Print Friendly and PDF
Mostrando postagens com marcador apologética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apologética. Mostrar todas as postagens

24 janeiro 2026

mente - ENTE - crente

Ah, outrora, quanta dor e confusão! Tu te lembras, mente?
Pois buscavas muitas alternativas, AUTOMATICAMENTE,
Na esperança de encontrares, talvez RELATIVAMENTE,
Um resíduo de paz, para descansar EXISTENCIALMENTE.
 
Em tantas desculpas esfarrapadas, ARROGANTEMENTE,
Tentavas negar a marcante presença do ONIPOTENTE.
Duvidando que Ele também pudesse ser ONISCIENTE,
Buscavas, pateticamente, escapar do ONIPRESENTE.
 
Até que, certo dia, já bastante DESESPERADAMENTE,
O que esperavas alcançar apenas COGNITIVAMENTE, 
Se revelou, por Seu próprio poder, ELOQUENTEMENTE.
E fostes libertada, apenas por Ele, MONERGISTICAMENTE.
 
E agora, já redimida, tentas buscar RACIONALMENTE,
Conhecer, amar e adorar a este Ser divino, o triúno ENTE...
Que revela-se, a Si mesmo, graciosa e REDENTIVAMENTE,
Por meio da Sua poderosa e viva Palavra, EFICAZMENTE. 

Agora procure, oh mente, lembrar-te INTENCIONALMENTE,
Que és propriedade exclusiva deste bendito e soberano ENTE,
E viva para desgastar-te, para a glória dEle, INTENSAMENTE,
Prestando-Lhe um "culto racional", buscando renovar-te, mente.

Como último recado para quem lê, IMPRESCINDIVELMENTE: 
Exercitemo-nos, com esmero, na vida cristã, PIEDOSAMENTE.
E procuremos, "quer seja oportuno, quer não", plantar a SEMENTE...
Do singelo, puro e digno Evangelho de Cristo, que é a vida do crente

Toda a glória somENTE ao triúno ENTE (Ser) que também é SENHOR sobre a mENTE do crENTE!



08 janeiro 2026

Lições apologéticas: fobias & aversões

Segundo os dicionários de etimologia, a origem da palavra "phobia", que tem o significado de "medo irracional, horror ou aversão" ou "medo de um mal imaginário ou medo injustificado [desnecessário ou excessivo] de um mal real", é provavelmente proveniente do francês. A palavra em grego (phobos) está associada a "medo, pânico, terror, demonstração externa de medo", originalmente com o significado de "fuga" (sentido encontrado nas obras do poeta grego Homero), e se tornou a palavra comum para "medo", pela noção de "fuga em pânico" (phobein: "fugir, assustar"). Na psicologia, o sentido de "um medo anormal ou irracional" é encontrado à partir do final do séc. XIX

Procurando viver, neste mundo, como filhos do Deus de toda justiça e misericórdia, e nunca ingenuamente excluindo a possibilidade concreta da presença e influência do pecado humano em cada um de nós, devemos sim buscar nos compadecer dos que verdadeiramente padecem de fobias patológicas debilitantes, que tipicamente causam ansiedade, melancolia e depressão na alma humana abatida e angustiada. Porém, excluindo-se as possíveis exceções encontradas nestas fobias patológicas verdadeiras, na era atual em que vivemos parece haver uma grande multiplicidade de fobias que mais parecem estrategicamente "manufaturadas", e que encontram-se disseminadas e pulverizadas na civilização humana, tentando fazer parte "natural" no próprio "tecido" ou "malha" da sociedade moderna. É importante enfatizar, inclusive, que muitas destas fobias, que parecem intencionalmente "fabricadas", têm sido usadas de forma pejorativa e acusatória, especialmente contra cristãos ao redor do mundo. Isso geralmente acontece quando os discípulos de Jesus procuram testemunhar o Senhorio de Cristo em suas vidas, exercendo seu direito de defender nossos valores e princípios fundamentais, que devem estar de acordo com a nossa visão de mundo (cosmovisão) bíblica, ou seja, que precisam estar firmemente ancorados na Palavra de Deus, que é a nossa "única regra de fé e prática". É imprescindível salientar, contudo, que este testemunho do Senhorio do nosso Redentor sobre nossas vidas deve ser feito, sempre, com a devida responsabilidade do respeito mútuo à dignidade humana, cuja base bíblica encontra-se em Gn 1:26-27 ("Imago Dei" ).

Esta aversão, muitas vezes aguda como um ódio que chega disfarçado na moderna "roupagem" da inconsistente, mas peremptória acusação de algumas fobias para os cristãos, recebe uma definição racional, lógica e cognitiva, nas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo, por exemploem Jo 15:18,19,23,24b,25:
"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros [cristãos], me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia... Quem me odeia, odeia também a meu Pai... mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: 'Odiaram-me sem motivo' [#refs. cruzadasSl 35:19 e Sl 69:4]."

O apóstolo Paulo (Rm 1:18-22), inspirado pelo Espírito Santo, também nos ensina, de maneira lógica e racional, sobre esta "tensão" que cerca a fé cristã, quando testemunhada pelos discípulos de Jesus neste mundo:
"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos" [#ver estudo sobre "Apologética Bíblica Evangelística" neste tema]

Segundo dicionários bíblicos (léxico James Strong), a palavra "loucos", que o apóstolo Paulo usa no texto, vem do original (grego) moraino (#Strong 3471: "tolo"), que é derivado de moros (#Strong 3474: "tolo, ímpio, incrédulo"), e que, por sua vez, dizem que é provável ser proveniente de musterion (#Strong 3466: "algo oculto, escondido, secreto").
Neste ponto, caro(a) leitor(a), os significados entre "loucura" (no sentido objetivo do termo "insanidade") e "tolice" (no sentido objetivo do termo "estupidez") parecem se misturar neste contexto. Diga-se, de passagem, que a palavra moron, em inglês, tem sua origem neste mesmo termo (moros), em grego. 

Dito isso, e baseando-se no profundo e edificante ensino do apóstolo Paulo aos romanos da sua época, mas que continua extremamente lúcido e necessário para os nossos dias, talvez pudéssemos respeitosa e objetivamente definir, de forma semelhante ao que ele fez em sua epístola, que se existe uma fobia que algum cristão poderia, eventualmente, manifestar, seria a ilitiofobia (ilithiophobia, em inglês), que é definida como um neologismo (termo recentemente cunhado em uma língua) que formalmente significa "uma forte e persistente intolerância [aversão/fobia] à estupidez [tolice]", sendo proveniente da combinação dos termos, em grego, ilithios ("estupidez") e phobos ("medo").***

Finalmente, caros irmãos e irmãs, em Cristo, o que dizer? Nada... além de apenas uma doxologia final:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36)
 
Ao Senhor, somente, toda a glória!
________
***Obs.: após receber, na forma de uma observação pastoral sobre o texto acima, o sábio conselho de um pastor amigo, por quem tenho profundo apreço e respeito, é importante enfatizar uma questão adicional neste ponto do texto. A expressão “aversão [ou fobia] à estupidez [ou tolice]”, que é formalmente proveniente do dicionário Collins para o verbete ilithiophobia, pode ser útil como crítica cultural (talvez em termos parecidos com os que o apóstolo Paulo usa em Rm 1), mas esta crítica precisa ser bem vigiada para não resvalar em desprezo, com o potencial de se transformar em um tipo de "desamor antibíblico". Nosso alvo, como cristãos, deve ser sempre "ganhar pessoas", e não “vencer debates" (ver: 2Tm 2:24-25; Ef 4:15). Agradeço a Deus pela pertinente observação e gracioso conselho, que enriqueceu o propósito do texto, dentro do contexto da "Apologética Bíblica Evangelística". Que Cristo seja louvado em tudo, e que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações (Cl 3:15).

