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01 maio 2025

"Teologia é poesia?" (C.S. Lewis)

Trecho final do ensaio "Teologia é poesia?", de C.S. Lewis (CSL), com ênfases acrescentadas:

‘[...] A obviedade ou naturalidade que a maioria das pessoas parece encontrar na ideia do evolucionismo emergente parece ser uma alucinação pura.
Alguém pode ser forçado a pensar, a partir dessas bases e outras semelhantes, que de tudo o mais que possa ser verdade, a cosmologia científica popular não é. Abandonei aquele navio [1] não por causa do chamado da poesia [2], mas porque pensei que ele não pudesse se manter flutuando. Algo como o idealismo filosófico ou o teísmo deve ser, na pior das hipóteses, menos falso que isso. E o idealismo se mostrou um teísmo disfarçado, quando você o leva a sério. E uma vez tendo aceitado o teísmo, você não poderia ignorar as afirmações de Cristo. E depois que as examinei, me pareceu que não poderia assumir uma posição mediana. Ou ele era um lunático ou era Deus. E ele não era um lunático.
Aprendi na escola que, depois de fazer uma soma, deveria “testar a minha resposta”. A prova ou a verificação de minha resposta cristã à soma cósmica foi esta. Quando eu aceito a Teologia, posso encontrar dificuldades neste ponto ou naquele, ao harmonizá-la com algumas verdades particulares que estão implantadas na cosmologia mística derivada da ciência. Mas, eu posso compreender, ou admitir, a ciência como um todo. Se admito que a Razão [3] é anterior à matéria e que a luz daquela Razão primordial ilumina mentes finitas, posso compreender como as pessoas podem vir a saber, pela observação e inferência, muito do universo em que vivem. Se, por outro lado, eu aceito a cosmologia científica como um todo, então não apenas não serei capaz de acomodar o cristianismo, mas não poderei acomodar a própria ciência. Se as mentes são completamente dependentes do cérebro, se o cérebro depende da bioquímica, e a bioquímica (no longo prazo) depende do fluxo sem sentido dos átomos, não posso entender como o pensamento daquelas mentes deveria ter qualquer significância maior que o som do vento nas árvores. E esse é para mim o teste decisivo [4]. É assim que distingo o sonho e a vigília. Quando estou desperto posso, em certo grau, avaliar e estudar meu sonho. O dragão que me perseguiu na noite passada pode ser encaixado no meu mundo desperto. Sei que existem coisas como os sonhos; sei que comi um jantar difícil de digerir; sei que alguém que lê o que leio está sujeito a sonhar com dragões [5]. Mas, enquanto eu estava no pesadelo não podia inserir minha experiência de desperto. O mundo desperto é avaliado de modo mais real porque poderá conter, assim, o mundo dos sonhos; o mundo dos sonhos é avaliado como menos real porque não pode conter o mundo desperto. Pela mesma razão, estou certo de que ao passar dos pontos de vista da ciência para o teológico, passei do sonho para o despertamento. A Teologia cristã pode acomodar a ciência, a arte, a moralidade, e as religiões não-cristãs [6]. A perspectiva da ciência não é capaz de acomodar nenhuma dessas coisas, nem mesmo a própria ciência. Creio no cristianismo assim como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele eu vejo tudo mais.’

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*Notas:
[1]. Neste contexto, CSL parece estar se referindo à cosmologia científica típica da visão de mundo encontrada no materialismo/naturalismo. Em seus dias, um dos maiores divulgadores destas ideias era H.G. Wells, conforme o próprio autor cita, mais acima (“Perspectiva Científica”), no ensaio.
[2]. O autor está se referindo, neste contexto, à sua fé cristã, no tema central deste ensaio "Teologia é poesia?".
[3]. Por Razão, CSL está se referindo ao Deus Criador, Causa Primária, Verdade Absoluta, Verbo da Vida. 
[4]. Neste ponto, CSL está se posicionando claramente contra o absurdo do reducionismo encontrado na visão de mundo materialista/naturalista. Para mais conteúdo sobre este assunto, favor acessar os seguintes links: link I, link II, link III, link IV, link V, link VI.
[5]. O autor parece estar se referindo ao tipo de leitura e de conteúdo que está no seu imaginário, lembrando que CSL é autor de "Crônicas de Nárnia", e também era amigo pessoal de J.R.R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis", por exemplo.
[6]. Parece que, neste contexto, o autor está racionalmente declarando que a cosmovisão cristã é capaz, até mesmo, de explicar a existência de outras religiões não-cristãs, por exemplo, por causa da tendência idólatra do seu humano, que é explicada claramente na verdadeira antropologia bíblica encontrada nas Escrituras.

