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05 abril 2026

Páscoa: a suficiência do sangue do Cordeiro

"A instituição da Páscoa" (Êxodo 12)

D.A. Carson

*Transcrição e Tradução:
"Imagine dois judeus chamados Smith e Brown [nomes fictícios usados nessa ilustração de D.A. Carson] na véspera da primeira Páscoa judaica (ver Êx 12), conversando um pouco, na terra de Gósen (ver Êx 8:22; 9:26). 
- Smith diz para Brown: 'Rapaz, você não está um pouco nervoso com o que vai acontecer esta noite?'
- Brown responde: 'Bem, Deus nos disse o que fazer por meio de Seu servo Moisés. Você não precisa ficar nervoso. Você já não sacrificou o cordeiro, e ungiu os batentes (vergas ou umbrais) da porta com sangue, e não colocou o sangue na verga? Você já fez isso? Pois você já está pronto, e com tudo arrumado para ir [saída do Egito, ver Êx 12:11-12]. Vai comer a refeição completa da Páscoa com a sua família?'
- Smith responde a Brown: 'Claro que sim. Não sou estúpido. Mas ainda é bastante assustador, quando você pensa em todas as coisas que aconteceram por aqui recentemente. As moscas (quarta praga; Êx 8:20-32), e o rio se transformando em sangue (primeira praga; Êx 7:14-25). É horrível! E agora, há a ameaça de os primogênitos serem mortos. Está tudo bem para você. Você tem três filhos. Eu só tenho um. Amo o meu filho Charlie, e o anjo da morte estará passando por aqui esta noite (ver Êx 12:12-13). Eu sei o que Deus disse. Eu coloquei o sangue lá (vergas da porta), mas é bem assustador! Ficarei feliz quando esta noite terminar.'
- Brown responde: 'Que venha! Confio nas promessas de Deus!'
[D.A. Carson continua...] Naquela noite, o anjo da morte varreu a terra. Qual deles (Smith ou Brown) perdeu seu filho? E a resposta, claro, é esta: nenhum dos dois [perdeu seu primogênito] (ver Êx 12:27 e Hb 11:28). A morte não passou por eles com base na intensidade ou na clareza da sua fé, mas sim com base no sangue do Cordeiro. É isso que silencia o acusador [Satanás, ver Ap 12:10 e Zc 3:1]. O sangue silencia o 'acusador dos irmãos' [Ap 12:10], quando ele nos acusa diante de Deus. Ele [o acusador] silencia nossas consciências, quando nos acusa diretamente. Quantas vezes nos contorcemos, em agonia, perguntando se Deus pode nos amar o suficiente, se Deus pode cuidar de nós o suficiente, depois de termos feito coisas tão estúpidas, pecaminosas e rebeldes, depois de sermos cristãos por 40 anos? O que você vai dizer [diante de Deus]? 'Bem, Deus, eu me esforcei muito, sabe? Fiz o meu melhor. Foi em um momento de fraqueza [que eu pequei]'... Não, não, não, não! Não tenho outro argumento [diante de Deus]. Não preciso de outras súplicas. Basta [a verdade] que Jesus morreu, e morreu por mim! Nós o vencemos [o acusador] pelo sangue do Cordeiro. Ali está o fundamento de toda a segurança [para a salvação] humana, diante de Deus. Ali está o fundamento da nossa fé... não na garantia da intensidade da [nossa] fé, tão inconstantes que somos. Não é a intensidade da nossa fé, mas o objeto da nossa fé que salva. Eles o venceram [o acusador] pelo sangue do Cordeiro."

*Nota: transcrição automática do áudio (no vídeo) para texto com turboscribe.ai e tradução automática com google translator, com uma revisão adicional.

**Observação: caros(as) leitores(as), este é, acima de tudo, um texto de encorajamento, da parte do Senhor, para aqueles que estão vacilantes na . Eu, particularmente, me identifiquei muito mais com o personagem Smith, o irmão acanhado que demonstrou uma fé titubeante, sem intensidade, mas ainda assim, uma fé verdadeira e centrada no Senhor.

Louvado seja sempre o Senhor Jesus, Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12:2).

02 dezembro 2025

A exaustiva exaustão da existência exaurida na fadiga...