20 dezembro 2025

A dimensão humana

"O que significa ser humano?", alguém poderia perguntar.
"A resposta parece muito difícil!", poderia alguém pensar.
Mas, na verdade, é fácil, e qualquer um poderia responder.
Basta aprender com o nosso Criador, que detém todo o saber.

Que fomos criados "à Sua imagem e semelhança", Ele revelou.
E até no Salmo 8, o salmista declara o que a Verdade mostrou.
"Fizeste-o [um poucomenor do que Deus", o salmista declarou.
"[...] e de glória e de honra o coroaste", Davi, atônito, nos ensinou.

Ah! Como esta verdade objetiva e absoluta está em desuso atualmente!
Vemos coisas assombrosas nos dias de hoje, que causam horror na gente!
O homem vira bicho, e vice-versa. É o que infelizmente se pode observar!
"A dimensão humana" está sendo perdida, o que é motivo de grande pesar!

"Como ficaremos agora?", a alma angustiada poderia, titubeante, perguntar.
"A humanidade é um projeto fracassado!", um tolo, depressa, tentaria explicar.
Mas teríamos que analisar com mais profundidade, para melhor compreensão.
Tendo em mente que o ser humano foi projetado por um Deus de perfeição!

Nesta compreensão, em Filipenses 2, o apóstolo Paulo muito nos ajudou:
"[...] pois Ele, subsistindo em forma de Deus [...] a si mesmo se esvaziou"
"[...] assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens"
Essa declaraçao é tão grandiosa, que faz até estremecer nossos abdômens...

Cristo Jesus, em plenitude Divina, assumiu a forma humana, com perfeição
Nascendo como bebê humano, dependente e necessitado de cuidado e atenção
Mas o profundo significado do Seu nascimento, foi garantir eficaz intervenção
Intercedendo, como Deus-homem, por um povo amado, alvo da Sua compaixão

Oh! Como agradecer suficientemente a obra perfeita deste Salvador tão amável?
Talvez, nos lembrando que fomos criados à Sua semelhança. Verdade inabalável!
E tentando, com o auxílio da graça, vivermos uma vida coerente e incansável,
Buscando, incessantemente louvar e bendizer Aquele que é um "dom inefável!"

"Graças a Deus pelo seu dom inefável!" (2Co 9:15)
Ao Senhor, somente, toda a glória!

06 dezembro 2025

Livro: "A nova superespiritualidade" (Francis A. Schaeffer)


Trecho do livro "A nova superespiritualidade", de Francis A. Schaeffer:
(ênfases acrescentadas)

