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31 julho 2026

Hino: “Assim Eu Vos Envio” (missões)

Assim Eu Vos Envio
Edith Margaret Clarkson
{ref. bíblica: João 20.21}

Assim Eu vos envio a um labor sem recompensa,
A servir sem pagamento, sem amor, sem ser solicitado, como desconhecido,
A suportar a repreensão, a sofrer o escárnio e o desprezo;
Assim Eu vos envio a trabalhar somente para Mim.

Assim Eu vos envio — à solidão e à saudade,
Com o coração ansiando pelos entes queridos e conhecidos;
Deixando o lar e a família, amigos e pessoas amadas;
Assim Eu vos envio — para conhecer apenas o Meu amor.

Assim Eu vos envio — a abandonar suas ambições na vida,
A morrer para os estimados desejos, a renunciar à própria vontade,
A trabalhar arduamente, e amar onde os homens vos ultrajam;
Assim Eu vos envio — a perder a vossa vida na Minha.

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*“So Send I You
**Edith Margaret Clarkson

So send I you to labor unrewarded,
To serve unpaid, unloved, unsought, unknown,
To bear rebuke, to suffer scorn and scoffing,
So send I you to toil for me alone.

So send I you – to loneliness and longing,
With heart a-hungering for the loved and known;
Forsaking home and kindred, friend and dear one,
So send I you  – to know my love alone.

So send I you – to leave your life’s ambitions,
To die to dear desire, self-will resign,
To labor long and love where men revile you,
So send I you – to lose your life in mine.

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Notas & Observações:
*“So Send I You” é o trecho que aparece, em inglês (Bíblia King James KJV), na segunda metade de João 20.21: "Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio(versão, em português, Almeida Revista Atualizada - ARA).
**Edith Margaret Clarkson: nasceu em 8 de junho de 1915 em Melville, Saskatchewan, Canadá. Ela escreveu vários hinos, como “So Send I You” e “God of Creation, All-Powerful”. Faleceu em 17 de março de 2008, em Toronto. O hino So Send I Youtem sido considerado o maior hino missionário do século XX.
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15 dezembro 2025

“Com plena entrega, sem recuo, sem pesar”

(também conhecido como Bill Borden)

[por rev. Joel E. Smit - Ministério Ligonier]
< da coleção "Biografias de Missionários" >

'A declaração muitas vezes citada de D.L. Moody, “O mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com um homem totalmente consagrado”, soou verdadeira para um jovem que cresceu na igreja fundada por Moody. William Whiting Borden, um jovem pastor e missionário cuja vida foi tragicamente interrompida enquanto ele se preparava para ministrar entre os muçulmanos chineses com a China Inland Mission, era aquele “homem totalmente consagrado” dedicado a servir à causa de Cristo.

Ele nasceu em 1887, sendo o quarto filho de (Sr.) William e Mary Borden de Chicago. William Borden veio ao mundo em meio à opulência e riqueza. O negócio bem-sucedido e lucrativo de seu pai na indústria de mineração proporcionou à família um estilo de vida luxuoso, e William frequentou escolas particulares de prestígio em Chicago. Contudo, essa vida rica não impediu a família, ou William, de buscar aquilo “onde traça nem ferrugem corrói” (Mt 6:20). Eles frequentavam a Chicago Avenue Church, mais adiante conhecida como a Igreja Moody [The Moody Church], e desde muito jovem, William parecia ter um coração sensível para assuntos espirituais. Quando sua mãe pediu aos filhos que escrevessem o que queriam ser quando crescessem, William, de oito anos, escreveu: “Quero ser um homem honesto quando crescer; um homem verdadeiro, amoroso, gentil e fiel”.

Após terminar o ensino médio, Borden fez uma viagem de um ano ao redor do mundo. Essa jornada global pareceu estabelecer uma visão e direcionar sua vida para o evangelismo e as missões no mundo inteiro. Uma vez na faculdade, em pouco tempo se destacou como aluno em Yale, brilhando academicamente, no campo de futebol e nas amizades. No entanto, seus anos em uma das melhores universidades não foram desperdiçados em celebrações autossatisfatórias [egoístas]. Em vez disso, ele investiu no ministério e no serviço à sua faculdade, e à cidade de New Haven. 

Durante seu primeiro ano, Borden foi abordado sobre a possibilidade de iniciar uma missão na cidade como um ministério para os oprimidos [necessitados], o que também daria uma oportunidade para outros colegas de classe servirem fora dos muros de Yale. Ele estava mais do que ansioso para ajudar nessa missão, forneceu tanto o financiamento (equivalente a meio milhão de dólares na moeda atual), quanto a liderança administrativa para operar a missão. A Yale Hope Mission, como ficou conhecida, servia anualmente mais de dezessete mil refeições e fornecia mais de oito mil leitos noturnos, com mensagens do evangelho pregadas [pregação] diariamente a todos que eram ajudados. Borden fez tudo isso enquanto continuava sendo um dos melhores alunos de sua turma, e foi eleito presidente de sua fraternidade durante seu último ano.

Depois de Yale, ele frequentou o Seminário de Princeton em 1909 e teve aulas com professores conceituados, como J. Gresham Machen, B.B. Warfield e Geerhardus Vos. Mas mesmo no seminário, Borden não estava tão preocupado com seus estudos, a ponto de deixar de servir. Ele atuou como diretor do Instituto Bíblico Nacional na cidade de Nova York, cujo foco era equipar [instrumentalizar] homens e mulheres com uma sólida compreensão da Bíblia, teologia e habilidades práticas do ministério, como pregação diária ao ar livre, e quatro missões de resgate. Borden também atuou como administrador do Moody Bible Institute, o que exigia viagens frequentes de volta para casa, em Chicago. Seus estudos e ministério prático fizeram com que o Dr. C.R. Erdman, um de seus professores, comentasse sobre ele: “[William] se formou com honra em Yale e em Princeton; e foi considerado um dos homens mais bem treinados que já começou no campo estrangeiro”.

O campo missionário estrangeiro era o objetivo e foco de Borden, e para esse fim ele foi ordenado ao ministério do evangelho em um culto na Igreja Moody em 1912. Entretanto, antes de partir, Borden passou aquele outono viajando para diversas faculdades para falar aos alunos sobre a necessidade e a oportunidade de missões estrangeiras. Seu fervor e dedicação à obra do Senhor, além de ser chamado por muitos de “um missionário milionário”, atraiu muitos e deixou uma impressão duradoura, pois ele incentivava os alunos a considerarem, em espírito de oração, que função poderiam desempenhar na expansão do reino de Cristo ao redor do mundo. Como declarou um estudante da Universidade da Virgínia: “O aspecto mais útil e duradouro de sua visita foi a influência silenciosa e penetrante de sua personalidade e de uma vida consagrada à causa do Mestre”. Sua turnê por trinta e quatro escolas, em vários estados, em setenta e seis dias — sem a conveniência do transporte moderno — foi um feito logístico e inspirador.

Em 17 de dezembro de 1912, William Borden se despediu de amigos e familiares e embarcou em um navio que partiu do Porto de Nova York. Suas viagens o levaram ao Cairo, onde passou um ano estudando árabe e islamismo, e alugou um quarto modesto de uma família síria, para ter uma melhor imersão na cultura. Aonde quer que fosse, Borden levava consigo sua dedicação aos estudos, desejo de servir e profunda amizade com os cristãos armênios e coptas, bem como com os missionários americanos e britânicos. Como disse o diretor do centro de estudos sobre Borden: "Nunca vi um homem chegar ao Egito com os olhos mais abertos para ver o reino de Deus… Borden estava no Cairo havia duas semanas e organizou os alunos do seminário teológico para começar uma campanha de porta em porta com literatura cristã para toda a cidade de oitocentos mil habitantes".

Depois do Cairo, os planos de Borden eram passar um ano em Londres aprendendo medicina, para que pudesse ministrar às necessidades do corpo e da alma, no campo missionário. Porém, ele permaneceu no Cairo até o fim. Depois de apenas alguns meses no Egito, William Borden contraiu meningite (espinhal) e, apesar de ter lutado com coragem por mais de duas semanas, morreu aos 25 anos de idade, em 9 de abril de 1913, apenas quatro horas antes de sua mãe e irmã conseguirem chegar dos Estados Unidos. Ele foi enterrado no Cairo, enquanto inúmeras homenagens à sua inspiração e dedicação chegavam do mundo todo. Uma dessas homenagens expressou o pensamento de muitos: “William Borden viveu duas vidas em uma; pois ele fez mais em vinte e cinco anos do que muitos homens realizam em cinquenta”.

