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Mostrando postagens com marcador natal. Mostrar todas as postagens
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25 dezembro 2025

Louvor: "Velhos Natais"


*Trecho da canção "Velhos Natais", de Stênio Marcius:
"...porque é Natal, e o Rei daquela manjedoura habita em nós.
E foi ali que a alegria começou, para varrer toda a tristeza e a saudade, que não leva a nada.
Porque o melhor ainda está pra acontecer.
Vou vê-lo em glória e não mais como um bebê.
Mas, para sempre vou lembrar e agradecer, esses Natais, doces Natais, velhos Natais..."

23 dezembro 2025

Noel ou Emanuel ?

Nesta época do ano, precisamos ter cuidado para que o Noel não tente roubar o lugar do Emanuel.

22 dezembro 2025

Natal: "surpreendido pela manjedoura"

[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, manhã do dia 25/12]

“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7:14)

‘Vamos hoje descer a Belém e, em companhia de pastores admirados e sábios adoradores, ver Aquele que nasceu Rei dos judeus, pois nós, pela fé, podemos reivindicar interesse nEle, e cantar: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9:6). Jesus é Jeová encarnado, nosso Senhor e nosso Deus, e, contudo, nosso Irmão e Amigo. Adoremos e admiremos. Percebamos, à primeira vista, Sua miraculosa concepção. Foi algo nunca antes ouvido, e sem paralelo desde então, que uma virgem concebesse e tivesse um Filho. A primeira promessa ocorreu assim: “A semente da mulher” (Gn 3:15), e não a descendência do homem. Uma vez que a venturosa mulher liderou o caminho no pecado, que trouxe o “Paraíso Perdido”*, ela, e somente ela, inaugura o “Paraíso Reconquistado”*. Nosso Salvador, embora verdadeiramente homem, era, quanto a Sua natureza humana, o Santo de Deus (Sl 16:10; Mc 1:24; Lc 4:34; At 3:14; Ap 3:7). Curvemo-nos, de maneira reverente, diante da sagrada Criança, cuja inocência restaura à raça humana sua antiga glória, e oremos para que Ele seja formado em nós, a esperança da glória (Cl 1:27). Não deixemos também de notar Sua humilde descendência. Sua mãe é descrita apenas como “uma virgem”; não uma princesa, ou profetisa, ou alguém com grandes propriedades; contudo, sua condição não era tão simples ou iletrada que não lhe permitisse cantar docemente um cântico de louvor. Verdadeiramente o sangue dos reis corria em suas veias (Lc 3:23-38); no entanto, quão humilde era sua posição, quão pobre o homem a quem estava prometida, e quão miserável a acomodação oferecida ao recém-nascido Rei! Emanuel, Deus conosco em nossa natureza, em nossa tristeza, em nossa obra de vida, em nosso castigo, em nossa sepultura; e agora conosco, ou melhor, nós com Ele, em ressurreição, ascensão, triunfo, e esplendor do Segundo Advento.’

*Paraíso Perdido e Paraíso Reconquistado são títulos de poemas do poeta inglês John Milton (1608-1674).

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[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, noite do dia 26/01]

“E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam” (Lc 2:18)

