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29 agosto 2026

Bom dia meu irmão amADO...

Outra vez, ao raiar do dia, um terceiro amigo inspirado ao ler a conversa anterior de outros dois amigos, também enviou uma mensagem, em versos, para um destes amigos em comum:
Bom dia meu irmão amADO 
Espero que nessa manhã de sabADO
Estejas bem descansADO
Que já estejas acordADO 
Pois daqui a 5 minutos pelo fone serás chamADO
Por esse irmão que mesmo desse LADO
Anda, com você, preocupADO.

A réplica, também em versos, do amigo em comum aconteceu imediatamente antes da ligação que ocorreu na sequência destas mensagens:
Caro irmão, que levantou inspirADO
Que bom que já estás acordADO
Gracioso é este poema arretADO
Que me deixou até assombrADO
Com vontade de clamar um brADO
Ao único Deus vivo, o Eterno amADO
O único merecedor de ser louvADO
Esteja Ele, sempre, ao nosso LADO!

Mais uma vez dou graças a Deus por amigos e irmãos como este e outros, que têm "tornado o caminho para o Céu mais doce". Conversar e orar junto com estes amigos, por telefone ou pessoalmente, tem sido uma generosa dádiva do Senhor neste mundo árido e febril.
Um abraço amistoso, Fernando.
Com amor fraterno, em Cristo.

10 julho 2026

Aprendizado piedoso 250

"SENHOR, não cabe a mim decidir"
["LORD, it belongs not to my care"] 
(oração de Richard Baxter, em forma de poesia) 

Senhor, não cabe a mim decidir
se hei de viver ou morrer;
Amar-Te e servir-Te é o meu quinhão,
E a Tua graça o há de conceder.

Se a vida for longa, hei de me alegrar,
por poder obedecer-Te por mais tempo;
Se for curta, por que eu haveria de me entristecer
ao acolher o "dia-sem-fim"? ["eternidade"]

Cristo não me guia por vales mais sombrios
do que aqueles pelos quais Ele mesmo já passou antes;
Quem ao reino de Deus deseja chegar,
por esta Porta [João 10:9] deve entrar.

Vem, Senhor, quando a graça me tornar apto
a contemplar a Tua face bendita;
Pois se a Tua obra na terra é tão doce,
{Ó,} como será a Tua glória!

Então porei fim às minhas tristes queixas,
e aos meus dias de pecado e cansaço;
E me unirei aos santos triunfantes,
que cantam louvores ao meu Salvador.

É pouco o que sei sobre aquela vida [eterna],
Turvo é o olhar da fé;
Mas basta que Cristo tudo saiba,
e que eu estarei com Ele.

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*Richard Baxter (1615-1691): 'serviu como sacerdote anglicano na Inglaterra durante um período de profunda agitação, guerra civil e grande instabilidade política. Seus escritos e sermões convocam os cristãos a uma vida santa, mesmo que isso lhes custe caro. Ele cunhou o termo "Cristianismo Puro e Simples" [“Mere Christianity”], que C.S. Lewis adotou para sua obra clássica.'
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Links: 
- C.S. Lewis Institute
< tradução automática do texto para português >
- Hymnary.org
- "Richard Baxter" na Enciclopédia Britânica
-  e-book "The Treasury of Sacred Song" (www.ccel.org)
["LORD, it belongs not to my care" aparece na pg. 240]

27 junho 2026

Aprendizado piedoso 247

EU PRECISO DA TUA PROTEÇÃO

Deus bendito! Eu busco refúgio no Teu poder Todo-Poderoso.
Tu me vês cercado de dificuldades e perigos, e estendes o Teu braço onipotente para me salvar.
Hoje, coloco-me sob a Tua proteção. Que eu faça da sombra das Tuas asas o meu refúgio. Que a Tua graça me baste, e que a Tua força se aperfeiçoe na minha fraqueza.
Não ouso dizer: "Nunca Te abandonarei, nunca Te negarei", mas espero poder dizer verdadeiramente: "Senhor, decido não o fazer. Prefiro morrer a ofender-Te".
Arranca a corrupção do meu coração. Numa hora de tentação intensa, ela poderia levar-me a ver as coisas sob uma ótica diferente e, assim, trair-me, entregando-me nas mãos do inimigo!
Fortalece a minha fé, Senhor, e encoraja a minha esperança! Inspira-me a resistir a tudo o que bloqueia o meu caminho para o céu. E permite-me enfrentar, com firmeza, todos os ataques da terra e do inferno.
Se os pecadores me tentarem, que eu saiba dizer não. Se me insultarem, que eu saiba ignorar. Se me ameaçarem, que eu não tema!
Dá-me, em vez disso, um zelo santo e ardente, porém prudente e equilibrado, para ver outros convertidos, e voltando-se para Ti.
Que eu nunca me envergonhe de defender a Tua causa diante daqueles que se opõem à fé. Como diz o salmista: "Faze-me ouvir alegria e regozijo na minha alma, e ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, para que os pecadores se convertam a Ti".
Os meus medos persistem, Senhor, mas não há ninguém a quem culpar senão a mim mesmo. Uno-me a Ti ao reconhecer a minha insensatez.
Guarda-me, ó Senhor, agora e sempre. Qualquer que seja a idade, ou a fase da vida que eu alcance, nunca permitas que eu pense ser forte o suficiente para sustentar o combate sem Ti.
E, mesmo na minha fé ainda jovem, nunca permitas que eu me imagine tão fraco a ponto de Tu não poderes sustentar-me.
Onde quer que Tu me guies, que eu te siga. Onde quer que Tu me leves na vida, que eu trabalhe fielmente. Que eu lute a santa batalha contra os inimigos da minha salvação. E que eu caia lutando, ao invés de abandonar o meu posto.
Tu és o meu glorioso Redentor, o pioneiro da minha salvação, o grande Autor e Consumador da minha fé. Quando eu estiver em perigo de negar-Te, como fez Pedro, olha para mim com Tua majestade e ternura. Preserva-me de cair ou, rapidamente, levanta-me de volta, para Deus, e para o meu dever!
Mostra-me como aprender com os meus passos em falso, e como me humilhar, buscando ainda mais diligência e cautela. Amém.

—Philip Doddridge
("Piercing Heaven: Prayers of the Puritans", Robert Elmer)

15 maio 2026

Aprendizado piedoso 236

PARA QUANDO DUVIDAMOS 
 
Meu Senhor e meu Deus, clamaria eu, sob a mesma vergonha consciente da minha terrível incredulidade, como Tomé? Sim, o Senhor ainda ministra, ainda serve. E embora eu O perca de vista mil e dez mil vezes, é claro e evidente que nada além da Tua força poderia me sustentar. Em todas as bênçãos da Tua redenção completa, o Senhor mesmo concede graça ao seu povo. O Senhor primeiro comprou todas as bênçãos com o Teu sangue, e agora vive para vê-las administradas pelo Teu Espírito. Precioso Jesus, o Senhor está sempre comigo. Em breve, estarei com o Senhor. Eu O verei como o Senhor é, e ficarei satisfeito quando eu despertar transformado à Tua semelhança. Amém.

—Robert Hawker
("Piercing Heaven: Prayers of the Puritans", Robert Elmer) 

12 maio 2026

Aprendizado piedoso 235

Querido Senhor, envergonho-me ao pensar em quão frágil é, às vezes, a minha fé! Quando leio sobre os feitos daqueles heróis no evangelho, que “pela fé conquistaram reinos, realizaram obras de justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca de leões” e coisas semelhantes, sinto vergonha do meu coração incrédulo. Josué ordenou que o sol e a lua parassem? Pedro chamou Tabita de volta dos mortos, pela fé em Jesus? E será que estou tão perdido, às vezes, a ponto de temer que um dia perecerei pelas mãos do inimigo? Suplico-te, Senhor, fortalece a minha alma nesta graça, para que eu nunca mais questione a tua divina fidelidade. Bendito Jesus, derrama os teus recursos sobre o meu pobre coração esquecido e incrédulo, quando surgirem dúvidas, medos e receios. Ajuda-me a ver que, em toda a minha jornada passada, tu me conduziste através de dificuldades e perigos. Ajuda-me a ver que a tua força se aperfeiçoa na minha fraqueza. O que é dificuldade, quando Jesus intervém pelo seu povo?  O desafio, seja ele qual for, serve mais para manifestar a Tua glória e exercitar a minha fé. Ajuda-me, então, Senhor, a olhar para Ti — e não para a dificuldade, porque não tenho nada a ver com ela. Basta-me que o meu Deus tenha prometido. Tu podes, Deus, e Tu o farás. Como o farás, Jesus? Essa é a Tua preocupação, não a minha. Tu és fiel. Tu prometeste. E isso basta-me. Não há dúvida. Sim, Senhor! Eu sei que a Tua mão não é fraca e que tudo o que disseste há de se cumprir. Porque “aquele que te chama é fiel, e certamente o fará!”. Amém.

