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02 fevereiro 2022

Poesia: Senhor, não compete a mim cuidar

Senhor, não compete a mim cuidar
Se morrerei ou viverei;
Cabe a mim amar e servir a ti,
E isso é a tua graça que deve dar.

Cristo não me conduz por lugares mais escuros
Do que aqueles pelos quais ele já passou;
Aquele que ao reino de Deus vem
Deve entrar por esta porta.

Meu conhecimento desta vida é pequeno,
Os olhos da fé estão turvos;
Mas é o bastante que Cristo saiba tudo,
E eu estarei com ele.

[Tradução de um trecho da poesia "Lord, It Belongs Not to My Care", de Richard Baxter (1615-1691), inspirado no texto de Fp 1:22-23]
 
Referência fonte: "A vida em (com, por, sob, sobre, por meio de) Cristo", John Stott.


02 janeiro 2022

Oração: clamando pela justiça de Cristo

NÃO HÁ ESPERANÇA SEM A JUSTIÇA DE CRISTO

"Senhor, eu seria a pessoa mais miserável do mundo se minhas esperanças estivessem apenas nesta vida. Por quê? Porque eu não tenho esperança sem a justiça de Cristo. Minha vida nunca poderia ser confortável, e não haveria esperança  em toda a vida eterna. Se me negasse essa esperança, eu seria o mais miserável de todos. Posso ser feliz sem prazeres mundanos, mas todas as coisas no mundo não podem me fazer feliz sem isso. Assim, seja de qualquer forma que me trate neste mundo, seja o que for que me negues, Senhor, não me negues isto. Posso ser feliz sem riquezas e fartura, como o foram Jó e Lázaro. Posso ser feliz, mesmo se for injuriado e reprovado, como foi Cristo e seus discípulos. Posso ser feliz e confortável na prisão, como foram Paulo e Silas. Mas não posso ser feliz sem a justiça de Cristo. Todas as riquezas, posições ou honras da terra me deixarão miserável, se eu não tiver isso. Mesmo se eu fosse rico e não precisasse de nada, sem isso eu ainda seria miserável, pobre, cego e sem vestimentas. Se eu tivesse todas as coisas que uma pessoa poderia desejar na terra, que bem isso me faria sem a justiça de Cristo? O que as riquezas fariam por mim, se elas viessem com a ira de Deus? Que conforto a honra me traria, se eu permanecesse um filho da perdição ou um filho da ira? Que doçura haveria no prazer, se eu estivesse no caminho dos tormentos eternos? Que miseráveis ​​confortos e alegrias são esses, sem a justiça de Cristo!  Senhor, como quer que seja o teu lidar comigo nas coisas exteriores, tudo o que tirar de mim, tudo o que me negar - não me negue Cristo! Não me negue a participação em sua justiça! Amém."

01 janeiro 2022

Mensagem de ano novo - 2022

 

(imagem da internet)

"Ó SENHOR,
Os dias passados de nada me servem, exceto os que foram passados
     na tua presença, em teu serviço, para tua glória.
Que a tua graça me preceda, siga, guie, sustente,
     santifique, e auxilie a cada hora,
  que em momento algum eu possa me apartar de ti,
  mas seja guardado pelo teu Espírito
     provendo cada pensamento,
     falando em cada palavra,
     dirigindo cada passo,
     fazendo prosperar toda obra,
     edificando cada impulso de fé,
     e fazendo-me desejoso
       de espalhar teu louvor,
       testificar teu nome,
       levar adiante teu reino.
Lanço meu barco sobre as águas desconhecidas deste ano,
     tendo a ti, ó Pai, como meu porto,
     a ti, ó Filho, como meu leme,
     a ti, ó Santo Espírito, enchendo-me as velas.
Guia-me ao céu com meus lombos cingidos,
     minha lâmpada acesa,
     meu ouvido aberto aos teus chamados,
     meu coração cheio de amor,
     minha alma livre.
Dá-me tua graça para minha santificação,
     teus confortos para encorajamento,
     tua sabedoria para ensino,
     tua mão direita para guia,
     teu conselho para instrução,
     tua lei para juízo,
     tua presença para equilíbrio.
Que o meu temor seja temor a ti,
     e teus triunfos sejam minha alegria."