O sonho não realizado de William Borden de ministrar na China Inland Mission, entre os muçulmanos chineses, ficará para sempre oculto sob o véu do mistério divino, porém seu “dever de consagração” ["duty of consecration"], como disse um de seus professores do seminário, ainda brilha um século depois. Ao expressar seu comprometimento, Borden escreveu: “Com plena entrega e prontidão, eu me aproximo de todo o coração” [parecido com o lema de Joao Calvino], que se tornou o lema que guiou a vida de Borden. Mais adiante, seu biógrafo resumiu essa declaração com a frase amplamente lembrada que definiu a vida de William Borden: “Com plena entrega, sem recuo, sem pesar”. [nota #1] [nota #2]

A estrofe final de When I Survey the Wondrous Cross [Quando contemplo a maravilhosa cruz], de Isaac Watts, que foi o último hino cantado na ordenação de Borden, resume apropriadamente a vida e o coração deste jovem, que abandonou as riquezas deste mundo pelas riquezas de Cristo:

Se eu possuísse toda a criação,
Seria oferta de pouca expressão;
Amor tão incrível, tão profundo,
Exige meu ser, minha vida, meu tudo.'

______________________________
#Notas:

[nota #1] Ver "história apócrifa" ["apocryphal anecdote"] a respeito de: "Sem Reservas ou Sem Retenções" ["No Reserve"], "Sem Recuos ou Sem Retroceder" ["No Retreat"], "Sem Lamentações ou Sem Arrependimentos" ["No Regrets"].

[nota #2] Ver artigo publicado no devocional Nosso Pão Diário, em 31 de dezembro de 1988, intitulado "No Reserves - No Retreats - No Regrets": [tradução] "Em 1904, William Borden, herdeiro da Borden Dairy Estate, formou-se, como um milionário, em uma escola secundária de Chicago. Seus pais lhe deram de presente uma viagem ao redor do mundo. Viajar pela Ásia, Oriente Médio e Europa despertou em Borden uma profunda preocupação com os necessitados ao redor do mundo. Em uma carta para casa, ele escreveu: "Vou dedicar minha vida a me preparar para o campo missionário". Ao tomar essa decisão, escreveu duas palavras na contracapa de sua Bíblia: Sem Reservas. Recusando ofertas de emprego bem remuneradas após se formar na Universidade de Yale, acrescentou mais duas palavras à sua Bíblia: Sem Recuos. Concluindo seus estudos no Seminário de Princeton, Borden embarcou para a China para trabalhar com muçulmanos, fazendo uma parada no Egito para se preparar. Lá, foi acometido por meningite e faleceu em menos de um mês. Um desperdício, você diria! Não estava nos planos de Deus. Em sua Bíblia, abaixo das palavras Sem Reservas e Sem Recuos, ele havia escrito as palavras Sem Arrependimentos.


29 junho 2025

Livro: "A Cruz" (J.C. Ryle)

Alguns trechos do livro "A Cruz", de J.C. Ryle:

Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 6:14).
'[...] O que é que Paulo quis dizer com isto? Ele pretendia declarar fortemente que não confiava em mais nada, senão em Jesus Cristo crucificado, para o perdão dos seus pecados e para a salvação da sua alma. Que outros, se quisessem, procurassem a salvação noutro lugar; que outros, se quisessem, confiassem em outras coisas para o perdão e a paz. Mas ele, o apóstolo, estava determinado a descansar sobre nada, apoiar-se em nada, construir a sua esperança sobre nada e colocar a sua confiança e a sua glória em nada, exceto na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.'

1. EM QUE PAULO NÃO SE GLORIOU?
'[...] Quem, entre os leitores deste livro que confia na sua filiação em uma igreja para a salvação de sua alma? Quem se valoriza no seu batismo, ou na Ceia do Senhor, ou na sua presença na igreja aos domingos, ou os seus cultos diários durante a semana e diz a si próprio, "O que é que me falta?". Aprenda hoje que tu não és como Paulo. O vosso cristianismo não é o cristianismo do Novo Testamento. Paulo não se gloriou em nada a não ser na cruz de Cristo. Nem você deveria. Oh, cuidado com a justiça própria. A justiça própria mata dezenas de milhares. Vai e estuda a humildade com o grande apóstolo dos gentios. Vá e sente-se com Paulo ao pé da cruz. Abandone o seu orgulho secreto. Lance fora as suas ideias vãs de sua própria bondade. Agradece se tiveres graça, mas nunca te glories nela por um momento. Trabalhe para Cristo com coração, alma, mente e força, mas nunca sonhe por um segundo em colocar confiança em qualquer obra sua.'

'[...] Não descanseis até o seu coração bater em sintonia com o de Paulo. Não descanseis até poderdes dizer, com ele, “mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”.'

2. EM QUE PAULO SE GLORIOU?
'[...] Querido leitor, Jesus Cristo crucificado foi a alegria, o deleite, o conforto, a paz, a esperança, a confiança, o fundamento, o lugar de descanso, a arca, o refúgio, a comida e o remédio da alma de Paulo. Ele não pensou no que ele próprio havia feito ou sofrido como mérito. Ele não meditou na sua própria bondade ou na sua própria retidão. Ele gostava de pensar no que Cristo havia feito e no que Ele tinha sofrido - na morte de Cristo, na justiça de Cristo, na expiação de Cristo, no sangue de Cristo e na obra terminada de Cristo, e nisto ele se gloriava. Este era o sol da sua alma.'

'[...] Paulo, um blasfemo e perseguidor fariseu, tinha sido lavado no sangue de Cristo. Ele não conseguiu manter a sua calma em relação a isso. Ele nunca se cansou de contar a história da cruz. Este é o assunto em que ele gostava de se deter quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como as suas epístolas estão geralmente cheias dos sofrimentos e da morte de Cristo, e como atropelam com pensamentos que respiram e palavras que ardem sobre o amor e o poder de Cristo. O seu coração parecia estar cheio deste assunto. Ele expandia este assunto constantemente; voltava a ele continuamente. É o fio dourado que percorre todos os seus ensinamentos doutrinários e exortações práticas. Ele parecia pensar que o cristão mais "santo” nunca poderia ouvir demais sobre a cruz.'
[Nota*]: "Cristo crucificado é a soma do evangelho e contém todas as riquezas d'Ele. Paulo foi tão levado a Cristo que nada mais doce do que Jesus podia cair da sua caneta e dos seus lábios. Observa-se que ele escreveu a palavra Jesus quinhentas vezes nas suas epístolas." ("The Works of the Late Rev. Stephen Charnock", 1684)

'[...] Depender da cruz de Cristo para fazer expiação pelos pecadores é a verdade central em toda a Bíblia. Essa é a verdade com que vemos, quando abrimos em Gênesis; a semente da mulher que feriu a cabeça da serpente e foi ferida em seu calcanhar não é mais que uma profecia de Cristo crucificado. Esta é a verdade que brilha, tudo através da lei de Moisés e da história dos judeus. O sacrifício diário, o cordeiro da Páscoa e o derramamento contínuo de sangue no tabernáculo e no templo - todos eram emblemas de Cristo crucificado. Esta é a verdade que vemos na visão do céu antes de encerrarmos o livro de Apocalipse. No meio do trono e dos quatro animais, e no meio dos anciãos, é nos dito que, "estava um Cordeiro como tendo sido morto" (Apocalipse 5:6). Mesmo no meio da glória celestial, temos uma visão de Cristo crucificado. Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia é um livro sombrio. É como os hieróglifos egípcios sem a chave que interpreta o seu significado - curioso e maravilhoso, mas sem utilidade real.'

'[...] Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia e admirá-los, tal como um homem admira Platão, Aristóteles ou Séneca. Mas se ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de todo o volume, você tem lido sua Bíblia com muito pouco proveito. A sua religião é um céu sem sol, um arco sem brilho, uma bússola sem agulha, um relógio sem mola, ou uma lâmpada sem óleo. Não o confortará e não irá libertar a sua alma do inferno.'

3. POR QUE TODO CRISTÃO DEVE SE GLORIAR NA CRUZ?
'[...] Creio ser uma coisa excelente o fato de estarmos continuamente vivendo sobre a cruz de Cristo. É bom ser recordado frequentemente de como Jesus foi traído nas mãos de homens maus, como eles conspiraram com o julgamento mais injusto, como cuspiram n'Ele, açoitaram-no, espancaram-no e o coroaram com espinhos; como o levaram como um cordeiro para o matadouro sem o seu murmúrio ou resistência, como espetaram os pregos nas Suas mãos e pés e o colocaram no Calvário entre dois ladrões, como o trespassaram com uma lança, como zombaram d'Ele no Seu sofrimento, e o deixaram pendurado nu e a sangrar até morrer. Sim, é bom ser lembrado de todas estas coisas. Não foi por acaso que a crucificação é descrita quatro vezes no Novo Testamento. Há poucas coisas que os quatro escritores dos Evangelhos descrevem. Em geral, se Mateus, Marcos e Lucas dizem alguma coisa na história do nosso Senhor, João não o diz. Mas há uma coisa que os quatro descrevem de forma detalhada; a história da cruz. Isto é um fato revelador e não deve ser negligenciado.'