‘Não devemos deixar de admirar as grandes maravilhas do nosso Deus. Seria muito difícil traçar uma linha entre a sagrada admiração e a verdadeira adoração, pois quando a alma é subjugada com a majestade da glória de Deus, embora possa não se expressar em cânticos, ou mesmo proferir sua voz com a cabeça inclinada em humilde oração, contudo ela adora em silêncio. Nosso Deus encarnado deve ser adorado como o “Maravilhoso” (Is 9:6). Que Deus tenha levado em conta Sua criatura caída, o homem, e em vez de varrê-lo com a vassoura da destruição, Ele mesmo tomar para Si a responsabilidade de ser o seu Redentor, e pagar o preço de seu resgate, é realmente maravilhoso. No entanto, para cada crente, a redenção é ainda mais maravilhosa conforme ele a vê em relação a si mesmo. É um milagre da graça, de fato, que Jesus tenha abandonado o trono e a majestade acima para sofrer aqui abaixo, de maneira desonrosa, por nós. Deixe sua alma perder-se em admiração, pois admirar-se dessa forma é uma emoção muito prática. A sagrada admiração o levará ao sincero agradecimento e à adoração; ela provocará dentro de você uma devota vigilância; você terá receio de pecar contra um amor como esse. Sentindo a presença do poderoso Deus na dádiva de Seu amado Filho, você descalçará os sapatos dos seus pés, porque o lugar onde está é terra santa (Ex 3:5; Js 5:15). Você será movido, ao mesmo tempo, a uma gloriosa esperança. Se Jesus fez tais coisas maravilhosas em seu favor, você sentirá que o próprio céu não é tão grande para sua expectativa. Quem pode ser surpreendido com alguma coisa quando outrora *surpreendido* pela manjedoura e pela cruz? O que existe de mais maravilhoso depois de alguém ter visto o Salvador? Caro leitor, pode ser que pela sua calma e isolada forma de vida, você dificilmente possa imitar os pastores de Belém – que disseram aquilo que tinham visto e ouvido –, mas você pode, ainda assim, fazer parte do círculo de adoradores diante do trono, pela admiração daquilo que Deus fez.’

*Surpreendido / Surpreso*: “Ficamos surpresos com algo porque não o esperávamos, admirados por sua singularidade em algum aspecto, maravilhados porque não conseguimos entender como aconteceu, atônitos a ponto de não sabermos o que pensar ou fazer.” [Dicionário Century]

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[Trechos do livro “Emmanuel, Or Titles of Christ”, de Octavius Winslow**]

(**Octavius Winslow foi contemporâneo de C.H. Spurgeon e J.C. Ryle)