[Oração "ANO NOVO", do livro "O Vale da Visão"]


07 julho 2015

Aprendizado piedoso 108

"O Último dia do Crente é o Melhor Dia da sua Vida"*

[*obra original: "A Believer's Last Day His Best Day", de Thomas Brooks]

A maioria das pessoas pensa sobre sua própria morte de uma  perspectiva terrível, mas o título de um conhecido sermão fúnebre oferece uma alternativa agradável: "o último dia de um crente na terra é o seu melhor dia".
Quando Thomas Brooks [séc. XVII] pregou um sermão no funeral da sra. Martha Randall, na Igreja de Cristo, em Londres, em 28 de junho de 1651, ele escolheu um título que chamou a atenção. Ao chamar o último dia de um crente na terra de "o seu melhor dia", Brooks demoliu, de uma vez, a visão convencional da morte como uma calamidade terrena. O trecho a seguir reúne algumas passagens-chave do sermão:

------------------------------
A morte é uma mudança de nossas imperfeitas e incompletas alegrias em Deus, para uma apreciação mais completa e perfeita dele. Como nenhum crente tem uma visão clara de Deus aqui, então nenhum crente tem uma visão completa e perfeita de Deus aqui. Em Jó 26:14, quão pequena é a porção que se ouve dEle - falando sobre Deus - e, desta parte que é ouvida, quão pequena é a porção que é compreendida! É uma excelente expressão que Agostinho [de Hipona] usa: "As coisas gloriosas do céu são tantas, que ultrapassam os números; tão preciosas, que excedam estimativas; tão grandes, que excedam as medidas!" Bernardo [de Claraval] diz: "Cristo estar com Paulo foi a maior segurança [para o apóstolo], mas Paulo estar com Cristo foi a felicidade suprema!"
...
Quando a morte desfere o golpe fatal, haverá uma troca da terra pelo céu; de alegrias imperfeitas pelo perfeito deleite em Deus; em seguida, a alma deve ser tomada de um pleno desfrutar de Deus; nenhum canto da alma deve ser deixado vazio, mas tudo deve ser preenchido com a plenitude de Deus. Aqui, neste mundo presente, eles recebem graça sobre graça, mas no céu eles receberão glória sobre glória. Deus guarda o melhor vinho para o fim [ver João 2:1-10]; o melhor de Deus, Cristo, e o céu, está além deste mundo presente. Aqui, temos alguns "goles", algumas "degustações" de Deus; a plenitude é reservada para o estado glorioso. Aquele que contempla a maior parte de Deus aqui na terra, não vê nada senão as Suas costas [ver Êxodo 33:18-23]; Seu rosto é uma jóia de tal resplendor e glória, que nenhum olho pode contemplar, exceto somente um olho glorificado.
Até os melhores cristãos são capaz de apreciar apenas um pouco de Deus; seus corações são como a "botija" da viúva [ver 1Reis 17:12-16], que poderia conter apenas um pouco de óleo. O pecado, o mundo, e as criaturas ocupam tanto espaço, até mesmo nos melhores corações, que Deus concede a Si mesmo de pouco em pouco, como os pais concedem doces a seus filhos. Mas, no céu, Deus irá comunicar a Si mesmo totalmente, de uma única vez, para a [nossa] alma! A graça será, então, absorvida pela glória (ver 2Coríntios 5:4).
...
A morte é um outro Moisés: ela livra os crentes da escravidão, e de fazer tijolos no Egito [ver Êxodo 1:14]. [A morte] é um dia, ou ano, do jubileu [ver Levítico 25:10-15] para um espírito gracioso - o ano em que ele se libertará de todos aqueles capatazes cruéis, sob o domínio dos quais ele [o espírito gracioso] gemia... A morte é o dia da coroação de um crente; é o dia do seu casamento. É um descanso do pecado, um descanso da tristeza, um descanso das aflições e das tentações. A morte, para um crente, é a entrada para o "seio de Abraão" [ver Lucas 16:22], para o paraíso, para a "nova Jerusalém" [ver Apocalipse 21:2]... é a entrada "no gozo do seu Senhor" [ver Mateus 25:21; Lucas 23:43]
...
Ah, cristãos! O que é toda a sua vida, senão um dia para se preparar para a hora da morte? Qual é o seu grande propósito neste mundo, senão o de se preparar e estar apto para o mundo eterno? Foi um triste discurso o de César Bórgia, que, estando em seu leito de morte, disse: "Quando eu vivi, eu me preparei para tudo, exceto para a morte! Agora, eu devo morrer, e não estou preparado para morrer". Ah, cristãos! Vocês precisam orar todos os dias como Moisés: "Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" [ver Salmos 90:12]
...
Certifique-se de que Cristo seja o seu Senhor e Mestre... e então o dia da sua morte será, para você, como o dia da colheita para o agricultor, como o dia da libertação para o prisioneiro, como o dia da coroação para o rei, e como o dia do casamento para a noiva. O dia da sua morte será um dia de triunfo e exaltação, um dia de liberdade e de consolação, um dia de descanso e satisfação!