'[...] Além disso, precisamos tomar a iniciativa, e enfatizar que a mente pertence a Cristo. Portanto, o homem, como um todo, deve vir a Cristo. Em outras palavras, se as perguntas culturais e intelectuais não estão sendo feitas quando palestramos, devemos fazê-las. Há dez ou doze anos, quando palestrava em igrejas e escolas evangélicas, as perguntas nem sempre eram feitas pelos professores ou estudantes. Eu [Francis A. Schaeffer] tinha de fazê-las. Essas palestras, percebo, foram revolucionárias nesse ponto. Eu enfatizava o aspecto cultural do cristianismo, o Senhorio de Cristo sobre o homem como um todo, quando as perguntas não abordavam esses assuntos. Podemos ter de começar isso tudo de novo. Em nosso ensino, pregações e palestras, precisamos começar a fazer isso, assim como precisamos olhar para a nova burguesia e perceber que eles vão puxar o nosso tapete e nos jogar nas mãos de uma elite semelhante àquela da antiga burguesia. Assim, precisamos enfatizar o Senhorio intelectual e cultural de Cristo a essa geração mais jovem, tanto quanto o fizemos com os seus pais.
Em quarto e último lugar, ao enfrentar os desafios da nova superespiritualidade, não devemos reagir exageradamente. Temo desesperadamente as reações exageradas, a ênfase excessiva no intelecto ou na cultura, tratando o cristianismo como se fosse apenas um sistema. O cristianismo é sim um sistema, mas não é apenas isso. Deus existe e devemos estar num relacionamento vivo com ele. Consequentemente, à medida que vemos a nova superespiritualidade assomando [vindo à mente], o perigo está em sermos exageradamente reativos, e subestimarmos a obra do Espírito Santo.
É interessante ver como as heresias atuam, e como o diabo vence. Digamos que o programa completo de ensino cristão consista dos pontos 1 a 100. Ora, devemos pois perceber que esse ensino cristão não é apenas dogmático, mas satisfaz as necessidades do homem, como Deus o criou, e também como se tornou desde a Queda. Assim, a fim de que o homem, como um todo, se realize, deve-se ensinar a ele desde o ponto 1 ao 100. Se estudarmos a história da igreja, perceberemos que as heresias surgem assim: a igreja começa a fracassar na pregação, ou prega de forma pobríssima, digamos, ensinando apenas o intervalo entre os pontos 40 a 50. Sem dúvida, vivemos num mundo caído, e nenhum de nós sustenta o próprio cristianismo de uma forma perfeitamente equilibrada, mas devemos ajudar uns aos outros a tentar fazê-lo.
Digamos, portanto, que o intervalo entre os pontos 40 a 50 não é enfatizado. Duas coisas se seguem. Primeiro, a situação é antibíblica. O cristianismo verdadeiro é um todo equilibrado. Em segundo lugar, Satanás retira esse intervalo entre os pontos 40 a 50 da estrutura total do cristianismo e encoraja alguém a enfatizá-los exageradamente. E isso se torna heresia. Em outras palavras, o intervalo entre os pontos 40 a 50, em vez de permanecer em harmonia e em relação com o restante da doutrina cristã, são retirados e distanciados do sistema como um todo. Fora do seu lugar, eles se tornam invertidos ou revertidos.
Entretanto, por que Satanás vence? Ele vence, porque há um anseio e uma necessidade no coração e na mente humanos; o intervalo entre os pontos 40 a 50 é fundamental, porque todo o ensino cristão também o é — não somente para que a pessoa tenha acesso ao sistema cristão correto, mas para satisfazer as necessidades do homem em sua totalidade, tal como existe neste mundo caído. Satanás vence, pois, quando as pessoas reconhecem a fraqueza e a falta do intervalo entre os pontos 40 a 50 e subitamente veem alguém os enfatizando exageradamente, elas são pegas numa rede. Um grupo está enfatizando o intervalo entre os pontos 40 a 50, mas de uma forma exagerada, sem relação com o todo da doutrina cristã. Outro grupo, por outro lado, vê essa ênfase exagerada no inter-valo entre os pontos 40 a 50 como heresia e, por conseguinte, recuam na direção oposta. Eles pregam o intervalo entre os pontos 40 a 50 ainda menos do que faziam antes, com o intuito de se manterem seguros, e para que se veja claramente que eles não têm parte numa heresia ou num ensino errôneo. Satanás pesca igualmente nos dois lados e vence em ambos os lados. A resposta apropriada para esse ensino errôneo não é evitar a doutrina, mas visualizá-la na estrutura cristã apropriada. O verdadeiro cristão, dentro dos limites das Escrituras, e sob a liderança do Espírito Santo, precisa restaurar o equilíbrio apropriado, mesmo que, a princípio, pareça que ele está levando a igreja para mais perto da heresia. Quando um grupo de pessoas começa a enfatizar demais a obra do Espírito Santo, à custa do conteúdo completo das Escrituras, ou passa a diminuir o status da responsabilidade intelectual ou cultural, o perigo é falar cada vez menos sobre o Espírito, por medo de que nos confundam com esse outro grupo. Em vez disso, um cristão deve ter a coragem de dizer que não temos enfatizado suficientemente a sequência que vai do ponto 40 ao 50 (sejam quais forem eles), e começar a enfatizá-los em sua relação apropriada ao todo das Escrituras.
No presente caso, devemos enfatizar a espiritualidade adequadamente. Isso é o que temos tentado fazer no L'Abri, e não queremos dizer que tivemos sucesso absoluto, mas tentamos. A base real do L'Abri são as palestras gravadas, e agora o livro sobre verdadeira espiritualidade. Deus usou essas palestras do L'Abri que tratam sobre o domínio do intelecto, mas elas não seriam nada sem a ênfase no que é verdadeiramente espiritual. Elas não seriam nada sem a realidade da oração. Quando escrevemos os livros, tentamos manter o equilíbrio também, embora seja mais difícil do que na comunidade do próprio L'Abri. Por outro lado, há os livros O Deus que intervém, A morte da razão e O Deus que se revela. Sou grato por Edith [Schaeffer] ter escrito também a obra L'Abri, pois, ao lado de meus livros Morte na cidade e A marca do cristão, auxilia na conservação de um equilíbrio. O livro Poluição e a morte do homem encontra-se no lado intelectual e prático, ao passo que a obra Verdadeira espiritualidade fala sobre a realidade cristã em nossas vidas.
Mantemos o equilíbrio? Tenho certeza de que ele não é totalmente mantido. Mas conscientemente, perante o Senhor, pedimos o seu socorro. E penso que isso é tudo o que devemos fazer.
O cristianismo não é apenas intelectual, e a nossa responsabilidade não é apenas cultural. Cristianismo é o novo nascimento com base na obra consumada de Cristo, sua morte substitutiva na história, no tempo e no espaço. Cristianismo é a realidade da comunhão com Deus na vida presente, é o entendimento de que existe a habitação do Espírito Santo, é a compreensão de que existe o empoderamento do Espírito Santo, a cada momento. Cristianismo é o entendimento de que o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, fé, mansidão, temperança. É o entendimento de que o fruto do Espírito precisa ser algo real em todos os cristãos. É o entendimento de que a oração é real e não apenas um exercício devocional. De fato, não devemos reagir exageradamente à nova superespiritualidade platônica, mas enfatizar que Cristo é o Senhor de todo o homem, não apenas Senhor da alma. Ele é Senhor do intelecto e Senhor do corpo. Ele deseja que afirmemos a vida, ao invés de negá-la. Esse é o ideal. Que Deus possa mostrar-nos o que é uma vida equilibrada e ajudar-nos a viver, por sua graça, nesse equilíbrio.'

