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22 julho 2026

Livro: "Verdadeira Espiritualidade" (Francis A. Schaeffer)

Alguns trechos do livro "Verdadeira Espiritualidade", de Francis A. Schaeffer:

Prefácio
'Este livro está sendo publicado depois de vários outros, mas, em certo sentido, deveria ter sido meu primeiro. Sem o material que aqui se encontra não haveria hoje o L’Abri. Em 1951 e 1952 enfrentei uma crise espiritual em minha vida. Eu tinha voltado do agnosticismo e me tornado cristão muitos anos antes. Em seguida havia sido pastor por dez anos nos Estados Unidos, e então, durante alguns anos, Edith, minha esposa, e eu trabalhamos na Europa. Durante esses anos, pesava-me a responsabilidade de representar a posição cristã histórica e a pureza da igreja visível. Aos poucos, no entanto, constatei um problema – o problema da realidade. Ele tinha duas partes: primeiro, tive a impressão de que, para muitos daqueles que sustentavam a posição ortodoxa, faltava a realidade nas coisas que a Bíblia claramente dizia que deveriam ser o resultado do cristianismo. Segundo, gradualmente crescia em mim que minha própria realidade era menor do que deveria ser nos primeiros tempos antes de me tornar cristão. Reconheci sinceramente que eu precisava voltar e repensar toda a minha posição. Morávamos em Champèry na época; eu disse a Edith que, por bem da honestidade, precisava mesmo percorrer o caminho de volta a meu agnosticismo para repensar todo o assunto. Reconheço que foi um período difícil para ela e que ela orou muito por mim durante aqueles dias. Eu saía a caminhar nas montanhas quando o tempo estava bom, e quando chovia andava de um lado a outro do celeiro do velho chalé em que morávamos. Eu caminhava, orava e meditava naquilo que as Escrituras ensinavam, ao mesmo tempo em que revia minhas próprias razões para ser cristão. Ao repensar esses meus motivos de ser cristão, vi novamente que havia razões totalmente suficientes para saber que o Deus infinito-pessoal existe, e que o cristianismo é verdade. Indo adiante, vi algo mais que fazia profunda diferença na minha vida. Examinei o que a Bíblia dizia com respeito à realidade como cristão. Gradualmente fui vendo que o problema era que, com todos os ensinamentos que eu havia recebido depois de me tornar cristão, tinha ouvido muito pouco sobre o que a Bíblia diz quanto ao sentido da obra concluída de Cristo para nossa vida presente. Aos poucos o sol raiou e a canção soou. Interessante é que, embora eu não tivesse escrito poesia nenhuma durante muitos anos, naquela época de alegria e canto descobri que a poesia fluía de novo – a poesia da convicção, da afirmação da vida, da gratidão e do louvor. Admito que a poesia não tenha sido das melhores, mas expressou a música no meu coração que era maravilhosa para mim. Esta foi, e é, a base verdadeira de L’Abri. Ensinar as respostas cristãs históricas e responder com honestidade às perguntas sinceras são duas coisas cruciais, mas foi dessas lutas que veio a realidade, sem a qual um trabalho incisivo como L’Abri jamais teria sido possível. Eu e nós todos só podemos sentir gratidão. Esses princípios que elaborei em Champèry foram apresentados pela primeira vez como palestras em um acampamento bíblico realizado em um velho celeiro em Dakota, EUA. Foi em julho de 1953. Eles foram feitos em restos de papéis no porão da casa do pastor. O Senhor deu-nos algo muito especial a partir dessas mensagens, e ainda me encontro hoje com pessoas que, quando jovens, tiveram seus pensamentos e suas vidas ali transformadas. Depois que L’Abri começou em 1955, preguei essas mesmas mensagens em Huémoz. Mais tarde foram elaboradas em forma mais desenvolvida e completa na Pensilvânia, em outubro e novembro de 1963. Apresentei-as novamente em Huémoz no fim do inverno e começo da primavera de 1964. Essa foi sua forma final, e a forma na qual foram gravadas nas fitas de L’Abri. O Senhor vem usando as gravações de um modo que nos comove profundamente, não só com aqueles que tiveram problemas espirituais, como em casos de muitos que também tinham necessidades psicológicas. Oramos para que a forma escrita desses estudos seja tão útil quanto as fitas gravadas têm sido em várias partes do mundo.' [Francis A. Schaeffer, Huémoz, Suíça, maio/1971]
 