Nos gráficos da figura acima, podem ser encontradas as palavras "exhausted" [exausto], "tired" [cansado], "beaten" [derrotado], "worn" [desgastado], "collapsed" [colapsado], "tumbled" [desabado], "fatigued" [fatigado], em uma busca, ao longo do período de 1970 (década em que pessoas da nossa geração nasceram) até os dias de hoje (década de 2020), pela frequência de ocorrência destes termos, em inglês, nos livros digitalizados pelo projeto Ngram. Todas estas palavras, em inglês, trazem a ideia de alguém estar esgotado, exaurido, extenuado, exausto, estafado, gasto, colapsado, desabado, abatido, cansado, etc. Este conceito parece ser tão amplo, que precisa ser representado por várias palavras, para uma compreensão mais completa e precisa. Contudo, o que pode ser observado claramente nestes gráficos é que todas estas palavras aparecem com frequência crescente na literatura, ao longo destas últimas 5 décadas (ou meio século).
Nos discionários de etimologia, a palavra "fatigue" [fadiga] tem orígem no séc. XVII, sendo proveniente do latim "fatigare" [cansar, exaurir], mas, originalmente, do adjetivo pré-latino "fati-agos", que quer dizer "levando ao ponto de quebra". 
Encontramos a palavra fadiga algumas vezes nas Escrituras, mas chama a nossa atenção o livro de Eclesiastes:
"Pois que tem o homem de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol?" (Ec 2:22)
No ensino do Pregador (ver Ec 1:1), inspirado pelo Espírito Santo, a palavra traduzida por fadiga, no original [#Strong H7475: ra ̀yown], é a mesma palavra usada no final do verso Ec 4:16 para "correr" atrás do vento, e parece ter o mesmo significado de "vexation", em inglês, que pode ser traduzido, para o português, como aborrecimento, frustração, irritação, enfado. Estes, infelizmente, são sentimentos e comportamentos típicamente encontrados em quem está com fadiga.
 
Qual a solução?
Resposta: Não há nenhuma novidade aqui... "nada há, pois, novo debaixo do sol" (Ec 1:9b)... a única solução é a mesma de sempre... Arrepender-se, verdadeiramente, do pecado de ter "passado do ponto" e queimado "todo o combustível", de forma imprópria e desequilibrada, e voltar-se para a Cruz do Calvário, para encontrar, novamente, o perdão e o descanso apenas nAquele que é o nosso único e derradeiro descanso, não somente na Eternidade da Glória, mas atualmente, já aqui e agora, neste mundo febril, cansativo e fatigante: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mt 11:28–30)

Obrigado, Senhor, por ser nosso descanso atual e eterno! 
Suplicamos que nos ensine, por Tua Palavra e por Teu Espírito, a descarsarmos somente em Ti! 
Amém
 
----------
*Nota: é possível encontrar algumas curiosidades interessantes sobre este tema (fadiga, cansaço, etc.) na internet. Algumas valem a pena, enquanto outras não. Caro leitor, apenas tenha a certeza de usar bom senso: "[...] julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal" (1Ts 5:21–22)
- frases sobre cansaço (para colocar em perfis do IG, FB, WA, etc)

03 novembro 2025

Encorajamento em cordel






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 Prof. Marcelo Zaldini
 Na turma de missões
Há um servo dedicado
Que ensina com amor
A mensagem do livro sagrado.
Professor Marcelo Zaldini
Por Deus foi capacitado.
 
Com a Bíblia sobre a mesa
E o coração bem disposto
Mostra o caminho da fé
Revelando a todo custo.
Com palavras pra entender
Um Deus bom e justo.
 
Cada encontro é aprendizado
Cada lição, um renovar
Pois ele explica com calma
Sem pressa de acabar.
Quer ver o povo crescendo
Na graça e no estudar.
 
Fala da vida de Cristo
Do chamado pra servir
Das dores, das vitórias
Do preço de prosseguir.
Mostrando que ser discípulo
É viver e repartir.
 
Na roda dos missionários
O saber vira oração
A mente busca a verdade
Causando grande emoção.
Pois Zaldini não só ensina
Ele vive a missão.
 
Com carinho e paciência
Nos conduz à compreensão
De que o estudo das Escrituras
É alimento e direção.
E que o discipulado autêntico
Transforma o coração.
 
É mestre que dá exemplo
Com firmeza e humildade
Vive aquilo que ensina
Com muita sinceridade.
E cada aula se torna
Um culto de verdade.
 
A turma se encanta
Ao ouvir e participar
Pois a Palavra divina
Faz o povo se alegrar.
E o Espírito Santo guia
Quem deseja se entregar.
 
Que Deus abençoe a vida
Desse servo tão querido
Que segue com fé
O chamado recebido.
Professor Marcelo Zaldini
Por Cristo foi escolhido.
 
Os alunos agradecidos
Faz ao Senhor um louvor
Por ter um mestre querido
Que ensina com amor.
É um exemplo de discípulo
Do Mestre e Salvador.
 
Luiz Holanda
------------------------- 
***
Mesmo depois de alguns anos de magistério, eu nunca tinha recebido uma homenagem tão graciosa, comovente e encorajadora como esta, na forma desta bela poesia em cordel.
A única forma de responder à isso é:
Somente a Deus, toda a glória, por tudo, sempre!
Gratidão à Deus, à "turma de missões", e gratidão também a este irmão, Luiz Holanda, pela gentileza, amor fraterno e encorajamento tão gracioso. Que o Senhor continue te abençoando também, irmão Luiz, com este dom maravilhoso com as palavras. Continue usando isso para a glória dEle sempre!
Um abraço fraterno.