----------------------------
APÊNDICE I

A loucura do que pregamos:
Reflexões sobre 1Coríntios 2.1-5

RANALD MACAULAY

'A declaração de Paulo em 1Coríntios 2.1-2 tem sido frequentemente usada para justificar o que é, algumas vezes, chamado "o simples evangelho". O apóstolo diz: "quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado...". A ideia por detrás disso é que tudo o que alguém precisa ouvir é o "ABC do evangelho", de modo que deveríamos evitar sermos distraídos por outras coisas. "Compartilhar o evangelho" significa dizer à pessoa com quem estamos falando que (a) ela é uma pecadora; (b) Jesus é o Salvador de que todos nós precisamos; (c) ela precisa se arrepender e aceitar essa mensagem. Por implicação, preocupações filosóficas, ou apologéticas, são perda de tempo. "As Escrituras são como um leão numa jaula", disse um importante ministro evangélico, certa feita, "tudo o de que precisamos é deixá-lo sair da jaula. O evangelho é suficiente por si só. Simplesmente o deixemos rugir".
Ora, quero sugerir que essa atitude é uma completa distorção do que Paulo está dizendo aqui. Assim, comecemos com duas maneiras pelas quais as pessoas quase sempre tentam justificar essa postura.
Primeiro, alguns consideram 1Coríntios 1.17 e os versos seguintes como uma "glosa" [anotação em um texto para explicar o sentido de uma palavra ou esclarecer uma passagem] sobre Atos 17. Eles argumentam que, quando Paulo esteve em Atenas, entrou indevidamente num debate intelectual com os filósofos. Em seguida, dirigiu-se para Corinto, onde reconheceu e admitiu o seu erro. Em outras palavras, ele deveria ter ficado com "Jesus e este crucificado" e nada mais.
Em segundo lugar, alguns entendem que Paulo está dizendo que o evangelho é "loucura" {#1#}. Em outras palavras, não deveríamos engajar-nos em discussões ou argumentos, porque isso não faz sentido. Nosso mandato é pregar e proclamar. O ABC do evangelho alcança as pessoas em seu coração - mente não participa disso. 
Quero argumentar, porém, que Paulo não poderia estar dizendo isso, pois, em outros lugares no Novo Testamento, sua abordagem é exatamente o oposto: a verdade sobre a existência e a natureza de Deus, ele diz, é evidente em tudo o que nos rodeia na criação; portanto, aqueles que negam isso estão sendo tolos. Eles são "indesculpáveis" (Romanos 1.18 ss.). A mesma coisa se aplica quando falamos sobre a salvação histórica trazida por Cristo. Paulo diz, a certa altura, “porquanto nada se passou em algum lugar escondido" (Atos 26.26), Sua conclusão é que a única forma de as pessoas serem capazes de evitar essas realidades é "suprimindo a verdade" {#2#}. Ele os desafia com a verdade evidente, e está disposto a discutir suas dúvidas e perguntas; enquanto em Éfeso, ele fez isso diária e publicamente por dois anos (Atos 19.8-10). Em resumo, Paulo é bem claro ao dizer que o cristianismo é objetivamente verdadeiro e não meramente, como as pessoas dizem hoje, "verdade para você, mas não para mim". O interesse dele não é que as pessoas "tenham uma experiência religiosa". Ele os chama a "obedecer à verdade" (Gálatas 5.7).
Para fins de clareza, precisamos enfatizar que nada disso envolve uma negação da "experiência". As objeções intelectuais de um indivíduo podem ser uma desculpa. Paulo, porém, não decidiu, de antemão, quem estava buscando genuinamente a verdade, ou não. Ele tinha confiança de que o cristianismo era verdadeiro e de que, com base nisso, poderia e deveria desafiar os seus ouvintes. O livro de Atos está repleto de referências à argumentação, aos debates e arrazoados. Não se trata também de um apelo a um "intelectualismo", como se todo mundo precisasse ser tratado como um estudante universitário. Trata-se simplesmente de um lembrete de que as Escrituras levam a mente das pessoas a sério.
Aonde Paulo quer chegar, então, quando descreve o evangelho como "loucura"? Uma exposição detalhada é impossível num artigo breve como este {#3#}, mas os princípios a seguir são importantes.
Primeiramente, o texto não deve ser interpretado como se estivesse em conflito com 1Coríntios como um todo, ou com Romanos 1.18 e versos subsequentes. Em ambas as passagens, Paulo afirma o princípio da racionalidade. Seu ponto principal, no início de Romanos, é que os seres humanos são culpados perante Deus, não primariamente por causa de suas ações erradas, mas por causa de seus pensamentos errados. Adorar uma criatura como um pássaro ou réptil é intelectualmente ridículo.
Além disso, Paulo se esforça para demonstrar que o seu argumento é tanto autoconsistente, quanto consistente com a realidade. Toda a narrativa bíblica se mantém unida e faz sentido; ela tem um princípio, um meio e um fim. Ela [bíblia] explica o porquê de os seres humanos serem singulares dentro da ordem criada. Eles não são meros animais ou máquinas, mas seres "criados à imagem de Deus" [Gênesis 1.26-27]. Eles são também uma mistura curiosa de santo e pecador, herói e vilão. É assim a realidade ao nosso redor. Os seres humanos - e não os insetos ou as minhocas - desordenaram o planeta. Deus, porém, providenciou uma solução para essa imagem deformada ao enviar Jesus, que atua como nosso Mediador e Salvador. Sua vida, morte, ressurreição e ascensão são únicas; seu ensino é incomparável. Toda a história faz sentido.
Paulo é cuidadoso também em dizer que o nosso ensino na igreja deve ser inteligível. Quando os incrédulos vierem até nós, eles precisam entender o que estamos dizendo, e assim serem persuadidos da verdade (1Coríntios 12-14). Mesmo quando ele está enfatizando a necessidade da obra do Espírito, Paulo enfatiza a importância da razão humana, seja a de crentes ou a de descrentes.
Em segundo lugar, a expressão de Paulo “a cruz de Cristo" não deveria ser lida de forma restritiva. Quase sempre ouvimos alguns evangélicos dizerem: "o que era suficiente para Paulo é suficiente para mim", ocasião em que fazem referência à sentença paulina: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (1Coríntios 2.2). Todavia, Paulo não está sugerindo que essas cinco palavras são as únicas sobre as quais ele pode falar. Vemos em outros lugares no Novo Testamento que esse não é o caso. Ele está simplesmente se afastando das técnicas oratórias dos mestres sofistas [sofisma] da Grécia. Ele não quer parecer "entendido" e "sofisticado". Paulo deseja simplesmente deixar claro o conteúdo do evangelho, toda a verdade revelada do céu. Seu foco não está na técnica, mas no conteúdo - o conteúdo da revelação de Deus centrada em Jesus. Mas isso já é um conteúdo enorme, o qual ele descreve em outro lugar como "todo o desígnio de Deus" (Atos 20.27).
Curiosamente, sempre que vemos Paulo falando diretamente com o mundo pagão, ele assume o oposto da abordagem "o simples evangelho". Antes de falar sobre a cruz, ele leva os seus ouvintes ao fato de que o Deus bíblico é o Criador. Sem essa estrutura, a cruz não tem sentido (Atos 14.15 ss.). De semelhante modo, demonstra aos filósofos atenienses que estava familiarizado com os seus escritores e pensadores, e tira proveito de suas óbvias inconsistências intelectuais (Atos 17.28-29).
De fato, a glória do cristianismo é que ele pode ser expresso de uma maneira bem simples. E sempre que as pessoas entendem a estrutura da história bíblica, tudo o de que precisamos é declarar o ABC. O que estou sugerindo, porém, é que as Escrituras não exigem uma abordagem no estilo "o simples evangelho", e, em segundo lugar, que a insistência nisso arruinou nosso alcance evangelístico dentro de uma sociedade cética.
Em terceiro lugar, Paulo não quer dizer que o evangelho seja intrinsecamente tolo. Quando ele diz que o evangelho é "loucura" para os incrédulos [ver 1Coríntios 1.18-25], o que ele quer dizer é que o evangelho é loucura para eles, somente porque eles mesmos são loucos. Ele os está provocando de forma sutil. Em Romanos 1, sua abordagem é o oposto: ele é direto e contundente. Eles pensam que são sábios, diz Paulo, mas na verdade são loucos; eles rejeitam o que não podem negar racionalmente, e assim são "indesculpáveis". Na realidade, o evangelho é a sabedoria divina; não foi fabricado pelo homem, mas revelado - nesse sentido, portanto, não se trata de uma filosofia. Entretanto, a Bíblia e a filosofia cobrem o mesmo território, são Grandes Narrativas explicando o todo da realidade. A diferença é que, onde outras cosmovisões falham, a Bíblia, por proceder de Deus, mantém-se firme. Ela é o único sistema intelectual adequado, e é por isso que Paulo desafia qualquer um que tenha outra visão. Ele deseja "levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2Coríntios 10.4-5).
Um toque final procede do fato de que Romanos quase certamente foi escrito em Corinto. Não é razoável sugerir, portanto, que, embora Paulo esteja escrevendo uma coisa aos seus contatos romanos, estava ensinando algo completamente diferente, porém, à sua audiência coríntia.
Concluindo: como evangélicos, devemos nos envergonhar de nossa fuga da razão. Os exemplos do Novo Testamento estão contra nós. Como John Stott assinalou: "os apóstolos buscavam uma conquista intelectual, persuadir as pessoas que a sua mensagem era verdadeira, convencê-las para convertê-las” {#4#}. Além disso, estamos cercados pelos frutos de uma cultura que é tanto carente da verdade, como intelectualmente estéril, motivo pelo qual as pessoas estão completamente à deriva. Em contrapartida, Cristo e as suas Escrituras são objetivamente verdadeiros. Portanto, precisamos lançar-nos confiantes nas águas das "evidências" e dos "argumentos" [apologética cristã], como se vê no livro de Atos. A verdade de Deus "não está oculta em algum lugar escondido", como se só fosse possível trazê-la à luz com muita dificuldade. Precisamos argumentar que o evangelho é, de fato, a única luz verdadeira.'