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'[...] Em primeiro lugar, com respeito a Deus: eu devo amar a Deus o suficiente para estar satisfeito, porque do contrário até nossos desejos naturais e corretos nos levam à revolta contra Deus. Deus nos fez com desejos corretos, mas se não houver um contentamento correto da minha parte, até aí estou em revolta contra Deus, e é claro que a revolta é todo o problema central do pecado. Quando me falta a devida satisfação, ou é porque esqueci que Deus é Deus, ou então parei de me submeter a ele. Estamos falando sobre um teste prático para julgar se estamos cobiçando contra Deus. Uma disposição calma e um coração que esteja agradecendo em qualquer circunstância é o teste real da extensão até a qual chega nosso amor para com Deus naquele momento. Gostaria de compartilhar umas palavras fortes da Bíblia para nos lembrarmos de que esse é o próprio padrão de Deus para os cristãos: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças” (Ef 5.3-4). As “ações de graças”, portanto, estão em contraste com toda a lista negra que vem acima. Efésios 5.20 é ainda mais incisivo: “Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Até onde vão “todas as coisas” que devemos agradecer? Essas mesmas “todas as coisas” são mencionadas no livro de Romanos (8.28): “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. E não é uma espécie de mágica – o Deus infinito e pessoal promete que fará com que tudo funcione junto para o bem do cristão. Aqui aprendo que, se sou cristão verdadeiro, “todas as coisas” cooperam para o meu bem. Não serão "todas as coisas", com exceção do sofrimento; não serão "todas as coisas", exceto a batalha. Nós colocamos as palavras “todas as coisas” de Romanos 8.28 rodeadas de todas as coisas. Prestamos honra a Deus e ao trabalho acabado de Cristo quando lançamos esse círculo em volta do todo; “todas as coisas cooperam juntas para o bem no caso daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Mas até onde lançamos a expressão “todas as coisas” sobre todas as coisas, ela leva consigo também o “todas as coisas” de Efésios 5.20: “Dando sempre graças por tudo [todas as coisas] a nosso Deus e Pai [...]”. Não podemos separar esses dois versículos. O “todas as coisas” de Efésios 5.20 é tão amplo como o “todas as coisas” de Romanos 8.28. Precisa ser dar graças por todas as coisas – esse é o padrão de Deus.'

'[...] Em Filipenses 4.6 lemos assim: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”. “Não andeis ansiosos de coisa alguma” aqui significa: não seja vencido pela ansiedade em coisa alguma, pela preocupação em coisa alguma, mas por meio da oração e súplica com ações de graças, deixe que seus pedidos sejam conhecidos por Deus. Naturalmente, essa é uma afirmação com respeito à oração em contraste com a preocupação, mas, ao mesmo tempo, traz consigo a ordem direta de se agradecer a Deus enquanto se ora por “todas as coisas. Ou poderemos ver Colossenses 2.7: “Nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças”.'
 
'[...] Encontramos ainda em Colossenses 3.15: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos”. E o versículo 17: “[...] tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. E novamente em Colossenses 4.2: “Perseverai em oração, vigiando com ações de graças”. Essas palavras sobre dar graças, em certo sentido, são palavras difíceis. São lindas, mas não nos dão espaço para nos movermos – “todas as coisas” são todas as coisas.' 

'[...] Acho que podemos ver tudo isso em sua própria perspectiva se nos voltarmos a Romanos 1.21: “Porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato”. Esse é o ponto central: eles não lhe deram graças. Em lugar de dar graças, eles “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato”. Professando-se sábios, tornaram-se tolos. O início da rebelião dos homens contra Deus foi, e é, a falta de um coração agradecido. Não tinham os corações apropriados, agradecidos – vendo a si próprios como criaturas diante do Criador, sendo dobrados, não só nos joelhos, mas em seus corações rebeldes. A rebelião é a recusa proposital de ser criatura diante do Criador, a ponto de ser agradecido. O amor precisa trazer consigo um “muito obrigado” que não seja superficial ou “oficial”, mas um “muito obrigado” dito na mente e com a voz ao Senhor. Como veremos adiante, isso não deve ser confundido com deixar de se opor àquilo que é cruel no mundo como se encontra hoje, antes, significa ter um coração agradecido para com o Deus que existe.' 

'[...] Se o contentamento e as ações de graças desaparecem, não estamos amando a Deus como deveríamos, e o desejo apropriado tornou-se cobiça contra Deus. Essa área interior é o primeiro ponto de perda da espiritualidade verdadeira. A exterior é sempre apenas resultado disso.' 
 