'[...] "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2Co 5:21). Teria havido um grande abismo entre nós e Deus, que nenhum homem jamais poderia ter passado **. As pessoas parecem esquecer que todos os sofrimentos de Cristo foram suportados de acordo com Sua própria vontade. Ele não se encontrava sob coação. De sua própria escolha Ele deu a sua vida; da sua própria escolha Ele foi até à cruz para terminar o trabalho que veio fazer. Ele poderia ter facilmente convocado legiões de anjos com uma palavra e espalhado Pilatos, Herodes e todos os seus exércitos como palha diante do vento. Mas Ele estava disposto a sofrer. O seu coração estava determinado a salvar os pecadores. Ele estava decidido a abrir uma fonte para todo o pecado e impureza, derramando o seu próprio sangue.'
[Nota**]: "Na humilhação de Cristo, permanece a nossa exaltação; na Sua fraqueza, permanece a nossa força; na Sua humilhação, a nossa glória; na Sua morte, a nossa vida." (Ralph Cudworth, 1618)

'[...] Como posso conhecer o comprimento e a amplitude do amor de Deus Pai por um mundo pecaminoso? Onde o veria mais exposto? Devo olhar para o Seu glorioso sol, brilhando diariamente sobre os ingratos e malvados? Devo olhar para o tempo de colheita, regressando em sucessão anual regular? Sim! Mas posso encontrar uma prova de amor mais forte do que qualquer outra coisa deste tipo! Esse amor está explícito na cruz de Cristo. Vejo nela, não a causa do amor do Pai, mas o efeito. Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8).'

'[...] Será que posso saber quão excessivamente pecaminoso e abominável é o pecado aos olhos de Deus? Onde verei isso mais completamente ilustrado? Devo voltar-me para a história do dilúvio e ler como o pecado afogou o mundo? Devo ir à costa do Mar Morto, e observar o que o pecado fez a Sodoma e Gomorra? Devo voltar-me para os judeus errantes e observar como o pecado os espalhou pela face da terra? Não! Pois consigo encontrar maior prova, e essa prova é: olhando para a cruz de Cristo. Ali vejo que o pecado é tão negro e condenável que só o sangue do próprio Filho de Deus o pode lavar. Ali vejo que o pecado me separou tanto do meu Santo Criador que todos os anjos no céu nunca poderiam ter feito a paz entre nós. Nada nos poderia reconciliar, a não ser a morte de Cristo. Se ouvisse a conversa miserável dos homens orgulhosos, poderia por vezes imaginar que o meu pecado não era tão “pecaminoso”. Mas não posso pensar pouco sobre o pecado, quando olho para a cruz de Cristo.'

'[...] "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Rm 8:38-39). Ele pagou caro por isso. Ele não perderá. Ele morreu por mim, quando eu ainda era um pecador imundo. Ele nunca me abandonará, após ter colocado minha esperança n’Ele. Ah, quando Satanás tentar o povo de Cristo, devemos dizer a Satanás para olhar para a cruz.'
[Nota***]: "O crente está tão liberto da ira eterna, que se Satanás e a consciência dizem 'Tu és um pecador, e está sob a maldição da lei', ele pode dizer, 'É verdade, eu sou um pecador; mas Cristo estava na cruz e morreu, e foi feito maldição, e o seu pagamento e sofrimento é o meu pagamento e sofrimento'." (Samuel Rutherford, "Christ Dying and Drawing Sinners to Him", 1647)

'[...] Declaro não conhecer maior prova da depravação do homem do que quando o homem não vê nada na cruz. Os nossos corações podem ser chamados de duros, os olhos da nossa mente podem ser chamados de cegos, toda a nossa natureza pode ser chamada de doente, todos podemos ser chamados de mortos quando a cruz de Cristo é ouvida, porém, negligenciada. Certamente, podemos retomar as palavras do profeta e dizer: "Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra… Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra" (Is 1:2; Jr 5:30). Cristo foi crucificado pelos pecadores, no entanto, muitos cristãos vivem como se Ele nunca tivesse sido crucificado.'

'[...] A cruz é a grande peculiaridade da religião cristã. Outras religiões têm leis e preceitos morais, formas e cerimônias, recompensas e punições. Essas religiões não nos falam de um Salvador sofredor. Elas não nos podem mostrar a cruz. Esta é a coroa e a glória do evangelho. Miserável é, de fato, aquele ensinamento religioso que se autodenomina cristão, mas que não contém nada da cruz. Um homem que ensina desta forma seria como um bom professor que explica o sistema solar, mas não diz nada aos seus ouvintes sobre o sol.'

'[...] Um homem pode começar a pregar com um conhecimento perfeito do latim, grego e hebraico, mas fará pouco ou nenhum bem aos seus ouvintes, a menos que conheça a cruz. Nunca houve um ministro que tivesse feito muito pela conversão de almas que não se debruçasse sobre Cristo crucificado. [MartinhoLutero[Samuel] Rutherford, [George] Whitefield e [Robert Murray] M'Cheyne foram todos excelentes pregadores da cruz. O Espírito Santo tem o prazer de abençoar esta pregação. Ele adora honrar aqueles que honram a cruz.'

'[...] A cruz é o segredo do sucesso missionário. Nada, mais do que isto, move o coração dos pagãos. À medida que a cruz é erguida, as missões prosperam. Esta é a arma que tem conquistado vitórias sobre corações de todos os tipos, em todos os cantos do globo: africanos, hindus, chineses e outros; todos sentiram o poder da cruz. "Irmãos", disse um índio norte-americano após a sua conversão: “Sou um pagão. Sei como pensam os pagãos. Uma vez chegou um pregador e começou a explicar-nos que havia um Deus, mas dissemos para regressar ao lugar de onde veio. Outro pregador veio e disse-nos para não mentir, nem roubar, nem beber, mas nós não lhe demos ouvidos. Finalmente, outro veio um dia à minha cabana e disse: vim ter convosco em nome do Senhor do céu e da terra, para vos fazer saber que Ele vos fará felizes e vos libertará da miséria. Para este fim, Ele tornou-se um homem, deu a sua vida em resgate, e derramou o seu sangue pelos pecadores. Não pude esquecer essas palavras. Falei aos outros índios, e assim começou a despertar uma esperança entre nós”. Digo, portanto, pregue os sofrimentos e a morte de Cristo, nosso Salvador, se desejais que as vossas palavras ganhem entrada entre os pagãos.'

'[...] A cruz é o fundamento da prosperidade de uma igreja. Nenhuma igreja será alguma vez honrada, na qual Cristo crucificado não seja continuamente levantado; nada pode compensar a falta da cruz. Sem isso, as coisas podem ser feitas decentemente e em ordem; sem isso, pode haver cerimônias esplêndidas, música bonita, igrejas deslumbrantes, ministros eruditos, mesas de comunhão lotadas; mas sem a cruz nenhum bem será feito. Corações imundos não serão iluminados; corações orgulhosos não serão humilhados; corações de luto não serão confortados; corações desmaiados não serão defendidos.'

'[...] Sempre que uma igreja evita Cristo crucificado, ou coloca qualquer coisa naquele lugar principal que Cristo crucificado deveria estar, a partir deste momento uma igreja deixa de ser útil. Sem Cristo crucificado nos seus púlpitos, uma igreja é pouco melhor que um embaraço, uma carcaça morta, um poço sem água, uma figueira estéril, um vigia adormecido, uma trombeta silenciosa, uma testemunha muda, um embaixador sem termos de paz, um mensageiro sem notícias, um farol sem luz, um tropeço para os crentes fracos, um conforto para os infiéis, um foco de formalismo, uma alegria para o diabo e uma ofensa para Deus.'

APLICAÇÕES:

'[...] É um crente angustiado? O seu coração é pressionado pela doença, tentado com desilusões e sobrecarregado de cuidados? A vós digo: "Eis a cruz de Cristo". Pense na mão do que o castiga; pense na mão que mede o copo de amargura que está prestes a beber. É a mão d'Aquele que foi crucificado. Essa mesma mão foi pregada ao madeiro e amaldiçoada, por amor à sua alma. Certamente, esse pensamento deve confortar-vos e encorajar-vos. Certamente, deves dizer a ti mesmo: "Um Salvador crucificado nunca me colocará sobre nada que não seja bom para mim. Portanto, é preciso passar pelo que estou passando".'

