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15 abril 2014

"The Ultimate Proof of Creation"

Alguns poucos trechos traduzidos do livro "The Ultimate Proof of Creation – resolving the origins debate", de Jason Lisle. Recomendo a leitura completa do livro.

27 janeiro 2015

pequeno ou GRANDE?

Afinal de contas, o ser humano é pequeno ou GRANDE?

pequeno ou GRANDE?

“Aquele que afirma ser cético em relação a um conjunto específico de crenças é, na verdade, um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças.” (Phillip E. Johnson)

Assisti recentemente a um vídeo na internet, que circulou bastante por mostrar a resposta de um popular astrofísico para uma criança de 6 anos, durante uma palestra, que lhe dirigiu a seguinte pergunta: "Qual o propósito ou o sentido da vida?". Sem dúvida nenhuma, uma pergunta central da teleologia, que vem ocupando as mentes de homens muito brilhantes ao longo dos séculos, e que também pode estar na mente de uma criança de apenas 6 anos de idade. Essencialmente, a resposta do conhecido astrofísico, de acordo com a sua cosmovisão notoriamente humanista, materialista e ateísta, foi que o ser humano não precisa ter necessariamente um propósito externo para a sua vida, mas ele mesmo pode criar, estabelecer ou fabricar o propósito ou o objetivo para a sua própria vida.
O homem é pequeno quando comparado com a imensidão do cosmos, diz um cético astrofísico de cosmovisão materialista e reducionista, tipicamente um ateu. Segundo tal cético, o ser humano não vai muito além de ser uma poeira cósmica constituída de elementos químicos reciclados, que foram sintetizados nas estrelas.
O homem é GRANDE, quando olhado a partir da sua própria lente, por causa dos grandes feitos que ele considera ter feito ao longo da história da humanidade, diz o humanista tipicamente ateu.
O homem é pequeno e insignificante, pois não passa de um conjunto de células, moléculas e átomos, diz o reducionismo materialista da cosmovisão de um ateu.
O homem é GRANDE na sua auto-suficiência, pois pode até mesmo criar um significado para a sua própria vida, diz o humanista ateu.

Afinal de contas, o homem é pequeno ou GRANDE, segundo a cosmovisão do ateu?

A falta de coerência da cosmovisão ateísta me fez lembrar um trecho encontrado durante a leitura recente do extraordinário livro “Um Mundo com Significado”, de B. Wiker e J. Witt: “Em meio a seus esforços com respeito às confusões da teoria do flogisto (ou flogístico), Lavoisier fez uma queixa famosa contra os flogistianos, que deve ser citada. É semelhante às queixas de muitos cientistas de boa reputação contra a teoria da seleção natural generalizada como um mecanismo faz-tudo, faz-qualquer-coisa, do darwinismo:  ‘Os químicos têm feito do flogisto um princípio vago, não estritamente definido e, por conseguinte, cabível em todas as explicações requeridas. Às vezes, tem peso, às vezes, não tem; às vezes, é fogo livre, às vezes, é fogo combinado com terra; às vezes, passa pelos poros dos vasos, às vezes, não penetra neles. Explica ao mesmo tempo a causticidade e a não-causticidade, transparência e opacidade, cor e ausência de cores. É um verdadeiro Proteus que muda de forma a cada instante.’ [Antoine Lavoisier, citado por William Brock em ‘Norton History’]”.
É importante acrescentar que Proteus é uma deidade marinha criada pela mitologia grega, com o poder de prever o futuro e de se metamorfosear, particularmente quando procurava evitar um humano que se aproximava para saber dele as previsões para o futuro. Além disso, também é interessante deixar claro o fato da teoria do “flogístico” já ter sido considerada incorreta e, portanto descartada pela comunidade científica.

O quê será que exalta e enGRANDEce mais o ser humano?
Será que é o reducionismo da cosmovisão materialista, que considera o ser humano apenas como um conjunto estruturado de células, moléculas e átomos, que sobreviveu à seleção natural e que tem similaridade genética com um símio?
Ou será que é a cosmovisão cristã, que considera o ser humano como mais do que simplesmente um conjunto de células, pois afirma que ele possui corpo e alma, e foi criado como criatura especial (Salmos 8:1-5), feito à imagem e semelhança (Gênesis 1:26-27) de um Criador onipotente, onipresente e onisciente, que também criou todo o universo?

“Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade.
Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.
Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?
Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.”
(Salmos 8:1-5)

Sabe de uma coisa, prezado(a) leitor(a)? Se há algo que tenho aprendido repetidamente na Palavra de Deus, é que ela coloca tudo e todos em uma perspectiva extraordinariamente correta e esclarecedora, mostrando quem é Deus, o Criador, quem somos nós, suas criaturas, e qual a imensurável distância entre o nosso pecado e a sua santidade. Contudo, ao mesmo tempo, a Palavra de Deus também mostra qual a alvissareira proximidade entre o nosso arrependimento e o perdão de Deus, através da fé na graça superabundante da obra redentora e suficiente do Deus Filho, o Senhor Jesus Cristo, obra esta aplicada ao coração dos cristãos através Espírito Santo, em uma obra magnífica da Trindade Bíblica.

A grande lacuna de coerência da cosmovisão materialista e reducionista dos ateus não está apenas em responder, de maneira lógica e satisfatória, à pergunta “Qual o propósito ou o sentido da vida?”. Existem pelo menos mais quatro perguntas fundamentais como esta, que devem constituir e estruturar a cosmovisão de qualquer ser humano, mesmo que ele não tenha uma consciência clara de que possui uma cosmovisão.
Cinco (5) perguntas importantes para qualquer ser humano fazer a si mesmo, buscando por respostas lógicas, honestas e coerentes com a sua cosmovisão:
- Origem: De onde viemos?
- Identidade: Quem somos?
- Propósito: Por que estamos aqui?
- Ética: Como devemos viver?
- Destino: Para onde vamos?