'[...] Assim, em Gálatas 2.19-20 novamente: “Estou crucificado com Cristo [...]”. Então vem uma quebra no versículo. Na minha própria Bíblia, marquei-a com duas pequenas linhas, para que essa quebra aparecesse bem para mim, mesmo em uma leitura rápida: “Estou crucificado com Cristo (pausa); logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Então, embora haja uma negativa, ela flui para a parte positiva, e parar na negativa é perder todo o sentido. A vida cristã verdadeira não é uma vida externa nem uma vida de ideias, de negativas básicas; não é detestar a vida, como costumamos fazer quando estamos ficando desanimados ou com outros problemas psicológicos. A negativa cristã não é uma negativa niilista; existe uma negativa bíblica verdadeira; mas a vida cristã não para com uma negativa. Há vida verdadeira no presente bem como no futuro.'
 
'[...] Como ilustração, lemos a negativa em Gálatas 5.15: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos”. Ele está falando de pessoas crentes. É uma negativa. Mas existe o ponto positivo (v. 14): “[...] toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E há o positivo nos versículos 22 e 23 do mesmo capítulo: “[...] o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”. Então o contexto nos leva do lado negativo ao positivo em nossas considerações da vida cristã.' 

'[...] Mas com certeza tem aplicação, especialmente à mentalidade-das-coisas e à mentalidade-do-sucesso do século 21. Estamos cercados por um mundo que a nada nega, a nada diz “não”. Quando essa mentalidade é a que nos rodeia, em que tudo é julgado pela sua grandeza e sucesso, deve ser difícil ouvir de repente que na vida cristã haverá esse forte aspecto negativo de dizer “não” às coisas e “não” ao eu e isso pode parecer difícil. E se não sentirmos que seja difícil, não estamos realmente deixando que esse aspecto nos fale. Em nossa cultura, frequentemente nos dizem que não devemos dizer “não” aos nossos filhos. Em nossa sociedade, muitas vezes, equaciona-se a repressão com a maldade. É uma sociedade que em nada se refreia, a não ser talvez para ganhar mais em outra área. Evita-se o conceito de um verdadeiro "não" tanto quanto possível.'
 
'[...] É claro que esse ambiente – de não dizer “nãocombina bem com a nossa disposição natural individual, visto que, desde a queda do homem, nosso desejo é não nos negar nada. Realmente fazemos todo o possível, quer no sentido filosófico ou no sentido prático, para nos colocar no centro do universo. É onde por natureza queremos viver. E essa disposição natural se ajusta bem ao ambiente que nos cerca no século 21. Foi esse o ponto crucial da queda. Quando Satanás disse a Eva: “É certo que não morrereis [...] sereis como Deus”, ela quis ser igual a Deus (Gn 3.4-5). Ela não quis dizer “não” à fruta que era agradável aos olhos, mesmo após Deus já lhe ter dito que dissesse “não” e ter avisado das consequências – e disso decorreu tudo o mais. Ela se colocou no centro do universo; quis ser igual a Deus.'  
 
'[...] Eis a maravilha das maravilhas, a maravilha dos séculos. Aqui está a verdadeira perspectiva, na qual a conversa se centra em um único tópico: a Pessoa, que é Deus, iria morrer. É aquele de quem se fala no em Lc 9.35: “Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi”; “sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém” (v. 31). Aqui Deus, como homem verdadeiro após a encarnação, vem como Cordeiro de Deus para tirar o pecado do mundo. Não é falso o verso poético que diz: “Cristo, o poderoso Criador, morreu”.'
 