29 outubro 2025

Um Golias chamado Desânimo

Na vida febril deste mundo
Existe um mistério profundo 
Que é aprender a viver com contentamento
Em meio ao desânimo e ao sofrimento

Ah! Que aparente paradoxo este é
Que desafia desde o maior gigante da fé 
Até o mais miserável e franzino dos crentes
Ao ponto de pensar até em ranger os dentes
 
Na histórico relato bíblico do gigante opressor Golias
Até aquele que, em pecado, roubou a mulher de Urias
Quando jovem, encontra, no Senhor, ânimo sobrenatural
Para veementemente opor-se ao insulto do soldado do mal

Indignado ficou o jovem pastor de ovelhas
Que não suportou ouvir a afronta nas orelhas
Do gigante ímpio, que era inimigo e opositor
E que tentou humilhar o exército do Deus Criador
 
O gigante tinha a altura de seis côvados e um palmo
E, por causa disso, se arrogava de estar bem calmo
Diante de um exército de homens pequenos e minúsculos
Que não tinham nenhuma força em seus próprios músculos

O pequeno Davi, homem segundo o coração de Deus
Venceu o assustador gigante do exército dos filisteus 
Mas, não fez isso confiante em seu próprio porte
Porém, ao contrário, confiou no seu único Deus forte
 
Oh! Que aprendizado maravilhoso é este que temos
Que a Bíblia nos ensina a crer naquilo que não vemos 
Desenvolvendo a "convicção de fatos que se não vêem"
Para fortalecer a pequena fé daqueles que nEle crêem

Me permita, caro irmão ou irmã, numa tentativa de rima final
Te encorajar a olhar para Aquele que é o nosso amor definitivo
Um Deus que se fez homem para habitar neste mundo infernal
E, por nós morrer numa cruz, para ser nossa redenção e lenitivo 

Soli Deo Gloria


17 setembro 2025

C.H. Spurgeon: Manhã & Noite (17/09)

“(…) fortalece-o (…)” (Dt 1:38
'Deus utiliza o Seu povo para encorajar uns aos outros. Ele não disse a um anjo: “Gabriel, o meu servo Josué está prestes a conduzir o meu povo para Canaã; vá e encoraje-o”. Deus nunca realiza milagres desnecessários; se os Seus propósitos puderem ser alcançados por meios comuns, Ele não utilizará um expediente milagroso. Gabriel não estaria sequer metade preparado para o trabalho quanto Moisés. A simpatia de um irmão é mais preciosa que uma delegação de anjos. Um anjo, rápido de asas, conhece melhor a vontade do Mestre do que o temperamento das pessoas; um anjo nunca experimentou a dureza do caminho, nem viu serpentes ardentes [abrasadoras] (Nm 21:6), nem conduziu a multidão de dura cerviz pelo deserto, tal como Moisés havia feito. Devemos nos alegrar por Deus normalmente trabalhar para o homem por meio do homem. Isso forma um vínculo de fraternidade e, sendo mutuamente dependentes uns dos outros, ficamos mais fundidos em uma única família. Irmãos, tomem o texto como a mensagem de Deus para vocês. Trabalhem para ajudar os outros e, principalmente, se esforcem para encorajá-los. Falem com alegria ao jovem e ansioso inquiridor; com amor, tentem remover os obstáculos de seu caminho. Quando vocês encontrarem uma centelha da graça no coração, se ajoelhem e a assoprem até se tornar uma chama. Deixem o jovem crente descobrir a aspereza da caminhada aos poucos, mas digam-lhe sobre a força que habita em Deus, a certeza da promessa, e os encantos da comunhão com Cristo. Busquem consolar os tristes e animar os desanimados. Falem uma palavra oportuna ao que está cansado, e incentivem aqueles que estão com medo de seguir em seus caminhos com alegria. Deus os encoraja por Suas promessas; Cristo os encoraja quando Ele aponta para o céu que Ele conquistou para vocês; e o Espírito os encoraja enquanto Ele opera em vocês tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade (Fp 2:13). Imitem a sabedoria divina e encorajem os outros, de acordo com a palavra desta noite.'
[Devocional Manhã & Noite, trecho da noite do dia 17 de setembro

07 maio 2025

"Boa palavra ao cansado" (Is 50:4)

"O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos." (Is 50:4)

*Para as palavras destacadas no texto acima, os dicionários bíblicos trazem os seguintes significados:
eruditos: (#H3928) discípulo, ensinado, instruído.
cansado: (#H3287) fatigado, exausto, fraco, desgastado, exaurido, desfalecido.
desperta: (#H5782) agitar, despertar, acordar, incitar.