'[...] Continue, todos os dias, a olhar constantemente para a cruz de Cristo, e em breve dirá ao mundo, como o poeta fez: "Como o sol que é contemplado faz com que tudo pareça escuro, assim a cruz escurece o falso esplendor deste mundo. Os seus prazeres agora já não me agradam, já não me contentam; longe do meu coração sejam alegrias como estas, agora vi o Senhor. Como pela luz do dia, as estrelas estão todas escondidas; assim também os prazeres terrenos se desvanecem, quando Jesus é revelado".'

'[...] Você é um moribundo, prestes a morrer? Já foi para aquela cama, onde algo dentro de ti lhe diz que nunca se levantará dela vivo? Estais a aproximar-se daquela hora solene, em que a alma e o corpo devem separar-se por uma estação, e devem lançar-se para um mundo desconhecido? Oh, olhai firmemente para a cruz de Cristo, e serás mantido em paz! Fixai firmemente os olhos da vossa mente em Jesus crucificado, e Ele vos libertará de todos os vossos medos. Embora caminhe por lugares escuros, Ele estará convosco. Ele nunca vos deixará, nunca vos abandonará. Sente-se debaixo da sombra da cruz até o fim, e o seu fruto será doce ao seu paladar. "Ah", disse um missionário moribundo, "só há uma coisa necessária numa cama de morte, é sentir os braços em volta da cruz!".'

09 fevereiro 2025

EBD: Missões Mundiais

O apóstolo João elogiou as missões quando ele escreveu: “por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios” (3Jo 7). Estes ministros vão em frente para pregar o evangelho e propagar o Cristianismo. Eles seguem em frente, para converter as nações. Este é um serviço excelente, pois eles seguem em frente por Deus, e em seu nome. O objetivo principal de todos os ministros do evangelho deveria ser reunir e edificar um povo, para a glória e a honra do Senhor.

Contudo, outras pessoas que não são chamadas para pregar, podem contribuir para o progresso desta obra. As igrejas, e todos aqueles que amam a causa de Cristo, devem trabalhar juntos para apoiar a propagação da verdadeira religião [] nas nações dominadas pelas falsas religiões. Nós devemos ter corações dilatados e desejosos de compartilhar nossos recursos, além de nossos círculos particulares (Fp 4:14-16). Assim, somos “cooperadores da verdade” (3Jo 8), conforme nós honestamente desejamos, oramos, e contribuímos com a nossa ajuda, na propagação do evangelho pelo mundo.

Quando Cristo pregou o evangelho do reino, Ele visitou não apenas as grandes e ricas cidades, mas também os povoados [vilarejos] pobres e desconhecidos (Mt 9:35). As almas daqueles que são pequeninos, e pouco importantes para o mundo, são muito preciosas para Cristo, e também deveriam ser para nós, assim como as almas daqueles que são mais importantes para o mundo. O Senhor Jesus é movido por compaixão pelas pessoas (Mt 9:36), e não meramente por causa dos seus problemas físicos e momentâneos, mas especialmente por suas necessidades espirituais. Ele percebe a ignorância e necessidade do povo, que deve levá-los a perecer, em breve. Cristo é um amigo muito compassivo para almas preciosas. Foi a misericórdia pelas almas que O trouxe dos céus para a terra, e então, para a cruz. Como ovelhas sem um pastor, as nações não tem um rei espiritual para guiá-las fielmente a Deus (Mt 9:36; 1Rs 22:17). Nenhuma criatura tem uma maior tendência de se extraviar [se perder] do que uma ovelha, e de se tornar impotente quando perambula ou vagueia. Pecadores são ovelhas perdidas, e falsos mestres tosquiam as ovelhas, ao invés de alimentá-las (Jr 23:1-8; Ez 34).

Por isso, o Senhor desperta os seus discípulos para orar por trabalhadores para a seara espiritual (Mt 9:38). Existe muito trabalho a ser feito, multidões de pessoas que precisam da instrução da Palavra de Deus. É obra de Deus enviar os trabalhadores. Cristo produz ministros (Ef 4:11). Todos os que amam a Cristo, e as almas, deveriam mostrar isto através de suas honestas orações a Deus, para que Ele envie mais pregadores habilidosos, fiéis, sábios e trabalhadores. É um bom sinal de que Deus está prestes a conceder uma misericórdia especial, quando Ele desperta o seu povo para ir ao trono da graça (Sl 10:17). Assim como Cristo convoca seus discípulos para orar, e então os envia para pregar (Mt 9:38 a 10:7), os pregadores de Deus também precisam orar, “eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8), e também orar para que Deus envie outros.

O Cristo ressurreto comissionou os seus servos (Mt 28:18-20). Cristo tem domínio universal como o Mediador (Jo 17:2). Ele comprou [pagou] por um povo, e agora Ele está tomando posse dele (Sl 2:8). Ele comissionou primeiro os seus apóstolos, e então os seus sucessores, os ministros do evangelho em todas as nações, até os confins do mundo. A salvação por meio de Cristo precisa ser oferecida a todas as pessoas, e ninguém deve ser excluído, exceto aqueles que excluíram a si mesmos na sua recusa em crer, e se arrepender.

Cristo, o Mediador, está estabelecendo um reino; traga as nações para serem os seus súditos. Cristo está estabelecendo uma escola; traga as nações para serem os seus alunos. Cristo está levantando um exército da verdade e do amor, para lutar contra os poderes das trevas; aliste [recrute] as nações para servirem sob a sua bandeira [estandarte]. Conquiste as nações para Cristo, para que elas sejam verdadeiramente felizes! [“bem-aventurados”; ver Mt 5]

< Texto proveniente dos comentários de Matthew Henry em 3Jo 7; Mt 9:35-38; 28:18-20 >

{Adaptado de: Bíblia de Estudo Herança Reformada, Ed. Cultura Cristã}


04 dezembro 2024

Livro: "A Vida de David Brainerd" (Jonathan Edwards)