14 setembro 2024

Buscador encontrado (*decadante)

Busquei incessantemente a verdade, desde quando tenho a consciência de buscador [1]...
Busquei, de forma ingênua e pueril, as respostas para as desafiadoras perguntas da existência...
Busquei, acreditando encontrar a verdade apenas na explicação lógica e racional do mundo natural...
Busquei, aplicando as equações matemáticas à bela realidade físico-química dos átomos e moléculas...
Busquei, convicto de que os intangíveis modelos matemáticos da realidade tangível seriam suficientes...
Busquei, confiando somente na capacidade do buscador, e no potencial das ferramentas científicas...
Busquei, maravilhado com as descobertas limitadas e parciais sobre a magnífica ordem da natureza...
Busquei, esperando que minha curiosidade seria sanada, e que a busca teria, portanto, um fim...
Busquei com toda veemência, com toda capacidade cognitiva, com toda potência da volição...
Busquei incessantemente... tanto, tanto e tanto... "buscas trovejantes"!
Até que, quando menos esperava, fui encontrado, e tornei-me um simples "buscador encontrado"...
Humilhado, como um "buscador tangível" que foi encontrado pelo verdadeiro "Buscador intangível"...
E só me deparei com a Realidade Última - a Causa Primária - quando Ele me encontrou...
Dando-Lhe graças, por Ele ter finalmente encontrado este cansado buscador...
Que já estava intensamente exausto, e confusamente perdido, em suas buscas solitárias...
Desde então, nesta antiga busca os "trovões estão silenciosos" [2]...
E hoje, procuro apenas buscar alegremente a Verdade revelada na Sua Palavra (Jo 14:6)...
Louvado seja o Filho do Homem, que veio buscar e salvar o perdido (Lc 19:10)...
Ao Senhor Jesus Cristo seja, pois, a glória eternamente. Amém! (Rm 11:36)

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7:7-8)

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#Notas:
*decadante, que aparece no título desta postagem, é um trocadilho, pois este texto é uma adaptação do texto original "buscador encontrado", publicado a mais uma década atrás (dezembro/2013). Este trocadilho também é usado no contexto da "amizade decadante". ou seja, para descrever amizades cristãs a partir de 1 década de existência.
[1] Neste contexto, me refiro ao chamado da vocação como cientista e pesquisador universitário já a cerca de 3 décadas. Contudo, desde a infância, um dos primeiros apelidos que me lembro de ter recebido de amigos da escola foi "tostines", a partir de uma divertida propaganda antiga, onde alguém muito curioso fazia uma pergunta interessante sobre uma bolacha (ou biscoito) da época (década de 1980).
[2] Os trovões do Sinai foram silenciados no Calvário (ver texto de Thomas Watson, sobre Êx 19 e 20).


27 agosto 2022

Palestra: Ciência e Fé

 Papo Evangelístico sobre "Ciência e Fé"
PIBREP (Primeira Igreja Batista REformada de Paulista)
27/08/2022


 
Irmãos e irmãs da PIBREP, obrigado pelo carinho!
Glória somente a Deus por tudo!
 

15 novembro 2021

Tangendo ao intangível

 

Segundo o relato bíblico histórico (Mt 27:27-31), momentos antes da sua crucificação, o Senhor Jesus Cristo, que é o “sol da justiça” e a “brilhante Estrela da manhã” [i], foi “coroado” com uma coroa de espinhos e com um caniço (como se fosse um cetro real) na mão direita, apenas para escarnecerem dele, dizendo: “Salve, rei dos judeus!”. Aqueles zombadores, no pretório, não sabiam que estavam mesmo diante do Rei dos reis e Senhor dos Senhores (1Tm 6:15; Ap 17:14).

Uma das declarações que talvez tenha resumido de forma mais expressiva e contundente a autoridade majestosa do nosso Rei, Profeta e Sacerdote, é a seguinte: “Não há sequer uma parte do nosso mundo do pensamento que possa ser hermeticamente separada das outras partes; e não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: ‘Meu!’” [ii].