**João Calvino tem o seguinte comentário (traduzido) sobre este texto (Is 50:4):
'Deu-me a língua dos eruditos. Ele [Servo do Senhor] diz que o Senhor lhe deu uma "língua", para que as promessas com as quais ele anima o povo tenham maior peso. Nossa fé vacila, se suspeitamos que um homem [proclamando o Evangelho] fala por si mesmo; e a condição daquele povo era tão miserável que nenhum argumento humano poderia induzi-lo a alimentar a esperança de libertação. Isso se resume a que a mensagem da salvação iminente lhes é trazida do céu; e se alguém não a recebe, prova ser rebelde e desobediente. Embora essas palavras sejam literalmente intencionadas pelo Profeta [Isaías] para assegurar a crença em suas declarações, podemos inferir delas, de modo geral, que ninguém é apto para ensinar, se não tiver sido primeiro qualificado por Deus. Isso lembra a todos os professores piedosos que peçam ao Espírito de Deus o que de outra forma não poderiam possuir. Eles devem, de fato, estudar diligentemente, para não subir ao púlpito até que estejam totalmente preparados; mas devem se apegar a este princípio: todas as coisas necessárias para o desempenho de seu ofício são dons do Espírito Santo. E, de fato, se não fossem órgãos do Espírito Santo, seria extrema temeridade manifestar-se publicamente em nome de Deus.
Para que eu saiba dizer uma palavra oportuna aos cansados. Algum verbo deve ser acrescentado aqui, como "administrar" ou "proferir". A palavra "conhecer" inclui sabedoria e habilidade, que um pastor deve possuir, para que a Palavra de Deus seja fiel e proveitosamente administrada por ele; como se ele tivesse dito que foi bem instruído na escola de Deus e, portanto, sabe bem o que é adequado para aqueles que são miseráveis ​​e que gemem sob um fardo. O termo "cansado" é aplicado àqueles que são oprimidos por muitas aflições; como vimos anteriormente, "que dá força ao cansado" (Is 40:29). Assim também Cristo fala: "Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e sobrecarregados" (Mt 11:28). Ele [Servo do Senhor], portanto, quer dizer que Deus tem sido seu mestre e instrutor, para que ele possa confortar os homens miseráveis ​​com a consolação apropriada, para que, por meio dela, seus corações abatidos sejam encorajados ao sentir a misericórdia de Deus.
Daí inferimos que o dever mais importante dos ministros da Palavra é confortar os homens miseráveis, oprimidos pelas aflições, ou que se curvam sob seu peso, e, em suma, apontar o que é o verdadeiro descanso e serenidade de espírito, como vimos anteriormente (Is 33:20). Da mesma forma, somos ensinados o que cada um de nós deve buscar principalmente nas Escrituras, a saber, que possamos ser providos de doutrina apropriada e adequada para aliviar nossas aflições. Aquele que, por meio de consolação oportuna, em situações aflitivas ou mesmo desesperadoras, consegue animar e sustentar seu coração, deve saber que obteve boa proficiência no Evangelho. Reconheço que a doutrina tem, de fato, vários usos; Pois não só é útil para confortar os aflitos e fracos, mas também contém severas repreensões e ameaças contra os obstinados (2Tm 3:16) Mas Isaías mostra que o principal dever que lhe incumbe é trazer algum consolo aos judeus que, na angústia presente, estão prestes a desfalecer.'

***Matthew Henry também tem um comentário (traduzido) sobre este texto (Is 50:4):
'Nosso Senhor Jesus, tendo provado ser capaz de salvar, mostra-se aqui tão disposto quanto capaz de salvar. Supomos que o profeta Isaías diga algo sobre si mesmo nestes versículos, engajando-se e encorajando-se a prosseguir em sua obra como profeta, apesar das muitas dificuldades que enfrentou, sem duvidar que Deus o apoiaria e o fortaleceria; mas, como Davi, ele fala de si mesmo como um tipo de Cristo, que é aqui profetizado e prometido como o Salvador.
I. Como um pregador aceitável. Isaías, como profeta, era qualificado para a obra para a qual foi chamado, assim como o restante dos profetas de Deus, e outros a quem ele empregou como seus mensageiros; mas Cristo foi ungido com o Espírito, acima de seus semelhantes. Para tornar o homem de Deus perfeito, ele tem: 1. A língua dos eruditos, para saber instruir, como dizer uma palavra, a seu tempo, ao que está cansado, v. 4. Deus, que criou a boca do homem, deu a Moisés a língua dos eruditos, para falar para o terror e a convicção de Faraó, Êx 4:11-12. Ele deu a Cristo a língua dos eruditos, para falar uma palavra a seu tempo, para o conforto daqueles que estão cansados ​​e sobrecarregados sob o fardo do pecado, Mt 11:28. A graça foi derramada em seus lábios, e deles se diz que gotejam mirra de aroma agradável. Veja qual é o melhor aprendizado de um ministro: saber confortar consciências atribuladas e falar de forma pertinente, adequada e clara aos vários casos de pobres almas. A capacidade de fazer isso é um dom de Deus, e é um dos melhores dons, que devemos cobiçar fervorosamente. Descansemos nas muitas palavras consoladoras que Cristo disse aos cansados. 2. O ouvido dos eruditos, para receber instrução. Os profetas têm tanta necessidade disso quanto da língua dos eruditos; pois devem transmitir o que lhes é ensinado e nada mais; devem ouvir a palavra da boca de Deus com diligência e atenção, para que a pronunciem com exatidão, Ez 3:17. O próprio Cristo recebeu para poder dar. Ninguém deve empreender ser mestre, sem antes ter aprendido. Os apóstolos de Cristo foram primeiramente discípulos, escribas instruídos para o reino dos céus, Mt 13:52. Não basta ouvir, mas devemos ouvir como os eruditos, ouvir e compreender, ouvir e lembrar, ouvir como aqueles que aprenderiam pelo que ouvimos. Aqueles que ouviriam como os eruditos devem estar despertos e vigilantes; pois somos naturalmente sonolentos e adormecidos, e incapazes de ouvir de forma alguma, ou ouvimos pela metade, ouvimos e não prestamos atenção. Nossos ouvidos precisam ser despertados; Precisamos que algo nos seja dito para nos despertar, para nos despertar de nosso sono espiritual, para que possamos ouvir sobre nossas vidas. Precisamos ser despertados manhã após manhã, tão adequadamente quanto o dia retorna, para sermos despertados para fazer o trabalho do dia a dia. Nossa situação exige suprimentos contínuos e renovados da graça divina, para nos libertar da monotonia que contraímos diariamente. A manhã, quando nossos espíritos estão mais animados, é um momento apropriado para a comunhão com Deus; então estamos na melhor posição tanto para falar com Ele (minha voz ouvirás pela manhã) quanto para ouvi-Lo. O povo vinha cedo pela manhã para ouvir Cristo no templo (Lc 21:38), pois, ao que parece, seus sermões eram matinais. E é Deus quem nos desperta manhã após manhã. Se fazemos algo com propósito em Seu serviço, é Ele quem, como nosso Mestre, nos chama; e dormiríamos perpetuamente se Ele não nos despertasse manhã após manhã.'