- 19 de setembroPerto da noite, quando tentei andar um pouco, meus pensamentos foram estes: “Quão infinitamente doce é amar a Deus e ser tudo para Ele!’’ E então foi-me sugerido: ‘’Tu não és um anjo, vivo e ativo”. E a isso minha alma imediatamente retrucou: “Sinceramente desejo amar e glorificar a Deus, como qualquer anjo do céu”. E novamente me foi sugerido: “Mas tu és imundo, despreparado para o céu”. Diante disso, apareceram imediatamente as benditas vestes da justiça de Cristo, nas quais posso exultar e triunfar; e contemplei a infinita excelência de Deus, e minha alma prorrompeu em anelos de que Deus fosse glorificado. Pensei na dignidade que gozarei no céu, mas instantaneamente voltou o pensamento: ‘’Eu não vou para o céu para ser honrado, mas para prestar a Deus toda glória e louvor possíveis”. Oh, quanto anelo que Deus também seja glorificado na terra! Oh, fui feito para a eternidade, para que Deus seja glorificado! Não me importo com as dores do corpo. Embora cercado de dores extremas, nunca me senti mais tranquilo. Senti-me disposto a glorificar a Deus nesse estado de aflição física, enquanto Ele quisesse que eu assim continuasse. O sepulcro pareceu-me realmente atrativo, e eu ansiava por guardar ali os meus ossos cansados, contanto que assim Deus fosse glorificado! - Esse foi o âmago de todo o meu clamor. Oh, como eu sabia que no céu eu seria ativo como um anjo, e que seria despido de minhas vestes imundas! Assim, não tive qualquer objeção à morte! Mas quem me dera amar e louvar a Deus ainda mais, agradando-O em tudo para sempre! Era por isso que minha alma pranteava, e pelo que continua pranteando, enquanto escrevo. Quisera que Deus fosse glorificado na terra toda! “Senhor, que venha o teu reino”. Anelei que o espírito de pregação descesse e repousasse sobre os ministros do evangelho, para que se dirigissem às consciências dos homens com precisão e poder. Vi que Deus é o depositário do Espírito, e a minha alma anela que o mesmo seja “derramado do alto”. Não pude deixar de suplicar a Deus em favor de minha congregação, para que Ele a preservasse, não permitindo que seu grande nome perdesse a sua glória nessa obra; e minha alma continuava anelando que Deus fosse glorificado. (David Brainerd)
Comentário de Jonathan Edwards sobre o registro no diário de David Brainerd em 19 de setembro:
Era impossível ocultar a notável disposição mental em que Brainerd se encontrava naquele começo de noite. “Sua boca falava do que estava cheio o seu coração”, expressando, de maneira eloquente, muito daquilo que ficou registrado em seu diário. Entre muitas outras expressões extraordinárias que ele então proferiu, houve gemas como estas: “Meu céu consiste em agradar a Deus e glorificá-Lo, entregando tudo a Ele, devotando-me totalmente à sua glória. Esse é o céu pelo qual anelo; essa é a minha religião, essa é e sempre foi a minha felicidade, desde que me converti. E todos quantos tiverem essa forma de religião haverão de estar comigo no céu. Não irei para o céu a fim de progredir, mas a fim de honrar a Deus. Não importa onde eu seja colocado no céu, se ali terei um local elevado ou baixo; mas amar, agradar e glorificar a Deus é o meu tudo. Se eu tivesse mil almas, se elas valessem qualquer coisa, eu as dedicaria todas a Deus; mas, no final das contas, nada tenho a oferecer. É impossível que qualquer criatura racional seja feliz sem fazer tudo para Deus. O próprio Deus não poderia torná-la feliz de qualquer outra maneira. Anelo por chegar no céu, a fim de louvar e glorificar a Deus com os santos anjos; todo o meu desejo é glorificar a Deus. Meu coração volve-se para a minha sepultura, pois me parece um lugar desejável - mas glorificar a Deus, isso está acima de tudo. Serve-me de grande consolo pensar que pelo menos fiz alguma coisa para Deus no mundo. Fiz muito pouco, de fato, e lamento não ter feito mais para Ele. Coisa alguma há no mundo para a qual valha a pena vivermos, senão para fazermos o bem e completarmos a obra de Deus, fazendo aquilo que Cristo fez. Nada mais vejo no mundo, que redunde em satisfação, além de viver para Deus, agradar a Ele e cumprir toda a sua vontade. Minha maior alegria e consolo tem sido fazer algo para promover o interesse da religião cristã e das almas de pessoas; e agora, em minha enfermidade, contorcendo-me em dores e aflito dia após dia, o único conforto que sinto está em poder fazer algum pequeno serviço para Deus, seja por aquilo que eu diga, ou por algo que escreva, ou de alguma outra maneira”. Brainerd mesclou com essas e outras expressões, muitos conselhos comoventes aos que viviam ao seu redor, mormente aos meus filhos e aos servos. Ele dedicou-se a influenciar os meus filhos menores; chamava-os e falava com eles, um por um. Apresentava-lhes, com simplicidade, a natureza e a essência da verdadeira piedade, bem como a sua grande importância e necessidade, e advertia-os com zelo a não se contentarem com menos que uma autêntica transformação do coração, para terem uma vida consagrada a Deus. Aconselhava-os a não serem remissos nas atividades religiosas, e nem ficarem adiando o cumprimento desses deveres. Suas palavras eram tanto mais solenes porque eram as palavras de um homem moribundo. Disse ele: “Morrerei aqui, e aqui serei sepultado, e aqui vereis o meu sepulcro, e desejo que lembreis o que vos tenho dito. Estou de partida para a eternidade; seu caráter interminável a torna doce. Mas que direi sobre a eternidade dos ímpios? Não posso mencioná-la e nem pensar sobre ela; a ideia é por demais assustadora. Quando virdes o meu sepulcro, então lembrai o que vos disse quando ainda vivia; e então meditai no que o homem que jaz naquele sepulcro vos aconselhava, e como advertia para vos preparardes para a morte”. O corpo de Brainerd parecia maravilhosamente fortalecido, mediante o vigor interior e o fortalecimento de sua mente, de tal forma que, embora estivesse tão fraco que quase não pudesse terminar uma sentença, contudo havia momentos em que prolongava diante de nós as suas preleções por mais de uma hora, quase sem interrupção. E depois de terminar, dizia que esse deveria ser o seu último sermão. Mas essa notável disposição mental reaparecia no dia seguinte, acerca da qual ele fala em seu diário, segundo se vê abaixo. – J.E. (Jonathan Edwards

- Dia do Senhor, 20 de setembro. Continuei em uma disposição mental agradável e confortável, e novamente fui tomado pelo desejo de que Deus fosse glorificado e pelo anelo de amá-Lo e de viver para Ele. Também desejei que as influências do Espírito Santo descessem sobre os pastores de maneira especial. Oh, quanto eu anseio estar junto de Deus, a fim de contemplar a sua glória, inclinando-me diante de sua presença! (David Brainerd
Comentário de Jonathan Edwards sobre o registro no diário de David Brainerd em 20 de setembro:
Pelo que se nota no diário de Brainerd, acerca deste dia e da noite anterior, parece que a sua mente, nesse tempo, esteve muito impressionada com o senso da importância da obra do ministério, com a necessidade da graça de Deus e com a sua ajuda espiritual especial nessa obra; e isso também transparece no que ele expressava em sua conversação, particularmente com seu irmão Israel, o qual era, então, membro do Colégio Yale, em New Haven, preparando-se para a obra ministerial. Então, e vez por outra, moribundo como estava, recomendava a seu irmão uma vida abnegada, desligada do mundo e consagrada a Deus, bem como um zeloso esforço para obtenção de grande parcela da graça do Espírito de Deus, bem como das graciosas influências divinas em seu coração. Mostrava o quanto os pastores carecem dessas bênçãos, e o quanto se beneficiam delas, baseando-se em sua própria experiência. Entre muitos outros conselhos, ele disse: “Quando os ministros sentem essas influências graciosas especiais sobre seus corações, isso ajuda-os admiravelmente a atingirem as consciências dos ouvintes, como que podendo tocá-las com as mãos. Por outro lado, sem essas virtudes, não importa o quanto se utilizem de raciocínio e oratória, estarão usando cotós ao invés das mãos”. – J.E. (Jonathan Edwards

- 2 de outubro. Hoje, por várias vezes, minha alma se sentiu docemente ligada a Deus, e anelei estar com Ele, a fim de poder contemplar a sua glória. Sentia-me docemente disposto a entregar tudo a Ele, incluindo os meus mais queridos amigos, o meu amado rebanho, o meu irmão ausente e todos os meus interesses, agora e para a eternidade. Quisera que o seu reino viesse a este mundo, para que todos pudessem amá-Lo e glorificá-Lo por aquilo que Ele é em Si mesmo, e para que o bendito Redentor pudesse “ver o penoso trabalho de sua alma, e ficasse satisfeito”. Oh, Senhor Jesus, vem prontamente! Amém. (David Brainerd)
Comentário de Jonathan Edwards sobre o registro no diário de David Brainerd em 2 de outubro:
Aqui termina o diário de Brainerd. Essas são as últimas palavras que ficaram registradas nele, ou de próprio punho ou ditas por ele e escritas por outrem [...] Na segunda metade da noite, a sua agonia física pareceu elevar-se a uma tensão maior do que já experimentara antes. No fim da madrugada, seus olhos ficaram fixos, e continuou deitado e imóvel, até às seis horas da manhã da sexta-feira, 9 de outubro de 1747, quando a sua alma, conforme podemos concluir, foi recebida por seu querido Senhor e Mestre, naquele estado de perfeição de santidade e aprazimento de Deus, pelo que ele havia por tantas vezes anelado tão ardentemente; e foi acolhido pela gloriosa assembleia do mundo superior, como alguém peculiarmente apto para juntar-se a ela, em sua bem-aventurada atividade e aprazimento. Todos demonstraram muito respeito por suas memórias, por ocasião de seus funerais, os quais tiveram lugar na segunda-feira seguinte, após um sermão pregado naquela solene ocasião. Estiveram presentes oito dos pastores das circunvizinhanças, e um grande número de pessoas. – J.E. (Jonathan Edwards

[trechos do livro "A Vida de David Brainerd", de Jonathan Edwards]

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*Observação: uma introdução sobre a biografia de David Brainerd pode ser encontrada abaixo [palavras de John MacArthur no capítulo 11 do livro "Deus: face a face com sua majestade"]:
"David Brainerd anelava pela salvação dos americanos nativos espalhados ao longo das trilhas coloniais mais ao oeste. De 1742 a 1747, ele labutou entre as tribos em Nova Iorque, Nova Jersey e na Pensilvânia. No início, ele via pouca coisa que o encorajasse e pensou seriamente em abandonar seu trabalho entre eles [os americanos nativos] por completo. Mas a situação se inverteu a tempo, e dezenas de americanos nativos chegaram a conhecer a Cristo. No entanto, a saúde precária de Brainerd o obrigou a abandonar seus esforços missionários, e ele morreu aos 29 anos de idade. Ele passou seus últimos dias na casa de seu célebre amigo Jonathan Edwards. Antes de sua morte, Brainerd consentiu em deixar seu diário com Edwards para que fosse publicado. Esse volume [livro publicado à partir do diário] teve um impacto incalculável na vida de outros, porque revela a devoção, a seriedade, a sinceridade e o espírito de autonegação de Brainerd. Missionários como Henry Martyn, William Carey e Jim Elliot falaram da grande inspiração que receberam ao ler o diário de Brainerd.

