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18 janeiro 2026

QUERER vs. REQUERER

O verbo "requerer" pode ser traduzido para o inglês, por exemplo, como "require", e a etimologia (estudo da origem) desta palavra é interessante, pois é proveniente do latim "requirere", que parece ser uma contração de "re" ["repetidamente"] + "quaerere" ["perguntar, buscar"], ou seja, significando algo do tipo "buscar repetidamente" (por algo necessário). O sentido de "exigir que (alguém) faça (algo)" data de 1751 (séc. XVIII), através da noção de "pedir imperativamente, ou, como um direito" (final do séc. XIV). O significado de "exigir como necessário, ou, essencial com base em princípios gerais" é do início do séc. XV.

Caro(a) leitor(a), o contraponto bíblico que estamos tentando lembrar neste texto é o seguinte:
"O que nosso coração enganoso e currupto quer vs. o que o Senhor requer (de nós)"

A palavra "requer" aparece no trecho de Deuteronômio 10:12-22 conhecido como "Exortação à obediência": "Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do SENHOR e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem? [...] Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz [...]"

O salmista também declara, em Salmos 9:12, "Pois aquele [o Senhor] que requer o sangue lembra-se deles e não se esquece do clamor dos aflitos", lembrando que Deus não permite que a iniquidade [perversidade, maldade, impiedade] permaneça sem punição (ver Gênesis 9:6; Naum 1:2-6).

Qual a conclusão que podemos chegar, depois disso? 
Apenas uma: temor e tremor diante do Deus vivo e eterno, que é onisciente, onipresente e onipotente!
Graças a Deus por nosso substituto e redentor Jesus Cristo, em quem a justiça implacável do Senhor se encontrou com a Sua entranhável misericórdia, alcançando o ápice (ou zênite) no Calvário!
 
Há um belo resumo, intitulado por Stephen Yuille como "Um dom inefável", a respeito do significado profundo do Evangelho da Cruz de Cristo, que pode ser traduzido do inglês com as seguintes palavras:
"O Infinito tornou-se finito. O Criador se tornou uma criatura. Ele (que fez todas as coisas a partir do nada) nasceu de uma mulher. Ele (a quem os céus não podem conter) estava contido no pequeno útero de uma mulher. O pão da vida estava com fome. A água da vida estava com sede. O maior descanso estava cansado. A maior alegria estava triste. A maior fúria e o maior favor se encontraram na cruz. O maior ódio e o maior amor se manifestaram na cruz. Infinita justiça foi satisfeita e infinita misericórdia foi garantida na cruz. Estamos enriquecidos por Sua pobreza, preenchidos por Seu vazio, exaltados por Sua desgraça, curados por Suas feridas, confortados por Sua dor, e justificados por Sua condenação. 'Graças a Deus pelo seu dom inefável!' (2Coríntios 9:15)." 

Ao Senhor Jesus, o "dom inefável" de Deus para nós, seja toda a glória, o louvor, e a gratidão, por tudo, eternamente!

30 novembro 2024

Aprendizado piedoso 199

Trechos do capítulo 9 (Nosso Deus soberano) do livro "Deus: face a face com sua majestade", de John MacArthur:

"[...] Lady Jane Kenmure estava intimamente familiarizada com a tristeza e adversidade. Em 1600, ela nasceu numa distinta família escocesa e, mais tarde, casou-se com Sir John Gordon, que se tornou o Lorde Kenmure. Muitos podem ter invejado seu prestígio social, mas grandes dificuldades marcaram a vida dessa crente humilde e devota. Casada havia apenas oito anos, ela havia perdido três filhas pequenas. No mesmo ano em que sua terceira filha morreu, o marido caiu em dores mortais e também faleceu. Um mês ou dois depois, ela deu alegremente à luz um filho, mas quatro anos depois, o menino ficou doente e também morreu. Cerca de um ano mais tarde, ela se casou novamente, mas sua felicidade durou pouco porque seu segundo marido faleceu logo depois. Durante o prolongado período de luto de Lady Kenmure, Samuel Rutherford, seu pastor, escreveu cartas pastorais para confortá-la. Observe como ele [seu pastor] a orientou a pensar na soberania de Deus: 
[Samuel Rutherford...] Estejais contente em passar pelas águas ao teu redor, e gloria-te nEle {Jesus Cristo}, segurando Sua mão, pois Ele conhece todas as vaus {trechos rasos de rios}... Quando levantares teus olhos naquela direção e deres uma olhada na cidade de ouro {Ap 21:18}... haverás de dizer, então 'Vinte e quatro horas habitando nesse lugar valem mais que setenta anos de tristeza sobre a terra'... Em todo o Seu proceder com Seus filhos, Deus almeja levá-los a ter um elevado desprezo e uma inimizade mortal pelo mundo; a fim de que estabeleçam um valor elevado para Cristo e pensem nEle como Aquele que não pode ser adquirido com ouro e que é digno de que lutemos por ele. Não é por nenhum outro motivo... que o Senhor retira de ti os brinquedos e os deleites terrenos que Ele dá aos outros, mas para que tu sejas completamente dEle... Aceita a vontade do Todo-Poderoso... Deixa que a cruz de teu Senhor Jesus tenha o teu submisso e resoluto AMÉM... Confesso que me pareceu estranho que o Senhor tivesse que fazer aquilo que dava a impressão de querer lançar por terra todos os teus confortos mundanos; mas nós não podemos ver as razões da Soberania do Todo-Poderoso. 'Ele vai à nossa direita e à nossa esquerda, mas não o vemos'. Não vemos nada senão os pedaços dos elos quebrados das correntes da Sua providência. ('The Letters of Samuel Rutherford')"