Diante desta realidade, somos remetidos também à declaração do apóstolo Pedro: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” (1Pe 5:4). A bela palavra “imarcescível” [iii] também é utilizada em outro magnífico texto encontrado no primeiro capítulo da mesma carta, 1Pe 1:3-9. Inspirado pelo Espírito Santo, o apóstolo Pedro expressa que mesmo que não consigamos “ver” o Senhor Jesus, podemos ama-Lo e exultar “com alegria indizível e cheia de glória” (v.8), “crendo” por meio da fé [iv].

De forma interessante e coerente com esta verdade, o mesmo padrão parece se repetir com a estrela do nosso sistema solar (o Sol), com os elétrons [v] e com o oxigênio necessário para a respiração dos seres vivos, por exemplo, pois apesar de não conseguirmos “enxergar” (pelo menos, “a olho nú”), ou então alcançar [vi] algumas destas realidades físicas, químicas, biológicas, etc − que são, neste sentido e contexto, “intangíveis” − nós claramente as percebemos por meio dos seus efeitos indiretos, como por exemplo o calor e a luz do Sol, o choque elétrico proveniente de uma descarga de elétrons, a preservação da vida através da respiração do oxigênio presente não apenas no ar atmosférico, mas também na água, para organismos aquáticos.

Pensando neste conceito de tangibilidade/intangibilidade, é fascinante como a realidade intangível se revela no que é tangível, principalmente para quem atua em qualquer área da ciência e é, portanto, um estudante da natureza como obra da criação de Deus. O apóstolo Paulo esclarece bem esta questão em Rm 1, particularmente no v. 20: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

Portanto, temos este efeito tutorial de aprendizado nas coisas tangíveis que nos conduzem, em última instância, ao Intangível, Eterno, Infinito... à Causa Primária... o Senhor Deus “criador do céu e da terra” (Sl 124:8;134:3).

Desta forma, isto se torna uma tremenda lição de humildade e gratidão, pois se os seres humanos são, de maneira geral, “indesculpáveis”, pois todos nós temos o conhecimento de Deus por meio das “coisas que foram criadas”, e então, o cientista como estudante dos detalhes magníficos da obra da criação de Deus, seria ainda mais indesculpável por não o glorificar como Deus, nem lhe dar graças (Rm 1:21).

Em sua clemência e misericórdia como Rei dos reis, este Deus “intangível” em sua infinitude e eternidade se tornou “tangível”, pois “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” ... se tornou “Deus conosco” (ver Fp 2:5-11 e Mt 1:23).

Graças a Deus por Jesus Cristo!

Glória a Deus por sua soberania, poder, majestade, clemência e misericórdia!

 

*Notas:

[i] “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça” (Ml 4:2a). “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (Ap 22:16b).
[ii] Abraham Kuyper, “Soberania das esferas”, discurso inaugural da Universidade Livre de Amsterdã, em 20/10/1880.
[iii] “Incorruptível” ou “que não desaparece”.
[iv] “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (Hb 12:2).
[v] Os elétrons, tipicamente conhecidos como partículas subatômicas, estão relacionados ao fenômeno da eletricidade, por exemplo.
[vi] Atingir ou tanger.


12 novembro 2021

Deus: inspiração para poesia e para ciência

 


Deveríamos nos perguntar: “O que inspira um genuíno poeta?

Observe algumas estrofes da bela poesia de Amaro Poeta [i]:

 

Deus fez o mundo do nada

E em seis dias terminou,

Dois terços de água em cima

O mar na terra plantou,

E o céu bordado de estrelas

Suspenso no ar deixou.

 

O arco íris pintou

No céu como um diadema,

O sol nascer cor de ouro

E morrer da cor de gema,

E no crepúsculo da tarde

Deixou escrito um poema.

 

Com sua força suprema

Deu velocidade ao vento,

Deu as aves asas soltas

Pra bailar no firmamento,

Porque o mestre é o único

De perfeição cem por cento.

...

O universo perfeito

Pintou de todas as cores,

Fez do chão um lençol verde

E ornamentou de flores,

Com animais e florestas

E deu para os seus pastores [ii],

...

A chuva que cai do manto

Pingo a pingo é peneirada,

O rio de água doce

E o mar de água salgada,

Que a natureza obedece

A quem fez tudo do nada.

...

Do poder ilimitado

O mestre é onipotente,

Do saber absoluto

Deus é o onisciente,

E por estar em toda parte

Ele é onipresente.

 

Deus com sua mão potente

É comandante da nave,

A bordo do globo faz

Girar o cosmo suave,

Dos desígnios e mistérios

Só ele possui a chave.