Dependendo da forma com que cada um responde a estas 5 perguntas, isto constitui boa parte das pressuposições básicas da sua cosmovisão, mesmo que o indivíduo não saiba o que é uma cosmovisão e, nem mesmo, que todos possuímos uma.
Vamos tentar ilustrar as 5 respostas comuns para estas perguntas, segundo as cosmovisões ateísta e cristã:


Pergunta
Resposta ateísta típica
Resposta cristã bíblica
Origem
Partículas fundamentais (que surgiram ex nihilo) se organizaram em átomos, que se organizaram em moléculas, que se organizaram em estruturas bioquímicas, que se organizaram em células, que se organizaram em seres vivos, que evoluíram e, um dia, surgiu o homem.
O Criador do universo e de tudo o que nele existe, também criou o homem como criatura especial (Salmos 8:3-5), criada à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27).
Identidade
A identidade do ser humano é autodefinida. Cada um define o que deseja ser, em um ato soberanamente volitivo.
Deus nos criou e tem um relacionamento individual com cada uma de suas criaturas. Quem nos define é quem nos criou (Romanos 9:20-24).
Propósito
Carpe diem (frase de um poema de Horácio), que significa "aproveite o momento", pois é tudo o que existe. Ou então, o homem é tão auto-suficiente, que pode fabricar ou definir para si mesmo um propósito para a sua vida.
O propósito supremo e principal do homem é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre (pergunta 1 do Catecismo Maior de Westminster - CMW, e suas respectivas referências bíblicas).
Ética
A ética é relativa. Cada um define, por conta própria, o que é certo e errado. O que é certo para uma pessoa, pode ser errado para outra, e vice-versa. Não há absolutos nem referenciais.
Deus requer do homem a obediência à sua vontade revelada, que pode ser encontrada de forma resumida nos seus mandamentos (perguntas 91-98 do CMW, e suas respectivas referências bíblicas).
Destino
A morte é a estação final da vida. Depois da morte, o ser humano é desintegrado em um conjunto de moléculas e átomos, e simplesmente deixa de existir, obviamente em paralelo com o desaparecimento da consciência da sua existência.
Há vida após a morte. Os filhos de Deus habitarão com Ele para sempre (Apocalipse 21 e caps. XXXII e XXXIII da Confissão de Fé de Westminster). A breve jornada de peregrinação do cristão por este mundo atual, muitas vezes com sofrimentos (Romanos 8:18), não se compara à eternidade com o glorioso Senhor Jesus Cristo, em toda sua plenitude.

O propósito e a esperança que podem ser encontrados nas respostas cristãs e bíblicas para algumas das perguntas mais importantes que um ser humano pode fazer, podem preencher e "fazer sossegar" a alma, o coração e a mente de qualquer filho ou filha de Deus com tal profundidade, que pode fazê-lo(a) salmodiar como Davi:
 “[Cântico de romagem. De Davi] SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.
Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.” (Salmos 131)

No âmbito destas questões, o ateu é conduzido pela incerteza, enquanto o cristão é conduzido pela certeza. Para o ateu, que acredita que a morte é a "estação final" da vida, a incerteza de não saber quando a sua morte ocorrerá, o faz buscar, muitas vezes, por uma vida comprometida com o hedonismo, cujo lema principal é "carpe diem" ("aproveite o momento"), pois é tudo o que há. Para o verdadeiro cristão, a certeza das promessas e da aliança que o Senhor revelou nas Escrituras Sagradas, justamente com a obra redentora suficiente e eficaz de Jesus Cristo, é o bastante para manter a certeza, por fé, de um mundo vindouro, de uma vida após a morte, onde Ele "lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Apocalipse 21:4).
Rogo ao Senhor que o menino de 6 anos de idade que ouviu a resposta do astrofísico, também tenha a oportunidade de ouvir a resposta cristã para estas perguntas.

A Bíblia fala mais sobre "pequeninos" e "GRANDE":
“Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Lucas 10:21, ênfase acrescentada)
Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus.” [48:1]
 “O teu caminho, ó Deus, é de santidade. Que deus é tão grande como o nosso Deus?” [77:13]
“Pois tu és grande e operas maravilhas; só tu és Deus!” [86:10]
“Porque o SENHOR é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses.” [95:3]
“Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses.” [96:4]
“... eu sei que o SENHOR é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses.” [135:5]
Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável.” [145:3]
Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.” [147:5]
[Salmos, ênfases acrescentadas]

28 julho 2022

pequeno ou GRANDE (v.a.)

 

Segundo informações da NASA (“Solar System Portrait”, JPL, Caltech), esta imagem colorida é parte do primeiro “retrato” do sistema solar feito pela sonda espacial Voyager 1 na década de 1990, e foi registrada a uma distância de mais de 6 bilhões de quilômetros da Terra, que foi apelidada de “Pálido Ponto Azul”, sendo um mero ponto luz do tamanho de apenas 0,12 pixels.

28 julho 2014

"The Ultimate Proof of Creation" 2

Mais alguns poucos trechos traduzidos do livro "The Ultimate Proof of Creation – resolving the origins debate", de Jason Lisle. Recomendo a leitura completa do livro.

06 junho 2014

Tendências culturais ("culturomics")

Gráficos do "Google Books Ngram Viewer"

Mecanismo de busca: O 'Google Books Ngram Viewer' exibe um gráfico que mostra como as palavras (ou frases) têm ocorrido nos livros que já foram digitalizados. Isto significa, aproximadamente, 5,2 milhões de livros, ou seja, cerca de 4% de todos os livros já publicados até então. Desta maneira, se torna uma ferramenta quantitativa para medir tendências culturais ("culturomics"), se for usada com a devida cautela para a interpretação dos resultados.

11 março 2024

humanaMENTE (2024)


O ser humano pode ser reduzido apenas a átomos?

Sim, em uma das camadas da realidade que Deus criou, os seres humanos – e tudo mais o que existe neste universo – são constituídos de átomos [i]. Contudo, a cosmovisão naturalista ou materialista considera essencialmente que os seres humanos são feitos apenas de átomos, e que tudo o que o indivíduo vivencia, em termos de emoções e pensamentos, por exemplo, pode ser explicado a partir do que acontece com os seus átomos. Esta é uma visão reducionista, que é típica de quem enxerga o mundo através do naturalismo filosófico (ateísmo), e normalmente também através do evolucionismo (darwinismo).

Será que nós somos apenas átomos, combinados em moléculas, que por sua vez se organizam em estruturas bioquímicas cada vez mais complexas e em organelas celulares, e estas se estruturam em células, tecidos e órgãos, até constituir todo o organismo humano? Há uma estimativa de que um homem de 70kg tenha cerca de 7x1027 (sete octilhões: 7.000.000.000.000.000.000.000.000.000) de átomos em seu organismo, e que aproximadamente 98% destes átomos são renovados anualmente, por meio dos ciclos bioquímicos naturais dos elementos químicos (principalmente carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio), através da ingestão de alimentos sólidos e líquidos, trocas gasosas com o meio ambiente (respiração) e eliminação de dejetos.

