Print Friendly and PDF
Mostrando postagens com marcador fé e ciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fé e ciência. Mostrar todas as postagens

05 novembro 2024

Livro: "Deus: face a face com Sua majestade"

'Algumas pessoas querem provar a existência de Deus através da Ciência. Por mais valiosa que a Ciência seja, ela tem seus limites. Paul Little destacou: Pode-se dizer, com a mesma ênfase, que não se pode “provar” a existência de Napoleão pelo método científico. A razão disso reside na natureza da própria história e nas limitações do método científico. A fim de que algo seja “provado” pelo método científico, ele deve ser repetido. Ninguém pode anunciar uma nova descoberta para o mundo com base num único experimento. Mas a história, por sua própria natureza, não é algo que possa ser repetido. Nenhum homem pode “reprisar” o início do universo ou trazer Napoleão de volta ou repetir o assassinato de Lincoln ou a crucificação de Jesus Cristo. Mas o fato de que esses acontecimentos não possam ser “provados” pela repetição não desmente sua veracidade como acontecimentos.'

'Jesus declarou: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). O que significa “espírito”? O teólogo Charles Hodge explicou desta maneira: É impossível... superestimar a importância da verdade contida na simples afirmação: “Deus é Espírito”. O que está envolvido nessa afirmação é que Deus é imaterial. Nenhuma das propriedades da matéria pode ser atribuída a Ele. Ele não é ampliável, ou divisível, ou composto, ou visível, ou tangível. Não tem volume nem forma... Portanto, ao revelar que Deus é Espírito, a Bíblia nos revela que nenhuma característica da matéria pode ser atribuída à essência divina.'

'Quem pode compreender a Trindade? Deus é três em um e um em três — um mistério eterno. J. I. Packer escreveu: Aqui nos deparamos com a verdade mais vertiginosa e inescrutável de todas: a verdade da Trindade... O que devemos fazer com ela? A triunidade divina é, em si mesma, um mistério, um fato transcendente que está além da nossa compreensão... Como o Deus eterno pode ser eternamente singular e plural; como o Pai, o Filho e o Espírito podem ser pessoas distintas, embora sejam um em essência... isso é mais do que podemos conhecer, e qualquer tentativa de “explicar” isso — dissipando o mistério através do raciocínio, de modo diferente da confissão das Escrituras — está fadada a falsificá-lo. Aqui, como em outras partes, o nosso Deus é grande demais para as pequenas mentes de suas criaturas.'

'O que o caráter imutável de Deus significa para nós como crentes? Significa conforto. Conforme A. W. Pink destacou: Não se pode confiar na natureza humana, mas podemos confiar em Deus! Assim, por mais instável que eu possa ser, por mais inconstantes que meus amigos demonstrem ser, Deus não muda. Se Ele mudasse como nós mudamos, se quisesse uma coisa hoje e outra amanhã, se fosse controlado por caprichos, quem poderia confiar nEle? Mas todo o louvor seja dado ao Seu glorioso nome porque Ele sempre é o mesmo. Seu propósito é permanente, Sua vontade é estável, Sua palavra é garantida. Eis aqui uma rocha sobre a qual podemos firmar os nossos pés enquanto a poderosa torrente varre tudo ao nosso redor. A estabilidade do caráter de Deus garante o cumprimento de Suas promessas.'

'Sua biografia [Robert Murray M'Cheyne] passou por 116 edições com mais de meio milhão de cópias distribuídas em todo o mundo. Por quê? Uma das razões é porque o jovem Pastor escocês via Deus como Ele realmente é. Num completo contraste, muitos dos que são chamados cristãos têm apenas uma visão débil, rasa e superficial de Deus. Eles estão presos numa espécie de autoindulgência e egocentrismo, na qual veem a Deus somente em termos do que Ele pode fazer por eles. Eles deram a Deus a forma de um gênio funcional. Mas, se quisermos ver Deus como Ele realmente é — vê-Lo como Ele é revelado em Sua Palavra —, devemos entender e reconhecer este fato fundamental: o nosso Deus é santo.'

[trechos do livro "Deus: face a face com sua majestade", de John MacArthur]

11 março 2024

humanaMENTE (2024)


O ser humano pode ser reduzido apenas a átomos?