 

Quem do olho tira a trava

Enxerga os defeitos seus,

Que o mestre é dono de tudo

Até da fé dos ateus,

Que até quem não tem fé sabe

Que o dono do mundo é Deus.


Parece que a inspiração para este genuíno poeta foi o tema da criação de Deus, revelada nas Escrituras, particularmente no relato histórico e literal do livro de Gênesis.  

Os versos finais desta genuína poesia de Amaro Poeta também parecem estar em acordo com as sábias palavras do apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo:

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1:20).

Ao longo deste texto (Rm 1:18-27), o apóstolo Paulo deixe bem claro que todos os seres humanos que, “tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”, “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (v. 21). Ele ainda declara que tais seres humanos, “inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (v. 22).

Como o livro dos Salmos é notoriamente reconhecido como literatura poética e de sabedoria, podemos lembrar que o salmista “poeta” (rei Davi, neste caso), também inspirado pelo Espírito Santo, nos ensina esta mesma verdade sobre a soberania de Deus na criação do universo e do ser humano:

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19:1).

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8:3-5).

Neste ponto, poderíamos nos perguntar também: “O que inspira um sensato cientista?

Considerando a verdade bíblica como fundamento absoluto, como todos os seres humanos são indesculpáveis por terem o conhecimento de Deus e de seus atributos (“sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas”), então os cientistas (que se ocupam ainda mais com a investigação detalhada da natureza - criação de Deus), são ainda mais indesculpáveis, se não o glorificarem como Deus, nem lhe derem graças. Graças a Deus, por sua providência, que permitiu o desenvolvimento das diversas áreas da ciência ao longo da história da humanidade [iii].

Glória somente a Deus, por sua magnífica obra de criação!

Graças a Deus, por sua misericordiosa e sábia providência!

 

*Notas:

[i] Amaro Rodrigues, conhecido como Amaro Poeta: escritor, poeta, cordelista, natural de Vitória de Santo Antão - PE.

[ii] No contexto do “Mandato cultural”, ver por exemplo, Gn 2:15.

[iii] Por exemplo, ver “A Alma da Ciência: Fé Cristã e Filosofia Natural”, de Nancy R. Pearcey & Charles B. Thaxton.



01 novembro 2021

Fé subatômica

 


Segundo a compreensão atual [i] do modelo padrão da física de partículas, estima-se que um átomo tenha tipicamente o tamanho na escala de ångströms (10-10 m), enquanto que apenas o núcleo seria cerca de 10.000 vezes menor (10-14 m), um bárion (prótons e nêutrons, por exemplo) teria o tamanho na escala de 10-15 m, e um quark teria uma escala menor do que 10-19 m. Em outras palavras, existe uma diferença de quase 10 ordens de grandeza (quase 10 bilhões de vezes) entre o tamanho de um átomo e de uma partícula elementar como um quark. Para uma comparação mais cognitiva destas dimensões e escalas, podemos imaginar que se os prótons e nêutrons (bárions) tivessem um tamanho de 10 cm (na escala de uma régua), então os quarks teriam a dimensão menor do que 0,1 mm, ou seja, a décima parte da menor divisão (milímetro) de uma régua. Nesta comparação, o átomo inteiro teria o diâmetro de cerca de 10 km (a distância típica de um percurso de carro).

Ao longo da vida cristã, durante a peregrinação neste mundo caído pelo pecado (incluindo o nosso próprio), muitas vezes nossa fé é abalada, e, nestas ocasiões, ela parece estar menor do que um quark de um próton, de um núcleo, de um átomo, de uma molécula, de uma célula, de um tecido de um pequeno grão de mostarda.

“E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível” (Mt 17:20). Esta declaração do Senhor Jesus Cristo provavelmente é a origem da expressão popular: “fé que remove montanhas”.

Apesar da pequenez da nossa fé em alguns momentos ao longo desta vida, se ela está firmada no Senhor Jesus, que é o “Autor e Consumador da fé” (Hb 12:1-3), ela é uma fé real e concreta, pois esta solidamente depositada no Deus onisciente, onipresente e onipotente, que é o criador e sustentador de tudo o que existe, além de ser o salvador daqueles que depositam toda a sua esperança e fé Nele. Como ensina o apóstolo Paulo: “O justo viverá por fé” (Rm 1:17).

Portanto, o que importa mesmo não é a insignificante pequenez da nossa minúscula fé, mas sim a significativa grandeza do nosso Senhor, e a peculiar e extraordinária dimensão do seu amor e da sua justiça: “...e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:17-19).