25 agosto 2024

Missões: "Biografia de David Livingstone"

EBD (PIPR) - 25/08/2024

"Biografia de David Livingstone"

Prof. Alexandre Araújo

"Em 1865, Livingstone regressou a África pela última vez. Em abril de 1873, ele estava cada vez mais doente, com malária e outras infecções. Em 1º de maio de 1873... Livingstone entrou na glória de seu Mestre. Ele morreu na aldeia de Chitambo, na Zâmbia. A tradição oral diz que ele foi encontrado ajoelhado ao lado da cama, como se estivesse orando. A tradição também diz que os britânicos pediram que os seus restos mortais fossem expatriados para Inglaterra, mas os africanos insistiram que ele fosse enterrado em África – onde estava o seu coração. Depois de ir e vir, os grupos chegaram a um acordo: os africanos enterraram o seu coração em Chitambo e os britânicos enterraram o seu corpo na Abadia de Westminster."

18 agosto 2024

Missões: "A vida de Helen Roseveare"

EBD (PIPR) - 18/08/2024

"A vida de Helen Roseveare"

Profa. Ana Fontes


*Links sobre a missionária Helen Roseveare:

- Documentário "Mama Luka Comes Home":
- A Call for the Perseverance of the Saints | Helen Roseveare:
- An interview with Dr. Helen Roseveare:
The Funeral of Helen Roseveare:


10 agosto 2024

Missões: "Mapa Mundi para ichthus"

 

Esta imagem acima, encontrada da internet, nos apresenta o Mapa Mundi na "perspectiva dos peixes", ou seja, com a visão dos mares e oceanos até o limite das suas bordas, que são os continentes e ilhas. Vale lembrar que a alguns séculos atrás, na época das "Grandes Navegações" (a partir do séc. XV), os mares e oceanos eram a única forma de alcançar outras regiões longínquas do globo terrestre. E assim, isso nos remete a um dos primeiros símbolos usados por cristãos primitivos, que viveram nos primeiros séculos depois de Cristo: o desenho de um peixe (no grego, ichthys ou ichthus).

[ichthys/ichthus, ἰχθύς ou ΙΧΘΥΣ (em letras maiúsculas), significa "peixe", e é um acrônimo para “Iēsous Christos Theou 'Yios Sōtēr”, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”]***

Os cristãos usavam este símbolo para marcar catacumbas cristãs, em uma época que experimentaram intensa perseguição. Que o Senhor Jesus nos conceda graça, coragem, ousadia e sabedoria, para podermos proclamar o Evangelho da Sua Cruz em qualquer ambiente ou circunstância em que a Sua soberana e sábia providência nos colocar, para que, desta forma, também possamos ser “pescadores de homens” (Mt 4:19; Mc 1:17), para a Sua própria honra, louvor e glória!

A Grande Comissão:
"Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." [Mt 28:18–20; ver também Mc 16:15–18; Lc 24:44–49

***[obs.: ver o texto "desCOLAdo ou desLOCAdo"]


22 fevereiro 2024

Aprendizado piedoso 178

'Não é tolo aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder' (Jim Elliot)

Jim Elliot não era tolo (trecho traduzido de "Jim Elliot Was No Fool", por Tim Chester):

"Na terça-feira, 3 de janeiro de 1956, Jim Elliot e quatro outros missionários desembarcaram numa pequena faixa de terra nas selvas do Equador [1]. Foi um pouso perigoso e não puderam pousar todos ao mesmo tempo. Durante anos eles sonharam e planejaram esse momento. Seus corações estavam decididos a alcançar os índios Auca com as 'boas novas' de Jesus.

Os Aucas eram uma tribo notoriamente perigosa. Ninguém os havia alcançado antes. Alguns trocaram presentes, mas sempre os Aucas os atacaram. Durante três meses, os missionários sobrevoavam regularmente a região, deixando presentes e gritando saudações. Ao desembarcarem, construíram uma cabana e esperaram que os Aucas viessem procurá-los.

Eles conheciam os perigos. Suas esposas discutiram a possibilidade de ficarem viúvas. Elisabeth Elliot, esposa de Jim Elliot, diz que eles foram simplesmente porque sabiam que pertenciam a Deus, porque ele era seu Criador e seu Redentor. Eles não tiveram escolha senão obedecê-lo voluntariamente, e isso significava obedecer à sua ordem de levar as 'boas novas' a todas as nações...

...Na sexta-feira, 6 de janeiro, três Aucas – um homem e duas mulheres – se aproximaram deles. Eles trocaram saudações. Os missionários mostraram-lhes elásticos, ioiôs e balões, e o homem foi levado no avião.

No domingo, 8 de janeiro, eles deveriam se comunicar pelo rádio às 16h30. Houve silêncio. Quando nenhuma mensagem chegou, um avião foi enviado e depois uma equipe de resgate. Quatro de seus corpos foram recuperados – todos lancetados [atingidos por lanças] até a morte. O quinto nunca foi encontrado. Parece que eles foram emboscados.

Todos os cinco foram martirizados por causa de Cristo. Todos eram casados, ​​e quatro eram pais. Uma esposa estava grávida. Ouviu-se seu filho de três anos dizer ao novo bebê chorando: 'Não se preocupe, quando chegarmos ao céu, mostrarei qual deles é o papai'.

Jim Elliot disse uma vez: 'Não é tolo aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder'. Jim Elliot percebeu a mentira do consumismo. Ele tinha visto o vazio de tudo o que este mundo oferece. Ele percebeu o valor muito maior da nova criação que Deus promete..."

*Notas:
[1] A história deles é contada em "Através dos Portais do Esplendor", por Elisabeth Elliot (esposa de Tim Elliot). ["Through Gates of Splendor"]


11 janeiro 2024

MISSÕES: Robert Murray M'Cheyne

 

O texto abaixo são trechos do capítulo 4 do livro "A Vida de Robert Murray M'Cheyne: o jovem que viveu na presença de Deus", de Andrew A. Bonar:

"Eu [Andrew A. Bonar] também tinha sido escolhido para sair nesta missão de amor a Israel; mas algumas dificuldades me impediram de deixar meu cargo em Collace. Nessas circunstâncias, o sr. M'Cheyne me escreveu, em 12 de março [de 1839], de Edimburgo: 'Meu querido A. [Andrew A. Bonar], - Recebi tantos sinais de Deus para o bem neste assunto, que seria realmente uma vergonha se não confiasse nEle para aperfeiçoar tudo o que me diz respeito. Estou feliz por você ter decidido confiar tudo nas mãos do Deus de Israel. Estou pronto para ir esta semana, ou na próxima, mas estou profundamente ansioso para ter certeza de que você será enviado comigo. Você sabe, querido A., não poderia trabalhar nesta causa [viagem missionária a Israel], nem desfrutá-la, se você não estivesse comigo nela. Você estaria pronto para dar sua palestra judaica na noite da semana do Sabbath?... E agora, ore por nós, para que sejamos enviados por Deus; e, por mais fracos que sejamos, para que nos tornemos Boanerges, para que sejamos abençoados para ganhar algumas almas e estimular os cristãos a amarem Sião. Muito interesse já foi levantado, e procuro uma bênção. Fale com seu povo como se estivesse à beira da eternidade... Espero que saiamos no Espírito; e embora limitados na linguagem, podemos ser abençoados, como Brainerd [David Brainerd] foi, por meio de um intérprete, não é mesmo? Também podemos ser abençoados em salvar alguns ingleses e estimular missionários, certo? Minha saúde está apenas tolerável; estaria melhor se já estivéssemos longe. Muitas vezes fico tão perturbado que me faz querer ir ou ficar, morrer ou viver. No entanto, é encorajador ser usado no serviço do Senhor novamente, e de uma maneira tão interessante. E se virmos a Jerusalém celestial antes da terrena? Estou levando materiais de desenho para trazer lembranças do Monte das Oliveiras, do Tabor e do Mar da Galileia'."