‘[...] Antes de abordar a segunda parte deste assunto, permitam-me falar, em defesa da verdade que ocupou nossos primeiros pensamentos, o estudo mais devoto e a crença mais inabalável de todo o povo do Senhor. A doutrina da Encarnação é a principal pedra angular da nossa fé. Nela reside toda a essência da nossa salvação. Esta é a chave que desvenda o profundo mistério do amor divino; esta é a solução para todas as dificuldades que se apresentam à alma em sua luta pela salvação. Deixem que a sua fé simplesmente apreenda esta verdade, e tudo estará seguro, com o seu bem-estar eterno. Não parem para sondá-la com o frágil prumo da sua razão antes de crerem nela. Não esperem para compreendê-la antes de recebê-la. Recebam-na com a simplicidade de uma criança pequena, e ela os fará felizes. É o grande mistério da Divindade. Como, então, você, um ser finito, um ser finito pecador, pode ser considerado capaz de compreender plenamente uma verdade que toca as próprias alturas e sonda as próprias profundezas do infinito?  Para alcançar tal compreensão, sobre quais anjos vocês se curvam com humildade, reverência e temor? Deposite sua razão aos pés da fé, e deixe que a fé ocupe seu lugar aos pés de Jesus e, como eu disse, receba o reino de Deus como uma criança e você será salvo […] Esta é a "Pedra" que os negadores da divindade e da expiação de Cristo desprezam, rejeitando-a e construindo o alicerce de seu futuro sobre as areias movediças de suas próprias obras, sobre as quais repousarão a vergonha e o desprezo eterno. Torne-se, então, um humilde adorador em Belém, um estudante crente no Calvário, um santo jubiloso no túmulo, e sua será a bênção divina daquele "que crê, embora não tenha visto" (Jo 20:29). A jornada da alma rumo à glória começa na manjedoura, contorna a cruz, passa pelo túmulo, ascende [ao céu], e se perde na visão perfeita da fé, na plena realização da esperança, e no mar infinito de amor que circunda o trono celestial — "Onde está assentado nosso Salvador, coroado de luz, revestido de um corpo como o nosso". Mas nos aproximamos daquele ramo do nosso tema que o traz mais intimamente e abençoadamente para o nosso ser individual.  "Emanuel, Deus CONOSCO”. Quão maravilhosamente e completamente esta verdade, a Encarnação, preenche o vasto abismo entre o Infinito e o finito – Deus e o homem! Deus não é mais, para a mente do crente, uma abstração incompreensível e invisível. Ele é trazido para perto, por assim dizer – visível, tangível, real – em uma palavra, Ele está CONOSCO. Vamos ilustrar em alguns detalhes esta verdade maravilhosa, e não menos experimental e preciosa. Em primeiro lugar <#1#>, Emanuel é DEUS CONOSCO. Aqui, ascendemos infinitamente acima do humano. Não é meramente um anjo que está conosco – um homem que está conosco; é a Divindade que está conosco, ninguém menos que o próprio Jeová, o Deus da aliança e Guardião de Israel. Não podemos viver sem nada menos que a Divindade […] Obras mortais são coisas mortas, afundando você como uma pedra de moinho nas sombras do abismo sem fundo. Mas um olhar de fé para o Salvador crucificado é vida e imortalidade, elevando você acima da maldição, acima de seus pecados, para fora do poço horrível e do lamaçal de sua condenação presente, para as regiões ensolaradas do perdão, da paz e da esperança. Mais uma vez, permita-me lembrar ao meu leitor crente que "Emanuel é Deus conosco". Venha, então, e apoie-se em Seu braço onipotente.  Você não tem nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Seus infinitos recursos; nenhuma pedra de dificuldade em sua peregrinação que Seu poder não possa remover; nenhum fardo que Seu braço poderoso não possa suportar, nenhuma perplexidade que Sua sabedoria não possa guiar: em suma, nenhuma condição à qual Cristo, nosso Deus sempre presente, não seja capaz. Com fé e humildade, faça uso prático da divindade de seu Salvador; e quando tudo o que é meramente humano falhar, quebrar como uma “corda de areia” (“rope of sand”), dissolver como um vapor passageiro; ou perfurar sua mão inclinada com demasiada ingenuidade como uma cana quebrada, então agarre-se a esta preciosa verdade e diga: "Meu Deus Salvador está comigo em todos os recursos ilimitados de Sua Divindade, por que então eu deveria temer?"[...] Oh, que o seu conhecimento de Deus abranja uma gama mais ampla do Seu ser, governo e glória, do que o sol, as estrelas ou as flores lhe permitem. No céu azul, nenhuma palavra está estampada assegurando o perdão dos pecados, a salvação ou o céu. Como você pode ser salvo do inferno, e preparado para o céu, só pode ser aprendido ao contemplar "a glória de Deus na face de Jesus Cristo" (2Co 4:6) [...] Perguntamos: "Mostra-nos o Pai", e isso nos basta? Jesus responde: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14:9). Assim, nosso Emanuel levanta o terrível véu, e nos mostra Deus perdoando nossos pecados, justificando-nos, e nos envolvendo no abraço do Seu amor paternal. Provavelmente não existe nenhum verso que expresse uma concepção mais verdadeira e bela dessa grande ideia do que o do ilustre [Isaac] Watts*, que ainda lidera o serviço de cânticos na Terra: 

"O mais querido de todos os nomes nas alturas, 
Meu Jesus e meu Deus! 
Quem pode resistir ao Teu amor celestial, 
Ou brincar com o Teu sangue? 
É pelos méritos da Tua morte, 
Que o Pai sorri novamente; 
É pelo Teu sopro intercessor, 
Que o Espírito habita nos homens. 
Até que eu veja Deus em carne humana, 
E meus pensamentos encontrem conforto, 
O Santo, Justo e Sagrado Deus Triúno
É terror para a minha mente; 
Mas se a face do Emanuel aparecer, 
Minha esperança e minha alegria terão início; 
Seu nome afastará meu medo servil, 
Sua graça removerá meus pecados."’