Do ponto de vista celular, enquanto alguns tecidos, como a pele e a mucosa estomacal, são conhecidos por se regenerar com maior frequência, outros tipos de células são renovados mais lentamente. Há uma estimativa de que uma grande parte das células de um ser humano tenha apenas cerca de 10 (dez) anos de idade – ou até menos – mesmo que este indivíduo seja avançado em idade cronológica. Esta espantosa taxa de renovação ou regeneração pode, até mesmo, promover discussões filosóficas sobre a identidade do ser humano em constante renovação, como por exemplo, o paradoxo do “navio de Teseu”.

No livro “The Ultimate Proof of Creation”, Jason Lisle comenta: “Se os seres humanos são apenas acidentes químicos, porque deveríamos nos importar com o que eles fazem? Nós não ficamos contrariados quando bicarbonato de sódio reage com vinagre; isto é exatamente o que os reagentes químicos fazem. Então, por que um evolucionista ficaria contrariado com qualquer coisa que um ser humano fizesse a outro, se nós não passamos de reações químicas complexas?”

Usando um argumento similar, John Lennox, em seu livro “Gunning for God”, desenvolve o seguinte raciocínio lógico: “Depois de tudo, como o químico J.B.S. Haldane destacou, já faz algum tempo, que se os pensamentos em minha mente são apenas o movimento de átomos em meu cérebro - um mecanismo que surgiu por processos não guiados e não inteligentes, porque eu deveria acreditar em qualquer coisa que eles me dizem - incluindo o fato de que eles são feitos de átomos?”

John Lennox continua explorando esta questão da cosmovisão reducionista em seu livro “God and Stephen Hawking”, apresentando o conceito da seguinte forma: “Como Francis Crick, ele quer nos fazer crer que nós, seres humanos, não somos nada além de ‘meras coleções de partículas fundamentais da natureza’. Crick escreve: ‘Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre arbítrio, são na verdade nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas’... Uma pintura de Rembrandt não seria mais do que moléculas de tinta espalhadas em uma tela?... Afinal de contas, se o próprio conceito de verdade resulta de ‘nada mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas’, como, em nome da lógica, poderíamos saber que o nosso cérebro foi constituído de células nervosas?”. Estes argumentos relembram o que veio a ser conhecido como a “Dúvida de Darwin”: “...Para mim, sempre surge a dúvida horrível se as convicções da mente humana, que foi desenvolvida a partir da mente de animais inferiores, têm algum valor ou são confiáveis”.

O físico de partículas, teólogo e reverendo inglês, John Polkinghorne, descreve: “Se a tese de Crick é verdadeira, nós nunca poderíamos saber. Pois, não apenas relega nossas experiências de beleza, obrigação moral e busca religiosa, a uma sucata epifenomenológica, mas também destrói a racionalidade. O pensamento é substituído por eventos neurais eletroquímicos. Estes dois eventos não podem confrontam um ao outro em um discurso racional. Eles não estão nem certos nem errados. Eles simplesmente acontecem... As próprias afirmações do reducionista não são mais do que sinais pontuais na rede neural do seu cérebro. O mundo do discurso racional dissolve-se na conversa absurda do disparo de sinapses. Francamente, isso não pode estar certo e nenhum de nós acredita que seja assim”.

Na obra "One World: The Interaction of Science and Theology", John Polkinghorne continua a combater o reducionismo extremo da cosmovisão naturalista/materialista, apresentando uma oportuna e relevante visão da realidade em múltiplas camadas: “A realidade é uma unidade de muitas camadas. Eu posso perceber outra pessoa como um agregado de átomos, um sistema bioquímico aberto interagindo com o ambiente, um exemplar de Homo sapiens, um objeto de beleza, alguém cujas necessidades merecem meu respeito e minha compaixão, um irmão ou irmã por quem Cristo morreu. Tudo verdadeiro e tudo misteriosamente coexiste nesta pessoa. Negar um desses níveis é diminuir tanto essa pessoa quanto a mim, que a observo; é faltar com a justiça à riqueza da realidade. Parte da apologética a favor do teísmo é que em Deus, o Criador, o fundamento de tudo o que há, esses diferentes níveis encontram abrigo e segurança. Ele é a origem de toda ligação, aquele cujo ato criador reúne em uma só as visões de mundo da ciência, estética, ética e religião, como expressões de sua lógica, sua alegria, sua vontade e sua presença”.

Partindo-se de uma linha de pensamento mais próxima da filosofia, porém alinhada com os mesmos argumentos apresentados acima para o problema do reducionismo naturalista/materialista, o filósofo cristão Francis Schaeffer, em seu livro “O Deus que se revela”, defende a cosmovisão cristã da seguinte forma: “... Quando partimos de uma origem pessoal de todas as coisas, então estaremos em condições de entender a vocação do ser humano para a personalidade, como uma das explicações possíveis. Se partirmos de um nível inferior à personalidade, no final teremos que reduzir a personalidade ao impessoal. O mundo científico moderno assim procede em seu reducionismo, no qual a palavra personalidade limita-se ao caráter do impessoal, acrescido de complexidade. No mundo científico naturalista, seja da sociologia, seja da psicologia ou das ciências naturais, o ser humano é reduzido a algo impessoal, acrescido de complexidade... Lamentável geração! Os homens, feitos à imagem de Deus, com o intuito de estar em comunicação vertical com aquele que existe e que deseja lhes falar, e para ter comunicação horizontal com seres da sua própria espécie, transformaram-se a si mesmos, devido ao seu racionalismo soberbo, em seres autossuficientes, chegando a este lugar... Assim, temos três fatos simultâneos: Deus, o Deus pessoal infinito fez o universo; o homem, a quem ele fez para viver naquele universo; e a Bíblia, que ele nos deu para falar sobre o universo. Seria de se estranhar haver unidade entre estas coisas? Por que motivo deveríamos ficar surpresos?... Não é de surpreender o fato de que, se um Deus inteligível criou o universo e me colocou dentro dele, ele tenha igualmente correlacionado as categorias da minha mente, para que elas se encaixassem neste universo, simplesmente porque eu preciso viver nele. Esta é uma simples extensão lógica dos meus pontos anteriores. Se o mundo foi feito da forma como o sistema judaico-cristão afirma que foi, não deveríamos nos surpreender ao encontrar categorias mentais no homem que concordam com o universo em que ele vive”.