Sim, em uma das camadas da realidade que Deus criou, os seres humanos – e tudo mais o que existe neste universo – são constituídos de átomos [i]. Contudo, a cosmovisão naturalista ou materialista considera essencialmente que os seres humanos são feitos apenas de átomos, e que tudo o que o indivíduo vivencia, em termos de emoções e pensamentos, por exemplo, pode ser explicado a partir do que acontece com os seus átomos. Esta é uma visão reducionista, que é típica de quem enxerga o mundo através do naturalismo filosófico (ateísmo), e normalmente também através do evolucionismo (darwinismo).

Será que nós somos apenas átomos, combinados em moléculas, que por sua vez se organizam em estruturas bioquímicas cada vez mais complexas e em organelas celulares, e estas se estruturam em células, tecidos e órgãos, até constituir todo o organismo humano? Há uma estimativa de que um homem de 70kg tenha cerca de 7x1027 (sete octilhões: 7.000.000.000.000.000.000.000.000.000) de átomos em seu organismo, e que aproximadamente 98% destes átomos são renovados anualmente, por meio dos ciclos bioquímicos naturais dos elementos químicos (principalmente carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio), através da ingestão de alimentos sólidos e líquidos, trocas gasosas com o meio ambiente (respiração) e eliminação de dejetos.

Do ponto de vista celular, enquanto alguns tecidos, como a pele e a mucosa estomacal, são conhecidos por se regenerar com maior frequência, outros tipos de células são renovados mais lentamente. Há uma estimativa de que uma grande parte das células de um ser humano tenha apenas cerca de 10 (dez) anos de idade – ou até menos – mesmo que este indivíduo seja avançado em idade cronológica. Esta espantosa taxa de renovação ou regeneração pode, até mesmo, promover discussões filosóficas sobre a identidade do ser humano em constante renovação, como por exemplo, o paradoxo do “navio de Teseu”.

No livro “The Ultimate Proof of Creation”, Jason Lisle comenta: “Se os seres humanos são apenas acidentes químicos, porque deveríamos nos importar com o que eles fazem? Nós não ficamos contrariados quando bicarbonato de sódio reage com vinagre; isto é exatamente o que os reagentes químicos fazem. Então, por que um evolucionista ficaria contrariado com qualquer coisa que um ser humano fizesse a outro, se nós não passamos de reações químicas complexas?”

Usando um argumento similar, John Lennox, em seu livro “Gunning for God”, desenvolve o seguinte raciocínio lógico: “Depois de tudo, como o químico J.B.S. Haldane destacou, já faz algum tempo, que se os pensamentos em minha mente são apenas o movimento de átomos em meu cérebro - um mecanismo que surgiu por processos não guiados e não inteligentes, porque eu deveria acreditar em qualquer coisa que eles me dizem - incluindo o fato de que eles são feitos de átomos?”

John Lennox continua explorando esta questão da cosmovisão reducionista em seu livro “God and Stephen Hawking”, apresentando o conceito da seguinte forma: “Como Francis Crick, ele quer nos fazer crer que nós, seres humanos, não somos nada além de ‘meras coleções de partículas fundamentais da natureza’. Crick escreve: ‘Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre arbítrio, são na verdade nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas’... Uma pintura de Rembrandt não seria mais do que moléculas de tinta espalhadas em uma tela?... Afinal de contas, se o próprio conceito de verdade resulta de ‘nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas’, como, em nome da lógica, poderíamos saber que o nosso cérebro foi constituído de células nervosas?”. Estes argumentos relembram o que veio a ser conhecido como a “Dúvida de Darwin”: “...Para mim, sempre surge a dúvida horrível se as convicções da mente humana, que foi desenvolvida a partir da mente de animais inferiores, têm algum valor ou são confiáveis”.

O físico de partículas, teólogo e reverendo inglês, John Polkinghorne, descreve: “Se a tese de Crick é verdadeira, nós nunca poderíamos saber. Pois, não apenas relega nossas experiências de beleza, obrigação moral e busca religiosa, a uma sucata epifenomenológica, mas também destrói a racionalidade. O pensamento é substituído por eventos neurais eletroquímicos. Estes dois eventos não podem confrontam um ao outro em um discurso racional. Eles não estão nem certos nem errados. Eles simplesmente acontecem... As próprias afirmações do reducionista não são mais do que sinais pontuais na rede neural do seu cérebro. O mundo do discurso racional dissolve-se na conversa absurda do disparo de sinapses. Francamente, isso não pode estar certo e nenhum de nós acredita que seja assim”.