---------
Notas:
{#1#} "Insensatez", na Almeida 21: "Pois a palavra da cruz é insensatez para os que estão perecendo". [N. do T.]
{#2#} Cf. também Efésios 4.18: "[os incrédulos estão] obscurecidos no entendimento... [pela] dureza do coração".
{#3#} O comentário de João Calvino sobre 1Coríntios é de grande auxílio para um entendimento mais profundo dessa questão. [Este comentário pode ser encontrado no APÊNDICE II do livro]
{#4#J. R. W. Stott, The Preacher's Portrait (Londres: Tyndale Press, 1961), p. 49. A evidência para apoiar isso, sucintamente, é: (a) descrição da pregação em Atos como "ensinar", "argumentar", "discutir", "confundir", "provar", "refutar poderosamente", etc.; (b) a prática dos apóstolos de argumentar e discutir, e não simplesmente declarar; (c) o fato de que a conversão é frequentemente descrita como "reconhecer a verdade".

---------------------------------------------------------
Recomendamos a leitura deste precioso livro, que continua muito atual.
Glória somente a Deus!

14 novembro 2025

O réquiem da razão

Vivemos na era do "réquiem da razão", diria alguém.
Sem sombra de dúvida, poderíamos assim concordar.
O relativismo da verdade e dos valores, porém,
É um tremendo erro humano! Pode tentar negar!

Uma missa, celebrada aos mortos, é um "réquiem".
Relíquia de tradição latina, no engano católico romano,
Que o autor de Hebreus 9:27 condena, como ninguém!
Afirmando que, depois da morte, vem o juízo humano.

O autor aos Hebreus, na continuação do verso anterior,
Também revela que Cristo se ofereceu, vez por todas!
Para retirar os pecados de muitos, como Redentor.
E que aparecerá, segunda vez, para celebrar as bodas!

O copositor Mozart deixou uma inacabada obra: 
"Réquiem em Ré Menor", para fúnebre missa.
Certamente uma bela música, com talento de sobra.
Porém, usada, com este enorme engano de premissa.

Premissa enganosa, que acha que os mortos terão chances adicionais
Por isso o clamor ouvido durante a missa: "dai-lhes descanso eterno"
Os crentes precisam, depressa, com ousadia divulgar em todos os canais:
"Se render, em vida, a Jesus como Senhor, é o que nos livra do inferno"

Como terminar estes versos, buscando um bom caminhar?
Há apenas uma forma, o leitor atento conseguirá notar...
Jesus Cristo nos concede graça e justiça, numa obra sem par! 
Demonstrando que a misericórdia do Senhor é mesmo singular!

01 maio 2025

"Teologia é poesia?" (C.S. Lewis)

Trecho final do ensaio "Teologia é poesia?", de C.S. Lewis (CSL), com ênfases acrescentadas:

‘[...] A obviedade ou naturalidade que a maioria das pessoas parece encontrar na ideia do evolucionismo emergente parece ser uma alucinação pura.
Alguém pode ser forçado a pensar, a partir dessas bases e outras semelhantes, que de tudo o mais que possa ser verdade, a cosmologia científica popular não é. Abandonei aquele navio [1] não por causa do chamado da poesia [2], mas porque pensei que ele não pudesse se manter flutuando. Algo como o idealismo filosófico ou o teísmo deve ser, na pior das hipóteses, menos falso que isso. E o idealismo se mostrou um teísmo disfarçado, quando você o leva a sério. E uma vez tendo aceitado o teísmo, você não poderia ignorar as afirmações de Cristo. E depois que as examinei, me pareceu que não poderia assumir uma posição mediana. Ou ele era um lunático ou era Deus. E ele não era um lunático.
Aprendi na escola que, depois de fazer uma soma, deveria “testar a minha resposta”. A prova ou a verificação de minha resposta cristã à soma cósmica foi esta. Quando eu aceito a Teologia, posso encontrar dificuldades neste ponto ou naquele, ao harmonizá-la com algumas verdades particulares que estão implantadas na cosmologia mística derivada da ciência. Mas, eu posso compreender, ou admitir, a ciência como um todo. Se admito que a Razão [3] é anterior à matéria e que a luz daquela Razão primordial ilumina mentes finitas, posso compreender como as pessoas podem vir a saber, pela observação e inferência, muito do universo em que vivem. Se, por outro lado, eu aceito a cosmologia científica como um todo, então não apenas não serei capaz de acomodar o cristianismo, mas não poderei acomodar a própria ciência. Se as mentes são completamente dependentes do cérebro, se o cérebro depende da bioquímica, e a bioquímica (no longo prazo) depende do fluxo sem sentido dos átomos, não posso entender como o pensamento daquelas mentes deveria ter qualquer significância maior que o som do vento nas árvores. E esse é para mim o teste decisivo [4]. É assim que distingo o sonho e a vigília. Quando estou desperto posso, em certo grau, avaliar e estudar meu sonho. O dragão que me perseguiu na noite passada pode ser encaixado no meu mundo desperto. Sei que existem coisas como os sonhos; sei que comi um jantar difícil de digerir; sei que alguém que lê o que leio está sujeito a sonhar com dragões [5]. Mas, enquanto eu estava no pesadelo não podia inserir minha experiência de desperto. O mundo desperto é avaliado de modo mais real porque poderá conter, assim, o mundo dos sonhos; o mundo dos sonhos é avaliado como menos real porque não pode conter o mundo desperto. Pela mesma razão, estou certo de que ao passar dos pontos de vista da ciência para o teológico, passei do sonho para o despertamento. A Teologia cristã pode acomodar a ciência, a arte, a moralidade, e as religiões não-cristãs [6]. A perspectiva da ciência não é capaz de acomodar nenhuma dessas coisas, nem mesmo a própria ciência. Creio no cristianismo assim como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele eu vejo tudo mais.’

----------
*Notas:
[1]. Neste contexto, CSL parece estar se referindo à cosmologia científica típica da visão de mundo encontrada no materialismo/naturalismo. Em seus dias, um dos maiores divulgadores destas ideias era H.G. Wells, conforme o próprio autor cita, mais acima (“Perspectiva Científica”), no ensaio.
[2]. O autor está se referindo, neste contexto, à sua fé cristã, no tema central deste ensaio "Teologia é poesia?".
[3]. Por Razão, CSL está se referindo ao Deus Criador, Causa Primária, Verdade Absoluta, Verbo da Vida. 
[4]. Neste ponto, CSL está se posicionando claramente contra o absurdo do reducionismo encontrado na visão de mundo materialista/naturalista. Para mais conteúdo sobre este assunto, favor acessar os seguintes links: link I, link II, link III, link IV, link V, link VI.
[5]. O autor parece estar se referindo ao tipo de leitura e de conteúdo que está no seu imaginário, lembrando que CSL é autor de "Crônicas de Nárnia", e também era amigo pessoal de J.R.R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis", por exemplo.
[6]. Parece que, neste contexto, o autor está racionalmente declarando que a cosmovisão cristã é capaz, até mesmo, de explicar a existência de outras religiões não-cristãs, por exemplo, por causa da tendência idólatra do seu humano, que é explicada claramente na verdadeira antropologia bíblica encontrada nas Escrituras.

