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10 novembro 2025

A "não-resposta", e a resposta "não"

Se engana muito, o caro e pusilânime irmão 
Que atrás de uma "não-resposta", se esconde
Quando se omite de uma clara comunicação
E prefere não arriscar que ningúem o sonde

A ironia que a "não-resposta" mostra frequentemente 
Escondendo-se atrás do silêncio que é apenas aparente
Revela-se na declaração que nela está bem presente
Através do miserável testemunho: "sou indiferente"

O que, de fato, a "não-resposta" normalmente sonega
É uma manifestação de amor verdadeiro e fraterno
Pois o que a "não-resposta" sempre carrega
É o "não se importar" com o que é eterno!

Depois destas palavras ditas, será possível até ouvir
Que estes versos são "produto da amargura do coração"
Mas é bom advertir, os que assim difamam no proferir
Que estes versos parecem ser mais "produto da razão"

Caro irmão, clame por graça, para ter ousadia e compaixão
De falar, com amor, ao peregrino companheiro de jornada
Que a resposta para o pleito dele é um desconfortável "não"
Expondo-lhe, com sinceridade, os motivos da decisão tomada

Desta forma, o testemunho de amor fraterno é mantido
E concede glória para Aquele que é sofredor eficaz
Afinal, foi Ele mesmo quem escutou um alto bramido
Da mutitão, que gritava bem alto, "solta Barrabás!"

Enfim, agora, carecemos destes versos terminar
Só existe uma maneira: exaltando o bendito Senhor
Desejando, em oração, que a maravilhosa graça basilar
Possa alcançar cada coração redimido por nosso Benfeitor!

Soli Deo Gloria


R.I.P. amizade


R.I.P. é uma sigla, em inglês, para "Rest In Peace", que significa "Descanse Em Paz", e por isso é muito usada em sepulturas ou jazigos, como uma homenagem póstuma da família ao ente querido que faleceu e foi enterrado.
Algumas amizades, aqui neste mundo, infelizmente também podem, por assim dizer, findar ou morrer. Não estamos falando da morte de um amigo, mas da morte da própria amizade, e a causa mortis mais comum para uma amizade pode ser a inanição ou anemia severa, ou seja, uma amizade que não foi nutrida ao longo do tempo, e acabou sucumbindo.
Que fique claro que não estamos nos referindo à morte de uma amizade superficial, que não era verdadeira, ou ao término de uma amizade por algum conflito causado por traição, ou competição, ou qualquer outro motivo mesquinho ou escuso. O que estamos descrevendo aqui é o findar de uma amizade mais antiga ou mais recente, porém sincera, verdadeira, profícua e profunda, que se transformou, num piscar de olhos, em um "cadáver", sem vida, e por isso há sempre um elemento de surpresa, pelo menos por parte de um dos amigos, que é normalmente surpreendido por esta mudança abrupta, sem um justo motivo, pelo menos aparente. É importante lembrar aqui que, devido ao nosso coração corrupto e enganoso (Jr 17:9), há sempre o potencial deste amigo que foi surpreendido também ter contribuido para a morte desta amizade.
Esta analogia do "cadáver" com o findar de uma amizade pode parecer incomum, e talvez até repugnante, mas só poderá compreender melhor, quem que já passou pela amarga experiência de perder, de forma abrupta, a amizade com um amigo por quem tinha um significativo apreço e consideração, não porque ele "findou seus dias" na terra, mas simplesmente porque a amizade com este amigo "findou seus dias" e morreu, de forma inesperada e incompreensível.
No livro "Os quatro amores", C.S. Lewis faz uma declaração extraordinária sobre como "amar é ser vulnerável": “Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer, e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal {de estimação}. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife {caixão} de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele {seu coração} vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. [...] O único lugar, além do céu, onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor, é o inferno.
Sobre a necessidade por amizades, como uma característica verdadeiramente humana, John Stott declarou (no livro "The Message of 2 Timothy"): “Às vezes encontramos pessoas superespirituais que afirmam nunca se sentir sozinhas e não precisar de amigos, pois a companhia de Cristo satisfaz todas as suas necessidades. Mas a amizade humana é a provisão amorosa de Deus para a humanidade [...] Por mais maravilhosa que seja a presença do Senhor Jesus todos os dias, e a perspectiva de sua vinda no último dia, ela {a presença de Jesus} não tem a intenção de substituir as amizades humanas [...] Quando nosso espírito está solitário, precisamos de amigos [...] Admitir isso não é antiespiritual; é humano.
No caso da perda da amizade com um amigo cristão, nestas circunstâncias descritas acima, a questão é ainda mais importante, pois é impossível não pensar que você vai reencontrar com este amigo na glória dos céus, e logo em seguida, imaginar que a primeira pergunta que você faria para ele seria: "Meu amigo, o que aconteceu?"
É claro que esta é uma perspectiva terrena sobre este assunto, pois o mais provável é que, na presença celestial do "Bondoso Amigo" (Hinário Novo Cântico, 159), esta amizade perdida na terra tenha sido redimida nos céus, e a pergunta que você faria para este amigo nem sequer faça mais sentido, pois ambos estarão na presença do Fiel, Justo, Eterno, Imutável, Gracioso e Bondoso Amigo, Jesus Cristo!
Ah, como ansiamos por isso! Maranata! Vem Senhor Jesus!

