estabeleceu Sua morada na misericórdia e no perdão, e dali se propõe a ouvir o pecador, e falar com ele como diz em Êxodo 25:22. Pobres almas! Quão propensas são a ter pensamentos estranhos a respeito de Deus e de Sua provisão para com elas, chegando precipitadamente à conclusão de que Ele não as tem em conta, ainda que esteja sobre o 'assento-de-misericórdia', e assentou-se ali propositalmente, a fim de poder ouvir e atender às suas orações! Se Ele tivesse dito: 'Falarei contigo desde o meu trono de juízo', certamente você faria bem em tremer e fugir da face da grande e gloriosa Majestade, mas quando disse que ouvirá e falará com as almas desde o 'trono da graça' ou desde o 'assento-de-misericórdia', você deve se sentir encorajado e esperançoso, ou melhor, animado a se chegar confiadamente a Ele para alcançar misericórdia e encontrar graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4:16)."

[Trecho do livro "Oração: Orando com o Espírito Santo e com o Entendimento", de John Bunyan]

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Nota:
- O 'assento-de-misericórdia', que vem do termo 'mercy seat' usado na Bíblia em inglês (ESV), aparece na Bíblia em português (ARA) como 'propiciatório'.
"There I will meet with you, and from above the mercy seat, from between the two cherubim that are on the ark of the testimony, I will speak with you about all that I will give you in commandment for the people of Israel" (Ex 25:22, ESV)


18 março 2022

Oração - John Bunyan - 1

"Uma vez iluminado o entendimento, está aberto o caminho para que a alma se achegue a Deus com argumentos apropriados, às vezes na forma de luta, como no caso de Jacó (Gn 32), às vezes em forma de súplica, e não apenas verbalmente, mas mesmo a súplica feita no coração é produzida pelo Espírito, através do entendimento. Tais argumentos efetivamente movem o coração de Deus. Quando Efraim chega a compreender corretamente qual foi a sua atitude ímpia para com o Senhor, então começa a lamentar-se (Jr 31:18-20). E ao lamentar contra si mesmo, emprega tais argumentos que comovem o coração do Senhor, obtém o Seu perdão e se faz agradável aos Seus olhos por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor"

"Bem ouvi que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado; converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus. Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade. Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR." (Jr 31:18-20)

"Estas são as queixas e lamentações de Efraim contra si mesmo, diante das quais o Senhor irrompe nas seguintes expressões, capazes de derreter um coração: 'Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR'. Deste modo, vocês podem perceber que é necessário orar com o Espírito, mas também com o entendimento."

[Trecho do livro "Oração: Orando com o Espírito Santo e com o Entendimento", de John Bunyan]

Nota:
Efraim (#0669 אפרים ’Ephrayim) = “duplo monte de cinzas: Eu serei duplamente frutífero”


17 janeiro 2022

Graça Abundante

Graça Abundante ao principal dos pecadores - John Bunyan

Trecho do capítulo "O triunfo da graça":

"Contudo, eu via meu pecado como o mais bárbaro e imundo crime e não pude deixar de concluir, com grande vergonha e assombro, que tinha insultado terrivelmente o santo Filho de Deus. Então, senti minha alma compadecer-se dele e amá-lo muito e, no meu íntimo, o desejei, enquanto percebi que ele ainda era meu amigo e retribuíra com o bem o mal que eu fizera. Sim, o amor e a afeição que ardiam dentro em mim por meu Senhor e Salvador jesus Cristo encorajavam, naquele momento, um forte e apaixonado desejo de vingança contra mim mesmo devido à maneira como o insultei. Para expressar com palavras o que eu pensava, diria que se tivesse 4.500 litros [i] de sangue em minhas veias, de boa vontade eu os derramaria todos à ordem de meu Senhor e Salvador e aos seus pés."

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Notas:
[i] "4.500 litros" correspondem aproximadamente à "1.000 galões imperiais" (thousand gallons, no original). Um detalhe interessante é que esta declaração autobiográfica do autor (John Bunyan) é muito parecida com a declaração do personagem "Esperançoso" no final do capítulo 18 do seu outro livro bastante conhecido, "O Peregrino". No final do capítulo 18, em um diálogo entre os amigos e companheiros de peregrinação, "Esperançoso" responde ao "Cristão": "Fez-me amar a vida de santidade... e desejar fazer algo para honra e glória do nome do Senhor Jesus. Pensei: tivesse eu agora mil litros (thousand gallons, no original) de sangue nas veias, poderia vertê-lo todo por amor de Jesus Cristo".