_______

*The Psalms and Hymns of Isaac Watts ‎#II.148  

(https://hymnary.org/hymn/PHW/II.148)


17 dezembro 2025

Louvor: "Canção de Simeão"


"Canção de Simeão"
[Marcelo Cacilias] 

Os meus olhos viram a salvação
A luz para o mundo, esperança da Terra
E eu não sou mais meu
E eu não sou mais meu

Cristo, Tu és a minha porção
O trigo esmagado, vinho novo e o pão
E eu não sou mais meu
E eu não sou mais meu

És a fome que me faz cantar
És a sede que me faz beber
És o nome que escuto ao deitar
E o olhar que vejo ao amanhecer

E essa é minha promessa
Eu gastarei minha vida pra Te coroar
Esse é o meu anseio
O meu amor por Ti não será um segredo

És a fome que me faz cantar
És a sede que me faz beber
És o nome que escuto ao deitar
E o olhar que vejo ao amanhecer

E essa é minha promessa
Eu gastarei minha vida pra Te coroar
Esse é o meu anseio
O meu amor por Ti não será um segredo

És a fome que me faz cantar
És a sede que me faz beber
És o nome que escuto ao deitar
E o olhar que vejo ao amanhecer

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O cântico de Simeão 
[Lucas 2:25–35]
"Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo,
 segundo a tua palavra;
 porque os meus olhos já viram a tua salvação,
 a qual preparaste diante de todos os povos:
 luz para revelação aos gentios,
 e para glória do teu povo de Israel.

E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
"
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26 dezembro 2024

O Nascimento (cap. 1)

Trechos do capítulo 1 - "The Nativity" ("O Nascimento") - do livro "The Life of Christ" ("A Vida de Cristo"), de Frederic W. Farrar (várias edições):

'A uma milha de Belém há uma pequena planície, na qual, sob um bosque de oliveiras, fica a desguarnecida e negligenciada capela conhecida pelo nome de "o Anjo dos Pastores". Ela foi construída sobre o local tradicional dos campos onde, na bela linguagem de Lucas - mais requintada do que qualquer idílio para os ouvidos cristãos - "havia pastores guardando seu rebanho durante a noite, quando, eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles" [ver Lc 2:8-9], e aos seus ouvidos felizes foram proferidas as boas novas de grande alegria, que, para eles nasceu, naquele dia, na cidade de Davi, um Salvador, que era Cristo, o Senhor.'

'Mas nos versos breves e emocionantes do Evangelista [Lucas] não nos é dito que aquelas canções angelicais não foram ouvidas por ninguém, exceto aqueles vigilantes pastores de uma aldeia obscura; — e esses pastores, em meio ao orvalho frio de uma noite de inverno, estavam protegendo seus rebanhos do lobo e do ladrão, em campos onde Rute, ancestral de seu Salvador, havia colhido [...] em meio ao milho alheio [ver Rt 2], e Davi, o filho desprezado e mais novo de uma família numerosa, havia pastoreado as ovelhas cheias de filhotes. “E de repente”, acrescenta o único Evangelista [ver Lc 2:13-14] que narrou as circunstâncias daquela noite memorável em que Jesus nasceu, em meio à indiferença de um mundo inconsciente de seu Libertador, “havia com o anjo uma multidão da hoste celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade”. Poderia haver a expectativa de que a [tradição] cristã tivesse marcado o local com esplêndidos memoriais, e consagrado a rude gruta dos pastores com mármores e mosaicos de alguma igreja imponente. Mas, ao invés disso, a Capela do Anjo Arauto é uma mera cripta [gruta] rude; e conforme o viajante desce os degraus quebrados que levam do olival até o seu recanto escuro, ele [viajante/visitante] dificilmente consegue se convencer de que está em um lugar consagrado. No entanto, um senso meio inconsciente de aptidão talvez tenha contribuído para essa aparente negligência. A simplicidade da capela harmoniza bem com o  humilde labor daqueles [pastores do campo] cuja visão radiante ela pretende celebrar.'