"A notícia de sua ausência proposta alarmou seu rebanho em Dundee. Eles manifestaram seu cuidado por ele mais do que nunca; e não poucos escreveram cartas explicando-as. A um desses protestos bem-intencionados, ele [R.M.M'Cheyne] respondeu: 'Alegro-me muito pelo interesse que você tem por mim, não tanto por mim, mas porque espero que seja um sinal de que você conhece e ama o Senhor Jesus. A menos que o próprio Deus tivesse fechado a porta de retorno ao meu povo e aberto essa nova porta para mim, eu nunca poderia ter consentido em ir. Não estou de modo algum relutante em gastar e ser gasto no serviço de Deus, embora muitas vezes tenha descoberto que quanto mais abundantemente amo vocês, menos sou amado. Mas Deus me mostrou muito claramente que posso realizar um trabalho profundamente importante para seu antigo povo [Israel] e, ao mesmo tempo, estar na melhor maneira de buscar o retorno da saúde'."

"Nesta crise na história de seu povo [igreja em Dundee], ele buscou no Senhor alguém para suprir seu lugar - alguém que alimentasse o rebanho e reunisse os desgarrados durante a ausência de seu próprio pastor. O Senhor concedeu-lhe seu desejo enviando o Sr. William C. Burns, filho do ministro de Kilsyth. Em uma carta a ele, datada de 12 e março, ocorrem as seguintes palavras notáveis: 'Você é dado em resposta à oração; e esses dons são, creio eu, sempre abençoados sem exceção. Espero que você seja mil vezes mais abençoado entre eles [igreja em Dundee] do que eu jamais fui. Talvez existam muitas almas que nunca teriam sido salvas sob meu ministério, que podem ser tocadas pelo seu; e Deus tomou este método de trazer você para o meu lugar. O nome dele é Maravilhoso'."

"Em suas breves notas durante a primeira parte da viagem, ele [R.M.M'Cheyne] raramente deixou de marcar nossos momentos de oração conjunta, como aqueles na cabine do navio na passagem para Gênova; pois estes eram tempos de refrigério para seu espírito. E seus sentimentos, enquanto ele estava naquela cidade e inspecionava seus palácios, são expressos em algumas linhas, que enviou para casa do local. 'Uma terra estrangeira nos aproxima de Deus. Ele é o único que conhecemos aqui. Nós vamos a Ele como alguém que conhecemos; todo o resto é estranho. Cada passo que dou, e cada novo país que vejo, me faz sentir mais que não há nada real, nada verdadeiro, a não ser o que é eterno. O mundo inteiro jaz na maldade; seus julgamentos estão se apressando rapidamente. Os palácios de mármore, entre os quais estive vagando esta noite, em breve afundarão como uma pedra de moinho nas águas da justa ira de Deus; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre'. Em Valetta, na ilha de Malta, ele escreveu: 'Meu coração palpita um pouco hoje, mas outra viagem me fará bem. Uma coisa eu sei, que estou nas mãos de meu Pai que está no céus, que é todo amor para mim - não pelo que sou em mim mesmo, mas pela beleza que Ele vê em Emanuel'. As costas clássicas da Itália e da Grécia são investidas de um interesse peculiar, que pode suscitar emoções profundas mesmo em uma alma santificada. 'Tentamos relembrar muitos dos estudos de nossa infância. Mas o que é o aprendizado clássico para nós agora? Considero todas as coisas como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor [Filipenses 3:7-11]. E, no entanto, essas lembranças tingiram todos os objetos e nos proporcionaram um prazer mais legítimo'."

"Em casa e no exterior, ele [R.M.M'Cheyne] tinha um apetite insaciável pro toda a Palavra - tanto pelos tipos do Antigo Testamento quanto pelo texto simples do Novo... Ele agiu com base no princípio de que tudo o que Deus revelou deve merecer nosso estudo e investigação com espírito de oração."

"Ao Sr. Bonar de Lambert, ele [R.M.M'Cheyne] escreve: 'Não tinha ideia de que viajar no deserto era uma coisa tão terrível como é. A solidão que muitas vezes sentia me solenizou bastante. O sol escaldante lá do alto - dando voltas e mais voltas em um círculo de areia estéril, marcado apenas por alguns arbustos espinhosos (a erva, de que fala Jeremias), - sem chuva, nem uma nuvem, os poços muitas vezes como de Mara, e distantes entre si. Agora entendo bem as murmurações de Israel. Sinto que nossa jornada provou e testou muito meu próprio coração'."

"M'Cheyne declarou: 'Por grande parte de nossa segurança, sinto-me em dívida com as orações de meu povo, quero dizer, os cristãos entre eles, que não se esquecem de nós. Se o véu da maquinaria do mundo fosse retirado, quantas coisas encontraríamos que são feitas em resposta às orações dos filhos de Deus'."

"[R.M.M'Cheyne]: 'Use sua saúde enquanto a tem, meu querido amigo e irmão. Não jogue fora oportunidades peculiares que talvez nunca mais voltem. Você não sabe quando seu último domingo com seu povo pode vir. Fale para a eternidade. Acima de tudo, cultive seu próprio espírito. Uma palavra dita por você quando sua consciência está limpa e seu coração cheio do Espírito de Deus vale dez mil palavras ditas em incredulidade e pecado. Esta foi a minha grande falha no ministério. Lembre-se que é Deus, e não o homem, que deve ter a glória. Não é muito falar, mas muita fé, que é necessário. Não se esqueça de nós. Não se esqueça da reunião de sábado à noite, nem da ação de graças de segunda-feira de manhã'. Assim, escreveu durante o caminho para um colega de trabalho na Escócia."

"Muitas vezes nestes dias, quando nossos atendentes à noite estavam pregando as estacas de nossa tenda e esticando suas cordas, ele se deitava no chão sob alguma árvore que o abrigava do orvalho. Completamente exausto pelo longo dia de cavalgada, ficava quase sem fala por meia hora; e então, quando a palpitação de seu coração diminuía um pouco, propunha que nós dois orássemos juntos. Muitas vezes, também, ele me disse, quando esticado no chão, não com impaciência, mas com muita seriedade: 'Devo pregar novamente ao meu povo?'. Muitas vezes [Andrew A. Bonar] fui reprovado por [R.M.M'Cheyne] sua atenção inabalável à santidade pessoal; pois esse cuidado nunca estava ausente de sua mente, estivesse em casa em seu quarto tranquilo, no mar ou no deserto. A santidade nele foi manifesta, não por esforços para cumprir os deveres, mas de uma maneira tão natural que se reconhecia nele o leve fluir do Espírito que habita em nós. A fonte que jorrava para a vida eterna (João 4:14) em sua alma, jorrava suas águas vivas igualmente nas cenas familiares de sua Escócia natal tanto quanto sob as oliveiras da Palestina. A oração e a meditação na Palavra nunca foram esquecidas; e uma paz que o mundo não poderia dar guardou seu coração e sua mente. Quando fomos detidos um dia em Gaza, em circunstâncias muito tentadoras, sua observação foi: 'Jeová Jireh; estamos naquele monte novamente'. Era doce estar com ele a qualquer momento, pois tanto sua natureza quanto sua graça atraíam o coração; mas havia momentos de prazer nessas regiões da Palestina que puxavam cada corda ainda mais e criavam simpatias desconhecidas. Foi assim naquela noite em que escalamos juntos a colina de Sansão. Sentados ali, lemos as referências ao lugar na Palavra de Deus; e então ele pegou seu lápis e esboçou a cena, enquanto o sol estava se pondo no oeste. Feito isso, cantamos alguns versos de um salmo, apropriados ao local, fizemos uma oração e, descendo lentamente, conversamos sobre tudo o que vimos, e tudo o que nos foi trazido à mente pela paisagem ao nosso redor, até chegarmos à nossa tenda."

"Durante nossos dez dias em Jerusalém, havia poucos objetos ao nosso alcance que não procurávamos ansiosamente para visitar. 'Paramos na curva da estrada onde Jesus se aproximou, contemplou a cidade e chorou sobre ela. E se tivéssemos mais da mente que estava em Jesus, acho que deveríamos ter chorado também'. Esta foi sua [R.M.M'Cheyne] observação em uma carta para casa."