Na obra "One World: The Interaction of Science and Theology", John Polkinghorne continua a combater o reducionismo extremo da cosmovisão naturalista/materialista, apresentando uma oportuna e relevante visão da realidade em múltiplas camadas: “A realidade é uma unidade de muitas camadas. Eu posso perceber outra pessoa como um agregado de átomos, um sistema bioquímico aberto interagindo com o ambiente, um exemplar de Homo sapiens, um objeto de beleza, alguém cujas necessidades merecem meu respeito e minha compaixão, um irmão ou irmã por quem Cristo morreu. Tudo verdadeiro e tudo misteriosamente coexiste nesta pessoa. Negar um desses níveis é diminuir tanto essa pessoa quanto a mim, que a observo; é faltar com a justiça à riqueza da realidade. Parte da apologética a favor do teísmo é que em Deus, o Criador, o fundamento de tudo o que há, esses diferentes níveis encontram abrigo e segurança. Ele é a origem de toda ligação, aquele cujo ato criador reúne em uma só as visões de mundo da ciência, estética, ética e religião, como expressões de sua lógica, sua alegria, sua vontade e sua presença”.

Partindo-se de uma linha de pensamento mais próxima da filosofia, porém alinhada com os mesmos argumentos apresentados acima para o problema do reducionismo naturalista/materialista, o filósofo cristão Francis Schaeffer, em seu livro “O Deus que se revela”, defende a cosmovisão cristã da seguinte forma: “... Quando partimos de uma origem pessoal de todas as coisas, então estaremos em condições de entender a vocação do ser humano para a personalidade, como uma das explicações possíveis. Se partirmos de um nível inferior à personalidade, no final teremos que reduzir a personalidade ao impessoal. O mundo científico moderno assim procede em seu reducionismo, no qual a palavra personalidade limita-se ao caráter do impessoal, acrescido de complexidade. No mundo científico naturalista, seja da sociologia, seja da psicologia ou das ciências naturais, o ser humano é reduzido a algo impessoal, acrescido de complexidade... Lamentável geração! Os homens, feitos à imagem de Deus, com o intuito de estar em comunicação vertical com aquele que existe e que deseja lhes falar, e para ter comunicação horizontal com seres da sua própria espécie, transformaram-se a si mesmos, devido ao seu racionalismo soberbo, em seres autossuficientes, chegando a este lugar... Assim, temos três fatos simultâneos: Deus, o Deus pessoal infinito fez o universo; o homem, a quem ele fez para viver naquele universo; e a Bíblia, que ele nos deu para falar sobre o universo. Seria de se estranhar haver unidade entre estas coisas? Por que motivo deveríamos ficar surpresos?... Não é de surpreender o fato de que, se um Deus inteligível criou o universo e me colocou dentro dele, ele tenha igualmente correlacionado as categorias da minha mente, para que elas se encaixassem neste universo, simplesmente porque eu preciso viver nele. Esta é uma simples extensão lógica dos meus pontos anteriores. Se o mundo foi feito da forma como o sistema judaico-cristão afirma que foi, não deveríamos nos surpreender ao encontrar categorias mentais no homem que concordam com o universo em que ele vive”.

O teólogo e reformador cristão João Calvino, no parágrafo 20 do capítulo XIV encontrado no primeiro livro das “Institutas da Religião Cristã”, empunhou sua pena para escrever: “E assim criou o céu e a terra com a mais plena abundância de todas as coisas, pela variedade e beleza, como se tivesse ornado admiravelmente uma ampla e esplêndida morada, ao mesmo tempo mobiliada e repleta do mais excelente e copioso. Por fim, ao dar forma ao homem, tocando-o com tanto brilho, tornando-o insigne com todos e tantos dons, fez dele o espécime mais notável de suas obras”.

