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22 dezembro 2025

Natal: "surpreendido pela manjedoura"

[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, manhã do dia 25/12]

Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7:14)

‘Vamos hoje descer a Belém e, em companhia de pastores admirados e sábios adoradores, ver Aquele que nasceu Rei dos judeus, pois nós, pela fé, podemos reivindicar interesse nEle, e cantar: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9:6). Jesus é Jeová encarnado, nosso Senhor e nosso Deus, e, contudo, nosso Irmão e Amigo. Adoremos e admiremos. Percebamos, à primeira vista, Sua miraculosa concepção. Foi algo nunca antes ouvido, e sem paralelo desde então, que uma virgem concebesse e tivesse um Filho. A primeira promessa ocorreu assim: “A semente da mulher” (Gn 3:15), e não a descendência do homem. Uma vez que a venturosa mulher liderou o caminho no pecado, que trouxe o “Paraíso Perdido”*, ela, e somente ela, inaugura o “Paraíso Reconquistado”*. Nosso Salvador, embora verdadeiramente homem, era, quanto a Sua natureza humana, o Santo de Deus (Sl 16:10; Mc 1:24; Lc 4:34; At 3:14; Ap 3:7). Curvemo-nos, de maneira reverente, diante da sagrada Criança, cuja inocência restaura à raça humana sua antiga glória, e oremos para que Ele seja formado em nós, a esperança da glória (Cl 1:27). Não deixemos também de notar Sua humilde descendência. Sua mãe é descrita apenas como “uma virgem”; não uma princesa, ou profetisa, ou alguém com grandes propriedades; contudo, sua condição não era tão simples ou iletrada que não lhe permitisse cantar docemente um cântico de louvor. Verdadeiramente o sangue dos reis corria em suas veias (Lc 3:23-38); no entanto, quão humilde era sua posição, quão pobre o homem a quem estava prometida, e quão miserável a acomodação oferecida ao recém-nascido Rei! Emanuel, Deus conosco em nossa natureza, em nossa tristeza, em nossa obra de vida, em nosso castigo, em nossa sepultura; e agora conosco, ou melhor, nós com Ele, em ressurreição, ascensão, triunfo, e esplendor do Segundo Advento.’

*Paraíso Perdido e Paraíso Reconquistado são títulos de poemas do poeta inglês John Milton (1608-1674).

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[Trecho do Devocional Manhã & Noite de C.H. Spurgeon, noite do dia 26/01]

E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam” (Lc 2:18)

‘Não devemos deixar de admirar as grandes maravilhas do nosso Deus. Seria muito difícil traçar uma linha entre a sagrada admiração e a verdadeira adoração, pois quando a alma é subjugada com a majestade da glória de Deus, embora possa não se expressar em cânticos, ou mesmo proferir sua voz com a cabeça inclinada em humilde oração, contudo ela adora em silêncio. Nosso Deus encarnado deve ser adorado como o “Maravilhoso” (Is 9:6). Que Deus tenha levado em conta Sua criatura caída, o homem, e em vez de varrê-lo com a vassoura da destruição, Ele mesmo tomar para Si a responsabilidade de ser o seu Redentor, e pagar o preço de seu resgate, é realmente maravilhoso. No entanto, para cada crente, a redenção é ainda mais maravilhosa conforme ele a vê em relação a si mesmo. É um milagre da graça, de fato, que Jesus tenha abandonado o trono e a majestade acima para sofrer aqui abaixo, de maneira desonrosa, por nós. Deixe sua alma perder-se em admiração, pois admirar-se dessa forma é uma emoção muito prática. A sagrada admiração o levará ao sincero agradecimento e à adoração; ela provocará dentro de você uma devota vigilância; você terá receio de pecar contra um amor como esse. Sentindo a presença do poderoso Deus na dádiva de Seu amado Filho, você descalçará os sapatos dos seus pés, porque o lugar onde está é terra santa (Ex 3:5; Js 5:15). Você será movido, ao mesmo tempo, a uma gloriosa esperança. Se Jesus fez tais coisas maravilhosas em seu favor, você sentirá que o próprio céu não é tão grande para sua expectativa. Quem pode ser surpreendido com alguma coisa quando outrora *surpreendido* pela manjedoura e pela cruz? O que existe de mais maravilhoso depois de alguém ter visto o Salvador? Caro leitor, pode ser que pela sua calma e isolada forma de vida, você dificilmente possa imitar os pastores de Belém – que disseram aquilo que tinham visto e ouvido –, mas você pode, ainda assim, fazer parte do círculo de adoradores diante do trono, pela admiração daquilo que Deus fez.’