O teólogo e reformador cristão João Calvino, no parágrafo 20 do capítulo XIV encontrado no primeiro livro das “Institutas da Religião Cristã”, empunhou sua pena para escrever: “E assim criou o céu e a terra com a mais plena abundância de todas as coisas, pela variedade e beleza, como se tivesse ornado admiravelmente uma ampla e esplêndida morada, ao mesmo tempo mobiliada e repleta do mais excelente e copioso. Por fim, ao dar forma ao homem, tocando-o com tanto brilho, tornando-o insigne com todos e tantos dons, fez dele o espécime mais notável de suas obras”.

A cosmovisão cristã declara que o ser humano é muito mais do que apenas átomos, e a própria Escritura dignifica o ser humano como uma criação especial de Deus, como pode ser observado abaixo, em alguns exemplos de textos bíblicos:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27)

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8:3-5)

Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Is 64:8)

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4:11)

Contudo, o que poderia dignificar mais o ser humano, do que o próprio Filho do Deus vivo (Mt 16:16), o Verbo da vida (1Jo 1:1), ter assumido a natureza humana? Jesus Cristo, “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15-20), é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Entretanto, este Emanuel (Is 7:14; Mt 1:23), “Deus conosco”, não viveu neste mundo à parte do sofrimento humano, mas se compadeceu de nossas fraquezas (Hb 4:14-16), sofrendo e experimentando as provações e dores da existência humana (Is 53; 1Pe 4:1), até o ápice da sua morte na cruz do Calvário (Jo 19:17). No entanto, o túmulo de Jesus está vazio, e isto é um fato que deve preencher de esperança o coração e a alma do verdadeiro crente ou discípulo de Cristo, por causa da sua graciosa e misericordiosa obra de redenção.

J.I. Packer, em sua obra “O conhecimento de Deus”, resume bem a realidade do “Deus encarnado”, com as seguintes palavras: “O Verbo se fez carne: um bebê humano real. Ele não deixou de ser Deus; ele não era menos Deus do que antes; mas ele havia começado a ser homem. Ele não era agora Deus menos alguns elementos de sua divindade, mas Deus e mais tudo o que ele havia tornado seu ao assumir a humanidade em si mesmo. Aquele que havia feito o homem agora estava sentindo como era ser um”.

Cristo, ao nascer como um menino em uma manjedoura, também foi constituído de átomos, assim como “todas as coisas [que] foram feitas por intermédio dele[ii]. Portanto, Jesus também tinha um cérebro feito de átomos, assim como nós. Contudo, ao contrário de nós, que temos uma “humanaMENTE", Jesus Cristo – sendo também perfeitamente Deus – tem uma “divinaMENTE".

Graças a Deus por Jesus Cristo!

*Notas:

[i] A princípio, os átomos também poderiam ser subdivididos em partículas subatômicas, e esta visão reducionista poderia atingir níveis ainda mais ínfimos no âmago da matéria, a partir do que se conhece, por exemplo, no “Modelo Padrão” da física de partículas. Contudo, para os fins deste texto, iremos nos ater ao reducionismo no nível dos átomos, que geralmente é uma nomenclatura mais conhecida e melhor compreendida.

[ii] “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3).

 

19 março 2023

EB4: Apologética Bíblica Evangelística

Texto base: 1Pe 3:15-16

13Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom?14Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados;15antes, santificai [hagiazo: consagrar/dedicar, separar/santificar] a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder [apologia: defesa verbal, discurso em defesa, afirmação ou argumento raciocinado] a todo aquele que vos pedir razão [logos] da esperança que há em vós,16fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo,17porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal.18Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (1Pe 3:13-18)

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 [“Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler & Frank Turek]

- “É claro que as provas não substituem a fé, que é essencial para nossa salvação e comunhão com Deus. O estudo apologético também não desrespeita a nossa fé. Em vez disso, a enfatiza, qualifica, reforça e renova. Se não fosse assim, a Bíblia não diria ‘Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês’ (1Pe 3:15).”

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[“The Ultimate Proof of Creation”, Jason Lisle]

- Conhece a história sobre um homem que estava convencido de estar morto? O seu médico tentou convencê-lo de todas as formas que ele estava vivo, argumentando que um homem vivo, como ele, era capaz de andar e falar, mas o paciente insistia que poderia ser por causa de espasmos dos músculos após a morte clínica. O homem não se convencia que estava vivo. Finalmente, o médico perguntou para o paciente irredutível, se homens mortos sangravam, e a resposta do paciente foi que homens mortos não sangram. Então o doutor pegou uma agulha fina e furou o braço do homem, e uma gota de sangue começou a emergir. ‘Veja!’, disse o médico. O homem sangrando respondeu: ‘bem, parece que homens mortos também sangram!’

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Aforismos:

-  Declaração de Stephen Hawking (ateu, materialista): “Não existe céu ou vida após a morte [...] isto é um conto de fadas para pessoas com medo da escuridão”.

- Resposta de John Lennox (cristão, apologeta): “O ateísmo é um conto de fadas, para pessoas com medo da luz”.

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Ateus, Agnósticos, Antiteístas

- Ateus, atheus (latim), atheos (grego).

- Os próprios mártires cristãos foram acusados de serem “ateus”, por causa do seu monoteísmo, ou seja, por não adorarem aos deuses dos panteões da época, principalmente por não adorarem ao auto-intitulado divino Kaiser kyrios.

- A declaração dos cristãos é: Christos kyrios (Fp 2:11)

- Agnósticos (agnostos) dizem ser impossível chegar ao conhecimento de Deus.

- O antagonismo a Deus é recente ou antigo? “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação [ou iniquidade]; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1 [ou 53:1]).

- Na verdade, devemos considerar que existem antiteístas, segundo Rm 1:18-23, especialmente o v.20, “os atributos invisíveis de Deus... claramente se reconhecem”. Os auto-denominados ateus ou agnósticos sabem que Deus existe, “por meio das coisas criadas”, e “são, por isso, indesculpáveis”, mas, segundo o v.21, “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”, e “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato”. No v.22, “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos”.