12 março 2025

05 novembro 2024

Livro: "Deus: face a face com Sua majestade"

'Algumas pessoas querem provar a existência de Deus através da Ciência. Por mais valiosa que a Ciência seja, ela tem seus limites. Paul Little destacou: Pode-se dizer, com a mesma ênfase, que não se pode “provar” a existência de Napoleão pelo método científico. A razão disso reside na natureza da própria história e nas limitações do método científico. A fim de que algo seja “provado” pelo método científico, ele deve ser repetido. Ninguém pode anunciar uma nova descoberta para o mundo com base num único experimento. Mas a história, por sua própria natureza, não é algo que possa ser repetido. Nenhum homem pode “reprisar” o início do universo ou trazer Napoleão de volta ou repetir o assassinato de Lincoln ou a crucificação de Jesus Cristo. Mas o fato de que esses acontecimentos não possam ser “provados” pela repetição não desmente sua veracidade como acontecimentos.'

'Jesus declarou: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). O que significa “espírito”? O teólogo Charles Hodge explicou desta maneira: É impossível... superestimar a importância da verdade contida na simples afirmação: “Deus é Espírito”. O que está envolvido nessa afirmação é que Deus é imaterial. Nenhuma das propriedades da matéria pode ser atribuída a Ele. Ele não é ampliável, ou divisível, ou composto, ou visível, ou tangível. Não tem volume nem forma... Portanto, ao revelar que Deus é Espírito, a Bíblia nos revela que nenhuma característica da matéria pode ser atribuída à essência divina.'

'Quem pode compreender a Trindade? Deus é três em um e um em três — um mistério eterno. J. I. Packer escreveu: Aqui nos deparamos com a verdade mais vertiginosa e inescrutável de todas: a verdade da Trindade... O que devemos fazer com ela? A triunidade divina é, em si mesma, um mistério, um fato transcendente que está além da nossa compreensão... Como o Deus eterno pode ser eternamente singular e plural; como o Pai, o Filho e o Espírito podem ser pessoas distintas, embora sejam um em essência... isso é mais do que podemos conhecer, e qualquer tentativa de “explicar” isso — dissipando o mistério através do raciocínio, de modo diferente da confissão das Escrituras — está fadada a falsificá-lo. Aqui, como em outras partes, o nosso Deus é grande demais para as pequenas mentes de suas criaturas.'

'O que o caráter imutável de Deus significa para nós como crentes? Significa conforto. Conforme A. W. Pink destacou: Não se pode confiar na natureza humana, mas podemos confiar em Deus! Assim, por mais instável que eu possa ser, por mais inconstantes que meus amigos demonstrem ser, Deus não muda. Se Ele mudasse como nós mudamos, se quisesse uma coisa hoje e outra amanhã, se fosse controlado por caprichos, quem poderia confiar nEle? Mas todo o louvor seja dado ao Seu glorioso nome porque Ele sempre é o mesmo. Seu propósito é permanente, Sua vontade é estável, Sua palavra é garantida. Eis aqui uma rocha sobre a qual podemos firmar os nossos pés enquanto a poderosa torrente varre tudo ao nosso redor. A estabilidade do caráter de Deus garante o cumprimento de Suas promessas.'

'Sua biografia [Robert Murray M'Cheyne] passou por 116 edições com mais de meio milhão de cópias distribuídas em todo o mundo. Por quê? Uma das razões é porque o jovem Pastor escocês via Deus como Ele realmente é. Num completo contraste, muitos dos que são chamados cristãos têm apenas uma visão débil, rasa e superficial de Deus. Eles estão presos numa espécie de autoindulgência e egocentrismo, na qual veem a Deus somente em termos do que Ele pode fazer por eles. Eles deram a Deus a forma de um gênio funcional. Mas, se quisermos ver Deus como Ele realmente é — vê-Lo como Ele é revelado em Sua Palavra —, devemos entender e reconhecer este fato fundamental: o nosso Deus é santo.'

[trechos do livro "Deus: face a face com sua majestade", de John MacArthur]

05 abril 2024

11 março 2024

humanaMENTE (2024)


O ser humano pode ser reduzido apenas a átomos?

Sim, em uma das camadas da realidade que Deus criou, os seres humanos – e tudo mais o que existe neste universo – são constituídos de átomos [i]. Contudo, a cosmovisão naturalista ou materialista considera essencialmente que os seres humanos são feitos apenas de átomos, e que tudo o que o indivíduo vivencia, em termos de emoções e pensamentos, por exemplo, pode ser explicado a partir do que acontece com os seus átomos. Esta é uma visão reducionista, que é típica de quem enxerga o mundo através do naturalismo filosófico (ateísmo), e normalmente também através do evolucionismo (darwinismo).

Será que nós somos apenas átomos, combinados em moléculas, que por sua vez se organizam em estruturas bioquímicas cada vez mais complexas e em organelas celulares, e estas se estruturam em células, tecidos e órgãos, até constituir todo o organismo humano? Há uma estimativa de que um homem de 70kg tenha cerca de 7x1027 (sete octilhões: 7.000.000.000.000.000.000.000.000.000) de átomos em seu organismo, e que aproximadamente 98% destes átomos são renovados anualmente, por meio dos ciclos bioquímicos naturais dos elementos químicos (principalmente carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio), através da ingestão de alimentos sólidos e líquidos, trocas gasosas com o meio ambiente (respiração) e eliminação de dejetos.

Do ponto de vista celular, enquanto alguns tecidos, como a pele e a mucosa estomacal, são conhecidos por se regenerar com maior frequência, outros tipos de células são renovados mais lentamente. Há uma estimativa de que uma grande parte das células de um ser humano tenha apenas cerca de 10 (dez) anos de idade – ou até menos – mesmo que este indivíduo seja avançado em idade cronológica. Esta espantosa taxa de renovação ou regeneração pode, até mesmo, promover discussões filosóficas sobre a identidade do ser humano em constante renovação, como por exemplo, o paradoxo do “navio de Teseu”.

No livro “The Ultimate Proof of Creation”, Jason Lisle comenta: “Se os seres humanos são apenas acidentes químicos, porque deveríamos nos importar com o que eles fazem? Nós não ficamos contrariados quando bicarbonato de sódio reage com vinagre; isto é exatamente o que os reagentes químicos fazem. Então, por que um evolucionista ficaria contrariado com qualquer coisa que um ser humano fizesse a outro, se nós não passamos de reações químicas complexas?”

Usando um argumento similar, John Lennox, em seu livro “Gunning for God”, desenvolve o seguinte raciocínio lógico: “Depois de tudo, como o químico J.B.S. Haldane destacou, já faz algum tempo, que se os pensamentos em minha mente são apenas o movimento de átomos em meu cérebro - um mecanismo que surgiu por processos não guiados e não inteligentes, porque eu deveria acreditar em qualquer coisa que eles me dizem - incluindo o fato de que eles são feitos de átomos?”