"[John MacArthur...] Será que Deus realmente usa o nosso sofrimento para o nosso bem? Absolutamente {certamente}. Um dos benefícios do sofrimento é que ele nos ensina a odiar o pecado. Quando Cristo foi ao túmulo de Lázaro, Ele 'agitou-se no espírito e comoveu-se' (João 11:33). Ele agonizou diante das lágrimas, da dor e da tristeza que o pecado e a morte trazem. Quando experimentamos o sofrimento, aprendemos a odiar o pecado, que é o causador dessas coisas. O sofrimento também coopera para o nosso bem, porque expõe o pecado em nossas vidas. Quando tudo está bem, é fácil nos sentirmos piedosos. Mas, assim que as coisas desmoronam e os infortúnios se interpõem em nosso caminho, somos mais tentados a ficar irados com Deus. Podemos perder a paciência facilmente e começar a duvidar da Sua bondade. É nesse ponto que a pessoa descobre se, de fato, confia em Deus, pois o sofrimento evidenciará todo o mal que estiver no coração. O sofrimento não só evidenciará o pecado, como também o removerá. Ele é um fogo que queima a nossa escória e releva o ouro e a prata puros. Jó disse, a respeito de Deus: 'Mas ele sabe o meu caminho; se ele me provasse, sairia eu como o ouro' (Jó 23:10). De que outra maneira o sofrimento coopera para o nosso bem? Ele revela que nós, na verdade, somos Seus filhos. Afinal, 'o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos' (Hebreus 12:6-8). Sua disciplina é a evidência de que somos Seus filhos. O sofrimento também nos leva a Deus. Na prosperidade, o coração fica facilmente dividido. É por isso que Deus advertiu os israelitas para que não se esquecessem dEle quando Ele os levasse para a Terra Prometida (Deuteronômio 6:10-13). O sofrimento nos obriga a parar de nos concentrar no mundo. Quando tudo em nossas vidas é confortável, somos inclinados a nos preocupar com a nossa casa, o carro, o trabalho, os negócios, ou com nosso guarda-roupa. Mas suponha que um ente querido fique com uma doença terminal. Isso mudaria os nossos valores, e nos levaria a Deus, que é uma boa resposta para uma situação trágica. O 'espinho na carte' de Paulo o levou ao Senhor (2Coríntios 12:7-10). Quaisquer que sejam nossas aflições, estejamos seguros de que Deus as está usando, soberanamente, para o nosso bem. Tendo esse assunto como tema, Margaret Clarkson escreveu um livro para aqueles que vivem suas vidas numa dor perpétua. Ela o intitulou Grace Grows Best in Winter (A Graça Cresce Melhor no Inverno) - uma citação das cartas de Samuel Rutherford, o pastor que procurava confortar a senhora em sofrimento {Lady Jane Kenmure}... O subtítulo do livro de Clarkson é Help for Those Who Must Suffer (Ajuda para Aqueles que Precisam Sofrer), e uma de suas muitas observações úteis é a seguinte:
'[Margaret Clarkson...] A soberania de Deus é a rocha invencível, à qual o coração humano, em sofrimento, deve se firmar. As circunstâncias que rodeiam a nossa vida não são uma casualidade: elas podem ser obra do mal, mas esse mal está firmemente preso na mão poderosa de nosso Deus soberano... Todo mal está sujeito a Ele, e o mal não pode tocar Seus filhos, a menos que Ele permita. Deus é o Senhor da história humana e da história pessoal de cada membro de sua família redimida... Ele não explica suas ações a nós mais do que explicou a Jó, mas Ele nos deu o que os sofredores dos tempos antigos nunca tiveram - a revelação escrita de Sua soberania e de Seu amor, e a manifestação de Si mesmo no Salvador {Cristo Jesus}. Se aqueles santos puderam triunfar, de modo tão glorioso, sem tamanha revelação, nós, que a temos, seremos derrotados?' ['Grace Grows Best in Winter', Margaret Clarkson]"

26 novembro 2023

Os Atributos de Deus: A Soberania de Deus (cap.6)

"O falecido Charles Haddon Spurgeon disse corretamente em seu sermão sobre Mateus 20:15: 'Não há atributo mais reconfortante para Seus filhos do que a soberania de Deus. Nas circunstâncias mais adversas, nas provações mais severas, os crentes acreditam que o Soberano ordenou suas aflições, que o Soberano os rege e que o Soberano os santificará. Não há nada pelo qual os filhos devam lutar mais fervorosamente do que a doutrina da realeza de Deus sobre todas as obras de Suas próprias mãos; o trono de Deus e Seu direito de sentar-se nesse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, do que a certeira doutrina da soberania do infinito Jeová. Os homens permitirão que Deus esteja em todos os lugares, exceto em Seu trono. Eles permitirão que Ele esteja em Sua oficina para moldar mundos e fazer estrelas. Eles permitirão que Ele esteja em Sua esmola para dispensar Suas esmolas e conceder Suas dádivas. Eles permitirão que Ele sustente a terra e sustente seus pilares, ou acenda as lâmpadas do céu, ou governe as ondas do oceano sempre em movimento; mas quando Deus ascende ao Seu trono, Suas criaturas rangem os dentes'."

(Trechos do livro "Os Atributos de Deus", de A.W. Pink, cap. 6: "A Soberania de Deus")