30 outubro 2025

mundo nsi

O mundo nsi é a realidade mais comum de se ver
É uma coisa que afeta, via de regra, todo ser
Com exceção de apenas Um, que viveu entre nós
E foi pendurado numa cruz, ao propagar a sua voz

Sigla interessante, nsi, para ser fixada numa porta
Porque o que significa claramente é: "não se importa"
Talvez nãoseimporta pudesse ser escrita tudo junto
Para ficar mais claro ainda do que se trata este assunto

Quem sabe, até como verbo, a palavra pudesse ser conjugada 
Só para demostrar sua abrangência amplamente encontrada
"Tu nãoseimporta, ele nãoseimporta", conjugada no singular
"Vós nãoseimportais, eles nãoseimportam", só para exemplificar

Como se chamaria, portanto, a pessoa que pratica esta ação
Que fique claro, é um neologismo, para não haver confusão
Talvez, um "nãoseimportano" - do "nãoseimporta"um praticante - 
Quem sabe, um "nãoseimportista" - que ainda é mais preocupante -

Alguém perguntaria, "nãoseimportar é mesmo uma ação?"
"Ou seria melhor descrito como negligência e isenção?"
Contudo, a resposta certeira viria de forma abrupta
"nãoseimportar é o não-amar, da forma mais corrupta"

Quem do nãoseimporta é simpatizante assíduo e eficaz
Precisa reavaliar os desígnios do seu coração contumaz
Se a pessoa for crente, é ainda mais indigno e humilhante
Principalmente se for, do nãoseimporta, um antigo praticante

"O amor ao próximo, quem o poderia exercitar neste mundo?"
Alguém desonesto, poderia se questionar, bem lá no fundo
Pois é de notório conhecimento de todos, e publicamente visto
Que, neste mundo, já habitou o amável messias Jesus Cristo

O que mais está faltando, para concluir estes versos?
Além de reafirmar a malignidade atroz dos perversos
E também reconhecer, muitas vezes, que o perverso pode ser eu
Quando se comporta, na prática, agindo como se fosse um ateu

Sem uma oração breve, este texto não poderia sequer ficar
Porque estas palavras produzem, no coração, um confrontar
Senhor bendito, ajuda-nos a compreender o Teu sublime amor
No nascimento, sacrifício e ressurreição do nosso fiel Redentor

Pois, receba agora, Senhor, toda a honra, a glória e o louvor!
Por qualquer gesto ou palavra, de qualquer miserável pecador
Transformado, pela graça de um Deus que decidiu se importar
Esvaziando-se de Si mesmo, em Sua misericórdia, para nos salvar

Soli Deo Gloria

23 março 2022

Beleza Redimida

"Isso me faz pensar que, embora tenhamos dado bastante atenção ao ensino da Verdade e da Bondade dentro de nossas escolas clássicas, fizemos isso comprometendo o ensino da Beleza... Preocupo-me com a possibilidade de nossos esforços educacionais estarem, na verdade, sendo minados por um relativismo, sorrateiro, que se faz cada vez mais presente. A Verdade, a Bondade e a Beleza não estão separadas - elas dependem umas das outras e uma conduz à outra. E se a Beleza for desprovida de sua natureza transcendente e realocada para somente dentro dos processos psicológicos particulares, logo a Verdade e a Bondade farão o mesmo."

"A era clássica e cristã acreditava que o mundo estava repleto de significado e propósito divinos, os valores cósmicos da Verdade, da Bondade e da Beleza. O objetivo da educação era alinhar as afeições, os desejos e amores do aluno com aqueles valores cósmicos, de modo que ele viesse a amar aquilo que é verdadeiramente amável, desejar aquilo que é verdadeiramente desejável e, portanto, a experimentar o florescimento de sua humanidade."

"Logo, a primeira coisa que precisamos entender é esta: a Beleza é uma física; é uma força gravitacional que atrai ao Verdadeiro e ao Bom. A segunda é que a Beleza fascina em direção ao Verdadeiro e ao Bom, despertando no íntimo um amor que se esvazia do eu e busca servir ao objeto das afeições, e não controlá-lo e dominá-lo."

"A arte e a música - como pontes para essa comunhão - nos antecipam e nos preparam para, na ocasião da volta de Cristo, a transfiguração do cosmo, proporcionando-nos, já no presente, um antegosto desta transfiguração. Quando seus alunos entenderem isso, fique alerta! Você não conseguirá conter o entusiasmo deles: seu amor pela boa arte e pela boa música irromperá!"

(Trechos do livro "Beleza Redimida: cultivando uma estética elevada na educação", de Steve Turley)