A cosmovisão cristã declara que o ser humano é muito mais do que apenas átomos, e a própria Escritura dignifica o ser humano como uma criação especial de Deus, como pode ser observado abaixo, em alguns exemplos de textos bíblicos:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27)

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8:3-5)

Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Is 64:8)

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4:11)

Contudo, o que poderia dignificar mais o ser humano, do que o próprio Filho do Deus vivo (Mt 16:16), o Verbo da vida (1Jo 1:1), ter assumido a natureza humana? Jesus Cristo, “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15-20), é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Entretanto, este Emanuel (Is 7:14; Mt 1:23), “Deus conosco”, não viveu neste mundo à parte do sofrimento humano, mas se compadeceu de nossas fraquezas (Hb 4:14-16), sofrendo e experimentando as provações e dores da existência humana (Is 53; 1Pe 4:1), até o ápice da sua morte na cruz do Calvário (Jo 19:17). No entanto, o túmulo de Jesus está vazio, e isto é um fato que deve preencher de esperança o coração e a alma do verdadeiro crente ou discípulo de Cristo, por causa da sua graciosa e misericordiosa obra de redenção.

J.I. Packer, em sua obra “O conhecimento de Deus”, resume bem a realidade do “Deus encarnado”, com as seguintes palavras: “O Verbo se fez carne: um bebê humano real. Ele não deixou de ser Deus; ele não era menos Deus do que antes; mas ele havia começado a ser homem. Ele não era agora Deus menos alguns elementos de sua divindade, mas Deus e mais tudo o que ele havia tornado seu ao assumir a humanidade em si mesmo. Aquele que havia feito o homem agora estava sentindo como era ser um”.

Cristo, ao nascer como um menino em uma manjedoura, também foi constituído de átomos, assim como “todas as coisas [que] foram feitas por intermédio dele[ii]. Portanto, Jesus também tinha um cérebro feito de átomos, assim como nós. Contudo, ao contrário de nós, que temos uma “humanaMENTE", Jesus Cristo – sendo também perfeitamente Deus – tem uma “divinaMENTE".

Graças a Deus por Jesus Cristo!

*Notas:

[i] A princípio, os átomos também poderiam ser subdivididos em partículas subatômicas, e esta visão reducionista poderia atingir níveis ainda mais ínfimos no âmago da matéria, a partir do que se conhece, por exemplo, no “Modelo Padrão” da física de partículas. Contudo, para os fins deste texto, iremos nos ater ao reducionismo no nível dos átomos, que geralmente é uma nomenclatura mais conhecida e melhor compreendida.

[ii] “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3).

 

Cinzenta Massa - Duro Músculo (2024)


Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento” (Mt 22:36-38).

As palavras do Senhor Jesus nestes versículos acima serviram de inspiração para a criação do acrônimo ASTSE (Ame o Senhor de Todo o Seu Entendimento), usado neste blog (astse.blogspot.com), onde tem sido publicado conteúdo apologético a mais de uma década. Nestes versículos, somos ensinados a amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, ou seja, com toda a nossa capacidade volitiva (coração: “duro músculo”) e cognitiva (cérebro: “cinzenta massa”). A palavra "entendimento" aparece na Bíblia ESV (inglês) como “mind”, e no original (grego) como "dianoia", que diz respeito ao exercício do raciocínio [i].

O Salmo 42 é um “salmo didático[ii] dos filhos de Corá, onde é possível notar nos versos 5 e 11 [iii] que o salmista – inspirado pelo Espírito Santo – didaticamente questiona a sua própria alma, perguntando: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.

Por que não poderíamos perguntar também para o nosso “duro músculo”?

Pulsa-te, duro músculo, pulsa intensamente na presença dEle;

Vira-te, duro músculo, para contemplar aquela cruz, e aquele sangue derramado por ti;

Amolece-te, duro músculo, e não resiste mais à graça e misericórdia que Ele te oferece;

Abre-te, duro músculo, e expulsa os ídolos e os tesouros que as traças corroem;

Arrepende-te, duro músculo, e direciona o teu caminho para Ele;

Entrega-te, duro músculo, e confia nEle, sem demora;

Lembra-te, duro músculo, que antes pulsava sem nenhum propósito;

Regozija-te, duro músculo, com a alegria supracircunstancial na presença dEle;

Atenta-te, duro músculo, para não te desviares nas veredas da jornada;

Fortalece-te, duro músculo, com o escudo da fé e a espada da Sua Palavra;

Encoraja-te, duro músculo, pois precisas perseverar pulsando;

Ama, sem medo, duro músculo, pois foi para isto que fostes criado!