—Robert Hawker
("Piercing Heaven: Prayers of the Puritans", Robert Elmer) 
 

07 novembro 2025

Ele chorou neste mundo

"Jesus chorou" (Jo 11:35)

E, se Ele, que é a Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Encarnado e Ressurreto, chorou, quem somos nós, para desejar não chorar neste mundo...

Samuel Rutherford, na Carta 293 [trecho do livro "Pensamentos Diários para o Ano"], escreveu:
"Que minhas palavras quebradas subam para o céu; quando elas subirem no grande incensário de ouro do Anjo, esse compassivo Advogado reunirá minhas preces quebradas e as perfumará. As palavras não são da natureza essencial da oração."***

***Nota: No texto original da Carta 293 (CCXCIII, em números romanos) encontrada no livro "Cartas de Samuel Rutherford", este trecho é encontradado da seguinte forma: "Let my broken words go up to heaven; when they come up into the Great Angel's golden censer, that compassionate Advocate will put together my broken prayers, and perfume them. Words are but the accidents of prayer". O próprio editor adiciona um Glossário de Termos no final do livro das "Cartas de Samuel Rutherford", onde este termo "accidents" aparece com a seguinte definição: "incidental accompaniments, not essential" [tradução: "acompanhamentos incidentais, não essenciais"]. Portanto, o que o autor da carta (Samuel Rutherford) parece querer dizer, é que as palavra não são uma parte necessariamente essencial da oração, quando os lábios não conseguem pronunciá-las, pois o Senhor conhece bem nossas angústicas e necessidades: "Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis" (Rm 8:26).

25 outubro 2025

Orações de Spurgeon: "GRAÇAS SEJAM DADAS A DEUS"

'Ó Senhor Deus, ajuda-nos agora a realmente Te adorar. Queremos agradecer-Te por esta ocasião. Bendizemos o Teu nome por separar este tempo sagrado. Senhor, queres fechar a porta para o mundo para nós? Ajuda-nos a esquecer nossas preocupações. Capacita-nos a nos elevar completamente para fora deste mundo. Que possamos nos livrar de todas as suas tendências que nos puxam para baixo. Que as atrações das coisas mais grosseiras se dissipem, e que Tu nos arrebates para Ti mesmo. Não pedimos para sermos arrebatados, nem para ver um anjo com vestes resplandecentes, mas pedimos que, pela fé, possamos ver Jesus, e que a Sua presença seja tão evidentemente percebida entre nós que possamos nos alegrar como se nossos olhos O contemplassem, e amá-Lo, confiar n'Ele e adorá-Lo tão fervorosamente quanto o faríamos se pudéssemos agora colocar nossos dedos na marca dos cravos. Ó precioso Senhor Jesus Cristo, Te adoramos com todo o nosso coração. Tu és Senhor de todos. Bendizemos-Te por teres Te tornado homem para seres nosso parente próximo [ver "parente resgatador" em Levítico 25:25], e sendo nosso parente próximo, Te bendizemos por nos tomares em união matrimonial Contigo e por redimir-nos e nossa herança do cativeiro em que fomos vendidos. Tu pagaste Tua vida pelo Teu povo. Tu resgataste Teu povo com o sangue do Teu coração. Portanto, sê eternamente amado e adorado. E agora, Tu não estás aqui, pois ressuscitaste. Nossas almas seguem o caminho brilhante pelo qual subiste pelo portão de pérola até o trono de Teu Pai. Parecemos Te ver sentado ali, Homem, porém Deus, reinando sobre todas as coisas para o Teu povo; e nossos ouvidos quase captam os sons do cântico eterno que ressoa aos Teus pés: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber honra, poder, glória, domínio e força para todo o sempre" (Apocalipse 5:12). Senhor, dizemos "Amém". Das margens da multidão que circunda o Teu trono, levantamos nossas vozes débeis em sinceros "Améns", pois Tu foste morto e nos redimiste para Deus pelo Teu sangue, e nos fizeste reis e sacerdotes para Deus, e reinaremos Contigo, pois embora distantes no espaço, sabemos que estamos muito perto do Teu coração. Tu olhas sobre as cabeças dos esquadrões angelicais para nos contemplar, e ouves os louvores — sim, e os gemidos dos Teus amados, pois não estamos nós tão próximos de Ti, Tua carne e Teus ossos? Sabemos que estamos. Sentimos os laços de parentesco dentro de nós. Somos do nosso Amado, e Ele é nosso, e ansiamos atravessar a multidão que O circunda e chegar à frente, e ali nos prostrar aos preciosos pés que foram pregados no madeiro por nós, e adorar o Cordeiro que vive para todo o sempre, que prevaleceu para tomar o livro e abrir os seus sete selos, a quem seja a glória, sem fim. Aleluia! [...]'
'[...] Ó, vem, Divino Médico, e liga cada osso quebrado. Vem com o Teu sagrado nardo, que Tu mesmo compuseste com o sangue do Teu coração, e aplica-o à consciência ferida, para que ela sinta o Seu poder. Ó, dá paz àqueles cuja consciência é como o mar agitado que não pode descansar. Ó Deus, nosso Deus, que o ensino da escola dominical, a pregação dos evangelistas, e as visitas pessoais às mentes individuais não sejam em vão. Concede conversões. Nós gememos esta oração do nosso íntimo, mas também podemos cantá-la, pois Tu já nos ouviste abundantemente, e o nosso coração se alegra em Deus, o Salvador, que age tão graciosamente entre os filhos dos homens. Temos ficado maravilhados quando o Espírito Santo tem descido até mesmo sobre o maior dos pecadores, e homens distantes de Deus têm sido trazidos para perto. Mas, Senhor, faze mais isso entre nós. Deixa-nos ver coisas maiores do que estas. Onde temos visto um salvo, que possamos ver cem, para o louvor do nome glorioso e do Amado. Senhor, guarda-nos todos do pecado. Ensina-nos a andar de forma prudente. Capacita-nos a guardar nossas mentes contra o erro doutrinário, nossos corações contra sentimentos errados e nossas vidas contra ações más. Que jamais falemos precipitadamente com nossos lábios, nem cedamos à ira. Acima de tudo, guarda-nos da cobiça, que é idolatria, e da malícia, que é do diabo. Concede-nos estar cheios de doçura e luz. Que o amor habite e reine em nós. Que não olhemos cada um para o que é seu, mas cada um para o que é dos outros. Dá-nos viver para Jesus, pois não há vida como essa. Ajuda-nos a sermos homens cristãos, homens de Cristo, e que em todas as coisas reflitamos a luz que recebemos dEle. Abençoa nossa amada igreja e todas as suas organizações. Ó Deus, cuida dela. Faz com que cada membro da igreja seja um pastor sobre outros. Que todos lutem juntos pelo bem de todos, e assim venha o Teu reino entre nós. [...]'