John Lennox continua explorando esta questão da cosmovisão reducionista em seu livro “God and Stephen Hawking”, apresentando o conceito da seguinte forma: “Como Francis Crick, ele quer nos fazer crer que nós, seres humanos, não somos nada além de ‘meras coleções de partículas fundamentais da natureza’. Crick escreve: ‘Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre arbítrio, são na verdade nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas’... Uma pintura de Rembrandt não seria mais do que moléculas de tinta espalhadas em uma tela?... Afinal de contas, se o próprio conceito de verdade resulta de ‘nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas’, como, em nome da lógica, poderíamos saber que o nosso cérebro foi constituído de células nervosas?”. Estes argumentos relembram o que veio a ser conhecido como a “Dúvida de Darwin”: “...Para mim, sempre surge a dúvida horrível se as convicções da mente humana, que foi desenvolvida a partir da mente de animais inferiores, têm algum valor ou são confiáveis”.

O físico de partículas, teólogo e reverendo inglês, John Polkinghorne, descreve: “Se a tese de Crick é verdadeira, nós nunca poderíamos saber. Pois, não apenas relega nossas experiências de beleza, obrigação moral e busca religiosa, a uma sucata epifenomenológica, mas também destrói a racionalidade. O pensamento é substituído por eventos neurais eletroquímicos. Estes dois eventos não podem confrontam um ao outro em um discurso racional. Eles não estão nem certos nem errados. Eles simplesmente acontecem... As próprias afirmações do reducionista não são mais do que sinais pontuais na rede neural do seu cérebro. O mundo do discurso racional dissolve-se na conversa absurda do disparo de sinapses. Francamente, isso não pode estar certo e nenhum de nós acredita que seja assim”.

Na obra "One World: The Interaction of Science and Theology", John Polkinghorne continua a combater o reducionismo extremo da cosmovisão naturalista/materialista, apresentando uma oportuna e relevante visão da realidade em múltiplas camadas: “A realidade é uma unidade de muitas camadas. Eu posso perceber outra pessoa como um agregado de átomos, um sistema bioquímico aberto interagindo com o ambiente, um exemplar de Homo sapiens, um objeto de beleza, alguém cujas necessidades merecem meu respeito e minha compaixão, um irmão ou irmã por quem Cristo morreu. Tudo verdadeiro e tudo misteriosamente coexiste nesta pessoa. Negar um desses níveis é diminuir tanto essa pessoa quanto a mim, que a observo; é faltar com a justiça à riqueza da realidade. Parte da apologética a favor do teísmo é que em Deus, o Criador, o fundamento de tudo o que há, esses diferentes níveis encontram abrigo e segurança. Ele é a origem de toda ligação, aquele cujo ato criador reúne em uma só as visões de mundo da ciência, estética, ética e religião, como expressões de sua lógica, sua alegria, sua vontade e sua presença”.

Partindo-se de uma linha de pensamento mais próxima da filosofia, porém alinhada com os mesmos argumentos apresentados acima para o problema do reducionismo naturalista/materialista, o filósofo cristão Francis Schaeffer, em seu livro “O Deus que se revela”, defende a cosmovisão cristã da seguinte forma: “... Quando partimos de uma origem pessoal de todas as coisas, então estaremos em condições de entender a vocação do ser humano para a personalidade, como uma das explicações possíveis. Se partirmos de um nível inferior à personalidade, no final teremos que reduzir a personalidade ao impessoal. O mundo científico moderno assim procede em seu reducionismo, no qual a palavra personalidade limita-se ao caráter do impessoal, acrescido de complexidade. No mundo científico naturalista, seja da sociologia, seja da psicologia ou das ciências naturais, o ser humano é reduzido a algo impessoal, acrescido de complexidade... Lamentável geração! Os homens, feitos à imagem de Deus, com o intuito de estar em comunicação vertical com aquele que existe e que deseja lhes falar, e para ter comunicação horizontal com seres da sua própria espécie, transformaram-se a si mesmos, devido ao seu racionalismo soberbo, em seres autossuficientes, chegando a este lugar... Assim, temos três fatos simultâneos: Deus, o Deus pessoal infinito fez o universo; o homem, a quem ele fez para viver naquele universo; e a Bíblia, que ele nos deu para falar sobre o universo. Seria de se estranhar haver unidade entre estas coisas? Por que motivo deveríamos ficar surpresos?... Não é de surpreender o fato de que, se um Deus inteligível criou o universo e me colocou dentro dele, ele tenha igualmente correlacionado as categorias da minha mente, para que elas se encaixassem neste universo, simplesmente porque eu preciso viver nele. Esta é uma simples extensão lógica dos meus pontos anteriores. Se o mundo foi feito da forma como o sistema judaico-cristão afirma que foi, não deveríamos nos surpreender ao encontrar categorias mentais no homem que concordam com o universo em que ele vive”.

O teólogo e reformador cristão João Calvino, no parágrafo 20 do capítulo XIV encontrado no primeiro livro das “Institutas da Religião Cristã”, empunhou sua pena para escrever: “E assim criou o céu e a terra com a mais plena abundância de todas as coisas, pela variedade e beleza, como se tivesse ornado admiravelmente uma ampla e esplêndida morada, ao mesmo tempo mobiliada e repleta do mais excelente e copioso. Por fim, ao dar forma ao homem, tocando-o com tanto brilho, tornando-o insigne com todos e tantos dons, fez dele o espécime mais notável de suas obras”.

A cosmovisão cristã declara que o ser humano é muito mais do que apenas átomos, e a própria Escritura dignifica o ser humano como uma criação especial de Deus, como pode ser observado abaixo, em alguns exemplos de textos bíblicos:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27)

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8:3-5)

Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Is 64:8)

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4:11)

Contudo, o que poderia dignificar mais o ser humano, do que o próprio Filho do Deus vivo (Mt 16:16), o Verbo da vida (1Jo 1:1), ter assumido a natureza humana? Jesus Cristo, “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15-20), é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Entretanto, este Emanuel (Is 7:14; Mt 1:23), “Deus conosco”, não viveu neste mundo à parte do sofrimento humano, mas se compadeceu de nossas fraquezas (Hb 4:14-16), sofrendo e experimentando as provações e dores da existência humana (Is 53; 1Pe 4:1), até o ápice da sua morte na cruz do Calvário (Jo 19:17). No entanto, o túmulo de Jesus está vazio, e isto é um fato que deve preencher de esperança o coração e a alma do verdadeiro crente ou discípulo de Cristo, por causa da sua graciosa e misericordiosa obra de redenção.

J.I. Packer, em sua obra “O conhecimento de Deus”, resume bem a realidade do “Deus encarnado”, com as seguintes palavras: “O Verbo se fez carne: um bebê humano real. Ele não deixou de ser Deus; ele não era menos Deus do que antes; mas ele havia começado a ser homem. Ele não era agora Deus menos alguns elementos de sua divindade, mas Deus e mais tudo o que ele havia tornado seu ao assumir a humanidade em si mesmo. Aquele que havia feito o homem agora estava sentindo como era ser um”.