Neste ponto do texto, pedimos gentilmente a permissão do(a) leitor(a) para nos dirigir, mais especificamente, aos cristãos que têm sido chamados para responder ao mandato cultural, servindo ao Reino de Deus no meio acadêmico/universitário. Estes irmãos ou irmãs, ao longo da sua caminhada cristã, precisam ser encorajados a colocar em prática estas verdades que aprendemos nos textos bíblicos acima, compreendendo que todos nós deveríamos submeter também o aspecto cognitivo (além do volitivo) à autoridade da Palavra Escrita (Sagradas Escrituras: Bíblia), e à autoridade da Palavra Viva, o próprio Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.

A Ele somente toda a glória, por cada avanço ou descoberta científica/tecnológica, conforme a capacidade cognitiva/racional com a qual o próprio Deus Criador nos fez, à Sua imagem e semelhança (Imago Dei, ver Gn 1:26-27). O Senhor também merece toda a glória e o louvor, pela alegria e entusiasmo que nos concede ao nos convidar para sermos “estudantes atentos” dos aspectos maravilhosos e extraordinários da Sua magnífica criação, nos mais diversos campos da ciência.

Por isso, seguindo também o exemplo do salmista, precisamos “exortar” nossa própria “cinzenta massa”:

Investiga-te, cinzenta massa, para buscar a verdade absoluta, e não a relativa;

Abre-te, cinzenta massa, com disposição para avaliar as evidências racional e livremente;

Liberta-te, cinzenta massa, dos grilhões humanistas e do cientificismo;

Atenta-te, cinzenta massa, para não dar um salto de fé no escuro, mas sim pela razão;

Entrega-te, cinzenta massa, e aceita as evidências que Ele abundantemente te apresenta;

Lembra-te, cinzenta massa, para ter humildade em reconhecer o que não compreendes;

Exercita-te, cinzenta massa, na gratidão pela graça e misericórdia que Ele derrama;

Regozija-te, cinzenta massa, através da alegria consciente na Sua providência;

Concentra-te, cinzenta massa, naquilo que está alinhado com a vontade dEle;

Fortalece-te, cinzenta massa, estudando os ensinamentos encontrados em Sua Palavra;

Encoraja-te, cinzenta massa, pois precisas perseverar vigilante durante a peregrinação;

Raciocina, sem medo, cinzenta massa, pois foi para isto que fostes criada!


Declara, cinzenta massa: Glória somente a Deus!


*Notas:

[i] Segundo dicionários bíblicos: “Quando falamos da ‘mente’ (‘mind’) de alguém, estamos na verdade falando dos pensamentos produzidos pelo seu cérebro. Os escritores do Antigo Testamento (AT) compreendiam a ‘mente’ como o ‘ser interior’ (‘inner being’) de uma pessoa – muito parecido com o coração (‘heart’) de uma pessoa. Quando os Evangelhos (NT) falam da ‘mente’ de uma pessoa, é principalmente também em conexão com o ‘coração’ desta pessoa (‘...no coração, alimentavam pensamentos…’; ver Lc 1:51)... Os escritores dos Evangelhos são unânimes em concordar que Jesus citou Dt 6:5, e acrescentou ‘de todo o teu entendimento’ à citação (Mt 22:37; Mc 12:30; Lc 10:27). Nos escritos de Paulo, entramos na compreensão da ‘mente’ no mundo grego. Paulo usou duas palavras (gregas) para a ‘mente’: ‘dianoia’, que significa ‘entendimento’, e ‘nous’, que significa ‘intelecto’. Paulo compreendia a ‘mente’ como distinta do ‘espírito’ e do ‘coração’ de uma pessoa. A ‘mente’ possui a capacidade de compreender e raciocinar (1Co 14:14-19); é a sede da inteligência.” (Holman Treasury of Key Bible Words)

[ii] maskiyl (hebraico): cântico ou poema de contemplação.

[iii] Segundo os estudiosos, trata-se de um refrão neste salmo.