“A alma é a vida do corpo; a fé é a vida da alma; Cristo é a vida da fé” (John Flavel).

Sola fide

Soli Deo Gloria

 

*Notas:

[i] “Contemporary Physics Education Project”: www.cpepphysics.org


A química da morte e da vida

 




Na química da morte e da vida, podemos perceber um fato peculiar, que corrobora com o que o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, nos ensina nas Escrituras:

“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.” (2Co 2:14-16a)

O fato peculiar é que a molécula atribuída como responsável pelo aroma agradável do assim chamado “arroz aromático” (arroz basmati e arroz jasmin, por exemplo) [i], e também uma das moléculas associadas ao aroma agradável do “pão assado” [ii], é a 2-acetil-1-pirrolina [iii], abreviada por 2AP. O mais curioso sobre a molécula 2AP, é que a sua rota de biossíntese no arroz (e em outras plantas) tem como um precursor a molécula de Putrescina. A molécula de Putrescina [iv] é uma diamina, similar à molécula de Cadaverina [v], ambas podendo ser formadas pela decomposição dos aminoácidos em organismos vivos e mortos, e conferindo tipicamente o odor repulsivo e repugnante da putrefação em cadáveres. 

Portanto, esta maravilhosa realidade química corrobora com o ensinamento do apóstolo Paulo, particularmente quando lembramos que o Senhor Jesus Cristo também se declara como o “pão da vida” (Jo 6:35,48) em uma das 7 magníficas declarações “Eu Sou” encontradas no Evangelho segundo João, e que podemos escutar como um eco da declaração do Senhor em Êxodo 3: “Eu Sou o Que Sou”. Alguns capítulos depois (Êx 16:22-36), observamos no relato bíblico que “os filhos de Israel” comeram do “maná” por 40 anos, ou seja, do “pão” com que o Senhor os sustentou no deserto (v.32). E aqueles que confiam na obra de criação, providência, redenção e salvação do Senhor, o “pão da vida”, podem desfrutar do “aroma” e do “sabor agradável” deste “pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça” (Jo 6:50). Este é o mesmo “pão do céu” que temos a alegria e o privilégio de testemunhar e receber, representado por um pão físico separado do seu uso cotidiano, no memorial celebrado durante o sacramento da Ceia do Senhor (1Co 11:23-32). Comemos deste pão frequentemente, enquanto caminhamos como “peregrinos” neste “deserto da vida”, aguardando pela bem-aventurança de saciar completamente nossa “fome e sede de justiça” (Mt 5:6), no encontro derradeiro com o “pão da vida”.

Além disso, outros textos bíblicos também nos ensinam esta verdade de que Deus nos concede vida por meio do seu Espírito, que nos convence do sacrifício de Cristo Jesus em sua morte na Gólgota (Mt 27:33; Mc 15:22, “lugar da caveira”). Em 2Tm 2:11, o apóstolo Paulo declara: “Fiel é esta palavra: Se já morremos com Ele, também viveremos com Ele”. Neste contexto, poderíamos dizer que a necessidade que temos da salvação, através do sacrifício expiatório do “pão da vida”, é devido ao odor de “putrescina” e “cadaverina” da “carne decomposta pelo nosso pecado”.

Para terminar este texto com um “aroma de esperança” para os que depositam toda confiança e fé no “pão da vida”, podemos lembrar da revelação que o apóstolo João recebeu do Senhor Jesus Cristo a respeito do “novo céu e nova terra” (Ap 21), e compartilhou fazendo a declaração alvissareira que o próprio Senhor Jesus nos “enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá” (v.4). Ou seja, parece que não haverá mais odor de Putrescina e Cadaverina no “novo céu e nova terra”, pois não haverá mais “decomposição” dos corpos glorificados.

Parafraseando o Dr. John C. Lennox, “sim, estou falando sobre o céu, e não me esqueci que sou um cientista”. Vale lembrar que C.S. Lewis declarou, certa vez (The Problem of Pain): “Nós estamos muito tímidos atualmente de sequer mencionar o céu”.

Graças à Deus pela química...

Graças a Deus pelo “pão da vida”...

Graças a Deus pelo “novo céu e nova terra”...

Glória somente à Deus por tudo!

 

*Notas:

[i] https://doi.org/10.1080/87559129.2017.1347672

[ii] https://doi.org/10.1021/jo051940a

[iii] https://doi.org/10.1007/s11103-008-9381-x

[iv] https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/1045

[v] https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/273