'Na Palestina, não é incomum que todo o khan (caravanserai - hospedagem), ou pelo menos a parte dele em que os animais são alojados, seja uma daquelas inúmeras cavernas [grutas] que são abundantes nas rochas calcárias de suas colinas centrais. Esse parece ter sido o caso na pequena cidade de Belém-Efrata [ver Mq 5:2], na terra de Judá. Justino Mártir, o Apologista [Apologeta], que, desde seu nascimento em Siquém, estava familiarizado com a Palestina, e que viveu menos de um século após a época de nosso Senhor, coloca a cena da natividade [nascimento de Cristo] em uma caverna. Esta é, de fato, a tradição antiga, que consta tanto das Igrejas Orientais quanto das Ocidentais, e é uma das poucas às quais, embora não registradas na história [relato] do Evangelho, podemos atribuir uma probabilidade razoável. Sobre esta caverna se ergueu a Igreja e o Convento da Natividade, e foi em uma caverna próxima a ela que um dos mais eruditos, eloquentes e santos Padres da Igreja — o grande Jerônimo, a quem devemos a tradução latina [Vulgata] da Bíblia — passou trinta de seus últimos anos em estudo, jejum e oração.'

'O recenseamento atraiu tantos estrangeiros para a pequena cidade [Belém] que "não havia lugar para eles na estalagem" [ver Lc 2:1-7]. Na rude gruta de calcário anexada a ela como um estábulo, entre o feno e a palha espalhados para a alimentação e descanso do gado, cansados ​​da jornada do dia, longe de casa, no meio de estranhos, na fria noite de inverno — em circunstâncias tão desprovidas de todo conforto ou esplendor terreno que é impossível imaginar um nascimento mais humilde — Cristo nasceu.'

'Distante a apenas algumas milhas, no planalto da abrupta e singular colina, agora chamada Jebel Fureidis, ou "Pequena Montanha do Paraíso", erguia-se a fortaleza do palácio do Grande Herodes. As casas magníficas de seus amigos e cortesãos se aglomeravam ao redor de sua base. Os humildes viajantes, ao passarem perto dela, poderiam ter ouvido os voluptuosos menestréis com os quais suas festas eram celebradas, ou os gritos dos rudes mercenários cujas armas impunham obediência ao seu senhor despótico [Herodes]. Mas o verdadeiro Rei dos Judeus — o legítimo Senhor do Universo — não era encontrado no palácio ou na fortaleza. Aqueles que vestiam panos macios estavam nas casas do rei [Herodes]. Os estábulos de gado dos humildes caravançarai [caravanserai] eram um local de nascimento mais adequado para Aquele [Jesus Cristo] que veio revelar que a alma do maior monarca [como Herodes] não era mais querida - ou maior - aos olhos de Deus, do que a alma de seu escravo mais vil; [era mais adequado] para Aquele que não tinha onde reclinar a cabeça; para Aquele que, de Sua cruz de vergonha, governaria o mundo.'

'Eles [artistas/pintores que tentaram descrever o nascimento de Cristo - natividade - ao longo da história] pintaram a irradiação da luz do Seu berço-manjedoura, iluminando todo o lugar, até que os espectadores [apreciadores dos quadros pintados] sejam forçados a proteger os olhos daquele esplendor celestial. Contudo, tudo isso está longe da realidade. Tais glórias que os simples pastores viram, foram vistas apenas pelos olhos da fé; e tudo o que encontraram foi um camponês [José] da Galileia, já além do auge da vida, e uma jovem mãe [Maria], de quem eles [os pastores] não podiam saber que ela era uma donzela casada e esposa virgem, com um Filho Infante, a quem, como não havia ninguém para ajudá-la, suas próprias mãos envolveram em faixas [ver Lc 2:12]. A luz que brilhou na escuridão não era física, mas um raio espiritual; o Amanhecer do alto [ver "Cântico de Simeão" Lc 2:29-32], que agora havia visitado a humanidade, amanheceu apenas em alguns corações fiéis e humildes.'