[C.H. Spurgeon, do livro "Orações de Spurgeon: as orações de púlpito de Charles Spurgeon"]

18 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (18/10)

“(…) tuas veredas destilam gordura” (Sl 65:11) 
'Muitas são “as veredas do Senhor” (Sl 25:10) que “destilam gordura”, porém uma em especial é a vereda da oração. Nenhum crente que muito esteja em devoção particular terá necessidade de clamar: “Emagreço, emagreço, ai de mim!” (Is 24:16). Almas famintas vivem à distância do propiciatório, e tornam-se como os campos ressequidos em épocas de estiagem. A prevalência com Deus lutando em oração é a certeza de tornar forte o crente, se não bem-aventurado. O lugar mais próximo ao portão do céu é o trono da graça celestial. Muito sozinho, e você terá muita segurança; pouco a sós com Jesus, e sua religião será superficial, poluída com muitas dúvidas e medos, não resplandecente com a alegria do Senhor. Uma vez que o enriquecedor caminho da oração está aberto ao mais fraco dos santos; uma vez que grandes talentos não são necessários; uma vez que você não é convidado a vir porque é um santo experiente, mas simples e livremente por ser santo, veja então, caro leitor, que você esteja muitas vezes no caminho da devoção particular. Esteja muito de joelhos, pois assim Elias buscou a chuva sobre os famintos campos de Israel (1Rs 18:42). Há outra especial vereda que destila gordura àqueles que nela andam: é a caminhada particular da comunhão. Ó, as delícias da comunhão com Jesus! A Terra não contém palavras que possam exprimir a sagrada calma de uma alma reclinada no seio de Jesus. Poucos cristãos podem compreender isso; eles vivem nas terras baixas, e raramente sobem ao topo do Nebo (Dt 34:1); vivem no átrio exterior; não entram no lugar santo, não assumem o privilégio do sacerdócio. À distância veem o sacrifício, mas não se sentam com o sacerdote para comer e desfrutar a gordura do holocausto. Leitor, sente-se sempre à sombra de Jesus; aproxime-se dessa Palmeira e pegue os Seus ramos; que o teu Amado seja para ti como a macieira entre as árvores do bosque (Ct 2:3), e serás satisfeito como que de tutano e gordura (Sl 63:5). Ó Jesus, visite-nos com a Tua salvação!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 18 de outubro] 

Orações de Spurgeon: "AJUDA DO ALTO"

'Ó Tu que és Rei dos reis e Senhor dos senhores, nós Te adoramos. Diante do terrível trono de Jeová, nos prostramos com alegria sagrada. Podemos verdadeiramente dizer que nos deleitamos em Deus. Houve um tempo em que Te temíamos, ó Deus, com o temor da servidão. Agora Te reverenciamos, mas Te amamos tanto quanto Te reverenciamos. O pensamento de Tua onipresença outrora nos era horrível. Dizíamos: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” (Salmos 139:7), e parecia tornar o próprio inferno ainda mais terrível, pois ouvíamos uma voz: “Se eu descer ao mais profundo abismo, lá estás também” (Salmos 139:8). Mas agora, ó Senhor, desejamos encontrar-Te. Nosso anseio é sentir Tua presença, e é o céu dos céus saber que Tu estás lá. O leito de enfermidade se torna suave quando Tu estás lá. A fornalha da aflição torna-se fresca quando Tu estás lá; e a casa de oração, quando Tu estás presente, não é outra senão a casa de Deus, e é a própria porta do céu. Aproxima-Te, nosso Pai. Vem muito perto de Teus filhos. Alguns de nós estão muito fracos no corpo e desfalecidos no coração. Logo, ó Deus, coloca Tua mão direita sobre nós e diz: “Não temas”. Talvez alguns de nós estejam se sentindo atraídos pelo mundo. Aproxima-Te para destruir a influência do mundo com Teu poder superior. Mesmo adorar pode não parecer fácil para alguns. O dragão parece persegui-los, e torrentes que saem de sua boca lavam sua devoção. Dá-lhes grandes asas como de águia, para que cada um possa voar para o lugar preparado para ele e descansar na presença de Deus hoje. Nosso Pai, vem e dá descanso aos Teus filhos agora. Tira o capacete de nossa testa, remove de nós o peso de nossa armadura pesada por um momento, e que possamos ter paz, perfeita paz, e descansar. Oh, ajuda-nos, Te rogamos agora. Assim como já lavaste Teu povo na fonte cheia de sangue e eles estão limpos, agora, esta manhã, lava-nos da impureza na água. Com a bacia e com o jarro, ó Mestre, lava nossos pés novamente. Isso nos refrescará grandemente. Nos preparará para a mais íntima comunhão contigo. Assim os sacerdotes lavavam-se antes de entrarem no lugar santo. Senhor Jesus, tira de nós agora tudo o que possa impedir a mais estreita comunhão com Deus. Qualquer desejo ou vontade que possa nos atrapalhar na oração, remove, Te rogamos. Qualquer lembrança de tristeza ou preocupação que possa impedir a fixação de nossa afeição completamente em nosso Deus, tira agora. Que temos nós a ver com ídolos? Tu tens visto e observado a nós. Tu sabes onde está a dificuldade. Ajuda-nos contra ela, e que agora possamos vir ousadamente, não apenas ao lugar santo, mas ao santíssimo de todos, onde não ousaríamos entrar se nosso grande Senhor não tivesse rasgado o véu, aspergido o propiciatório com Seu próprio sangue e nos ordenado a entrar. Agora, nos aproximamos de Ti, da luz que brilha entre as asas dos querubins, e falamos contigo agora como um homem fala com seus amigos. Nosso Deus, somos Teus. Tu és nosso. Agora estamos envolvidos em um único negócio — estamos aliados para uma batalha. A Tua batalha é a nossa batalha, e nossa luta é a Tua. Ajuda-nos, Te rogamos. Tu que fortaleceste Miguel e seus anjos a expulsar o dragão e seus anjos, ajuda a pobre carne e sangue para que também a nós se cumpra a palavra: "Em breve, o Deus da paz esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás" (Romanos 16:20). Nosso Pai, somos muito fracos. O pior de tudo é que somos muito perversos se deixados a nós mesmos, e logo caímos presa do inimigo. Portanto, ajuda-nos. Confessamos que, às vezes, em oração, quando estamos mais próximos de Ti, nesse exato momento, algum pensamento maligno surge, algum desejo perverso. Oh, que simplórios somos. Senhor, ajuda-nos. Sentimos como se quiséssemos nos aproximar ainda mais de Ti e nos esconder sob a sombra das Tuas asas. Desejamos nos perder em Deus. Oramos para que vivas em nós, e que não vivamos nós, mas que Cristo viva em nós e Se mostre em nós e através de nós. Senhor, santifica-nos. Oh, que Teu Espírito possa vir e saturar cada faculdade, subjugar cada paixão e usar cada poder de nossa natureza para a obediência a Deus. Vem, Espírito Santo, nós Te conhecemos. Tu frequentemente nos cobres com Tua sombra. Vem e toma posse de nós mais plenamente. Agora, estando como sentimos que estamos, bem junto ao propiciatório, nossa oração mais elevada é por perfeita santidade, completa consagração, purificação total de todo mal. Toma nosso coração, nossa mente, nossas mãos, nossos pés, e usa tudo para Ti. Senhor, toma nossa substância. Que não a acumulemos para nós mesmos, nem a gastemos para nós mesmos. Toma nosso talento. Que não busquemos nos educar para que tenhamos a reputação de sermos sábios, mas que cada ganho de desenvolvimento mental seja para que possamos Te servir melhor. Que cada fôlego seja para Ti; que cada minuto seja gasto para Ti. Ajuda-nos a viver enquanto vivermos; e enquanto estivermos ocupados no mundo, como devemos estar, pois somos chamados a isso, que possamos santificar o mundo para Teu serviço. Que sejamos como pedaços de sal no meio da sociedade. Que nosso espírito e temperamento, bem como nossa conversação, sejam celestiais. Que haja uma influência sobre nós que torne o mundo melhor antes de partirmos dele. Senhor, ouve-nos nesta questão. E agora que temos o Teu ouvido, queremos orar por este pobre mundo em que vivemos. Muitas vezes ficamos horrorizados com ele. Ó, Senhor, desejávamos não saber nada sobre ele, para o nosso próprio conforto. Já dissemos: "Oh, quem me dera no deserto um lugar de repouso para viajantes" (Jeremias 9:2). Ouvimos sobre opressão, roubo e assassinato, e os homens parecem soltos uns contra os outros. Senhor, tem misericórdia desta grande e perversa cidade. O que se pode fazer com esses milhões? O que podemos fazer? Ao menos ajuda cada filho Teu a fazer o seu máximo. Que nenhum de nós contribua para o mal, direta ou indiretamente, mas que contribuamos para o bem que há nela. Sentimos que podemos falar Contigo sobre isso, pois quando Teu servo Abraão esteve diante de Ti e falou com tanta familiaridade Contigo, ele intercedeu por Sodoma, e nós intercedemos por Londres. Queremos seguir o exemplo do Pai dos Fiéis e orar por todas as grandes cidades, e, de fato, por todas as nações. Senhor, venha o Teu reino. Envia a Tua luz e a Tua verdade. Expulsa o velho dragão de seu trono, com toda a sua hoste infernal. Oh! Que venha o dia em que, mesmo na terra, o Filho da mulher, o Filho do Homem, governe as nações, não com uma vara de madeira quebrada, mas com um cetro de ferro duradouro, cheio de misericórdia, mas cheio de poder, cheio de graça, mas ainda assim irresistível. Oh, que isso venha em breve, o advento pessoal de nosso Senhor! Ansiamos pelo triunfo milenar de Sua Palavra. Até lá, ó Senhor, cinge-nos para a batalha e faze-nos estar entre aqueles que vencem, pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do nosso testemunho, porque "não amaram a própria vida até à morte" (Apocalipse 12:11). Elevamos nossa voz a Ti em oração, também, por todos os nossos queridos. Senhor, abençoa os enfermos e faze-os ficar bem assim que for Tua vontade. Santifica para eles tudo o que têm de suportar. Há também queridos amigos que estão muito fracos, alguns muito trêmulos. Deus os abençoe. Enquanto a tenda está sendo desarmada, que o habitante dentro dela olhe com alegria calma, pois logo "seremos revestidos da nossa habitação celestial" (2 Coríntios 5:2). Senhor, ajuda-nos a nos desapegar de todas essas coisas aqui embaixo. Que vivamos aqui como estrangeiros, fazendo do mundo não uma casa, mas uma estalagem, na qual ceamos e pernoitamos, esperando partir amanhã. Senhor, salva os não convertidos e traz, rogamos-Te, dentre eles aqueles que são convertidos, mas que ainda não confessaram a Cristo. Que a igreja seja edificada por muitos que, tendo crido, sejam batizados em Teu santo nome. Oramos para que continues a multiplicar os fiéis na terra. Oh, que Tu convertas os corações dos homens ao evangelho mais uma vez. Teu servo muitas vezes fica muito abatido de coração por causa dos desvios da fé. Oh, traz-os de volta. Não permita que Satanás leve mais estrelas com sua cauda, mas que as lâmpadas de Deus brilhem intensamente. Oh, Tu que andas entre os sete candeeiros de ouro, aparas a chama, derrama o óleo e faze a luz brilhar intensamente e de forma constante. Agora, Senhor, não podemos orar mais, embora tenhamos mil coisas para pedir. Teu servo não pode, então ele implora que deixe uma oração inacabada no trono da graça, com isto ao seu pé: pedimos no nome de Jesus Cristo, Teu Filho. Amém.'
 