'[...] Observemos que isso constitui o cerne da mensagem cristã. Seu centro não é a vida de Cristo, nem seus milagres, e sim, a sua morte. Toda a teologia liberal de hoje, vendo o problema do homem como metafísico, colocaria a solução no conceito de uma encarnação. Não que acreditassem em uma encarnação verdadeira, mas no conceito da encarnação. Mas a resposta bíblica não está situada aí. O nascimento [de Cristo] é o ponto necessário para se abrir o caminho à resposta, mas a resposta é a morte do Senhor Jesus Cristo. Em Êxodo 12, na Páscoa (que prevê a vinda de Jesus), o Cordeiro Pascal morre. Em Gênesis 3.15, em que a primeira promessa da vinda do Messias é dada, já somos avisados de que o Messias, quando vier, será ferido. Ele esmagará Satanás, mas ele será ferido no processo. Em Gênesis 3.21, como é vestido o homem depois de ter pecado? Com peles, que exigem o derramamento de sangue. Em Gênesis 22 lemos sobre o grande evento que mostra a compreensão de Abraão com respeito ao Messias que viria. Seu filho tem de ser colocado sobre o altar, como sacrifício – e então um cordeiro é fornecido, dando assim dupla imagem de substituição. Em Isaías 53, essa grande profecia pronunciada setecentos anos antes da vinda de Jesus, qual é o ponto central do assunto? São palavras assim: traspassado”, “moído”, “como cordeiro foi levado ao matadouro”, “cortado da terra dos viventes”, “derramou a sua alma na morte. Essas palavras atravessam os séculos na profecia, e chegamos a João Batista que fala: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. É o assunto de milhares de anos de profecia. O centro da mensagem cristã é a morte redentora de Jesus Cristo. O próprio Jesus Cristo centra sua fala no mesmo ponto, quando, em João 3, diz a Nicodemos: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado”. Se compararmos isso com a afirmação em João 12.32-33, será vista a referência específica à morte de Cristo que está próxima.'

06 fevereiro 2026

Escola: uma analogia para a vida cristã

(imagem da internet)

Qual seria uma boa analogia, ou metáfora, para a vida cristã
A vida cristã seria mais parecida com um "parque de diversões", ou seria mais parecida com uma "escola"? Apesar de analogias nunca serem exatas, podemos tentar estudar juntos sobre esta questão:
A analogia da escola parece fazer mais sentido, pois podemos nos lembrar que nessa escola temos aulas diárias com o ProfessorMestre Jesus Cristo [Rabi; ver João 1:383:2]. O Livro didático principal, que é a nossa única regra de fé e prática, são as Escrituras, mas podemos contar também com uma extensa biblioteca que está disponível nessa escola, com vários livros cristãos edificantes. Essa escola também tem um Inspetor de alunos, que é o Espírito Santo, e um Diretor, que é o próprio Deus Pai. Além disso, nessa escola não estudamos solitários, mas temos vários colegas de classe, nossos irmãos e irmãs, com quem trocamos experiências e podemos fazer até tarefas (lições de casaem conjunto. O prédio dessa escola não tem necessariamente uma localização específica, e as aulas podem acontecer "a céu aberto". Contudo, seus alunos precisam de aulas de reforço escolar, principalmente aos Domingos [do latim dies Dominicus que significa "dia do Senhor"], no prédio da igreja local. Nessa escola também há momentos de refrigério no intervalo (recreio), inclusive com merenda escolar. Essa escola é tão diferenciada, que os alunos tem um canal de comunicação direto com o Mestre, com o Inspetor de alunos, e com o Diretor, simultaneamente, e este canal se chama oração. O último aspecto que parece ser importante lembrar sobre essa escola, é que há formatura garantida para cada um dos alunos matriculados [1Pedro 2:9-10], e vários formados [ver "os heróis da fé" em Hebreus 11] já estão listados no próprio Livro didático principal dessa escola. Cada aluno verdadeiramente matriculado nessa escola, mesmo os mais frágeis e vulneráveis, certamente se formará também um dia, e todos receberão o certificado (diploma) de conclusão das mãos do próprio Mestre, na glória do novo céu e nova terra!

Portanto, caros irmãos e irmãs, colegas de classe nessa escola, vamos aprender a persistir e perseverar, seguindo em frente, e lembrando de confiar sempre e somente no Senhor, pois este é um aprendizado cotidiano que vem principalmente da Sua Palavra, e que é testado na escola da vida cristã, por meio das provas e simulados da fé, com os quais nos deparamos diariamente, pela soberana, sábia, justa, benéfica, amorosa e didática providência de Deus
"[...] todavia, o meu justo viverá pela fé" (Hebreus 10:38a)

Ao Senhor e Mestre (Rabi), seja toda a glória, para sempre!


13 abril 2025

A constância da (in)constância

É possível facilmente encontrar um pensamento normalmente atribuído a Agostinho de Hipona na obra Confissões
"As pessoas costumam amar a verdade quando esta as ilumina, porém tendem a odiá-la quando as confronta."