****Outros comentaristas (Bíblia FSB) também trazem comentários (traduzidos) neste texto (Is 50:4):
'A língua de um pupilo (discípulo). O Servo [do Senhor] afirma ser discípulo do próprio Deus, e atribui a Deus o mérito de Sua fala erudita. O papel de um discípulo era aprender com seu mestre, e transmitir com precisão as tradições aprendidas com ele. O Servo aprende com Deus — como Israel deveria ter aprendido — e é capaz de transmitir a palavra de Deus (novamente, como Israel deveria ter aprendido).
O Servo diz que recebeu a "língua dos discípulos". O termo hebraico para eruditos [#H3928, proveniente de #H3925], que significa “aqueles que são ensinados”, também é traduzido como “discípulos” em Is 8:16. O uso mais comum desta palavra no Antigo Testamento descreve alguém que é instruído a manter o relacionamento divino-humano (Dt 4:10), e alguém que sabe viver de uma maneira que agrade a Deus (ver Is 1:17).
As alusões ao Êxodo podem continuar aqui, com uma conexão com o chamado de Moisés, que afirma ser “pesado de língua”. Javé (Yahweh) repreende Moisés, e o lembra de que pode torná-lo eloquente (Êx 4:10-12). As conexões com o Êxodo ligam a imagem messiânica das passagens sobre o Servo com a expectativa de um "profeta semelhante a Moisés" em Dt 18:15.
Os Evangelhos apresentam Jesus como um mestre erudito e eloquente, mencionando frequentemente como as multidões se maravilhavam com Seus ensinamentos (Mt 7:28-29; Mc 6:2), e se maravilhavam com o poder singular de Suas palavras (Jo 7:46).
Ajude o cansado com uma palavra. O poder da palavra do Servo [do Senhor] é comparável à renovação prometida àqueles que esperaram em Javé (Yahweh) em Is 40:31. O Servo cumpre perfeitamente o papel que Deus designou a Israel, e é aquele por quem eles esperavam para inaugurar a Sua salvação.'

11 janeiro 2025

EB13: "Encorajamento Proverbial"

Encorajamento Proverbial (Mashal)

Provérbios 3:13-18;19-26 (ARA):

13Feliz o homem que acha sabedoria,

e o homem que adquire conhecimento;

14porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata,

e melhor a sua renda do que o ouro mais fino.

15Mais preciosa é do que pérolas,

e tudo o que podes desejar não é comparável a ela.

16O alongar-se da vida está na sua mão direita,

na sua esquerda, riquezas e honra.

17Os seus caminhos são caminhos deliciosos,

e todas as suas veredas, paz.

18É árvore de vida para os que a alcançam,

e felizes são todos os que a retêm.

19O Senhor com sabedoria fundou a terra,

com inteligência estabeleceu os céus.

20Pelo seu conhecimento os abismos se rompem,

e as nuvens destilam orvalho.

21Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos;

guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;

22porque serão vida para a tua alma

e adorno ao teu pescoço.

23Então, andarás seguro no teu caminho,

e não tropeçará o teu pé.

24Quando te deitares, não temerás;

deitar-te-ás, e o teu sono será suave.

25Não temas o pavor repentino,

nem a arremetida dos perversos, quando vier.

26Porque o Senhor será a tua segurança

e guardará os teus pés de serem presos.

Perguntas retóricas:

- Caro irmão ou irmã, você se sente desencorajado ou desencorajada?

- Caro irmão, cara irmã, onde você tem buscado encorajamento? Tem sido na Palavra de Deus (Bíblia), e no próprio Senhor, a “Palavra Viva”?

***Nas palavras de Samuel Rutherford:***

"Todos os dias podemos ver algo novo em Cristo. Seu amor não tem borda nem fundo. Em nossas variações de sentimento, é bom lembrar que Jesus não admite nenhuma mudança em Seus afetos; o [nosso] coração não é a bússola pela qual Jesus navega."