Cristo, ao nascer como um menino em uma manjedoura, também foi constituído de átomos, assim como “todas as coisas [que] foram feitas por intermédio dele[ii]. Portanto, Jesus também tinha um cérebro feito de átomos, assim como nós. Contudo, ao contrário de nós, que temos uma “humanaMENTE", Jesus Cristo – sendo também perfeitamente Deus – tem uma “divinaMENTE".

Graças a Deus por Jesus Cristo!

*Notas:

[i] A princípio, os átomos também poderiam ser subdivididos em partículas subatômicas, e esta visão reducionista poderia atingir níveis ainda mais ínfimos no âmago da matéria, a partir do que se conhece, por exemplo, no “Modelo Padrão” da física de partículas. Contudo, para os fins deste texto, iremos nos ater ao reducionismo no nível dos átomos, que geralmente é uma nomenclatura mais conhecida e melhor compreendida.

[ii] “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3).

 

Cinzenta Massa - Duro Músculo (2024)


Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento” (Mt 22:36-38).

As palavras do Senhor Jesus nestes versículos acima serviram de inspiração para a criação do acrônimo ASTSE (Ame o Senhor de Todo o Seu Entendimento), usado neste blog (astse.blogspot.com), onde tem sido publicado conteúdo apologético a mais de uma década. Nestes versículos, somos ensinados a amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, ou seja, com toda a nossa capacidade volitiva (coração: “duro músculo”) e cognitiva (cérebro: “cinzenta massa”). A palavra "entendimento" aparece na Bíblia ESV (inglês) como “mind”, e no original (grego) como "dianoia", que diz respeito ao exercício do raciocínio [i].

O Salmo 42 é um “salmo didático[ii] dos filhos de Corá, onde é possível notar nos versos 5 e 11 [iii] que o salmista – inspirado pelo Espírito Santo – didaticamente questiona a sua própria alma, perguntando: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.

Por que não poderíamos perguntar também para o nosso “duro músculo”?

Pulsa-te, duro músculo, pulsa intensamente na presença dEle;

Vira-te, duro músculo, para contemplar aquela cruz, e aquele sangue derramado por ti;

Amolece-te, duro músculo, e não resiste mais à graça e misericórdia que Ele te oferece;

Abre-te, duro músculo, e expulsa os ídolos e os tesouros que as traças corroem;

Arrepende-te, duro músculo, e direciona o teu caminho para Ele;

Entrega-te, duro músculo, e confia nEle, sem demora;

Lembra-te, duro músculo, que antes pulsava sem nenhum propósito;

Regozija-te, duro músculo, com a alegria supracircunstancial na presença dEle;

Atenta-te, duro músculo, para não te desviares nas veredas da jornada;

Fortalece-te, duro músculo, com o escudo da fé e a espada da Sua Palavra;

Encoraja-te, duro músculo, pois precisas perseverar pulsando;

Ama, sem medo, duro músculo, pois foi para isto que fostes criado!


Neste ponto do texto, pedimos gentilmente a permissão do(a) leitor(a) para nos dirigir, mais especificamente, aos cristãos que têm sido chamados para responder ao mandato cultural, servindo ao Reino de Deus no meio acadêmico/universitário. Estes irmãos ou irmãs, ao longo da sua caminhada cristã, precisam ser encorajados a colocar em prática estas verdades que aprendemos nos textos bíblicos acima, compreendendo que todos nós deveríamos submeter também o aspecto cognitivo (além do volitivo) à autoridade da Palavra Escrita (Sagradas Escrituras: Bíblia), e à autoridade da Palavra Viva, o próprio Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.

A Ele somente toda a glória, por cada avanço ou descoberta científica/tecnológica, conforme a capacidade cognitiva/racional com a qual o próprio Deus Criador nos fez, à Sua imagem e semelhança (Imago Dei, ver Gn 1:26-27). O Senhor também merece toda a glória e o louvor, pela alegria e entusiasmo que nos concede ao nos convidar para sermos “estudantes atentos” dos aspectos maravilhosos e extraordinários da Sua magnífica criação, nos mais diversos campos da ciência.

Por isso, seguindo também o exemplo do salmista, precisamos “exortar” nossa própria “cinzenta massa”:

Investiga-te, cinzenta massa, para buscar a verdade absoluta, e não a relativa;

Abre-te, cinzenta massa, com disposição para avaliar as evidências racional e livremente;

Liberta-te, cinzenta massa, dos grilhões humanistas e do cientificismo;

Atenta-te, cinzenta massa, para não dar um salto de fé no escuro, mas sim pela razão;

Entrega-te, cinzenta massa, e aceita as evidências que Ele abundantemente te apresenta;

Lembra-te, cinzenta massa, para ter humildade em reconhecer o que não compreendes;

Exercita-te, cinzenta massa, na gratidão pela graça e misericórdia que Ele derrama;

Regozija-te, cinzenta massa, através da alegria consciente na Sua providência;

Concentra-te, cinzenta massa, naquilo que está alinhado com a vontade dEle;

Fortalece-te, cinzenta massa, estudando os ensinamentos encontrados em Sua Palavra;

Encoraja-te, cinzenta massa, pois precisas perseverar vigilante durante a peregrinação;

Raciocina, sem medo, cinzenta massa, pois foi para isto que fostes criada!


Declara, cinzenta massa: Glória somente a Deus!


*Notas:

[i] Segundo dicionários bíblicos: “Quando falamos da ‘mente’ (‘mind’) de alguém, estamos na verdade falando dos pensamentos produzidos pelo seu cérebro. Os escritores do Antigo Testamento (AT) compreendiam a ‘mente’ como o ‘ser interior’ (‘inner being’) de uma pessoa – muito parecido com o coração (‘heart’) de uma pessoa. Quando os Evangelhos (NT) falam da ‘mente’ de uma pessoa, é principalmente também em conexão com o ‘coração’ desta pessoa (‘...no coração, alimentavam pensamentos…’; ver Lc 1:51)... Os escritores dos Evangelhos são unânimes em concordar que Jesus citou Dt 6:5, e acrescentou ‘de todo o teu entendimento’ à citação (Mt 22:37; Mc 12:30; Lc 10:27). Nos escritos de Paulo, entramos na compreensão da ‘mente’ no mundo grego. Paulo usou duas palavras (gregas) para a ‘mente’: ‘dianoia’, que significa ‘entendimento’, e ‘nous’, que significa ‘intelecto’. Paulo compreendia a ‘mente’ como distinta do ‘espírito’ e do ‘coração’ de uma pessoa. A ‘mente’ possui a capacidade de compreender e raciocinar (1Co 14:14-19); é a sede da inteligência.” (Holman Treasury of Key Bible Words)

[ii] maskiyl (hebraico): cântico ou poema de contemplação.

[iii] Segundo os estudiosos, trata-se de um refrão neste salmo.