Vivemos dias maus. Nem é necessário defender este argumento, nem tampouco apresentar as inúmeras evidências que sustentam e suportam esta afirmação, pois é de conhecimento geral e irrestrito, pelo menos para aqueles que aguardam o retorno glorioso do nosso Senhor e Salvador, continuamente repetindo Maranata!
Contudo, o ponto central e propósito primário deste presente texto é apontar para o fato de que vivemos dias maus não somente na sociedade civil, e nos desmandos e despropósitos de uma humanidade egocêntrica, mesquinha, imatura, desonesta, idiossincrática, incoerente e malévola... em outras palavras, "a sociedade a posteriori de Gênesis 3"... na verdade, vivemos dias maus também na "igreja militante", aqui na terra.
Uma das características mais desconcertantes, que causa mais perplexidade nestes "dias maus" em que vivemos, parece ser justamente a constância (permanência, estabilidade, consistência) da inconstância (intermitência, instabilidade, inconsistência) das pessoas, ao longo de curtos ou longos intervalos de tempo e convívio com outras pessoas. Talvez não haja exemplo maior desta difícil realidade do que o profundo desamor que é possível se encontrar, particularmente dentre aqueles que professam pertencer à Cristo. O apóstolo Paulo nos exorta: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei." (Rm 13:8)
A palavra constância aparece algumas vezes na versão ARA da Bíblia em português, em textos como 2Ts 1:4; 2Ts 3:5; 1Tm 6:11; Tt 2:2, e em todos estes casos exemplificados aqui, é a tradução da palavra grega hypomone, que significa: constância, perseverança, paciência e resistência perseverantes. Esta é a mesma palavra, no original, que o apóstolo Paulo usa em Rm 5:3, e que na Bíblia ARA é traduzida por perseverança.

Nesse ponto do texto, rumando para a conclusão, poderíamos nos perguntar: "Há esperança para os nossos dias?". E a resposta surge, ressurge e se repete nas Escrituras, como por exemplo nas claras e alvissareiras palavras do apóstolo João, inspiradas pelo Espírito:
"Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós." (1Jo 1:8-10)

Graças sejam dadas ao Deus eterno, e verdadeiramente constante, apesar das nossas inconstâncias. Ao Senhor, toda a glória, o louvor e a honra, desde agora e para sempre! Amém.

05 novembro 2024

Aprendizado piedoso 197

“O brilhante teólogo Jonathan Edwards escreveu de modo comovente: 
Tenho andado diante de Deus e dado a mim mesmo, e tudo o que sou e possuo a Deus, de modo que já não sou de mim mesmo em aspecto algum. Não posso exigir nenhum direito sobre este entendimento, esta vontade e estes afetos que estão em mim. Nem tenho direito algum sobre este corpo ou sobre qualquer um de seus membros — nenhum direito sobre esta língua, estas mãos, estes pés; nenhum direito sobre estes sentidos: visão, audição, olfato ou paladar. Tenho me despojado de mim mesmo e não retive coisa alguma como sendo minha. [The Works of Jonathan Edwards
Edwards se ofereceu completamente a Deus, desejoso de obedecer a Ele sem reservas.”

[Trecho do capítulo 2 do livro "Deus: face a face com sua majestade", de John MacArthur]


26 julho 2024

Aprendizado piedoso 187

Cantares (de Salomão) 2:1-3  (versão ARA):
[Esposa]
1 "Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales."
[Esposo]
2 "Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas."
[Esposa]
3 "Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar."

“Veja o que Cristo pensa do crente. 'Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas' (Ct 2:2). O crente é como uma linda flor aos olhos de Cristo. 1. Porque, justificado aos olhos de Cristo, lavado em Seu sangue, ele é puro e branco como um lírio. Cristo não pode ver nenhuma mancha em Sua própria justiça e, portanto, Ele não vê mancha no crente. 'Tu és toda formosa, meu amor, como um lírio entre os espinhos assim é o meu amor'. 2. A natureza de um crente é mudada. Uma vez que ele era como o estéril espinheiro, que só serviria para ser queimado, agora Cristo colocou um novo espírito nele, o orvalho tem sido concedido a ele, e ele cresce como o lírio. Cristo ama a nova criatura. 'Todo meu prazer está neles'. 'Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas' (Ct 2:2). Você é um Cristão? Então não importa se o mundo te despreza, embora eles chamam-lhe por nomes depreciativos, lembre-se que Cristo te ama, Ele te chama: 'meu amor'. Permanecei nEle, e você deve permanecer no Seu amor. 'Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos'. 3. Porque, estão sós no mundo. Observem, só há um lírio, mas muitos espinhos. Há um grande deserto cheio de espinhos, e apenas uma flor solitária. Portanto, há um mundo que jaz no maligno, e um pequeno rebanho dos que creem em Jesus. Alguns crentes ficam abatidos porque eles se sentem solitários e sozinhos. Pensam: 'Se eu estivesse no caminho certo, certamente eu não seria tão solitário'... Certamente as pessoas sábias, e as amáveis e gentis que eu vejo ao redor de mim, com certeza, se houvesse alguma verdade na religião [fé cristã], elas saberiam disso. Não te abatas. É uma das marcas do povo de Cristo, a saber, que eles estão sozinhos no mundo, e ainda assim eles não estão sozinhos. É uma das peculiares belezas que Cristo vê em Seu povo, que eles são solitários entre um mundo de espinhos. 'Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas' (Ct 2:2). Não desanimes. Este mundo é o mundo da solidão. Quando vocês forem transplantados para o jardim de Deus, então vocês não serão mais solitários, e então vocês ficarão longe de todos os espinhos. Como flores em um belo jardim misturam seus milhares de odores para enriquecer a brisa que passa, assim, no paraíso acima, você deve se unir aos milhares de redimidos misturando o aroma deles como o seu louvor. Você deve se unir aos redimidos como flores vivas para formar uma guirlanda para a fronte do Redentor.