O Livro de Provérbios (Mashal)

[The Exhaustive Dictionary of Bible Names]

- Mashal (ma’-shal): oração; súplica; (roots = [1] similitude; sentença; oração; [2] governar; tornar-se semelhante; falar em provérbios). Uma parábola; alguém que fala em parábolas.

[Holman Illustrated Bible Dictionary]

- Mashal (Māʹ shăl): 1. Cidade no território tribal de Aser, mais tarde atribuída aos levitas (1Cr 6:74). Em Js 19:26;21:30, o nome aparece como Misheal (KJV) ou Mishal (traduções modernas). 2. Termo técnico hebraico para provérbio, parábola, símile (paralelo).

- “Livro de Provérbios”: contém a essência da sabedoria de Israel. Fornece uma visão de mundo [cosmovisão] piedosa, e oferece insights [percepção, discernimento, perspicácia] para a vida. Pv 1:7 fornece a perspectiva para entender todos os provérbios: “O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. O “temor do SENHOR” é uma abreviação bíblica para uma vida inteira em amor, adoração e obediência a Deus.

*O Livro de Provérbios pode ser melhor compreendido como uma “coleção de coleções”, que cresceu ao longo do tempo, em sua variedade de conteúdo e títulos. Esses títulos introduzem as principais subcoleções do livro, e são encontrados em 1:1; 10:1; 22:17 (“palavras dos sábios”); 24:23; 25:1; 30:1; 31:1. Para datação, 25:1 coloca a cópia ou edição dos capítulos 25–29 na corte do rei Ezequias, portanto, cerca de 700 a.C., cerca de 250 anos depois de Salomão. O processo de compilação provavelmente se estendeu até o período pós-exílico.

*Caráter Literário e Formas: O livro de Provérbios usa uma variedade de formas ou gêneros de sabedoria. A palavra hebraica para provérbio (mashal), encontrada no título do livro [“Provérbios de Salomão, filho de Davi, o rei de Israel” (Pv 1:1)], pode se referir a uma variedade de formas literárias além do provérbio: “discurso” profético (Nm 23:7,18), “alegoria” (Ez 17:2; 24:3), “canção de provocação/escárnio” (Mq 2:4).

*Diferentes seções do livro se especializam em formas características:

- “Instruções”: longos poemas de sabedoria (1:8 - 9:18).

- “Ditos”: expressam brevemente (tipicam. 2 linhas) percepções sábias sobre a realidade (10:1 - 22:16; 25:1 - 29:27). Esses ditos podem simplesmente “dizer como as coisas são”, e deixar que os leitores tirem suas próprias conclusões (11:24; 17:27–28; 18:16). Eles também podem fazer julgamentos de valor claros (10:17; 14:31; 15:33; 19:17). A maioria dos “ditos antitéticos”, que contrastam opostos, aparecem em 10:1 - 15:33, mas estão misturados alguns ditos “melhor [isso]... do que [aquilo]” (16:8, 19; 17:1; 19:1; 21:9; 25:24; 27:5, 10b; 28:6).

- “Admoestações”: Essas formas curtas de sabedoria contêm imperativos ou proibições, geralmente seguidas por uma cláusula de motivo que dá uma ou duas razões para a admoestação (22:17–24:22).

 

[Biblical Commentary of Proverbs of Solomon, F. Delitzsch. Transl. german: M.G. Easton]

* Antigo Livro de Provérbios (1-24). Título Externo (1:1-6); Lema do Livro (1:7).

* Discurso Mashal Introdutório (IMD):

- 1º IMD (1:8-19): Advertência contra a Comunhão com aqueles que Pecam contra a Vida e a Propriedade do Próximo.

- 2º IMD (1:20-ff): Discurso de Sabedoria para Seus Desprezadores.

- 3º IMD (2): Sincero Esforço por Sabedoria, como Caminho para o Temor a Deus e para a Virtude.

- 4º IMD (3:1-18): Exortação: Amor, Fidelidade e Devoção Abnegada a Deus, como Verdadeira Sabedoria.

- 5º IMD (3:19-26): A Sabedoria Criativa do Mundo, como Mediadora da Proteção Divina.

- 6º IMD (3:27-35): Exortação à Benevolência e Retidão.

- 7º IMD (4:1-5:6): Lembranças da Casa de Seu Pai.

- 8º IMD (5:7-23): Advertência contra o Adultério, e Recomendação ao Casamento.

- 9º IMD (6:1-5): Advertência contra Fiança irrefletida [impensada].

- 10º IMD (6:6-11): Chamado ao Preguiçoso para Despertar.

- 11º IMD (6:12-19): Advertência contra Engano e Malícia.

- 12º IMD (6:20-ff): Advertência contra Adultério, e por referência, também às suas Terríveis Consequências.

- 13º IMD (7): Advertência contra Adultério: Representação - sua Natureza Abominável e Detestável - Exemplo.

- 14º IMD (8): Discurso de Sabedoria, a respeito de Sua Excelência e de Seus Dons.

- 15º IMD (9): Convite Duplo: da Sabedoria e da Sua Rival (Loucura).

* 1ª Coleção de Provérbios Salomônicos (10:1-22:16).

* 1º Apêndice da 1ª Coleção de Provérbios Salomônicos (22:17-24:22).