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Conclusão e Aplicações

1) Apologética Bíblica Evangelística:

“O motivo pelo qual os cristãos são colocados na posição de apresentar a razão da esperança que neles há é que nem todos os homens têm fé. Porque há um mundo a ser evangelizado (homens que não são convertidos), há a necessidade de que o crente defenda sua fé: evangelismo conduz naturalmente à apologética. Isso indica que apologética não é mera questão de “duelo intelectual”; é uma séria questão de vida e morte — vida e morte eterna! O apologeta que falha em perceber a natureza evangelística de sua argumentação é cruel e arrogante. Cruel porque ignora a principal carência de seu oponente, e arrogante porque está mais preocupado em demonstrar que ele não é um tolo acadêmico do que em mostrar que toda glória pertence ao gracioso Deus de toda a verdade... Evangelismo nos faz lembrar quem somos (pecadores salvos pela graça) e do que carecem nossos oponentes (conversão de coração, não apenas proposições modificadas). Acredito, portanto, que a natureza evangelística da apologética nos indica a necessidade de adotar uma defesa pressuposicional da fé. Em contraste a essa abordagem se colocam os vários sistemas de argumentação autônoma neutra.”

[“Evangelismo e Apologética”, Greg L. Bahnsen]

2) Como responder a um “insensato”:

- Pv 26:4-5 (aparente contradição, segundo os críticos da Bíblia).

- No v.4, você deve negar a cosmovisão do insensato no seu coração e publicamente, em primeiro lugar, para não se tornar semelhante a ele.

- No v.5, você deve falar para o insensato: “vamos simular por um instante a sua cosmovisão e levar às últimas consequências, para ver o que acontece”, e aí mostrar que a conclusão lógica da sua cosmovisão é uma total incoerência, nulidade e loucura (Rm 1:22, “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos”).

- Exemplo de aplicação do v.5: se a mente humana é feita somente de matéria e energia (segundo a cosmovisão materialista ou naturalista), e evoluiu apenas de processos não guiados de seleção natural (sem uma inteligência por trás), então os pensamentos em nossa mente não devem ser mais do que um conjunto de disparo de sinapses (estímulos nervosos), ou seja, puras reações químicas acontecendo no cérebro. Portanto, porquê deveríamos acreditar em qualquer pensamento produzido por nosso cérebro, se eles são apenas o resultado de reações químicas? Se você soubesse que o seu computador ou celular (hardware) foi montado de forma aleatória, não guiada (por inteligência), você teria alguma confiança em utilizá-lo (usar os programas ou aplicativos instalados nele) para criar qualquer resultado? Imagine a nossa mente? Um sentimento de amor seria apenas um conjunto de reações químicas de um certo tipo? Um sentimento de ódio, de outro tipo?

3) Significado, propósito, liberdade e entendimento:

“É estranhamente inadequado começar confessando que Deus tem grande significado para a minha vida, não porque meu coração hesita em afirmar isso como verdade, — ele o faz instintivamente a cada batida — mas porque toda a noção de ‘ter significado’ e a realidade existencial de ‘viver’ não possui sentido sem Deus. Assim, não é suficiente confessar que Deus tem grande significado para a minha vida, como se Deus pudesse ser mais um entre muitas coisas dentro da vida que são significativas para mim, como uma pessoa. É somente por causa de Deus que tenho vida, e uma vida que tem sentido. Sem, de forma alguma, perder de vista a tremenda distinção entre Criador e criatura, gostaria antes de dizer que Deus é o meu significado e Deus é minha vida... Com as simples e poucas palavras que tenho, então, diria que Deus sempre foi para mim uma presença santa e inescapável (cf. o testemunho de Davi no Salmo 139). Deus tem sido uma fonte secreta de aceitação e perdão pessoal, quando às vezes havia dúvidas sobre qualquer fonte humana para isso. Deus tem sido uma força estabilizadora bem como o fogo do entusiasmo, quer nas situações negativas de adversidades, ou em tempos positivos de oportunidade. Deus tem sido meu ideal de perfeição moral e assim, tanto uma repreensão constante para minha carência de sua glória como um guia gentil na direção correta. Deus tem sido o governador soberano e incompreensível de cada detalhe da minha vida – algo que tem (ironicamente para aqueles que rejeitam tal descrição dele) me enchido de um senso de liberdade e entendimento.”

[“Meu Senhor e Minha Vida”, Greg L. Bahnsen]

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Mensagem final de encorajamento:


“Na contemplação de Cristo existe um bálsamo para cada ferida; na meditação sobre o Pai, há consolo para todas as tristezas, e na influência do Espírito Santo, alívio para todas as mágoas. Você quer esquecer sua tristeza? Quer livrar-se de seus cuidados? Então, vá, atire-se no mais profundo mar da divindade; perca-se na sua imensidão, e sairá dele completamente descansado, reanimado e revigorado. Não conheço coisa que possa confortar mais a alma, acalmar as ondas da tristeza e da mágoa, pacificar os ventos da provação que a meditação piedosa a respeito da divindade.”

(C.H. Spurgeon, com 20 anos de idade, citado em “Conhecimento de Deus”, J.I. Packer)

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Etimologia (inglês): “apologize” à “desculpar-se”

https://www.etymonline.com/word/apologize#etymonline_v_26406

- apologize (v.)

1590s, "to speak in defense of"; see apology + -ize. The sense of "regretfully acknowledge" (“infelizmente reconheço”) is attested by 1725. The Greek equivalent, apologizesthai, meant simply "to give an account". Related: Apologized; apologizing; apologizer.

- apology (n.)

early 15c., "defense, justification", from Late Latin apologia, from Greek apologia "a speech in defense", from apologeisthai "to speak in one's defense", from apologos "an account, story", from apo "away from, off" (see apo-) + logos "speech" (see Logos).

In classical Greek, "a well-reasoned reply; a 'thought-out response' to the accusations made" (“uma resposta bem fundamentada; uma 'resposta pensada' às acusações feitas”), as that of Socrates. The original English sense of "self-justification" (“autojustificação”) yielded a meaning "frank expression of regret for wrong done" (“expressão franca de arrependimento pelo mal feito”), attested by 1590s, but this was not the main sense until 18c. In Johnson's dictionary it is defined as "Defence; excuse," and adds, "Apology generally signifies rather excuse than vindication, and tends rather to extenuate the fault, than prove innocence" (Apology “geralmente significa mais ‘desculpa’ do que ‘vindicação’, e tende mais a atenuar a falta do que provar a inocência”), which might indicate the path of the sense shift. The old sense has since tended to go with the Latin form apologia (1784), a word known from early Christian writings in defense of the faith.