(Trechos traduzidos de um artigo da revista Christianity Today, intitulado "O último dia de um crente, seu melhor dia", que pode ser encontrado neste link)

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Obs.: A perspectiva correta e bíblica deste sermão fúnebre do pr. Thomas Brooks considera que o Senhor é o "Autor da Vida" [ver Atos 3:15], e portanto é Ele quem concede a vida [ver Gênesis 2:7], e é Ele quem a tira [ver Jó 1:18-22].

"Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.
Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.
Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.
Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.
E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé, a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco."

19 fevereiro 2015

Aprendizado piedoso 105

Justificação:

“Se houver embasamento para você confiar em sua própria justiça, então tudo o que Cristo fez para comprar a salvação, e tudo o que Deus fez para preparar o caminho para ele, é em vão.”
(Jonathan Edwards)

“A torrente de graça e justiça é mais profunda e mais ampla do que a torrente de culpa.”
(Matthew Henry)

“Justificação tem a ver não com o nosso estado, mas com a nossa posição: ela se refere a nossa posição diante de Deus.”
(Ernest F. Kevan)

“Prefiro aprender o que alguns homens realmente julgam sobre a sua própria justificação de suas orações, do que dos seus escritos.”
(John Owen)

“Há um duplo grau de justificação: um em nossa consciência, agora, e outra no Dia do Juízo.”
(Richard Sibbes)

“Cristo esconde a nossa injustiça com a Sua justiça, Ele cobre a nossa desobediência com sua obediência, Ele sombreia nossa morte com a Sua morte, de tal modo que a ira de Deus não pode nos encontrar.”
(Henry Smith)

“Deus não nos justifica porque somos dignos, mas a justificação nos torna dignos.”
(Thomas Watson)

“A justificação pela fé é a dobradiça na qual toda a verdadeira religião se apoia.”
(John Calvin)

(Fonte: "The Banner of Sovereign Grace Truth", vol.4, núm.6, julho-agosto/1996)

13 fevereiro 2015

Aprendizado piedoso 104

A ressurreição de Cristo:

"A ressurreição de Cristo é o início de seu reinado [e] o artigo mais importante da nossa fé."
(John Calvin)

"Todo antecedente na vida encarnada do nosso Senhor se move em direção à ressurreição, e todo subsequente repousa sobre ela e é condicionado por ela."
(John Murray)

"A ressurreição de Jesus exige não o nosso aplauso, mas a nossa lealdade, não os nossos cumprimentos, mas a nossa rendição."
(John Blanchard)