 

 

24 fevereiro 2024

Miraculina (2024)


 “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca.” (Sl 119:103)

Synsepalum dulcificum é o nome científico de uma curiosa planta originária da África tropical, de onde pode ser colhida uma fruta avermelhada – quando madura – popularmente conhecida como fruta-do-milagre. O nome desta fruta é proveniente de sua peculiar capacidade de alterar a percepção gustativa (paladar), transformando sabores amargos ou ácidos (azedos), em doces [i]. Por causa desta extraordinária capacidade, uma glicoproteína [ii] encontrada nesta fruta – e identificada como responsável por este fenômeno gustativo – foi denominada de miraculina [iii].
Devido ao potencial uso desta planta – ou da substância química miraculina – na indústria alimentícia [iv], por exemplo como adoçante [v], existem pesquisadores ao redor do mundo tentando obter a miraculina sinteticamente, ou através de modificações genéticas em outras plantas [vi]. É importante alertar que, embora a fruta-do-milagre apresente várias propriedades terapêuticas, ela precisa ser consumida com cautela, por causa de efeitos adversos (colaterais) que ela pode apresentar. 
Apesar destes maravilhosos aspectos químicos da miraculina, gostaríamos de chamar a atenção para outro aspecto desta extraordinária realidade, principalmente por causa do curioso e compreensível nome que esta molécula recebeu.
Imagine como seria conveniente ter uma fruta-milagrosa, que pudesse ser consumida toda vez que alguma experiência gustativa, tátil, olfativa, visual ou sonora (os 5 sentidos humanos) fosse para nós potencialmente desagradável, transformando-a “miraculosamente” em uma aventura bem-sucedida e extremamente prazerosa [vii]. E porque não estender essa hipotética perspectiva de “alteração da percepção” também para experiências emocionais? Não seria interessante ter uma fruta-milagrosa que pudesse nos livrar de qualquer fato ou acontecimento desagradável ou indesejável? Normalmente, a espera por uma “solução milagrosa” – como descrita neste contexto – que possa nos livrar de qualquer 
mazela existencial, é tipicamente frustrante.
Vamos lembrar que foi pela desobediência de nossos “primeiros pais” – Adão e Eva – que o pecado original entrou no mundo recentemente criado, e que antes era “muito bom” segundo o seu próprio Criador (Gn 1:31). O paralelo curioso com o tema deste texto é que esta primeira desobediência – descrita no relato histórico e literal do capítulo 3 de Gênesis – aconteceu por meio do consumo proibido do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal” (ver Gn 2:15-17). 
Onde está a verdadeira “doçura”?
A verdadeira “doçura” está revelada nas Escrituras, com diversos trechos repletos de referências à termos como “doce”, “favos de mel” e outros correlacionados:
 “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.” (Pv 16:24)
A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.” (Pv 27:7)
O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.” (Sl 19:9-10)
Na revelação concedida pelo Senhor ao apóstolo João, particularmente no capítulo 10 do livro de Apocalipse, há um trecho que se assemelha muito à experiência de transformação gustativa (amargo em doce) que a miraculina pode proporcionar:
Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel. Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo.” (Ap 10:9-10) [viii]
Se estamos procurando pela “solução milagrosa” definitiva em nossas vidas, poderíamos dizer que – sem sobra de dúvida – é a salvação manifesta e garantida pela obra sobrenatural de um Deus Criador, que também é Redentor... Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo! O mesmo Cristo que, na Gólgota (Calvário), recusou-se a beber o “vinho com mirra” (Mc 15:22-24) que lhe foi oferecido como uma bebida amarga (mirra) e narcótica (analgésica) – não por misericórdia dos soldados romanos, mas apenas para que o condenado à vergonha e à humilhação da crucificação pudesse suportar por mais tempo aquele espetáculo público horrendo e degradante [ix]. O único cálice que Cristo tomou plenamente foi o da ira de Deus (Mt 26:42; Mc 14:36; Lc 22:42; Jo 18:11)... e ele fez isto em nosso lugar!
Caro irmão ou irmã em Cristo, continue “saboreando” a jornada cristã, em cada circunstância ou oportunidade que nos aguarda diariamente, sejam “sabores” azedos, amargos ou doces... O Deus da nossa salvação – ao qual servimos e adoramos – conhece bem as nossas dificuldades e tribulações, e está presente para nos ajudar a atravessar momentos difíceis (ex.: Êx 3:7; Js 1:9; Sl 56:8; Sl 119:50; Sl 126:5-6; Jr 29:11-14; Jo 16:33; Rm 8:28; 2Co 12:9-10; Fp 4:13).
A verdadeira fruta-milagrosa da vida cristã é a fé (Hb 12:1-2), amparada pelo poder do Espírito Santo de Deus, que altera a nossa percepção como “novas criaturas” (2Co 5:17), transformando experiências realmente ou potencialmente desagradáveis (“amargas” ou “azedas”), em momentos de aprendizado e crescimento espiritual, produzindo o “doce sabor” que somente a Palavra de Deus pode trazer à nossa alma (Sl 119:103).
Louvado seja o Glorioso Gênio da química, criador da miraculina!