< Arquivo em PDF >


31 agosto 2014

Amor reducionista

Minha varoa (Gênesis 2:23),
Se eu tivesse uma cosmovisão materialista, particularmente reducionista, que essencialmente crê que tudo o que existe no universo pode ser explicado a partir dos átomos e das partículas subatômicas, eu te diria:
- Eu amo cada molécula sua...
- Eu amo cada átomo que constitui cada molécula ou cada íon seu...
- Eu amo cada partícula subatômica que constitui cada átomo seu...
- Eu amo cada molécula volátil que exala o seu cheiro...
- Eu amo cada molécula de açúcar que lhe confere doçura...
- Eu amo, até mesmo, aquelas moléculas que se revelam em alguns (só alguns mesmo, muito poucos!) fios de cabelo branco...
Se cada um de nós, segundo a cosmovisão reducionista, fosse realmente apenas um complexo conjunto de moléculas e substâncias químicas, eu te diria:
- O meu vinagre borbulha no seu bicarbonato...
- O meu cloreto precipita nos seus íons prata...
- O meu sódio metálico ferve na sua água...
- O meu dieno conjugado fecha o ciclo com o seu alceno...
- O meu nucleófilo se liga ao seu eletrófilo...
- O meu reagente de Grignard se liga à sua carbonila...
Contudo, varoa, eu te amo mais ainda porque nós não cremos no materialismo, ou no reducionismo, mas cremos no Deus vivo e eterno, criador e sustentador deste universo. Cremos no Deus bíblico, que enviou o Seu Filho bendito para nos salvar e redimir nossos pecados. Cremos no Espírito Santo, que comunica em nós o próprio Senhor Jesus Cristo.
É por isso que eu te amo cada vez mais, varoa.
E, pela graça e misericórdia do nosso Senhor, vou te amar por toda a eternidade, na Glória.
E lá vou poder te amar sem meus defeitos e pecados. Vou poder te amar perfeitamente, como Jesus Cristo ama a Sua Igreja, como o Cordeiro ama a sua Noiva (Apocalipse 19:7).
Louvado seja o nosso Senhor por nos constituir, junto com nossos filhos, uma família!
Valéria, em Cristo, eu te amo ainda mais...
Ao Senhor, toda a Glória, desde agora e para todo o sempre! Amém.


17 outubro 2022

Livro: "Firmes nas Promessas"

Indicação de livro:

"Firme nas Promessas: Um manual bíblico para a criação de filhos", Douglas Wilson

Particularmente no cap. 7, “A Necessidade da Educação Cristã”, pode ser encontrado um trecho nas páginas 111 e 112, sobre a importância da cosmovisão na educação cristã formal dos nossos filhos. As aplicações e implicações para a apologética cristã parecem ser imediatas, principalmente no que tange a necessidade de "treinar guerreiros" para uma "guerra intelectual, ética e religiosa", que ocorre em ambientes agnósticos ou seculares deliberadamente avessos à Fé Cristã, como o exemplo típico do meio acadêmico-universitário, que atualmente costuma ser hostil para os cristãos:

"O cristianismo não é a única cosmovisão que perpassa todas as áreas da vida; os falsos ensinos também são igualmente abrangentes. Se um pai cristão tenta neutralizar o falso ensino, significa que ele tem de gastar muitas horas a cada noite desfazendo muito daquilo que os filhos aprenderam em um dia de escola*. Essa tarefa é impossível porque os pais não sabem exatamente o que os filhos aprenderam naquele dia. E os próprios filhos muitas vezes não têm condições de identificar e relatar o que havia de antibíblico naquilo que ouviram. Eles não são capazes de fazer isto porque ainda não foram ensinados a pensar como cristãos; eles não são capazes de fazer isto porque não foram educados biblicamente. Isso torna a responsabilidade de supervisão uma tarefa extremamente difícil; na verdade, impossível. A única alternativa é uma educação cristã privada, a qual os pais cristãos podem fornecer em casa ou em uma escola cristã. 
Pais cristãos são moralmente obrigados a manter seus filhos longe de escolas que não tenham princípios bíblicos porque enviar filhos a uma zona de guerra intelectual, ética e religiosa sem a devida preservação e o treinamento adequado não é nem um pouco amoroso. Em uma guerra física, sabemos que um país está numa situação desesperadora quando envia crianças para a batalha. Do mesmo modo, o cristianismo em nosso país** está numa situação degradante. Enviamos nossas crianças para guerrear, ao invés de treiná-los para serem guerreiros. A questão não é evitar que os filhos tenham embates com aqueles que odeiam a Deus; antes, é treiná-los e prepará-los para isso. Não enviamos nem mesmo adultos para um campo de batalha sem treinamento e preparação. Durante o tempo de treinamento, nossos filhos devem ser protegidos. O que nos faz pensar que enviar crianças vulneráveis de sete anos para serem 'sal e luz' em uma instituição oficialmente agnóstica, sem qualquer estrutura ou preparação, é um ato de amor?
Existem meios para tal preparação, um deles é a educação cristã. Uma vez que tal educação é providenciada pelos pais, e o filho é verdadeiramente instruído, podemos então enviá-lo ao mundo..."

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* No contexto do livro, se referindo à "escola secular".
** A princípio, o livro está se referindo à América, país do autor Douglas Wilson. Contudo, parece bem razoável a extrapolação desta conclusão para outros países, como por exemplo, o Brasil.

Obs.: Neste blog, pode ser encontrado mais conteúdo sobre apologética cristã.

03 setembro 2015

Aula "Qual é a sua cosmovisão?" (GEB-UPE)

Os slides (em PDF) para a aula "Qual é a sua cosmovisão? Você sabia que possui uma, mesmo talvez nem sabendo que possui uma?" (GEB-UPE) podem ser encontrados neste link.

02 agosto 2014

"A Bíblia e o surgimento da ciência moderna"

No capítulo 1 (“Deus e a fé são inimigos da razão e da ciência?”) do livro "Gunning for God", de John C. Lennox, este autor faz referência a outro livro denominado ‘The Bible, Protestantism and the Rise of Science', de Peter Harrison, como pode ser observado abaixo:

“Na verdade, como Alfred North Whitehead e outros apontaram, há fortes evidências de que a cosmovisão bíblica esteve intimamente envolvida com o desenvolvimento meteórico da ciência nos séculos 16 e 17... Mais recentemente, O professor de Ciência e Religião de Oxford, Peter Harrison, tem defendido um aprofundamento da tese de Whitehead. Ele mostra que não foi somente o teísmo em geral, mas também os princípios particulares da interpretação bíblica usados pelos Reformadores que contribuíram significativamente para o desenvolvimento da ciência [Peter Harrison, ‘The Bible, Protestantism and the Rise of Science', Cambridge University Press, 1998].”