[C.H. Spurgeon, do livro "Orações de Spurgeon: as orações de púlpito de Charles Spurgeon"]

11 outubro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (11/10)

“Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus (…)” (Lm 3:41) 
'O ato de oração nos ensina a nossa indignidade, o que é uma lição muito saudável para seres tão orgulhosos como nós. Se Deus nos concedesse favores sem nos compelir a orar por eles, nunca saberíamos quão pobres somos; no entanto, uma verdadeira oração é um inventário de carências, um catálogo de necessidades, uma revelação da pobreza oculta. Embora seja um apelo à riqueza divina, ela é uma confissão do vazio humano. O estado mais saudável de um cristão é estar sempre vazio em si mesmo e constantemente dependendo do Senhor para seu suprimento; estar sempre pobre em si mesmo e rico em Jesus; fraco como água pessoalmente, mas poderoso através de Deus para fazer grandes façanhas; daí o uso da oração, porque enquanto adora a Deus, coloca a criatura onde deveria estar: no absoluto pó. A oração é em si mesma, para além da resposta que ela traz, um grande benefício para o cristão. Assim como o corredor ganha força para a corrida pelo exercício diário, assim também, para a grande corrida da vida, adquirimos energia pelo santificado trabalho da oração. A oração empluma as asas das jovens águias de Deus, para que aprendam a subir acima das nuvens. A oração cinge os lombos dos guerreiros de Deus, e os envia para combater com seus tendões preparados e seus músculos firmes. Um pleiteante fervoroso sai de seu aposento assim como o sol nasce das câmaras do oriente, regozijando-se como um herói que corre o seu caminho (Sl 19:5). A oração é aquela mão erguida de Moisés que derrotava os amalequitas mais do que a espada de Josué (Ex 17:11); é a flecha lançada do aposento do profeta pressagiando a derrota dos sírios (2Rs 13:14-19). A oração cinge a fraqueza humana com força divina, transforma a loucura humana em sabedoria celestial, e dá aos mortais atribulados a paz de Deus. Não sabemos o que a oração não possa fazer. Nós Te agradecemos, grande Deus, pelo propiciatório, uma prova da Tua maravilhosa benignidade. Ajuda-nos a usá-la corretamente ao longo deste dia!'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 11 de outubro] 

09 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (09/09)

“Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33:3) 
'Existem diferentes traduções para esse trecho. Uma versão diz: “Anunciar-te-ei coisas grandes e fortificadas”. Uma outra traduz: “Coisas grandes e reservadas [ou ocultas]”. Há, portanto, coisas reservadas [ocultas] e especiais na experiência cristã. O desenvolvimento em todos os campos da vida espiritual não é algo fácil de alcançar. Há disposições e sentimentos comuns de arrependimento, de fé, de alegria e de esperança que são desfrutados por toda a família. No entanto, há um reino superior de arrebatamento, de comunhão e de consciente união com Cristo que está longe de ser a morada comum dos crentes. Nem todos temos o elevado privilégio de João, de nos inclinarmos sobre o peito de Jesus (Jo 13:25), nem o de Paulo, de sermos arrebatados ao terceiro céu (2Co 12:2). Existem alturas no conhecimento experimental das coisas de Deus que os olhos de águia da perspicácia e do pensamento filosófico jamais viram. Apenas Deus pode nos levar até lá, mas a carruagem em que Ele nos conduz, e os corcéis de fogo com os quais ela é puxada, são as orações prevalentes. A oração prevalente é vitoriosa sobre o Deus de misericórdia – “lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco” (Os 12:4). A oração prevalente leva o cristão ao Carmelo [ver 1Rs 18:41-46] e lhe permite cobrir o céu com nuvens de bênção, e a terra com torrentes de misericórdia. A oração prevalente leva o cristão ao alto de Pisga e mostra-lhe a herança reservada (Dt 34:1); ela [oração prevalente] nos eleva ao Tabor** e nos transfigura, até que, à semelhança de nosso Senhor, tal como Ele é, assim sejamos nós também neste mundo (1Jo 4:17). Se você deseja alcançar algo mais elevado que a experiência comum ordinária, olhe para a Rocha que é mais alta que você (Sl 61:2), e olhe com os olhos da fé através da janela da oração importuna [ver a parábola da viúva importuna em Lc 18:1-8]. Quando você abre a janela do seu lado, ela não estará aparafusada do outro lado.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da manhã do dia 09 de setembro] 
______________ 
**Nota do Tradutor (N.T.): Segundo a tradição, a transfiguração de Jesus (Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36) aconteceu no monte Tabor. 
 

26 agosto 2025

Bom dia, varÃO...

Ao raiar do dia, um amigo enviou uma mensagem para outro, não em prosa, mas em verso, com um singelo convite para oração conjunta, por telefone:
Bom dia, varÃO.
Que tal uma oraçÃO?
Acho que vai ser "bÃO".
Por causa da corrupçÃO...
...do nosso próprio coraçÃO.
Qual a nossa opçÃO?
Além da devoçÃO...
...ao bendito Santo de SiÃO!
 
A réplica do outro amigo veio graciosamente mais tarde, no meio da manhã, também em verso, justificando a impossibilidade de orar naquele momento:
Concordo contigo,
Mas eu não consigo:
Tarefas à beça,
Que dor de cabeça!
Hoje vou farrapar,
Não falo novidade...
Porém, hás de perdoar
Tal contrariedade!