*Surpreendido / Surpreso*: “Ficamos surpresos com algo porque não o esperávamos, admirados por sua singularidade em algum aspecto, maravilhados porque não conseguimos entender como aconteceu, atônitos a ponto de não sabermos o que pensar ou fazer.” [Dicionário Century]

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[Trechos do livro “Emmanuel, Or Titles of Christ”, de Octavius Winslow**]

(**Octavius Winslow foi contemporâneo de C.H. Spurgeon e J.C. Ryle)

‘[...] Antes de abordar a segunda parte deste assunto, permitam-me falar, em defesa da verdade que ocupou nossos primeiros pensamentos, o estudo mais devoto e a crença mais inabalável de todo o povo do Senhor. A doutrina da Encarnação é a principal pedra angular da nossa fé. Nela reside toda a essência da nossa salvação. Esta é a chave que desvenda o profundo mistério do amor divino; esta é a solução para todas as dificuldades que se apresentam à alma em sua luta pela salvação. Deixem que a sua fé simplesmente apreenda esta verdade, e tudo estará seguro, com o seu bem-estar eterno. Não parem para sondá-la com o frágil prumo da sua razão antes de crerem nela. Não esperem para compreendê-la antes de recebê-la. Recebam-na com a simplicidade de uma criança pequena, e ela os fará felizes. É o grande mistério da Divindade. Como, então, você, um ser finito, um ser finito pecador, pode ser considerado capaz de compreender plenamente uma verdade que toca as próprias alturas e sonda as próprias profundezas do infinito?  Para alcançar tal compreensão, sobre quais anjos vocês se curvam com humildade, reverência e temor? Deposite sua razão aos pés da fé, e deixe que a fé ocupe seu lugar aos pés de Jesus e, como eu disse, receba o reino de Deus como uma criança e você será salvo […] Esta é a "Pedra" que os negadores da divindade e da expiação de Cristo desprezam, rejeitando-a e construindo o alicerce de seu futuro sobre as areias movediças de suas próprias obras, sobre as quais repousarão a vergonha e o desprezo eterno. Torne-se, então, um humilde adorador em Belém, um estudante crente no Calvário, um santo jubiloso no túmulo, e sua será a bênção divina daquele "que crê, embora não tenha visto" (Jo 20:29). A jornada da alma rumo à glória começa na manjedoura, contorna a cruz, passa pelo túmulo, ascende [ao céu], e se perde na visão perfeita da fé, na plena realização da esperança, e no mar infinito de amor que circunda o trono celestial"Onde está assentado nosso Salvador, coroado de luz, revestido de um corpo como o nosso". Mas nos aproximamos daquele ramo do nosso tema que o traz mais intimamente e abençoadamente para o nosso ser individual.  "Emanuel, Deus CONOSCO”. Quão maravilhosamente e completamente esta verdade, a Encarnação, preenche o vasto abismo entre o Infinito e o finito – Deus e o homem! Deus não é mais, para a mente do crente, uma abstração incompreensível e invisível. Ele é trazido para perto, por assim dizer – visível, tangível, real – em uma palavra, Ele está CONOSCO. Vamos ilustrar em alguns detalhes esta verdade maravilhosa, e não menos experimental e preciosa. Em primeiro lugar <#1#>, Emanuel é DEUS CONOSCO. Aqui, ascendemos infinitamente acima do humano. Não é meramente um anjo que está conosco – um homem que está conosco; é a Divindade que está conosco, ninguém menos que o próprio Jeová, o Deus da aliança e Guardião de Israel. Não podemos viver sem nada menos que a Divindade […] Obras mortais são coisas mortas, afundando você como uma pedra de moinho nas sombras do abismo sem fundo. Mas um olhar de fé para o Salvador crucificado é vida e imortalidade, elevando você acima da maldição, acima de seus pecados, para fora do poço horrível e do lamaçal de sua condenação presente, para as regiões ensolaradas do perdão, da paz e da esperança. Mais uma vez, permita-me lembrar ao meu leitor crente que "Emanuel é Deus conosco". Venha, então, e apoie-se em Seu braço onipotente.  Você não tem nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Seus infinitos recursos; nenhuma pedra de dificuldade em sua peregrinação que Seu poder não possa remover; nenhum fardo que Seu braço poderoso não possa suportar, nenhuma perplexidade que Sua sabedoria não possa guiar: em suma, nenhuma condição à qual Cristo, nosso Deus sempre presente, não seja capaz. Com fé e humildade, faça uso prático da divindade de seu Salvador; e quando tudo o que é meramente humano falhar, quebrar como uma “corda de areia” (“rope of sand”), dissolver como um vapor passageiro; ou perfurar sua mão inclinada com demasiada ingenuidade como uma cana quebrada, então agarre-se a esta preciosa verdade e diga: "Meu Deus Salvador está comigo em todos os recursos ilimitados de Sua Divindade, por que então eu deveria temer?"[...] Oh, que o seu conhecimento de Deus abranja uma gama mais ampla do Seu ser, governo e glória, do que o sol, as estrelas ou as flores lhe permitem. No céu azul, nenhuma palavra está estampada assegurando o perdão dos pecados, a salvação ou o céu. Como você pode ser salvo do inferno, e preparado para o céu, só pode ser aprendido ao contemplar "a glória de Deus na face de Jesus Cristo" (2Co 4:6) [...] Perguntamos: "Mostra-nos o Pai", e isso nos basta? Jesus responde: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14:9). Assim, nosso Emanuel levanta o terrível véu, e nos mostra Deus perdoando nossos pecados, justificando-nos, e nos envolvendo no abraço do Seu amor paternal. Provavelmente não existe nenhum verso que expresse uma concepção mais verdadeira e bela dessa grande ideia do que o do ilustre [Isaac] Watts*, que ainda lidera o serviço de cânticos na Terra: 