Seguem abaixo alguns trechos traduzidos de um artigo escrito por Peter Harrison sobre o mesmo tema, publicado na revista "Science and Christian Belief", e intitulado "The Bible and the Emergence of Modern Science":

“Minha tese, expressa de maneira simples, é que os Reformadores Protestantes, com alguma ajuda dos humanistas da renascença, patrocinaram uma nova abordagem para o texto bíblico, e ao fazê-lo, permitiram uma revolução hermenêutica que trouxe em seu rastro uma nova abordagem para os objetos naturais. Ao rejeitar a alegoria e insistindo, ao invés disso, que a Bíblia, o livro da palavra de Deus, deveria ser lida em seu sentido literal ou histórico, eles inadvertidamente tornaram possível uma nova abordagem para aquele outro ‘livro’, o livro da natureza. Essa nova abordagem foi essencialmente uma abordagem científica.”
“Em sua obra clássica sobre hermenêutica bíblica no início do período moderno, ‘O Eclipse da Narrativa Bíblica’ (1974), Hans Frei observa que ‘a afirmação que o sentido literal ou gramatical é o verdadeiro sentido da Bíblia tornou-se programática para as tradições de interpretação Luteranas e Calvinistas’. À luz do sistema de interpretação medieval que acabamos de delinear, este implicaria, é claro, uma rejeição da alegoria, e isso é precisamente o que nós encontramos quando nos voltamos para os principais reformadores. Lutero anunciou, em seu estilo tipicamente colorido, que alegoria era para ‘mentes fracas’ e ‘homens ociosos’. O sentido literal, ele insistiu, é ‘o maior, melhor, mais forte, em suma toda a substancial natureza e fundamento da Sagrada Escritura’. As Escrituras, na avaliação final de Lutero, foram interpretadas ‘em seu significado mais simples possível’. João Calvino concordou que o exegeta deve procurar o sentido ‘histórico’ ou ‘literal’ do texto, o que ele novamente identificou como o sentido simples das palavras (‘simplici verborum sensu’). Tal como Lutero, ele contrastou esta abordagem com a dos alegorisadores: ‘A Escritura, dizem eles, é fértil e, portanto, tem múltiplos significados... Mas eu nego que esta fertilidade consiste nos vários significados que alguém pode fixar por sua própria vontade. Deixe-nos saber, então, que o verdadeiro significado da Escritura é natural e simples, e deixe-nos adotá-lo e mantê-lo firmemente. Vamos não apenas negligenciar como duvidoso, mas com ousadia vamos deixar de lado, como corrupções mortais, estas pretensas exposições que nos levam para longe do sentido literal. ’ [Calvin, J. The Epistle of Paul the Apostle to the Galatians, Philippians, Ephesians, and Colossians, Parker, T. H. L. (trans.), Grand Rapids; Eerdmans (1964), pp. 84f]”
“Calvino, por exemplo, escreveu que quando Moisés falou em Gênesis do sol e da lua como ‘dois grandes luminares’, ele não estava afirmando alguma verdade filosófica, mas estava adaptando seu discurso ao uso comum.”
“Antes de olhar para estas metáforas  dramaticamente revisadas, vale a pena fazer uma breve consideração, tanto para as razões da insistência Protestante na primazia do sentido literal, quanto nas outras características da Reforma que contribuíram com o colapso da mentalidade do simbolismo na Idade Média. Parte da razão para o desejo dos Protestantes de restringir o significado da Escritura ao sentido literal tem certamente a ver com o princípio ‘Sola Scriptura’ (Somente a Escritura). Tanto Lutero, quanto Calvino, desejavam argumentar que a Escritura era uma fonte suficiente p ara o nosso conhecimento de Deus e da Sua vontade. A alegoria, no entanto, distanciava o leitor das palavras da Escritura para longe dos objetos da natureza, que também deveriam ser fontes eloquentes do conhecimento divino.”
“Outros reformadores Protestantes reforçaram o fim das concepções simbólicas da ordem natural. A iconoclastia protestante, por exemplo, evidencia uma profunda desconfiança para com os objetos que supostamente carregavam um significado como símbolos religiosos. Se os objetos da natureza passaram a ser despojados de suas associações simbólicas, é pouco surpreendente que os artefatos humanos, de modo semelhante, foram considerados religiosamente mudos. Eamon Duffy escreveu que a iconoclastia que acompanhou a Reforma Inglesa resultou em ‘um despojamento de observância familiares e queridas, a destruição de um vasto e ressonante mundo de símbolos.’ [Duffy, E. The Stripping of the Altars: Traditional Religion in England, c.1400-c.1580, New Haven: Yale University Press (1992), p. 591. Cf. Aston, M. England’s Iconoclasts, vol. I, Oxford: Clarendon (1988), p. 16; Green, I. The Christian’s ABC: Catechisms and Catechising in England, c.1530-1748, Oxford: Clarendon (1996), pp. 431-437]”
“No culto protestante, o centro das atenções não era mais o drama da missa, mas a pregação da Palavra. Os bancos das Igrejas Protestantes foram tipicamente reorganizados para ficar de frente para o púlpito, ao invés do altar. Esta mudança de foco dos objetos religiosos para palavras também afetou uma mudança significativa na consciência religiosa.”
“Ideias e práticas Protestantes, em suma, desempenharam um papel fundamental nesta profunda transição em que, como Lawrence Stone descreveu, ‘A Europa mudou-se decisivamente à partir de uma cultura de imagem para uma cultura de palavra’. Como consequência desta nova concentração em palavras, mais claramente exemplificada na mudança literalista, objetos naturais foram libertados de sua função subsidiária na questão da exegese bíblica, e se tornaram suscetíveis aos novos princípios ordenadores. Estes, como você pode agora imaginar, foram fornecidos pelas nascentes ciências naturais.”
“Dois comentários finais estão em ordem, e eles dizem respeito à diferença que tudo isso fez na nossa compreensão deste notável período da história e da natureza da própria modernidade, por si só. Em primeiro lugar, há uma visão comum de que o literalismo bíblico é inimigo da ciência. Embora a recente manifestação histórica do fundamentalismo empresta a este ponto de vista um certo crédito, e embora seja indubitavelmente verdadeiro que algumas passagem da Escritura, quando interpretadas em seu sentido literal, foram usadas para suprimir opiniões que foram subsequentemente endossadas pela comunidade científica, eu tenha sugerido que o tipo de mentalidade literalística, característica dos primeiros Protestantes modernos, deu origem a uma cosmovisão que proporcionou um ambiente propício para o florescimento das ciências naturais. A este respeito, então, eu juntei essa linha de historiadores que têm avançado a proposição, reconhecidamente arriscada, de que a ciência moderna e, de fato, a modernidade em geral, tem um profundo débito com o Protestantismo. Em segundo lugar, e na sequência a partir deste ponto, também é comumente assumido que a ciência é um dos principais motores da secularização. Porque as explicações científicas substituem as religiosas, pensa-se, a ciência traz um desencantamento do mundo. Do meu ponto de vista, ocorre exatamente o inverso. O desencantamento do mundo foi realizado, em grande parte, pelas tendências dessacralizadoras da religião Protestante. A remoção de significados religiosos do mundo natural estabeleceu as condições que tornaram possível o florescimento das ciências.”