E então, compreendendo a impossibilidade do outro amigo orar naquele momento, logo depois veio a tréplica do primeiro amigo, também em verso:
Amigo poeta,
Quem não perdoa?
Amizade concreta
Não vem só na hora boa
Em prosa ou em verso
O Grande Rei deste Universo
Conhece a nossa limitação
Por isso, O amamos de montão!

Como o segundo amigo estava mesmo sem tempo de responder mais uma vez, também em verso, colocou apenas um emoji com uma mãozinha de oração na última mensagem. E aí, então, o primeiro amigo aproveitou a oportunidade para continuar a brincadeira com as palavras, em verso, nesta conversa que surgiu naturalmente nesta manhã, dentro do contexto da liberdade e espontaneidade que dois bons amigos e irmãos tem, em Cristo, e respondeu desta forma:

Amigo que responde com "mãozinha" 
É "cabra safado da peste"
Espero que não se avexe
Com a sinceridade do irmão
Que deseja comunicar-se com o brother
Em outro nível de comunhão.
Perdoado estamos pelo Mestre
Graças a Ele apenas, por sua eficaz justificação!

Dou graças a Deus por amigos e irmãos como este e outros, que tem sido uma graciosa e generosa dádiva do Senhor, como companheiros de oração. É importante enfatizar que esta brincadeira com as palavras, em verso, tem que ser compreendida dentro do contexto desta amizade que tem se fortalecido e se aprofundado, no Senhor, a cada dia. Como este amigo costuma ser muito tímido, decidi preservar sua identidade, mas achei que o compartilhar desta história poderia encorajar outros irmãos e irmãs, com amizade em Cristo, a também estabelecerem parcerias verdadeiras e sinceras de oração (por telefone, por exemplo). Afinal de contas, todos nós precisamos muito deste meio de graça que é a oração, não é mesmo?!
Te amo, em Cristo, brother.
Um abraço fraterno.

31 julho 2025

Aprendizado piedoso 224

No trecho do capítulo 32 de Êxodo, logo abaixo, se encontra o relato bíblico da fundição do bezerro de ouro, como sinal do pecado de idolatria do povo de Israel, enquanto Moisés estava no monte Sinai/Horebe, recebendo as instruções do Senhor. Na continuação do texto (verso 11 em diante), encontra-se uma intercessão com a argumentação piedosa que Moisés apresentou a Deus, em favor do povo. Moisés age como um tipo de mediador, que embora imperfeito, prefigurava a mediação perfeita de Cristo, como nosso único, necessário e suficiente Mediador da nova aliança [ver referências em Hb 8:1; 9:15; 12:24]:

"7 Então, disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu 8 e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. 9 Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. 10 Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação. 11 Porém Moisés suplicou ao SENHOR, seu Deus, e disse: Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? 12 Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo. 13 Lembra-te de Abraão, de Isaque e de Israel, teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas do céu, e toda esta terra de que tenho falado, dá-la-ei à vossa descendência, para que a possuam por herança eternamente. 14 Então, se arrependeu o SENHOR do mal que dissera havia de fazer ao povo." (Êxodo 32:7-14)

***O texto abaixo traz uma explicação para este episódio bíblico relatado em Êxodo 32, e foi extraído e traduzido do livro "Wilderness: Family Worship in Exodus, Leviticus, Numbers, and Deuteronomy":

'[...] Deus estava preparado para exterminá-los em santo julgamento [justo juízo], e teria feito isso se Moisés não tivesse intercedido como mediador de Israel. Você se lembra do que um mediador faz? Ele se coloca entre duas partes em guerra [conflito], buscando restabelecer a paz entre estas partes. Em vez de deixar Israel ser destruído, como merecia [por causa do pecado de idolatria com o bezerro de ouro], Moisés se colocou entre eles [o povo de Israel] e Deus, orando e defendendo seu caso diante de Deus. Por que Deus deveria mostrar graça ao Seu povo idólatra? Moisés apresentou três razões principais. Primeiro, Israel era o povo de Deus, a quem Ele havia amorosamente salvado. Segundo, as nações que não adoravam [cultuavam] a Deus questionariam Sua bondade se Ele exterminasse Israel. Terceiro, as promessas de Deus a Abraão não poderiam se cumprir se Israel fosse destruído. Moisés orou de acordo com as obras e palavras de Deus, com paixão pelo nome de Deus. Por meio de sua fiel mediação, Israel foi salvo da destruição de Deus. 
1) Leia Salmos 106:19-23. O que o salmista nos ensina sobre o papel de Moisés nessa história? O salmista nos ensina que Moisés foi escolhido por Deus para ficar entre Israel (que adorava ídolos) e Deus, para que Israel não fosse destruído como merecia. 
2) Que lições Moisés nos ensina sobre oração? Primeiro, a verdadeira oração não se limita a pedir a Deus que faça as coisas [que estamos pedindo], mas dá a Deus razões pelas quais Ele deve fazê-las. Segundo, a verdadeira oração advém da compreensão de quem Deus é, e de quais são Suas promessas para nós. Terceiro, a verdadeira oração obtém sua "energia" [poder ou intensidade] da "paixão" [vontade ou ardor] pela glória de Deus. 
3) Por que as pessoas precisam de um mediador para conhecer a bênção de Deus? Quem é o Mediador da nova aliança? Todos nós precisamos de um mediador porque, como Israel, também somos pecadores, adorando ídolos ao invés do Deus verdadeiro. Embora Moisés tenha sido um mediador imperfeito que serviu apenas por um tempo limitado, ele apontou para o Mediador perfeito e eterno, Jesus Cristo. A Bíblia ensina que Jesus vive para sempre no céu para ser o Mediador por Seu povo, para que nada possa separá-los do amor e da misericórdia de Deus (Rm 8:31-39).'

08 julho 2025

Livro: "Um Guia para Oração" (Isaac Watts)

Tradução de alguns trechos do livro "A Guide to Prayer" ("Um Guia para Oração"), de Isaac Watts:

INTRODUÇÃO
'ORAÇÃO é uma palavra de sentido amplo nas Escrituras, e inclui não apenas um pedido ou petição por misericórdia, mas também [a oração] é entendida como o discurso de uma criatura na terra, a Deus no Céu, sobre tudo o que diz respeito a seu Deus, seu próximo ou a si mesma [criatura], neste mundo, ou no mundo vindouro. É aquela conversa que Deus nos permitiu manter consigo mesmo lá em cima, enquanto estamos aqui embaixo. É aquela linguagem pela qual uma criatura mantém correspondência com seu Criador; e pela qual a alma de um santo frequentemente se aproxima de Deus, é animada com grande deleite e, por assim dizer, habita com seu Pai celestial por um curto período [de tempo] antes de chegar ao Céu. [Oração] É um privilégio glorioso que nosso Criador nos concedeu, e uma parte necessária daquela obediência que Ele exigiu de nós, em todos os momentos e épocas, e em todas as circunstâncias da vida. De acordo com as Escrituras, 1 Tessalonicenses 5:17: “Orai sem cessar”. Filipenses 4:6: “Em tudo, pela oração e súplicas, com ações de graças, sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus”. Efésios 6:18: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica”. A oração é uma parte do culto a Deus, exigida para todos os homens, e deve ser realizada com a voz, ou apenas no coração, sendo chamada de oração vocal, ou [oração] mental. É ordenada individualmente às pessoas, em seus retiros privados, de uma maneira mais solene e contínua; e, em meio aos afazeres da vida, por elevações secretas e repentinas da alma a Deus. Pertence também às comunidades humanas, sejam elas naturais, como famílias; ou civis, como corporações, parlamentos, tribunais ou sociedades para comércio e negócios; e às comunidades religiosas [igrejas], quando as pessoas se reúnem para qualquer propósito piedoso, devem buscar a Deus; [oração] é requerida das igrejas cristãs, de maneira especial; pois a casa de Deus é a casa de oração. Sendo, portanto, um dever de absoluta necessidade para todos os homens [seres humanos], e de uso universal, convém que todos saibamos como cumprir [este dever] corretamente, para que se obtenha a aceitação do grande Deus, e se torne um exercício prazeroso e proveitoso para nossas almas, e para aqueles que se unem a nós. Para tanto, apresentarei [Isaac Watts] meus pensamentos sobre o assunto [oração] na seguinte ordem: Primeiro, falarei da natureza da oração como um dever de adoração. Segundo, como deve ser realizada pelos dons ou habilidades que Deus nos concedeu. Terceiro, como deve ser acompanhada pelo exercício de nossas graças. Quarto, como somos auxiliados nela pelo Espírito de Deus; e, Quinto, concluirei tudo com um sincero discurso aos cristãos, para que busquem esta sagrada habilidade de conversar com Deus.'