(Fonte: "The Banner of Sovereign Grace Truth", vol.18, núm.4, abril/2010)

12 fevereiro 2015

Aprendizado piedoso 103

Paciência:

Thomas Adams - "A paciência não deve ser nem uma polegada mais curta do que a aflição."
John Blanchard - "Paciência Bíblica não está enraizada no fatalismo que diz que tudo está fora de controle. Ela está enraizada na fé que diz que tudo está no controle de Deus."
João Calvino - "Não há lugar para a fé, se esperamos que Deus cumpra imediatamente o que Ele promete."
William Jenkyn - "A esperança é a mãe de paciência."
George Swinnock - "Alongar a minha paciência é a melhor maneira de encurtar os meus problemas."
Thomas Watson - "Paciência na oração nada mais é do que a fé em movimento."


31 janeiro 2015

Aprendizado piedoso 102

"Quando trememos sob o senso de nossos pecados, os terrores do juiz, e as maldições da lei, vamos olhar para um Cristo crucificado, o remédio de todas as nossas misérias. A sua cruz adquiriu uma coroa, a sua paixão expiou nossa transgressão. A sua morte desarmou a lei, o seu sangue lavou a alma de um crente. Esta morte é a destruição de nossos inimigos, a fonte de nossa felicidade, o eterno testemunho do amor divino. Temos boas razões, bem como o apóstolo, para estarmos determinados a não saber nada, senão a Jesus Cristo, e especialmente Ele crucificado (1Coríntios 2:2)."

(Rev. Stephen Charnock, puritano, na obra "The Choice Works of the Rev. Stephen Charnock: With His Life and Character", Stephen Charnock & William Symington)

08 agosto 2014

Aprendizado piedoso 90

Transcrição de um trecho do sermão "Os Puritanos e o amor de Deus no Céu", ministrado pelo Dr. Joel Beeke, no Simpósio OsPuritanos 2014, em Maragogi-Al:

Texto base para a pregação:

(começando em 02:15)
“[Oração:] Senhor Deus, Tu prometestes preparar os Céus para o teu povo. Prepara-nos para os Céus. Faça-nos santos nesta vida, para que possamos chegar ao clímax da santidade dos céus e possamos experimentar a alegria de te cultuar para todo o sempre, como a noiva perfeita, do noivo perfeito. E, à medida que elevamos nossas almas aos Céus nesta manha, dá-nos liberdade para verdadeiramente acreditarmos que esta é a utopia futura do crente. E que desejemos mais aquele grande dia, quando o nosso próprio Salvador virá como juiz e nos abraçará com braços de amor, e nos dará tudo o que precisaremos, para todo o sempre, para podermos focar somente nEle. Oh! Deus, apressa este dia, quando este corpo mortal se revestirá de imortalidade, e quando esta corruptibilidade se revestirá de incorruptibilidade, e quando estaremos para sempre com o Senhor. Em nome de Jesus. Amém.”
(começando em 27:24)
“[Nos Céus], este relacionamento com Jesus Cristo não será de perfeição somente nEle, mas também em nós. Uma das grandes belezas dos Céus é que nós estaremos completamente conformados com a imagem de Cristo. Nós O veremos como Ele é, mas ainda mais, nós seremos como Ele, de tal forma que Ele verá a sua própria imagem refletida em nós. Não haverá mais pecado. Nós teremos almas perfeitas. Você consegue imaginar isto, que não haverá mais pecado? O puritano John Owen coloca da seguinte forma: ‘não há sequer um verdadeiro crente para quem o pecado não seja a sua grande tristeza’. Você não está cansado de pecar? Do seu egoísmo? Da sua impureza? Da sua obstinação em pecar? Do seu orgulho e inveja? Da sua dureza de coração? Todo este emaranhado complexo de pecados, simplesmente desaparecerá [nos Céus]. O apóstolo Paulo disse: ‘o mal está presente em mim’. Mas, não mais, Paulo. Isto somente estará presente até os Céus chegarem. Quando os Céus chegarem, eu nunca mais vou pecar. Eu nunca mais entristecerei o Espírito Santo novamente. Eu nunca mais quebrarei um único mandamento de Deus novamente. Eu nunca mais vou falhar com o meu Salvador. Eu nunca mais terei que derramar lágrimas por causa do meu pecado. A perfeição sem pecado não é um sonho tolo. Não é uma utopia imaginária. Os Céus são uma utopia genuína. Não mais pecado. Muitas vezes aqui, como ouvimos na noite passada, nós lutamos com o pecado, e até nos perguntamos como Deus pode nos amar. Nós até nos questionamos se, no final, vamos chegar mesmo nos Céus. Como Deus pode amar alguém tão não amável quanto eu? Mas, nos Céus, nunca mais teremos estes pensamentos, porque teremos almas perfeitas, e daremos a Cristo toda a glória por isso. A noiva perfeita [a Igreja] e o noivo perfeito [Jesus Cristo], em um casamento infinitamente melhor do que tiveram Adão e Eva, antes da queda. Porque Adão e Eva puderam cair, mas nos Céus, nós não poderemos. Todo o bem estará inserido em nós, e todo o mal estará removido de nós, para sempre.”
(começando em 37:52)
“Você pode estar em um casamento maravilhoso, e não conseguir imaginar como você poderia amar mais o seu cônjuge do que você ama agora. Algumas vezes, eu digo para a minha esposa: ‘se eu pudesse sentar no computador e criar uma lista de 100 coisas que eu procuro em uma esposa, e comparasse esta lista com você, eu escolheria você todos os dias. De alguma maneira, eu vejo em você tudo aquilo que eu desejo, e ainda mais. Eu não quero fazer mudanças, pois a amo do jeito que você é’. É exatamente desta maneirar que o seu Salvador pensará a seu respeito, naquele grande dia.”
(começando em 39:58)
“Quantas vezes, nestes últimos dias [no simpósio OsPuritanos 2014], eu falei com algumas pessoas aqui, e elas sorriam e diziam: ‘eu não falo inglês’. Pense  na incrível variedade de pessoas que estarão nos Céus. Santos de todos os períodos, de todas as nações, de todas as cultura e personalidades, e provenientes de todo o tipo de experiências. Tantas histórias para serem contadas. Milhões de pessoas, que são seus irmãos e irmãs, e lá na eternidade você terá tempo de conversar e desenvolver amizade com eles. Amizades perfeitas. Bem, se este é o caso, por que não começar, já e aqui, a desenvolver estas amizades? Ame o povo de Deus aqui. Entenda que cada crente verdadeiro sentado aqui, nesta manhã, pertence a maior de todas as famílias na face da terra.”
(começando em 47:13)
“Lá nos Céus, esta reunião será perfeita. Você amará cada irmão e cada irmã. Que grande volta ao lar! Viva aqui, pensando na sua casa, que está por vir!”



Link direto para o áudio aqui.

06 agosto 2014

Aprendizado piedoso 89

 Transcrição de um trecho do sermão "Os puritanos e a luta por santidade interior", ministrado pelo Dr. Joel Beeke, no Simpósio OsPuritanos 2014, em Maragogi-Al:

Texto base para a pregação:

(começando em 03:25)
“Verdadeiros crentes são conhecidos por sua paz com Deus, por sua alegria em Deus, e pelo amor de Deus derramado em seus corações. Há muitos cristãos hoje que se tornaram primeiramente interessados no cristianismo porque olharam para outros crentes e disseram: ‘tem algo neles que eu não tenho’. Mas crentes verdadeiros também são conhecidos por seus desafios, pela sua guerra espiritual e pelas batalhas internas contra o pecado. Então a paz e a alegria dos cristãos geralmente oscilam com esta guerra e estes desafios. E quando nós, crentes, caímos em pecado, nós nos sentimos derrotados (‘defeated’, em inglês). Nós imaginamos como será daqui para frente? Como eu posso ser um cristão e cair em pecado tão facilmente? Eu me sinto derrotado. Isso é uma luta. Na história, houve uma grande guerra entre a Inglaterra e a França. A Inglaterra mandou o duque de Wellington para lutar contra Napoleão e os ingleses ficaram na costa, esperando a frota do duque de Wellington voltar. Finalmente, em uma manhã, eles viram os navios voltando em meio a uma névoa. E havia uma bandeira, que dizia: ‘Wellington derrotado’ (‘Wellington defeated’, em inglês). E um grito de tristeza veio da multidão e um boato correu por toda a Inglaterra, dizendo: ‘fomos derrotados’ (‘We were defeated’, em inglês). É isso que Satanás tenta fazer conosco quando caímos em pecado. Mas eu quero lhes mostrar esta noite que mesmo quando caímos em pecado, não estamos derrotados.”
(começando em 23:28)
“John Bunyan dizia que se o pecado bate à nossa porta, e nós abrimos e vemos o ‘sr. pecado’ ali, e fechamos a porta imediatamente, nós não pecamos. Você não pode passar por este mundo sem ver o pecado. Você peca, diz John Bunyan, quando você deixa o ‘sr. pecado’ entrar e mexer com a sua cabeça. Bunyan disse que o pecado sempre tenta entrar por duas portas. Uma é o portão dos olhos e a outra é o portão dos ouvidos...
...Vejam Romanos 6:11 (‘Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus’). Esta deve ser a nossa atitude como cristãos. O dr. Martyn Lloyd-Jones disse, certa vez, que este versículo (Romanos 6:11) fez mais bem por ele para dizer não ao pecado do que qualquer outro versículo da Bíblia...
...Uma batalha pelo portão dos olhos e uma batalha pelo portão dos ouvidos. Mas graças à Deus, porque o pecado nem sempre triunfa. Deus nos ajuda muitas vezes, de formas extraordinárias. Charles H. Spurgeon dizia: ‘Eu agradeço a Deus de duas formas, por me manter longe do pecado. Eu o agradeço, em primeiro lugar, pois quando a tentação está presente, Ele tira o meu desejo de pecar. Em segundo lugar, quando o meu desejo de pecar está presente, Ele tira de mim a oportunidade’.”
(começando em 30:50)
“Mas, finalmente, Paulo nos fala de um livramento interno. Um livramento glorioso. Depois que ele diz: ‘Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?’ (Romanos 7:24). A resposta está no versículo 25: ‘Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor’. A pergunta do versículo 24 é uma pergunta de perturbação (aflição ou angústia), mas não é uma pergunta de desespero, porque Paulo já sabe a resposta. Ele sabe que é em Jesus Cristo. Ele sabe que é pela fé que se assegura de Jesus Cristo, como revelado nas Escrituras e aplicado pelo Espírito. E é por isso que lemos no próximo capítulo (Romanos 8:37): ‘Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou’. Paulo entende que ele vai perder alguns conflitos, mas não vai perder a guerra, porque Jesus Cristo é o seu capitão, e não vai deixá-lo...
...E logo o pecado estará para trás e não haverá mais conflito algum. Até o meu corpo será restaurado na ressurreição. Não terei mais problema com meus olhos e ouvidos, nem problema com minha mente ou coração. A minha santificação será tão perfeita quanto a minha justificação. E ambas estão em Cristo. E ambas são vitoriosas em Cristo. Em Cristo há tudo o que eu preciso. Graça suficiente. Um futuro glorioso. Levante a sua cabeça, crente que está em meio a lutas e batalhas. Leve os seus pecados a Jesus Cristo, todos os dias. Comece todo dia, como um novo dia. Todo dia, quando sair da cama, peça a Deus para que você possa viver de acordo com a sua nova natureza. Para que você possa viver consistentemente com quem você é, em Cristo Jesus. Sua pessoa verdadeira, porque você é nova criatura. Peça a Deus força para afastar todo intruso. E, não importa o que Satanás disser a você, lembre-se que você está lutando uma batalha que já foi vencida. Você não será derrotado! Lá na Inglaterra, quando o duque de Wellington estava retornando, e eles viram a bandeira dizendo: ‘Wellington derrotado’ (‘Wellington defeated’, em inglês). Os navios estavam chegando mais próximos à costa agora, a névoa se dissipou, e os ingleses puderam ler a frase completa na bandeira: ‘Wellington derrotou o inimigo’ (‘Wellington defeated the enemy’, em inglês). E um grito de alegria percorreu toda a Inglaterra: ‘Nós finalmente temos a vitória!’. A vitória arrancada das garras da derrota! E é isso que você tem aqui agora. Sempre que você tropeçar em pecado, você não corre de Cristo. Não se esconde, como Adão, atrás do arbusto. Você vai a Jesus, e se arrepende, com choro, dizendo: ‘Tenha misericórdia de mim’. E Ele vai te abraçar. Quando o meu filho tinha 6 anos de idade, em voltei do trabalho para casa um dia, e minha esposa me disse algo que ele havia feito, e que não era bom. Então, na mesa do jantar, eu estava pensando em qual seria a sua punição. Eu seria bem firme, pois era uma infração moral. Eu estava um pouco quieto e acho que ele sentiu isso. Mas, de repente, eu senti alguém atrás de mim, e senti braços me abraçando. E senti gotas no meu pescoço. Era o meu filho. Ele estava chorando e dizendo: ‘Papai, eu pequei. Você me perdoa?’. Eu o perdoei, pois sou seu pai. É claro que eu o perdoei. Ele ainda recebeu uma punição mais branda, mas o que eu estava originalmente pensando em fazer para puni-lo, eu joguei pela janela. Onde há arrependimento, há sempre um ‘seja bem vindo’ de Jesus Cristo. Não corra do seu Pai, mas corra para Ele.”