* 2ª Coleção de Provérbios Salomônicos (25-29): coletados pelos Homens de Ezequias.

* 1º Apêndice da 2ª Coleção de Provérbios Salomônicos (30).

* 2º Apêndice da 2ª Coleção de Provérbios Salomônicos (31:1-9).

* 3º Apêndice da 2ª Coleção de Provérbios Salomônicos (31:10-31).

[Commentary on the Old Testament]

- Discurso Mashal Introdutório (“ IMD” - Pv 3:19–26):

A Sabedoria Criativa do Mundo, como Mediadora da Proteção Divina

Ó filho, guarda-te dos sedutores (Pv 1:8ss.); ouve a voz de advertência da Sabedoria (Pv 1:20ss.); busca a Sabedoria: ela é o caminho para Deus, vem de Deus e te ensina a evitar o caminho mau, e a andar no caminho que é bom (Pv 2); tu a obterás se, renunciando à autoconfiança, te entregares sem reservas a Deus (Pv 3:1–18) — estes são os quatro passos, até agora, desta παραίνεσις [parainesis] introdutória. Cada discurso contribui, por si próprio, para apresentar vivida e notavelmente o que é a Sabedoria, e o que ela provê, sua natureza e suas bênçãos. De sua mão vêm todas as boas dádivas de Deus aos homens. Ela é a árvore da vida. Seu lugar entre Deus e os homens é, portanto, o de uma ‘mediatrix’ [mediadora, intercessora].”

[The Lexham Analytical Lexicon of the Septuagint]

- parainesis: conforto; conselho; encorajamento (“proverbial”).

Usado em “The Wisdom of Solomon” (Wis 8:9), LXX (Septuaginta):

[The Holy Bible: New Revised Standard Version]

Wisdom Indispensible to Rulers [Autoridades]

Therefore I determined to take her to live with me, knowing that she would give me good counsel and encouragement [parainesis] in cares and grief.”

“Portanto, decidi levá-la para viver comigo, sabendo que **ela** me daria bons conselhos e encorajamento [parainesis] em minhas preocupações e tristezas.”

**ela**, neste contexto, está se referindo à Sabedoria (“Wisdom”).

 

APLICAÇÕES FINAIS:

<#1> “TRANSMITA GRAÇA AOS QUE OUVEM” (ENCORAJAMENTO) à “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.” (Ef 4:29)

<#2> “ALEGRA-VOS” (ENCORAJAMENTO) à Filipenses 4

1Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor.

Apelo de Paulo para Evódia e Síntique. Regozijo e oração

2Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor.3A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida.4Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.5Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.6Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.7E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

O “em que pensar”

8Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.9O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.

10 Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor...

<#3> ORAÇÃO (ENCORAJAMENTO) à Anselmo de Cantuária:

[‘Saint Anselm and His Biographer’, Richard W. Southern, Cambridge, 1963]

Venha agora, homenzinho, deixe de lado o seu negócio por um momento, refugie-se um pouco de seus pensamentos tumultuados; livre-se de seus cuidados e deixe que suas distrações oprimentes esperem. Tenha algum tempo livre para Deus; descanse um pouco nEle. Entre no aposento de sua mente; ponha tudo para fora, exceto Deus e tudo aquilo que o ajuda a buscá-lo; feche a porta e o busque. Diga a Deus agora com todo o seu coração: ‘Eu busco Tua face, ó Senhor, Tua face eu busco realmente’.

SDG

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 Mensagem:

"Encorajamento Proverbial"

PIBREP - 05/01/2025


24 fevereiro 2024

Miraculina (2024)


 “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca.” (Sl 119:103)