'E os Evangelhos, sempre verdadeiros e trazendo em cada página aquela simplicidade que é o selo da narrativa honesta, indicam esse fato [nascimento de Cristo] sem comentários. Não há neles nada da exuberância do maravilhamento, do mistério e do milagre, que aparecem igualmente nas imaginações judaicas sobre seu Messias vindouro, e nas narrativas apócrifas sobre o Menino Jesus. Não há critério mais decisivo de sua credibilidade absoluta como histórias simples, do que o marcante e violento contraste que eles [Evangelhos verdadeiros: Mt, Mc, Lc, Jo] oferecem a todos os evangelhos espúrios dos primeiros séculos e a todas as lendas imaginativas que se aglomeraram em torno deles. Se nossos Evangelhos não fossem autênticos, eles também deveriam inevitavelmente ter participado das características que marcam, sem exceção, toda ficção antiga sobre a vida do Salvador. Para a fantasia não iluminada [sem a inspiração do Espírito Santo], teria parecido incrível que o evento [nascimento da Segunda Pessoa da Trindade Bíblica] mais estupendo da história do mundo tivesse ocorrido sem convulsões e catástrofes.'

'Contudo, desse súbito silêncio e pausa da Natureza atônita, dos parélios e esplendores misteriosos que resplandeciam em muitos lugares do mundo, do parto sem dor, da virgindade perpétua, do boi e do jumento ajoelhados para adorá-Lo na manjedoura, da voz com a qual imediatamente após Seu nascimento Ele disse à sua mãe que Ele era o Filho de Deus, e de muitas outras maravilhas que se enraizaram nas primeiras tradições [fantasiosas], não há nenhum vestígio no Novo Testamento [relato bíblico dos verdadeiros Evangelhos]. As invenções do homem diferem totalmente dos procedimentos [providência] de Deus. Em Seus desígnios não há pressa, nem descanso, nem cansaço, nem descontinuidade; todas as coisas são feitas por Ele na majestade do silêncio, e são vistas sob uma luz que brilha silenciosamente na escuridão, “mostrando todas as coisas na lenta história de seu amadurecimento”. “As profundezas insondáveis ​​dos conselhos divinos”, foi dito, “foram movidas; as fontes do grande abismo foram quebradas; a cura das nações estava surgindo; mas nada foi visto na superfície da sociedade humana, além desta leve ondulação da água [a simples e humilde encarnação do Verbo]; o curso das coisas humanas continuou como de costume, enquanto cada um estava ocupado com pequenos projetos próprios”.'

25 dezembro 2024

EB12: "Um corpo me formaste"

“Um corpo me formaste”

uma mensagem para o Natal

Os sacrifícios antigos eram humanos e transitórios. A expiação feita por Cristo é divina e permanente (Hb 10:1-10):

“1Ora, visto que a lei tem sombra [prefigura] dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.  2Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? 3Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, 4porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, diz***: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, UM CORPO ME FORMASTE; 6não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. 7Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade. 8Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), 9então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. 10Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.”

[*** Comentário: Faithlife Study Bible,2016 ***]

O autor aos Hebreus coloca este Salmo de Davi (Sl 40:6-8) como se estivesse nos lábios de Cristo:

“6Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres. 7Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; 8agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.”