"E ao Sr. Bonar de Lamber ele [R.M.M'Cheyne] expressou seus sentimentos em relação ao Monte das Oliveiras e seus arredores: 'Lembro-me do dia em que o vi pela última vez, você disse que havia outras descobertas a serem feitas além das do mundo físico - que havia visões a serem vistas no mundo espiritual e profundezas a serem penetradas de importância muito maior. Muitas vezes pensei na verdade de sua observação. Mas se há um lugar na terra onde o cenário físico pode nos ajudar a descobrir coisas divinas, acho que é o Monte das Oliveiras. O Getsêmani sob seus pés leva sua alma a meditar no amor de Cristo e na determinação de sofrer a ira divina por nós. O cálice foi colocado diante Dele ali, e ali Ele disse: Não devo beber? O local onde Ele chorou faz você pensar em Sua compaixão divina, misturando-se com Sua ternura humana - Sua justiça terrível, que não pouparia a cidade, Seu amor sobre-humano, que chorou sobre sua miséria vindoura! Virando-se para o outro lado, e olhando para o sudeste, você vê Betânia [João 11:1 e 12:1], lembrando-lhe de Seu amor pelos seus - que Seu nome é amor - que em todas as nossas aflições Ele é afligido - que aqueles que estão em suas sepulturas um dia ressurgirão ao Seu comando. Um pouco mais abaixo você vê o Mar Morto, estendendo entre as montanhas as águas calmas e sombrias. Isso aprofunda e soleniza [torna solene] tudo, e faz você ir embora, dizendo: Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?'."

"Ele [R.M.M'Cheyne] escreveu para outro amigo na Escócia, do Monte Sião, onde estávamos nos hospedando: 'Monte Sião, 12 de junho de 1839. MEU QUERIDO AMIGO, - Agora que estamos no lugar mais maravilhoso de todo este mundo - onde Jesus viveu e andou, orou e morreu, e voltará - não duvido que você esteja ansioso para ouvir como estamos. Sou grato por Ele ter nos dado o privilégio de vir a esta terra. Ontem ouvi falar do meu rebanho por uma carta de casa, a primeira que recebi, datada de 8 de maio... Estamos morando em uma das casas dos missionários no monte Sião. Minha janela dá para onde ficava o Templo, o belo Monte das Oliveiras se erguendo atrás. O Senhor que fez o céu e a terra, te abençoe desde Sião [Salmos 128:5]. - Seu' etc."

"Uma noite, depois de nossa visita a Sicar, ele [R.M.M'Cheyne] se referiu à Bíblia que eu [Andrew A. Bonar] havia deixado cair no Poço de Jacó. Estávamos então descansando de nossa jornada em nossas tendas. Logo depois ele escreveu em uma folha de seu caderno o seguinte fragmento:
Minha amada Bíblia, devo me separar de ti,
Companheira de minhas labutas por terra e mar;
Homem dos meus conselhos, calmante da angústia,
Guia dos meus passos através do deserto deste mundo!
Nas noites mais escuras, uma lanterna aos meus pés;
Em dias alegres, como gotas do doce mel.
Quando me separei da minha casa tranquila,
Sob teu comando, para o bem de Israel vaguear,
A tua suave voz disse 'Orai por Jerusalém,
Assim Jeová prosperará todo o teu caminho'.
Quando através do deserto solitário nos perdemos,
Suspirando em vão pela sombra refrescante das palmeiras,
Tuas palavras de conforto silenciaram cada medo crescente:
'A sombra da tua poderosa Rocha está próxima'.
E quando armamos nossas tendas nas colinas de Judá,
Ou pensativos meditamos ao lado dos riachos de Siloá;
Sempre que subíamos o Monte das Oliveiras, para contemplar
O mar, onde se erguia nos tempos antigos
A Sodoma atingida pelo céu -
Doce registro do passado, aos olhos alegres da fé,
Doce promessa de glórias ainda por surgir!
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"De Safete ele [R.M.M'Cheyne] escreve: 'Eu sentei olhando para o lago esta manhã por cerca de uma hora. Estava bem aos nossos pés - a mesma água onde Jesus andou, onde chamou seus discípulos, onde repreendeu a tempestade, onde disse: "Filhos, tendes alguma comida?" depois que Ele ressuscitou dos mortos. Jesus ainda é o mesmo'. Para seu antigo e conhecido amigo, Sr. Somerville, ele [R.M.M'Cheyne] descreve a mesma visão: 'Ó, que vista do Mar da Galileia está diante de você, a seus pés! Está a mais de três horas de descida até a beira da água e, no entanto, parece que você pode descer em alguns minutos. O lago é muito maior do que eu imaginava. É cercado por montanhas por todos os lados, dormindo tão calmo e suavemente como se fosse o mar de vidro que João viu no céu. Tentamos em vão seguir o curso do Jordão que o atravessa. É verdade que havia linhas claras, como você vê no rastro de um navio, mas elas não passavam direto pelo lago. As colinas de Basã são muito altas e íngremes, onde deságuam no lago. A certa altura, um homem nos mostrou onde estão os túmulos nas rochas, onde os endemoniados costumavam viver; e perto dele as colinas eram exatamente o que as Escrituras descrevem, "um lugar íngreme", onde os porcos desciam para o mar. No nordeste do mar, o Hermom ergue-se muito grandioso, entrecortado por muitas ravinas cheias de neve'. O dia que passamos no lago - bem à beira da água - foi memorável; era tão peculiarmente doce! Sentimos um interesse indescritível até mesmo em levantar uma concha da praia de um mar por onde Jesus andou tantas vezes."

"Ele [R.M.M'Cheyne] mesmo falou de sua doença para seus amigos em casa: 'Deixei o pé do Líbano quando mal podia ver, ouvir, falar ou lembrar; Senti minhas faculdades irem, uma a uma, e tinha todos os motivos para esperar que logo estaria com meu Deus. É uma provação dolorosa estar sozinho e morrendo em uma terra estrangeira, e isso me fez sentir, de uma maneira que nunca conheci, a necessidade de ter uma fé não fingida em Jesus e em Deus. Sentimentos, emoções naturais, fantasias brilhantes de coisas divinas, não sustentarão a alma em tal hora. Há muita autoilusão em nossa estimativa de nós mesmos quando não somos provados, e no meio de amigos cristãos, cujos sentimentos calorosos dão um brilho aos nossos, que eles não possuem em si mesmos'. Mesmo assim, ele [R.M.M'Cheyne] tinha seu povo em seu coração."

"Ao seu gentil amigo médico, Dr. Gibson, em Dundee, ele [R.M.M'Cheyne] escreveu: 'Eu realmente acreditava que meu Mestre havia me chamado para casa, e que dormiria sob os ciprestes verde-escuros de Bouja até que o Senhor viesses, e aqueles que dormem em Jesus viessem com Ele; e minha oração mais fervorosa foi pelo meu querido rebanho, para que Deus lhes desse um pastor segundo o seu coração'."

"Mas ele [R.M.M'Cheyne] continuou, como Epafras, 'trabalhando fervorosamente em oração', e procurou diariamente preparar-se para um desempenho mais eficiente de seu cargo, caso o Senhor o restaurasse novamente. Ele enviou para casa esta mensagem a um cooperados: 'Não se esqueça de continuar a obra nos corações levados ao Salvador. Eu sinto que esta foi uma das minhas falhas no ministério. Nutrir bebês; confortar os crentes abatidos; aconselhar os perplexos; aperfeiçoar o que está faltando em sua fé. Prepare-os para provações dolorosas. Temo que a maioria dos cristãos não esteja preparada para os dias de escuridão' - (Sr. Moody Stuart)."

"Em Jassy, depois de um dia profundamente interessante, passado em conversa com judeus que vieram à estalagem, ele [R.M.M'Cheyne] disse: 'Eu me lembrarei dos rostos daqueles homens perante o trono de julgamento'. Quando chegou entre os judeus mais instruídos da Europa, regozijou-se ao descobrir que podiam conversar com ele em latim. Seu coração estava empenhado em fazer o que podia (Marcos 14:8), a tempo e fora de tempo. 'De uma coisa', escreve [R.M.M'Cheyne], 'estou profundamente convencido, de que Deus pode tornar a mais simples declaração do evangelho eficaz para salvar almas. Se apenas for o verdadeiro evangelho, as boas novas, a mensagem de que Deus amou o mundo e providenciou um resgate gratuito a todos, então Deus é capaz de ferir o coração e curá-lo também. Há um significado profundo nas palavras de Paulo: "Não me envergonho do evangelho de Cristo"'."

"Em uma carta de Berlim, M'Cheyne comentou: 'Nosso Pai celestial nos trouxe através de tantas provações e perigos que me sinto persuadido de que Ele ainda nos levará até o fim. Como João, cumpriremos nosso curso. "Não há doze horas no dia?" Não somos todos imortais até que nosso trabalho seja realizado?'. Sua força estava aumentando rapidamente; a viagem havia respondido aos fins previstos em grande medida, em sua restauração da saúde."