Synsepalum dulcificum é o nome científico de uma curiosa planta originária da África tropical, de onde pode ser colhida uma fruta avermelhada – quando madura – popularmente conhecida como fruta-do-milagre. O nome desta fruta é proveniente de sua peculiar capacidade de alterar a percepção gustativa (paladar), transformando sabores amargos ou ácidos (azedos), em doces [i]. Por causa desta extraordinária capacidade, uma glicoproteína [ii] encontrada nesta fruta – e identificada como responsável por este fenômeno gustativo – foi denominada de miraculina [iii].
Devido ao potencial uso desta planta – ou da substância química miraculina – na indústria alimentícia [iv], por exemplo como adoçante [v], existem pesquisadores ao redor do mundo tentando obter a miraculina sinteticamente, ou através de modificações genéticas em outras plantas [vi]. É importante alertar que, embora a fruta-do-milagre apresente várias propriedades terapêuticas, ela precisa ser consumida com cautela, por causa de efeitos adversos (colaterais) que ela pode apresentar. 
Apesar destes maravilhosos aspectos químicos da miraculina, gostaríamos de chamar a atenção para outro aspecto desta extraordinária realidade, principalmente por causa do curioso e compreensível nome que esta molécula recebeu.
Imagine como seria conveniente ter uma fruta-milagrosa, que pudesse ser consumida toda vez que alguma experiência gustativa, tátil, olfativa, visual ou sonora (os 5 sentidos humanos) fosse para nós potencialmente desagradável, transformando-a “miraculosamente” em uma aventura bem-sucedida e extremamente prazerosa [vii]. E porque não estender essa hipotética perspectiva de “alteração da percepção” também para experiências emocionais? Não seria interessante ter uma fruta-milagrosa que pudesse nos livrar de qualquer fato ou acontecimento desagradável ou indesejável? Normalmente, a espera por uma “solução milagrosa” – como descrita neste contexto – que possa nos livrar de qualquer 
mazela existencial, é tipicamente frustrante.
Vamos lembrar que foi pela desobediência de nossos “primeiros pais” – Adão e Eva – que o pecado original entrou no mundo recentemente criado, e que antes era “muito bom” segundo o seu próprio Criador (Gn 1:31). O paralelo curioso com o tema deste texto é que esta primeira desobediência – descrita no relato histórico e literal do capítulo 3 de Gênesis – aconteceu por meio do consumo proibido do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal” (ver Gn 2:15-17). 
Onde está a verdadeira “doçura”?
A verdadeira “doçura” está revelada nas Escrituras, com diversos trechos repletos de referências à termos como “doce”, “favos de mel” e outros correlacionados:
 “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.” (Pv 16:24)
A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.” (Pv 27:7)
O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.” (Sl 19:9-10)
Na revelação concedida pelo Senhor ao apóstolo João, particularmente no capítulo 10 do livro de Apocalipse, há um trecho que se assemelha muito à experiência de transformação gustativa (amargo em doce) que a miraculina pode proporcionar:
Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel. Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo.” (Ap 10:9-10) [viii]
Se estamos procurando pela “solução milagrosa” definitiva em nossas vidas, poderíamos dizer que – sem sobra de dúvida – é a salvação manifesta e garantida pela obra sobrenatural de um Deus Criador, que também é Redentor... Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo! O mesmo Cristo que, na Gólgota (Calvário), recusou-se a beber o “vinho com mirra” (Mc 15:22-24) que lhe foi oferecido como uma bebida amarga (mirra) e narcótica (analgésica) – não por misericórdia dos soldados romanos, mas apenas para que o condenado à vergonha e à humilhação da crucificação pudesse suportar por mais tempo aquele espetáculo público horrendo e degradante [ix]. O único cálice que Cristo tomou plenamente foi o da ira de Deus (Mt 26:42; Mc 14:36; Lc 22:42; Jo 18:11)... e ele fez isto em nosso lugar!
Caro irmão ou irmã em Cristo, continue “saboreando” a jornada cristã, em cada circunstância ou oportunidade que nos aguarda diariamente, sejam “sabores” azedos, amargos ou doces... O Deus da nossa salvação – ao qual servimos e adoramos – conhece bem as nossas dificuldades e tribulações, e está presente para nos ajudar a atravessar momentos difíceis (ex.: Êx 3:7; Js 1:9; Sl 56:8; Sl 119:50; Sl 126:5-6; Jr 29:11-14; Jo 16:33; Rm 8:28; 2Co 12:9-10; Fp 4:13).
A verdadeira fruta-milagrosa da vida cristã é a fé (Hb 12:1-2), amparada pelo poder do Espírito Santo de Deus, que altera a nossa percepção como “novas criaturas” (2Co 5:17), transformando experiências realmente ou potencialmente desagradáveis (“amargas” ou “azedas”), em momentos de aprendizado e crescimento espiritual, produzindo o “doce sabor” que somente a Palavra de Deus pode trazer à nossa alma (Sl 119:103).
Louvado seja o Glorioso Gênio da química, criador da miraculina!

 *Notas:
[i] Frequentemente se encontra relatos de pessoas que, após consumirem a fruta-do-milagre, tomaram suco de limão e perceberem apenas sabores doces.
[ii] O artigo original “Taste-Modifying Protein from Miracle Fruit” (Science, 1968) pode ser encontrado em: https://doi.org/10.1126/science.161.3847.1241
[iii] A estrutura molecular predita para a miraculina pode ser observada em: https://www.rcsb.org/structure/AF_AFP13087F1
[iv]Miraculin-based sweeteners in the protein-engineering era: an alternative for developing more efficient and safer products” (2023): https://doi.org/10.1080/07391102.2023.2262589
[v]Synsepalum” significa “com uma cobertura doce”, e “dulcificum” significa “adoçante”.
[vi]Production of Recombinant Miraculin Using Transgenic Tomatoes in a Closed Cultivation System” (2010): https://doi.org/10.1021/jf100414v
[vii] Hedonismo é a “dedicação ao prazer como estilo de vida”, ou as “doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo”.
[viii] O comentário de R.C. Sproul (“The Reformation Study Bible - ESV”) em Ap 10:9 é o seguinte: “O conteúdo do livro [Apocalipse] contém notícias de julgamento e sofrimento [“será amargo ao teu estômago”], segundo o padrão de Ez 2:8 – 3:3”.
[ix] Para mais detalhes sobre o sofrimento infringido ao nosso Senhor: https://astse.blogspot.com/2022/05/palestra-sobre-morte-fisica-do-senhor.html
[x] Link para o livro “O Glorioso Gênio da química”: https://www.amazon.com.br/dp/B09T3HR628