 *Notas:
[i] Frequentemente se encontra relatos de pessoas que, após consumirem a fruta-do-milagre, tomaram suco de limão e perceberem apenas sabores doces.
[ii] O artigo original “Taste-Modifying Protein from Miracle Fruit” (Science, 1968) pode ser encontrado em: https://doi.org/10.1126/science.161.3847.1241
[iii] A estrutura molecular predita para a miraculina pode ser observada em: https://www.rcsb.org/structure/AF_AFP13087F1
[iv]Miraculin-based sweeteners in the protein-engineering era: an alternative for developing more efficient and safer products” (2023): https://doi.org/10.1080/07391102.2023.2262589
[v]Synsepalum” significa “com uma cobertura doce”, e “dulcificum” significa “adoçante”.
[vi]Production of Recombinant Miraculin Using Transgenic Tomatoes in a Closed Cultivation System” (2010): https://doi.org/10.1021/jf100414v
[vii] Hedonismo é a “dedicação ao prazer como estilo de vida”, ou as “doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo”.
[viii] O comentário de R.C. Sproul (“The Reformation Study Bible - ESV”) em Ap 10:9 é o seguinte: “O conteúdo do livro [Apocalipse] contém notícias de julgamento e sofrimento [“será amargo ao teu estômago”], segundo o padrão de Ez 2:8 – 3:3”.
[ix] Para mais detalhes sobre o sofrimento infringido ao nosso Senhor: https://astse.blogspot.com/2022/05/palestra-sobre-morte-fisica-do-senhor.html
[x] Link para o livro “O Glorioso Gênio da química”: https://www.amazon.com.br/dp/B09T3HR628

20 janeiro 2024

Podcast: Fé & Ciência

 

 (https://youtu.be/npjhUZ1xiD8)

Podcast: "Fé & Ciência"

(@calvinamente - IPB Rio Preto)

***Trecho com uma "Mensagem de encorajamento para cristãos que se encontram no ambiente acadêmico/universitário":

https://youtu.be/BIn1o41nrTE

 

07 dezembro 2022

CINZENTA MASSA

 


Investiga-te, cinzenta massa, para buscar a verdade absoluta, e não a relativa;
Abre-te, cinzenta massa, com disposição para avaliar as evidências racional e livremente;
Liberta-te, cinzenta massa, dos grilhões humanistas e do cientificismo;
Atenta-te, cinzenta massa, para não dar um salto de fé no escuro, mas sim pela razão;
Entrega-te, cinzenta massa, e aceita as evidências que Ele abundantemente te apresenta;
Lembra-te, cinzenta massa, para ter humildade em reconhecer o que não compreendes;
Exercita-te, cinzenta massa, na gratidão pela graça e misericórdia que Ele derrama;
Regozija-te, cinzenta massa, através da alegria consciente na Sua providência;
Concentra-te, cinzenta massa, naquilo que está alinhado com a vontade dEle;
Fortalece-te, cinzenta massa, estudando os ensinamentos encontrados em Sua Palavra;
Encoraja-te, cinzenta massa, pois precisas perseverar vigilante durante a peregrinação;
Raciocina, sem medo, cinzenta massa, pois foi para isto que fostes criada!
Declara, cinzenta massa: Glória somente a Deus!


29 setembro 2022

Fé e Ciência - Tangendo ao Intangível

https://youtu.be/3BS9Z3qJnbw

Tangendo ao Intangível*

Programa Fé & Ciência (IPPTV)
Igreja Presbiteriana de Pinheiros

*Um texto sobre o mesmo tema ("Tangendo ao Intangível") pode ser encontrado na coluna (blog) "Fé e Ciência" do VE (Voltemos ao Evangelho).