31 julho 2014

Aprendizado piedoso 88

Transcrição de um trecho do sermão "Os Puritanos e a Providência de Deus", ministrado pelo Dr. Joel Beeke, no Simpósio OsPuritanos 2014, em Maragogi-Al:

Texto base para a pregação:

“...Eu quero mostrar para vocês uma grande doutrina. A doutrina da providência de Deus. Eu quero mostrar pra vocês como ela brilha como o diamante, em todas as suas faces. Simplesmente considere a seguinte afirmação. Deus está no controle deste universo. Deus está agindo e executando todos os seus propósitos em minha vida. Deus não é meu servo. Os caminhos de Deus são mais misteriosos e maravilhosos do que eu posso compreender. Deus é sempre bom. Eu sempre posso confiar nEle. O cronograma de Deus não é o mesmo que o meu. Deus está muito mais interessado no que eu me torno do que no que eu faço. Deus nunca me prometeu, nesta vida, exclusão de sofrimentos. Deus trabalha através dos seus propósitos na minha vida para a Sua própria glória. Deus jamais permitiria o mal, se este mal não cooperasse para o bem. Cada uma destas afirmações é apenas uma face do diamante da doutrina da providência de Deus.”


(O trecho da transcrição começa à partir de 4 minutos e 20 segundos - 04:20)

Link direto para o áudio aqui.