26 fevereiro 2014

"Gunning for God" 2

Mais alguns poucos trechos e citações traduzidos do livro "Gunning for God: why the new atheists are missing the target", de John C. Lennox. Continuo recomendando a leitura completa do livro.

07 junho 2025

O frágil disfarce de Super-Homem

Na famosa obra de ficção, o super-herói Superman usa um disfarce secreto, assumindo a identidade de Clark Kent, que é um frágil, vulnerável e acanhado ser humano que vive em Metrópolis, trabalha como jornalista no jornal Planeta Diário, e é apaixonado por Lois Lane, também jornalista do mesmo jornal.
Uma das cenas mais memoráveis do filme original ocorre quando Clark Kent se transforma no Superman em uma cabine telefônica, típica de uma época anterior aos telefones celulares. Clark Kent entra na cabine vestindo terno e gravata, e usando óculos que são ficítcios, uma vez que a poderosa capacidade visual (incluindo visão de Raio-X) do Super-Homem não precisaria do ajuste de lentes corretivas prescritas por um oftalmologista. Diga-se, de passagem, óculos nos fazem lembrar do conceito de Cosmovisão ou Visão de Mundo, que frequentemente usa esta analogia das lentes corretivas para enxergar a realidade ao nosso redor, e também dentro de nós. Quando o Superman sai da cabine, ele não está mais vestindo seus óculos fictícios ou seu terno e gravata, mas está usando um uniforme de super-herói, cujo elemento de maior destaque é a capa estampada com uma logomarca bem visível em forma de um "S" estilizado, para exaltar o fato dele ser "Super". Ao sair da cabine telefônica, seu local secreto de metamorfose (transformação), o super-herói já vai logo tipicamente alçando voo para socorrer alguma donzela em perigo, ou para salvar o mundo inteiro de algum vilão de plantão, como por exemplo, seu arqui-inimigo, Lex Luthor
Algumas curiosas simbologias chamam a nossa atenção nesta obra de ficção criada por seres humanos. Uma delas é um mineral fictício, chamado kryptonita, que enfraquece o Superman e, portanto, parece ser seu maior "ponto fraco" ou "calcanhar de Aquiles". Outra simbologia que aparece nesta obra de ficção é a designação "Kal-El", que é o nome do Superman em seu planeta natal, chamado krypton. Em hebraico, esta combinação de termos poderia eventualmente ser interpretada como "voz" (kal) de "deus ou deuses" (el), ou seja, "Kal-El" poderia ser uma referência intencional à "voz de Deus" na terra, ou ao "filho de Deus" encarnado.
Muita coisa certamente ainda poderia ser dita sobre esta interessante obra de ficção, proveniente da criatividade humana que, diga-se de passagem, é um reflexo do "Imago Dei", ou seja, do fato do ser humano ter sido criado, pelo próprio Deus Criador, à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26-27).
Caro leitor, parece que o contraste que mais chama a nossa atenção, entre Clark Kent e Superman, é a notória e humilhante fraqueza e fragilidade do ser humano, contra a exaltada e celebrada força e poder do super-herói. A Escritura revela muitos textos sobre "fraqueza" (Rm 6.19;8.26; 1Co 1.25;2.3;15.43; 2Co 11.30;12.9;13.4; etc.) e "poder" (Mt 22.29;24.30; At 1.8;4.33; Rm 1.4;1.16;1.20; 1Co 1.18;1.24;15.43; etc.), e certamente devemos prestar atenção a todo conselho de Deus: "Porque, de fato, [Cristo] foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus" (2Co 13.4).
Para todos nós, seres humanos, especialmente para aqueles de nós que confessam o poderoso nome do Senhor Jesus Cristo como nosso necessário e suficiente Salvador e Redentor, que foi "pendurado no madeiro" (Gl 3.13) como um aparente sinal de fraqueza, concluimos com uma única e importante aplicação: 
Ao contrário da ficção que acabamos de relembrar neste texto, onde o extraordinário super-herói se disfarçava de um ser humano comum no dia-a-dia, precisamos ter cuidado para que o fraco e miserável "Clark Kent" que há em nós não se apegue à tentação de fazer uso do frágil e vulnerável disfarce de "Super-Homem" (o "personagem" Superman), que a nossa natureza caída tenta forjar e manifestar em boa parte da nossa vida cristã. 
Uma curiosidade adicional sobre o personagem desta obra de ficção é que, quando enfraquecido, ele precisa ter contato com a radiação (luz) da estrela do nosso sistema solar, para se recuperar. Como crentes, também precisamos depender diariamente da luz (Jo 3.19;8.12;9.5) do "sol da justiça" (Ml 4.2), ou "brilhante Estrela da manhã” (Ap 22.16), para recebermos nossa "porção" (Sl 16.5;119.57; Lm 3.24) para combater os efeitos da "kryptonita" do nosso pecado.
Graças a Deus porque não temos um "Kal-El" fictício neste mundo real e verdadeiro que Ele criou e sustenta, mas temos um Emanuel, que quer dizer "Deus Conosco" (Mt 1.23).
Glória somente ao Senhor Jesus Cristo por tudo, ontem, hoje e sempre!