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[O Comentário de Exposição Bíblica, W.W. Wiersbe]

‘A frase “um corpo me preparaste” (Hb 10:5) não é encontrada na citação original. O Salmo 40:6 diz: “Abriste os meus ouvidos”. O escritor de Hebreus estava citando a Septuaginta, a tradução grega do AT. Como explicamos essa variação? [...] Provavelmente “ouvidos abertos” significavam prontidão para ouvir e obedecer à vontade de Deus (ver Is 50:4–6). Deus deu ao Seu Filho um corpo preparado para que o Filho pudesse servir a Deus e cumprir Sua vontade na terra. Nosso Senhor referiu-se frequentemente a esta verdade (João 4:34; 5:30; 6:38; 17:4). É claro que o mesmo Espírito Santo que inspirou o Salmo 40 tem o direito de amplificar e interpretar a Sua Palavra em Hebreus 10. “Ouvidos abertos” indica um corpo pronto para o serviço.

“Jesus chorou”

[C.H. Spurgeon #2091, sermão da manhã de 23/06/1889, citando Hb 10:5]

“10. Observe também que seu corpo puro e sua alma sem pecado foram originalmente constituídos como os nossos. Quando seu corpo foi formado de acordo com aquele trecho da Escritura, ‘UM CORPO ME FORMASTE’ (Hb 10:5), aquele corpo santo continha todo o aparato para a tristeza: a glândula lacrimal estava em seu olho [assim que nasceu e provavelmente chorou]. Onde não há pecado, se diria que não deveria haver tristeza; mas na formação daquele corpo abençoado, todos os preparativos [providências] para a expressão da dor foram tão plenamente preparados, quanto em qualquer um de nós. Seus olhos foram feitos para serem fontes de lágrimas, assim como os nossos. Ele também tinha em sua alma toda a capacidade de sofrimento mental. Como disse anteriormente, e repito mais uma vez, parece que não deveria haver lágrimas onde não há transgressões; e ainda assim o coração do Salvador foi feito para conter tristeza, assim como um jarro de ânfora [amphi- ("nos dois lados", "duplo" [duas alças]) + phoreus ("carregador", do verbo pherein, "carregar")] foi feito para guardar o vinho. Sim, mais ainda, seu coração foi feito suficientemente espaçoso para ser um reservatório no qual deveriam ser acumuladas grandes torrentes de tristeza. Veja como a tristeza irrompe numa poderosa inundação! Observe o registro daquele dilúvio nestas palavras surpreendentes: ‘Jesus chorou’ (João 11:35).

“As lágrimas do Verbo encarnado”

("O conhecimento de Deus", J.I. Packer, cap. 5, "Deus encarnado")

"O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu" (1Co 15.47)

'É aqui, no acontecimento ocorrido no primeiro Natal, que estão as mais insondáveis profundezas da revelação cristã. “O Verbo se fez carne” (Jo 1:14); Deus se tornou homem; o Filho divino se tornou um judeu; o Poderoso apareceu na terra como um frágil bebê humano [que deve ter chorado ao nascer como um bebê humano], incapaz de fazer mais do que ficar deitado, olhar, mexer-se e fazer ruídos, tendo a necessidade de ser alimentado, trocado e ensinado a falar como qualquer outra criança… Aquele que havia feito o homem agora estava sentindo como era ser um.'

‘O que vemos na manjedoura: “Nosso Deus reduzido a um palmo - incompreensivelmente tornado homem” (C. Wesley)’

'James Denney (The Death of Christ, 1902, p. 235): “o Novo Testamento não diz nada acerca de uma encarnação que possa ser definida sem a sua relação com a expiação... Não foi Belém, mas o Calvário, o foco da revelação, e qualquer construção de Cristianismo que ignore ou negue isto estará distorcendo o Cristianismo, ao colocá-lo fora de foco”.

‘O significado crucial do berço [manjedoura] em Belém está em seu lugar na sequência dos passos descendentes que levaram o Filho de Deus até a cruz do Calvário, e nós não o entendemos até vê-lo dentro de seu contexto.’ (J.I. Packer)

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