"O mais querido de todos os nomes nas alturas, 
Meu Jesus e meu Deus! 
Quem pode resistir ao Teu amor celestial, 
Ou brincar com o Teu sangue? 
É pelos méritos da Tua morte, 
Que o Pai sorri novamente; 
É pelo Teu sopro intercessor, 
Que o Espírito habita nos homens. 
Até que eu veja Deus em carne humana, 
E meus pensamentos encontrem conforto, 
O Santo, Justo e Sagrado Deus Triúno
É terror para a minha mente; 
Mas se a face do Emanuel aparecer, 
Minha esperança e minha alegria terão início; 
Seu nome afastará meu medo servil, 
Sua graça removerá meus pecados."

_______

*The Psalms and Hymns of Isaac Watts#II.148  

(https://hymnary.org/hymn/PHW/II.148)


20 maio 2020

Confinement


Why art thou cast down, O my soul? and why art thou disquieted in me? hope thou in God: for I shall yet praise him for the help of his countenance.” – Psalm 42:5

This text was written by a downcast soul in face of the situation we have experienced in our day, the coronavirus pandemic, the quarantine, the confinement ("lockdown"), and whatever else reserved in the sovereign, good, perfect and just will of the Lord to happen to this world, until His triumphal return, in power, majesty and glory. Maranata![1].

This soul that writes is both justified and sinful (simul justus et peccator). It is the soul of a publican, not a Pharisee[2]. A soul that has continually sought to go to the feet of Calvary’s cross to find the perfect justice and mercy which is abundantly available only in Him, the Author and finisher of our faith[3]. Yet, even though the faith of this downcast soul is, for a few brief moments, faltering in the face of so many uncertainties, it is built upon the Rock[4], the Cornerstone[5], and has the assurance of being "the exclusive property of God."

At the foot of this cross, there is a refreshing and narrow[6] shadow, produced by the scorching sun that passes through this cursed “T”- shaped wood (the Tαυ cross), and this shadow may be used by the Lord to remind us that in this world we will have “T”ribulations, and even the "great  Tribulation"[7], but it looks like we can also find “T”ranquility, for the Lord Jesus himself has invited us: “Come unto me, all ye that labour and are heavy laden, and I will give you rest. Take my yoke upon you, and learn of me; for I am meek and lowly in heart: and ye shall find rest unto your souls. For my yoke is easy, and my burden is light.” – Matthew 11:28-30.