AS PARTES DA ORAÇÃO (Cap.1)
'No discurso da oração, considerado como um dever de adoração exigido de nós, para que possamos entender melhor toda a sua natureza, que ela [oração] seja dividida em suas várias partes; e penso que todas elas podem ser incluídas nas seguintes, a saber: Invocação, Adoração, Confissão, Petição, Súplica, Profissão ou Autodedicação, Ação de Graças e Bênção: – de cada uma das quais falarei particularmente.”'

Seção I – da Invocação (Cap.1)
'A primeira parte da oração é a Invocação, ou chamado a Deus; e pode incluir estas três coisas: 
1. Uma menção de um ou mais nomes ou títulos de Deus; e assim, por assim dizer, falamos com a pessoa a quem oramos: como você tem abundantes exemplos nas orações que nos são transmitidas na Sagrada Escritura: “Ó Senhor, meu Deus, altíssimo e santíssimo Deus e Pai. Ó Deus de Israel, que habitas entre os querubins. Deus Todo-Poderoso e Rei eterno. Pai nosso que estás nos céus. Ó Deus, que guardas a aliança”; e vários outros. 
2. Uma declaração do nosso desejo e desígnio de adorá-lo: “A ti elevamos as nossas almas; aproximamo-nos de ti, como nosso Deus. Viemos à tua presença. Nós, que somos apenas pó e cinzas, assumimos a responsabilidade de falar à tua Majestade. Nós nos curvamos diante de ti em humildes discursos”, ou algo parecido. – E aqui, talvez não seja impróprio mencionar brevemente uma ou duas expressões gerais de nossa própria indignidade. 
3. Um desejo de Sua assistência e aceitação, sob o senso de nossa própria insuficiência e indignidade, em uma linguagem como esta: “Senhor, vivifica-nos para invocar o teu nome. Auxilia-nos, pelo teu Espírito, em nosso acesso ao teu propiciatório. Eleva nossos corações a ti. Ensina-nos a nos aproximar de ti, como convém a criaturas, e aproxima-te de nós, como um Deus de graça. Ouve a voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei”; no Salmo 5:2, em cujas palavras você tem todas essas três partes da invocação expressas.'

Seção II – da Adoração (Cap.1)
'A segunda parte da oração é a Adoração, ou honra prestada a Deus pela criatura; e contém estas quatro coisas: 
1. Uma menção à Sua natureza, como Deus, com a mais alta admiração e reverência: e isso inclui Seus atributos e perfeições mais originais – Sua existência autossuficiente; que Ele é Deus, de si mesmo, e a partir de si mesmo. Sua unidade de essência; que não há outro Deus além de si mesmo. Sua substância inconcebível em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; que o mistério da Trindade é um objeto muito próprio de nossa adoração e admiração, visto que ultrapassa em muito nossa compreensão. Sua incompreensível distância de todas as criaturas e Sua infinita superioridade de natureza sobre elas, parecem também reivindicar um lugar aqui. A linguagem desta parte da oração é assim: “Tu és Deus, e não há outro; só o teu nome é Jeová, o Altíssimo. Quem, nos céus, se pode comparar ao Senhor? Ou quem, entre os filhos dos poderosos, se pode assemelhar ao nosso Deus? Todas as nações são como nada diante de ti, e são reputadas aos teus olhos como menos do que nada, e como vaidade. Tu és o primeiro e o último, o único Deus verdadeiro e vivo; o teu Nome glorioso é exaltado acima de toda bênção e louvor.” 
2. A menção de Seus vários atributos, com as devidas expressões de louvor e com o exercício da graça e afeição adequadas: como Seu poder, Sua justiça, Sua sabedoria, Sua soberania, Sua santidade, Sua bondade e misericórdia. Uma abundância desse tipo de expressões pode ser encontrada nas Escrituras, naqueles discursos que os santos fizeram a Deus em todas as épocas. – “Tu és mui grandioso, ó Senhor, e estás revestido de honra e majestade. Tu és o bendito e único potentado, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Todas as coisas estão desnudas e patentes diante dos teus olhos. Tu sondas o coração do homem, mas quão insondável é o teu entendimento, e o teu poder é desconhecido. Tu és tão puro de olhos, que não podes contemplar a iniquidade. A tua misericórdia dura para sempre. Tu és tardio em irar-te, abundante em bondade, e a tua verdade alcança todas as gerações”. Estas meditações são de grande utilidade no início das nossas orações, para nos humilhar perante o trono de Deus, para despertar a nossa reverência, a nossa dependência, a nossa fé e esperança, a nossa humildade e a nossa alegria.
3. A menção de suas diversas obras: da criação, da providência e da graça, com os devidos louvores. Pois, assim como Deus é glorioso em si mesmo, em sua natureza e atributos, assim também, pelas obras de Suas mãos, Ele nos manifestou essa glória, e nos convém atribuir a mesma glória a Ele — dizer-lhe humildemente o senso que temos das diversas perfeições que Ele revelou em Suas obras, em linguagem como esta: “Tu, Senhor, fizeste os céus e a terra. Toda a criação é obra de tuas mãos. Tu reinas entre os exércitos celestiais; e entre os habitantes da terra fazes o que te agrada. Tu revelaste tua bondade para com a humanidade, e magnificaste tua misericórdia acima de tudo, com o teu nome. Tuas obras da natureza e da graça são repletas de maravilhas e almejadas por todos aqueles que nelas se comprazem”. 
4. A menção de Sua relação conosco, como Criador, como Pai, como Redentor, como Rei, como amigo Todo-Poderoso e nossa porção eterna. E, aqui, não será impróprio mencionar o nome de Cristo, em, e por meio de quem somente somos aproximados de Deus, e feitos Seus filhos. Por cuja encarnação e expiação, Ele se torna Deus e Pai para os homens pecadores, e aparece como seu Amigo reconciliado. E, por este meio, nos aproximamos ainda mais de Deus em cada parte desta obra de adoração. Quando consideramos Sua natureza, nos distanciamos dEle, como criaturas [se distanciam] de um Deus [Criador]; pois Ele é infinitamente superior a nós. Quando falamos de Seus atributos, parece crescer uma familiaridade [intimidade/relacionamento] maior entre Deus e nós, enquanto lhe dizemos que aprendemos algo sobre Seu poder, Sua sabedoria, Sua justiça e Sua misericórdia. Mas, quando passamos a mencionar as diversas obras de Suas mãos, nas quais Ele se revelou sensivelmente ao nosso entendimento, parecemos nos aproximar ainda mais de Deus; e, quando finalmente podemos aflorar para chamá-lo de nosso Deus, a partir de um senso de Sua relação especial conosco, em Cristo, então ganhamos o acesso mais próximo, e estamos melhor preparados para as partes seguintes desta adoração [oração].'

17 março 2025

O Verdadeiro Transformador Eólico

Recentemente, foi realizada uma operação bem organizada e amplamente divulgada, a respeito do deslocamento rodoviário de um transformador de 250 toneladas usado em energia eólica – baseada na força dos ventos – que cruzou a região metropolitana da nossa cidade.
Tivemos notícias de uma grande quantidade de curiosos saindo às ruas, até as margens da estrada (BR-101), para matar a curiosidade sobre esse transformador eólico.
Não tenho dúvidas sobre a necessidade objetiva desta tecnologia, e sobre os benefícios que o Deus de toda a providência, amor e cuidado pode trazer à população regional com este equipamento.
O que chama mesmo a atenção foi a tremenda curiosidade dos cidadãos por este transformador eólico. Diga-se de passagem, a maioria de nós – incluindo a mim mesmo – nem sabe exatamente para que serve um equipamento como esse, mas sabe que é importante, por causa de toda a mobilização e o investimento envolvidos na aquisição, transporte e instalação desta tecnologia.
O que causa mesmo tristeza é saber que, muito provavelmente, diversos destes curiosos pelo transformador eólico não tem o mesmo interesse pela transformação que o Verdadeiro Transformador Eólico pode causar em suas vidas, considerando que o Espírito Santo – o agente interno de transformação de um crente – é tipicamente apresentado nas Escrituras como um “vento” ou “sopro” – ver exemplos em Jó 32:8; 33:4; 34:14-15.
Nossa oração é para que o Verdadeiro Transformador Eólico, por assim dizer, atravesse não apenas a rodovia BR-101, mas que Ele poderosamente atravesse toda esta nação brasileira (BR), de ponta-a-ponta, com seu “sopro” de perdão, esperança e transformação!