(R.M. M’Cheyne, em sermão intitulado "Qual o Lírio Entre os Espinhos, Tal é Meu Amor Entre as Filhas", baseado no livro de Cantares de Salomão)


07 fevereiro 2024

Caminho estreito e reto

 

Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lc 9:61-62).

O Brasil é uma magnífica nação, sendo impossível negar sua grande vocação agrícola, e onde a “agricultura de precisão” [i] – conjunto de técnicas que permitem o gerenciamento localizado dos cultivos – tem se mostrado como uma forte tendência atual. Neste tipo de agricultura, há uma importante característica baseada na precisão da localização em cada ponto das propriedades agrícolas, normalmente utilizando tecnologias como GPS e GIS, além de outros recursos como drones, por exemplo. É possível visualizar as fotografias de satélite – por exemplo no Google Maps – de belíssimas lavouras espalhadas por todo o território brasileiro, percebendo-se o caráter tipicamente retilíneo das linhas paralelas nos campos arados.

Voltando ao texto bíblico, no contexto do Evangelho segundo Lucas, onde estão reveladas as palavras do próprio Senhor Jesus (Lc 9:62), R.C. Sproul comenta [ii], sobre discipulado e serviço cristão: “Quando você coloca a mão no arado, sua visão só pode ser para frente, para o futuro, não importa o passado. Muitas oportunidades de ouro para a obra de Cristo neste mundo foram sufocadas e mortas, porque as pessoas não conseguiram tirar os olhos do passado... Jesus disse-lhes para esquecerem o ontem. O futuro é onde nossos olhos deveriam estar. A missão que ele nos deu é seguir em frente. Olhe para Jerusalém [celestial]... O que acontece quando um agricultor, que está arando um campo, fica se virando para ver o que acabou de arar? Você pode imaginar como seriam os sulcos [arados na terra]? Eles ziguezagueiam pelo campo... Jesus quis dizer algo do tipo: ‘Se você quiser arar, se quiser fazer uma colheita, você tem que arar em linha reta’. O mesmo acontece com o reino de Deus. Todos aqueles que desejam pertencer a Deus, que desejam avançar em direção a esse reino, devem ter os olhos fixos em Cristo, no seu reino e no seu futuro.

 

Comentando também sobre este mesmo texto (Lc 9:62), Matthew Henry nos ensina [iii] que a repreensão de Cristo – pelo pedido feito a ele no verso anterior (61) – pode ser interpretada da seguinte forma: “... ‘então tu, se tens o propósito de me seguir e colher as vantagens daqueles que o fazem, ainda assim se olhares para trás para uma vida mundana novamente, e ansiares por isso, se olhares para trás como a esposa de Ló fez para Sodoma [iv]... você não está apto para o reino de Deus’... ‘Tu não és um semeador adequado para espalhar a boa semente do reino se não conseguires segurar melhor o arado’. O arado é para a semeadura... Observe que aqueles que começam com a obra de Deus devem decidir continuar com ela, ou não farão nada com ela. Quem olha para trás tende a recuar, e recuar é perdição. Não são adequados para o céu aqueles que, tendo voltado o rosto para o céu, agora olham para trás. Mas aquele - e somente aquele - que perseverar até o fim, será salvo [v].