Still reflecting on confinement (or lockdown), this soul recalls the words of Paul, one of the true apostles of Christ, who inspired by the Holy Spirit, recorded this wisdom and testimony in scripture:

Wherefore take unto you the whole armour of God, that ye may be able to withstand in the evil day, and having done all, to stand. 14 Stand therefore, having your loins girt about with truth, and having on the breastplate of righteousness; 15 And your feet shod with the preparation of the gospel of peace; 16 Above all, taking the shield of faith, wherewith ye shall be able to quench all the fiery darts of the wicked. 17 And take the helmet of salvation, and the sword of the Spirit, which is the word of God: 18 Praying always with all prayer and supplication in the Spirit, and watching thereunto with all perseverance and supplication for all saints; 19 And for me, that utterance may be given unto me, that I may open my mouth boldly, to make known the mystery of the gospel, 20 For which I am an ambassador in bonds: that therein I may speak boldly, as I ought to speak.” – Ephesians 6:13-20, added emphases.

The Apostle Paul, before his confinement (“for which I am ambassador in bonds”, he says), is challenged to preach the Gospel of Christ in an even more audacious and intrepid way.

In another biblical passage[8], the Apostle Paul uses an  interesting set of contrasting words to show that our true freedom, as Christians, lies in the fact that we are servants of Christ Jesus, our good and kind Lord, who “A bruised reed shall he not break, and smoking flax shall he not quench, till he send forth judgment unto victory” – Matthew 12:20; Isaiah 42:3.

To conclude, O my soul, reflect now for a little on the fact that the Lord Jesus Christ himself, the incarnate God, the Emmanuel (“God with us” in Matthew 1:23), has also experienced the most extreme of all confinements (or lockdown). First, He, “being in the form of God, thought it not robbery to be equal with God but made himself of no reputation, and took upon him the form of a servant, and was made in the likeness of men” – Philippians 2:6-7[9]. The omniscient, omnipotent, and omnipresent God, eternal and infinite, Creator of space and time, was confined in the extension of a human body and in a term in time. Second, He was confined in prison, as it is reported in the Gospels[10], to be presented before his accusers. Third, He was confined in a cross, being transfixed on the wrists and feet, with nails about 5 to 7 inches long and 3/8 inch in diameter. Fourth and last, the “living God” (as it is also written in the very text of Psalm 42:2, O my soul!) was confined to a grave after being killed as a Lamb[11].

However, even facing those confinements during his earthly ministry, He said, before his accusers and the crowd that witnessed His crucifixion: “Father, forgive them; for they know not what they do.” – Luke 23:34

Likewise, the final confinement of the death of the Lord Jesus Christ, in His perfect double nature – both God and man, could not stop him for long, for after 3 days He rose again – O His tomb is empty! And this is the same hope for you, O my soul, even in the face of a threat like this global scale pandemic. You are safe, for you will also be resurrected with your body one day, just as He did first, for He is the firstfruits[12], and will dwell with Him for all eternity in the glory of the new heaven and new earth[13].

A magnificent summary of the Gospel of Jesus Christ:
“Infinite has become finite. The Creator has become a creature. He (who did everything out of nothing) was born of a woman. He (whom the heavens cannot contain) was contained in a woman's small womb. The bread of life was hungry. The water of life was thirsty. The biggest rest was tired. The greatest joy was sad. The greatest fury and the greatest favor were found on the cross. The greatest wrath and the greatest love were manifested on the cross. Infinite justice was satisfied and infinite mercy was guaranteed on the cross. We are enriched by His poverty, filled by His emptiness, exalted by His disgrace, healed by His wounds, comforted by His pain, and justified by His condemnation.
Thanks be to God for his inexpressible gift!’ – 2 Corinthians 9:15 (ESV)”
[pr. Stephen Yuille, “An inexpressible gift”]


It doesn't seem, now, that you're as much downcast as before, o my soul... keep waiting on God, for He is your help, continually!

Soli Deo Gloria, for His inexpressible gift!


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Notes:
[1] 1 Corinthians 16:22.
[2] Luke 18:9-14.
[3] Hebrews 12:2.
[4] Matthew 7:24-29.
[5] 1 Peter 2:1-10.
[6] Matthew 7:13-14.
[7] Matthew 24:15-28.
[8] 1 Corinthians 7:22.
[9] See Philippians 2:5-11.
[10] As in Matthew 26:48-55, for example.
[11] Isaiah 53; Revelation 5:12.
[12] 1 Corinthians 15:20-21, 54-57.
[13] See Revelation 21 and 22.
* KJV used, except when otherwise explicitly noted.


*** This text was translated from the original, in portuguese, with the invaluable help of a friend and brother, Anderson Oliveira, and I thank God for his sincere friendship and fraternity, in the Lord.