“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20:21-22)

Ao Deus triúno – Pai, Filho e Espírito – e verdadeiro, somente, seja toda a honra, e glória e louvor, nesta nação e em todo o mundo, para todo o sempre! Amém.

04 fevereiro 2025

Aprendizado piedoso 207

Ó DEUS DE ABRÃO, ISAQUE E JACÓ,
Esperamos em tua Palavra.
Nela vemos a ti, não em um temível trono de julgamento,
   mas em um trono de graça,
   esperando ser gracioso e exaltado em misericórdia.
Nela não te ouvimos dizer: "apartai-vos de mim, malditos!",
   mas: "olhai para mim e sede salvos;
   porque eu sou Deus, e não há outro".
Aqueles que conhecem o teu nome confiam em ti.
Quantos glorificados no céu, e quantos outros vivendo na terra
   dão testemunho de ti, ó Deus,
   atestando, pelo resgate das ruínas da Queda,
   a liberdade, riqueza e eficácia da tua graça!
Todos os que uma vez se salvaram foram salvos por ti,
   e irão exclamar pela eternidade: "Não a nós,
   mas ao teu nome dá glória por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade".
Escolheste acordar todas as tuas preocupações conosco através de um mediador
   no qual reside toda a plenitude,
   exaltado como Príncipe e Salvador.
Para ele olhamos, dele dependemos, por meio dele somos justificados.
Que possamos obter alívio por meio de seus sofrimentos,
   sem cessar de aborrecer o pecado,
   sem cessar de desejar a santidade,
      de sentir o duplo efeito de seu sangue,
      tranquilizando e limpando a nossa consciência;
      de deleitar-se em seu serviço, bem como em seu sacrifício;
      de ser constrangido por seu amor e não viver para nós mesmos, 
         mas para ele;
      de apreciar uma disposição alegre e grata,
         não murmurando e reclamando
            se nossos desejos não são atendidos,
               ou porque algumas provações
                  são misturadas aos nossos prazeres;
Antes, sensíveis ao nosso deserto,
   e pasmos com a grandeza e quantidade de teus benefícios,
   que possamos te bendizer e louvar em todos os momentos.
 
[Oração "O MEDIADOR", do livro "O Vale da Visão"]

Aprendizado piedoso 206

Ó ALTÍSSIMO,
Criador dos confins da terra,
Governador do universo,
Juiz de todos os homens,
Cabeça da igreja,
Salvador dos pecadores;
   tua grandeza é inescrutável,
   tua bondade infinita,
   tua compaixão infalível,
   tua providência sem fronteiras,
   tuas misericórdias sempre novas.
Bendizemos-te pelas palavras de salvação.
Quão importantes, adequadas e encorajadoras
   são as doutrinas, promessas e convites do evangelho da paz!
Estamos perdidos, mas nele apresentaste a nós
   uma salvação plena, gratuita e eterna;
Somos fracos, mas nele aprendemos que há auxílio naquele que é poderoso.
Somos pobres, mas no evangelho descobrimos riquezas insondáveis.
Somos cegos, mas vimos que ele tem tesouros de sabedoria e de conhecimento.
Agradecemos a ti por tua dádiva indizível.
Teu Filho é nosso único refúgio, fundamento, esperança e confiança;
Dependemos de sua morte,
   descansamos em sua justiça,
   desejamos carregar sua imagem;
Que a glória dele encha a nossa mente,
   seu amor reine em nossas afeições,
   sua cruz nos inflame com ardor.
Permite-nos atender às várias situações da vida como cristãos,
   escapar das armadilhas às quais somos expostos,
   cumprir os deveres que surgem de nossas circunstâncias,
      e desfrutar com moderação de suas vantagens,
      sendo diligentes em aperfeiçoar sua utilidade,
E que todo lugar e companhia em que estejamos seja beneficiado por nós.
 
[Oração "O EVANGELHO", do livro "O Vale da Visão"]

02 janeiro 2025

Livro: "Amado Timóteo" (ORAÇÃO)

Trechos do capítulo 6 - "Ore sempre" (Martin Holdt) - do livro "Amado Timóteo: uma coletânea de cartas ao pastor", editado por Thomas K. Ascol (versão e-book/kindle):

'Não há nenhuma eficácia especial nas orações dos ministros. Somente Cristo tem esta eficácia. A base de nossa oração é sempre, e deve ser sempre, a obra mediadora de Cristo. Nosso trabalho como pastores não é apresentar um sacrifício pelos homens, e sim persuadi-los a acreditar num Sacrifício já oferecido. No entanto, é exatamente baseado nisto que nós rogamos a Deus em favor dos homens. Neste sentido, a oração é nosso trabalho mais importante. É um trabalho árduo. É uma luta contra o adversário. É uma batalha contra a carne. É um trabalho essencial. O ministro que não ora por seu rebanho não é ministro de jeito algum. Ele é orgulhoso, porque faz seu trabalho como se pudesse obter algum sucesso sem o poder de Deus. Ele não mostra misericórdia, porque não é capaz de perceber que a maior necessidade de seu povo são os favores divinos do Senhor sobre eles. Assegure-se disto, se ele não orar, pagará um alto preço. Considere as palavras sensatas de John Smith: "A oração é a vida e a alma da função sagrada: sem ela, não podemos esperar qualquer sucesso em nosso ministério; sem ela, nossas melhores instruções são inférteis e nosso trabalho mais penoso não produz efeito. Antes que lancemos terror sobre aqueles que quebraram a lei, precisamos antes, assim como Moisés, passar muito tempo com Deus em um lugar retirado. A oração frequentemente alcança o sucesso para pequenos talentos, enquanto que os maiores talentos sem oração são simplesmente inúteis e perniciosos. Um ministro que não é um homem de piedade e oração, quaisquer que sejam seus outros talentos, não pode ser chamado um servo de Deus; muito pelo contrário, ele é na verdade um servo de Satanás, escolhido por ele pela mesma razão que ele escolheu a serpente em tempos remotos, visto ser ela o mais sutil dos animais criado pelo Senhor. Que monstro, oh, Deus, este tipo de pastor deve ser, este dispensador das ordenanças do evangelho, este intercessor entre Deus e o seu povo, este reconciliador do homem com o seu Criador, se ele não se enxerga como um homem de oração".'

'Timóteo, listei a seguir dez aspectos importantes da oração bíblica que devem ser lembrados:'

[1].Necessidade. Deus não tem filhos mudos; muito menos, servos mudos. Quando aquele fariseu dos fariseus, Saulo de Tarso, foi convertido, ele imediatamente começou a orar. Quando o anjo anunciou esta conversão para Ananias, a descrição principal dada sobre Saulo foi: “Pois ele está orando”. É como se o anjo estivesse dizendo: “Ele nunca fez isto antes”. Antes ele agia impensadamente. Mas agora que havia experimentado o Espírito da adoção e é um herdeiro de Deus e co-herdeiro junto de Cristo, está orando e sua voz é escutada. Isto agora se tornou uma necessidade para ele. Sem oração um homem não pode ser cristão. 

[2].Urgência. No momento em que uma alma recém-nascida começa a apreciar as glórias de sua translação do reino das trevas para o reino da Luz, ela também começa a enxergar o mundo como um lugar no qual o nome de Deus está sendo desonrado. Ela, então, implora urgentemente com as seguintes palavras: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl 85.6), e “Já é tempo, Senhor, para intervires, pois a tua lei está sendo violada” (Sl 119.126). A negação da autoridade e soberania de Deus é um clamor para a ação divina. Você conhece algo tão urgente?