29 julho 2014

Aprendizado piedoso 87

Transcrição de um trecho do sermão "John Owen e a Comunhão com Deus", ministrado pelo Dr. Joel Beeke, no Simpósio OsPuritanos 2014, em Maragogi-Al:

“O amor do Pai é diferente do nosso amor. Mesmo o nosso amor espiritual por Ele. Nós precisamos do amor dEle, mas Ele não precisa de nós. Owen dizia que Deus está infinitamente satisfeito nEle mesmo. Ele não tem necessidade que outros O amem, porque Ele ama o seu Filho de forma suprema. Então o Pai não nos ama por solidão ou necessidade, mas Ele nos ama por tem um superdesfrutamento no Seu Filho. Esse amor vem da Sua suficiência abundante.
Deixe-me citar um exemplo: se um casal tem um casamento maravilhoso, eles têm tanto amor um pelo outro, que não precisam de outras pessoas tanto assim. Mas, assim mesmo, eles precisam de outras pessoas, porque este amor transborda do seu próprio casamento e eles querem derramar este amor nos outros. O amor é uma qualidade especial. Nós não ficamos mais pobres, mas ficamos mais ricos quando doamos o amor. Então o amor do Pai não é um amor de pobreza, mas um amor de doação, de liberalidade. O amor de Deus extravasa (transborda, derrama, alaga, inunda) de Deus. Nosso amor é um amor de obrigação. Somos criados para amar a Deus. É a nossa tarefa amar à Deus.
Então, Owen coloca da seguinte forma: o amor do Pai é um amor antecedente, pois sempre vem primeiro. O nosso amor é um amor consequente, que acontece em resposta ao amor do Pai. Então nós começamos a conhecer o Pai quando compreendemos o Seu amor, abraçamos este amor e respondemos a este amor. O apóstolo João disse ‘nós O amamos porque Ele primeiro nos amou’. E o apóstolo Paulo usa o exemplo do relacionamento entre marido e esposa, comparando com o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Como um marido ama a sua esposa e a esposa responde a este amor, assim também é a nossa relação com o Pai, através do Filho...
... Owen exemplifica da seguinte maneira: ‘nós devemos mostrar resposta adequadas de amor ao amor do Pai, através do Filho’. Ele compara isto à luz do sol. Pense no sol como um símbolo do Pai, então pense nos raios do sol vindo até nós como o Filho. Owen dizia ‘Deus é o sol e ele, com seus raios, derrama Seu amor sobre nós, através do Filho’, para que possamos desfrutar deste calor do amor do Pai, responder a este amor e confiar as nossas almas a este amor, com a persuasão adequada de que Ele é um Deus Pai bondoso. Então, quando temos comunhão com o Pai através do Filho, este amor de resposta inclui quatro coisas:
1) nós descansamos no amor do Pai;
2) nós temos deleite no amor do Pai;
3) nós temos reverência pelo amor do Pai;
4) nós respondemos em obediência ao amor do Pai.
E o Pai se alegra em receber este amor em resposta ao Seu amor.
Há momentos em nossas vidas em que encontramos obstáculos para amar a Deus. Temos de aflição. Temos de mistério. Tempos de apostasia. O que devemos fazer nestes momentos.
Owen diz que devemos fazer quatro coisas:
1) nós nunca devemos inverter a estrutura do amor. Deus sempre nos ama primeiro.
2) nós nunca devemos nos esquecer da imutabilidade do amor do Pai. Apesar dEle se desagradar com o seu pecado, Ele não vai te renegar como filho.
3) nós devemos nos lembrar da cruz. Ela é um sinal e um selo do amor de Deus, e a segurança de que ele nos ama.
4) nós devemos lembrar o quanto agrada a Deus quando respondemos em amor, mesmo quando não entendemos os Seus misteriosos caminhos em relação à nós.
Owen e os outros puritanos acreditavam nesta questão: de que quando nós andamos por fé, e não por visão, e nós confiamos em Deus no meio da aflição e da escuridão, nós honramos mais a Deus do que quando estamos atravessando momentos de maravilhosas experiências espirituais. Então, você responde ao amor do Pai, com amor. E, através desse relacionamento mútuo de amor, ao passar dos anos, a comunhão com o Pai é mais e mais fortalecida, por meio do Filho."



(O trecho da transcrição começa à partir de 24 minutos e 45 segundos - 24:45)

Link direto para o áudio aqui.