 

Já que estamos falando do “Caminho estreito e reto”, um fato curioso é que no relato da conversão do apóstolo Paulo – encontrado no capítulo 9 do livro de Atos – há uma menção à “rua que se chama Direita” (At 9:11), onde “Saulo, apelidado de Tarso” estava hospedado na casa de Judas. Os dicionários bíblicos [vi] nos ensinam que essa “rua Direita” existe até os dias de hoje em Damasco, e data aproximadamente do primeiro século (A.D.), tendo sido construída como o “Decumanus Maximus[vii] – uma das principais vias segundo a arquitetura urbana romana. Talvez, neste contexto de Atos 9, o fato que é mais extraordinário sobre este tipo de rua – Decúmano Máximo – orientada no sentido leste-oeste nas cidades e acampamentos romanos, é que ela comumente ligava a “Porta Pretória” (mais próxima de um potencial inimigo) à “Porta Decumana”, que era a porta mais afastada de um potencial inimigo. Talvez isto seja uma das maravilhosas e extraordinárias referências bíblicas ao fato de que Saulo de Tarso, um dos maiores inimigos da fé cristã – perseguidor daqueles que “eram do Caminho” (At 9:2) – tenha sido convertido pela graça do Senhor em um dos seus maiores amigos (Jo 15:13-15)... “um instrumento escolhido para levar o meu nome [do Senhor] perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu [o Senhor] lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9:15-16).

Se me permitem, agora me dirijo diretamente a você, caro(a) leitor(a), que está enfrentando os desafios típicos de ambientes hostis à fé cristã, como são notoriamente conhecidos os ambientes acadêmicos/universitários, por exemplo. Fiquem cientes de que o “Senhor do Caminho” vai continuar nos conduzindo – por meio do seu Santo Espírito – pelo caminho que é estreito e “apertado”, mas que “conduz para a vida” (Mt 7:13-14). Lembremos que em uma de suas 7 grandiosas declarações “Eu Sou” – encontradas no Evangelho segundo João [viii] – ele mesmo se declarou como “o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14:6).

Que o Senhor continue nos concedendo graça, força, coragem, ousadia, equilíbrio, humildade e amor, junto com a sua “entranhável misericórdia” (Lc 1:78), para ficarmos firmes “no caminho e na verdade”, vivendo uma vida para a Sua Glória, e aprendendo – como o apóstolo Paulo – o “quanto importa sofrer” pelo nome de Cristo! Neste instante, esta é a nossa oração, em nome de Jesus. Amém.

Glória somente a Deus

 

*Notas:

[i] “O Sistema de Posicionamento Global (GPS), Sistema de Informações Geográficas (GIS) e máquinas de aplicação localizada de insumos a taxas variáveis são algumas das ferramentas que tratam, especificamente, cada ponto da propriedade agrícola. Para essa tarefa, cada particularidade do solo é considerada. O resultado é a otimização dos gastos da produção agrícola.” (fonte: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cana/producao/avanco-tecnologico/agricultura-de-precisao)

[ii] R. C. Sproul, A Walk with God: An Exposition of Luke (Great Britain: Christian Focus Publications, 1999).

[iii] Matthew Henry’s Commentary on the Whole Bible: Complete and Unabridged in One Volume (Peabody: Hendrickson, 1994).

[iv]E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal” (Gn 19:26). Segundo os dicionários de hebraico, o termo “olhou para trás” foi traduzido a partir da palavra “nabat”, que tem o sentido de “olhar atentamente, considerar com prazer, contemplar com desejo”.

[v] Ver textos bíblicos como, por exemplo: Fp 3:13-14; 2Pe 2:20-22; Mt 10:22; 24:13; Mc 13:13.

[vi] Jan H. Nylund, “Straight Street,” ed. John D. Barry et al., The Lexham Bible Dictionary (Bellingham, WA: Lexham Press, 2016).