[3].Valorize a importância da oração. Nós somos impotentes sem ela. Não chegamos a lugar algum sem ela. Nosso Senhor voltou do Monte da Transfiguração para presenciar uma triste cena: um grupo de discípulos impotentes diante da incrível necessidade humana. Eles dizem a Jesus: “O que está errado?” Ele lhes responde que, em essência, precisam aprender a orar. Como venceremos os obstáculos? Nós, também, às vezes parecemos ficar impotentes diante das necessidades humanas. Teríamos nós abandonado o lugar secreto do Altíssimo para nossa própria perda e impotência no púlpito? Que Deus nos desperte! 

[4].Impotência. No Salmo 50.7-12, Deus declara sua auto-suficiência. No contexto, Ele nos ensina sobre nossa dispensabilidade e impotência. Deus não precisa de nossas orações. Nós precisamos dEle. Ele não precisa de nós! Uma vida de oração é o calvinismo em sua melhor forma; é uma declaração simples, aberta e honesta na presença de Deus, de total impotência. Se a salvação vem do Senhor, e se as pessoas devem ser convertidas, isto deve ser pela graça de Deus, pelo poder de Deus e através do evangelho. Nunca é por causa de quem eu sou, e sim apesar de quem eu sou. A propensão para o orgulho existe e irá nos arruinar, se não estivermos sempre vigilantes. Se não orarmos, Deus não sofrerá nenhuma perda quanto ao que fazer sobre a situação. Quando Mordecai tentou convencer Ester da importância de sua intervenção na crise nacional, a qual estava colocando em risco a existência futura dos judeus, e quando ela estava mais preocupada com sua própria preservação do que com qualquer outra coisa, a mensagem dele equivalia a dizer: “Você já parou para pensar, Ester, que você não é indispensável? Se você não fizer nada sobre isto, o livramento virá de algum outro lugar. Deus não depende de você. Mas, quem sabe? Talvez você tenha vindo ao reino para um tempo como este? Por que não mostrar-se à altura da situação?”

[5].Constância. Paulo nos exorta em 1 Tessalonicenses 5.17 a orar “sem cessar”. Davi orava sete vezes por dia; Daniel, três vezes por dia. Lutero, ao encontrar um amigo na rua, diria: “Irmão, eu te encontro orando?” 

[6].Conteúdo. Por que orações foram registradas nas Escrituras? Por que o Espírito Santo considerou importante que tivéssemos colunas e mais colunas das Escrituras Sagradas dedicadas às orações que foram oferecidas por Daniel, Neemias, Paulo e Jesus Cristo? Ele fez isto para que você e eu pudéssemos aprender a orar. Oh, que as orações assumam um caráter mais bíblico! Oh, que as orações sejam uma expressão da vontade de Deus, tal como é mostrado nas Escrituras! 

[7].Importunidade. Isto é, entender a vontade de Deus e trazê-la diante dEle para sua própria atenção, contínua e persistentemente. É dar a Deus nenhum descanso até que Ele traga paz à Jerusalém. Afinal de contas, é a vontade de Deus que sua Jerusalém, o corpo de Cristo, seja resplandecente com a sua glória, e um louvor a Deus na terra. Se a igreja não é aquilo a que foi chamada a ser, não deveríamos nós implorar pela misericórdia de Deus para que o corpo de Cristo seja feito uma honra ao seu nome neste pobre e miserável mundo? Jesus não nos deu a parábola da viúva importuna, nas palavras de Lucas 18.1, “sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer”? Quão sério você é em sua preocupação com a igreja de Deus?

[8].Certeza. Isto significa fé. Não tem nada a ver com Deus nos dando algum tipo de cheque em branco para o preenchermos. A fé é fundamentada na vontade de Deus. A fé descobre o coração de Deus nas páginas das Escrituras. A fé esforça-se por conhecer a Deus. A fé concebe orações tocantes, como a de João 17. “Pai”, orou Jesus, “a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo”. A fé toma conhecimento desta expressão da vontade do Salvador e a leva para Deus, vez após vez. Ela deposita esta vontade diante dos pés dEle. A fé roga: “Pai, o seu povo, por quem Cristo orou, precisa ser levado em asas de águias. Leve-os em segurança através de sua jornada por este mundo perverso e hostil. Leve-os através dos portões da morte e para dentro do lar eterno na glória”. Martinho Lutero pode ter soado impudente [sem pudor] na forma como orou, quando se pôde ouvi-lo dizer: “Pai, que se faça a minha vontade, porque eu sei que a minha vontade é a sua vontade”. Portanto, ele tinha compreendido a vontade do Pai e expressava isto em sua oração. 

[9].Extensão. Quando o crente tem uma mente que é capaz de alcançar muito além dos limites das pequenas mentes dos homens, e olha além do horizonte para enxergar e entender os propósitos gloriosos de Deus na redenção, ele ora de acordo com estes propósitos de Deus. “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Sl 2.8), diz o Pai para o Filho. O crente aceita esta promessa em oração. Sua maior alegria e seu maior prazer estão em saber que os rebeldes dobram os joelhos diante do Filho de Deus, que eles tocam o cetro estendido a eles, e que assim são salvos pela graça. O crente, de joelhos, anseia mais que qualquer outra coisa — que Cristo possa ter um seguidor, um seguidor que O adore. Ele espera que um seguidor admire a Jesus. Todo intercessor pode se identificar com Spurgeon, sobre quem Archibald Brown disse, certa vez: “Ele O amou, ele O adorou, ele era nosso satisfeitíssimo cativo do Senhor”. Quando Paulo orou, pensou grande. Veja sua oração em Efésios 3.14-21. Pense grande, quando você orar!

[10].Objetivo. O objetivo é a glória de Deus. “Santificado seja o teu nome”. “Deixe que o nome de George Whitefield pereça”, disse este homem, “mas que o nome de Cristo viva pelos séculos dos séculos!” Quando o próprio Jesus levantou seus olhos aos céus, Ele disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.1,5). O crente responde imediatamente com um entusiástico: “Assim seja”.


'Eu [Martin Holdt] termino citando um grande pastor americano de uma geração anterior. Gardiner Spring disse: "Já se foi o tempo quando os pastores das igrejas [norte] americanas valorizavam o privilégio da oração; eles não somente eram homens de oração, mas também oravam frequentemente com os outros e uns pelos outros. Suas recíprocas e fraternas visitas eram consagradas e adocicadas pela oração, e também não era nem um pouco incomum que eles se juntassem para passar dias inteiros em jejum e oração, para que as efusões do Espírito de Deus viessem sobre eles e suas igrejas, e aqueles eram dias de poder, dias em que o braço forte de Deus se mostrava e sua mão direita sustentava, nem era difícil ver onde a imensa força do púlpito encontrava-se. E o mais fraco dentre eles, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será como Deus." [ver Zc 12:8]'


29 dezembro 2024

Aprendizado piedoso 202

“Além de nos curvarmos perante Sua Palavra, também temos de nos curvar continuamente em oração diante de Seu trono. Lá, poderemos aprender a próspera ocupação de pedir. Como você bem sabe, no Reino de Deus, os pedintes tornam-se ricos.” 

[Ted Christman, no cap. 4 do livro “Amado Timóteo: uma coletânea de cartas ao pastor” (editor Thomas Ascol)]

28 dezembro 2024

De joelhos (v.a.)

De joelhos, o ser humano fica na metade do caminho entre o chão (a queda) e o estar em pé (o levantar)...
Talvez ele tenha caído, depois de ter ficado em pé, ou talvez ele esteja sendo levantado, depois de ter caído...
Para cair, basta tropeçar...
... "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (1Co 10:12)...
Para levantar, depois de uma grande queda, precisa haver o auxílio de uma mão amiga...
De joelhos, o ser humano fica à meia altura e reconhece a sua pequenez, em uma visão “de baixo para cima”...
De joelhos, o crente experimenta a humildade diante do Excelso...
De joelhos, o crente reconhece que é barro, não Oleiro...
De joelhos, o crente reconhece que é criatura, não Criador...
De joelhos, o crente roga ao seu Pai Celestial...
De joelhos, o crente dá graças ao seu Redentor... que também orou, de joelhos, ao Pai...
De joelhos, o crente ora.

"E, saindo, foi, como de costume, para o monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam.
Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis em tentação.
Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos orava..." (Lc 22:39-41)

[versão atualizada (v.a.) do texto "De joelhos", publicado em 17/10/2013]