[vii] Para mais detalhes sobre “Decumanus maximus”, ver por exemplo: https://vitoroliveira.fe.up.pt/pdf/aula-3-romana.pdf

[viii] https://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/03/os-7-eu-sou-de-cristo-no-evangelho-de-joao-infografico-teologia-visual


28 outubro 2023

Aprendizado piedoso 169

Consolação proporcional aos sofrimentos espirituais

365 dias com Spurgeon (vol. 1), 11 de março de 1855

Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2Coríntios 1:5)

LEITURA ADICIONAL SUGERIDA: 2Coríntios 4:7-18

Algumas vezes ouvi a religião {1} ser descrita de tal maneira que sua descrição “enfeitada” {2} me desagradou. É verdade que “seus caminhos são caminhos agradáveis”; mas não é verdade que um cristão nunca tenha tristeza ou problemas. É verdade que a alegria de “olhos iluminados”, e o amor de “pés arejados” {3} podem percorrer o mundo sem muita depressão e tribulação; mas não é verdade que o Cristianismo protegerá um homem de problemas; nem deveria ser assim representado. Na verdade, deveríamos falar disso de outra maneira. Soldado de Cristo, se você se alistar, terá que travar uma dura batalha. Não há cama para você; não há como chegar ao céu em uma carruagem; o caminho difícil deve ser trilhado; montanhas devem ser escaladas, rios devem ser atravessados, dragões devem ser combatidos, gigantes devem ser derrotados, dificuldades devem ser superadas e grandes provações devem ser suportadas. Não é um caminho “suave” para o céu, acredite; para aqueles que deram apenas alguns passos, descobriram que é “difícil” {4}. É um caminho agradável; é o mais “encantador” {5} de todo o mundo, mas não é fácil por si só; só é agradável pela companhia {6}, pelas doces promessas nas quais nos apoiamos, pelo nosso Amado que caminha conosco por todas as dificuldades e picos espinhosos deste vasto deserto. Cristão, espere problemas: “Não pense que é estranho a prova de fogo… como se algo estranho tivesse acontecido com você”; pois tão verdadeiramente quanto você é um filho de Deus, seu Salvador o deixou como legado: “No mundo tereis aflições; em mim tereis paz” (João 16:33).

PARA MEDITAÇÃO: O homem que proclama que a vida cristã é fácil não está apenas contradizendo o Senhor Jesus Cristo e os apóstolos, mas também expondo a sua própria ignorância do verdadeiro cristianismo. Jesus prometeu aos seus seguidores bênçãos agora, “com perseguições”, e vida eterna por vir (Marcos 10:29-30).

[*Traduzido de: C. H. Spurgeon and Terence Peter Crosby, 365 Days with Spurgeon (Volume 1) (Leominster, UK: Day One Publications, 1998), 77]

***Notas:
{1} "religião" era o termo comumente usado, na época, para se referir à "fé cristã", como dizemos nos dias de hoje.
{2} No original, é usada a palavra "colouring", dando a entender que a religião (fé cristã) foi descrita como uma "caricatura".
{3} As expressões originais "light-eyed" e "airy-footed", de difícil tradução no contexto, forma traduzidas por “olhos iluminados” e “pés arejados”, respectivamente.
{4} No original, é usada a palavra "rough" que pode significar, por exemplo: difícil, áspero, acidentado, bruto, duro, grosseiro, rústico, irregular, complicado, calejado, adverso, selvagem, tempestuoso, rude, etc.
{5} Aqui é usada a palavra "delightful" no original, que pode significar: encantador, agradável, prazeroso, maravilhoso, deleitoso, belo, etc.
{6} Neste contexto, está se referindo à "companhia" de Cristo, o "Amado que caminha conosco", mas também à companhia de outros cristãos, amigos e irmãos na mesma fé.
 

05 julho 2020

Três momentos


Olhando para esta colagem de fotos, é possível ver 3 focos diferentes, e isto remete a 3 "momentos" da vida cristã:

1) passado, como pecador outrora perdido nos próprios delitos e pecados.

2) presente, como pecador redimido, salvo pela graça misericordiosa do Deus triuno: o Pai, o Filho Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

3) futuro, depois de ressurreto e glorificado, assim como Ele, e habitando em Sua presença gloriosa por toda a eternidade, nos novos céus e nova terra.

John Newton, o autor do famoso e inesquecível hino "Amazing Grace" ("Graça Maravilhosa"), expressou esta verdade de maneira extraordinária:

"Eu não sou o que eu deveria ser, eu não sou o que eu quero ser, eu não sou o que eu espero ser em outro mundo; porém, eu não sou o que costumava ser, e pela graça de Deus, eu sou o que sou." 

"Apesar de desvanecimento da minha memória, eu lembro duas coisas muito claramente: eu sou um grande pecador e Cristo é um grande Salvador." 

Neste 05 de julho, obrigado meu Senhor e bom pastor, por mais um ano de vida "em abundância" (João 10:10-11)... abundância de esperança, de alegria, de fraternidade, de amizade, de propósito!

Soli Deo Gloria